A festa Crush em Hi-Fi estreia sexta (04) no Morfeus Club com show do duo Horror Deluxe!

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A dupla Horror Deluxe

Sim, você leu direito: agora o Crush em Hi-Fi também terá uma festa! A estreia acontece no dia 04/12, sexta-feira, no Morfeus Club! A festa que busca fugir um pouco do lugar comum na noite paulistana, indo além do que as rádios e a televisão costumam oferecer quando o assunto é rock. Lógico que as bandas consagradas também aparecerão, mas não com aquele velho hit manjado que toca à exaustão em todas as baladas. Se nem Kurt Cobain aguentava mais ouvir “Smells Like Teen Spirit”, imagine o público da noite rocker paulistana?

Festa Crush em Hi-Fi 1

Além disso, a festa sempre terá espaço para bandas autorais. Para começar com o pé na porta, rola o show do duo HORROR DELUXE, destilando suas influências de psycho-punk-a-billy com muito filme B dos anos 50, The Cramps e José Mojica Marins na mistura! A dupla já foi entrevistada aqui no blog, confira aqui.

Nas discotecagens, o editor do blog João Pedro Ramos (Tiger Robocop,Combo Hits, No FUN), Mairena (baterista da banda BBGG) e Rafa 77 (autor do blog Hits Perdidos).

Ah, e tem uma promoção: Quem for ao CCXP – Comic Con Experience e comparecer com o crachá, ganha na faixa uma cerveja 1500 Cerveja Puro Malte!

A dupla Horror Deluxe
A dupla Horror Deluxe

 

Na festa do Crush em Hi-Fi, você ouve: Iggy and the Stooges – Pin Ups – T.Rex – Ramones – Thrills and The Chase – The Hunted Crows – The Clash – Faith No More – Undertones – Parliament – Supersuckers – Bionica – Transplants – Funkadelic – Turbonegro – Deb & The Mentals – Andrew W.K. – Rita Lee & Tutti Frutti – Muzzarelas – Forgotten Boys – Primus – Skating Polly – Violentures – Purple – Queens Of The Stone Age – Screaming Females – The Runaways – Oh! Gunquit – Hellacopters – L7 – Sly and The Family Stone – The Who – Jack White – The Love Me Nots – New York Dolls – Tits, Tats and Whiskers – Sonic Youth – The Chuck Norris Experiment – 13th Floor Elevators – Seeds – Autoramas – Sonics – Garage Fuzz – MC5 – Bowie – Hendrix – James Brown – Velvet Underground – Eagles of Death Metal – Deap Vally – The Rolling Stones – Raveonettes – Cramps – Ventures – The Two Tens – Wolfmother – La Femme – Carbona – Toni Tornado -Human Beinz – The Hyena Kill – The Nerves – Red Hot Chili Peppers – Veronica Kills – Buffalo Tom – Afghan Whigs – Superchunk – Pavement – Kleiderman – Supergrass – Blondie – Titãs – Nirvana – B-52s – The Hives – Stray Cats – Os Mutantes – Killing Chainsaw – Beastie Boys – Pulp – Manic Street Preachers – Molotov – Garbage – The Kinks – Party Up – Pixies – Stone Roses – Little Quail and The Mad Birds – Weezer – Hole – Ride – Dinosaur Jr – Fugazi – Happy Mondays – Sugarcubes – The Pogues – Fu Manchu – Teenage Fanclub – The Cure – Smashing Pumpkins – Primal Scream – Devotos DNSA e muito mais!

Serviço:

Crush em Hi-Fi @ Morfeus Club
Quando: 04/12/2015 (sexta-feira)
Horário: a partir das 22h

Show: Horror Deluxe
DJs: João Pedro Ramos (Tiger Robocop, Combo Hits, No Fun)
Mairena (BBGG)
Rafa 77 (Hits Perdidos)

Fotos: Amanda Costa
Arte: Leo Buccia

Preços:
*Com lista: R$15 (entrada)
*Sem Lista: R$20 (entrada)
Para entrar na lista, basta confirmar presença no evento do Facebook. Se você não tem Facebook, envie seu nome para [email protected] com o título LISTA – 04/12

Aniversariantes do mês de dezembro ganham um par de VIPs para comemorar! Mande sua lista de convidados para [email protected] com o título ANIVERSÁRIO – 04/12. Todos seus convidados entram na lista de desconto!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Raphael Fernandes, editor da revista Mad e roteirista

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Raphael Fernandes
Raphael Fernandes, editor da revista Mad

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Raphael Fernandes, roteirista e criador de quadrinhos como “Apagão – Cidade Sem Luz/Lei” e editor da versão brasileira da mundialmente famosa revista Mad.

“Parece moleza, mas selecionar cinco músicas desconhecidas que você quer apresentar para as pessoas é uma tarefa cruel. É um tal de lembrar de músicas que você não sabe o nome direito! Coisas que você adora ficando de fora”, explicou Rapha. “Aquela sensação de que tudo o que você escolheu é batido pra quem manja do assunto. No entanto, fiz um esforço mental e selecionei aquelas 5 músicas malucas que estalam na minha cabeça toda vez que escuto! Os hits de um inferninho que sempre sonhei”.

Eduardo Araújo“Nem sim, Nem Não”

“Pra começar conheça essa pedrada da fase psicodélica do Eduardo Araújo, que com a guitarra de Lanny Gordin construiu um dos maiores sons da história do rock nacional. Recomendo também caçar os discos dessa fase dele e de sua futura esposa Silvinha!”

Gun“Race With the Devil”

“Gosto muito de deixar o Youtube tocando uma sequência de coisas que não fui eu quem selecionou. Nessas de ser um audionauta, acabei descobrindo esse disco maravilhoso do Gun. Uma daquelas bandas que você simplesmente não entende como não bombaram loucamente! Devore o disco todo! Sim, as minas do Girlschool fizeram uma cover da hora desse som”.

La Femme“Sur La Planche”

“Outra que descobri procurando discos viajados para deixar rolando enquanto escrevo quadrinhos. Esse disco incrível do La Femme não só me tira desse mundo, como me manda pra um lugar muito mais louco. Perfeito para quem curte um trip hop, space rock e shoegazer. Como se a France Gall tocasse com uma banda de kraut rock!”

Eiko Shuri“Yê-Yê”

“Provavelmente, a mais sensacional música na pegada Nancy Sinatra do mundo! Esse som ficou famoso por causa de um comercial que divulgava a moda dos mods e era estrelado pela sensacional Twiggy! Vá cortar seu cabelo curtinho, vestir seu terno descolado e ligar sua vespa que esse som é pra dançar ao estilo Austin Powers!”

Novas“The Crusher”

“Engraçado como são as coisas! Não encontrei nem a pau a versão em espanhol de The Kinks que eu tanto adoro, mas a minha próxima opção seria “The Crusher”. Daí o João pirou que o nome combina com o site! Escolha forçada perfeita, pois é a voz gutural que deu início ao rock ‘n roll alucinado e selvagem do garage rock! Espero ser convidado novamente, pois faria uma lista só com bandas malucas de heavy metal ou surf! Ou mesmo nacionais!”

Garimpo Sonoro #6 – Porque os bootlegs oficiais de Bob Dylan são mais que caça-níqueis

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Bob Dylan

Tenho um certo apreço pela obra de Bob Dylan. Talvez eu goste um pouco mais do que qualquer outra pessoa que você conheça. Talvez eu até tenha um blog chamado Dylanesco, focado apenas no universo deste senhor. E talvez eu cometa algumas loucuras financeiras em decorrência dos lançamentos fonográficos deste ser. Mas gostaria de contextualizar e até te convidar a entrar em parte deste universo: o da arqueologia musical.

Desde 1991 a equipe de Bob Dylan faz uma verdadeira limpa no porão fonográfico do músico e presenteia o público, e o bolso de Dylan, com boas pérolas desse verdadeiro garimpo. O próprio cantor não parece ter qualquer influência nessa coleção de discos, lançada paralelo à produção de Bob e intitulada ironicamente de Bootleg Series.

Por que ironia? Porque o termo bootleg está relacionado à produção e distribuição de whiskey ilegal (na Lei Seca dos EUA). No mundo da música, os bootlegs são os discos piratas de gravações de shows, sobras de estúdios que não foram lançadas e coisas não autorizadas pela gravadora que escapam e acabam entrando neste mercado paralelo.

Bob Dylan e sua trupe, malandros que são, institucionalizaram esta cultura. Contudo, a artimanha é realmente boa, vai muito além de um mero caça-níquel e tem se aprimorado a cada edição. Já existem 12 volumes dessa Bootleg Series e os mais recentes se especializaram em períodos específicos.

E mesmo com o fortíssimo mercado de bootlegs “reais”, essas compilações conseguem tirar leite de pedra e sempre apresentam coisas novas, que nem os bootlegers tinham. E é aí que a coisa começa a ficar interessante…

Existem dezenas de livros sobre Bob Dylan e todos se baseiam em informações oficiais e não-oficiais para tirar suas conclusões. Porém, nessas revisitações dylanescas, muitas coisas são apresentadas ao público pela primeira vez, podendo abrir espaço para uma nova interpretação da história.

São músicas que ninguém sabia que existiam; versões primitivas que mostram um novo horizonte para a canção e sua intenção; sobras de estúdio que ilustram um apreço muito maior do que se imaginava do artista. Cada volume da Bootleg Series cria um enredo próprio, que se mistura ao mesmo tempo que reescreve parte da história. E Bob Dylan talvez seja um dos poucos que possa fazer isso, por conta principalmente de seu formato de criação no estúdio.

Okay, talvez a afirmação acima seja um pouco tendenciosa. Mas deixa eu tentar explicar de um jeito didático que não pareça um físico espumando para te fazer entender sobre as teorias de Einstein. Bob Dylan trata sua obra como algo tão mutável quanto o próprio sentimento, a vida, o mundo. Uma vez, ao ser questionado porque ele não interpretava uma determinada canção do jeito que gravou, ele respondeu algo como: “Aquela gravação é só o registro daquela música, naquele dia. Você não gostaria de viver o mesmo dia mais de uma vez, gostaria?”.

E ele nem está sendo tão sincero. Seus discos não são apenas registros do dia, mas registros daquele exato momento. Uma música rápida e raivosa em um take pode se transformar em algo melancólico e suave no take seguinte. A letra pode mudar, o andamento pode mudar, os acordes podem mudar. Tudo a favor de uma Musa que não só possui sentimento, como também humor.

Para Bob Dylan, a música é um ser vivo com vida própria, que escolhe suas trilhas enquanto reconta seu enredo. E os Bootleg Series são os manuscritos das histórias registradas nos discos. Com eles, temos acesso aos bastidores da criação, vivenciamos a mutação da canção como um time-lapse da criança para o adolescente.

Tá, talvez eu tenha me empolgado.

Para terminar, meu jabá: quem quiser saber mais sobre o recente Bootleg Series do Dylan e minhas observações sobre, só acessar: http://dylanesco.com/resenha-cutting-egde-observando-o-big-bang/

Sim, o trio Hanson está muito vivo (e vai muitíssimo bem, obrigado)

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Hanson

Em 1996, era meio impossível ligar o rádio ou a TV e não ser tomado de assalto pelo fenômeno musical Hanson. O trio de irmãos de Tulsa estourou com “Mmmbop” antes de Zac (bateria), Isaac (guitarra) e Taylor (teclados) completarem 18 anos. Aliás, longe disso: quando a banda começou, em 1992, o baterista tinha apenas 7 anos! A partir daí, veio o primeiro álbum, produzido pelos Dust Brothers, “Middle Of Nowhere”, que estourou e levou o trio a algo próximo de uma neo-Beatlemania. Como todas as boy bands e girl bands dos anos 90, o grupo aos poucos foi sumindo dos holofotes aos poucos depois do segundo disco, “This Time Around”, e foi deixado de lado pela mídia. Mas você acha que o grupo parou? É claro que não!

Apesar de serem colocados na mesma prateleira que os grupos pop dos anos 90, o Hanson tinha um diferencial: além de serem todos músicas, majoritariamente escreviam suas próprias músicas. E isso foi essencial para que eles não parassem, mesmo quando saíram da gravadora Island Def Jam. Afinal, eles saíram de lá procurando maior liberdade criativa, já que a gravadora havia recusado cerca de 80 músicas do trio por considerarem “não vendáveis”. Agora independentes, os Hanson começaram a trabalhar por seu próprio selo independente, o 3CG Records. Então vieram o inevitável disco acústico, em 2003, e “Underneath”, de 2004, que ficou em primeiro lugar na parada de discos independentes da Billboard assim que saiu.

O disco ganhou o single “Penny & Me” que ficou em segundo lugar no Hot 100 Singles Sales e chegou a 10º no UK Top 40. Apesar disso, é até hoje o disco que menos vendeu do grupo. A própria banda diz que durante a turnê via o álbum nas banquinhas de desconto… Já com um som diferente do que eles faziam anteriormente, é um disco de transição, mostrando o amadurecimento musical da banda em letras e arranjos. O disco conta com uma letra de Gregg Alexander, do New Radicals, abrindo em “Strong Enough to Break”.

Em 2007, depois da turnê do disco ao vivo “Live and Electric”, o grupo lançou “The Walk”. Um pouco mais pesado que “Underneath”, o álbum mostra que os garotos que criaram “Mmmbop” haviam ficado pra trás. Suas raízes de R&B, soul, blues e rock & roll aparecem mais no som. “Does it move you/Does it soothe you/Does it fill your heart and soul/With the roots of rock & roll?”, diz a letra de “Been There Before” Sim, as letras sobre amor e etc continuam lá, mas o disco mostra a evolução dos garotos de Tulsa muito mais do que o disco anterior já havia feito.

Em 2009 Taylor Hanson deu uma passeada cantando em um supergrupo de rock alternativo: o Tinted Windows, com James Iha (ex-Smashing Pumpkins) na guitarra, Adam Schlesinger (Fountains Of Wayne) e Bun E. Carlos (Cheap Trick) na bateria. O disco auto-intitulado saiu no mesmo ano e o som é no mínimo divertido:

Em 2010 o grupo se reuniu para o lançamento de “Shout It Out”. O disco foi muito bem recebido e foi inclusive meio como um “comeback” do trio, já que o single “Thinkin’ Bout Something” fez sucesso, mostrando que o Hanson ainda tinha muita lenha pra queimar. O trio se mostrava muito mais funky e cheio de balanço, com naipes de metais e algo meio Jackson 5 (influência dos três desde o começo, em 1992) sendo adicionado em faixas como “Give a Little”. Com todo o cowbell que as músicas pedem!

O último disco do Hanson até o momento é “Anthem”, de 2013. O funkeado do disco anterior se mantém, e “Get The Girl Back” só não entrou nas paradas de sucesso porque… Bom, eu não faço ideia do motivo. Deveria ter sido um dos hits de 2013, sem dúvidas. O Hanson se mostra maduro e mandando bem em pérolas como “I’ve Got Soul” e no power pop “Cut Right Trough Me”.

Atualmente em turnê, o trio está inclusive fazendo algumas covers bem inusitadas… como de The Darkness!

Além disso, em 2015, o Hanson apareceu no disco de ninguém menos que Blues Traveler“Blow Up the Moon”, sendo co-autores da música “Top of the World”. Ah, e eles agora também têm sua própria marca de cerveja, a Mmmhops. Tá bom ou quer mais?

Kathryn Dearborn lança a faixa “Drum Machine”, com gritos enviados por fãs de todos os cantos do mundo

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Kathryn Dearborn

Kathryn Dearborn define seu somo como “trilha sonora para histórias em quadrinhos assustadoras”. Talvez essa seja uma boa forma de descrever o som eletrônico, pop e soturno da moça, que acaba de lançar o single “Drum Machine” com samples de gritos que ela pediu em sua página do Facebook. “Chegaram gritos incríveis de todo o planeta”, ela diz. “A música ficou incrível”.

Dearborn, ao contrário do que possa parecer, é uma artista reclusa: escreve e grava todas as suas músicas diretamente do seu quarto, no Brooklyn. Sua música foi descrita como “Meio Nine Inch Nails” por Amanda Palmer (duas de suas maiores influências) e “psicologicamente elevada” pelo site Earmilk.com

Conversei com Kathryn sobre sua carreira, influências e todos os gritos e berros recebidos para “Drum Machine”:

– Como você começou sua carreira?

Eu comecei a fazer minha própria música no colégio. A minha família tinha um velho piano vertical que eu aprendi sozinha a tocar e em pouco tempo eu estava inventando canções para mim. Eu escutei uma grande variedade de músicas e me apaixonei por pessoas tão variadas como Trent Reznor, Amanda Palmer e Max Martin, então eu decidi participar Berklee College of Music para aprender a produzir e projetar o meu próprio material. Tudo começou a partir daí.

– Diga-me um pouco mais sobre o material que você já lançou até o momento.

Meu primeiro EP, “The Temptress”, foi lançado em 2010 e recebeu bastante atenção na rádio Pandora. Eu o chamei de “Temptress” como uma piada sobre o modo como artistas solo femininos são comercializados através de apelo sexual e realmente segui isso para a foto da capa. Eu já lancei alguns singles como “Nocturne For Neverland”, uma canção de ninar que eu escrevi durante uma separação, e “Endgame” – uma colaboração com meu amigo Broken Bit.

“Dither”, um álbum lançado pelo meu amigo escocês Sefiros, foi outro grande projeto para mim. Escrevi e gravei os vocais para 5 canções desse álbum, e eu estou realmente orgulhosa de todas e espero que vocês ouçam no Spotify ou qualquer outro serviço de streaming.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Eu tive monte de formação clássica desde jovem, então sou muito influenciada por aquilo que eu considero serem as raízes do pop – eu amo John Dowland e canções de Brahms, Rachmaninoff e Faure, para citar alguns dos que eu estudei.

Quanto a artistas contemporâneos, eu sou incrivelmente influenciada por todo o trabalho de Trent Reznor. Eu amo tudo que ele faz e todos os belos sons que ele e aqueles que trabalham com ele criam. Ele é a razão pela qual estou tão interessada em criar meus próprios timbres com a síntese. A canção “Drowning” do How To Destroy Angels é uma obra-prima para mim, se você quiser ter uma ideia do que estou falando.

Também sou muito influenciada pela obra de Max Martin – um dos maiores produtores pop do nosso tempo, e Amanda Palmer por sua capacidade de dar uma olhada mais de perto para a vida como ela realmente é, com seu trabalho e sua recusa em curvar para o status quo como uma mulher.

– Qual é o melhor lugar em que você já tocou?

Minha apresentação favorita foi em um pequeno teatro em Williamsburg, Brooklyn chamado The Brick onde eu tive que usar um dançarino masculino como um banco do piano! Ele ficou de quatro e eu me sentei em cima dele como uma peça de mobiliário e fiz o show dessa maneira.

Kathryn Dearborn

– Você pediu recentemente as pessoas lhe enviassem gritos. Diga-me mais sobre isso. Você recebeu alguma coisa boa?

O projeto dos grito é para uma canção pop/dance chamada “Drum Machine”. Pedi os gritos na internet para que eu pudesse ter alguma participação do público e promover o meu último projeto com o Patreon. O resultado final é incrível!

Eu recebi muitos grandes gritos! Uma mulher usou suas habilidades de trabalhar em uma casa mal assombrada e os resultados foram realmente de fazer o sangue gelar. Outra pessoa percorreu todo o caminho até um cemitério para ter o clima apropriado e me enviar uma enorme quantidade de gritos assustadores!

– Se você pudesse tocar ou gravar com qualquer artista, quem seria?

Essa é uma pergunta difícil. Trent Reznor, Amanda Palmer ou Big Data.

– Como você define o seu som?

Meu som é como a trilha sonora de uma história em quadrinhos assustadora.

– A internet é amiga ou um inimiga dos artistas independentes?

Tudo o que posso fazer é falar por mim e eu tenho que dizer – eu adoro a internet e não iria abandoná-lo por qualquer outra coisa. Há muita inovação acontecendo quando se trata de marketing. É um admirável mundo novo e eu adoro isso.

Kathryn Dearborn

– O sexismo ainda está vivo no mundo do rock and roll?

Mais uma vez, só posso falar por mim mesma. Eu recebo algumas observações bastante rudes de pessoas, mas no geral é ok. Eu não tive problemas com isso. Eu sugiro fortemente, no entanto, que todas as mulheres leiam o fórum Red Pill do reddit. Eu acredito que a maioria dos homens usam uma quantidade variável de técnicas escrotas no dia-a-dia e um monte de mulheres precisam ler isso para ficar sabendo. É aqui: https://www.reddit.com/r/TheRedPill/

– Recomende algumas bandas (especialmente se são independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.

Há tantas… Alguns são uma mulher chinesa, Emika, Nicole Dollanganger e Big Data.

Ouça “Drum Machine” aqui, no soundcloud do Crush em Hi-Fi:

Dom Pescoço destila sua “tropsicodelia” no clipe de “Cuba Corazón”, música de seu primeiro EP

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Surgida em na zona rural da cidade de São José dos Campos, em São Paulo, a Dom Pescoço junta rock, MPB, samba rock, suíngue e psicodelia com tropicalismo e ritmos latinos e brasileiros. A essa mistura de elementos o grupo deu o nome de Tropsicodelia. “É tudo plural, misturado e indefinido. Poderia dizer que é apenas música brasileira, mas está aberto para a imaginação das pessoas criar o que seria tropsicodelia, pode ser muitas coisas, basta sonhar”, explicam (ou complicam, como você preferir).

Este ano, a banda se destacou com o clipe de “Cuba Corazón”, fruto do projeto “Cine Bandas”, idealizado pela fotógrafa Leticia Kamada e pelo produtor Julio Rhazec. O videoclipe brinca com a identidade de gênero e as nuances femininas no gênero masculino. A música vem do primeiro EP do grupo, auto-intitulado, lançado em 2014.

Conversei com Dom de Oliveira sobre a carreira do grupo, o clipe de “Cuba Corazón” e a definição de Tropsicodelia:

 

– Como a banda surgiu?
Eu (Dom de Oliveira), o Rafael Pessoto e o Luiz Felipe Passarinho acabamos formando um núcleo musical na zona rural de São José dos Campos, onde o Passarinho morava. Lá havia muitas festas, com vários outros amigos e amigas. Formamos um núcleo musical neste período que se dissolveu logo depois. Da formação original sobrou mesmo nós três, convidamos o Gabriel Sielawa (cavaco) e o Miguel Nador (voz) e esta é a nossa formação atual desde junho de 2014. Criamos muitos arranjos neste primeiro núcleo musical, a base de algumas músicas nossos atuais. Cada um trouxe um pouco de sua história, a minha e do Passarinho tem muito de música brasileira e nordestina. As composições compostas por mim nasceram quase que psicografadas, de supetão. Outras o Gabriel Sielawa trouxe do rolês deles com a galera, outras criamos em conjuntos, dentro dos ensaios.

– Porque o nome Dom Pescoço?
Ninguém sabe direito, hoje a gente tenta entender e contextualizar. Dom Pescoço acabou virando um personagem, assim como Dom Quixote, Don Juan, etc… No nosso caso é um caboclo “carne de pescoço”, daqueles sertanejos duros de cair, resistentes e que com o pouco que consegue da vida faz arte e bota quente nas ”pedradas”. A história desse Seu Dom Pescoço é algo assim.

Dom Pescoço - Foto por Mariá Melo

– Quais são as principais influências musicais da banda?
A minha particularmente são muitas, impossível de listar aqui. Em sua maioria música brasileira. Minha playlist fica no aleatório. É muita coisa, desde anos 30 até as atuais. Muita psicodelia e música brasileira. Eu poderia listar, mas não representaria o mundo de coisas que ouço.

– Me fale um pouco mais sobre o clipe de  “Cuba Corazón”, que fez barulho nas redes sociais.
A produção do trabalho foi fruto do projeto “Cine Bandas”, idealizado pela fotógrafa Leticia Kamada, pelo produtor Julio Rhazec, Grupo Maxado (audiovisual), filmado no Espaço Cultural Cine Santana e realizado pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, todos de São José dos Campos – SP. O videoclipe busca explorar as nuances, a importância e a expressão do feminino que habita o masculino. A banda é ao mesmo tempo expectadora e provocadora das emoções reveladas pelas movimentações espontâneas e outras coreografadas proposta por um bailarino. O vídeo se desenvolve a partir de uma crescente exposição. A principio exploram-se os planos detalhes, exibindo cores, texturas e nuances do corpo em movimento, dos personagens e da relação entre eles. No decorrer, a sensualidade, as formas e a intensidade da performance e da observação é expandida, contextualizando a organização musical em circulo, o corpo que dança no centro e, ao final, o rosto do bailarino. Ele acaba de entrar na Programação do Festival de Audiovisual de Belém, passamos em nosso primeiro Festival.

– O clipe brinca um pouco com a questão da identidade de gênero. Qual a opinião de vocês sobre isso?
É um assunto que não deveria ser polêmico. Trata das formas comuns, normais e naturais de ser humano. Nossas diferenças nos unem como espécie. São elas que nos fazem evoluir. Uma espécie parada, imutada, tende a se extinguir.

– Quais são as melhores e piores coisas de ser uma banda independente?
Melhor: Fazer o que bem entender com sua carreira e arte.
Pior: Não ter grana para fazer o que bem entender com sua carreira e arte.

rsz_dom_pescoço_-_foto_por_jaíne_lima

– Vocês definem o som da banda como “Tropsicodelia”. Podem explicar com mais detalhes?
A graça é abrir essa percepção musical do que é ou não é, pois não há nada fechado, nem definido. É tudo plural, misturado e indefinido. Poderia dizer que é apenas música brasileira, mas está aberto para a imaginação das pessoas criar o que seria tropsicodelia, pode ser muitas coisas, basta sonhar. Eu poderia dizer que é uma mistura de ritmos e trejeitos brasileiros e latinos de se fazer música, que são um tanto de coisas juntas e assim difíceis de definir. A gente inventou um nome aí, por que a gente não sabe definir esta parada que fazemos, além de dizer que é música brasileira mundial. Tropsicodelia é justamente esta indefinição do som que fazemos: não é samba, mas tem samba; não é rock, mas tem rock; não é cumbia, mas tem cumbia; é multiétnica, mas não só; é lúdica, mas não só. É uma paradinha diversificada ae.

– Quais são os próximos passos da Dom Pescoço?
Shows, discos, novas composições e histórias a serem compartilhadas com vocês. Tudo pode ser acompanhado em nossas redes sociais. www.facebook.com/dompescoco

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Banda Homens de Melo, Coletivo Estoril e Salve as Kamadas Líricas são três bandas que a gente curte muito e são totalmente independentes, amigas de rolê.

Duo de Curitiba Subburbia prepara novo disco com som “gótico tropical”/”hip hop noize com drogas”

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Subburbia

“Muito pesado para as pistas de dança, muito eletrônico para os xiitas do rock, muito agressivo para os neohippies, muito performático para os shoegazers…” É, é meio complicado definir o duo curitibano formado por EmilMarina Polly.

Misturando rock, música eletrônica, hip hop, shoegaze e o que mais lhes der na telha, o Subburbia surgiu em 2008 e está atualmente trabalhando no sucessor do EP “Pentagrama”, lançado em 2011. A banda já possui no Youtube alguns vídeos de músicas que devem aparecer no próximo trabalho, como “MaLIFE” e a “Purple Weed”, todos editados inteiramente pela própria Marina. “Os primeiros videos que fizemos com outras pessoas não me deixavam 100% satisfeita, além de não termos dinheiro pra pagar alguém pra fazer, a galera que faz de graça geralmente demora uma eternidade (risos), aí peguei meu notebook e botei brasa na parada. Hoje viciei em fazer e já fiz pra outras pessoas até! Tem video pro Adriano Cintra, pro Boogarins, pra californiana The Blank Tapes…”, explica. Você pode conferir o som do Subburbia ao vivo em SP a partir das 22h de amanhã, 19/11, no Neu Club, onde eles abrirão para Colleen Green em sua primeira turnê pelo Brasil.

Conversei com Marina sobre a carreira da banda, seu som difícil de definir, o próximo disco e os vídeos lisérgicos e viajandões do Subburbia:

Quando a banda começou?

– Cara, a banda começou em 2008, acho… eu entrei na banda em 2011, tocando guitarra e cantando. A banda é do Emil, hoje somos só nós dois.

– E porque reduzir a banda a um duo?

Foi acontecendo… É difícil a galera poder se dedicar à uma banda, porque ocupa muito tempo. Aí sobrou só nós dois, mas isso nos levou a sermos o que somos hoje, algo mais eletrônico por causa da bateria eletrônica, algo que eu gosto mais! (risos)

Subburbia

– Como você definiria o som da banda?

(Risos) Putz, deixa eu pensar… Hum, algo tipo gótico tropical, hip hop com noize com drogas com pop com um toque assustador.

– Quais as suas maiores influências musicais?

Eu queria ser uma mistura de Gwen Stefani com PJ Harvey, mas também me influencio muito por Björk, Mariah Carey, Moby, Thom Yorke e vários outros lokões…

– Como é ser uma banda independente no Brasil hoje em dia? Quais são os prós e contras de ser independente?

Ser independente é fazer tudo por si, acho essa a parte mais difícil, porque eu até consigo fazer tudo, mas eu queria fazer MAIS! No Brasil o mais dificil é marcar show e receber algum dinheiro com isso, acho que sempre foi assim… Depende de você saber chegar nas pessoas, produzir material interessante e divulgar muito. Sempre tento ver o lado bom e no independente pelo menos você é LIVRE!

– De onde surgi o nome Subburbia?

Além do Emil ter crescido no subúrbio, ele também curte muito o Pet Shop Boys, donos da música chamada “Suburbia”.

– Me fala um pouco sobre o material que vocês já lançaram.

A gente lançou o EP “Pentagrama” em 2011 e vários singles e covers em vídeo. Estamos preparando agora uma mixtape chamada “Luv Exorcism”, alguns singles dessa mixtape já saíram, a “MaLIFE” e a “Purple Weed”. (~Uma pulguinha me contou~ que semana que vem sai mais um vídeo!)

– Aliás, falando em vídeos… Você que edita, na maioria das vezes, né? Me fala mais sobre eles!

Eu faço -todos- os vídeos. desde a ideia crua, até a filmagem e edição. Às vezes chamo uns bróders pra me filmarem. Os primeiros videos que fizemos com outras pessoas não me deixavam 100% satisfeita, além de não termos dinheiro pra pagar alguém pra fazer, a galera que faz de graça geralmente demora uma eternidade (risos), aí peguei meu notebook e botei brasa na parada. Hoje viciei em fazer e já fiz pra outras pessoas até! Tem video pro Adriano Cintra, pro Boogarins, pra californiana The Blank Tapes… A galera tem me pedido bastante mas n consigo fazer tantos assim porque tenho que fazer os do Subburbia também, fora toda a imagem visual do Subburbia e do meu selo de fita cassetes Terry Crew onde faço as fitas e às vezes a arte das capas também.

– O que você acha da cena autoral independente hoje no Brasil? Há maneiras de renovar o cenário musical brasileiro que chega à mídia?

Eu vejo que a cena sempre se renova, e acho que tem crescido bastante no underground, tenho visto bastante galera novinha fazendo som em casa, acho isso demais! A internet é o elo principal pra ficar conhecendo toda essa galera. Já a musica de mídia é mais seleta, você tem que estar numa gravadora ou associado a alguém grande aqui no Brasil. Acho que bandas menores tem pouca vez, mas a saída é aquilo que eu falei, tem que correr atrás, ter material interessante, acho que é pra poucos que as coisas caem do céu…

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Do Brasil eu piro no Leo Justi, Jaloo, Tigre Dente de Sabre, Test, Adriano Cintra, Kid From Amazon, Arth.exe, Terrorism, Brvxo Adolescente, Aldo, MC Bin Laden, MC Mayara e na MC Carol muito! (Risos) Ah, descobri esse tempos o Lê Almeida, do Rio de Janeiro, que é beeem daora! Fiquei tentando lembrar mais, tem muitos!

List-O-Mania #4 – As 4 canções mais dramáticas da carreira solo de Morrissey

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List-O-Mania, por Daniel Feltrin

Está para acontecer. Depois de muita especulação e cancelamentos haverá mais uma rodada de show do Morrissey no Brasil. O cantor de Manchester chega ao Brasil aos 56 anos com uma carreira consolidada tanto na sua ex-banda, os Smiths, como em sua carreira solo e canta hoje e sábado em São Paulo, na próxima quarta no Rio e em Brasília dois dias depois. Cantando melodias inteligentes com sua voz de barítono, aliadas a danças frenéticas recheadas de trejeitos, além do famigerado humor inglês tão mordaz quanto direto, Moz é conhecido pelas letras dramáticas, supostamente autobiográficas.

Da época dos Smiths temos maravilhas como “Bigmouth Strikes Again”, sobre alguém que fala demais e acaba sempre pagando por isso culminando no sentimento melodramático de saber “como Joana D’Arc se sentiu quando as chamas subiram até seu nariz romano e seu walk-man começou a derreter”; ou a deliciosa “Stop Me If You Think That You Heard This One Before”, em que o eu-lírico de Moz diz que “nada mudou, ainda te amo, apenas um pouco, só um pouquinho menos do que eu costumava, meu amor…”.

Em sua carreira solo Morrissey também não perdoa e temos músicas como “Irish Blood, English Heart” que invoca a tradição rebelde irlandesa e toda verve antimonárquica de Moz tão bem conhecida desde os tempos de “The Queen is Dead”. Porém, uma das coisas que mais me chama a atenção na carreira solo do ex-Smiths é a dramaticidade progressiva dos nomes de seus discos: “Bona Drag”, “Your Arsenal”, “Ringleader of the Tormentors” e “Year of Refusal”, etc. que parecem reafirmar que ele só melhora com a idade.

É interessante pensar que apesar de a letra de “Suedehead” gritar a plenos pulmões “I’m so sorry”, Moz não parece querer diminuir a dramaticidade charmosa de suas canções que produz refrões deliciosos. Para a gente se preparar para os shows, aqui vão 4 delas:

  • “The First Of The Gang To Die”. Essa é a história de Hector, provavelmente um marginal das ruas que foi o primeiro da turma do jovem Morrisey a ser preso, a ter uma arma e a morrer tragicamente. O narrador o trata como um herói, que roubou o coração de todos com seu estilo de Robin Hood blasé. Hector tbm é Heitor o primogênito de Troia morto por Aquiles antes dos Gregos (a cultura dominante) destruírem Troia (a cultura assimilada). Como num filme da nouvelle vague misturada às tradições de narrativas orais irlandesas, Moz canta sobre a vida de Hector sobre o ritmo de uma batida envolvente em que aborda os temas comuns de sua obra em que discute a paixão inevitável por figuras carismáticas e cinematográficas e sua mordaz crítica de quem conhece na pele os estratos da sociedade inglesa. Vindo de uma cidade como Manchester, industrial e com suas camadas sociais impostas pelo status quo britânico tão certo de si mesmo que chega a ser opressor só pela polidez, Morrissey conhece os tipos e os “marginais” heroicos tão tradição romântica da qual bebe fundo. Em sua Autobiografia (que dramaticamente exigiu que fosse publicada pela Penguin Classics, divisão da famosa editora que apenas publica autores mortos como seu “beloved Wilde“) o cantor relembra com a dramaticidade necessária as ruas e as pessoas dessa cidade tão emblemática.

  • “Alma Matters”. Morrissey é o rei do duplo sentido. Típico da poesia inglesa o simbolismo é muito importante para Moz, sempre dono de uma sexualidade polemicamente não definida. A sexualidade e o amor, o corpo e o espírito são o tema de Alma Matters. Ironicamente brincando com o academicismo que Alma Mater sugere (além das milhões de associações freudianas possíveis), Moz bate na hiporcrisia puritana da sociedade que o define como algum tipo de estereótipo sexual desde que apareceu no cenário musical desfilando canções tão enigmáticas sobre a sua sexualidade quanto sinceras ao expressar que de fato, isso não importa. A letra enfatiza a importância do espírito e inexorável inseparabilidade deste com o corpo. De forma elegante, Moz é direto no verso dizendo que a vida que escolheu é apenas dele para arruinar da forma que quiser, até porque “para alguém, em algum lugar” a “alma matters (alma importa)” na mente, no corpo e na alma “in part and in whole (na parte e no todo)” deliciosamente metaforizando ena própria estrutura e dinâmica letra/música da canção o conceito de forma e conteúdo. E é claro que o fato de a palavra whole ser homófona de hole não é mera coincidência.

  • “You Have Killed Me”. Que Morrissey ama cinema europeu do século XX não é segredo para ninguém, mas nesta canção ele atinge o ápice da dramaticidade. Com refrão grudento e um riff inteligente que lembra as melhores canções de britpop, You have killed me fala sobre um relacionamento desigual entre as partes. Na letra, Morrissey compara filmes italianos e seus personagens para definir os envolvidos. Na primeira estrofe ele se autoproclama Pasolini e nomeia o interlocutor de Acattone, o primeiro filme do diretor italiano e a sua transição da literatura para o cinema, talvez sugerindo uma experiência amorosa inédita ou um primeiro amor. O cunho sexual, mas também espiritual (não podemos abandonar os duplos sentidos de que falamos na canção anterior) é enfatizado no verso “Eu não entrei em nada, e nada entrou em mim, até que você veio com a chave” assim como a sugestão de uma primeira experiência da qual a pessoa envolvida não é ou não fez o suficiente e, apesar de ter “feito seu melhor”. Assim como garante o refrão contagiante,  essa pessoa deixou Moz tão mal que a sensação é de ter morrido em vida a tal ponto de ele se ver representado na Piazza Cavour perguntando a si mesmo de que serve sua vida, o que talvez uma referência ao filme La Luna de Bertolucci cujo protagonista, um jovem filho de mãe solteira busca suas raízes numa figura paternal, e uma das cenas de estranhamento se passa num cinema desta praça em Roma. No entanto, a segunda estrofe é a que acho mais interessante. Nela Morrissey se compara a Visconti, porém a seu interlocutor é recusado o papel de Anna Magnani, a esposa do diretor que tanto representou o papel da mulher comum que sempre se sacrifica pela família, algo tão presente em culturas católicas. Essa estrofe me faz pensar que Morrissey está se referindo a relacionamentos entre pessoas de modo geral suas primeiras experiências e os traumas provenientes destas que nos “matam” pouco a pouco e não há nada a se fazer a não ser filmes italianos ou canções dramáticas, ou como o próprio protagonista diz: “Não tem sentido em dizer isso de novo, mas eu lhe perdoo, sempre lhe perdoo.”

  • “Everyday is like Sunday”. Essa balada é uma das mais conhecidas de Moz. É impossível não cantar o refrão a plenos pulmões. Fala sobre o tédio engatilhado por um domingo qualquer numa cidade de interior cheia de história como as pessoas que vagam sobre ela, mesmo que estas não signifiquem nada, apenas lembranças, afinal como diz o narrador a cidade “se esqueceu de fechar” e morrer, assim como quem canta essa canção. A depressão que causa o tédio e a ansiedade em Morrissey não é menos dramática no seu pedido pré-refrão: “Venha Armaggedon” canta o narrador, como se implorasse por algo mais significativo que um simples domingo que quando menos se espera se torna todo dia. Parece uma balada comum, mas a dramaticidade se torna tão imensa se pensarmos que é tão real para tanta gente. Morrissey é simples e direto da forma que só ele sabe ser, sem precisar de grandes referências ou truques como nas canções acima, deixa na boca um gosto melancólico de – para usar uma linguagem internética, tentando (e falhando) uma ironia Morisseyana – #dramasreais.

“Pra quem sobreviveu à fome e balas perdidas, encarar o Twitter é mole”, diz o rapper Flávio Renegado

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Flávio Renegado

“Basta de tempo ruim e clima fechado, tá brutal / Século XXI, racismo, ultravírus na rede social / Insultos mil: tição, macaco, criolo, complete a lista / Enquanto a KKK bate panela na Paulista”. Foi com versos como este, sem anestesia, que Flávio Renegado se apresentou no Criança Esperança, da Rede Globo, em outubro deste ano. A emissora, é claro, não ficou muito contente, já que é uma das apoiadoras dos que fazem uma verdadeira Timbalada de panelas toda vez que Dilma Roussef aparece na TV, ignorando os escândalos de outros partidos. A ala reacionária e conservadora da internet também não gostou, criticando e falando no clássico e sem sentido “racismo inverso”. E isso é ótimo. Significa que os versos do rapper atingiram exatamente quem deveriam.

O rapper mineiro atualmente trabalha seu recém-lançado EP “Relatos de um Conflito Particular”, que conta com sete faixas que mostram, além do rap, influências de reggae e funk, além de participações especiais de Alexandre Carlo, do Natiruts, e Samuel Rosa, do Skank. Em 2008, Renegado lançou o disco de estreia “Do Oiapoque a Nova York”, fazendo shows na Europa, Oceania e todas as Américas. O disco seguinte, “Minha Tribo é o Mundo” (2011), o levou a tocar em festivais como o Back2Black e o Rock in Rio, colaborando para o lançamento do CD e DVD “Suave ao Vivo” (2014), que contou com direção musical de Liminha e Kassin.

Conversei com Renegado sobre o novo EP, sua carreira e a cutucada na Rede Globo durante o Criança Esperança:

– Você participou do Criança Esperança, na Globo, e fez um verso que vai totalmente contra a ideologia da emissora, cutucando-a ao vivo. Como foi isso?

Fiz o que é o meu som e falei o que a minha música fala. Sou assim.

– Você sofreu algum tipo de crítica com isso?

Quem acompanhou o caso pelas redes viu as críticas e o nível dos comentários. Mas pra quem sobreviveu à fome e às balas perdidas, encarar o Twitter é mole.

– A música foi criada especialmente para a ocasião?

Sim.

– Me fale mais sobre “Relatos de um Conflito Particular”, seu novo EP.

Concebi este trabalho como um grito de alerta. A humanidade está dando passos rumo ao abismo e estamos apáticos. Não podemos achar normal a série de absurdos que estamos assistindo. São pessoas sendo julgadas e executadas por causa da cor da sua pele ou classe social e há uma crescente violência contra as mulheres e homossexuais, isso sem falar dos desvios de verba e crimes políticos. Considero “Os Relatos” uma carta de socorro dos humanos para a humanidade pois a situação é emergencial.

– A faixa “Rotina” conta com Samuel Rosa, do Skank. Como rolou essa parceria?

Somos amigos e estamos desenhando essa parceria há algum tempo. Rolou o protesto certo na hora certa, é muita felicidade no som.

– Quais as suas expectativas?

Estamos em fase de montagem do show e da turnê. Estou muito feliz porque está ficando afinado com a proposta do disco, música e visual. Quem acompanha o trabalho vai curtir a evolução.

– Quais são suas principais influências musicais?

Gosto da diversidade e minhas influências passam por vários lugares: James Brown, Bob Marley, Jorge Ben, João Gilberto, Planet Hemp, Chico Science e Nação Zumbi, Racionais e Public Enemy.

Flávio Renegado

– Como você começou sua carreira?

Comecei a cantar rap moleque no Alto Vera Cruz, tinha uns 15 anos. Mas considero o start da minha carreira quando lancei meu primeiro álbum o “Do Oiapoque a Nova York” em 2008.

– Você veio de BH. A cena do hip hop é forte em Minas Gerais?

Sim e está cada vez mais estruturada. A produção está em uma crescente e vemos uma nova geração super talentosa surgindo.

– Normalmente as pessoas polarizam o rap entre Rio e SP, criando inclusive uma rixa entre as cenas…

Man, eu transito bem pelas duas praças e acho que esse papo já ficou no passado. O rap é grande e somos uma família.

Flávio Renegado

– Você está construindo uma ONG no Alto de Vera Cruz. Me fala mais disso!

Estamos a todo vapor na estruturação dessa nova empreitada. Em breve vou poder contar mais detalhes.

– Recomende alguns artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Tenho escutado muito 3030, Haikaiss, Felipe Ret. Em BH particularmente descobri uma galera nova bem legal, Zarastrutas, vale a pena dar um check.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo cantor Jéf, vencedor do Breakout Brasil

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Jéf

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer.

Hoje o top 5 foi escolhido pelo Jéf, cantor e compositor que acaba de lançar seu clipe para “Quando Você Voltar”, de seu primeiro disco. Ele é o grande vencedor do reality show focado em música autoral Breakout Brasil, do Canal Sony, e lançou em 2015 o álbum “Interior”, com produção de Lucas Silveira, jurado do programa e líder da Fresno:

La Guacha“Tanta”

“Cara, eu adoro essa música. É feliz, dá vontade de dançar. É impossível não mexer o ombro com esse refrão.
Não sei muito sobre a banda, mas adoro essa música”.

María Colores“Llamadas Perdidas”

María é a Regina Spektor do Chile. Conheci a pouco tempo e adorei o disco dela”.

Frank Jorge“Vida de Verdade”

“O Frank é um dos meus compositores favoritos aqui no Sul. É um cara com um coração fantástico, amigo, gênio.
Adoro os discos dele”.

Pullovers“1932 (C.P.)”

“Conheci Pullovers quando já tinha acabado. Não sei muito sobre eles por preguiça de ir atrás, mas gosto muito desse disco deles”.

Figueiredo “Dança da Entrega”

“César é um menino lá de Tubarão – SC. Fiquei amigo dele através de um artista que admiramos em comum. Logo gostei do trabalho dele. Acho que todo mundo deveria ouvir o que ele tem pra dizer”.