5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Paulo Imperiano, do Betty57

Read More
Paulo Imperiano
Paulo Imperiano, do Betty57

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Paulo Imperiano, vocalista e guitarrista da banda paulistana Betty57:

Roxy Music“A Song from Europe”

“Está no terceiro álbum deles, é uma balada que mostra a elegância e a sofisticação da banda, com uma dose alta de melancolia”.

David Bowie – “Secret Life of Arabia”

“Muito se toca David Bowie, mas esquecem dessa música que é a última faixa do álbum “Heroes”, levada pesada e ao mesmo tempo com balanço. Vale muito a pena dar uma ouvida”.

Ultravox“Hiroshima Mon Amour”

“A fusão do punk, da possível balada, sintetizadores e violinos. O resultado não poderia ser melhor”.

Human League“Louise”

“Música que me faz querer voltar no tempo, princípios dos anos 80, bate uma saudade…”

OMD“Souvenir”

“Acho essa uma música perfeita, já se enquadra em um gênero mais pop, mas a composição em si me faz sentir muito bem”.

Breaking News: 5 singles independentes lançados esta semana que você precisa conhecer

Read More
Death Valley Girls
Death Valley Girls

Death Valley Girls“Glow In The Dark”

A Burger Records sempre tem algo delicioso pra mostrar, certo? A música que dá nome ao novo disco da banda de Los Angeles acaba de ser lançada e mostra um pouco do que o quarteto chama de Dystopian Punk, Doom Boogie e Occult Glam. Ela começa sombria, tem ecos de Sonic Youth e um (aliás, os dois) pés no garage punk. O disco completo sai em junho.

The Gotobeds “Brass Not Rash”

O segundo som do disco Blood//Sugar//Secs//Traffic”  do grupo de Pittsburgh The Gotobeds foi divulgado esta semana  pela Sub Pop. Clima pós-punk com riffs estraçalhantes, vocal gritado na medida certa e aquele velho final cheio de barulheira.

Kool Stuff Katie “It’s All Your Fault”

O duo de Oregon lança o clipe de “It’s All Your Fault” na sempre interessante BlankTV, um dos canais do Youtube que mais dão força para a cena independente. Curta e grossa, a música te deixará com a frase “you don’t know what is like” na cabeça pelos próximos minutos e provavelmente você dará o play novamente.

King Khan“Children Of The World”

O single de King Khan com “Children Of The World” e “Gone Are The Times” sai dia 3 de junho pela Merge Records. As músicas cheias de funk e soul foram inspiradas pelo grupo militantes pelos direitos civis chamado The Invaders, que ganhará um documentário nessa primavera. John B. Smith, fundador e líder dos Invaders que convidou King Khan a fazer a trilha da história.

Alice Bag“No Means No”

Alice Bag é uma pioneira latina do punk rock pioneer e vem da mesma cena que nos trouxe nomes como Black Flag e Germs. Ela está prestes a lançar um disco pela Don Giovanni Records, e o primeiro single “No Means No” é um hino contra a cultura do estupro. O disco completo sai dia 24 de junho.

“O punk rock está prosperando, está vivo e bem”, afirmam os americanos The Side Eyes

Read More
The Side Eyes

Apesar de todo o alarde sobre suposta terrível e iminente morte do rock e a dominação mundial por sintetizadores e batidas pré-programadas, os californianos do The Side Eyes não poderiam se importar menos com o assunto. “Não falta nada ao rock hoje em dia. Tem bandas para todos os tipos de sub gênero de rock que você quiser ouvir”, dá de ombros o guitarrista Kevin Devine.

Formado também pela vocalista e líder Astrid McDonald, o baixista Chris Devine e o baterista Nick Arnold, o grupo acaba de lançar seu primeiro EP em fita K7 pela Burger Records, produzido por Steven McDonald (Redd Kross, OFF!). Na faixa “I Don’t Want To Go To School” dá para perceber todas as influências do punk setentista que corre nas veias do quarteto, com vocais perfeitamente raivosos e uma quebra de ritmo que deixa o refrão ainda mais incisivo. “Estamos programando gravar nosso primeiro disco em maio”, promete Astrid.

Conversei com Astrid e Kevin sobre a carreira da banda, punk rock, divulgação independente e o machismo que toda banda com vocalista feminina ainda enfrenta, infelizmente:

– Como a banda começou?
Astrid: A banda começou faz um ano quando Kevin e eu começamos a escrever músicas na minha casa depois de nos conhecermos em um show do Garden. Um mês depois, Nick entrou na bateria e o irmão do Kevin, Chris, começou a tocar baixo e tudo se desdobrou a partir daí.

– E como vocês decidiram que o nome seria Side Eyes?
Astrid: Eu sempre rabiscava pequenos olhos em todos meus cadernos e diários e isso fez a ideia nascer. Eu pensei que o nome “The Side Eyes” tinham uma boa sonoridade!
Kevin: Astrid também sempre “olha torto” para as pessoas quando está brava (risos).

– Como o punk rock entrou em suas vidas e influenciou seu som?
Astrid: Eu cresci em uma família muito musical! Meus pais tocavam em bandas e eu passei a minha infância e adolescência indo para seus shows e viajando com eles. Isso foi influenciou extremamente na minha formação e eles sempre fizeram questão de passar para mim sua sabedoria musical!
Kevin: Chris e eu jogamos todos os jogos Tony Hawk Pro Skater na adolescência e eles têm as MELHORES trilhas sonoras.

– Como vocês definiriam o som da banda?
Astrid: Nós buscamos um som punk do final dos anos 70.
Kevin: Com uma ocasional incursão heavy. Nós definitivamente também temos alguns elementos poppy em nosso som, também.

The Side Eyes

– Quais são suas maiores influências musicais?
Kevin: Nós definitivamente nos inspiramos em The Ramones, Iggy Pop, Black Flag, Redd Kross, Adolescents, Agent Orange… A lista continua.
Astrid: The Runaways, Hole, The Butthole Surfers.

– Me contem um pouco mais sobre o material que vocês irão lançar.
Astrid: Ficamos um ano sem lançar nada (nossa primeira fica acabou de sair, na verdade). Nós conseguimos construir um bom impulso tocando e fazendo muito shows e por divulgação boca a boca.

– Como está a cena punk hoje em dia, na sua opinião?
Kevin: Ele está prosperando. Ele está vivo e bem.

– Sendo uma banca com vocalista mulher, vocês acreditam que o machismo continua forte no meio musical?
Astrid: Com certeza. Não consigo contar quantas vezes as pessoas vem para nós depois que tocamos e se dizem surpresas por sermos uma banda punk com vocalista mulher. A frase mais frequente que eu ouço é “você é bem melhor do que eu esperava”. As pessoas ainda têm aquela noção pré concebida que mulheres não podem ser vocalistas de bandas punk, e isso só me dá combustível e motivação para jogar essa noção arcaica, desatualizada e completamente falsa de volta em suas caras com nossa música e performance.

The Side Eyes

– O que vocês acham que está faltando no rock que é feito hoje em dia? Falta algo?
Kevin: Nada… Tem bandas para todos os tipos de sub gênero de rock que você quiser ouvir.

– Quais são os próximos passos do The Side Eyes?
Astrid: Estamos lançando nossa fita pela Burger Records. Nos próximos meses nosso split 7″ com o Redd Kross vai sair pela In The Red Records. Também estamos programando gravar nosso primeiro disco em maio.

– Recomendem bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que todo mundo deveria estar ouvindo hoje em dia.
Uniform (OC), Melted Pookie and the PoodlezVajjJanelane.

Ronald Rios conta um pouco sobre a história do rap nacional na primeira temporada de seu programa na Gazeta

Read More
Ronald Rios e Edi Rock

No começo do ano, o ex-Badalhoca e ex-CQC Ronald Rios estreou seu primeiro programa na Gazeta. Como bom fissurado em rap, o comediante e jornalista (que inclusive arrisca algumas rima de vez em quand0) resolveu falar sobre o estilo de forma descontraída e íntima, sem deixar de lado a didática para quem quer começar a entender o mundo do hip hop brasileiro.

“Histórias do Rap Nacional” tem 6 episódios e faz um panorama do hip hop no Brasil desde seus primórdios, com Pepeu e seus “Nomes de Menina” e NDee Naldinho com “Melô da Lagartixa” até nomes fortes da cena atual como Emicida, Criolo, Rashid e Rico Dalasam, passando, é claro, por Racionais MC’s, Thaíde, Rappin Hood e Gabriel o Pensador, que ajudou o estilo a estourar para as paradas de sucessos pop nos anos 90.  A Gazeta, fugindo do padrão “pague para ver de novo” que muitas emissoras seguem, disponibilizou todos os episódios completos no Youtube, e você pode acompanhá-los aqui embaixo:

Episódio 1 – A Nova Cara do Rap – Rashid, Tássia Reis, Rincon Sapiência, Bitrinho, Lurdes da Luz, Livia Cruz, SPVic, Síntese, Drik Barbosa e Rodrigo Ogi

Episódio 2 – Rap das Antigas – Pepeu, Thaíde, Max BO, DMN, Gabriel O Pensador, Kamau, Rappin Hood

Episódio 3 – Emicida

Episódio 4 – Produtores e Racionais – Edi Rock, KL Jay, DJ Nyack, DJ Hum, DJ Cia, Uzy, Skeeter, Daniel Ganjaman e Dario Beats.

Episódio 5 – MCs – RZO, GOG, Ndee Naldinho, De Menos Crime, Rael, Msário, Xis, DBS, Renan Inquérito, Rico Dalasam

Episódio 6 – Criolo e Rinha e MCs – Criolo e DJ Dandan

 

“One man band” Erudite Stoner reverencia Nick Drake e Tim Buckley em seu primeiro disco

Read More
Matheus Novaes, Erudite Stoner
Matheus Novaes, Erudite Stoner

Sob a alcunha de Erudite Stoner, Matheus Novaes lançou um trabalho cheio de influências de post-rock, shoegaze, doom e guitarra clássica. O EP instrumental da banda de um homem só leva você a uma viagem cheia de criatividade influenciadas por Alcest, Agalloch, Gustavo Santaolalla e Ulver, entre outros.

Apesar do nome, o projeto não aposta no stoner rock. “Acho díficil classificar o som do Erudite Stoner por ter tantas influências, mas acho o que mais se aproximou do stoner, seria o riff da música ‘Waiting for the Storm’, explica Matheus. Agora, o músico trabalha para lançar a versão física do álbum em breve.

Conversei com ele sobre o projeto Erudite Stoner:

– Como a banda começou?

Eu sempre quis ter uma banda mas também sempre fui muito fã de projetos solo, principalmente artistas com foco mais intimista como Nick Drake, Chris Bell e Tim Buckley. Antes eu costumava compor pensando no contexto de banda, mas as vezes é complicado você encontrar pessoas com o mesmo objetivo e comprometimento que você. Algumas one man bands me fizeram enxergar que eu poderia fazer algo sozinho e num projeto introspectivo é importante você ter independência para composição. Foi assim que surgiu o Erudite Stoner, a partir do momento que eu comecei a compor sozinho.

– De onde você tirou essa ideia de fazer um disco instrumental acústico? Existe algo de stoner rock no projeto?

Acho díficil classificar o som do Erudite Stoner por ter tantas influências, mas acho o que mais se aproximou do stoner, seria o riff da música “Waiting for the Storm”.

– Qual a origem do nome Erudite Stoner?

Sobre o nome Erudite Stoner, é uma pergunta que me fazem com frequência, sinal que o nome desperta curiosidade. Talvez por se tratar de um paradoxo, ele resume bem a minha música, além de serem nomes de dois estilos que me influenciam bastante.

– Quais suas principais influências musicais para este projeto?

Para esse projeto, eu costumo citar como influências, o músico e compositor argentino Gustavo Santaolalla que já trabalhou em diversas trilhas sonoras como no filmes “Diários de Motocicleta”, “Biutiful” e “21 Gramas”. E a banda francesa Alcest que incorporou influências de outros gêneros como shoegaze e post-rock ao black metal, criando uma sonoridade única.

– Você pretende expandir este projeto, aumentando a banda?

No momento não penso em expandir o Erudite Stoner, mas estou compondo para outro projeto com banda, algo mais na linha shoegaze/slowcore.

Matheus Novaes, Erudite Stoner

– O projeto foi bem elogiado por veículos respeitados da música underground. Como é isso pra você?

É muito bom ver seu trabalho sendo elogiado tanto pelos veiculos de comunicação e pelos fãs, é o sinal que o seu esforço para realização de um trabalho está dando certo.

– Se você pudesse trabalhar com qualquer pessoa do mundo da música, quem seria?

Poderia trabalhar com o Neige do Alcest, pois seria uma parceria produtiva, mesmo que eu tenha sido influenciado por sua música, acredito que a nossa sonoridade é diferente, ele me parece ser um músico que não é preso a rótulos e liberdade de criação é muito importante num projeto musical.

Matheus Novaes, Erudite Stoner

– Quais os próximos passos da Erudite Stoner em 2016?

Quero lançar material físico do Erudite Stoner antes de começar algo novo.

– Como é ser um artista independente no Brasil hoje em dia?

É um desafio ser artista independente no Brasil, você precisa ser confiante pois você enfrentará vários obstáculos em todas as fases do seu projeto, desde sua concepção, realização e divulgação, mas é gratificante você superar todas as dificuldades e ver seu trabalho realizado e colhendo frutos.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Recomendo um projeto de darkfolk/neofolk do Canadá chamado Ulvesang e também recomendo o projeto húngaro “Release the Long Ships” do Kapiller Ferenc, que fará uma versão da minha música “Far Away From City Walls” em seu novo trabalho. Além da música, ele cria arte gráfica para algumas bandas de post-rock além de produzir suas próprias capas.

Trio inglês The Empty Page pede por mais sororidade em seu single “Deeply Unlovable”

Read More
The Empty Page
The Empty Page

Em um momento que parece que voltamos aos anos 60 e adjetivos como bela, recatada e “do lar” são impostos à mulheres como valores imprescindíveis, o trio The Empty Page, de Manchester, luta contra o auto-ódio que muitas sentem em “Deeply Unlovable”, seu mais novo single. Kelii Compulsive (baixo e vocal), Giz Themptypage (guitarra) e Jim Cattell (bateria) estão preparando o primeiro álbum do grupo, sucessor de dois trabalhos que encantaram muita gente no underground: o EP ao vivo “Ancoats Sessions” e o single “Deeply Unlovable”, com o B-Side “Patterns”.  “As mulheres são quase ensinadas a se sentirem negativamente sobre si mesmas e sua aparência desde uma idade precoce. Está implícito na mídia que a coisa mais importante é a forma como uma mulher aparenta, mas o ideal projetado é tão estreito e irreal que praticamente todo mundo tem uma imagem corporal negativa e é encorajado a se auto detestar”, explica a vocalista sobre as inspirações para o single e videoclipe.

Conversei com Kelii sobre a carreira da banda, machismo na indústria musical, rock dos anos 90 e mais:

– Vocês lançaram “Deeply Unlovable”, single que teve bastante sucesso. Podem me falar um pouco mais sobre a música? Como ela foi composta?

O nosso processo de composição geralmente começa com um monte de riffs que o Giz registra e então eu os ouço repetidamente e quando qualquer um se destaca para mim eu já trabalho em algumas ideias vocais para ele. Eu estava fazendo muita natação naquele momento e eu tinha um mp3 player à prova d’água onde eu ouvia os riffs, então a ideia do refrão veio a mim enquanto eu estava nadando, o que eu acho que é um processo de escrita muito incomum! É meio como estar em transe, não há distrações e você está apenas em seu próprio mundo… funciona para mim, de qualquer forma! Liricamente, eu tinha duas coisas em mente: em primeiro lugar, que as mulheres são quase ensinadas a se sentirem negativamente sobre si mesmas e sua aparência desde uma idade precoce. Está implícito na mídia que a coisa mais importante é a forma como uma mulher aparenta, mas o ideal projetado é tão estreito e irreal que praticamente todo mundo tem uma imagem corporal negativa e é encorajado a se auto detestar. Eu também já tinha sofrido com comportamentos decepcionantes de outras mulheres ultimamente e eu tinha ficado tão irritada, pois em vez de as mulheres se apoiarem umas às outras, algumas mulheres (certamente nem todas as mulheres) se tornam competitivas e críticas com as outras. Eu tenho um monte de grandes mulheres em minha vida e eu queria escrever uma canção sobre o porquê de nós não podermos ser TODAS excelentes umas com as outras em vez de pegar no pé. Tudo isso só aumenta a sensação de falta de amor e deixa em nós mesmas pra baixo, e é uma merda. É muito melhor ser bom!

– A música é um grito feminista. Voce acha que o machismo ainda é forte no mundo da música?

Eu gostaria de poder dizer que não, mas eu acho que ainda há muito espaço para melhorias. Até chegar a um ponto onde não existirem mais coisas tipo “garotas no rock”, mas sim os festivais (por exemplo) apresentarem uma quantidade representativa de artistas e músicas do sexo feminino, e questões como esta não precisarem ser respondidas, ainda há algum trabalho a fazer. Eu conheço um monte de artistas do sexo feminino, elas estão por aí, são talentosas e são sérias sobre tudo o que fazem. Sei também que muitas pessoas dão muito apoio, mas eu ainda sinto que, no seu conjunto, músicos do sexo feminino não são levados tão a sério, ou são tratados quase como uma novidade. Isso tudo, ‘você é muito boa, para uma menina’, ainda acontece, infelizmente, e a aparência ainda é muito mais comentada sobre garotas do que com músicos do sexo masculino. Eu apenas me concentro em escrever as melhores canções que eu puder e continuar em frente. Mulheres bem-sucedidas estão em minoria em ambos os lados, das bandas e da indústria, mas isso está melhorando, com certeza.

– Como a banda começou?

Nós três já estivemos em outras bandas e somos amigos há anos. Ficamos algum tempo em inatividade no ano passado e eu decidi que gostaria de aprender a tocar baixo pela diversão e um desafio. Então, nos reunimos para tocar alguns covers de nossas bandas favoritas dos 90s como Sonic Youth, Pumpkins, Dinosaur Jr, Veruca Salt, Pixies etc. Nos divertimos tocando juntos e eu estava me sentindo bem em tocar baixo, por isso, decidimos fazer uma jam com algumas ideias de canção que Giz e eu tínhamos começado a compor. Elas vieram com muita facilidade e antes que nos déssemos conta, tínhamos o suficiente para um set ao vivo. Nossos amigos do The Hyena Kill nos perguntaram se queríamos fazer um show com eles e nós pensamos ‘por que não’? O show lotou e o resto é história!

– Quais as suas maiores influências musicais?

Gostamos de muitos diferentes estilos musicais, mas neste momento, neste projeto em particular, estamos inclinados para a música que amávamos em nossa formação, então as influências são basicamente bandas 90s como The Pixies, Hole, Sonic Youth, Dinosaur Jr, Veruca Salt, Radiohead, My Bloody Valentine etc.

The Empty Page

– Manchester ficou conhecida por ser lar de um grupo amplo de ótimas bandas nos anos 80 e 90. Como a cena musical está por aí hoje em dia?

As bandas de Manchester nos influenciaram e a muitos outros, mas eu acho que o que é subestimado às vezes é que, quando olhamos para trás, a nossa rica herança musical é tão eclética quanto a cidade. Temos a sorte de que em qualquer mês nesta cidade podemos ir e assistir a um trio de jazz, uma banda de death metal, uma banda de punk hardcore, um superstar pop, uma ópera bufa, uma orquestra sinfônica e muitos mais, além das raves de armazém e discotecas indie. As pessoas aqui são muito abertas e entusiasmadas com todos os tipos de música. Tantos tipos diferentes de música saem de Manchester, isso é muito legal e estamos muito orgulhosos disso.

– Me contem um pouco mais sobre o material que lançaram até o momento.

Somos muito novos como banda, por isso ainda não temos muito gravado. Lançamos uma edição limitada de um EP gravado ao vivo chamado “The Ancoats Sessions”, que foi gravado em um dia em um armazém frio e congelante, em Manchester, e nós gravamos algumas músicas para lançar como single e ‘testar a água’, realmente. Estamos muito satisfeitos com as reações que recebemos por “Deeply Unlovable”, que parece ter se conectado com um monte de gente e nós tivemos um feedback extremamente positivo até agora. O próximo plano é gravar o nosso primeiro álbum, nós temos alguns planos se desdobrando e haverá mais notícias sobre isso em breve, então fiquem de olho em nossas páginas no Facebook e Twitter!

– Como é seu processo criativo?

Como eu disse anteriormente, geralmente começamos com um riff, seja de baixo ou guitarra, e eu venho com ideias vocais ao longo do tempo e nós fazemos uma jam no quarto com a bateria e vemos o que acontece. Tentamos não pensar muito sobre o processo, nós deixamos fluir o mais fácil e naturalmente possível e trabalhamos muito bem juntos, então realmente parece bastante fácil. Uma coisa a que prestamos atenção é não deixar nada muito complicado, e nos mantemos sempre em cheque nesse assunto. Nós todos amamos grandes canções com ganchos e melodias que possam ser simplificadas até os ossos e ainda soarem ótimas. Liricamente, eu tenho toneladas de cadernos e levo um comigo em todos os momentos, eu tenho idéias em todos os lugares, conversas com amigos, trechos de conversa ouvidos, filmes, artigos de jornais, livros, eu raramente fico sem opiniões!

– Você acha que o rock pode voltar ao topo das paradas de sucesso algum dia?

O topo das paradas não é algo em que eu pense, na verdade. Grande parte da indústria da música é controlada por marcas nos dias de hoje e sempre foi muito sobre dinheiro, então ela realmente não me interessa, como eu não acho que ela representa o verdadeiro talento que existe lá fora.

The Empty Page

– Quais são os próximos passos da banda em 2016?

Pretendemos gravar o nosso primeiro álbum e fazer turnê, tanto quanto possível, em tantos lugares quanto possível.

– Recomendem bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos. Se forem independentes, melhor ainda!

Ultimamente estamos realmente curtindo algumas bandas mais recentes como Eagulls, No Joy, Cheatahs, Ringo Deathstarr, Yuck e Bully. Nós assistimos bandas pequenas e locais sempre que possível e gostamos muito de The Hyena Kill, Esper Scout, False Advertising, Eureka Machines, Heavy on the Magic… Também estamos sempre animados em descobrir novas músicas e esperamos tocar com bandas matadoras quando pegarmos estrada novamente este ano.

A dupla Skating Polly continua amadurecendo em “The Big Fit”, seu novo disco

Read More
Skating Polly

No sucessor de “Fuzz Steilacoom”, as irmãs Kelli Mayo e Peyton Bighorse resolveram aumentar ainda mais a linda esquizofrenia musical que faz do Skating Polly uma das melhores bandas surgidas nos últimos tempos. Em “The Big Fit”, as garotas de Oklahoma soam como verdadeiras bombas relógio prontas para detonar, mas sem deixar de lado momentos bonitos, melódicos e até doces. Mas não se iluda: logo em seguida elas podem novamente inundar seu ouvido com berros que fariam o L7 aplaudir em pé.

Com produção de Kliph Scurlock (Gruff Rhys, Flaming Lips), o disco já teve algumas músicas e clipes lançados: “Oddie Moore”, “Nothing More Than a Body”, “Perfume For Now”, “Pretective Boy” e “Hey Sweet”. A intenção, segundo Peyton, é criar um clipe para cada canção do novo álbum.

Conversei com ela sobre “The Big Fit”:

– Como o som do Skating Polly evoluiu desde o início até chegar em “The Big Fit”?

Quando começamos nós tínhamos só 9 e 14 anos, de modo que a nossa música amadureceu assim como nós amadurecemos. Agora gastamos mais tempo trabalhando em novas maneiras de fazer as nossas canções melhores e mais interessantes.

– Nós podemos perceber um lado “mais existencial” do Skating Polly com canções de Peyton e um lado mais “riot” com as músicas da Kelli. É isso mesmo? Algo como uma dupla meio Ying Yang?

Pode ser, às vezes, mas Kelli também tem um monte de canções realmente belas e mais calmas e eu tenho algumas músicas mais pesadas. Isso é dividido muito uniformemente, acho.

– Algumas das músicas já tinham sido lançadas antes do lançamento do álbum, com videoclipes, inclusive. Vocês pretendem lançar vídeos para todas as canções?

Estamos torcendo para que sim! Recentemente passamos dois dias e meio gravando cinco clipes. Eu realmente acho que seria legal se tivéssemos um vídeo para cada música.

– Quais são suas músicas favoritas em “The Big Fit”?

Agora a minha favorita é “Arms & Opinions’. Eu acho que Kelli fez um excelente trabalho com cada parte desta canção. Ela tem uma das minhas letras favoritas já escritas por ela e a melodia é muito bonita.

– Ouvi dizer que você está gravando um split que vai ser lançado em breve, é isso?

Vamos lançar um split 7″ com uma banda muito legal, a Qui, muito em breve! Estamos muito empolgadas com isso.

– Quais bandas você diriam que acabaram influenciado “The Big Fit”?

Como sempre, ouvimos um monte de Babes in Toyland, Elliott Smith e Neutral Milk Hotel durante a composição das canções. Mas também ouvimos um pouco de Genius Perfume e um monte de CDs mixados que um de nossos amigos nos fez.

– Diga-me um pouco mais sobre a arte do álbum. Quem fez?

A incrível Kat Kon colaborou na arte com a gente. Kelli fez um esboço da capa e, em seguida, enviou para Kat Kon desenhá-la. Ela trouxe totalmente a arte à vida e foi melhor do que jamais poderíamos ter sonhado. Ela se encaixa com a idéia do álbum perfeitamente.

– Por que o nome do álbum “The Big Fit”?

Quando lançamos “Fuzz Steilacoom” havia algumas pessoas que o criticaram por ser muito esquizofrênico, mas que a esquizofrenia é algo que nós amamos sobre música. As canções de “The Big Fit” realmente não se encaixam como as pessoas podem pensar que deveriam, por isso é tipo como um camiseta extra grande se encaixa em alguém que usa modelo P. Tecnicamente não se encaixam, mas funciona a pessoa disser que sim.

Ouça o disco “The Big Fit” no Spotify:

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Flavio Juliano (Fetusborg), do FingerFingerrr

Read More
Flavio Juliano, do FingerFingerrr
foto: Daniela Ometto

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Flavio Juliano, ou Fetusborg, metade do duo FingerFingerrr.

Flow MC“Por Que”

“Descobri essa música num playlist no Soundcloud de um amigo, e agora tá sempre nas minhas discotecagens. Tem um flow e encaixe perfeito, e a pronúncia do MC Flow é charmosa pra cacete”.

Digable Planets“Pacifics”

“Esse vídeo é não-oficial mas traduz bem o que a música significa. É basicamente um passeio em Nova York nos anos 90, onde cresci, observando e absorvendo todos os sentimentos e acontecimentos de um domingo de manhã. Gosto muito da pronúncia do vocalista Butterfly, e das letras: “We venture through the streets in search of funky beats” e “Sunday’s to relax, Sunday’s to relax” Que me lembra que domingo é pra relaxar mesmo”.

DOOM“Still Dope” (feat. Empress Sharhh)

“Ele já teve vários pseudônimos, e DOOM é mais um personagem do seu último disco. Nessa faixa, a Empress Sharhh domina, e é talvez a melhor música do álbum. Quem quiser ouvir mais dos dois juntos, escute ‘Guinnesses’, do MF Doom dessa vez”.

Willy Mason“Restless Fugitive”

“Essa música me coloca num humor totalmente relaxado. Os timbres com reverb me leva para um campo de grama bem alta, numa tarde nublada e com uma tempestade chegando. A letra também provoca sentimentos fortes… o título já mostra uma inquietação do personagem, que alias morre e está fazendo uma avaliação de sua vida. É bem bonito”.

Dan The Automator“Stroker Ace”

“Essa é uma das músicas mais sexxxys que já ouvi. Sei que é do Lovage, mas como meu mp3 sempre esteve como Dan The Automator, vai assim. O projeto todo do produtor prolífico com Mike Patton, Jennifer Charles e Kid Koala é mega criativo e estabelece o mood certo pra quase qualquer ocasião. A voz e letra da Jennifer nessa música pegam”.

5 playlists incríveis no Spotify para fazer a trilha sonora de sua quinta-feira

Read More
Spotify1

Um dia desses aí o Spotify me convidou pra ir lá em sua residência brasileira. É lógico que eu topei na hora, já que hoje em dia ele é um companheiro de todas as horas e tá cheio de músicas, discos e artistas pra fazer a trilha sonora sempre que necessário (ou seja, sempre).

Mas uma coisa que falaram lá realmente tocou meu coração: precisamos fazer mais playlists. Lembram das mixtapes feitas em fita K7 que ajudavam todo mundo a conhecer novas músicas e artistas? Lembram das seleções gravadas com CD-R que eram copiadas a torto e a direito entre seus amigos quando rolava uma playlist incrível? Pois é, isso agora está muito mais fácil e ao alcance de todos lá no Spotify (mesmo os que não pagam assinatura Premium e usam o aplicativo de graça, viu?)!

Escolhi 5 belas playlists feitas no Spotify para acompanhar a sua quinta-feira e, porque não, seu final de semana.

P.S. – Aliás, se você tiver feito alguma playlist sensacional ou acabou trombando com uma playlist incrível por lá, manda aqui nos comentários!

1. The New Retro

Esta playlist do Spotify mostra novidades com sabor de pérola antiga. Músicas cheias de inspiração em soul, blues, folk, funk e por aí vai. Entre as bandas e artistas, The Cactus Blossoms, Benjamin Booker, Lake Street Dive e Foy Vance.

2. Beastie Boys Samples

Mike D, MCA e Adrock sempre foram conhecidos pela criatividade tremenda de onde buscavam os samples para suas músicas, especialmente em seu segundo disco, “Paul’s Boutique”. Pois é, o Danilo Cabral compilou mais de 170 músicas que foram sampleadas pelo trio em suas músicas, em ordem:

3. I FEEL GOOD

Beto Chuquer mostra o melhor das playlists que rolam na festa I FEEL GOOD. Muito funk, soul e suíngue. Prepare os quadris e rebole ao som de Aretha Franklin, De La Soul, Al Green, Stevie Wonder e Snoop Dogg.

4. Mulheres na Música

A Debbie Hell, dos blogs Ouvindo Antes de Morrer e Música de Menina e das festas Gimme Danger (Squat) e No FUN (Clube Outs), além de mentora do programa Debbie Records na Brasil 2000 e mil e um outros projetos criou essa playlist de mulheres extraordinárias no mundo da música. Do soul ao funk, do rap ao rock, de Joan Jett a Tati Quebra Barraco, a Debbie compilou tudo:

5. The Funky Crimes of the RHCP

Quem me conhece sabe que minha banda preferida é Red Hot Chili Peppers, e apesar de também curtir as baladas e as influências punk da banda, o lado preferido do grupo de Anthony Kiedis e Flea é a veia funk que nunca deixou a banda. Fiz uma playlist com as músicas mais funky do quarteto de Los Angeles, indo do primeiro disco, de 1983, até o mais atual, “I’m With You”, de 2011:

Espanhóis da Perro apostam em humor nonsense a la Monty Python e influências de krautrock e indie

Read More
Perro

A pequena cidade de Barrio Independiente del Secano, em Murcia, na Espanha, é o lar do Perro, formado por quatro amigos que se inspiram em krautrock, indie dos anos 80 e 90 e piadas nonsense. O nome antigo da banda, La Vida de Brian, atesta esta preferência pelo humor. Após uma bela participação no SXSW deste ano, Guillermo (Voz, baixo, guitarra), Adrián (Voz, baixo, guitarra), Fran (Bateria, percussão) e Aarón (Bateria, percussão) já pensam no próximo disco, sucessor de “Estudias, Navajas”, lançado no final do ano passado.

Conversei com a banda espanhola sobre sua carreira, o nome canino, a cena rocker da Espanha e as redes sociais na vida das bandas independentes:

– Como a banda começou?
Alguns de nós estávamos em outra banda chamada La Vida de Brian e começamos a tocar outras coisas para nos divertirmos, então quando a outra banda se separou, Aaron, Adrián e Guille começaram a levar o Perro mais a sério. Nosso primeiro show como Perro foi em 2011. No primeiro, como um trio. Em seguida, em 2012, Aaron foi para o Brasil trabalhar em um cruzeiro, então Fran entrou na banda, aí Aaron voltou e desde 2013 temos 2 bateristas na formação.

– Por que esse nome, Perro?
O nome da banda é completamente absurdo, nós usamos uma sensação surrealista de humor em nossas músicas e também no nome da banda. Mas acho que também porque somos barulhentos, irritantes e bonitos como um pequeno cão (em espanhol, “perro”).

– Quais as suas maiores influências musicais?
Nós temos gostos musicais diferentes, mas há duas grandes influências em nossa música; de um lado, o krautrock alemão: Kraftwerk, Neu!, Can… Do outro lado, o indie rock americano do final dos anos 80 e o indie dos anos 90, como Fugazi, Dinosaur Jr, Ride… Mas a principal influência na nossa música são nossos amigos.

– Conte mais sobre “Singles Brasileñas”, seu primeiro disco com a formação atual, de 2013.
Era uma espécie de coletânea com os maiores sucessos em nossas demos que regravamos e foi distribuído com o jornal local em nossa cidade, Murcia, buscando apoiar as novas bandas independentes aqui.

Perro

– Então veio “Tiene Bacalao, Tiene Melodia”. Como rolou esse álbum?
Este álbum foi criado durante dois anos e por isso tem um monte de diferentes influências da música que estávamos habituados a ouvir em cada época. Nós gravamos sem selo ou gravadora, mas quando estávamos terminando isso encontramos o selo Miel de Moscas. Eles nos ajudaram muito com o lançamento do álbum.

– Finalmente, temos “Estudias, Navajas”, o seu mais recente lançamento. Como foi o processo para esse álbum?
Para este álbum a maneira de compor foi a mesma de sempre (fazendo tudo tão natural e fresco como podemos fazer, algo meio “let it out”), mas em menos tempo do que o álbum anterior. Este álbum é mais poderoso e feito para desfrutar ao vivo, mas de certa forma tem menos variedade que o anterior.

– Como as redes sociais contribuem (ou atrapalham) as bandas independentes?
É tão evidente que as redes sociais ajudam todas bandas independentes, porque é mais fácil de ser ouvido. Mas também é mais dificil para se destacar entre todas estas muitas bandas.

– Como está a cena de rock em Espanha? Você pode recomendar algumas bandas que devemos prestar atenção?
Somos sortudos aqui, porque há tantas bandas independentes com um monte de diferentes influências. Algumas de nossas bandas favoritas da Espanha são Rosvita, Srasrsra, El Estudiante Larry, Schwarz, Mott, Pony Bravo, Za!, Betunizer, Disco Las Palmeras!, Juventud Juche

Perro

– Quais são os próximos passos da Perro, em 2016?
Vamos manter a amizade, curtir os shows e começar a ir pensando sobre o próximo álbum.

– Recomendem bandas e artistas que chamaram sua atenção ultimamente (especialmente se forem independentes!)
Mind Spiders, Mort Garson, Octopus Project, Diola e Guerilla Toss.

Ouça “Estudias, Navajas”, “Singles Brasileñas” e “Tiene Bacalao, Tiene Melodia” no Spotify: