Então é Natal: 26 músicas natalinas para o 25 de dezembro que não são da Simone

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Bruce Springsteen Natal

Então é Natal… e o que você fez? Se você amaldiçoou a versão da Simone para “Happy Xmas (War Is Over)” do John Lennon, provavelmente você não foi o único. Afinal, desde que foi lançada, a música é tocada à exaustão em quase todos os lugares em que se vai nessa época. Mas calma: dá pra escapar dessa canção.

Confira aqui uma lista com 26 músicas natalinas (e anti-natalinas) que podem ajudar a salvar o seu Natal:

Bruce Springsteen“Santa Claus Is Coming To Town”

Nada melhor que passar a noite de Natal com The Boss, certo?

Garotos Podres“Papai Noel Velho Batuta”

Uma ode ao Papai Noel que só presenteia quem merece (ou seja, quem tem grana).

The Killers“Don’t Shoot Me Santa”

The Killers tem uma tradição de sempre lançar músicas no Natal. Essa é a de 2007, onde Papai Noel tá com uma arma carregada atrás do povo, mas se você fuçar, vai achar muitas outras.

Raimundos“Infeliz Natal”

Assim como no caso dos Garotos Podres, os Raimundos resolveram cantar o Natal de quem não tem lá tanta felicidade pra comemorar em dezembro.

Ramones“Merry Christmas (I Don’t Wanna Fight Tonight)”

Não é segredo pra ninguém que os Ramones não se suportavam. Talvez essa relação tempestuosa dos rapazes tenha inspirado os parênteses do refrão da música natalina do grupo.

Slade “Merry Xmas Everybody”

Poxa, um Natal com o Slade é muito mais bacana, não dá pra negar. Vejam só o vídeo e tentam não se contagiar pelo clima natalino roqueiro setentista.

The Ravers“(It’s Gonna Be A) Punk Rock Christmas”

Com letras como “Johnny Ramone will get a sled for a car” e “Even Santa will be a Sex Pistol for a day”, o Ravers manda muito bem no Natal punk rock.

Run-DMC“Christmas In Hollis”

Descubra como seria um Natal com os Kings Of Rock Run-DMC. Na letra você descobre até o cardápio que a mãe de Run prepara. Anote e torça pro Aerosmith aparecer na hora da ceia.

The Darkness“Christmas Time (Don’t Let The Bells End)”

Lógico que uma música natalina do The Darkness não ia faltar. Tem toda a breguice da banda (no bom sentido) e os agudinhos que caracterizam o som.

Fear“Fuck Christmas”

Ei, nem todo mundo gosta do Natal. O Fear está entre esse grupo.

Blink-182“I Won’t Be Home For Christmas”

Mais uma pra quem não curte muito o feriado do nascimento de Jesus. O Blink-182 dá o recado e mostra a vida de um cara que desce o cacete nos que adoram o Natal e acaba tendo seu “presente desembrulhado” na prisão.

Dio“God Rest You Merry Gentlemen”

Uma das maiores vozes do metal gravou uma canção natalina com toques de Sabbath.

TLC“Sleigh Ride”

Aqui no Brasil, passeio de trenó só se for no dos Papais Noéis do Center Norte. Então, divirta-se com o passeio de trenó do TLC.

Wham!“Last Christmas”

George Michael na fase “Wake Me Up Before You Go Go” te relembra do Natal passado.

Rancid “Xmas Eve (She Got Up And Left Me)”

No Natal do Rancid, alguém levou um pé na bunda. Acontece, fazer o quê. Melhor sorte no ano que vem.

Julian Casablancas“I Wish It Was Christmas Today”

O vocalista dos Strokes está mais ansioso do que você pro Natal, pode ter certeza.

Fountains Of Wayne“I Want An Alien For Christmas”

Alguns pedem roupas. Outros pedem brinquedos. Tem quem peça carros, celulares e etc. Já o Fountains Of Wayne pediu um Alien.

Stiff Little Fingers“White Christmas”

Os ingleses pisam em cima do clássico e deixam “White Christmas” mais punk do que você imaginaria. Ah, e no meio eles aceleram um pouco mais, pra deixar os familiares mais horrorizados.

Lady Gaga e Tony Bennett“Winter Wonderland”

A versão jazzy de Gaga junto com Bennett mostrou o poder de sua voz em “Winter Wonderland” e oferece um Martini para o Papai Noel.

Ludacris“Ludacrismas”

Tá, essa aqui foi só pelo título trocadilho.

Bad Religion“Little Drummer Boy”

Acredite ou não, o Bad Religion tem um disco só de músicas de Natal. Ei, punks também gostam de panetone.

Tom Waits“Christmas Card From a Hooker In Memphis”

Tom Waits é Tom Waits e a música natalina dele é sobre um cartão de Natal recebido de uma prostituta do Memphis. Bom, pelo menos ele recebeu um cartãozinho.

Queen“Thank God Is Christmas”

Freddie Mercury e cia. também se amarravam no Bom Velhinho e agradecem a Deus pela chegada de dezembro. Ou então só estavam ansiosos pelo recesso que fim de ano, quem sabe.

Corey Taylor (do Slipknot e Stone Sour) – [email protected]$”

O vocalista do Slipknot e Stone Sour resolveu lançar sozinho sua “homenagem” ao Natal.

Eazy-E“Merry Motherfuckin’ Christmas”

O ex-NWA fazendo uma canção de Natal? Bom, vejam o título. Christmas in Compton, cara.

The Dickies“Silent Night”

Se vamos falar de clássicos, tem que ter “Noite Feliz”, né?

Bike pisa fundo na psicodelia cheia de LSD em seu primeiro disco, “1943”

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Bike

A psicodelia voltou com tudo e o Bike é uma das bandas brasileiras que mais sabe usar isso a seu favor. Com seu novo disco “1943”, o quarteto mostra que mantém o LSD correndo em suas veias musicais como se ainda estivéssemos nos anos 60. Masterizado por Rob Grant (responsável por trabalhos do Tame Impala e Pond), o álbum mostra perfeitamente toda a identidade do grupo e suas influências, que vão do Pink Floyd a Walter Franco, passando por Mutantes e Sonic Youth.

Formada por Julito Cavalcante, do Macaco Bong (guitarra e voz), Diego Xavier (guitarra e voz), Rafa Bulleto (baixo e voz) e Gustavo Athayde (bateria e voz), a banda agora está prestes a ser lançada no mercado estrangeiro pelo selo do produtor Danger Mouse, além de prometer o segundo disco para meados do segundo semestre de 2016.

Conversei com Julito sobre a carreira da banda, psicodelia, LSD, vida de banda independente e muito mais:

– Como o Bike começou a andar?

Fui baixista em todas as bandas que toquei até 2013, em algum momento tive vontade de compor na guitarra e cantar, fiz algumas músicas e oraganizei algumas coisas que tinha escrito durante um tempo e dai surgiram as músicas do BIKE, chamei o Diego (guitarra) pra ajudar na produção e depois o Gustavo (bateria) e o Rafa (baixo) entraram pra gravar o disco e dai nos tornamos uma banda.

– Se eu fosse chutar, diria que o nome da banda é uma referência à música de mesmo nome do Pink Floyd com o Syd Barrett. Acertei?

Eu sou super fã do Syd e o “Piper At The Gates of Dawn” do Pink Floyd é um dos meus discos favoritos, mas o nome da banda é uma referencia ao Dr. Albert Hoffmann, o criador do LSD, em seu diário ele diz que tomou uma grande dose de LSD e foi do seu laboratório até sua casa num passeio psicodélico de BIKE, e o nome do disco é uma referencia ao ano que ele sintetizou o LSD, em 1943.

– O que vocês acham desse retorno da música psicodélica? Porque vocês acham que esse tipo de som voltou a ser apreciado?

