Pewter Cub mostra seu indie-power-jangle-pop cheio de influências de pós-punk e rock noventista

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Pewter Cub

O Pewter Cub, de Detroit, começou como uma brincadeira de amigos. Após diversos shows e um período se apresentando com uma bateria eletrônica (que, ironicamente, foi o “membro” da banda que mais deu problemas), o trio se firmou e lançou dois bons discos influenciados por pós-punk, rock alternativo dos anos 90 e shoegaze.

Regan Patricia Lorie (vocal, baixo e guitarra), Scott Sanford (guitarra e baixo) e Dave Jennings (bateria e percussão) preparam agora as canções de seu terceiro disco, sucessor de “The Door Opened; You Got In” (2012) e “If You Can Hold Your Breath” (2013), a ser lançado ainda este ano. E o trio pode vir a se tornar um quarteto. “Estamos pensando em adicionar outro membro à banda para expandir nosso som ainda mais”, dizem.

Conversei com Regan e Scott sobre sua carreira, influências e a ausência de bandas de rock nas paradas de sucesso:

– Como a banda começou?
Regan – Sempre morri de vontade de estar em uma banda, mas nunca tinha tocado para outras pessoas antes. Depois de um longo período de incentivo, Scott finalmente me convenceu a tocar com ele e um amigo nosso na bateria. Essa banda se separou depois de um show (ha!) e Scott e eu (e uma bateria eletrônica programada) continuamos como Pewter Cub por algum tempo. Então, nós conhecemos Dave através de amigos comuns, tínhamos ouvido falar que ele era um bom baterista. Convidamos ele para tocar com a gente e o resto é história.

Scott – Eu tocava guitarra desde os 14 anos e nunca tinha sido capaz de encontrar as pessoas certas com que eu “clicasse” musicalmente. Regan tem muito bom gosto musical e nós compartilhamos muitas das mesmas influências. Achei que poderíamos criar algumas coisas boas juntos. Emprestei pra ela meu baixo e depois que ela começou a tocar, ficou animada em tentar trabalhar em algumas idéias juntos. Após um projeto de curta duração com um baterista diferente, tocamos nosso primeiro show como Pewter Cub em 2008, só nós dois e uma bateria eletrônica. Depois de alguns contratempos ao vivo tocando com a bateria eletrônica, nós concordamos que precisávamos de um baterista. Dave Jennings entrou nas baquetas após cerca de 6 meses de banda.

– De onde saiu o nome Pewter Cub?
Não fomos nós que criamos! Um amigo nosso inventou do nada depois de uma noite de bebedeira. “Vocês deveriam se chamar Pewter Cub”. Achamos um nome estranho e engraçado. Virou uma piada interna, e finalmente, quando não conseguimos pensar em nenhum outro nome que gostássemos, desistimos de lutar e resolvemos ser mesmo o Pewter Cub.

– Quais as suas maiores influências musicais?
Muito pós-punk dos anos 70 e 80, shoegaze, space rock. Também amamos dub, então algumas de nossas músicas mais antigas têm um pouco disso. Qualquer coisa com guitarras pesadas cheias de pedal chorus. Tivemos a chance de abrir para The Chamaleons no outono passado; Mark Burgess é uma grande influência para nós, então foi um sonho realizado. Quem mais? Pixies, Cheap Trick, the Police, Echo and the Bunnymen, The Teardrop Explodes. Nós também nos definimos de alguma forma pelo nosso amor por filmes de terror e exploitation, o que influencia nossas letras e nomes das músicas.

Pewter Cub

– Como vocês definiriam o som da banda?
Indie-power-jangle-pop com a ocasional música de multidões segurando tochas.

– Me contem um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.
Lançamos dois discos: o primeiro, “The Door Opened; You Got In” foi lançado de forma independente em CD em Agosto de 2010. Regan fez toda a arte e imprimiu à mão a capa dos discos. Gravamos com nossos amigos da banda Sisters of Your Sunshine Vapor no estúdio da casa deles. Muitas dessas eram músicas da primeira leva de canções que criamos como Pewter Cub e são do primeiro ano e meio em que escrevemos juntos. Está disponível para audição no Bandcamp: https://pewtercub.bandcamp.com/

Nosso segundo disco, “If You Can Hold Your Breath”, foi lançado em vinil pelo selo de Detroit Bellyache Records em fevereiro de 2013 e foi gravado no Tempermill Studios em Ferndale, Michigan, durante o verão de 2012. Começarmos a escrever esse logo depois do lançamento do primeiro disco e tocamos as músicas ao vivo diversas vezes antes de registramos no disco. Ele está disponível em vinl (http://bellyacherecords.com/store/records/pewter-cub/) e digitalmente no Bandcamp (https://pewtercub.bandcamp.com or
iTunes- https://itunes.apple.com/us/album/if-you-can-hold-your-breath/id666349627) Estamos trabalhando em nosso terceiro disco, e se tudo der certo ele sai ainda este ano.

– Se vocês pudessem trabalhar com qualquer pessoa ou grupo do mundo da música, quem seria?
Regan – Polly Jean Harvey.
Scott – Eu adoraria fazer um disco com os Sparks.

– Qual a malhor e pior parte de se estar em uma banda independente?
Melhor: completa liberdade criativa e de direitos!
Pior: nenhum apoio financeiro! Além disso, tem MUITAS BANDAS por aí, então é um mercado saturado.

Pewter Cub

– Porque tão poucas bandas de rock aparecem nas paradas musicais hoje em dia?
Regan – A definição de banda de rock não é mais tão preta e branca. O indie ou o chamado rock “alternativo” (dois gêneros muito vagos, que agregam tudo) e o metal (que sem dúvidas ficam embaixo do guarda-chuva “rock”) cresceram mais do que nunca, então pensando assim acho que tem bastante rock por aí recebendo a devida parcela de atenção.

Scott – Bandas como um todo não são mais celebradas como os popstars com produtores por trás. A maioria das bandas que conhecem reconhecimento em grande escala não são celebradas pelo que as faz diferentes. A maioria são bandas sem rosto que se encaixam em um som que se encaixa em um padrão Eu lembro quando as pessoas sabiam os nomes de todos os membros de uma banda, do vocalista até o baixista. Agora a maioria das pessoas não sabem quem são ou como são. Tem algumas pessoas que apreciam e levam a paixão pelo verdadeiro rock, mas o elemento de excitação e perigo no rock está em falta.

– Quais são os próximos passos da banda em 2016?
Escrever mais, gravar, fazer shows, continuar aparecendo por aí. Continuar escrevendo músicas que são melhores que as que já fizemos. Estamos pensando em adicionar outro membro à banda para expandir nosso som ainda mais. Queremos lançar nosso terceiro disco a partir do meio de 2016.

– Recomendem artistas e bandas que chamaram sua atenção ultimamente. Se forem independentes, melhor ainda!
Regan – O último disco novo (mais ou menos) que eu não consegui parar de ouvir foi o “Commune LP” do Goat, lançado no último outono. Uma incrível mistura de prog, psych e música tribal primitiva, tudo colado junto com uns riffs incríveis cheios de fuzz. Se vocêgosta de Amon Duul, vai curtir.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Matheus Krempel, do The Bombers

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Matheus Klemper, The Bombers
Matheus Klemper, The Bombers

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Matheus Krempel, vocalista e guitarrista do The Bombers, banda de punk rock com pitadas que ska que acaba de lançar um split com o Sky Down.

Nada em Vão“Nada em Vão”

“Letra Positiva, refrão forte e uma melodia de vocal bem audaciosa. Banda que conta com o ex batera do The Bombers, Delton Porto e com o Cesar Pirata do Mais que Palavras. Punk Rock “muderninho” diretamente de Brasilia, feito por quem entende”.

Mundo Alto“Nada Parece Valer A Pena”

“Porque eu adoooooooro um refrão chicletudo na cabeça. E essa música com jeitinho de Weezer brasileiro, é boa pra caralho”.

Excluídos “Plano Perfeito”

“Na ativa desde 1999, os Excluidos lançaram em 2014, seu primeiro disco completo. Essa música é a minha favorita do disco, desde a 1ª audição. Riff certeiro, melodia incrivel, metrica perfeita”.

Big Stone Crew“Lost in the City”

“Uma leve pitada de hard rock, outra de punk 90’s e os caras entregaram essa musica viciante, com uma letra tocante”.

Der Baum“Stop Confusion”

“Quando ouvi isso pela primeira vez, eu perdi meu ‘guarda-chuva’. Uma das melhores coisas que eu ouvi nos últimos tempos. Popzão mesmo, nervoso, dançante com jeitinho de anos 80 e refrão bilingue (risos). Vale muito a pena, também, ir atrás da banda do guitarrista dessa banda, Rafel Pires, o Color for Shane“.

Hoje tem mais uma edição do “Gênesis de Gênios – Mostre Seu Melhor” na Sensorial Discos!

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Gênesis de Gênios XI
Gênesis de Gênios XI

Acontece hoje mais uma edição do projeto Gênesis de Gênios – #MostreSeuMelhor da Plectro, a partir da 18h, na Sensorial Discos, em São Paulo. O projeto agita a cena musical independente paulistana investindo em novos talentos, descobrindo e lapidando novos talentos com o objetivo de lançar suas carreiras e desenvolver suas trajetórias musicais. Assim, o músico tem oportunidade promover seu trabalho em coletâneas e de ter acesso a um canal para alavancar sua carreira no circuito musical comercial paulistano.

O trabalho desenvolvido pela produtora Plectro é inspirado na cultura open-mic de cantores e compositores de Londres e Nova Iorque, onde Eron Falbo, sócio proprietário da Plectro, já trabalhou como produtor. A Sensorial Discos, lar do projeto, fica na rua Augusta, 2389, na região dos Jardins, promove pocket shows com artistas dos mais variados estilos de quarta-feira a sábado.

Plan Bee
O trio Plan Bee

O#mostreseumelhor hoje os já populares sorteios de vitrola e kit de cerveja (um copo promocional e duas cervejas), além de contar com uma divertida promoção, onde aqueles que apresentarem uma canção de autoria do artista da vez (a produtora escolhe um ou mais artistas para ilustrar cada edição do evento) são presenteados com uma cerveja artesanal (cortesia da Plectro). O artista homenageado desta edição será Gilberto Gil. Como nas edições anteriores, o autor da melhor performance da noite (escolhido pelo público presente e pela equipe da Plectro) será eleito “O Gênio da Vez”, sendo contratado para apresentar um pocket show na edição seguinte – e provavelmente em outros eventos da produtora. Nesta edição, o publico assistirá ao show do trio vocal pop Plan Bee, vencedores da décima primeira edição. Para participar basta chegar e se inscrever (são 15 espaços para inscrição). Aqueles que se apresentam não pagam entrada. São, no máximo, duas obras por artista, podendo ser uma cover, autoral e até mesmo uma performance que ultrapasse as barreiras da música (um poema, um esquete de teatro, comédia etc). As apresentações são filmadas e fotografadas profissionalmente e o melhor material será publicado nos canais da Plectro e de todos os seus parceiros.

Garimpo Sonoro #12 – Estudando Tom Zé: 5 vezes em que Tom Zé foi nota 10!

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Tom Zé

De maneira dolosa, Tom Zé sempre se vendeu como o Vagabundo enquanto seus atos explicitavam seu dom chaplinesco. Em meio século de carreira, o artista vindo da hipercitada Irará-BA se formou em música na renomada Faculdade de Música da UFBA e usufruiu desta base técnica com tanto primor quanto sua abordagem criativa com as palavras e sons.

Precisaria de muitos caracteres para discorrer sobre o caráter artístico do Senhor Zé – incluindo sua relevância na Tropicália – por isso, como de praxe, resumirei em apenas cinco amostras:

“Tô” – Quando se vê toda a carreira de Tom Zé, “Tô” se mostra muito mais do que um manifesto: é uma cartilha que Tom Zé segue à risca.

Plágio – Em 1990, Tom Zé expôs um pouco do tortuoso caminho criativo cheio de dialogismos que ele costuma usar em sua obra. Aqui, ironiza uma acusação de plágio ao fazer uma música em que quase nada é seu.

“Estudando o Pagode” – Há 11 anos, Tom Zé levantava parte da bandeira do feminismo sob o véu de sua releitura sobre o pagode. O álbum, em forma de operetta em três atos, conta a história da opressão à mulher, sua relação com o homem e a distorção do amor. O disco todo vale a pena, mas aqui ilustro com “Proposta de Amor”.

“Tropicalea Jact Est” – Apesar de não incluir na série “Estudando”, Tom Zé revisita a evolução da Bossa Nova em um belíssimo disco que conta com participações atuais, como Mallu Magalhães, Rodrigo Amarante, Pélico e Emicida.

João da Esquina – No seu livro “Tropicália Lenta Luta”, Tom Zé mistura sua biografia com uma releitura sobre a vida de todos. Ao final, compilou alguns artigos que ele publicou em jornais diversos. Um deles, de 2001, homenageia João Gilberto ao mesmo tempo que consegue traçar um paralelo genial entre a Bossa Nova e a fórmula de Einstein E=MC²

Este não tem vídeo, mas leia o artigo (http://navegandonavanguarda.blogspot.com.br/2009/07/artigos-extraordinarios.html) enquanto ouve a instrumental “Toc”:

Com menos de 15 anos de idade, dupla Os Desconhecidos domina redes sociais com covers de Misfits e Sisters Of Mercy

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Os Desconhecidos

Nas últimas semanas, os vídeos da dupla de Mauá Os Desconhecidos começaram a ser compartilhados por gente como Wander Wildner, Jão (Ratos de Porão), Daniel Ete (Muzzarelas), a banda Olho Seco e até CJ Ramone. Afinal, a pouca idade da dupla, formada por Dennis Schivittez (8 anos, baixo e vocal) e Felipe Schivittez (13 anos, guitarra e vocal), chama a atenção de quem assiste. A banda grava covers caseiras de bandas como Ramones, Misfits, Ratos de Porão, Olho Seco, Devo, Sisters Of Mercy e Sex Pistols em seu próprio quarto, sem baterista, mas com uma “montagem de palco” condizente com a música tocada.

Os irmãos não pretendem ficar só tocando covers. “A ideia da banda é essa, fazer música”, explica Felipe. “Temos 13 músicas, mas temos que ensaiar pra colocar no Youtube, ainda estão muito ruins”, completa Dennis. Sobre o sucesso repentino e elogios de bandas consagradas, o irmão mais velho se diz surpreso até agora. “A gente não esperava, já que a gente só sabe tocar mais ou menos, e a gente ainda é criança…”

O duo de Mauá agora procura por um baterista da idade deles que queira completar o power trio. “Ele tem que gostar de Misfits, Iron Maiden, Dead Kennedys, Os Replicantes, Ramones…”, explica Felipe. E um monte de lixo também!”, escracha Dennis.

– Como vocês começaram?
Felipe – Tudo começou quando eu ganhei uma guitarra da minha tia, mas eu não sabia tocar ainda porque era muito novo. Aí quando eu conheci meu padrasto, vi que ele tinha instrumentos musicais e ele começou a me ensinar, e logo chegou meu irmão e começou a aprender também. Então eu comecei a tocar aos 10 anos de idade, por influência da minha família.
Dennis – Eu comecei com uns 30, por aí… Brincadeira! Comecei com uns 6 anos, quando vi meu padrasto tocando baixo com o meu irmão. Aí me interessei um pouco e ele já me ensinou “I Wanna Be Well”, “Soldados”, “Ainda É Cedo”, essas músicas mais fáceis. Aí depois comecei a pegar umas mais difíceis, como “Lucretia, My Reflection”, Motörhead, essas coisas.

– O repertório é escolhido por vocês mesmos?
Felipe – Sim, somos nós que escolhemos as músicas.
Dennis – Nós conhecemos algumas bandas, e algumas músicas nós tocamos e outras ainda não, porque são difíceis.

– Vi que muitas bandas estão compartilhando os vídeos de vocês, entre eles membros do Ratos de Porão, Inocentes, Olho Seco e até Misfits. O que vocês acham desse reconhecimento? Esperavam isso?
Dennis – Ah, isso é muito legal, isso é muito bom! Eu não esperava isso!
Felipe – Tem algumas bandas que eu nem conheço direito que curtem nosso som, acho isso muito legal e fico muito emocionado com isso. A gente não esperava, já que a gente só sabe tocar mais ou menos, e a gente ainda é criança…

– Quais bandas entraram em contato com vocês?
Felipe – A primeira banda foi Os Irmãos Rocha, que mandaram um e-mail pra gente e foi muito legal. Outros nos divulgaram, como o Wander Wildner, Ratos de Porão, Olho Seco e o CJ Ramone. Nos elogiaram muito, nós adoramos.
Dennis – Também o guitarrista e o baterista dos Misfits nos divulgaram. Eles são demais. E também outros que eu esqueci (risos).

Os Desconhecidos

– Como é pra vocês serem divulgados por membros de bandas que vocês adoram e fazem cover?
Felipe – Acho isso inacreditável, caras de grandes bandas reconhecendo a gente e a gente nem sabendo tocar direito!
Dennis – Não sei nem o que falar.

– Quem teve a ideia de subir os sons no Youtube?
Felipe – Meu padrasto teve a ideia, quando eu e o Dennis começamos a tocar juntos.

– Vocês pensam em chamar um baterista e completar a banda?
Felipe – Sim, nós queremos ter um baterista, alguém que seja mais ou menos da nossa idade.
Dennis – Ele tem que gostar de Massacration, e outras bandas também.
Felipe – Ele tem que gostar de Misfits, Iron Maiden, Dead Kennedys, Os Replicantes, Ramones
Dennis – E um monte de lixo também!

– Opa, lixo às vezes é bom. Que tipo de lixo?
Dennis – Toy Dolls, Senhor da Eternidade, Coração Melão (do grupo Hermes e Renato) e Ratos de Porão também, porque eles são muito foda!
Felipe – É, o João Gordo é foda.
Dennis – (Imitando os Irmãos Piologo) E Havaiana de Pau! E Travesseiro de Pedra também! (Cantando) “É pau, é pedra, é todo mundo rindo / É todo mundo falando / É todo mundo apanhando…”

Os Desconhecidos
Dennis no palco do Ratos de Porão

– Vocês pensam em fazer músicas próprias? Autorais?
Dennis – Ah, nós já temos 13 músicas, nós temos que ensaiar pra colocar no Youtube, ainda estão muito ruins. Vamos ter que ensaiar, ainda.
Felipe – É, eu e o Dennis gostamos muito de fazer muito. A ideia da banda é essa, fazer música. A gente não vai ficar tocando cover pra sempre.

– Podem me falar um pouco mais sobre essas músicas?
Dennis – Tem uma que é “Os Sentimentos”, que é baseada nos Cascavelettes, “O Dotadão Deve Morrer”. Meu irmão quer que ele morra logo, que ele tá me enchendo o saco!
Felipe – Essa é mais pro rockabilly. Tem uma música nossa que chama “O Tempo É o Tempo de Hoje”, que é meio baseada em “Tempo Perdido” do Legião Urbana, e obviamente fala sobre o tempo.
Dennis – E tem “Estamos Perdidos” também é influência de “Tempo Perdido”, só que um pouquinho mais punk. Ah, tem uma que chama “Os Bad Boys”, baseada em uns amigos meus que… a gente é tipo um conjunto, sabe? Ela é meio punk.
Felipe – Tem também a “The End”, que é em inglês, falando do fim e de tudo que está acontecendo. Vão ter outras em inglês também, até versões das músicas que já foram feitas, só que em inglês. E tem uma música nossa que se chama “Sushi Iraquiano” e ela é muito louca.
Dennis – E tem uma que chama “Não Quero Cantar Mais”, porque meu irmão só quer que eu cante as música. Ele não quer cantar nada, então isso me irrita, porra!
Felipe – Tem também “Ninguém Do Meu Lado”, que é porque o Dennis é um bundão e ninguém fica do lado dele.
Dennis – É ele que fica me xingando!
Felipe – Não, mas tu é um bundão mesmo.

– Vocês sabem que bandas com irmãos às vezes dão uns quebra paus, né? Como o Oasis, por exemplo.
Dennis – De tanto a gente brigar, a minha mãe quer fazer uma Havaiana de Pau pra bater na gente. E a gente fica de castigo, então ela arranca nossos cabelos, arranca o nosso couro.
Felipe – A gente vive brigando, mas irmão é assim mesmo!
Dennis – É que ele é um bundão!
Felipe – Bundão é você!
(Ouve-se ao fundo o começo de uma clássica treta de irmãos e em seguida a mãe dos dois decretando: “PÁRA!”)

– Muita gente fala que o rock morreu e o pop e o rap são os ritmos da juventude, afinal, rock seria música “de velho”. Muitas das bandas que compartilham os vídeos de vocês comentam sobre o futuro do rock… o que vocês acham disso?
Felipe – Vamos responder por partes. Vou começar com uma frase do Houdini: “As coisas boas nunca morrem”.
Dennis – Eu gosto muito de rock. As pessoas que não gostam de rock estão perdendo. Eu aprendo a escrever, ler e tocar com o rock.
Felipe – O rock é como a filosofia, faz as pessoas pensarem. Logo concluímos que as pessoas que gostam de rock também são mais inteligentes.
Dennis – Pra mim o rock não morreu, e se depender de mim, nunca vai morrer. Rock é muito rico e tem muitas bandas que são boas e temos que correr atrás delas.
Felipe – É importante não se contentar só com o que tem por aí e ir atrás de outras bandas. O rock não é moda. O rock é uma questão de cultura e valores.

The Grindmother: a senhorinha que faz muito vocalista de hardcore parecer o Justin Bieber

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The Grindmother

Não existe idade para a música… mesmo que o estilo seja o grindcore. Uma vovó canadense de 67 anos que não revela seu nome real formou a banda de grindcore The Grindmother (sacaram o trocadilho?) e está prestes a lançar seu primeiro disco completo, “The Age Of Destruction”, no dia 28 de abril.

Tudo começou quando a vovozinha foi recrutada pelo neto para dar uns berros de apoio em uma gravação de sua banda, Corrupt Leaders. Naquele momento, a senhora percebeu que gostava de fazer aquilo e, com o apoio de seu filho, resolveu que criaria seu próprio projeto de grindcore geriátrico, algo inédito até então. E não é que os gritos assustadores da velhinha botam muita bandinha pseudo-nervosa no chinelo? As letras são bem políticas. O primeiro single lançado, “Any Cost”, é um recadinho nada sutil de tchau tchau para o primeiro ministro do Canadá, o conservador Stephen Harper:

Shai leva o esquema DIY a sério em seu EP: “Consegui deixar da maneira como concebi na minha cabeça”

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Shai

Shai, cujo nome real é Paloma Ribeiro, começou a tocar graças à Freddie Mercury e ao Queen, quando era pequena. A partir daí, pegou a guitarra e não parou mais, passando por diversas bandas e assim moldando o tipo de som que gostaria de fazer. No ano passado, gravou praticamente sozinha seu primeiro EP, com cinco faixas. “No meu caso, o fato de estar sem banda na época da gravação contribuiu . Mas achei a experiência válida por que consegui deixar o disco 100% da maneira como concebi na minha cabeça”, explica.

Disponível no Soundcloud, o EP conta com quatro músicais autorais e uma cover de “Rockin’ In The Free World”, clássico de Neil Young. “Apesar de falarem sobre experiência pessoal, acho que as músicas tem como fundo coisas que atingem o ser humano no geral. Principalmente essa sensação de tempo perdido, que acho que todo mundo atualmente tem”, conta a artista. “Outro tema que abordo é como o mercado ainda nos dias de hoje têm relutância com relação a mulheres no rock, algo que vejo muito em casas de shows e festivais”.

Conversei com Shai sobre o EP, a gravação no esquema Do It Yourself, a vida de artista independente e seus próximos trabalhos:

– Como começou sua carreira?
Eu comecei muito cedo na música depois de ver pela primeira vez o Queen tocando. Decidi que era o que eu queria fazer e passei por alguns instrumentos antes de chegar finalmente a guitarra/vocal. Já tive muitas bandas ao longo dos anos, e fui moldando o tipo de som que quero arrancar da minha guitarra com o tempo. Mas desde aquele dia sempre soube que precisava de rock.

– Você gravou todas suas músicas sozinha?
Todos os instrumentos com exceção da bateria, que foi gravada pela Daniely Simões. Gravamos por linha, e levou mais ou menos 1 mês pra ficar tudo pronto e mixado, já que eu precisava tocar cada um dos instrumentos, e depois os vocais (risos).

Shai

– Me fale um pouco mais sobre esse material que você lançou.
O material todo levou aproximadamente 1 ano pra ganhar a forma que ganhou. Apesar de falarem sobre experiência pessoal, acho que as músicas tem como fundo coisas que atingem o ser humano no geral. Principalmente essa sensação de tempo perdido, que acho que todo mundo atualmente tem. Acho que o efeito que a música causa é justamente esse, você pode até falar sobre algo que aconteceu com você ou algum sentimento que tem, e sempre terá alguém que passou por algo parecido, ou que de alguma forma lembrou de algo por conta daquilo. Outro tema que abordo é como o mercado ainda nos dias de hoje têm relutância com relação a mulheres no rock, algo que vejo muito em casas de shows e festivais.

– Quais as suas maiores influências musicais?
Queen e Joan Jett são com certeza os meus top #1 ! Mas Também pode incluir na lista David Bowie, Stooges e Chuck Berry. São músicos que amam a música e isso fica nítido no som! Por isso são minhas influencias!

Shai

– Quais as maiores vantagens e desvantagens de ser uma artista independente no Brasil hoje em dia?
A maior vantagem com certeza é a liberdade de criação. Vê, você pode compor, tocar, escrever exatamente como imaginou, sem intervenção externa na sua música. Isso com certeza é ótimo, afinal você pode levar o seu som pro lugar que quer. A desvantagem é a dificuldade que grande parte dos artistas independentes sofrem em entrar nas casas de shows, e todo tipo de evento e veículo de comunicação, sem um suporte de peso por trás. Apesar de todo o acesso que temos hoje em dia, grande parte das pessoas ainda utiliza somente grandes meios de comunicação para ouvir as novidades, e acaba perdendo muita coisa fenomenal que esta acontecendo na cena underground.

– Como você usa a internet para divulgar seu trabalho? A internet é aliada ou vilã na vida dos músicos?
Tenho usado muito os veículos de divulgação gratuitos e as redes sociais num geral. É um pouco complicado pra um artista independente pagar sites de divulgação. Mas de fato hoje temos uma gama grande de ferramentas disponíveis para isso. Acredito que a internet acaba sendo um aliado, se for usada da forma correta. Isso porque ela permite que o artist independente não fique preso aos grandes meios de comunicação. Funciona, se bem direcionada.

Shai

– Você está fazendo shows? Como estão sendo?
Agora estou em processo de juntar um grupo pra poder agendar shows do EP. Mas fiz alguns shows com essas músicas no segundo semestre de 2015 (no Fofinho e alguns em bares da Freguesia do Ó), shows agitados, com certeza (risos) e percebi que a aceitação das pessoas foi bem grande! Inclusive algumas já me pediram o disco impresso. Percebo uma vontade do público em geral por novidades, a maioria só não sabe muito bem onde encontrá-las.

– Se você pudesse trabalhar com qualquer pessoa do mundo da música, quem seria?
Trabalhar com alguém que você admira seria ótimo! Acho que Joan Jett e Dave Grohl seriam duas pessoas interessantes de trabalhar. Aqui no âmbito nacional, uma parceria com a Banda Cruz seria de fato algo enriquecedor. Acho o som deles poderoso e criativo.

Shai

– Quais seus planos para 2016?
Bem, pretendo juntas um grupo e realmente cair na estrada para divulgar o EP. A principio por casas de shows e festivais em SP, mas se rolar shows fora do estado, com certeza eu vou. Já tenho trabalhado em material novo, mas ainda muito fresco. O plano pra 2016 é mesmo esse: shows e mais shows (risos).

– Recomende bandas/artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
De bandas internacionais, tenho escutado muito Dead Sara, que na minha opinião é uma das melhores bandas que ouvi nos últimos tempos. No meio nacional existem muitas bandas boas que as pessoas não estão sabendo ouvir! Acho que as 1as que vem a mente são: Banda Cruz, que acho realmente sensacionais, Far From Alaska, Cracker Blues, Suricato, todas independentes e com som potente. Vale a pena conferir.

7 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo artista plástico e grafiteiro Ricardo Tatoo

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Ricardo Tatoo

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Ricardo Tatoo, grafiteiro, artista plástico e ex-diretor de arte das marcas Cavalera e Vision Streetwear, além de responsável por muitas capas de discos como “Século Sinistro” (Ratos de Porão), “Nation” (Sepultura) e “Transfiguração” (Cordel do Fogo Encantado), entre muitas outras. Ah, ele acabou escolhendo 7, em vez de apenas 5. Dessa vez passa. 😉

Black Sabbath – “Born Again”

“Disco muito mega pesado, pra começar da capa. Se não me engano é uma foto do primeiro bebê de proveta versão ‘From Hell’.
De 9 momentos de curtir a depressão juvenil, 11 eu curti a deprê ouvindo este vinil. ‘Zero the Hero’ é o melhor título de músicas que já conheci’.

Red Hot Chili Peppers – “Mothers Milk”

“O disco mais marcante da minha vida. O cover do Stevie Wonder é bombástico e a épica ‘Knock Me Down’ diz muito pra mim, pela ideia de ser nocauteado caso esteja se achando muito importante, muito acima. A estréia de John Frusciante na guitarra determinou um novo estilo de vida. recheado de músicas intensas e ritmadas”.

No Fun At All – “No Straight Angle”

“Pedrada do começo ao fim. Disco pra ouvir de ponta a ponta. Conheci numa visita à Galeria do Rock. Estava com um amigo, órfãos de música/bandas novas. Fomos atrás de uns CDs dos Misfits pra supri a carência de som (sem som novo, vale resgatar os clássicos), quando meu camarada Ross Checo “sacou” no áudio da loja um hardcore mega ritmado – comprou a fita K7 que é esse disco. ‘Growing Old, Growing Cold’ é uma ladeira sem freio”.

Iron Maiden – “Live After Death”

Disco duplo que ouvia pra dormir quando criança. Lembro que fui à loja com dois vales discos (muito popular na era dos vinis) do meu irmão, que queria um do RPM. Perguntei a ele que se caso não tivesse o do RPM eu poderia trocar os dois vales pelo disco dulpo do Iron e ele disse que sim, SÓ se não tivesses o disco do momento. Claro que engambelei, disse que não tinha e voltei pra casa com o Iron. Não tenho motivo especial, mas a música ‘Revelations’ sempre me vem à cabeça”.

Ramones – “Rocket to Russia”
“O primeiro vinil dos Ramones a gente jamais esquece. Disco todo de proa à popa”.

Porstishead – “Dummy’

“Outra pedrada que marcou uma geração. Muito pesado, sombrio, nebuloso e base de muita música desde então”.

Inocentes – “Garotos do Subúrbio”

Disco completo. Primeiro som punk brazuca que ouvi. Foi na rádio USP quando ainda era pirata. O baterista errava, a qualidade era nitidamente de gravação de garagem e as letras das duas músicas – ‘Ele Disse Não’ e ‘Expresso Oriente’ tocaram por anos no meu toca fitas”.

O funk dos anos 90 deve muito a Léo Canhoto e Robertinho e suas faixas de bangue bangue

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Léo Canhoto e Robertinho

Léo Canhoto e Robertinho foram muito importantes para a história da música sertaneja brasileira. A dupla, formada em 1968 em Goiânia, foi uma das primeiras a adotar o agora quase obrigatório visual extravagante com jóias, cabelos compridos, óculos escuros e etc. Foram também a primeira dupla caipira a ganhar um disco de ouro pela vendagem de seu primeiro LP, em 1969.

Um grande diferencial da dupla eram as faixas (ou vinhetas) de diálogo canhestro de filmes imaginários de bangue bangue, com bandidos como Jack, o Matador, Roque Bravo e o “Homem Mau” (a inspiração tinha ido embora, aparentemente) que chegam à cidade e saem matando todo mundo, sempre com uma tirada na ponta da língua e um efeito sonoro de tiro dos mais clássicos.

Mal sabiam eles que seriam a base para muitos sucessos do funk carioca no final dos anos 80 e começo dos anos 90. Essas faixas foram encontradas nas grandes peregrinações por samples de DJs como DJ Cuca, que produziu a “Melô do Valentão”, com samples de Léo Canhoto e Robertinho e suas frases memoráveis. A partir daí, muitos DJs saíram correndo atrás dos discos da dupla, que sempre continham pérolas praticamente prontas para a produção de funks divertidíssimos.

E foi daí que surgiram hits como “Melô da Lagartixa” e “De Quem É Essa Mulher”, de Ndee Naldinho, “Montagem do Gaiteiro”, de Adriano DJ, “Jack Matador” e “Jack Não Morreu”, de Pipo’s, “Montagem Botequeiro”, de Big Roggy DJ e a popular “Montagem Roque Bravo”.

Lava Divers, um pé na porta que revela a força da nova geração do rock mineiro

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Lava Divers

Com pouco mais de um ano na ativa, o Lava Divers surgiu em Araguari, Minas Gerais, e chamou a atenção por seu som sujo e barulhento, mas com melodias que grudam na mente como chiclete debaixo da cadeira. Sempre na estrada fazendo shows, lançaram um single, três clipes e um EP com quatro faixas gravado e mixado pelo produtor Gustavo Vazquez (Violins, Macaco Bong, MQN, Black Drawing Chalks), do Rocklab Produções Fonográficas. Formada por João Paulo Porto (Voz/Guitarra), Ana Zumpano (Bateria/Voz), Glauco Ribeiro (Baixo/Voz) e Eddie Shumway (Guitarra), a banda passeia entre o Lo-fi, Grunge, Shoegaze, Pós-Punk e Britpop. Agora, o quarteto prepara seu primeiro álbum, previsto para o segundo semestre de 2016. Depois, pé na estrada novamente.

Conversei com a banda sobre sua carreira, lançamento, a cena do underground e o rock em Minas:

– Como a banda surgiu?
O baixista (Glauco Ribeiro) e o vocalista (João Paulo), apesar de morarem respectivamente em Araguari e Uberlândia (cidades bastante próximas do triângulo mineiro), se conheceram em São Paulo, num show do Suede. Empolgados com o show, viram que tinham muitos gostos musicais em comum e resolveram montar um banda juntos. Foi então que chamaram o guitarrista (Eddie Shummway) e a baterista (Ana Zumpano), que até já se conheciam e tinham projeto de montar uma banda juntos.

– Quais suas maiores influências musicais?
Essa é bem difícil porque, apesar de a banda frequentemente ser encaixada no estilo das guitar bands, do noise e do college rock noventistas, cada um dos quatro tem influências muito variadas, como Sonic Youth, Pixies, Jesus and Mary Chain, Slowdive, Suede, Teenage Fanclub, Breeders, Ride, Butch Walker, Fugazi, Nirvana, Built to Spill, Guided by Voices, etc…

– A cena underground está em uma retomada? O número de bandas independentes está aumentando? Como vocês veem esse cenário hoje em dia?
Na verdade, a cena underground nunca parou. Sempre existiram boas bandas, adeptas do “do it yourself”, que, sem apoio nenhum, fazem a parada acontecer. Talvez elas estejam mais ativas e em maior número devido à maior facilidade de divulgação de material e da cada vez mais crescente difusão de técnicas e aparelhagem (mesmo simples) de gravação. Nem a atenção do mainstream pode entrar nessa conta porque, convenhamos, ela é cada vez mais limitada e o rock está cada vez mais sendo deixado de lado…

– De onde surgiu o nome Lava Divers?
Na verdade é um drink alucinógeno feito pelo Eddie Shummway que vai vermute, leite com nescau, Ritalina, uva passa e viagra.

Lava Divers

– Me falem um pouco mais sobre o EP da banda.
O EP contém as 4 primeiras composições/gravações, logo no surgimento da banda. Com produção do Gustavo Vasquez (Violins, Hellbenders, Black Drawing Chalks), gravado no Vintage Rock Estúdio, do grande amigo Pablo Vieira, e no RockLab de Pirenópolis-GO, basicamente foi o cartão de visitas da banda, com boa aceitação de público e crítica. Passamos um ano tocando e divulgando esse EP pelo Brasil afora. Agora o próximo passo é o full álbum, que sai no segundo semestre.

– O rock anda sumido das paradas de sucesso. Será que está na hora da retomada do estilo, como já aconteceu nos anos 90?
Isso é uma grande verdade. Pra gente, é difícil fazer uma análise que não seja enviesada sobre o que está acontecendo com o rock ou pra onde o estilo vai. Como fãs de bandas de rock, o que podemos dizer é que sentimos falta de barulho e guitarras, mesmo dentro do que existe no mainstream do rock atual. Sinceramente, não sabemos se isso é ponto pacífico entre fãs do estilo, mas a impressão que temos é a de que além do rock estar cada vez mais ausente da mídia, ele está se distanciando do charme do lo-fi, do fuzz estourado, da caixa que racha, do baixo cheio de semi tons, da guitarra barulhenta ensandecida… quanto mais verdadeiro, cru, visceral e sincero, melhor. Isso era algo bem óbvio e reconhecível nos anos 90, mas hoje, no mainstream, é mais raro. E sim, nós temos saudades…

– Pelo que venho observando, Minas Gerais novamente é um berço de novos artistas e bandas. Vocês têm percebido isso? Qual o diferencial dos artistas do MG?
Nós concordamos e acreditamos que a localização geográfica e a diversidade da música mineira (mesmo fora do rock) contribui em muito com isso. A impressão que dá é a de que as bandas não têm medo de misturar influências, ainda tendo o mérito de fazê-lo de forma natural, com boa qualidade e de forma muito pertinente. E o mais curioso é que dá pra ver isso claramente mesmo fora dos grandes centros. É difícil descrever um cenário quando se está imerso nele, mas dá pra perceber que é sim uma cena muito rica e a quantidade de experiências sonoras sendo feitas é absurda.

– Com o fim da Mtv Brasil e tantos outros meios que apoiavam as bandas independentes, quais veículos da grande mídia mais dão forças para quem está no underground?
A Mtv Brasil era a mesa de diálogo entre o grande público e tudo de melhor que acontecia no underground brasileiro. Esse papel quase “diplomático” faz falta. Hoje, a força do underground está na internet, nos blogs, colunas e podcasts especializados, nas live sessions promovidas por canais, rádios ou estúdios, nas comunidades e fóruns, etc… pra quem já é interessado no assunto, é muito mais fácil ter acesso e descobrir uma banda do que nos anos 90, mas a impressão que dá é a de que é um meio muito centrado em si mesmo, dificilmente transpõe barreiras de público e, por consequência, não atrai a atenção das mídias de maior abrangência. É um paradoxo interessante: existem mais bandas, essas bandas produzem mais material, têm acesso a ferramentas de divulgação que não tinham antes, mas essa produção dificilmente sai daquele nicho específico de público.

Lava Divers

– Quais os planos da banda para 2016?
No segundo semestre de 2016 sai o nosso álbum. Ainda que as bandas hoje estejam cada vez mais abandonando o formato clássico de um full álbum em detrimento a singles e EP’s por razões principalmente econômicas e de marketing, as músicas novas fazem parte de um contexto temporal e artístico únicos da banda; não reunir isso na linguagem de um álbum, pra gente, é ignorar parte importante do que essas músicas representam pra banda. Portanto, reduzimos a quantidade de shows nesse primeiro semestre, concentrando esforços em produção, composição e ensaios. Depois que o álbum sair, aí é partir pra tour e cair na estrada. Além disso, tem participações em festivais, coletâneas… 2016 já está sendo um ano de muito trabalho e foco na banda.

– Recomendem bandas/artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Uma das melhores coisas de se ter uma banda autoral é conhecer bandas novas. Esses quase 2 anos de banda nos propiciaram experiências musicais espetaculares e a quantidade de gente talentosa e de bom gosto que a gente conheceu é muito vasta. Gente como Loomer, Justine Never Knew the Rules, Travelling Wave, Câmera, Lê Almeida, Sick, Mahmed, Lucas Paiva, Senomar… e gente que já é de estrada também, como o Twinpines, o Cigarretes e o Second Come, que ainda estão na ativa, tocando muito e lançando trabalhos inéditos, continuam chutando muitos traseiros por aí…