Porque será que não se fala em uma grande cena do rock autoral hoje em dia?

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Porque será que hoje em dia parece que não há uma grande cena de rock autoral acontecendo, já que tantas bandas boas brotam no underground a cada segundo? Ou será que existe uma cena, e só a grande mídia que não está enxergando? Será culpa das casas de show, que preferem investir em bandas cover e discotecagens xerocadas do Top 10 das rádios comerciais? Ou talvez seja culpa das próprias bandas, que não se unem e comparecem aos shows umas das outras, algo que ajudou a criar movimentos como o punk, o grunge e o manguebit? Ou será que o rock morreu mesmo e só estamos prestando homenagens a um cadáver enterrado há anos?

São muitas questões que bandas de rock e o público que clama por uma retomada do rock no Brasil se fazem praticamente todo dia. Afinal, em um país com tantas bandas de qualidade pipocando no underground, porque não existe uma grande cena acontecendo? Por onde andam os Juntatribos dos dias de hoje? Fiz estas perguntas a diversos músicos e jornalistas musicais para tentar entender o que falta para que isso ocorra:

“Cena. Nunca fiz parte de cena e não vejo necessidade de existir. É ocasião. Pode surgir ou não. As bandas fortes continuarão” Rogério Ucraman (Horror Deluxe)

“Eu creio que o problema seja a forma com a qual as bandas se apresentam. Shows com 4 ou 5 bandas todas do mesmo estilo, por exemplo, afastam qualquer apreciador de boa música. Falta união e apoio entre bandas. Se você perceber, grande parte do publico underground também tem banda. O certo seria se apoiar, tentar encontrar uma maneira de atingir mais pessoas, mas não… Tem muita banda com mania de grandeza. Tipo: ‘foda-se eu vou tocar e quero que você vá’ e aí quando o cara vai tocar o superstar nem sai de casa. Eu acredito que o problema é muito mais complexo e envolve muitos motivos. Tem gente que diz: ‘no Brasil não tem roqueiro’, como forma de se livrar da culpa. Então porque temos tantas bandas de ‘rock cover’ por ai lotando casas de show? Precisamos retomar o rumo do gênero no Brasil, mas para isso, é necessário repensar a abordagem.” Matheus Krempel (The Bombers)

“Mas tá acontecendo. Já vem um tempo que ando comentando com as amigos músicos e no geral. Estamos vivendo uma fase muito interessante no rock nacional. Novas portas estão se abrindo, novos lugares pra tocar e galera tá tocando mais. Ficamos um tempo em um limbo, ou a banda era muito famosa e tocava em grandes festivais ou tocava cover. Hoje o crescimento da cena independente é bem notável. Até bandas maiores como Francisco El Hombre, Vivendo do Ócio, Scalene, Supercombo, Far From Alaska, tão com tudo conquistando não só aqui como Brasil afora. Tem muita coisa boa que ainda não é tão conhecida mas tá caminhando como: Water Rats, Mary Chase, Der Baum, Deb & The Mentals, Overfuzz e nós do BBGG cada vez com mais shows e com o apoio um do outro e do público. Vivemos uma fase linda que tende a crescer cada vez mais. Estou confiante e dedicada (risos)” Dani Buarque (BBGG)

“Sinergia, falta sinergia. Eu toco bastante por toda a Grande São Paulo e vejo muita coisa legal e o que eu reparo é que as bandas não se conhecem e não costumam tanto se juntar para fazer atividades que beneficiem todos. No entanto, preciso deixar muito claro que isto está mudando. Este ano já veremos algumas coisas legais. Novos discos vão ser lançados, algumas tours estão sendo organizadas e pequenos selos novos estão planejando algumas coisas.” Dija Dijones (Chabad, Penhasco)
“Eu acredito que em boa parte se deve à falta de união entre a cena. Esses dias eu tava vendo um doc sobre o Kurt Cobain, “Retrato de uma Ausência”. Em determinado momento, ele, já no auge do Nirvana, dizia algo do gênero: ‘Se o próprio underground não consegue se unir, como espera atingir a massa?’. Outro ponto que acho importante é: eu sinceramente acho que não existe identificação do público com o rock, porque o rock deixou de ser algo intimidador, no bom e no mau sentido da palavra. Talvez estejamos muito fechados em nós mesmos, eu não sei. Um terceiro ponto seria a grande mídia, que não tem interesse em disseminar informação que não gere grandes retornos. Mas eu acho que estamos passando por um momento muito bom. Acho que o surgimento e a força que vários selos independentes estão ganhando no Brasil podem ajudar a trazer uma nova cena rock nacionalmente consolidada”. Natasha Durski (The Shorts)

“Existe uma ‘cena’ de rock atual no Brasil, mas ela não está no mainstream. Os tempos são outros, as gravadoras foram pro buraco e não acontece mais aquela exposição toda de grande mídia, exposição essa que acabava alavancando todos em volta. Mesmo assim, basta um pouco de interesse que você vai descobrir uma produção incrível, acontecendo agora em algum porão e até em lugares mais estruturados como SESCs e Centros Culturais, gente lançando material em vinil, K7 e fazendo shows legais. Claro que existem problemas, falta de lugares pra tocar e aquela coisa toda que estamos cansados de saber, mas o momento é bem produtivo e com uma qualidade e diversidade muito interessante. Eu particularmente não tenho do que reclamar, estou vivendo intensamente esse momento, como músico e público, vendo shows, comprando discos, conhecendo pessoas legais, enfim”. Claudio Cox (Giallos)

“Porque a relação de ser bem sucedido no Brasil tá diretamente ligado a ganhar dinheiro. E colocando na balança o Rock dá pouco dinheiro em relação a outros estilos, e como a máxima é capitalizar acima de tudo, ninguém investe no som mesmo que ele seja bem feito.” Amanda Hawk (Ostra Brains)

“O pessoal tá tentando, viu. Tá tendo o movimento, é que ainda muita gente não consegue ver e enxergar. (risos) Mas aqui no ABC principalmente tem uma cena forte! Aqui no ABC tem muitas bandas! Sério! E poucos lugares pra tocar, o que acaba limitando e de alguma forma positiva juntar mais a galera, já SP também tem muitas bandas, mas os lugares são mais diapersos e fica difícil juntar a galera tendo muitas opções (é bom e ruim ao mesmo tempo)”. Fernanda Carrilho Gamarano (Der Baum)

“Ano passado produzi muitas coisas legais que tiveram uma visibilidade legal e que me fizeram entrar em contato com muitas bandas, ideologias, donos de casas de shows, técnicos de som e muito gente fina disposta a fazer simplesmente um bom rolê acontecer. Em contrapartida houve sim uma galera que de certa forma atrasa o lado ou simplesmente se põem a reclamar as vezes do próprio rolê que produz (por essas pessoas só podemos lamentar), esse lance de rock, de cena e de produção cultural foi se formatando na minha cabeça com alguns papos muito bons q tive por ai nessa jornada. Me lembro de um show do Magüerbes que fiz parte da produção e tive uma conversa de bar com o Haroldo (vocalista) que me fez ver algo que começou a fazer muito sentido no decorrer, o Magüerbes é uma banda que vem atrelada com um movimento de arte de rua e torna tudo muito interessante da maneira que isso se difunde, as coisas conversam mas não necessariamente se promovem, então ele me disse que encara a vida artística dele como uma troca e a cada lugar q ele vai ele troca um pouco de conhecimento e arte com as pessoas que ele encontra, trabalhando todos numa intenção positiva e simples de fazer acontecer e ser legal pra todos envolvidos o restante é consequência. Minha cabeça deu uma chacoalhada no momento, e por mais que pareça simples, aquilo me fez ver que realmente a palavra de ordem é JORNADA, o que acontece muito é que rola uma parada de objetivos monstruosos na cabeça da galera que tem banda, claro que com os anos todo mundo aprendeu a ser um pouco de empresario e aprendeu a gerenciar sua carreira e não dar moral pra produtores de meia tigela, mas colocar esse lance de objetivos na frente da sua arte tem afundado quase tudo e ofuscado o que as vezes o próprio artista não deixa acontecer que é o fluxo daquilo, onde o trabalho dele pode chegar naturalmente. O rock a meu ver absorve isso e expele com muita naturalidade o publico em potencial, me lembro de uma conversa com o pessoal do Ventre e a galera do Supercolisor, novamente em uma mesa de bar (risos), e a Larissa explanou algo que relacionava o rock acabar virando uma causa, que pela causa acaba sufocando ele mesmo e daqui a pouco estamos todos trabalhando na causa e deixando o próprio fruto disso meio que de lado. Pelo menos eu absorvi assim. Ai o que acontece, o rolê de rock muitas vezes é meio travado meio serião, ao meu ver, enquanto o rock for sisudo, cabeçudo e meio que fechado a ser muito seleto, no pais da alegria ela não vai muito longe mesmo. As pessoas querem sair de casa para se divertir para se alegrar e o rock e as vezes quem o produz (de uma maneira geral) repele isso até com um pouquinho de soberba. O rock não tem sido inclusivo e ai que transforma tudo numa coisa meio vazia e sem sentido. As bandas tem que amar mais o que fazem e fazer mais livres, os produtores de shows tem que pensar mais no entretenimento do rolê até mesmo pra captar a renda pra que isso aconteça, não só fazer um show lá e largar a banda no palco e ponto, tem que acabar os produtores que vislumbram enriquecer passando em cima da galera da banda. Acho que a saída é acreditar mais intrinsecamente e permanecer fazendo com amor e bem feito a sua música indiferente até se ela é rock. O resto é consequência do impacto que a sua verdade vai causar. Precisamos de caras saindo da caixa d’agua no rock, caras rolando no chão e se divertindo, sinto que temos muito mais punks fora do rock do que no rock atualmente (risos)” Thiago Silva (Dobro)

“Putz. correndo o risco de soar pessimista/drama queen/reclamona… eu acho que é uma vibe de preguiça generalizada que afeta a nossa geração e a geração dos “20 e poucos”. Uma preguiça que não afeta só a cena rock em relação a bandas como a baladas também… Preguiça de sair de casa, preguiça de falar com gente que você não conhece, ouvir som novo, preguiça de ser curioso. preguiça de gastar dinheiro com banda nacional. Coisa que eu percebo que a cena HC/Punk não perdeu e nunca vai perder, porque eles são muito unidos… E a música deles é também sobre essa união. A gente acaba ficando desunido até na hora de assistir ao show da banda que toca antes/depois da nossa, porra. bons tempos que a gente entrava na Outs sem fazer ideia de quais eram aquelas bandas. a impressão que eu tenho é que hj em dia vc tem que saber exatamente que banda vai tocar, se é do seu agrado, se é de graça, se é perto do metrô, se tem estacionamento de graça, se vc vai ganhar uma breja, se tem fumódromo, sei lá. e mesmo quando tem tudo isso, não vão. não sei mais o que a galera quer. e aí reclama de funk. porra!” Júlia Abrão (Bloodbuzz)

“Acredito que hoje o que mais impede a formação de uma nova cena seja a desorganização coletiva de quem tá no underground e o medo de quem detém as melhores formas de divulgação. nas rádios, a gente ouve musicas de bandas que nem sequer estão pra lançar discos novos porque é muito mais confortável tocarem os sucessos de ontem do que descobrir novos sucessos. Ainda existem as bandas que se deixam seduzir por programas como o The Voice, o Superstar… É complicado. e a desorganização fica exposta quando uma banda pensa unica e exclusivamente no seu proprio sucesso, mas graças a deus isso tem mudado – existe um interesse maior das bandas entre si, e é isso que vai trazer diferença pra cena”. Bruno Carnovale (Black Cold Bottles)

“O que falta acho que é principalmente trabalho de verdade. É muito fácil montar uma página no Facebook da sua banda, ficar amiguinho do rapaz do blog… Conseguir matéria falando sobre como sua banda é legal e como você é engajado no movimento tal, como a cena não sei o que lá. Aí o pessoal fica preso nessas armadilhas do ego, querendo apontar dedo e ser da galera legal que esquece que precisa gravar e fazer som também. Aí você vê nego que nem tem música gravada querendo botar camiseta da banda no Guitar Days… Acaba meio que virando um desfile de moda só. Se em vez de querer foder com os outros e se sentir reizinho a rapaziada fizesse o deles, pelo menos união a galera ia conseguir. A questão do publico que complica… Ninguém mais quer ir ver banda, todo mundo quer ir pra balada pegar mulher, música virou coisa supérflua hoje em dia. Não é que nem antigamente que o que tinha pra fazer era ouvir música, ai acho que o desinteresse fica maior… Quando uma coisa é de tao fácil acesso acho que perde o valor. Quando você tinha que procurar na puta que pariu pra conseguir um disco pra ouvir, acho que era bem mais importante pra você. Agora que tá a um clique de distância, 5 minutos cê baixa todos os discos da banda X vira uma coisa normal, que não merece tanta atenção quanto o disco que você teve que juntar sua grana pra comprar. Lembro de ouvir cada disco que comprava umas 30 vezes porque só tinha ele de novo.” Guilherme Maia (Troublemaker)

“É simples: ninguém ta nem aí. Tem muita banda legal, mas a maioria esmagadora é uma bosta sem tamanho e o público prefere ouvir qualquer bosta sem tamanho gringa do que uma banda realmente legal dos seus amigos. São muitos fatores que passam tanto pela vadiagem nacional quanto pela pagação de pau gringa, sem esquecer dos produtores noiabas e dos produtores canalhas. No meio de tudo isso estar num lugar legal vendo um show realmente bom virou um momento ainda mais mágico, dada a raridade do fenômeno. Mas na vida como um todo coisas realmente incríveis são difíceis de se encontrar então engole o choro e sai por aí em busca de algo massa”. Mairena (BBGG)

“Se você pegar a história do rock alternativo brasileiro as “cenas” sempre foram nascendo da necessidade. Pouco importava se a banda realmente tinha uma qualidade diferenciada ou não. Tanto que a formação delas era meio por acidente, muitas após se desentenderem com os membros, procuraram alguém para substituir na própria cena. E se engana quem pensa que necessariamente a pessoa em questão tocava num banda que fazia um som parecido ou tinha o mesmo background. Era um lance de QUERO ESTAR NUMA BANDA e amo o que faço. E daí rolava. Vai ter gente que dirá que nunca existiu uma “cena”, que o que existiu mesmo é gente tentando compilar bandas para justificar uma época. No punk inglês por exemplo as desavenças eram bastante claras e o lance de união parecia mais anárquico que o próprio discurso do punk. Mas voltando a pergunta principal. Eu acho que falta a camaradagem, a união das bandas independente do estilo que tocam. As vezes parece que tá cada um por si, no esquema: salve salve-se quem puder. Nós mesmo vemos outros fatores em 2016 que dificultam, antigamente uma banda conseguia se virar sem ter uma estrutura, como empresa mesmo, adequada. Hoje se a empresa não junta uma grana para divulgação, não produz redondinho, não trabalha a imagem, não constrói um público: é questão de tempo até ela morrer na praia. Mas as vezes acho que é isso no ROCK em si: virou uma competição de “Empresa”, sendo cada banda uma empresa, e vence a que fizer melhor balanço no fim do mês. E acho que nunca funcionou assim quando a coisa rolou de verdade. Os selos maiores e programas de TV “caça talentos” procuram bandas muito moldadinhas, superficiais e falemos assim: inofensivas. Logo para o grande público o rock virou um produto de boutique. Quem pesquisa um pouco e sai do mainstream consegue enxergar isso. Mas quantos de nós olhamos para ele de verdade? Eu acabo conhecendo bandas maravilhosas todo dia. Falta isso, falta um Lado B Mtv para a massa também ‘”pirar”. Ninguém quer caçar mais as coisas, se jogar em boteco sujo, arregaçar as mangas e conhecer algo novo. Preferem reclamar, e espero de verdade que isso mude. É algo URGENTE”. Rafael C (Hits Perdidos/Anchor Mixtapes)

“Bem, entendo que o rock sempre foi e sempre vai ser vilipendiado pela grande mídia, tanto pelo seu caráter contestador quanto pela fama de ser “barulhento, agressivo, do demo”. Querendo ou não a maioria da população ainda é influenciada por essa mídia e não busca na internet música nova. Aliado a isso o público do rock não tem se renovado, hj quem frequenta shows e escuta bandas novas já não é mais adolescente, dificilmente vejo esse público mais jovem nos eventos de rock e sem essa juventude dificilmente teremos uma cena grande e pujante. Além dessas questões as bandas ainda tem muita vaidade, não confiam umas nas outras, ainda existe muito mimimi, e sem união a chance de uma cena aparecer é muito pequena. Apesar disso tudo eu sou um otimista, enxergo que a cena está começando a ser formada, as bandas novas têm se unido e se profissionalizado, novos portais de mídia independente estão aparecendo e crescendo, como o seu blog”. Blacknail (Porno Massacre)

“O Brasil nunca estará configurado para ter uma cena rock de peso, mas isso não significa que não acontece ou esteja acontecendo uma cena rock de peso em algumas cidades. Lá em Goiânia, por exemplo, tá acontecendo bem algo grande. Os caras têm festivais como Goiânia Noise, Bananada e Vaca Amarela, todos com mais de dez anos de vida e transbordam bandas fodidas, público numeroso e assíduo e que apresentam bandas como Boogarins (que lançou disco exclusivo no site do “The New York Times”), Carne Doce, Hellbenders, entre tantas outras. Falando sobre São Paulo, recentemente rolou um show comemorativo de 15 anos do Ludovic num festival chamado “Banana Progressyva” no Superloft. Havia muita gente nesse show. Só que a maioria ali eram pessoas que já estão familiarizados com um rolê independente há 20 anos, ou seja, ainda não há uma renovação no público. Antigamente, tínhamos mais festivais, éramos mais abertos para conhecer bandas independentes e sempre haviam pessoas novas. A TV nos brindava com o programa Riff na MTV, programa do Gordo na 89FM, Musikaos, ou seja, uma série de alternativas de descobrir música independente nas mídias mais acessíveis. Se você sintonizar agora mesmo na 89FM, e tocar alguma banda de rock nacional, provavelmente serão bandas que lançaram algo relevante há 20 anos atrás. Daí a renovação no rock são pessoas de 12 anos com camisa do Legião Urbana que com alguma sorte chegarão no Ludovic. E alguns caras dizem que o rock morreu porque só duas bandas de “rock” atingiram a lista da Billboard, manja? Isso é bem imbecil! Todavia, eu vejo com bons olhos o que acontece hoje e o que pode vir a acontecer tanto em São Paulo como em algumas outras cidades do Brasil (olhos voltando também ao Rio de Janeiro). Algumas bandas entenderam que se você amar música é preciso entender música e mesmo que não exista um público hoje para grande parte das bandas independentes, elas não deixarão de se agilizar, gravar, tocar, organizar shows e viajar por aí. E também não vão dar boi pra casa que desrespeita e/ou diz que está tudo uma merda mesmo porque é rock e rock é isso! Desse modo, um público começa a surgir. E a gente pode sair desse estágio de público-banda-de-amigo. Olha o rap dos porões, por exemplo, o publico vai no show pelo RAP NACIONAL, né? Pelo que significa a parada toda, que é o mesmo reflexo do público das pequenas casas e festivais como os de Goiânia. Enfim, existe uma cena de peso sim – em algumas cidades, mas ela não enxerga através das vendas.” Eduardo Boqa (Penhasco)

“Meu posicionamento em relação a isso envolve uma questão de mercado. Enquanto bandas precisam investir de forma independente no seu próprio trabalho, outros seguimentos recebem incentivos e até recursos de origem escusas. Assim, o problema não é qualidade, mas divulgação e sobre quem tem mais dinheiro e tempo para divulgar seu trabalho. Não basta só ter página no Facebook, Instagram, Twitter, Youtube. Tem que usar essas e outras plataformas, levar seu som para diferentes lugares e mídias para criar um público. A banda gasta tudo o que tem ou não tem para gravar e não sobra nada para correr atrás da divulgação depois, fica complicado competir. Poderíamos falar de estrutura das casas, participação do público, profissionalismo das bandas, entre outras, mas é o dinheiro que manda. Não deveria, certo?” Maurício Martins (editor do Nada Pop)

“Antes de qualquer coisa, o rock não é pop. No meu último show que fizemos na festa Trackers sentimos a adrenalina e a liberdade de tocar mais pesado, quase punk. No fim do show um amigo me disse ‘Que fritação! Não consegui nem dançar de tão pesado’. Acho que a atual cena pede movimento, pede sensualidade. Todo mundo quer dançar enquanto assiste um show, ficar olhando sem participar se tornou chato. Acredito que o rock não esteja em evidência no momento, ser roqueiro já foi mais legal, simbolizava uma atitude forte, agressiva. A moda agora é falar de amor e de coisas leves. Um pouco de pop, um pouco de eletrônico e você já pode ser um cara cool. Aí depende do que a banda quer. Se quiser atingir um público maior sim. Se quiser tocar o que tem vontade não. Toda cena existe cada uma em sua proporção. Vai depender do tamanho e da natureza do seu objetivo”. Camila Garófalo

“No livro RCKNRLL do Yuri, tem uma passagem que um dos músicos fala isso, se não me engano é o Chuck que fala: não tem possibilidade nenhuma de uma banda fazer um bom show sem bons equipamentos, e eu concordo com ele. Ele usa como exemplo o DJ, o que usa uma música que foi gravada em um ótimo estúdio, foi mixada e masterizada, etc e etc… A música que ele usa na pick up tem toda qualidade necessária para uma boa audição e interpretação do ouvinte. Com os equipamentos oferecidos pelas casas de shows o que mais se tem é ruído, amplificadores velhos que apitam, microfones ruins que não dá pra entender o que o cara canta, isso tudo e mais um pouco afastou o publico que saia de casa para ver as bandas. A cena já existe há anos, ela evoluiu muito e o público também, todos nós nos tornamos mais exigentes. A cena de bandas está linda, falta esse profissionalismo. Mas isso não depende só das casas, as bandas têm a obrigação de terem seu set… Aliás, foi depois que começamos a levar nossos equipamentos que a qualidade dos shows melhoraram e tivemos um retorno de público. Você não precisa comprar equipamentos caros e importados, compre um que adeque a necessidade da sua banda”. Dom Orione (Videocassettes)

“A produção musical, assim como a cultural, nunca foi um problema para o brasileiro. Isso está em nossas veias! Acredito que houve uma mudança drástica de perfil de público. Não existem grandes nomes internacionais para popularizar a cena como um todo. Também não há mais a necessidade do encontro físico para trocar ideias, se relacionar e curtir um som. Muita gente nem tem saído de casa, resolvendo tudo pelas redes sociais. Outro fator que me incomoda muito é nas pessoas de 20 e 30 anos estarem muito caretas. O rock precisa de mais maldade, mas o próprio pessoal do rock de antes acha coisas como funk ofensivas. Por outro lado, deveríamos juntar com o funk e fazer algo ofensivo e com um puta som da hora”. Raphael Fernandes (Revista Mad)

“Ah, eu acho que falta aquela vontade mesmo. por parte das bandas / casas / festas etc. e público também. E não acho que seja por preguiça. É porque a gente acostumou a ter tudo fácil. Internet tá aí cheia de música de graça, filmes de graça, tudo na mão e na hora. Isso vai de encontro com a vontade de pensar em ir naquela festa e dar 15 conto pra ver a banda do amigo, saca? Há uns 10, 15 anos atrás, a gente ainda saía pela Augusta e Pinheiros e entrava nos bares pra descobrir coisas novas, ouvir bandas novas. Hoje a galera não sai sem propósito muito bem definido. Também tem o negócio das casas fecharem pra bandas e ter só DJ e festas. mas claro, todo mundo se adequando à demanda, né? Daí fica esse lance meio individualista de “se eu não ganhar nada não tem porque eu ir”. Isso em SP. Não falo sobre os outros estados porque eu não conheço. Aliás, outras cidades, porque sei que no interior rola umas ceninhas e em outros estados também. SP ta difícil, MAS vejo uma luz no fim do tunel com essa revitalização do centro, as casas abrindo pra bandas e novo e casas novas abrindo que dao espaço pra bandas… Acho que talvez tenha sido só uma fase de adequação da internet/celular na vida das pessoas e consumo de música. Quem sabe agora é a hora da cena se formar novamente, né?” Aecio de Souza (Bloodbuzz)

Wonderbitch mistura disco, punk, rock progressivo e a breguice pop dos anos 80 – e não é que dá certo?

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Wonderbitch
foto por Dani Bauer

O Wonderbitch resolveu colocar em um liquidificador sonoro ingredientes tão diferentes quanto punk, disco music, rock progressivo dos anos 70 e toda a breguice cheia de ombreiras, lasers e teclados do pop oitentista. Nessa mistureba maluca, conseguiram criar um indie rock dançante e cheio de personalidade em seus dois EPs, “Wonderbitch” (2015) e “Loves You” (2013). O som da banda tem tudo para fazer parte das paradas de sucesso das rádios rock por aí, não devendo nada para grandes nomes do rock alternativo atual.

Alex Chod (vocal e teclados), Bruce Smith Jr. (guitarra), Corey Spears (baixo) e Butch Wade (bateria) receberam elogios até da Revista Rolling Stone por sua participação no SXSW de 2015, sendo citados como um dos pontos altos do festival. Agora, a banda está em turnê pelos Estados Unidos, mas sem parar de produzir singles sempre que possível.

Conversei com eles sobre os anos 80 e sua breguice, o esquisito nome da banda, a vida de artista independente e mais:

– Como a banda começou?
A banda começou quando nossa antiga banda (The Vorticists) se dissolveu. Estávamos tendo problemas em ficar na mesma página com aquela banda, que era de art rock psicodélico muito delicado, além de vivermos em duas cidades diferentes. Além disso, sempre curtimos quando pessoas dançavam com nossas músicas, então decidimos fazer algo mais atrevido e divertido.

– E de onde surgiu o nome “Wonderbitch”?
O nome nasceu quando estávamos indo em uma viagem de Indiana para visitar Austin, no Texas (para onde eventualmente nos mudamos), estávamos entediados no carro e começamos a inventar nomes de bandas engraçados, onde Wonderbitch foi o mais engraçado. No nosso primeiro show, dissemos para a plateia “agora vamos mudar nosso nome para Wonderbitch!” (nós nos chamávamos ‘The Fool’ no pôster do evento), e nossos amigos aplaudiram e deram risada. Então ficamos com ele.

Wonderbitch
foto por Dani Bauer

– Quais são as suas maiores influências musicais?
Todos temos gostos diferentes, mas tem certas coisas que cada membro traz que nós todos gostamos, e a influência acaba sendo uma combinação de música moderna de festivais, pop dos anos 80 e “yacht rock”, o prog rock dos anos 70 e 2000, um pouco de disco e um pouco de punk.

– Me falem um pouco sobre “Wonderbitch”, seu mais recente EP.
O EP “Wonderbitch” foi concebido porque com a mudança para Austin e tendo encontrado novos membros para a banda, precisávamos mostrar nosso material. Além disso, criar discos é algo muito divertido para fazer com sua vida!

– E sobre “Loves You”, o primeiro EP da banda?
Para mim, “Loves You” é um pouco mais educado e gentil e também um pouco mais progressivo. Os novos membros que entraram na banda em “Wonderbitch” têm personalidades muito mais agressivas, e acho que isso se mostra nas músicas.

– Como vocês definiriam o som da Wonderbitch?
Gostamos de usar ‘Sophisticated Fun’ para definir nosso som. Música divertida que é bem pensada e bem construída e que pode elevar a experiência das pessoas para algum lugar muito bacana, para que elas possam realmente perceber algumas coisas legais que estão acontecendo se estiverem inclinadas a ouvir com atenção.

Wonderbitch
foto por Dani Bauer

– Uma de suas influências declaradas é o som dos anos 80, que às vezes recebe o rótulo de “brega” pelo seu uso de teclados e baladas românticas. O que vocês acham sobre isso?
Na minha opinião, música brega muitas vezes tem a intenção de fazer você se sentir melhor, ou pelo menos mexer com suas emoções. Não tenho certeza dos motivos pelos quais acho tão fascinante, mas na minha música eu gosto de usar os as aspectos do “brega” que conseguem melhorar meu humor ou são engraçadas – sintetizadores brilhantes e plastificados, letras confortadoras, progressões de acordes esperançosas, coisas que eu me lembro da televisão na infância – eu gosto de tentar embalar tudo isso como algo divertido e reconfortante para o público. Nós já tivemos tanta “breguice” forçada em todos nós por todas nossas vidas, gosto de usar um pouco dessa linguagem com um pouco de senso de humor. Dá pra achar beleza em tudo.

– Como é ser uma banda independente hoje em dia?
Acho que a cena independente é uma experiência caótica e maravilhosa. Eu realmente não sei outra forma de descrevê-la! Me pergunto se algum dia teremos um momento de indústria musical firme novamente. Estou nessa.

– Quais os próximos passos da Wonderbitch?
Agora tocaremos em nossa área dos Estados Unidos. Vamos ir de encontro a nossos fãs em toda a área, enquanto continuamos lançando singles sempre que possível para manter as coisas frescas!

– Recomendem bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos. Se forem independentes, melhor ainda!
Nossos bons amigos de Los Angeles têm duas bandas: Triptides e Frankie and the Witchfingers. Eles são caras incríveis fazendo coisas muito legais! Também o Fluffer, de Cincinnati, Ohio, está fazendo coisas bem bacanas misturando ‘bubblegum’, dance e heavy math. Tem uma nova banda de surf rock aqui em Austin chamada Shark Rider que nós também gostamos bastante.

10 bandas que continuaram na ativa com apenas um membro da formação original

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Smashing Pumpkins

Uma banda é praticamente um casamento, não é verdade? E como em um casamento, às vezes rola um divórcio. Ou, no caso das bandas, até mais de um! Não é incomum vermos uma banda com muito tempo na estrada mudar de formação, trocar de guitarrista, expulsar um baterista, mandar o baixista catar coquinho…

E, às vezes, acontece de o grupo ficar com apenas um de seus membros originais. Normalmente, o “líder” e “mentor” do negócio todo fica e traz para a trupe novas pessoas que podem fazer o legado continuar intacto e tocando em frente. Por isso, criamos uma lista de 10 bandas que em algum período de tempo contaram com apenas um solitário membro de sua formação original:

Ultraje a Rigor

Ultraje a Rigor
foto: Marcos Hermes

Da formação original, com Roger (vocal e guitarra), Leôspa (bateria), Sílvio (baixo) e Edgard Scandurra (guitarra) sobrou apenas o vocalista, líder e cabeça da banda, que hoje toca no programa The Noite de Danilo Gentili junto com Mingau (baixo), Bacalhau (bateria) e Marcos Kleine (guitarra), depois de diversas mudanças em sua formação.

Engenheiros do Hawaii

Engenheiros do Hawaii

Humberto Gessinger (vocal e guitarra), Carlos Stein (guitarra), Marcelo Pitz (baixo) e Carlos Maltz (bateria) começaram em 1984 o Engenheiros do Hawaii, a banda mais amada (e odiada) do sul do país. Depois de muitas mudanças, sobrou apenas Gessinger (que na última formação tocava com Gláucio Ayala (bateria, percussão e vocais), Fernando Aranha (guitarra) e Pedro Augusto (teclados)). Hoje em dia o vocalista se apresenta em carreira solo.

Smashing Pumpkins

Smashing Pumpkins

O megalomaníaco Billy Corgan (guitarra, teclado, piano e vocais) sempre foi o cabeça (raspada) do Smashing Pumpkins, existindo inclusive boatos de que ele teria regravado todas as partes de seus ex-colegas D’arcy Wretzky (baixo), James Iha (guitarra) no álbum “Gish”. A formação original se desmantelou no começo dos anos 2000 e Corgan foi substituindo as peças de sua banda, que hoje conta novamente com o baterista original Jimmy Chamberlin, mas até 2014 tinha Mike Byrne (bateria), Nicole Fiorentino (baixo) e Jeff Schroder (guitarra, continua até hoje) na formação.

Blink-182

Blink 182

O trio californiano contava em sua formação original com Mark Hoppus, Tom Delonge e Scott Raynor. Em 1998, Raynor foi substituído por Travis Barker, e a banda atingiu o topo das paradas de sucesso. Com a (segunda) saída de Tom Delonge da banda e a entrada oficial de Matt Skiba (Alkaline Trio), apenas Hoppus continua desde o começo.

Guns’n’Roses

Guns'n'Roses

Este é o caso clássico de megalomania do “líder” da banda. No começo, mesmo com todas as festas, drogas, bebidas e tudo o que o rock traz, Axl Rose, Izzy Stradlin, Duff McKagan, Slash e Steven Adler eram amigos e se davam bem. Porém, após o sucesso de “Appettite For Destruction”, os membros originais foram aos poucos saindo ou sendo expulsos por Rose, que mudou sua formação como quem muda de roupa. Mas o improvável acontecerá este ano: um retorno da quase formação original, com Slash e McKagan.

Misfits

Misfits

Depois de muitas formações e das traumáticas saídas dos vocalistas Glenn Danzig (em 1983), Michale Graves (2000) e mais de 10 membros, sobrou para Jerry Only o posto de único Misfit da formação original, e hoje  toca com Eric “Chupacabra” Arce (bateria) e Jerry Other (guitarra).

Os Mutantes

Os Mutantes

O trio formado pelos irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista e Rita Lee foi ganhando membros, depois perdeu Rita, depois perdeu Arnaldo, depois se desmantelou. Aí nos anos 2000 voltou com Arnaldo e Sérgio, mas sem Rita, e agora só resta Sérgio da formação original. Confuso? Enfim, hoje a banda conta também com Esmeria Bulgari (vocal e percussão), Vinicius Junqueira (baixo), Vitor Trida (vocal, guitarra e teclado), Henrique Peters (vocal, teclado, piano e órgão) e Cláudio Tchernev (bateria).

Autoramas

Autoramas

A banda de Gabriel Thomaz, ex-Little Quail and The Mad Birds, começou com Simone Dash (ex-Dash) no baixo e vocal e Nervoso na bateria. A partir daí, Bacalhau (ex-Planet Hemp) entrou na bateria, Selma Vieira entrou no lugar de Simone em 2002, sendo depois substituída por Flávia Couri… Hoje em dia a formação do recém-lançado “O Futuro Dos Autoramas” deixa o formato power trio para trás, com Gabriel no vocal e guitarra, Érika Martins no vocal e teclados, Melvin no baixo e Fred na bateria.

Queens Of The Stone Age

Queens Of The Stone Age

O QOTSA é o projeto mutante de Josh Homme, o único remanescente da formação original do grupo, originário do Kyuss. É uma pena que Nick Oliveri tenha saído, apesar de a dupla hoje em dia já ter feito as pazes.

Motörhead

Motörhead

Bom, infelizmente agora a banda não existe mais, já que Lemmy Kilmister bateu as botas, mas o Motörhead já não contava com os membros originais Larry Wallis e Lucas Fox faz bastante tempo, e nem com a formação clássica com Philty Animal Taylor e “Fast” Eddie Clarke. No último disco “Bad Magic”, lançado pouco antes de sua morte, Lemmy era acompanhado por Phil Campbell na guitarra e Mikkey Dee na bateria.

 

A mistureba musical cheia de influências do rock e hip hop dos anos 90 do Shinobi Ninja

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Shinobi Ninja

Quando ouvi pela primeira vez o nome da banda Shinobi Ninja, fui automaticamente transportado para os anos 90 em frente ao Mega Drive. É mais ou menos isso que o som do grupo faz com você: a mistura de rock, pop, hip hop, metal e punk do sexteto te leva diretamente para outra dimensão entre os 90s e os 80s em um liquidificador sonoro que te acerta em cheio.

Trabalhando sempre da forma Do It Yourself, Duke Sims (vocal), Baby G (vocal), Kid Shreddi (guitarra), Terminator Dave (bateria), Alien Lex (baixo) e o DJ Axis Powers começaram a banda em 2008 e em 2010 lançaram “Shinobi Ninja Attacks”, um app de jogo que recompensava seus jogadores com sua trilha sonora (feita pela banda, é lógico), baixada mais de 15 mil vezes no iTunes. O primeiro disco, “Rock Hood”, saiu em 2011, seguido por “Return From…” (2012) e “The Monster Van Album” (2013). Agora, logo depois de participarem do SXSW deste ano, a banda prepara seu quarto trabalho, que deve sair em breve.

Conversei com Alien Lex e Kid Shreddi sobre videogames, misturas sonoras, shows cheios de fumaça e sua carreira:

– Como a banda começou?

Alien Lex – A banda começou no Progressive Studio em Hells Kitchen NYC, onde a maioria dos integrantes trabalhava em outros projetos. Quando esses projetos terminaram, os gêmeos começaram a trabalhar em demo juntos que eventualmente se tornaram as primeiras músicas do Shinobi Ninja.

Kid Shreddi – Começamos em 2008 pois já tínhamos trabalhando em um monte de projetos diferentes juntos no mesmo estúdio por anos. Um dia, percebemos que estávamos escrevendo músicas juntos e colocamos em um mesmo teto que acabamos chamando de Shinobi Ninja.

– Toda vez que leio o nome da banda, sou automaticamente transportado mentalmente para o final dos anos 80/início dos 90 na frente de um videogame. Como o nome da banda foi escolhido?

Alien Lex – Podemos dizer que nosso nome se conecta à nosso som exatamente pelo motivo que você citou. Nos lembra dos anos 80 e 90 e muita gente nos diz que nossa música lembra o som dessas décadas.

Kid Shreddi – “Shinobi” era o jogo de videogame preferido do Duke quando ele era pequeno. Nós colocamos o “Ninja” no final e fizemos o primeiro show com este nome em 17 de agosto de 2008.

– E como vocês definiriam o som da banda?

Alien Lex – Tudo depende do que gêneros ou definições musicais significam pra você. Música é música e é divertida. Nós queremos fazer dançar e ter groove e compartilhar isso com as pessoas.

Kid Shreddi – É densa, do coração, e tão abravisa quanto é sensível. Não deixamos nenhuma pedra no lugar.

– Me contem mais sobre o material que lançaram até agora.

Alien Lex – Lançamos um monte de material nos últimos anos. Se você for em nossos canais do Youtube e Soudcloud pode encontrar a maior parte dele. Nos single mais recente se chama “Fun Bang”, um gostinho do nosso quarto disco de estúdio que deve sair ainda este ano.

Kid Shreddi – E NÓS FIZEMOS TUDO ISSO SOZINHOS!!!!!!!!!!!! Andy Manganello é meu sensei.

Shinobi Ninja

– Os videoclipes ainda são parte importante da vida de uma banda mesmo depois que a Mtv deixou a música para escanteio em sua programação?

Alien Lex – Videoclipes são um formato de lançamento padrão hoje em dia. Se você não tem um clipe para sua música no Youtube, você está lutando em uma subida. Esta é uma era visual e, com Mtv ou não, os videoclipes se tornaram essenciais para qualquer banda, seja ela independente ou grande.

Kid Shreddi – Sim, clipes são uma parte integral do consumo de música hoje em dia. Às vezes, a gente ouve com os olhos.

– Quais são suas principais influências musicais?

Alien Lex – As maiores influências devem ser The Beatles, Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Yes, Heart, Metallica, Judas Priest, Stone Temple Pilots, Black Sabbath, The Sex Pistols… São muitas, mais doque eu conseguiria citar. Basicamente, vamos do punk rock ao grunge. Eu sou um metaleiro, então devo permanecer fiel às raízes.

Kid ShreddiNirvana, Pantera, Sublime, 311, Black Sheep, A Tribe Called Quest, Dr. Dre, Red Hot Chili Peppers, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, The Beatles, Cream.

– Como foi para vocês a indicação como “Artist On The Verge” da The New Music Seminar (NMS)?

Alien Lex – Isso da NMS teve um grande impacto em mim, pessoalmente, porque eu tinha acabado de entrar na banda, então foi uma grande experiência. Estar em um tapete vermelho sendo fotografado por 14 pessoas ou tocando um show lotado no The Roxy, ser julgado por algumas das mentes mais doidas da música… Eu nunca tinha feito algo assim antes.

Kid Shreddi – Foi algo que preparou a gente para a indústria musical! Aprendemos muito naquela viagem. Também festejamos o máximo que podíamos fisicamente e conhecemos pessoas incríveis e lindas no processo. Muito amor para o Tommy Silverman e o pessoal da Tommy Boy Records.

– Descrevam um show do Shinobi Ninja para quem ainda não foi.

Alien Lex– Selvagem. Intenso. Divertido. Alto. Suado. Épico.

Kid Shreddi – Chegamos, fumamos. Soundcheck, fumamos. Camarim, fumamos. Hora do show (detonamos como se fosse nosso último momento nessa Terra fria e impiedosa, tentando ajudar nosso irmãos e irmãs à nossa volta sentir o calor e energia de uma existência positiva para que todos possamos nos curar juntos e sermos um só), fumamos. Hora do merchandising! Assinamos autógrafos. Carregamos tudo, fumamos, rumo ao próximo show.

Shinobi Ninja

– Quais são os próximos passos da banda em 2016?

Alien Lex – Bom, acabamos de nos apresentar no SXSW.

Kid Shreddi – Fumar [um novo rumo em nossas carreiras sendo verdadeiros conosco e nossa música].

– Recomendem bandas e artistas que chamaram suas atenções nos últimos tempos (especialmente se forem independentes!)

Alien Lex – Sou do rock e o novo rock não têm me chamado a atenção por um bom tempo. A última onda do rock que eu realmente curte veio da Europa e era o Power Metal, do meio dos anos 90 até mais ou menos 2005. Bandas como Nightwish, Stratovarius, Lacuna CoilChildren of Bodom. Muitas delas começaram independentes ou em selos pequenos e conquistaram um grande sucesso orgânico através de trabalho duro e perseverança, o que só aumentou o respeito que eu já tinha por eles.

Kid ShreddiKendrick Lamar, Dirty Heads, Matisyahu, Bad Brains, Fishbone, Alabama Shakes.

Conheça The Gerogerigegege, uma versão japonesa S&M e ainda mais nojenta de G.G. Allin

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The Gerogerigegege

Quando você imaginava que G.G. Allin e seu espetáculo escatológico cheio de urina, vômito, fezes, sangue, violência e punk rock era o máximo de shock rock que o mundo da música poderia fazer… O Japão aparece e mostra que pode fazer parecido. E o nome dessa metralhadora de excremento e fluidos corporais se chama The Gerogerigegege.

The Gerogerigegege foi fundada em 1985 como uma banda de punk e noise por Juntaro Yamanouchi, filho de um pianista de formação clássica com um gosto por crossdressing e discos ao vivo dos Ramones. Além de fazer música, Yamanouchi também fazia performances em clubes S&M, onde conheceu o companheiro performer de S&M Tetsuya Endoh, também conhecido como Gero 30 ou Gero 56.

The Gerogerigegege

“O conteúdo do nosso show não foi nada além de comer a merda um do outro e rolar em cima de nosso xixi e cocô. Enquanto realizávamos essas performances, o público, formado principalmente por pessoas de meia-idade, batia punheta. Enfim, dava pra ouvir naquele espaço escurecido que o público estava ofegante e as vozes de tais homens bufando, excitados”, descreve Yamanouchi.

“Gerogerigegege”, traduzido porcamente, significa “Vômitodiarréiabatebatebate”. Por isso, naturalmente, a maior parte da música da “banda” (por falta de uma palavra melhor) é baseada em funções corporais. Às vezes bem literalmente.

Assim, com um elenco rotativo de bandas acompanhando, The Gerogerigegege começou a tocar em clubes de punk japonês, onde logo se tornaram famosos graças aos shows que incluiam a dupla mijando, cagando e vomitando no palco, e quase sempre terminando o espetáculo com Gero 30 se masturbando, provavelmente em pé em cima de um amplificador com uma mangueira de aspirador de pó em suas partes.

A banda já lançou um monte de material, nos mais diversos estilos, desde o ruído industrial, coisas mais abstratas e ambient a proto-punk inspirado em Ramones. O disco mais famoso é “Tokio Anal Dynamite” (1990), com 75 músicas em pouco mais de 30 minutos, embora praticamente a única maneira de dizer quando uma música termina e outro começa é quando Yamanouchi grita seu ramônico “1, 2, 3, 4!”

Além dos álbuns e singles, The Gerogerigegege também ficou conhecido por fazer lançamentos “fake” e “pegadinhas” como “Art Is Over”, que consistia de um tentáculo de polvo colado ao interior de uma caixa de fita cassete, e “Ai-Jin”, um single flexi-disc único que foi apresentado em uma “performance de lançamento e memorial” em que todos os 2.000 exemplares foram queimados (cerca de 25 cópias supostamente sobreviveram ao fogo e agora valem um bom dinheiro, inclusive).

Yamanouchi e Gero 30 sumiram dos holofotes pouco depois do lançamento do último álbum da banda, “Saturday Night Big Cock Salaryman” (2001). Existem diversos rumores sobre o que aconteceu com eles, mas ninguém realmente sabe. Antes, era difícil achar qualquer material do The Gerogerigegege, mas graças ao milagre do YouTube, uma grande parte do seu catálogo está disponível para audição (vídeos de seus shows são mais raros, infelizmente)!

Chico Salem promove uma verdadeira festa da música brasileira em seu segundo disco, “Maior ou Igual a Dois”

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Chico Salem

Ao longo de seus 20 anos de carreira, o guitarrista Chico Salem já tocou com muita gente talentosa como Arnaldo Antunes, com quem toca desde 1999, Karina Buhr e muitos outros. É claro que ele não deixou os dois de fora de seus segundo disco solo, “Maior ou Igual a Dois”, que foca em encontros musicais e diversas participações especiais.

Produzido por Guilherme Kastrup, a extensa lista de participações do disco conta também com Fernando Catatau, Guizado, a cantora portuguesa Manuela Azevedo (da banda portuguesa Clã), a banda Bixiga70, Marcelo Jeneci, Curumin, Luciana Barros, Luê, Zeca Baleiro, Gustavo Ruiz, Fábio Sá, Thiago França, Márcio Arantes, Caetano Malta, André Lima, Danilo Moraes, entre tantos outros. Muita gente? Talvez, mas esta é a intenção: celebrar todos os encontros que Salem já teve e que acrescentaram (e muito) em seu trabalho e inspiração.

Conversei com Chico sobre o disco, a vida “nômade” dos músicos e o cenário atual da música brasileira:

– Chico, me fale um pouco mais sobre quem está nesse seu novo disco?
O “Maior ou igual a Dois” é uma festa. Uma celebração. Depois de quase duas décadas de carreira circulando e conhecendo gente eu resolvi abrir a porta do meu estúdio e convidar amigos queridos pra celebrar. São compositores, instrumentistas, cantores, todos trazendo um pouco do seu particular pra formar esse coletivo. É um disco de parcerias e encontros.

– O que te levou a criar um disco focado nas parcerias musicais?
Basicamente, o meu desejo de investigar o que acontece quando dois ou mais corpos se encontram. E o que emerge desse encontro.

– Quais foram suas maiores influências para este disco?
O disco veio chegando assim, devagarzinho. Sem uma referência clara que estivesse norteando o processo. Agora, inevitavelmente, me inspiram muito alguns projetos coletivos. Desde bandas que eu admiro muito como Pink Floyd e Novos Baianos, até encontros mais específicos, como Tropicália e Tribalistas.

– Quais são suas principais influências no seu instrumento?
São inúmeras. Posso passar o dia listando referências que me guiaram na minha relação com o violão e a guitarra. Gil, Rafael Rabello, Paco de Lucia, Chico César, João Bosco, David Gilmour, Edgard Scandurra…. Não acaba nunca…. (risos)

Chico Salem

– Como você começou sua carreira?
Em 1994 eu montei, ao lado de Danilo Moraes, minha primeira banda. Já era um trabalho autoral, onde percorríamos um circuito estudantil apresentando nossas canções e releituras de compositores que admirávamos. Sempre procurei mostrar minhas composições. Em 1999 fui convidado para integrar a banda do Arnaldo Antunes, e as coisas tomaram outro rumo. Passei a me dedicar mais a carreira de instrumentista, ainda que em 2002, eu tenha lançado meu primeiro disco, o “01”. De lá pra cá, muitas coisas aconteceram, e um leque de possibilidades se abriu. Trabalhei em estúdio, TV e teatro, sempre paralelo aos show com o Arnaldo. Agora, depois de 14 anos do lançamento do meu primeiro disco, se tornou urgente botar o “Maior ou igual a Dois” no mundo, e tem sido esse o movimento.

– Você já tocou com um mundo de gente, sendo muitos deles artistas conhecidíssimos e muito talentosos. Como é para você essa vida meio “nômade” de músico?
Minha profissão exige que eu esteja onde o público está. É assim. E isso é muito dinâmico. Eu sempre gostei de estar no gerúndio. Indo, chegando, saindo… Mudei de casa dezenas de vezes ao longo da minha vida. Eu amo viajar e estar cada hora em um lugar. Me faz bem. Como tudo na vida, tem mais de um lado e, principalmente depois que me casei, tive filho, isso se também é um desafio. Mas sou muito apoiado e acolhido pela minha família nessa escolha de viver dessa forma.

– Com quem você ainda gostaria de trabalhar na música brasileira? (E, porque não, na internacional?)
Eu tenho o privilégio de trabalhar com a minha maior referência na música e na arte, que é o Arnaldo Antunes. Um ícone. Mestre. Mas eu queria trabalhar com tanta gente também…. Assim, com projetos como o “Maior ou igual a Dois”. Fazer um disco com o Gil, Caetano. Gravar com Gilmour. Ser gravado pela Gal. Fazer um dueto com Marisa Monte. Compor o um samba com Chico BuarquePaulinho da Viola…. Não acaba nunca essa lista!

– Me fale um pouco mais sobre as letras do disco. Quais foram as inspirações para elas?
O disco fala de encontros. Fala de mim. Fala de amor. De desamor. Dessa atmosfera mais relacional. Além de mim, o disco tem letristas variados, então também fotografa maneiras diferentes de falar da vida. Sinto que tenho escrito de uma maneira mais direta ultimamente, com menos subjetividade. Buscando ir mais rápido e direto ao assunto.

Chico Salem

– O que você acha da cena musical atual no Brasil?
Acho que a cena está rica e abundante. Em qualidade e quantidade de produção. O que trava um pouquinho o fluxo é um sentimento meio generalizado de escassez que as vezes faz com que cada um fique muito preso ao seu quadrado, tentando garantir o seu. Acho que se as pessoas se articularem e agirem mais colaborativamente a cena esquenta mais ainda e tem espaço pra todo mundo trabalhar. Uma cena quente é algo bom pra todo mundo.

– Recomende bandas e artistas que você acredita que todo mundo deveria conhecer, mas ainda não são divulgados como deveriam.
Tem um cara que chama Chico Salem, muito interessante (risos). Tenho ouvido muito o Pélico, a Vitrola Sintética, Gustavo Galo, Danilo Moraes, Alessandra Leão…. Enfim… Vai rolar uma injustice se eu sair citando. Porque tem muita gente boa com discos lindos.
Acho que vale estar sempre antenado. O acesso nunca esteve tão fácil…

Conheça 10 das capas mais horrendas já criadas para discos da música brasileira

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A banda se esforça, cria canções com refrões ganchudos, riffs memoráveis, acordes complexos e músicas que grudam na cabeça. Porém, muitas delas acabam deixando de lado um fator importante: a capa do disco. Nisso surgem verdadeiras obras horrendas e bizarras, às vezes com a melhor das intenções, outras feitas às pressas… Além, é claro, daquelas que as bandas defendem com unhas e dentes, apesar de serem mais horripilantes que ser acordado às 6 da manhã de um domingo por ET e Rodolfo com buzinas em seu ouvido.

Por isso, o Crush em Hi-Fi (com auxílio de diversas sugestões colhidas nas redes sociais) te leva agora à uma lista com 10 das capas mais feias que a música brasileira já teve coragem de colocar em discos. Prepare seus olhos e deixe o senso estético na porta!

Um adendo: este post não quer em nenhum momento denegrir as músicas contidas nos álbuns em questão! O foco aqui são apenas as capas, okay?

“Pt qQ cOizAh”, Raimundos (2005)

Com a saída do vocalista Rodolfo, o Raimundos se reergueu e lançou “Kavookavala” (2002), com uma divertida capa com inspiração no clássico Rat Fink e músicas que, apesar que não serem as melhores da banda, se sustentam muito bem. Mas daí veio a saída do baixista Canisso e com o ex-Rumbora Alf no baixo e backings, a banda lançou o EP “Pt qQ cOizAh“, com músicas que lembram o hardcore “raimundístico”, mas que veio com uma das capas mais horríveis e preguiçosas de todos os tempos. Parece que uma criança de 5 anos ficou uns 10 minutos na frente do Paint e criou essa obra.

Raimundos Pt qQ cOizAh

“As Novas Aventuras do DJ L”, Latino (2005)

Sabe aquelas caricaturas que os artistas oferecem em feirinhas hippie? No disco que sucedeu o sucesso de “Festa No Apê”, parece que Latino achou uma boa ideia colocar isso como capa. Dá até vergonha de ver. Talvez ele já tivesse se ligado na queda da cultura do álbum e o crescimento dos singles e mp3… acho que é o único jeito de defender essa atrocidade.

As Novas Aventuras do DJ L Latino

“Agora Sai”, Lagoa (1996)

O Lagoa 66 era uma banda elogiada do underground paulistano. Depois de muitas tentativas de lançar um disco, o grupo abandonou seu som característico e apostou em algo mais “Mamonas Assassinas”, que estava em alta na época. A capa segue a mesma tosquice do disco dos Mamonas: uma montagem horrenda com a cara dos integrantes em um fundo “animado”. E ainda inspiraram o patinho da FIESP.

Lagoa Agora Sai

“Os Invisíveis”, Ultraje a Rigor (2002)

É deste disco um dos últimos hits autorais do Ultraje, “Me Dá Um Olá”, que tocou bastante nas rádios. Como o disco tem bastante influência da surf music, a capa mais preguiçosa que você depois de uma pratada de feijoada é apenas uma onda com um efeito “swirl”. E pronto. Hoje em dia com o Snapchat tá pra criar uma capa melhor que essa. Aliás, na época dava pra criar capa melhor em uns 40 minutos.

Ultraje a Rigor Os Invisíveis

“Fabio Jr”, Fábio Junior (1995)

Fábio Junior é gato, Fábio Junior é ídolo, Fábio Junior é o terror das mulheres, Fábio Junior deixa sua mãe morrendo de amores todas as vezes que aparece na TV cantando “Alma Gêmea” ou “Pai”. Mas essa capa pelado agachadinho no canto não dá, né? Parece que ele tá soltando um suntuoso barro e alguém o pegou no flagra e, em vez de ficar bravo, ele resolveu flertar com o paparazzo.

Fabio Junior

“Mamonas Ao Vivo”, Mamonas Assassinas (2006)

Não que a capa do primeiro e único disco oficial dos Mamonas Assassinas seja boa (não é), mas esta aqui faz o mesmo esquema da primeira (o rosto dos integrantes com intervenções em ilustração), só que faz bem pior. Um desenho infantil do quinteto no céu, representando-os após sua trágica morte. Além do desenho horrendo, é de certo mau gosto.

Mamonas ao Vivo

“Música Calma Para Pessoas Nervosas”, Ira! (1993)

Em 1993, o Ira! fez uma capa com fotos desfocadas de seus integrantes (mal dá pra saber quem é quem) com pintura a dedo no fundo e um pouco de WordArt daqueles que faziam os trabalhos da escola parecerem “profissionais” lá na 3ª série.

Música Calma Para Pessoas Nervosas Ira!

“Com a Cabeça no Lugar”, Velhas Virgens (2003)

Vocês sabem o teor das letras das Velhas Virgens. Sim, a capa combina com o que eles cantam em praticamente todas suas músicas. Mas convenhamos que é uma capa feia pra caceta. Olha essa fonte do nome da banda. Olha a fonte ali embaixo. O negócio foi aplicado no Paint lá no Windows 95. Só pode. Sim, o Paulão deve ter adorado fazer a foto.

Velhas Virgens Com a Cabela No Lugar

“Sarniô”, Naldo Benny (2015)

Não preciso nem comentar essa capa do Naldo feita pelo Romero Britto, né? Acho que não.

naldo-benny-capa-romero-britto

“With Lasers”, Bonde do Rolê (2006)

Tá, o Bonde do Rolê é uma banda “engraçadinha” e a capa não poderia ser séria, mas isso aqui é muito feio. Aquele recorte mal feito em cima da cabeça do Cristo. Essa fonte “radical”. A caveirinha feita com guache por uma criança no jardim da infância…

Bonde do Rolê With Lasers

E pra você, qual é a capa de disco mais feia já lançada na música brasileira? Deixe sua sugestão aqui nos comentários! Denuncie todas as ~artes~ que fizeram seu estômago revirar na loja de discos!

Mocho Diablo, o quarteto de stoner rock paulistano surgido das cinzas do Flaming Moe

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Mocho Diablo

Formado em 2011, o Mocho Diablo veio diretamente das ainda quentes cinzas do Flaming Moe, banda que fez sucesso graças aos seu som peculiar e shows viscerais no underground de São Paulo. Da antiga banda, vieram Thiago Pinho, bateria, Maurício Peruche, guitarra e Gui Klaussner, vocal. Com a entrada do baixista Murilo Silva (do EDC), o Mocho Diablo estava completo e preparado para destrinchar todas suas influências de stoner rock e experimentalismo.

Em 2012 saiu o primeiro EP e em 2015 o álbum “Monochrome”, produzido e gravado no estúdio Aurora, em São Paulo, pelas mãos de Aecio de Souza e Billy Comodoro. “O disco é o resultado de uma fase em que tentamos sintetizar momentos diferentes tanto da banda quanto da vida no geral. Tentamos transpor as cores e o que elas representam, para a musica, assim temos momentos diferentes no disco, ora pesado com a ‘Sink the Black Swan’, ora mais cru como em ’19 Maniacs’ e ora mais denso em ‘Hispaniola’“, explicam.

Conversei com a banda sobre a carreira, a dissidência do Flaming Moe, letras em inglês e o stoner rock:

– Como a banda começou?
O Mocho Diablo tem origem no Flaming Moe, de onde remanesceram Thiago Pinho, bateria, Maurício Peruche, guitarra e Gui Klaussner, voz. O pontapé foi Em 2011 com a entrada do baixista Murilo Silva do EDC, que, com a nova bagagem, deixou claro que precisaríamos de um novo projeto.

– Como o som da Flaming Moe influenciou o Mocho Diablo?
Na verdade, acho que foi uma transição natural, claro agregando toda a influencia do Murilo (que foi o novo integrante). Carregamos muita coisa ainda do Flaming Moe, especialmente o lado stoner da banda e a energia dos shows. Como um quarteto, criou-se mais espaço para groove e peso do baixo. Com essa renovação, a banda ganhou muita energia, ficando ainda mais visceral, misturando influencias do rock dos anos 60 e 70 com uma dose cavalar do peso dos anos 90, encontramos um equilíbrio entre todas as quatro pontas da banda. Sendo prático, a guitarra continua se baseando em riffs como na época do Flaming Moe, mas agora como temos uma guitarra a menos, a relação dela e do baixo é bem mais complementar.

– Me contem um pouco mais sobre “Monochrome”.
O “Monochrome” é o resultado de uma fase em que tentamos sintetizar momentos diferentes tanto da banda quanto da vida no geral. Tentamos transpor as cores e o que elas representam, para a musica, assim temos momentos diferentes no disco, ora pesado com a “Sink the Black Swan”, ora mais cru como em “19 Maniacs” e ora mais denso em “Hispaniola”. O disco pode ser entendido também como uma reflexo do hiato de quase 2 anos em que metade da banda ficou com seus membros morando fora. Isso mexeu sem dúvida com as referências e as composições da banda.

– Como surgiu o nome da banda?
O nome é de uma forma paradoxal, uma “sulamericanização” da banda, contrapondo o fato das letras serem todas em inglês. É também uma alusão a um tipo sul-americano de coruja, o Mocho Diabo.

Mocho Diablo

– Porque muitas bandas brasileiras de rock investem em letras em inglês?
Talvez esse seja o caminho mais natural do rock, que soa mais natural mesmo, já que a fonética é mais fácil de se encaixar nas musicas. É claro que existem ótimas bandas cantando não só em português, mas em espanhol e outros idiomas. No nosso caso creio que seja uma questão principal das influências. A maioria das bandas que crescemos ouvindo, que moldaram nossa veia artística cantam em inglês. Mesmo nem sempre sendo de países que tem a língua inglesa como idioma principal. Esse questionamento sempre aparece com bandas nacionais e é natural. Mas não vejo o idioma como uma barreira ou uma pretensão mercadológica. É uma questão primordial de influência mesmo.

– Quais as suas maiores influências musicais?
Os anos 90 tem um peso importante no som do Mocho Diablo. Foi o auge da cena Stoner e Grunge. Os riffs simples e pesados. A estética simples e crua resgatando o peso do rock sem as firulas ou a polidez que as grandes produções dos anos 80 exigiram. Dessa maneira, não é exagero dizer que é um pouco de tudo, já que cada um tem influencias distintas. Existem claro algumas (várias) coisas em comum tipo Black Sabbath, Queens of the Stone Age, Rage Against the Machine, Kyuss, e por ai vai. Talvez dê pra dizer que o baixo e bateria têm um influência maior do groove e a guitarra e o vocal do punk. Mas todos se encontraram no peso e na simplicidade do som do Mocho Diablo.

– Como é a vida de artista independente no Brasil hoje em dia? O que precisa melhorar?
A vida é muito dificil principalmente do ponto de vista de estrutura. As poucas casas que ainda abrem espaço para bandas autorais, nem sempre tem um equipamento legal, etc. Acho que é tudo uma cadeia, melhorando as casas, melhoram as bandas, que melhoram o publico, que melhora a cena, não necessariamente nessa ordem (risos). O duro é bater no peito e chamar pra si o fomento desse círculo virtuoso. Entendemos nossa parte através do incentivo de algumas coisas importantes: música acessível, gratuita e autoral. Esse tripé percebemos como fundamental pela própria ideia embutida da produção artística autônoma. Parece óbvio promover a criatividade, mas isso hoje é cada vez mais um ato de resistência.Vamos continuar remando contra a pasteurização enquanto tivermos fôlego.

– Quais os planos da banda para 2016?
Alem de tentar mostrar nosso som ao vivo pra mais gente saindo um pouco do circuito SP e conhecer novas cidades, estamos sempre compondo, sempre em estúdio registrando ideias para futuros lançamentos. Cumprimos uma etapa importante que era ter um trabalho relevante no Mercado. Esse ano a ideia é mais pragmática, batalhar o álbum e preparar o terreno pro próximo lançamento.

Mocho Diablo

– Como vocês veem a cena rock no Brasil hoje em dia?
É relevante, principalmente nos meios ditos pouco relevantes, como festivais independentes, casas autônomas, inferninhos, etc. O rock não ocupa a mais centralidade midiática nem nos lugares berço, ou seja, ter gente lançando com qualidade em um lugar onde o rock nunca será majoritário, mostra que temos competência, estamos antenados e fazemos parte da vanguarda criativa.

– Recomendem bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Sempre a gente esbarra com banda boa por ai, bandas como Far From Alaska, Black Drawing Chalks, Orange Disaster, Bloodbuzz, Augustine Azul, Electric Goat Combo são ótimos exemplos.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Dudu Araújo/Dudx Babaloo, do A Coisa Toda

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Dudx Babaloo
Dudx Babaloo

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Dudu Araújo (ou Duda Babaloo), do A Coisa Toda e da Estrondo.

“Sou publicitário por formação, cresci em Campo Grande – MS mas me fiz em São Paulo, onde resido há 5 anos. Há pouco mais de um ano percebi meu amor por performance e criação, largando esse lado mais comercial e me aprofundando em uma experiência de performance -arte. Não considero o que eu faço como Drag Queen, ou como Club Kid, apenas não quero rotular e limitar o que eu possivelmente poderia decidir em fazer. Se tivesse alguma classificação, chamaria a Dudx Babaloo de uma palhaça que quer confundir você com essas questões e regras de gênero que o mundo criou. https://www.facebook.com/dudababaloo/

Tenho uma militância diária e virtual através de um site que criei, chamado www.acoisatoda.com que fala de diversidade, empoderamento e entretenimento. E assessoro artistas, bandas e projetos culturais através da minha agência www.facebook.com/agendiaestrondo”

Deadman“Follow The Night Light”

“É um som que escutei muito aos meus 17, 18..época que eu era viciado em Visual Kei e JRock. A cultura oriental está muito a frente da cultura ocidental, e não seria diferente na originalidade e visual das bandas e artistas. Mako, o vocalista, tem essa imagem de boneco quebrado, uma coisa mais morta do que a morte e mais tensa que o Manson“.

Hi Fashion – “Mother Sister Father Brother”

“Adoro o som do Hi Fashion pra tocar na pista. Além disso eles tem um visual incrível. E esse anda sendo um fator decisivo para eu me identificar com bandas e grupos. Cansei da mesmíce. Não me venha tocar de sapatênis”.

The Sound – “I Can’t Escape Myself”

“Essa música é a própria definição de não conseguir escapar de si mesmo”.

Club 69 – “I Look Good”

“Gay. Gay. Gay. Gay. Eu”.

Anohni – “Drone Bomb Me”

Anohni é a artista que mais tem me representado. Sua tristeza me consome. E eu sou muitas vezes uma pessoa triste. Triste pelo mundo que vivemos. E Anohni denuncia tudo isso em suas letras que falam sobre crimes que a sociedade e o mundo comete todos os dias”.

Banca Tatuí traz shows de Tatá Aeroplano, Julia Valiengo, Mariana Degani e Remi Chatain em seu teto dia 19

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Tatá Aeroplano e Julia Valiengo
Tatá Aeroplano e Julia Valiengo

Neste sábado, dia 19, acontecerá a primeira festa do ano na Banca Tatuí, na Santa Cecília. O teto da popular banca de publicações independentes receberá shows de Tatá Aeroplano e Júlia Valiengo e também Mariana Degani e Remi Chatain apresentando o show do recém lançado disco “Furtacor”, além da sempre ótima discotecagem do Coletivo Trama.

As publicações não ficarão de fora, é claro. Durante o evento, rolam os lançamentos do livro “Bagagem“, do Troche e do zine Mó Tesão, com ilustrações de Magra de Ruim.

Conversei com João Varella sobre o evento de sábado:

– Dia 19 rola a primeira festa da Banca Tatuí. O que vai rolar de música?
É a primeira do ano. Teremos três atrações musicais. Shows de Tatá Aeroplano + Julia Valiengo e Mariana Degani + Remi Chatain, além da discotecagem do Coletivo Trama.

– Porque colocar shows ao vivo no teto de uma banca?
Porque temos uma estrutura bacana para isso, apesar de nunca termos planejado. O engenheiro que tocou a obra da banca exagerou na dose e fez uma estrutura que aguenta 1,5 tonelada. Logo, veio a ideia de pôr bandas tocando lá em cima.
Foi um acaso muito fortuito, pois a música tem uma ligação íntima com publicações, independentes ou não.

– O que Tatá Aeroplano + Julia Valiengo vão apresentar?
Nós não combinamos setlist com os artistas, mas creio (e torço) que teremos a presença das entidades Frito Sampler e Grace Ohio. Também há expectativa pelo material solo do Tatá e algo da Trupe Chá de Boldo (oremos).

– E o que podemos esperar da apresentação de Mariana Degani + Remi Chatain?
Aposto numa apresentação calcada no disco “Furtacor”, recém lançado e uma das melhores coisas que surgiu neste primeiro trimestre em termos de música brasilera.

Banca Tatuí
Banca Tatuí

– Vocês já tiveram problemas com a polícia impedindo as apresentaçãos. Como evitar isso?
A polícia nunca chegou a impedir apresentações. A polícia sempre surge no final, dialoga e entende que os shows são curtos. No final da conversa, o entendimento tem sido que a arte traz muito mais benefícios à região do que malefícios, ainda mais se levarmos em consideração que antes da banca a esquina era uma boca de tráfico.

– Vocês acham que essas operações de Psiu e afins estão atrapalhando a cena musical de São Paulo?
Atrapalham, mas se levarmos em conta São Paulo toda, não muito. Sinto que atinge mais os bares. Talvez sejam outros fatores que atrapalhem. Para deixar claro, minha posição é de repúdio ao que aconteceu com o Puxadinho da Praça. Nunca fui na casa, mas a contribuição que ela deu à cena da cidade foi notória. A cena musical de São Paulo é prejudicada hoje pela crise, que faz as pessoas ficarem em casa vendo o Netflix ao invés de sair, ao invés de consumir outro tipo de arte diferente do cardápio de séries da plataforma.

– Como a cena musical paulistana (e do Brasil) pode melhorar?
Pergunta ampla, mas vou responder entendendo “melhorar” como uma questão de qualidade musical. Aí respondo que é dando mais atenção ao rap. Sinto que esse é o gênero musical que tem algo a dizer hoje em dia. Não que todo artista tenha agora que cantar rap, mas a atitude e a energia vinda do hip hop são o que há de mais relevante em termos musicais. É hora dos artistas do centro aprenderem com a periferia. Além disso, claro, aquela aflição que atinge todos os artistas: arranjar formas de se viabilizar financeiramente através da música para poder assim se dedicar de corpo e alma em sua arte, conseguindo assim criar. Isso vale para escritor, artista plástico, etc..

– Podemos esperar mais shows na Banca Tatuí em 2016? 🙂
Sem dúvida! Esse é só o primeiro.

Banca Tatuí