A psicodelia certamente foi a fase mais criativa e produtiva do rock’n’roll e me arrisco a dizer que até da música, ela é altamente livre e te leva a lugares que outras músicas não levam, ou nem chegam perto. Acho que a psicodelia nunca parou de ser apreciada mas teve um momento de pouca criação relacionada à ela, agora tem voltado com força e espero que continue assim, abrindo a cabeça das pessoas em relação a liberdade na música, regras são chatas demais e a psicodelia permite ser livre, leve e solto.

– Me falem um pouco do “1943”.

O disco surgiu de composições que comecei a fazer na guitarra somados a letras que eu tinha escrito durante alguns anos mas que nunca usei em nenhuma banda que tinha tocado, a maioria são histórias relacionadas a viagens com psicodélicos que tive durante um bom tempo, o Diego e eu gravamos uma pré do disco no meio de 2014 e lapidamos os arranjos até a gravação oficial que aconteceu em janeiro de 2015 já com o Rafa e o Gustavo fazendo parte da banda, mixamos o disco em fevereiro, em março o disco foi masterizado pelo Rob Grant no Poons Head Studio em Perth, Austrália. Em maio soltamos nosso primeiro single “Enigma do Dente Falso” e em junho o segundo “1943”, o álbum todo foi lançado em julho numa parceria com o selo Honey Bomb Records de Caxias do Sul, depois disso vieram os convites pra shows e estamos pedalando o máximo possível com o disco.

Bike

– Quais são suas principais influências musicais?

Desde pequeno ouvi muito os discos do meu pai, Grateful Dead, Pink Floyd, Creedance Clearwater Revival, John Lennon, Bob Dylan e isso ficou na minha cabeça por anos, são as minhas primeiras influências, depois fui consumido por Sonic Youth, Mudhoney, Nirvana e essas guitarradas que ficaram mais conhecidas nos anos 90, junto isso a artistas brasileiros como Walter Franco, Secos e Molhados, Jards Macalé e todo o pessoal da Tropicália, acho que tem um pouco de tudo isso refletido no som do BIKE.

– Vocês acreditam que o rock é mais reconhecido lá fora do que aqui?

Recentemente assinamos com um selo de NYC comandado pelo grande produtor Danger Mouse e com isso nosso disco será lançado fora do Brasil e está nos possibilitando a nossa primeira tour fora do país em 2016.

– Como é o processo de composição de vocês?

No “1943” todas as letras e músicas são minhas e o Diego ajudou muito na criação dos arranjos, entramos no estúdio nos transformando em uma banda mas com todas as músicas prontas, as novas composições tem sido feitas por todos e já estamos aprontando novas músicas pra um novo disco que deve ser lançado no segundo semestre de 2016.

– A cena do rock independente está em alta no Brasil? O que pode atrapalhar essa cena? Quais são as maiores vantagens e desvantagens de ser independente?

Acho que nunca esteve tão em alta, tem boas bandas surgindo em todas as regiões do país, tem novos selos a cada mês aparecendo e criando festas, festivais, lançando novas bandas e tudo isso colabora pro crescimento da música independente. A única coisa que pode atrapalhar é se as pessoas pararem de tocar, de criar bandas, de lançar suas músicas e fazer shows, acho que isso não vai acontecer, a tendência é que tudo se desenvolva como tem acontecido nos últimos anos. A vantagem de ser independente é ter controle sobre cada passo que a banda dá.

Bike

– Quais são os próximos passos do Bike?

Queremos tocar o máximo possível pelo Brasil antes da tour na gringa, nossa música “Enigma do Dente Falso” será lançada dia 18/12 no mundo todo através de uma coletânea da 30th Century Records, o selo do Danger Mouse, junto saíra o clipe e ano que vem saíra o disco todo lá fora.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

My Magical Glowing Lens, Catavento, Peaches and Cream, CHCL, Macaco Bong, Terno Rei, Soundscapes, Boogarins, Carne Doce, Supercordas, Hierofante Púrpura, La Carne, September Guests, Francisco, El Hombre, Aeromoças e Tenistas Russas, Mel Azul, Câmera, Sara Não Tem Nome, Water Rats, Figueroas, Red Mess

Coletânea Motim Records Vol. 2 traz faixas de Muzzarelas, BBGG, Francisco El Hombre e mais

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Motim Records Vol 2

Para fechar o ano com chave de ouro, a Motim Records preparou um ótimo disco para presentear os amigos do peito neste Natal: a coletânea “Motim Records Volume 2”. Depois do sucesso da coletânea virtual “Motim Records Volume 1”, a segunda edição ganhou versão em disco físico, com todo o dinheiro do projeto foi custeado entre o selo e as bandas. Na capa, mais uma doentia e incrível ilustração do artista Daniel Ete (Muzzarelas/Drákula).

O Lomba Raivosa abre o disco com “Jovem indomável”, rock sujo e que desce queimando. Na sequência, os cariocas do Zander oferecem um pouco de conforto com “Hortelã”. O punk rock do Labataria ganha seu espaço, com o clássico dos shows “Papa”, com influências de Misfits e alfinetadas certeiras na igreja. O Box47, do selo Motim Records, vem na seguência com a faixa “O Último Aniversário”, pop punk para os fãs de CPM 22 e Blink 182 pré-franjinhas. A seguir, temos o La Makina com o hardcore “Palha no Arraial” e o post-hardcore do CHCL em “Espelho” e uma canção inédita cedida com exclusividade para a coletânea: “1,2-Now”, dos ícones do punk rock campineiro Muzzarelas. O Hurry-Up comparece com “Bad Parents”. O BBGG afirma que “Isso vai doer mais em você do que em mim” na música “It’s Not Me, It’s You”. O Golfo de Vizcaya traz seu som indefinível na sequência, e Francisco, El Hombre se apresenta botando todos para dançar. Para fechar bem a coletânea, a trinca “Geração Zumbi”, do Fast Falling, “Pai”, do No Time, e “All Power To The People”, do Diploma, pra finalizar com a energia lá em cima.

Motim Records Vol 2
Motim Records Vol 2

A coletânea tem o apoio do blog Nada Pop, Sailor Skateboard e Tape Studio. Para adquirir sua cópia, entre em contato com a Motim Records.

Você pode ouvir a coletânea completa aqui:

Rock Rocket lança clipe de “Uma Luz No Fim do Túnel”, faixa de “Citadel”, seu quarto disco

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Rock Rocket

Em 2002, o Rock Rocket era uma das bandas que lideravam uma nova cena do rock autoral de qualidade no underground paulistano. Sem amarras e sem frescuras, o trio conseguiu emplacar diversos hits (como “Por Um Rock and Roll Mais Alcoólatra e Inconsequente” e “Puro Amor em Alto Mar”) e seus clipes divertidíssimos estavam em alta rotação na finada Mtv que ainda se importava com música. O Rock Rocket continuou na atividade desde então, mesmo com o rock indo para escanteio nas paradas de sucesso cada vez mais desde então.

O trio, formado por Noel Rouco (guitarra e vocal), Alan Feres (bateria e vocal) e Jun Santos (baixo e vocal), evoluiu e demonstra isso em “Citadel”, seu quarto disco, com um som mais cheio e encorpado, mas sem perder a sujeira e autenticidade que sempre foram marca registrada da banda. Com a adição de naipe de metais e incursões por ritmos um pouco incomuns até então para o grupo, o Rock Rocket mostra que não está nem um pouco cansado e ainda tem muita lenha para queimar.

Conversei com Noel sobre o novo disco, o clipe “Uma Luz No Fim do Túnel” e a atual parada de sucessos brasileira:

-Vocês acabaram de lançar “Citadel”, seu quarto disco. Podem me contar um pouco mais sobre esse trabalho?
“Citadel” foi sem dúvida o disco mais trabalhoso que fizemos até hoje e o processo inteiro foi muito legal. Durante a pré produção no Estúdio Lamparina (onde também gravamos o álbum) percebemos que as músicas permitiam um pouco mais em termos de arranjo, então quando fomos gravar não tivemos pressa, deixamos as ideias surgirem, convidamos músicos amigos muito bons pra participar e todos deixaram a alma ali dentro. O resultado foi um disco mais elaborado mas que manteve a energia pra cima que sempre foi uma marca do Rock Rocket, não foi uma situação forçada que muitas vezes acaba tornando um álbum chato de se escutar, pelo contrário. Na minha opinião conseguimos reunir faixas com características bem diferentes mas que formaram uma unidade dentro da bagagem  que a banda já carrega a tanto tempo.

– Como foi fazer o clipe de “Uma Luz No Fim do Túnel” com o artista plástico Carlos Dias?
Essa pergunta na verdade tem que ser feita para o próprio Carlos Dias, como é um clipe totalmente feito em animação foi um trabalho bem pessoal, nossa participação foi apenas na música. Pra gente foi incrível, somos fãs do trabalho dele e não conseguiria pensar em um clipe melhor pra esse som.

– Como o som do Rock Rocket evoluiu desde o primeiro disco, “Por Um Rock And Roll Mais Alcoólatra e Inconsequente”?
Acho que hoje em dia somos melhores músicos e temos um leque maior de referências do que quando começamos, nosso primeiro disco é muito mais cru, era pura fúria juvenil. Ainda hoje me identifico bastante com nosso primeiro álbum, tem músicas ali que vamos tocar pra sempre enquanto a banda existir. Evoluímos mas aquele passado ainda é presente pra mim, mesmo nas músicas atuais mais trabalhadas com naipe de metais, teclado e etc consigo identificar o Rock Rocket de 13 anos atrás. Um exemplo do que estou falando é que pegamos algumas das músicas antigas e arranjamos com naipe de metais para apresentações ao vivo, e funcionou! É muito legal conseguir enxergar elementos na música que antes simplesmente não existiam na nossa cabeça.

– No primeiro e segundo discos, haviam músicas mais ~irreverentes~ como “Quem Depilou Meu Rabo”. Essa veia mais “engraçada” do Rock Rocket é coisa do passado?
Não tenho problema em tocar essas músicas antigas que fiz quando tinha 16, 17 anos mas hoje em dia seria forçar tentar fazer letras da mesma forma, apesar do meu senso de humor ainda ser bem adolescente já tenho 32 anos. Na real quando era mais novo não me preocupava muito com a letra, o foco era total nos riffs de guitarra e em cantar gritado, hoje em dia acho que componho de maneira mais equilibrada.

Rock Rocket

– Vocês fazem parte de uma das últimas cenas fortes de rock nacional que a mídia (como a Mtv) abraçou. Porque esse tipo de apoio à bandas autorais diminui desde então?
Um dos fatores que ajudou a diminuir a cena foi o fato da grande indústria fonográfica começar a ocupar os espaços que antes eram das bandas de rock e colocar umas bandas/produtos ridículas 100% baseado no visual (também horrível por sinal). Isso reverbera no underground também, não é pior do que jogar lama toxica num rio mas também demora pra recuperar. Imagina um adolescente que conheceu o “rock” por uma daquelas bandas (não lembro dos nomes mas era algo do tipo “download”, “ctrl+C, ctrl+V”, óbvio que vai acabar num show do Wesley Safadão invés de um show do Charles Bradley.

– Como a adição de novos instrumentos na banda influiu no crescimento e mudança do som?
Foi todo um processo, eu não teria colocado naipe de metais se antes não tivesse começado a escutar mais soul, por exemplo. Quanto mais abrimos a nossa cabeça para outros tipos de sons, mais começamos a ter essas idéias e a nossa música cresceu também. Pra acompanhar esse “amadurecimento” musical precisamos colocar mais instrumentos, veio junto.

– Quais são suas principais influências musicais?
Aprendi a tocar no punk rock, é a minha maior influência até hoje. Também gosto muito de surf music, reggae, soul, garagem e rock dos anos 50.

– Como a banda começou?
O Rock Rocket começou num bar. O Alan (baterista) veio conversar comigo porque eu estava com uma camiseta dos Stooges. Aí papo vai, papo vem e ele disse que tocava bateria, decidimos montar a banda ali na hora. Já tinha umas músicas meio prontas e no nosso primeiro ensaio tocamos 3 sons próprios e duas dos Replicantes (“Motel da Esquina” e “Boy do Subterrâneo”). No começo era desculpa pra ficar bebendo com os amigos mas vimos que deu liga e a banda começou a ir pra frente.

Rock Rocket

– Quais os planos do Rock Rocket para 2016?
Acabamos de lançar nosso disco “Citadel”, o plano é continuar na tour de divulgação, gravar clipe novo e por aí vai. Tem 3 coisas que adoro fazer na música: show, gravar disco e gravar clipe, meu plano é sempre continuar fazendo isso.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria conhecer.
Uma cena que está muito forte no independente é a de Manaus, ali o pessoal movimenta de verdade, enchem os shows e fazem todo o corre com as próprias pernas. Vou citar duas que conheço a mais tempo mas tem várias outras bandas que estão ali fazendo acontecer: O Antiga Roll e o Dpeids. Se o meu selo (Rouco Records) tivesse uma estrutura melhor nesse momento traria eles pra cá.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Daniel ETE, baixista dos Muzzarelas e vocalista do Drákula

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Daniel Ete

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Daniel Ete, baixista dos Muzzarelas, vocalista e guitarrista do Drákula, líder do Desenmascarado e um dos grandes responsáveis pela cena rock de Campinas continuar viva, entumescida, veiuda e pulsante. Confere aí:

The Gipsys“Malala”

“Lado B do compacto “I Hear You Knocking”, lançado em 1971 na Argentina, balanço e psicodelia numa jam session colossal, faz até estatua rebolar. Vale lembrar que esse compacto, apesar de valer uma nota , ainda é encontrado em sua versão nacional em alguns sebos por ai, então se você achar um desses não titubeie e caia de boca”.

The Child Molesters“I’m Gonna Punch You In The Face”

“Sim, o nome da banda é bem escroto, mas assim como nem todo fã do Slayer sai por ai matando as pessoas, acredito que nem todo fã dos Child Molesters abusa de crianças. Isso era mais para chocar do que outra coisa, daqueles tempos do punk “quanto pior melhor”, curioso período em que jovens, entre eles alguns negros e judeus, usavam suásticas penduradas no pescoço como se não houvesse nada de mais nisso, vai entender, né? Mas o fato é que esse pedacinho maravilhoso de tosqueira imunda possui um dos melhores solos de guitarra mal feitos do planeta (tão lindo quanto o de “Punk Rock Girl” do Dead Milkmen) e um refrão espetacular de grudento, fora a voz de Muppet do mano que canta”.

Sloppy Seconds“You Got a Great Body, But Your Record Collection Sucks”

“Não consigo pensar num nome de música melhor que esse, diz muito sobre o mundo de hoje”.

Hallows Eve“Plunging To Megadeath”

“Metal, metal para caralho, bem foda, apareceram logo no começo do thrash metal e nunca tiveram um reconhecimento que chegasse a altura do seu som foderoso. Quem não conhece deveria conhecer e quem não curte deveria se matar. Rola uma forte influência de HC e NWOBHM como em todas bandas legais da época, vocalzão rasgado, baixo galopante, bateria avassaladora e guitarra matadora… A porra do pacote completo”.

Village People“Food Fight”

“Se alguém te contasse que o Village People já gravou um punk rock, o que você diria? Tudo bem que é um punk rock bem puxado para a new wave, mas em alguns momentos me lembra The Dickies, e realmente é mais legal que muito punk rock de verdade que a gente vê por ai. Dessa vez Jaques Moralli e o povo da vila não estavam para brincadeira não. Se algum editor de vídeo ou qualquer porra dessas estiver lendo essa parada, por favor atenda meu pedido: pegue a cena da guerra de rango protagonizada pelo John Belushi em “O Clube dos Cafajestes”, coloque esse som e poste no Youtube. A Casa Delta agradece”.

Banda mineira de indie folk Bear Me Again prepara o lançamento do single “2062” para 2016

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Bear Me Again

A volta do folk, adaptado ao rótulo “indie folk”, está com tudo. Parte dessa retomada do estilo é a banda mineira Bear Me Again, formada por Wendhell Werneck (voz e violão), Luis Lopes (baixo e back vocal), Diego Ernane (guitarra e back vocal) e Gabriel Martins (bateria). Na estrada desde 2012, o grupo busca misturar a essência do folk tradicional com a eletricidade e peso do rock alternativo britânico.

Em setembro, a banda lançou seu primeiro disco, auto-intitulado, gravado, mixado e masterizado no Estúdio Guerra por Lucas Guerra, em Minas Gerais. Ele está disponível para download no site do grupo: http://bearmeagain.com.br/ Conversei com eles sobre sua carreira, influências, cena de Minas Gerais e o rótulo “indie”:

– Como a banda começou?

Wendhell: Bom, eu comecei a compor com uns 14 anos de idade, mesmo sem saber tocar ou cantar muito bem, e escrevi muitas músicas desde essa idade até os 20 anos, quando conheci o Thiago França (baterista). Nesse entremeio, tentei criar vários projetos pra, de alguma forma, entrar no mundo da música, tanto solo como outras bandas. Eu fiz a proposta pro Thiago de tocarmos as músicas que eu tinha escrito – as que eu não tinha perdido ou jogado fora. Nós iniciamos o projeto num quartinho onde ele estudava e tinha uma bateria velha e um violão, e ele pareceu gostar. Daí, começamos a ensaiar regularmente e criar músicas juntos, até começarmos a encaixar os outros membros que foram chegando depois. Desde que começamos a ensaiar até a primeira formação completa da banda – violão, guitarra, baixo e bateria – foram por volta de 1 ano, ou mais.

– Porque o nome “Bear Me Again”?

Wendhell: O nome sempre causa um pouco de confusão, porque a palavra “bear” pode significar urso. Essa é a tradução mais conhecida da palavra. Mas, como verbo, a palavra pode significar algumas outras coisas, e uma delas é “parir”, “dar a luz”. Então ficaria mais ou menos: “me gere de novo” ou “me tenha de novo”. Esse nome é uma forma de nos lembrar que a gente nunca vai saber o suficiente, e nunca vai ser bom o suficiente; a gente tem que sempre se reinventar.

– Quais são suas principais influências musicais?

Wendhell: A banda tem muitas influencias diferentes de um membro pra outro. Muda bastante a formação musical. Sei que o Luis gosta muito de Red Hot Chili Peppers, Between the Buried and Me, Rage Against the Machine, Los Hermanos, já o Diego gosta muito de AC/DC, John Mayer, The Mars Volta, City and Colour, John Frusciante, Cynic… De todas as bandas que me influenciaram, pessoalmente, tem três que ficaram mais marcadas pra mim e me influenciam ate hoje: Coldplay, Kings of Leon e Red Hot Chili Peppers. Mas eu fui me apaixonando por muitas coisas que também tiveram papel muito importante nisso: Mumford and Sons, Johnny Cash, Neil Young, U2, Dry the River e muitas músicas aleatórias que se destacaram mais que o artista pra mim.

– Me falem um pouco sobre o primeiro disco da banda.

Diego: Vejo o primeiro disco como o primeiro passo da banda, literalmente. Foi uma oportunidade que tivemos para nos escutar e entender o som como alguém “de fora”, algo que não tem como fazer quando estamos tocando, creio que isso acontece com muitas bandas e a partir disso podemos amadurecer nosso som. Música é algo em constante mudança, estamos sempre tocando e criando coisas novas, às vezes temos novas ideias em músicas que já estão prontas e gravadas e, dependendo de como ficar, podemos mudar a forma de tocar adaptando para os shows, mas sabendo que a essência dela estará ali, gravada e guardada. Daqui a alguns anos vamos comparar todos os CDs e ver o quanto mudamos com o passar do tempo, espero que sempre para melhor.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Wendhell: É difícil demais rotular ou definir o som, mas quando eu tento, acho que o que melhor define é que a banda tem um pouco da essência do Folk e um pouco do sentimentalismo e pegada do Rock britânico, misturado no que já tem dentro de cada integrante naturalmente.

Diego: Principalmente quando tem esse “rotulo” de indie, podemos explorar mais áreas que talvez não poderíamos arriscar por ter um estilo definido, então para simplificar vejo o som da banda como algo que gostamos de ouvir, tocar e criar. Cada um coloca sua referência na mesa, misturamos tudo e o resultado é o que vocês ouvem nas nossas músicas.

Bear Me Again

– Porque escolheram cantar em inglês?

Wendhell: Eu comecei me aprofundar no inglês e na música mais ou menos na mesma época. O inglês era muito empolgante pra mim quando eu comecei a aprender, então, em tudo que eu fazia, eu queria usa-lo. As duas coisas meio que se fundiram e eu acabei me acostumando. Hoje em dia, quando eu tento escrever em português é meio desastroso.

– O que ocorre em Minas Gerais que gera tantas bandas criativas, de todos os gêneros?

Luis: É a facilidade com que se pode divulgar o trabalho hoje em dia. Sempre existiu muitas bandas talentosas e criativas de diversos estilos, não só em Minas, mas em todo o Brasil e com a ajuda da internet, que é o principal veiculo de comunicação das bandas independentes, essas bandas tem dado mais as caras e chegado com mais intensidade às pessoas. Antes os talentos eram escondidos. Só conhecia quem conhecia ou quem conhecia quem conhecia.

Diego: Por todo canto do Brasil tem bandas boas, por exemplo, a Far From Alaska é uma banda que está fazendo muito barulho em todo país e é do Rio Grande do Norte. Acho que o brasileiro nasce com uma ginga que não é tão notável em outros países. Nação Zumbi, Novos Baianos, Mutantes, por exemplo, são bandas que evidenciam essa ginga e aqui em BH não é diferente, quando vejo bandas como Primerandar tocando fico me perguntando por que os caras não estão rodando o Brasil com sua música. BH é conhecida como berço do metal, mas tem tantas bandas boas de outros estilos que aqui poderia ser berço de música boa, pena que não temos um movimento forte para lançar tantas bandas quanto era merecido.

– Vocês citam “indie” entre as inspirações da banda. Vocês não acham que este rótulo se banalizou e é aplicado à bandas dos mais diversos estilos? Pra vocês, o que é “indie”?

Luis: Indie é o termo abreviado em inglês da palavra independente. Se uma banda é independente, logo, ela é “indie” e isso pode ser aplicado a diversos estilos. Não acho que se tornou banal, é apenas o reflexo do grande crescimento de bandas novas independentes.

Wendhell: Entendemos que o termo, realmente, foi tomando um conceito mais abrangente pras pessoas, até se tornar um rótulo; as vezes até usado fora de lugar. Apesar de não saber descrever em palavras o que torna uma música “Indie”, (tratando-se do conceito de estilo musical que a palavra ganhou com o tempo) eu vejo que temos muita similaridade com bandas que são associadas à categoria em alguns aspectos, como Strokes, Arctic Monkeys, The Smiths, etc.

– Quais os planos da banda para 2016?

Wendhell: Tocar no máximo de lugares possíveis.

– Recomendem bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos (especialmente se forem independentes)

Luis: Recomendo uma banda belorizontina, muito boa, chamada Primerandar. Gosto também da Entreveias, também de BH, Apanhador Só de Porto Alegre e o cantor e compositor Zé Pi de São Paulo, membro da extinta banda Druques. Os Druques não estão mais em atividade, mas vale muito a pena ouvir os 2 CDs deles.

A mistura de MPB, rock psicodélico e jazz dos anos 40 dos mineiros do Mordomo

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Mordomo

“A nossa proposta é de servir as pessoas com a nossa música, assim como fomos e somos servidos pelas músicas de outros artistas”. Esta é a explicação do nome Mordomo, banda formada pelos mineiros Bernardo Dias (guitarra e vocais) e Fernando Persiano (baixo e vocais) em colaboração com compositores e músicos da atual cena belo-horizontina.

A banda lançou em outubro deste ano seu primeiro disco, “Mordomo”, gravado no estúdio Pato Multimídia, em Belo Horizonte, um belo começo para sua carreira: composições cheias de personalidade que alternam momentos mais puxados para  MPB, o rock psicodélico, toques de tropicália e até um pouco de jazz dos anos 40. Em 2016, a banda pretende lançar um novo EP, com duas músicas novas.

Conversei com a banda sobre sua carreira, a cena independente do Brasil e as músicas que habitam as paradas de sucesso hoje em dia:

– Quando e como a banda começou?

A ideia de criar o Mordomo surgiu há dois anos, quando a banda Vitrolas, da qual eu e Bernardo fazemos parte, deu uma pausa após treze anos de trabalho. No momento tínhamos algumas canções feitas e muitas ideais. Entramos no estúdio e registramos tudo, ainda no formato de dupla, neste que foi o período de pré-produção. Depois das ideias visualizadas, partimos para a gravação do álbum, fase que chamamos alguns amigos para participar com a gente.

– Porque o nome “Mordomo”?

Enviamos algumas prévias das gravações para alguns amigos no intuito de recebermos sugestões de nome; Mordomo estava lá. Adoramos a sonoridade do nome e no decorrer da gravação fomos percebendo a ligação com a proposta sonora. O fato do mordomo ser uma figura que serve vai de encontro com a nossa proposta de servir as pessoas com a nossa música, assim como fomos e somos servidos pelas músicas de outros artistas.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Tem um toque de humor e uma maneira de ver o mundo buscando a leveza. É um som dançante, pra cima, que brinca com os aspectos circense e lúdico.

– Quais são suas principais influências musicais?

Beatles, Mutantes, Beach Boys, Tom Jobim, Tropicália, Jazz dançante anos 40.

– Como vocês veem a cena independente musical do Brasil hoje em dia?

Muita gente legal fazendo grandes trabalhos. Não por acaso, 2015 teve muito lançamento bacana. A grande luta vem sendo a criação de público e a circulação de shows pelo país. Mas a boa notícia é que há muita gente trabalhando pelo cenário. Esse ano foi muito profícuo para a cena de Belo horizonte, onde me parece ter tido uma abertura maior para a música autoral. Cito, por exemplo, a casa de shows A Autêntica, o apoio da rádio EloFM, ambos com ações interessantes em prol dos artistas independentes. Enfim, o momento é bom.

– Porque a MPB e o rock autorais estão em baixa nas paradas de sucesso?

Imagino que sejam vários os fatores, desde o desinteresse da grande mídia, gerando com isso a dificuldade desses novos trabalhos chegarem a grande massa, até o próprio momento histórico de ciclos que a música vive.

– O melhor da música brasileira hoje em dia está fadado a permanecer no underground, graças ao investimento da mídia em músicas pop de fácil assimilação?

Acho muito difícil uma afirmação nesse sentido. As tecnologias e as maneiras de consumir música estão mudando muito rápido e não dá pra prever qual será o próximo passo e como será o futuro da música. Espero que essa boa música chegue ao grande público e seja consumida, acredito nisso.

Mordomo
foto: Rodrigo Valente

– Quais os planos do Mordomo para 2016?

Tocar bastante, colocar a banda na estrada mesmo. Já estamos articulando turnês pelo Brasil e planejando tocar fora do país. Estamos atentos aos recursos audiovisuais, por isso, produzindo videoclipes. Está nos planos também o lançamento de um EP com duas músicas já no segundo semestre de 2016.

– Recomendem bandas ou artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria conhecer.

Felizmente, tem muito artista bacana ao nosso redor. Aqui em BH esse ano tivemos lançamentos de grandes discos. Nobat, Aldan e Valsa Binária são alguns deles. Tenho notado muita originalidade nesses novos trabalhos, sem repetição de fórmulas ou conceitos. Tem muito músico experimentando e se libertando de paradigmas.

DIABeth, de Feira de Santana, prepara seu primeiro EP, “Amostra Para Sangue de Barata, Uma Dose de Coragem”

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DIABeth

A banda DIABeth surgiu de rascunhos no caderno da vocalista Leinne Portugal. Essas experiências rabiscadas se tornaram realidade depois de uma pesquisa pela cena underground de Feira de Santana, na Bahia, onde angariou seu companheiros Herivelton Beirão (Bateria), Orlando Carlos (Guitarra) e Vitor Oliveira (Baixo). O nome da banda veio de um dos rascunhos com a história de uma personagem chamada Beth, que levava a vida dentro do quarto que em um determinado momento acordou, se desprendeu das correntes do medo e passou a viver e incomodar as pessoas pelo modo que ela tanto gostaria de viver. DIABeth representa o “dia” que Beth despertou para a vida e o apelido que ela recebeu dos vizinhos e de todos que se incomodaram com o seu despertar.

Os primeiros materiais como banda foram lançados em 2015: as músicas “Passageira” e “Pimenta”, que fazem parte do EP “Amostra Pra Sangue de Barata, Uma Dose de Coragem”, programado para 2016. Conversei com a banda sobre sua carreira, suas influências, a cena atual do rock nordestino e o formato “ópera-rock” das canções da banda:

– Como surgiu a banda DIABeth?

Começo já agradecendo imensamente pelo espaço no blog Crush em Hi-Fi. A vontade em mim já existia há anos, em 2012 comecei a procurar pessoas com o mesmo interesse, inicialmente formei com outros membros o que na época carregava o nome de Espelho de Repúdio. Queria mesclar horror punk com som mais alternativo, o que não durou muito tempo, mas algumas letras estão guardadas em meus cadernos empoeirados até hoje. A DIABeth montamos em 2013, já pensando em colocá-la num festival que comecei a organizar com um grande amigo meu, o Magno (todo dia 13 de Julho é aniversário da DIABeth graças ao festival Rock Para Gente Grande), daí acabou que recrutei dois vocalistas, um da Back To The Classic (Vitor Oliveira) e outro da A Gaiola de Vidro (Herivelton Beirão), que se tornaram meus baixista e baterista, respectivamente, e como toco guitarra no projeto deles também, unimos forças, daí acrescentamos o Orlando pra me auxiliar na guitarra. E com essa formação seguimos até hoje.

– A cena do rock nordestino é forte hoje em dia?

Sem dúvida, desde o Rock Alternativo ao Metal podemos citar várias bandas nordestinas que vem ganhando mais força no decorrer dos anos: Malefactor, The Baggios, Vivendo do Ócio, Maglore, Declinium, Human, Scambo, Novelta, Calafrio… E há sim um público grande e ativo por aqui que chega junto e soma aos esforços de bandas, organizadores de eventos e afins, a manutenção disso tudo por conta do apoio um tanto escasso é que pega no pé de muitos produtores, que por serem muito persistentes não desistem fácil não. Só em minha cidade, Feira de Santana, posso citar 3 festivais anuais que movimentam de forma super positiva tanto o Rock e cultura alternativa local quanto de diversas partes do Brasil: o Feira Noise Festival, November’s Rock, Rock Para gente Grande, fora diversos eventos de menor porte que não deixam de ter sua importância por aqui.

– Quais as suas principais influências musicais?

Minhas influências vem de vertentes distintas, a banda que de fato me influenciou a aprender guitarra foi o Blink 182, que pra alguns só é um bando de moleques com músicas imaturas, mas que me trouxe humor, frustrações cotidianas, uma energia que ainda me toma quando coloco os álbuns pra tocar, meu baterista favorito (Travis Barker) e claro, o vício por acordes oitavados em minhas músicas; a melancolia carregada de inocência do The Cure, o Smashing Pumpkins, banda que costumo dizer que faz mágica e não apenas música (o Billy Corgan é mestre nisso); embora muitos torçam o nariz, o Slipknot é uma de minhas influências também (da série “coisas da adolescência que não me abandonaram), não que eu o coloque de forma direta em minhas músicas, drive na voz, nem nada disso, mas busco colocar minhas feridas no que escrevo, pode até sair pús de tão reais que muitas de minhas letras são, mas procuro ser honesta nesse quesito e eles incomodam e são amados por muitos por isso. David Bowie é de fato uma referência que me mostrou o que é liderar e idealizar algo na música, pensando alto mesmo, entre esquisitices e sofisticação ele ousou sem receios e isso me inspira muito, além de sua própria obra incrível.

– As músicas estão seguindo um formato meio “ópera-rock”, contando uma história, certo?

Todas as minhas músicas contam uma história e no fim todas fazem parte da mesma, se é que consegue me entender. Busco incluir temas reais, que vivenciei, que observo nas outras pessoas e que foram cruciais até no meu interesse e atitude de formar minha banda. Há temáticas que certamente permanecerão rondando nossas músicas no decorrer dos anos, até porque DIABeth representa o “dia do despertar da Beth”, Beth essa que pode ser uma garota, um garoto, um cara adulto, qualquer pessoa que tenha percebido que idealizava mais do que costumava colocar em prática, qualquer pessoa que se deixou enclausurar pelas inseguranças, pelo medo como ensinamento diário pelos próprios familiares e que quer passar ou passou por cima disso tudo pra vivenciar o que tanto sonha. Enfim, quero falar dessas coisas porque tenho certeza de que não só eu passei e passo por isso e esse “despertar” nunca será de um dia pro outro, eu mesma posso dizer que plantar, cultivar e colher a própria coragem não é algo fácil, há dias que a gente tenta camuflar o medo com uma coisa chamada VONTADE e encara as coisas mesmo com as pernas tremendo.

DIABeth

– Como é seu processo de composição?

Tudo começa com minha pessoa, meu violão e notebook (já faz um bom tempo que deixei o papel e caneta um tanto de lado), na grande maioria das vezes dentro de meu quarto super bagunçado. Em dias de mente fértil, escrevo músicas inteiras, daí o corpo da melodia e alguns backings acabam vindo junto também. Gravo tudo num programa, já que não dá pra confiar 100% que eu vá lembrar da melodia de um dia pro outro e já perdi boas músicas por confiar apenas em minha mente, daí o restante do processo, sento com os rapazes da banda e desenvolvemos juntos (baixo, bateria, segunda guitarra e por aí vai).

– Quais são as principais vantagens e dificuldades de ser uma banda independente?

A liberdade de experimentar ideias, de fazer um som mais despretensioso é bem maior quando a banda é independente, não há coleiras, somos cachorros soltos mesmo, com a língua pra fora de exaustão e de alegria também. O lado complicado é que pagamos até o que não temos pra “viver a música” e não “viver da música”, que é a esperança de cada um que se joga de cabeça nessa aventura.

– O machismo ainda atrapalha bandas capitaneadas por mulheres?

Só digo uma coisa em relação a isso: só atrapalha se a mulher deixar e abaixar a cabeça pra isso. Quando ela prova que tá na música pra valer e se impõe como tal, qualquer resquício de machismo vai por água abaixo. A gente tem que mostrar competência de fato, mostrar que somos mais que rostos, peitos e coxas grossas em cima de um palco, independente de quão expostos eles estejam. O respeito na música é conquistado com muita luta e mostrando serviço, independente de sexo. Se não tem medo de quebrar a unha, de estragar a chapinha com o suor da maratona de shows, se sua guitarra não é pra enfeitar o quarto, então, simbora! Que o que vem pela frente é bem mais desafiador.

– A banda diz não pertencer a nenhuma vertente musical. Como você definiria seu som?

O fato de não definirmos nosso som vem da observação do muito que já foi feito em comparação com o que a gente faz. Daí nos demos conta de que DIABeth não se encaixa em nada disso (indie, grunge, hardcore, emocore, gothic rock ou sei lá mais o que). Já citaram algumas bandas que consideraram parecidas com nosso som, mas não conseguimos concordar com nenhum comentário até hoje. O som que fazemos é uma mescla do que nossas influências acrescentaram a nós e de nossa criatividade espontânea, a única coisa que cheguei a definir foi: temáticas que estarão mais presentes em minhas composições. Já chegamos a aceitar que chamem de rock alternativo, foi a única vertente que soou confortável para o que fazemos, já que nossas influências são variadíssimas e não escolhemos nenhuma delas para ser nosso norte em relação ao que desenvolvemos com a DIABeth. Mas damos brechas para que tirem suas próprias conclusões em relação a isso.

DIABeth

– Quais são os planos da banda para 2016?

Como em 2015 entramos em estúdio pela primeira vez e foi uma baita escola pra gente, já que aprendemos mais com os erros do que com os acertos dessa experiência que resultou num conjunto de três músicas, que rotulamos como EP “Amostra Pra Sangue de Barata, Uma Dose de Coragem”, a gente quer voltar pro estúdio de forma mais segura em 2016, regravar algumas coisas, acrescentar músicas nossas mais recentes e soltar um EP com uma proposta mais sólida e depois, tocar, tocar e tocar pra expandir cada vez mais nosso som.

– Recomende bandas ou artistas (de preferência independentes) que tenham chamado sua atenção nos últimos tempos!

Há poucos meses atrás me surpreendi de forma certeira com o som da Circo de Marvin (banda de Salvador – BA) ao ouvir o CD “Modo Hard”. Senti aquela explosão do rock nacional novinho em folha e cheio de gás pra mandar muita verdade em meio a groovadas de primeira linha por aí. Já que estou respirando as lembranças do último Feira Noise Festival que trouxe nos dias 27, 28 e 29 de novembro grandes nomes da nova safra do rock nacional, fiquei de queixo caído com a Plástico Lunar, banda sergipana com um pé bem firme na psicodelia e com músicos incríveis que te arrebatam automaticamente (incluo a Far From Alaska, que também esteve presente no mesmo festival e o efeito foi no mesmo caminho, e a Boogarins, que não tocou no festival, mas o som também me arrebatou recentemente ).
Não poderia deixar de citar o som do Aletrix, que conheci através do Magno, tanto o som como o idealizador do projeto, o Alê Lima. Uma proposta ousada, que pra alguns pode soar como birras de um cara que odeia tudo e todos, mas ele só destaca de forma ácida, sarcástica, a partir do seu ponto de vista, o que absorve do que percebe ao seu redor e considera interessante salientar em suas músicas. Uma das que fogem desse esquema é a “Louie Louie Chuva Dourada”, que posso considerar um horror-indie (não manjo bem de nomenclaturas, mas é por aí, pelo menos no que diz respeito a letra (risos)). Não tem como não rir e se sentir vingado ouvindo o álbum “Herpes aos Hipsters”, já que alguma situação presente no álbum, ou quase todas, você pode ter vivenciado, ou presenciado, o que dói menos.

Banda franco-germânica de garage rock Curlee Wurlee! prepara seu novo disco, “Birds and Bees”

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curlee wurlee

É fácil reconhecer o estilo único do Curlee Wurlee!: uma mistura de teclados sessentistas, som cru e garageiro e surf music com um vocal calcado nas cantoras francesas e Nancy Sinatra. Ouvindo o som do quarteto você se sente nos anos 60, em algum lugar da swingin’ London. A formação atual conta com Organella no órgão e vocais, Meatbike na bateria e backing vocals, Ralph on Fyre na guitarra e vocais e Nelson no baixo e backing vocals. “Minhas duas principais influências são o garage dos 60s e punk rock, mas também chanson francesa, devido à minha educação e família, early beat, jazz e indie pop”, explica a vocalista e cabeça da banda.

Aparecendo em mais de 10 compilações e com muitos singles na bagagem, a banda já lançou três discos (“Curlee Wurlee! Likes Milk”, de 2011, “Oui Oui”, de 2006, e “She’s a Pest”, de 2001) e prepara o quarto, “Birds and Bees”, para 2016. “Nós mal podemos esperar, uma vez que é provavelmente o melhor que já fizemos”, diz Organella. “Pelo menos é o melhor que eu já fiz com o Curlee Wurlee!”, confirma Ralph, membro mais novo da banda.

Conversei com Organella e Ralph sobre a história da banda, seu som peculiar e a vida de banda independente. Ah, e eles recomendaram diversas bandas que vale a pena ouvir:

– Como a banda começou?

Organella: A nossa primeira baixista e eu fomos a um show da banda Lulu’s Marble, formada por garotas japonesas. Eu estava sem banda no momento, e nós decidimos formar uma juntas. Éramos todas meninas com um baterista punk rock, e queríamos fazer alguma coisa neo-garage. Nós não tínhamos idéia que ia se tornar algo como o Curlee Wurlee! no fim.

– E como surgiu o nome Curlee Wurlee!?

Organella: Nós já tínhamos um show marcado cerca de duas semanas depois de nos conhecermos. Já tínhamos músicas, mas nenhum nome. Uma menina que conhecíamos apareceu porque queria tocar guitarra e cantar com a gente. Ela foi até o posto de gasolina para comprar um pouco de cerveja e viu uma barra de chocolate da Cadbury chamada “Curly Wurly”. Então nós apenas substituimos o “y” por dois “ee”, porque, obviamente, gostamos muito de Thee Headcoatees.

– Quais são suas principais influências musicais?

Organella: Do meu lado, minhas duas principais influências são garage dos 60s e punk rock, mas também chanson francesa, devido à minha educação e família, beat do começo, jazz e pop indie, também, eu acho. Eu também ouço a chamada “musique savante”, em outras palavras: música clássica. Nem sempre, mas às vezes.

Ralph: Eu curto todo o tipo de música que é bruto, selvagem, impulsionado por forças internas e que tenha uma visão antiga sobre como as coisas devem soar e viver. Claro, punk é o primeiro tipo de música que eu poderia me ligar, e ainda é. Quando você olha para trás, o punk estava sempre lá e eu gosto especialmente da sua presença na música dos anos 60. Mas no final, uma boa música é uma boa música – e uma nova idéia é uma idéia nova.

– As músicas da banda têm uma pegada “vintage”. O que vocês acham das músicas que têm sido lançadas hoje em dia?

Organella: Em primeiro lugar, acho que nunca tivemos como objetivo fazer uma música “vintage” quando criamos. Em relação à música de hoje, você está se referindo a garage, normal ou outra coisa? Há tantas músicas diferentes, o que é algo grande. Mainstream é um saco, basicamente: o mesmo que com a política – é tão fácil de manipular pessoas sem instrução. Você diz “consuma, é bom” e com o poder do marketing, vai continuar ouvindo a música em todos os lugares e, no final, vai acreditar que essa merda techno que você ouve é boa. É claro que eu não vou dizer que não existem coisas boas no meio do que está nas paradas, mas acho que isso não acontece muitas vezes. Eu preferiria ouvir mais música de países não-ocidentais, ou música que eu simplesmente não conheço ou não entendo – mas, obviamente, falta tempo. Garage ou punk rock podem ser muito chatos, aliás. Eu gosto de sons antigos e novos, desde que as composições de me toquem. Porém, tenho dificuldades com 100% de sons de computador: eu preciso da vibração de um instrumento analógico.

Ralph: Nos anos 90, achei que todas as coisas de crossover se transformaram em um “CrossOverkill”. Eu nunca esperaria que isso iria TÃO londe (mas eu sou um velho ranzinza e ainda não gosto de disco music).

curlee wurlee

– Me falem um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

Organella: Bem, nós começamos muito rápido, então nós tivemos muitas formações diferentes durante todo o processo. Nós aparecemos em cerca de 20 compilações, no início, lançando… eu não sei, algo entre 5 a 10 singles, incluindo splits, e acabamos de gravar nosso quarto álbum. Ele chama “Birds and Bees”, um nome bobinho, e sairá em março de 2016. Um single sairá na sequência. Nós mal podemos esperar, uma vez que é provavelmente o melhor que já fizemos (risos).

Ralph: Sim, é o melhor pelo menos que eu já fiz com o Curlee Wurlee! (risos)

– Como é seu processo criativo?

Organella: Eu sempre fiz as músicas em casa, escrevi as harmonias e estruturas no papel, e trouxe o material quase pronto para a nossa sala de ensaios. É sempre difícil ter uma sessão a partir de nada. O nosso novo guitarrista Ralph também está trazendo canções quando nos encontramos: todos nós vivemos muito longe um do outro, de modo que não podemos nos encontrar sempre como as bandas “normais”. E eu não sei o que aconteceu, talvez a gente tenha conseguido se livrar da nossa timidez através de alguns excessos sobrenaturais, mas pela primeira vez este ano, conseguimos fazer espontaneamente músicas juntos, o que é uma coisa muito legal.

Ralph: É verdade. A criação de músicas juntos acontece muito espontaneamente nos últimos tempos e tem funcionado muito bem, então parece mais uma boa forma de abordagem criativa, fazer as coisas rápidas e sujas, mas BOAS!

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

Organella: Oops, desculpe, eu não posso dizer. Eu vejo que os companheiros de banda que estão fazendo isso para viver têm que ser muito mais agressivos no que se refere ao salário dos músicos ou ofertas de gravadoras. Há muuuuuuuuuitas bandas, e todas elas querem o mesmo. É claro que, às vezes, uma banda pode ter sorte, mas nunca se deve definir o sucesso como um objetivo, uma vez que a coisa toda, então, termina em amargura e frustração. As grandes gravadoras são tão fortes, não há quase nenhuma chance de competir. No que se refere a nós, nem sequer nos vemos como uma banda independente, uma vez que nunca fizemos nenhu plano. Então, eu realmente não sei e falando francamente, eu estou contente que o sucesso nunca nos interessou. Nós estamos fazendo música, isso é tudo, e temos a sorte que as pessoas gostam de ver a gente tocar ou gravar discos de vez em quando.

– Onde você gostaria de ver a sua carreira em 10 anos?

Organella: Eu não sei. Muitas vezes eu duvido. E eu gosto de surpresas. Eu não me importo, desde que eu ainda possa escrever canções.

Ralph: O plano é: não há planos! Exceto continuar tentando dar o melhor para o bem da arte … e da comunidade!

curlee wurlee
O anúncio da entrada do guitarrista Ralph

– Se você pudesse chamar qualquer músico para participar de uma música do Curlee Wurlee! quem seria?

Organella: Hey, nós tivemos cerca de 20 membros da banda até agora e estamos contentes que nos estabelecemos. Vamos agora começar a nos sentir relaxados, de modo que não precisa de ninguém para o momento, pleaaase 🙂 Mais uma vez, eu não sei dizer. Eu só posso dizer que Kim Shattuck ainda é a minha heroína … e Jackie do The Jackets.

Ralph: Eu sou novo na banda, mas eu sei que houve muitas grandes pessoas envolvidas e já temos alguns grandes músicos convidados… como o mestre do Dukes Of Hamburg original que contribuiu com percussões no novo álbum.

– Recomendem bandas que chamaram sua atenção ultimamente.

Organella: É claro que amo as bandas do meu selo Moody Monkey, como The Teamsters… (Claro, os jovem e espertos Teamsters de Londres!) com sua incrível habilidade de escrever canções maravilhosas com a lenda das batidas Bruce Brand na bateria. Sick Hyenas de Hamburgo, algo entre The Cramps e The Black Lips mas com sua própria assinatura. Hank Robot & The Ethnics (um projeto paralelo da incrível Powersolo) que são para mim uma mistura de Jello Biafra e Destruction Unit. The Maharajas de Estocolmo com Mathias Lilja do The Strollers no vocal. O som ultra garageiro dos Skeptics da França e The Youth de Copenhagen, que está na minha lista de melhores shows ao vivo dos últimos tempos: eu amo suas composições eficientes e sua energia. Tem também uma banda psych muito boa em Paris chamada Noctambulos e uma neo-garage impressionante chamada The Scumbugs em Oslo, eles tocam um órgão ótimo, aliás. The Jackets, da Suíça, definitivamente me pegaram ao vivo. Eu gosto muito do The Routes, The Baron Four (ex-Vicars) também, e eu curto muito muito The Pacifics, de Dublin, que estão tocando early beat juvenil e cru com surf e rock and roll, uma mistura de Beatles e The Barracudas. Frowning Clouds da Austrália têm sua própria identidade, e vocês sortudos e sortudas têm muitas bandas legais na América do Sul: nós curtimos muito Los Peyotes e Los Explosivos, só para citar duas. Autoramas são grandes amigos, também. Eu estou muito curiosa para ver The Ar-Kaics dos Estados Unidos, eles irão tocar no festival superlegal Garageville em Hamburgo ano que vem. Hmmmmm… por favor me pare, eu poderia falar sobre isso por horas. Conclusão: eu não estou nem um pouco interessada em bandas covers, mas em bandas criando sua própria “salad”. Sim, eu amo isso!

Ralph: Concordo e não tenho muito a adicionar. Especialmente The Youth, que me deixou de boca aberta depois de ver um show deles na Alemanha.

Cigana mostra seu liquidificador de influências e ritmos em “A Torre”, seu segundo EP independente

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A Cigana está misturando rock setentista, música brasileira e pop desde 2013, conseguindo um som cheio de personalidade que aponta para várias direções simultaneamente. Desde então, o grupo de Limeira, interior de São Paulo, já apareceu em listas de melhores do ano de 2014 (no site Novo Rock Nacional e no blog Mochila de Garagem) e tocou em importantes festivais, como a Virada Cultural Paulista e o Grito Rock. Formada por Victoria Groppo (voz), Matheus Pinheiro (guitarra), Caique Redondano (baixo), Felipe Cunha (bateria) e Cláudio Cavalcante (tecláudio/synths), a banda lançou este ano seu segundo EP, “A Torre”, pelo selo independente King Chong.

Conversei com Matheus sobre a carreira da banda, o novo EP, a vida do rock nacional e a internet na vida das bandas independentes:

– Como a banda surgiu?
A banda surgiu em no final de 2013, quando eu (Matheus) estava gravando algumas demos com um antigo parceiro nosso, o Gui Ferraz, e daí surgiu, no meio das ideias, uma que música que gostamos muito e levamos pra frente. Chamamos a Victoria (vocalista da banda) pra cantar nessa demo e alguns meses depois lançamos sobre o nome de ‘Cigana’, e logo depois vieram alguns convites para alguns shows, e eu a Victoria decidimos montar uma banda a “sério” e fomos tocar por aí.

– Porque o nome “Cigana”?
A gente sempre brinca e dá respostas diferentes: uma dizemos que o nome veio por conta de um amigo nosso que me chamou de cigano por ter váaaaarios projetos musicais, e outra por que não estamos presos a nenhum gênero específico do rock, ou do pop como um todo.

– Quais são as principais influências musicais da banda?
Então, as principais influências variam de cada integrante. Tem desde o admirador da nossa velha bossa nova até o quem pire em Run The Jewels. Mas na banda é um pouco de tudo mesmo…mas algo que acho que todos escutamos em comum: As bandas do Jack White (Dead Weather, Raconteurs) e sua carreira solo; Criolo; Led Zeppelin; Caetano Veloso; Black Keys; Far From Alaska; Strokes, Cachorro Grande…tem bem mais, mas não lembro agora.

– Me fale um pouco mais sobre “A Torre”.
“A Torre” é nosso segundo lançamento, e como o primeiro, é um EP produzido de maneira totalmente independente. Gravamos dessa vez em um estúdio tradicional, e não um home studio como foi no primeiro, e gostamos demais do resultado. O nome do trabalho veio de uma carta de tarot que se chama “Torre” e que fala sobre mudanças, rupturas e mudanças bruscas em suas vidas…achamos o tema super legal e que combinava muito com as letras de músicas como “Inconsciente” e “Aclive”, então pegamos essa ideia e esse nome pra nós! Outro fato do disco é que ele foi lançado pelo Selo King Chong, que está trabalhando com vários artistas incríveis da nossa região (Limeira, SP).

Cigana

– Vocês acham que o rock nacional está em uma curva ascendente? Ele pode voltar ás paradas?
Com certeza ele está numa curva ascendente. A galera está curtindo os novos sons nacionais, porque eles realmente estão incríveis. Não é mais o tapinha nas costas do amigo. Bandas como o Far From Alaska e o Boogarins são tão boas quanto quaisquer bandas gringas, e a galera está se ligando nisso. O último disco do Thiago Pethit é ótimo, e tem essa veia rockeira nele né? Eu acho o cenário rockeiro nacional atual incrível e inspirador. Quanto a voltar as paradas, não sei….é difícil voltar as paradas se você considerar as de rádios FM como padrão, por que lá o esquema é outro. Mas se você considerar as paradas de meios mais, digamos, independentes como o Spotity, Deezer, as menções no Twitter e tudo mais, com certeza o novo rock já está com um espaço considerável e vai ganhar cada vez mais.

– Quais são as melhores e piores coisas de ser uma banda independente?
A resposta é clichê, mas é verdadeira. O melhor de ser independente é você estar nessa por amor, é tudo mais sofrido, claro, mas acho que boa parte de grande arte nasce do sofrimento né? Quer dizer, você tem que superar todos os obstáculos possíveis pra produzir e distribuir sua arte…e, como é tudo mais difícil, você se faz um artista melhor a cada dia, pois você tem que vencer a realidade pra poder viver nela. E ao mesmo tempo que esse aprendizado vêm pela dificuldade, que essa arte nasce do nosso empirismo, poderíamos evitar muitos desgates físicos e psicológicos desnecessários que o circuito independente nos traz.

– Como vocês definiriam o som da banda?
Eu diria que são influencias que ficam vagando por aí, e que hora se fundem e hora se repelem e que em algum lugar dentro desses momentos sai algo que achamos legal e daí usamos no nosso som. Você pode achar de tudo nos nossos EP’s – pop, hard rock, mpb, baião, bossa nova.

– O EP “A Torre” está disponível gratuitamente em muitas plataformas online. Vocês acham que a internet deu mais força para as bandas independentes mostrarem seu trabalho sem precisar de influência da mídia ou das gravadoras?
Ah, com certeza a Internet nos deu força. Quer dizer, eu não conseguiria ouvir nem 30% dos discos que ouço se eu dependesse só dos lançamentos feitos por gravadoras. E esse número cai ainda mais se só contarmos as majors. A internet nos deu quase tudo o que somos, em quesito de música. O mínimo que podemos fazer é retribuir e deixar de todas as maneiras possíveis nossa música disponível pela internet.

Cigana

– Quais são os próximos passos da Cigana?
Divulgar nossos trabalhos o máximo possível. Nosso primeiro clipe sai nos próximos dias e a música escolhida foi “Inconsciente”. Vamos fazer o máximo de shows possíveis também, já que é na estrada que a banda cresce. Além disso, já temos algumas ideias de novas músicas que serão utilizadas em alguns projetos que acertamos e que são bem legais.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Claro! Grandes artistas que merecem MUITO destaque: Laranja Oliva, Diretriz, Vigariztas e Vitex. Chega junto que é muito bom!

Ouça “A Torre” aqui: