A fita K7 com “No Alternative” e uma das melhores introduções ao rock alternativo

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No Walkman, por Luis Bortotti

“No Alternative” é uma compilação lançada em 1993 em prol da luta de combate à AIDS, da Red Hot Organization, pelo selo Arista. Idealizada por Paul Heck e Chris Mundy, que passaram 2 anos montando o projeto todo, a obra trouxe grandes nomes do rock alternativo que dominava as paradas mundiais no começo da década de 90.

Meu primeiro contato com o álbum foi totalmente inconsciente, afinal, emprestei de um amigo a fita K7 que tinha uma música inédita do Nirvana. Era apenas uma música que eu queria escutar (ainda mais porque na época eu praticamente só escutava o trio de Aberdeen), entretanto, acabei recebendo de bandeja uma dezena de músicas sensacionais de bandas e artistas que passaria a escutar nos anos seguintes.

A tal música do Nirvana, de fato, é uma das principais do disco. Não creditada na versão original da compilação, “Sappy” é uma sobra de estúdio do In Utero” (também de 1993). Entretanto, já era tocada pela banda desde 1989, tendo versões rejeitadas pré-Nevermind”. Na época do lançamento do disco, ela ficou conhecida pelos fãs como “Verse Chorus Verse”, que viria ser o nome dado a outra canção da banda.

Claro que escutei à exaustão a música, afinal, era uma música inédita da minha banda preferida. Ainda mais em uma época em que a internet ainda caminhava em downloads lentos e com poucas fontes de B-sides e raridades. Mas, com o tempo, arrisquei conhecer o que aquela pequena fita tinha a me oferecer. E foi amor à primeira ouvida de várias músicas.

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Entre faixas inéditas, sobras de estúdios e versões ao vivo, “No Alternative” se mostrou um disco incrível. Mesmo eu mal conhecendo quem estava ali.

Uma das primeiras que fez eu viciar o botão de rewind foi “Iris”, do The Breeders, em uma poderosa versão ao vivo. Com ela, os caminhos para se viciar em The Breeders e Pixies estavam mais do que abertos.

O mesmo com o Pavement, que aqui marca presença com “Unseen Power of The Picket Fence”, b-side do single, que ainda seria lançado, “Shady Lane”, em plena declaração ao REM. Mal havia parado de ouvir e logo ganhei o Wowee Zowee” (sem encarte ou caixinha) de um ex namorado da minha irmã.

“No Alternative” é realmente um passeio por grandes ápices dos anos 90. A fita K7, com ele gravado, me apresentou o mundo do The Smashing Pumpkins, de Billy Corgan, graças a “Glynis”, “Zero” e “Bullet with Butterfly Wings”, que também estavam gravadas com o disco, e reforçou as primeiras escutadas de Soundgarden, afinal, eu estava descobrindo o grunge. O baixista doidão, Ben Shepherd, assina “Show Me”.

Do rock ao hip hop alternativo, com “It’s The New Style” dos Beastie Boys, de quem eu sempre adorava os clipes e depois iria pirar com o punk hop (???) do Licensed to Ill”, indo até o folk canadense de Sarah McLachlan, que me lembrava muito Alanis.

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O disco ainda conta com um dos pais do rock alternativo, Bob Mould, com “Cant Fight It”, Buffalo Tom, com “For All To See” e até Goo Goo Dolls fazendo cover de “Bitch” do Rolling Stones.

No total, são 19 fantásticas faixas lançadas no dia 26 de outubro de 1993, ou seja, na explosão da cena alternativa. No ano seguinte foi lançado um VHS, em parceria com a MTV, com videoclipes e performances ao vivo de algumas canções da compilação e de apresentações de outras dos artistas participantes e apoiadores da causa. O home video também vinha com informações sobre o combate à AIDS.

E fica a minha oferta de você adentrar aos anos 90 ao som da excelente compilação “No Alternative”, da Red Hot AIDS Benefit Series, uma coleção de compilações dos mais diversos gêneros musicais que arrecada, anualmente, importantíssimos apoios aos portadores de AIDS, além de conscientizar toda uma sociedade através da cultura pop.

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NO ALTERNATIVE 1993 | CURIOSIDADES

– O disco possui duas versões de capas diferentes. A versão com o garoto censurado não possui a faixa do Nirvana listada, já algumas versões do CD com a garota censurada na capa, possuem o nome gravado como “Verse Chorus Verse”.

– No Record Store Day 2013, “No Alternative” foi relançada pela primeira vez em vinil, em uma edição especial comemorativa de 20 anos. Curiosamente, algumas dessas versões também saíram sem os créditos ao Nirvana, mantendo assim a arte das primeiras prensagens.

– A versão em K7 possui duas músicas adicionais: “Burning Spear”, do Sonic Youth, e “Hot Nights”(live), de Jonathan Richman.

NO ALTERNATIVE 1993 | #TEMQUEOUVIR

1. “Superdermormed” (Matthew Sweet)
2. “For All to See” (Buffalo Tom)
7. “Unseen Power of the Picket Fence” (Pavement)
8. “Glynis” (The Smashing Pumpkins)
9. “Can’t Fight It” (Bob Mould)
10. “Hold On” (Sarah McLachlan)
11. “Show Me” (Soundgarden)
16. “It’s The New Style” (Beastie Boys and DJ Hurricane)
17. “Iris” (The Breeders)
19. “Sappy” (Nirvana)

NO ALTERNATIVE | OUÇA AGORA!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pela cantora Paula Cavalciuk

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Paula Cavalciuk
Paula Cavalciuk

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é a cantora Paula Cavalciuk, que acaba de lançar seu primeiro disco, “Morte e Vida”.

Bloody Mary Una Chica Band“Sugar”

“A primeira vez que vi esta mulher se apresentando pela primeira vez, fazendo a vez de uma banda inteira, eu tremi todinha! Que potência a Marianne carrega em cada centímetro de seu corpo vibrante, criativo, visceral e persuasivo! Doses cavalares de roquenrou!”

Alambradas“Mapa dos Arredores (Ouvi Dizer)”

“Outra mulher que carrega uma banda no bolso e nos dedos que passeiam pelo seu piano. Nicole canta coisas que se encaixam perfeitamente no cotidiano de alguém que enfrenta vagões lotados, filas no trânsito. Ela deixa o cinza de São Paulo até meio azuladinho”.

Autoconceito“Cifras Negras”

“A voz de Fernanda Teka, nesta música, é a voz de todas nós. Ao passo que a voz do Vinicius é a voz de uma sociedade inteira, que julga, que culpa a mulher pelas atitudes de homens opressores, que justificam suas ações no comportamento da mulher, e não na própria conduta. Pedrada!”

Kelton“Sem Concerto”

“‘E você sangra e sangra só.’ Conheci Kelton em nossa turnê no ano passado, passando por Brasília. Ele me conquistou à primeira audição, justamente por não ter medo de ser simples, de fazer um som bonito, de soar como algo parecido com alguma coisa que já te fez chorar, aí vc olha pro horizonte e chora outra vez, pq na simplicidade mora tanta coisa linda. Numa época em que as pessoas se esforçam tanto, pra serem diferentonas, é admirável que alguém assuma seu som no esquema ‘menos é mais’. Uma voz limpinha, que dá vontade de ter numa caixinha de música”.

Trio Parada Dura“Castelo de Amor”

“Minha maior referência musical, musa, inspiração de vida e luta, foi minha mãe. Uma mulher muito parecida comigo, fisicamente, de alma cantante, mas que não teve as mesmas oportunidades que eu, de estudar, de namorar, escolher direitinho um parceiro pra vida, que no máximo, conseguiu cantar na igreja (o que a fazia muito feliz, por sinal). Ela cantarolava o tempo todo umas músicas lindas, que eu, mesmo antes de entender qualquer coisa sobre música, só pensava que um dia queria ser quem nem ela, fazer aquilo com a minha voz. Trio Parada Dura era a preferência musical da Dona Zezé e foi assim que aprendi a cantar. Sempre que eu ouvir “Castelo de Amor”, vou me lembrar de onde meu castelinho de amor foi construído. <3″

Último episódio da primeira temporada das Orange Sessions apresenta Codinome Winchester

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Codinome Winchester
Codinome Winchester

Foi ao ar hoje e último episódio da primeira leva das Orange Sessions, projeto realizado da parceria do canal Minuto Indie com o Estúdio Casa da Vó. Foram cinco episódios no formato videodocumentário, misturando entrevistas com as bandas participantes com apresentações ao vivo no estúdio que podem ser acessadas no canal.

Para fechar a primeira temporada, a banda de Campo Grande Codinome Winchester levou seu rock vigoroso com letras em português:

Breaking News: 10 clipes independentes lançados esta semana que você precisa conhecer

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Lisa Prank
Lisa Prank

Pink Mexico“Buzz Kill”

Como quase todo clipe da Burger Records, “Buzz Kill” tem aquela cara de Do It Yourself. Faz parte do disco “Fool”, lançado em 2016, e foi dirigido por Arvelisse Ruby, também conhecida como Lola Pistola.

Koreatown Oddity“Fuck Dinosaurs”

Dirigido por Alfredo Lopez, o clipe de “Fuck Dinosaurs” tem uma pegada “block party” com um pouco de festa infantil e um tiquinho de “Teen Wolf” na mistura.

Filipe Alvim“Vida Sem Sentido”

Lançada como single no formato sete pelegadas, “Vida Sem Sentido” fará parte do disco “Beijos”, com lançamento previsto para outubro de 2016 via Pug Records.

Crobot“Not For Sale”

Parte do segundo disco do Crobot, “Welcome To Fat City”, a ser lançado pela Nuclear Blast em 23 de setembro, “Not For Sale” mostra a banda mandando seu hard rock com pegada setentista com uma plateia de… digamos… vários amigos de Randy Marsh, o pai do Stan de South Park.

Valciãn Calixto“Marcha-Ranço”

“Marcha-Ranço” é a quarta faixa do álbum “Foda!” do Valciãn Calixto. O fanvídeo foi produzido por Vitor Daniel, criador da página Capitão Ahab. “Primeiro eu tive a ideia de ser algo a ver com carnaval, mas não vinha nada em mente, já tinha um tempo que queria fazer um vídeo com o filme “Relatos Selvagens”, composto por vários curtas. A vibe da música meio que me lembrou o do casamento, aí baixei o filme, fiz um roteiro, comecei a editar e acabou ficando legal”, conta.

The Stranges“Madness”

A banda de rock alternativo de Bogotá, na Colômbia, acaba de lançar seu primeiro disco, “Madhouse”, com 10 músicas que contam as histórias de pacientes de um hospício, em uma jornada musical cheia de loucura. No clipe de “Madness”, dirigido por Jhonathan Barrera, você conhece um pouco do cenário do álbum.

Lisa Prank“Starting Again”

Dirigido por Faye Orlove e filmado em uma escola de Los Angeles, “Starting Again” faz parte do disco “Adult Teen”, lançado pela Father/Daughter Records e Miscreant Records.

Fabio Brazza part. Arnaldo Antunes“Hey João”

Fabio Brazza acaba de lançar o clipe do primeiro single de seu segundo disco “Tupi or Not Tupi”. “Hey João” conta com a participação de Arnaldo Antunes. “Gravar com o Arnaldo foi um sonho realizado, até agora não acredito que ele tenha topado. Sempre fui fã dele como artista, muito por causa do meu avô, o poeta Ronaldo Azeredo e acho que por termos essa mesma influência da poesia concreta nossa forma de pensar é muito parecida.”. O clipe foi todo gravado no estúdio Casa 1, em São Paulo.

Eagulls“Velvet”

Gravado ao vivo na The Nave, em Leeds, “Velvet” faz parte do disco “Ullages”.

The Dustaphonics“Big Smoke London Town”

Tente não se sentir em Londres com o novo clipe do The Dustaphonics, lançado pelo selo especialista em garage rock Dirty Water Records

With Confidence“Voldemort”

Pop punk até o caroço, “Voldemort” faz parte do disco “Better Weather” e ganhou um clipe dirigido por Justin Giritlian e Nathan Sam.

Quinteto Café Tango reverencia Piazzolla e mostra que o tango vive no Brasil

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Quinteto Café Tango

Na estrada desde 2005, o Quinteto Café Tango tem como grande mestre Astor Piazzolla, o bandoneonista e compositor argentino que reinventou o tango. Formada por Fabio dos Santos (violino), Edu Guimarães (sanfona), Diego Beirão (guitarra), Pedro Assad (piano) e Taís Gomes (contrabaixo), a banda toca muito do estilo típico da argentina, mas também trabalha em composições próprias que absorvem influências de rock, jazz, música clássica, música cigana e etc.”Tentamos ao máximo estar abertos para todos os tipos de música que chega até nós, sempre procurando ouvir música de qualidade e músicos interessantes”, explica Fabio.

Com dois discos na bagagem (“Quinteto Café Tango”, de 2011, e “Café Tango Toca Astor Piazzolla”, de 2013), o quinteto agora busca trabalhar novas sonoridades e apostar em canções autorais, sendo que algumas delas já podem ser ouvidas nos shows do grupo. Conversei com Fabio sobre tango, influências, o processo de composição e planos para o futuro:

– Quando o grupo começou?

O grupo foi formado em 2005, quando ainda cursávamos música na Unicamp. Como parte de disciplina, um professor disponibilizou as partituras originais para a formação do quinteto do Astor Piazzolla (piano, violino, contrabaixo, bandoneon e guitarra elétrica). Não é muito comum encontrar grupos com essa formação e partes originais são coisas difíceis de se encontrar. Apenas substituímos o bandoneon por uma sanfona. Damos vida às composições originais do compositor para essa formação.

– Porque o enfoque na obra de Astor Piazzola?

As primeiras peças iniciamos porque as obras estavam à nossa disposição. À medida que nos aprofundamos mais na pesquisa do compositor, foi se consolidando a ideia de se dedicar a outras obras dele. Há muitas coisas que nunca foram publicadas, outras que são desconhecidas e que pouca gente toca no Brasil.

– Me falem um pouco sobre o material que já lançaram.

O primeiro disco, “Quinteto Café Tango”, foi lançado em 2011, gravado ao vivo no Estúdio Cachuera em São Paulo. Esse disco foi feito por necessidade de divulgar o trabalho. O segundo disco foi gravado no mesmo estúdio em 2012, depois que fomos contemplados pelo Fundo de Investimento a Cultura de Campinas (FICC). Com mais calma para gravar e programar como seria o disco, nosso segundo disco “Café Tango toca Astor Piazzolla” traz uma boa referência da pesquisa que fazemos sobre o compositor, incluindo obras importantes como “As Quatro Estações Portenhas”, “Suite do Anjo” e “Adios Nonino”… Também gostamos bastante de algumas peças “Lado B” do Piazzolla, também compostas para essa formação. Andamos explorando algumas composições e arranjos de grupos que gostamos, como o Tin Hat Trio – que explora sonoridades diferentes  – e o Quinteto Real – que toca repertório tradicional de tango com uma formação igual a nossa, e com arranjos bastante elaborados.

– Vocês também tocam material autoral nos shows. Como é o processo de composição destes sons?

Nossa primeira peça autoral foi compostas por encomenda para a trilha sonora do curta metragem “O Argentino”, de Diego da Costa. O resultado dessa parceria pode ser visto no YouTube. A proposta era fazermos um tango na linguagem do Piazzolla. Então ficamos nesse universo.  No momento estamos desenvolvendo um trabalho totalmente autoral, que sai do universo do tango e de Piazzolla. Temos uma música nova, do nosso pianista Pedro Assad, que deve ser lançada em breve como single e como vídeo online. As ideias para composições autorais geralmente partem de um dos integrantes do grupo. Mas tocamos há tempo suficiente para sugerir alterações, passar algumas coisas de ouvido, ou simplesmente dizer “inventa aí e depois a gente escreve”.

– Quais as maiores influências para a composição do material próprio?

No caso das encomendas, o próprio Astor Piazzolla. No caso do projeto que temos em mente de fugir um pouco da linguagem do tango, varia muito. Nós 5 temos formações e vivências musicais muito diversas, e estamos sempre em contato com muita música diferente. Para citar alguns gêneros que podem ser considerados influências para o grupo – música instrumental brasileira, jazz, canção brasileira, música clássica, pop, rock, música cigana, etc. Tentamos ao máximo estar abertos para todos os tipos de música que chega até nós, sempre procurando ouvir música de qualidade e músicos interessantes.

– Vocês pretendem gravar material autoral?

Em maio de 2015 fizemos uma gravação de música e vídeo no Estúdio 185, da música “Vento no Varal”, de Pedro Assad. Está tudo pronto para ser lançado. No momento que estivermos com o single cadastrado nas plataformas online, e com um show com estrutura para exibição do vídeo em telão, lançaremos  o trabalho. Pretendemos dar continuidade à produção autoral no grupo.

Quinteto Café Tango

– Como o tango é recebido no Brasil?

Não podemos responder com propriedade, mas sim com nossa experiência. Todas as vezes que tocamos, fomos muito bem recebido pelo público. Há muitas pessoas que gostam muito de tango e entraram em contato com ele por causa de aulas de dança. Parte desse grupo gosta muito da música de Astor Piazzolla. Há também pessoas que gostam de música instrumental de qualidade, e outras ainda que nos escutam pelas composições de Piazzolla. Temos também nosso público cativo: esse que reclama quando não encontramos lugares para tocar. De forma geral, sentimos que as pessoas sentem falta de escolher a música que escutam e de escutar música bem tocada. Pensamos que esse é um dos apelos do grupo.

– Qual é o público que os shows de tango atingem hoje em dia? A juventude está em sintonia com ritmos que não são “da moda”, como o tango?

Essa pergunta não tem resposta simples. A música de Astor Piazzolla não é exatamente “tango”. Também não é exatamente “popular”. A formação do grupo não encaixa nas categorias mais comuns. Esse trabalho atinge a muitos públicos diferentes, mas pequenos, por razões distintas. Nós somos jovens músicos. Estamos fazendo uma música com a qual nos conectamos e gostamos. Sabemos que estamos tocando obras que tem qualidade – como foi a música de Beethoven em sua época, por exemplo. É material que temos certeza que persistirá na história.

Quinteto Café Tango

– Quais os próximos passos do grupo em 2016?

Estamos procurando pensar de maneira criativa, pesquisando novos conceitos, novas formas de se conectar com as pessoas para podermos divulgar melhor nosso trabalho e expandir o público. A situação do país não é nada favorável para os artistas independentes em geral, então o momento é de produção para o futuro, organização interna e muito ensaio.

– Recomende bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos. Se forem independentes, melhor ainda!

Optamos por colocar grupos de música instrumental brasileira que têm nos chamado a atenção. Bora Barão. CarcoArco. Duo FoleRitmia. Scrutinizer. Jams Jellies and Marmalades. Rumpilezz. Quatro a ZeroHércules Gomes. Hamilton de Hollanda. Marcelo Onofre Quarteto.

“Death Proof”: a trilha de Tarantino à prova de críticas

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Death Proof

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

Hoje vamos falar de uma trilha sonora de tirar o fôlego. Sangrenta, voraz, perversa, dura, arriscada e à prova de morte. Pois é, hoje subimos a bordo do carro mais indestrutível de Hollywood em mais uma odisseia de Quentin Tarantino.

Quen

Antes de qualquer coisa temos que saber que Death Proof” (“À Prova de Morte” – 2007)  faz parte da saga “Grindhouse” (2007), que foi co-escrita, produzida e dirigida por Robert Rodriguez e Quentin Tarantino e que conta também com o filme Planet Terror” (“Planeta Terror” – 2007, de Robert Rodriguez).

Uma curiosidade à parte está na parte de divulgação do projeto, que inclui trailers fictícios para atrações, comerciais e anúncios de teatro, assim explorando ainda mais a transmídia do “produto final” e inovando esse segmento.

Grind House (Death Proof)

“Ao cair da noite, Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier), a DJ mais sexy de Austin, pode enfim se divertir com as suas duas melhores amigas. As três garotas saem noite adentro, atraindo a atenção de todos os freqüentadores masculinos dos bares e boates do Texas. Mas nem toda a atenção é inocente. Cobrindo de perto seus movimentos está Stuntman Mike (Kurt Russell), um rebelde inquieto e temperamental que se esconde atrás do volante do seu carro indestrutível.” (Sinopse por AdoroCinema)

O filme conta com uma fotografia incrível em tons mais escuros. Claro, em parte temos isso por ser um filme de terror. Alguns inclusive encaixam a saga “Grindhouse” como um filme B, porém refinado.

Briga

A narrativa e a velocidade dos acontecimentos e personagens com personalidades fortes também são uma marca do plot. Tarantino neste filme empodera os personagens femininos que, diferentemente dos roteiros convencionais, comandam o rumo da história.

Mas sem SPOILERS, pois é um filme que merece ser assistido mais de uma vez para não se perder um segundo desta trama que deixa tudo de cabeça para baixo – e seu queixo caído. Vamos então a uma das soundtracks mais elogiadas de toda carreira de Tarantino, por mais que a que tenha levado o Oscar tenha sida a de seu mais recente filme, The Hateful Eight” (“Os Oito Odiados” – 2015).

Logo de cara já temos a belíssima – e instrumental – “The Last Race”, uma antiga canção de Jack Nitzsche datada de 1965. As ondas surfadélicas dão todo o ritmo da prosa. A canção também é o tema do filme Village Of The Giants” (1965), que explora a ficção científica mesclada com o gênero da comédia.

Seguimos com “Baby It’s You” (1969) do A Group Called Smith, que foi uma banda californiana do fim dos anos 60 que bebia da fonte do blues e do melhor do groovie de artistas como Etta James, Tina Turner e beirava a psicodelia. A canção que estrela o filme é uma versão de Burt Bacharach, um pianista nascido no começo do século XX que ao longo da carreira ganhou 6 Grammys por suas composições.

O maestro preferido de Tarantino não poderia ficar de fora, não é mesmo? Em Death Proof” Ennio Morricone entra na trilha sonora com a canção “Paranoia Prima”. Vale lembrar que não é a primeira vez que ela aparece na sétima arte. Ennio compôs ela para o filme “O Gato de Nove Caudas” (1971), do lendário diretor de cinema italiano Dario Argento. Outra canção que também toca no filme – mas que não entrou para o disco da trilha – é “Violenza Inattesa”.

Para dar uma incrementada na narrativa da soundtrack, Tarantino coloca um diálogo do filme na quarta faixa do disco. Nele, o vilão do filme conta de seu plano macabro para “dopar” suas vítimas indefesas.

Quem chega chegando com um clássico literalmente sacado da cartola é Marc Bolan com “Jeepster”, um clássico do T.Rex. A canção está presente no disco Electric Warrior” (1971), o sexto lançamento do grupo, sendo considerado um dos discos fundamentais do rock inglês. Outro hit do disco é “Get It On”, ou seja, veredito: discaço!

Para deixar a atmosfera ainda mais feroz, Tarantino coloca um diálogo entre o personagem Stuntman – nosso motorista impiedoso – e uma de suas vítimas.

Com uma veia mais sagaz, espírito do funk/blues e soul music temos “Staggolee” (1970) do grupo Pacific Gas & Eletric. Os vocais mais melódicos e bem cantados têm origem na música gospel americana. Inclusive o maior hit da banda está presente nesse mesmo disco, mais precisamente na faixa “Are You Ready” que tem essa levada mais espiritualizada.

Na sequência temos Joe Tex com a balada romântica cheia de groove e melodia “The Love You Save”, canção datada de 1966 e um dos destaques do southern soul americano das décadas de 60/70. Funk, blues e gospel é a essência do som do texano.

Do Alabama, mas criado no estado do Michigan, temos outra lenda viva na trilha que atende pelo nome Eddie Floyd. Com as mesmas raízes musicais do Pacific Gas & Eletric e Joe Tex temos uma tríade que bebe do southern soul e do R&B. Tarantino escolheu para o filme “Good Love, Bad Love”.

Uma das cenas imortalizadas na memória dos fãs de Tarantino com certeza é a cena de lap dance de Death Proof”, tanto pela sensualidade explícita como pela incrível trilha de “Down In Mexico” do The Coasters.

Não é à toa que a canção escrita por Jerry Leiber e Mike Stoller chegou ao oitavo lugar da parada R&B em 1956. Uma curiosidade: a versão que entrou no filme é uma regravação feita em 1970.

Para chegar chutando tudo para o alto e aumentar o volume quem chega é Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick & Tich com o clássico garageiro “Hold Tight”. O single foi lançado em 1966 e chegou ao quarto lugar das paradas britânicas e foi escrita por Ken HowardAlan Blaikley.

Mais uma vez de olho na Itália, Tarantino nos traz o pianista Pino Donaggio com a dramática “Sally & Jack”. A canção também está presente no filme Blow Out” (1981) de Brian De Palma, estrelando John Travolta e Nancy Allen, um slasher movie. Bons entendedores de filmes de terror lembrarão.

Para deixar tudo mais rock’n’roll e caótico temos “It’s So Easy” do Willy Deville, um músico que viveu de sua guitarra com seu blues que mesclava ritmos latinos, country e uma infinidade de estilos folclóricos. A canção também está presente na soundtrack do filme Cruising” (1980).

Chegando à beira do abismo, Tarantino apimenta a trilha com um diálogo mais ríspido entre as garotas do filme. Para deixar o clima lá no alto com uma percussão marcante de tambores, cítara e muita tensão em seguida temos Eddie Beram com “Riot In The Thunder Alley”, canção instrumental que também figura na soundtrack do filme Thunder Alley” (1967).

A cartunista April March, nascida como Elinor Blake é uma cantora que canta tanto em inglês como em francês. Inclusive, Elinor inclusive atua no filme e vou deixar a tarefa de descobrir quem é a personagem dela para vocês. Acharam que iam ter tudo de mão beijada? No filme a canção escolhida é “Chick Habit” (1995). A versão francesa da canção também está na trilha mas não entrou no disco.

Também figuram a trilha e não foram incluídos no disco: Guido & Maurízio com a fugaz e funkeada “Gangster Story”,  a trilha a la 007 de Franco Micalizzi com “Italia A Mano Armata”, Stelvio Cipriani com a orquestrada “La Polizia sta a guardare”, o funk good vibes “Funky Farfare” de Keith Mansfield e “Twisted Nerve”, que também aparece em “Kill Bill” e reforça ainda mais a teoria apocalíptica de que todo filme do Tarantino é interligado.

As portuguesas Anarchicks metem o pé na porta com “We Claim The Right To Rebel and Resist”

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Anarchicks

Se a música é a arma, elas são o gatilho. Este é o mote do quarteto de Lisboa Anarchicks, riot grrrl à portuguesa com muito para dizer. Formada por Marta Lefay (vocal, synth, guitarra), Katari (bateria), Synthetique (baixo) e Aim (guitarra e baixo), a banda está na estrada desde 2011 atirando sua música em todas as direções com o dedo do meio levantado e sem dar satisfações a ninguém.

O quarteto lançou neste ano o álbum “We Claim The Right to Rebel and Resist”, primeiro com a vocalista Marta Lefay e uma obra que visa empoderar as pessoas e chamar atenção à necessidade de reclamar por seus direitos e lutar pelo que é justo. O som é punk rock com influências de electro e rock and roll e o disco contou com a participação de Peaches na faixa “Sloppy Seconds”.

Conversei com elas sobre o disco, a cena portuguesa, o machismo no meio musical e o disco anterior, “Really?”:

– Como começou a banda?

A banda começou em 2011, após Helena Andrade (baixo), Priscila Devesa (vocalista prévia) e Catarina Henriques (bateria) se terem juntado numa sala de ensaio, com o desejo de fazer música rock. Ana Moreira (guitarra) juntou-se de seguida, e pouco depois foi lançado o primeiro EP digital: “Look What You Made Me Do”. Seguiram-se diversos concertos e a banda lançou o primeiro album “Really?!”, que as levou a diversos palcos nacionais, entre eles o Vodafone Mexefest, onde tocaram num autocarro, e o palco principal do festival Super Bock Super Rock, onde tocaram ao lado de nomes como Azealia Banks e Arctic Monkeys. Pouco depois Priscila deixou a banda e com a nova vocalista, Marta Lefay, a banda conquistou palcos internacionais (Festival Europa Sur em Cáceres, Espanha; Festival Theater der Welt em Mannheim, Alemanha; Le Tetris em Le Havre, França; La Machine du Moulin Rouge em Paris, França) entre outros nacionais. Fizeram inúmeras colaborações (Da Chick, Peaches, António Calvário, entre outros) e em maio deste ano lançaram o seu segundo álbum, “We Claim the Right to Rebel and Resist”.

– Como o punk rock se mantém vivo depois de tantos anos?

Pela capacidade de reinvenção! O punk é mais do que um estilo musical, sendo na nossa opinião transversal a todos os estilos de arte. É toda uma atitude de vida, de reivindicação e de apelo à luta pelos direitos dos seres vivos. Desde que haja injustiça no mundo, vozes dissidentes surgem. E que arma fantástica é esta que escolhemos e nos escolheu, a música, para atingir as pessoas mesmo no cérebro!

– Quais são as principais influências da banda?

Tudo o que nos rodeia. A música que ouvimos e com a qual estamos em contacto assim como todas as nossas experiências de vida.

– Me falem um pouco mais sobre o disco “Really?”. Como ele foi criado?

“Really?!” Não querem antes falar do nosso novo álbum? (risos) Este album já saiu há três anos, foi muito bom, vivemos muito com esse disco e tivemos contacto com muitos palcos, pessoas, experiências. Foi um álbum de criação muito espontânea, numa altura em que a banda se sentia a borbulhar com ideias e havia uma necessidade muito urgente de ter um trabalho editado.

Anarchicks

– E este ano veio o segundo álbum, já com a Marta nos vocais.

Sim! Que já está nas lojas! Chama-se “We Claim the Right to Rebel and Resist”, do qual estamos muito orgulhosas. Este álbum já surgiu num processo mais gradual, que nasceu nos ensaios. Todas essas ideias foram trabalhadas, até toda a banda se sentir satisfeita com o resultado. Todo ele gira em torno do conceito “We Claim the Right”, que visa dar um bocadinho de empoderamento às pessoas, chamando a atenção para a necessidade de reclamarmos os nossos direitos e de lutar por aquilo que achamos justo. Tivemos a ajuda do nosso produtor Fernando Matias em conceber um trabalho que tem tanto de homogéneo pela mensagem como de heterogéneo pelas músicas, com diversas dinâmicas e momentos. Temos também a participação da incrível Peaches na faixa “Sloppy Seconds”. Ouçam!

– O machismo continua acontecendo com frequência no meio musical? Vocês já sofreram com isso?

Sim, infelizmente. Começado pela necessidade constante, por parte dos media, em “rotular” a nossa música como “rock feminino” em vez de apenas rock. Quantas bandas existem de composição mista, ou com composição maioritária de mulheres? Desde sempre tivemos de lidar com comentários e críticas inapropriadas, relacionadas com as nossas características físicas, a nossa música e até a nossa capacidade de saber usar os nossos instrumentos. E infelizmente isto é global, senão vejamos por exemplo a questão que veio parar às redes sociais passado Janeiro sobre o publicista musical Heathcliff Berru, do Life or Death PR e todos os casos relatados de abuso sexual de mulheres, ou as declarações da cantora de Chvrches, Lauren Mayberry, relativamente à misoginia na música. E os exemplos e relatos repetem-se… Temos que ter esperança e lutar por um mundo melhor, com mais justiça e igualdade. Só o facto de existirmos enquanto músicas já é uma luta e uma reivindicação. E a luta tem de ser feita diariamente.

– Como está a cena musical independente de Portugal hoje em dia?

Há muita coisa a acontecer, que por vezes pode ter uma visibilidade mais pequena uma vez que o nosso meio underground é pequeno. Mas julgamos que toda a crise que temos atravessado está a fazer brotar muitos músicos e artistas, e muitas pessoas estão a usar a internet como meio de divulgarem o seu trabalho. Por isso basta procurar, há muita música boa em Portugal!

– Qual a opinião de vocês sobre os serviços de streaming? Eles são benéficos para bandas independentes?

Sim, obviamente. A música deve ser livre para para o mundo, não deve estar atrás de barreiras inacessíveis. Porque se a música e a cultura estiverem atrás de barreiras intransponíveis acabam por não cumprir o seu propósito, que é chegar ao maior número possível de pessoas. A internet permite que haja uma democratização das bandas, da música, e das ferramentas necessárias para se fazer arte.

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– Quais os próximos passos das Anarchicks em 2016?

Queremos dar concertos e mais concertos! Queremos que a nossa música ultrapasse fronteiras! Estamos já a trabalhar novas músicas para o terceiro álbum!

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Há muitas pessoas a fazer música muito boa! Por exemplo D’Alva, Mad Moizel, Sequin, Godmother, Quartet of Woah, Batuk, Rui Maia, Alexander Geist, Pega Monstro, Peaches, entre outros.

Uma incrível viagem de trem pela “Roça Elétrica” do Mercado de Peixe

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Mercado de Peixe - "Roça Elétrica"

No Walkman, por Luis Bortotti

O rock nacional ganhou novos beats no meio da década de 90, muito graças a explosão do manguebeat e seu conceito em conectar tradições culturais do Recife com os gêneros da música pop, no caso, rock e eletrônico. A consolidação deste formato foi essencial para o reconhecimento de inúmeras bandas do cenário brasileiro nos anos seguintes. E foi em 2003, quase 10 anos depois do surgimento do movimento mangue, que uma cena semelhante (e declaradamente inspirada) à recifense ganhou destaque nas rádios do país.

Para ser mais específico, em Bauru, cidade do interior de São Paulo. A banda Mercado de Peixe foi formada em 1996, porém foi com lançamento de seu segundo disco, “Roça Elétrica”, em 2003 pela Samacô (e relançado em 2004 pela Atração), que ela alcançou as rádios e TVs do país. Estava consolidada a cena pós-caipira (rock’n’roça) que, além da Mercado de Peixe, contava com nomes como Fulanos de Tal, Sacicrioulo (de outras cidades do interior), Matuto Moderno e Caboclada (da capital paulista).

E com esse disco, a banda inicia a fórmula em irrigar o rock com traços culturais, no caso do Mercado de Peixe com viola, sanfona e outras temáticas caipiras, e cria uma obra digníssima a ser respeitada a nível de Tonico e Tinoco.

“Roça Elétrica” é uma viagem de trem que corta planaltos de terras vermelhas paulistas, enquanto você toma um bom café e fuma um cigarro de palha.

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As letras, assim como o ritmo que mistura passado e presente, contam o cotidiano de uma cidade interiorana, exaltam a figura do homem trabalhador campestre e ainda relembram causos e personagens populares do passado. Em “Brasil Novo” (canção de abertura do disco), por exemplo, a chegada do trem a Bauru é relembrada, assim como Eni, uma prostituta que tinha um bordel na cidade nos anos 60, que é lembrada com saudades, uma sátira à famosa “Amélia” de Ataulfo Alves e Mário Lago.

Além disso, os canaviais à beira da estrada estão presentes em “Fogo No Canaviar”, assim como artistas populares em “Bernabé”, as duas ótimas canções que dão sequência ao disco.

Mas em “Roça Elétrica”, não é apenas o rock que se mistura com a moda de viola. Beats de música eletrônica estão presentes em mixagens incríveis e curiosas, como “Moda do Peão” e “Assim Que É O Sertão”, e aclamadas na declaração de abraço do mundo caipira à globalização, “Beats e Batuques”.

A tradição caipira é a semente principal do disco, entretanto, problemas sociais atuais (e que talvez tenham sido em um passado não tão distante) também fazem parte do plantio de boas canções do álbum. Dessa colheita podemos tirar “A Massa Alucinada” e a excelente “A.A.”.

No geral, “Roça Elétrica” é uma grande obra matuta, na qual a banda Mercado de Peixe conseguiu relembrar o saudoso estilo caipira de vida/cultural e atualizá-lo muito bem para os novos ouvidos do mercado fonográfico. Assim como Chico Science fez, alguns anos antes, com o seu maracatu atômico.

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MERCADO DE PEIXE – ROÇA ELÉTRICA | CURIOSIDADES

– O álbum Roça Elétrica conta com vinhetas de Cornélio Pires, um dos principais defensores da cultura caipira e patrono do movimento.

MERCADO DE PEIXE – ROÇA ELÉTRICA | #TEMQUEOUVIR

02. “Brasil Novo”
04. “Bernabé”
07. “Beats e Batuques”
08. “A Massa Alucinada”
10. “A.A.”
11. “Assim É Que É O Sertão”

MERCADO DE PEIXE – ROÇA ELÉTRICA | OUÇA AGORA!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Zé Menezes, baterista do Thrills and the Chase

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Zé Menezes

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Zé Menezes, baterista do Thrills and the Chase e do projeto Hipopótamo, que lançará um EP em breve.

Luther Allison“Bad News Is Coming” (nome do álbum mas pode ser o som homônimo)

“Há algum tempo queria conhecer mais artistas de blues, eu tinha gostado de tudo o que tinha ouvindo até então. Aproveitei a leitura da biografia do Keith Richards para pesquisar alguns nomes que ele cita no livro. Ele não chegou a falar de Luther Allison, o nome dele surgiu nos vídeos relacionados do YouTube de artistas que Keith mencionou. Diferente da maioria pesquisada, nunca tinha ouvido falar e foi um dos que mais virei fã. Além das músicas autorais, “Bad News Is Coming” tem releituras de nomes como Robert Johnson, B.B. King e Freddy King“.

Blues Pills“Lady In Gold”

“Falo de Blues Pills desde o primeiro dia que ouvi. Na minha humilde opinião é a melhor banda dos últimos anos. Não tem nada de novo, é uma banda setentista com ótimas músicas, porém, nascida em 2011. Sempre achei que um piano entraria perfeitamente na banda, e meu desejo foi atendido no novo single, “Lady in Gold”. Fiquei bem curioso para ouvir as outras músicas do segundo álbum que ainda será lançado. A banda toda é incrível mas Elin Larson é a verdadeira diva do rock hoje. Ah, o solo de “No Hope Left Of Me” é o melhor dos últimos anos também”.

Danger City“Everything is a Menace in Danger City” (álbum)

“Quando ouvi o Danger City pela primeira vez, não sabia que era um novo projeto do amigo Pedro Gesualdi (Ex-Japanes Bondage). Achei demais, fui pesquisar sobre a banda e lá estava. Então, essa não é a indicação da banda do amigo, mas da banda independente que mais curti no último ano. Recomendo o álbum inteiro”.

Marc Ford“Holy Ghost”

“Não é novidade, “Holy Ghost” foi lançado em 2014, mas esse disco tem que ser ouvido. Marc Ford foi guitarrista dos Black Crowes e tem uma carreira solo proporcionalmente foda, com muita coisa que compete a um bom guitarrista – compositor e cantor também: Tem rock, tem blues, tem groove e, no caso do “Holy Ghost”, folk. Um disco lindo, com tudo na medida certa. Pra virar trilha sonora da vida”.

Delmore Brothers“Blues Stay Away From Me”

“Do mesmo jeito que conheci Luther Allison, mas dessa vez pesquisando artistas do country. Como muitos deles, os Delmore Brothers vieram da música gospel. Os irmãos estão entre os mais importantes nomes da história do country. Não tem como não gostar disso, sério”.

Instelara é o convidado das Orange Sessions desta semana

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Instelara
Instelara

Organizado pelo canal Minuto Indie e pelo Estúdio Casa da Vó, o projeto Orange Sessions busca trazer bandas independentes brasileiras para a luz, mostrando um pouco de sua história em um vídeo com formato documentário com um pouco de seu som. As músicas completas apresentadas ao vivo no estúdio também ficam disponíveis no canal.

Esta semana é a vez da banda Instelara, de Curitiba. O quarteto formado acaba de começar a carreira e investe em um indie rock com letras em português com um dose de psicodelia.