25 grandes bandas e artistas fictícios que só existiram na TV e cinema (e seus maiores hits)

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Spinal Tap

Às vezes, a gente assiste um filme ou série de TV e acaba ficando com a música grudada na cabeça. Normalmente a música é de uma banda famosa e acabou entrando na trilha sonora, mas em muitas vezes a musiquinhas chicletuda que gruda no cérebro vem de uma banda totalmente nova, fictícia, que existe somente no mundo do cinema ou da TV. Ou vai me dizer que você nunca cantarolou “That Thing You Do”? Aqui, uma lista de 25 das mais incríveis bandas que já passaram pelo cinema e TV (e só existiram por lá):

Biro Biro (Castelo Rá-Tim-Bum)
Hit: “Meu Nome É Biro Biro”

Se você viveu os anos 90 com a fuça grudada na TV Cultura, talvez se lembre do jovem que era sensação no Castelo: Biro Biro. Com seu refrão chiclete “eta, eta/já larguei chupeta”, o rapazote conquistou o coração (e os ouvidos) de Nino, Pedro, Biba e Zequinha. Cuidado: a música gruda tanto na cabeça quanto comercial de TV.

School Of Rock (School Of Rock)
Hit: “School Of Rock”

Jack Black faz papel de Jack Black como Dewey Finn, um cara que se infiltra como professor substituto em uma escola, descobre que a criançada manda bem pra caralho musicalmente e resolve inscrevê-las em uma batalha de bandas com a música que o jovem guitarrista Zack compôs. Ficam em segundo lugar, mas a música é incrível:

The Beets (Doug)
Hit: “Mingau Matador” (ou “Killer Tofu”)

Mais uma pra quem era viciado na TV Cultura dos 90s: Os Beets! Uma paródia dos Beatles (só no nome), a banda preferida de Doug Funnie tocava o grande sucesso “Mingau Matador” (“Killer Tofu” no original, acho que os dubladores não acreditavam na penetração da soja no gosto nacional) e o lado B (para os hipsters da Nickelodeon“I Need More Allowance”.

Também Sou Hype (Hermes e Renato)
Hit: “Bichinho de Matar Com Pedra”

O Hermes e Renato é genial na hora de criar bandas fictícias. Temos o Massacration, o Emofrodita, o axé Axêgo e tantas outras. Eu escolhi o Também Sou Hype pois é uma das melhores paródias do overrated (eu acho, tô nem aí) sucesso do Cansei de Ser Sexy no começo dos anos 2000. Além de grudar na cabeça tanto quanto (ou até mais) do que as músicas dos parodiados.

Weird Sisters (Harry Potter)
Hit: “Do The Hypogriff”

O filme “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” trouxe a cena com a apresentação da banda Weird Sisters. Praticamente um supergrupo indie em um filme mágico: Jarvis Cocker (do Pulp) como Myron Wagtail nos vocais, Jonny Greenwood (do Radiohead) como Kirley Duke na guitarra, Jason Buckle (do All Seeing I) como Heathcote Barbary, também na guitarra, Steve Mackey (do Pulp) como Donaghan Tremlett, no baixo, Steven Claydon (do Add N to (X)) como Gideon Crumb, nos teclados e gaita de fole, e Phil Selway (do Radiohead) como Orsino Thruston na bateria!

Stillwater (Quase Famosos)
Hit: “Fever Dog”

A mais bela mistura de Led Zeppelin com Deep Purple, The Who e tudo que é banda setentista que você pode imaginar, só que com Jason Lee nos vocais. O single principal da banda, “Fever Dog” não faria feio dentro do “Led Zeppelin IV”, por exemplo.

Big Bad Boys (Mundo da Lua)
Hit: “Somos os Big Bad Boys”

Tá, é a última banda de TV Cultura que coloco aqui. Mas, provavelmente é a mais divertida até agora: uma boy band de raiz, já que é realmente formada por ~boys~ de até 13 anos no máximo, entre eles um Caio Blat minúsculo. A letra do hit “Somos Os Big Bad Boys” é algo como “Tremendo”, do grupo Tremendo: um refrão chiclete e os membros se apresentando:

Bad Blake (Coração Louco)
Hit: “The Weary Kind”

Sim, Jeff Bridges ainda está a cara de Dude Lebowski neste filme. Porém, aqui ele é Bad Blake, um cantor country lutando contra seus demônios e destilando grandes e lindas canções de amargura. Como “The Weary Kind”:

Dewey Cox (Walk Hard)
Hit: “Let’s Duet”

A paródia de “Walk The Line”, biografia de Johnny Cash, traz John C. Reilly como Dewey Cox, uma versão bizarra de Cash que canta músicas cheias de trocadilhos e em sua velhice, ganha um sample da palavra “hard” em um rap. Aqui, ele canta com sua ~June~ o trocadilho infame “Let’s Duet”:

Figrin D’an and the Modal Nodes (Star Wars)
Hit: “Cantina Band #1”

A banda mais famosa de uma galáxia muito, muito distante. Também conhecida como The Cantina Band, o grupo de Figrin D’an toca sempre em um boteco barra pesada em Mos Eisley. Um lugar onde qualquer treta pode te deixar maneta e onde Harrison Ford sempre atira primeiro… com uma trilha bem animadinha:

The Blues Brothers (The Blues Brothers)
Hit: “Shake A Tailfeather”

A dupla de R&B formada por John Belushi e Dan Aykroyd para o Saturday Night Live foi o primeiro quadro do famosos programa de humor a ganhar um filme. E cara, como fez sucesso. Aqui, você confere a duplinha de “Irmãos Cara de Pau” com o mestre Ray Charles tocando “Shake A Tail Feather”:

Vagabanda (Malhação)
Hit: “Por Mais Que Eu Tente”

Tá, esse é um ponto baixo da lista, mas eu precisava citar: a novelinha mais longa de todos os tempos (pelo menos no Brasil) teve uma temporada onde formavam uma bandinha, com Marjorie Estiano liderando. O nome (horrível) escolhido foi Vagabanda, que fez relativo sucesso, já que uma das músicas entrou na trilha da novela (e até nas rádios):

Sex Bob-Omb (Scott Pilgrim Contra o Mundo)
Hit: “Garbage Truck”

Compostas por Beck, as músicas do Sex Bob-Omb de Scott Pilgrim (Michael Cera) são cheias de energia noventista e barulho a dar com pau. Acho que é o mínimo que se espera de trilha para derrotar sete ex-namorados demoníacos.

Spinal Tap (Spinal Tap)
Hit: “Tonight I’m Gonna Rock You Tonight”

É lógico que nenhuma lista de bandas de filmes pode deixar de fora o grande Spinal Tap. Banda que parodia o N.W.O.B.H.M. e apareceu primeiro no programa The T.V. Show e depois no filme “This Is Spinal Tap”, um mockumentary de Rob Reiner que para muitos é o melhor filme de rock de todos os tempos!

Heavy Trap’s (Os Trapalhões No Reino da Fantasia)
Hit: “Hoje Não É Meu Dia de Sorte”

No filme “Os Trapalhões No Reino da Fantasia”, Didi, Dedé, Mussum e Zacarias fizeram sua versão “roqueira”, com o tímido Zacarias encarnando uma versão mineira de Brian Johnson, do AC/DC, para cantar “Hoje Não É Meu Dia de Sorte”:

Wyld Stallyns (Bill and Ted’s Excellent Adventure)
Hit: “Be Excellent to Each Other”

A dupla Bill S. Preston (Alex Winter) e Ted Theodore Logan (Keanu Reeves) viajou pelo tempo para salvar o mundo. Mas o mais importante para a lista é que eles são fãs de heavy metal e formam a banda Wyld Stallyns (dublado, virou “Metaleiros da Pesada”, se não me engano). Em um dos filmes, a faixa do Kiss “God Gave Rock and Roll to You” é atribuída a eles. Mas aqui, você ouve a clássica “Be Excellent To Each Other”:

Sadgasm (The Simpsons)
Hit: “Margerine”

Tá, se eu fosse reunir todas as bandas e artistas que Os Simpsons já criaram em sua longa vida, daria uma lista só deles. Apesar de amar Os Bem Afinados (The Be Sharps), o “Beatles” de Homer, escolhi o Sadgasm, a incursão de Homer Simpson pelo grunge. Ele emula um Kurt Cobain deprê, mostrando até uma seringa descendo pela privada:

Dr. Teeth and the Electric Mayhem (The Muppet Show)
Hit: “Love Ya to Death”

Como esquecer da banda dos Muppets, que tem uma mistura de Keith Moon, John Bonham e bichinho de pelúcia, o Animal, descendo a mão na bateria? A banda setentista/hard/psicodélica/roqueirona sempre acompanhou os Muppets, e está na ativa na nova série dos bonecos, que está no ar no Canal Sony:

Jesse and The Rippers (Full House)
Hit: “Forever”

Se você assistia a série da família gigantesca com três crianças e tantos momentos “fofos”, deve lembrar do Tio Jesse Katsopolis, viciado em Elvis Presley, e sua banda The Rippers. Pois é, eles gravam uma canção chamada “Forever”, que na verdade é dos Beach Boys (saiu no disco “Sunflower”, de 1970). Mas você vai lembrar mesmo é do John Stamos:

Phoebe Buffay (Friends)
Hit: “Smelly Cat”

Uma das séries de maior sucesso tinha em seu elenco principal a ~música~ Phoebe Buffay, que tocava um violão sofrível em músicas divertidas como “Crazy Underwear”, “Jingle Bitch” e “Sticky Shoes” e seu hit mais famoso “Smelly Cat”, que ganhou até um clipe superproduzido no maior estilo anos 90 de ser:

The Chipmunks (Alvin and The Chipmunks)
Hit: “The Chipmunk Song (Christmas Don’t Be Late)”

Criados em 1958 pelo verdadeiro Dave Seville, Ross Bagdasarian, Sr., os Chipmunks nada mais eram do que vozes adulteradas. Com o sucesso da fofa canção de Natal “The Chipmunk Song”, eles viraram desenho animado, revistas e até uma série de filmes. Ah, e Alvin foi o precursor do Bart Simpson way of life, devemos dizer:

Steel Dragon (Rockstar)
Hit: “We All Die Young”

O filme que é quase uma cinebiografia disfarçada de Ripper Owens, o vocalista de banda cover que substituiu Rob Halford no Judas Priest. Sua trilha tem sons da banda fictícia Steel Dragon, formada por um supergrupo do metal: Jason Bonham na bateria, Jeff Pilson no baixo e Zakk Wylde na guitarra!

The Archies (Archie)
Hit: “Sugar Sugar”

Aqui eles não fizeram tanto sucesso, mas nos EUA, as revistinhas do Archie são quase como a nossa Turma da Mônica. E foi a versão animada do The Archies que lançou o hit “Sugar Sugar”, que chegou até a ser tema de novela aqui no Brasil:

Josie and The Pussycats (Josie and The Pussycats)
Hit: “Josie and The Pussycats”

O trio de garotas roqueiras fez muito sucesso com seu desenho da Hanna Barbera lá nos anos 60. O filme baseado no desenho também merece uma menção: fala sobre a indústria da música, mensagens subliminares e conta com Kay Hanley, da banda Letters to Cleo, como a voz de Josie nas músicas.

The Oneders (The Wonders)
Hit: “That Thing You Do!”

Esse aqui é sem dúvidas o maior hit de uma banda que só existiu nos filmes. “That Thing You Do” fez muito sucesso e toca até hoje em rádios, festas, baladas e tudo que é lugar. Pois é, o filme sobre uma banda one hit wonder quebrou a quarta parede e criou um one hit wonder de verdade!

Lógico que faltaram MILHÕES de bandas ficcionais dignas de nota. Para suprir essa falta, uma pequena homenagem às melhores e piores bandas, cantores, músicos e artistas que já passaram pela telinha e telona:

Contém:

01 The Lone Rangers (Airheads)
02 Dewey Cox (Walk Hard: The Dewey Cox Story)
03 Spinal Tap (This is Spinal Tap)
04 The Pinheads (Back to the Future)
05 Weird Sisters (Harry Potter and the Goblet of Fire)
06 Max Frost + the Troopers (Wild In the Streets)
07 The Blues Brothers (The Blues Brothers)
08 The Soggy Bottom Boys (O Brother, Where Art Thou?)
09 The Swanky Modes (Tapeheads)
10 Marvin Berry + the Starlighters (Back to the Future)
11 Figrin D’an and the Modal Nodes (Star Wars)
12 The Wonders (That Thing You Do!)
13 The Folksmen (A Mighty Wind)
14 The New Main Street Singers (A Mighty Wind)
15 Mitch & Mickey (A Mighty Wind)
16 Three Times One Minus One (Run, Ronnie, Run)
17 2GE+HER (2GE+HER: The Original Movie)
18 Diva Plavalaguna (The Fifth Element)
19 Laura Charles (The Last Dragon)
20 Cassandra and Crucial Taunt (Wayne’s World)
21 Dr. Teeth and the Electric Mayhem (The Muppet Movie)
22 Josie & The Pussycats (Josie & The Pussycats)
23 Wyld Stallyns (Bill & Ted’s Excellent Adventure/Bogus Journey)

 

Garimpo Sonoro #4 – 6 percussionistas que tocam violão (ou vice-versa)

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Paolo Angeli

Uma informação nerd-musical: você sabia que o piano é considerado um instrumento de percussão? Ele foi rotulado dessa maneira porque não há um contato direto do pianista com as cordas – o músico “apenas” aperta uma tecla que bate numa porção de cordas. E o Garimpo Sonoro dessa semana é mais ou menos sobre isso: músicos que usam o violão como instrumento de percussão (parcial ou integralmente).

1) Raul Midon: podemos chamar Midon de um multinstrumentista de um instrumento só, por tudo o quê ele faz com apenas um violão (isso sem contar a emulação de trompete da voz, mas isso é outra história).

2) Kaki King: nos mesmos moldes de Midon, mas com um grau de dificuldade (e introspecção) um pouco maior.

3) Sam Westphalen: tentando ser um 3-em-1, Sam adaptou algumas músicas do metal, como essa do Slayer, para um único violão. O resultado é criativo, apesar de soar meio vergonha-alheia.

4) Andy McKee: este talvez tenha sido um dos primeiros com quem me deparei. Andy explora as diversas sonoridades percussivas com um arranjo muito bem harmonioso. Como se somássemos Kaki com Sam.

5) The Wood Brothers: neste trio, o único não-Wood, Jano Rix, usa um violão como seu único instrumento de percussão, sem muito hibridismo, criando uma espécie exótica de washboard.

6) Paolo Angeli: este é o mais bizonho de todos listados aqui. Paolo montou um complexo instrumento que além de ser vários em um, também possui uma vida própria, mesmo que robótica.

Conhece mais algum ~violopercussionista~? Manda pra cá!

Aletrix prepara segundo disco com letras zombando de racistas, machistas e homofóbicos

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Aletrix

Certo dia, chega à minha casa um grande envelope com alguns desenhos esquizofrênico com letras garrafais que diziam “Aletrix“. Em um press kit dos mais criativos, que continha inclusive um convite para um milk-shake com o artista (que eu ainda vou cobrar), conheci a obra de sua banda, sua obsessão por gatos e o primeiro disco, “Herpes Aos Hipsters”, lançado no início de 2014. Foi meio impossível não entrevistá-lo (e colar todos seus ímãs cheios de imagens de gatos na geladeira).

Atualmente, a banda formada por Aletrix, Alexandre Lemos (guitarra), Mia (baixo) e Ed Avian (baterista) prepara seu segundo álbum. Enquanto o primeiro mirava seus tiros certeiros em hipsters, ex-BBBs e fãs de UFC, o novo trabalho promete desmoralizar os defensores de ideiais machistas, racistas e homofóbicos, além, é claro, de apresentar novos personagens tão divertidos e esquisitos como o “Dr. Bichano” do disco “Herpes Aos Hipsters”.

Conversei com Aletrix (infelizmente, sem tomar milk-shake) sobre sua carreira, o tal “BRock”, a cena rocker brasileira atual e sua total ojeriza por pessoas que tocam de óculos escuros e bermuda:

– Como você começou sua carreira?

Comecei adolescente em São Paulo, minha cidade, tocando guitarra numa banda de metal e mais tarde em bandas cover, como vocal ou baterista. Perto dos 20, passei quatro anos tocando numa igreja que frequentei nesse período. Lá, aprendi sobre entrosamento, progressão de acordes e também sobre ego de músico. Alguns caras que tocavam gospel tinham egos enormes, apesar das orientações do bispo, que dizia que o músico deveria ser um instrumento doador que ajudasse a conduzir o público a um estado de espírito conectado a algo maior. Curiosamente, eram todos fãs de guitarristas virtuoses. Uma relação a investigar. Tempos depois formei uma banda de som autoral com a qual me apresentei esporadicamente por alguns anos cantando em inglês, algo que hoje me constrange. Entendia que existia uma cena e que eu era incapaz de penetrá-la. Acusava panelas, jurava que aquela cena era manipulada por uma máfia hipster que favorecia amigos. Não sabia transitar naquele contexto, faltavam conhecimentos muito básicos e algum jogo de cintura. Desanimei em algum ponto, fui estudar produção musical, fazer cursos on-line da Berklee e desisti de me apresentar até que eu tivesse um material e uma banda que me dessem força e vontade pra tentar conquistar um espaço outra vez.

– Porque ter uma banda com o seu nome?

Minha ideia era que o nome representasse esse material, onde a música é o principal, mas também um tipo de apresentação, de composição de arte gráfica, de estética de vídeo e de ideias. Como já tinha as músicas e o conceito bem definidos quase um ano antes de formar a banda, preferi escolher um nome de artista solo pra que fosse futuramente associado a esse conjunto de formas de comunicação. Mais tarde completei a formação escolhendo os membros com bastante cuidado pra que não fossem aleatórios e rotativos, e que cada um tivesse sua marca dentro desse universo, contribuindo com suas personalidades, gostos e talentos como músicos. Conto com os amigos Alexandre Lemos (apresentador do programa Snooze Zero, da Antena Zero) tocando guitarra, a Mia (ex-Hugh Grants), no baixo e o Ed Avian, baterista que também se apresenta com o Brothers of Brazil. Músicos habilidosos que não tocam ao vivo usando bermuda, nem óculos escuros. Algo importante pra mim.

Aletrix

– Quais as suas principais influências musicais?

Meus letristas preferidos são o Jarvis Cocker, do Pulp, e o Morrissey. Ambos são críticos ferozes que usam humor de um jeito que eu gosto bastante. Além de proporem sentimentos e situações complexas em formas de rápida compreensão e de fácil identificação. Também curto o surrealismo do The Frogs, Robyn Hitchcock e Frank Zappa, as sátiras do Randy Newman e o modo como o Lou Reed contava histórias e criava personagens. De artistas brasileiros, minhas influências principais são Frank Jorge e Marcelo Birck, em carreiras solo ou com a Graforréia Xilarmônica. Na minha opinião, grandes tesouros nacionais. De sonoridade, cito Frank Black solo e Pixies, Guided By Voices e Pavement. Também o The Cure post-punk, o pop barroco do Divine Comedy, e alguns do punk rock e do rockabilly. Mas é o Nirvana a minha banda preferida de todos os tempos, com certeza.

Uma pena que essas referências vão todas pro espaço assim que entra a minha voz cantando em português e música então passa a ser identificada apenas como “BRock”. De vez em quando citam a “vanguarda paulista” como referência. Fico muito honrado por essa associação, mas igualmente preocupado em dessa forma ser atirado a uma margem “cult”, enquanto todo meu trabalho no dia a dia é rumo a um caminho diferente, popular, que é de ter músicas rolando em rádios AM e poder tocar em eventos como “Festa da Mixirica” e afins, pelo interior. Quero me comunicar com quem curte esse tipo de som e vive em lugares mais afastados das capitais, onde quem usa camiseta de banda é considerado o alienígena local.

– Para você, qual foi a melhor década para o rock nacional?

Admiro em especial a primeira metade dos anos 90, principalmente pelas fusões com culturas regionais que surgiam numa época onde se cantava bastante em inglês no Brasil. Havia grandes bandas e o mais legal é que eram distintas entre si em termos de sonoridade e referências locais. Conseguiam fazer o ouvinte se sentir conectado a partes do país que eram diferentes de onde vivia, algo muito positivo. Além das bandas, havia também a força e a sincronia de veículos como a MTV, as publicações especializadas e as rádios rock, além dos festivais. Acredito que o conjunto dessas mídias trabalhando em sintonia reforçava no inconsciente coletivo a relevância do rock feito no Brasil como parte da cultura daquela geração. No entanto, não tinham como ser mídias a prova de balas, uma vez que dependiam do interesse de anunciantes e de uma capacidade absurda de adaptação num cenário onde, de repente, se viam competindo com os avanços tecnológicos. Por esses e outros motivos, alguns foram ficando mais vulneráveis e também mais sucetíveis a apostar em abordagens que no decorrer espantaram parte do público, onde me incluo. Nos dias de hoje, tudo é mais esparso, porém mais democrático. É possível construir um nome, estabelecer metas com mais ambição e ter suas conquistas sem depender do apoio de uma estrutura profissional. Ajudaria bastante se tivéssemos alternativas mais interessantes de distribuição. Um tipo de distribuição que comesse menos da fatia arrecadada por vendas digitais e que de fato distribuísse discos do RS à Roraima.

– Fale um pouco mais sobre “Herpes Aos Hipsters”, seu primeiro disco.

Quanto ao tema principal, “Herpes aos Hipsters”, havia muita raiva e desprezo em relação ao que eu entendia por rock nacional sendo feito naquela época. Queria que as músicas desse disco fossem alternativas a todas as bandas que celebravam em suas letras a boemia na rua Augusta ou que falavam sobre temas repetidos como amor, dor de corno e excessos. Também achava patética toda aquela atitude de superioridade, onde o cara da banda se considerava mais especial do que quem tava na platéia. Muito parecido com os músicos que eu tinha visto anos antes na igreja. Cada grupo servindo à sua vaidade dentro do seu respectivo universo.

Procurei ir ao oposto disso e tentei através dos temas expressar de um modo simples, em diferentes níveis de falta de seriedade, reflexões sobre assuntos universais, como a fragilidade dentro das interações sociais, sentimentos de incapacidade perante expectativas e desejos, e o questionamento sobre comportamento e suas dinâmicas. Tendo isso bem representado pelo disco, pude viajar e cantar também sobre um gato que fez faculdade (“Dr. Bichano”), imaginar formas de ridicularizar uma sub-celebridade (“Ex-BBB”), ou falar de algo mais corriqueiro como a ansiedade que envolve esperar por um e-mail que não chega nunca (“Caixa Vazia”). Nas últimas semanas de gravação, quis incluir uma faixa de última hora que fosse uma composição nova que contasse sobre aquele momento específico. Se tornou a “Debut do Aletrix”, que era sobre minhas expectativas quanto a recepção do disco, imaginando os desafios que encontraria pra entrar no mercado e ser levado a sério.

Acreditava em traçar uma rota de shows pelo interior, indo pessoalmente buscar meu público, e que iria dormir no porta malas do meu carro, pra que o plano fosse financeiramente mais viável. Não imaginava a resistência que ia encontrar mais pra frente pela grande parte das casas do interior, que declaradamente só tem interesse em bandas cover. Hoje tenho menos paciência pra esse tipo de conservadorismo e busco parcerias e meios a fim de estabelecer contatos com prefeituras locais. Algo mais complexo, mas que pode render resultados mais significativos e relações profissionais interessantes.

Aletrix

– Suas letras são bem ácidas e às vezes remetem ao humor negro. As pessoas entendem as mensagens?

Tenho a impressão de que quem curtiu, entendeu e embarcou nas ideias. Alguns escrevem pelo Facebook contando, outros vão além e pedem músicas pras rádios. Fico muito feliz e grato. Alguns que curtiram e que trabalham numa posição dentro desse mercado, escreveram a respeito, contrataram shows e assumiram riscos incluindo músicas do disco nas programações das rádios onde trabalham, como aconteceu na Kiss FM, na Brasil 2000 e na Cultura FM. A essas pessoas sou também extremamente grato. Nunca esperei agradar todo mundo e realmente tem quem não pegue o espírito. Muita gente já não curte tanto esses tipos de observação com humor cretino, independente do formato. As vezes tem alguma situação onde, por formalidade, preciso ouvir o disco na companhia de alguém que acabei de conhecer pra tratar de negócios relacionados à banda. Assim que que começa alguma letra é uma viagem ao abismo do desconforto pros dois. Também já ouvi bastante “O que é um hipster?”. O nome não poderia ter sido Hepatite aos Hippies, nem Gonorréia aos Grunges… ou Pancreatite aos Posers. “Herpes aos Hipsters” deveria refletir àquele momento onde o uniforme e a atitude eram mais valorizados e reconhecidos do que a música que era produzida. Algo parecido com o que aconteceu com o hard rock nos anos 80. “Chuva Dourada” deve ser um termo muito mais comum do que hipster, já que até hoje ninguém perguntou o significado (risos).

– Você acha que falta crítica/barulho no rock nacional hoje em dia?

Gostaria de ouvir uma variedade maior de assuntos em letras do rock nacional mais mainstream. Muita coisa soa reciclada e oportunista, se tratando de crítica ou não. É alguém nos dizendo anos atrás “Cara, CARA, o gigante acordou! Ouve esse pop-rock que eu fiz pra servir de trilha!”. Não, não, muito obrigado… entra por aquela porta ali, o “Norvana” tá te esperando do outro lado. O público é mais exigente do que o mainstream supõe, tenho certeza. Dos independentes, gostaria de ter mais bandas compondo em português. Com erros de gramática, sobretudo. Algo que eu quase conseguisse entender. Uma música que falasse de comida, outra sobre diversão no pasto e pelo menos uma sobre balé. Acho importante conhecermos nossa história, os artistas que vieram antes, os movimentos culturais e também saber sobre como o mercado fonográfico do Brasil foi se desenvolvendo ao longo do tempo. Recomendo os livros do jornalista Ricardo Alexandre, que acredito ter feito a pesquisa mais completa sobre esses aspectos. Num outro ponto, venho observando e percebendo cada vez mais sofisticação nas produções e digo sem medo que os independentes do Brasil chegaram num ponto, já há uns anos, onde não ficam mais devendo em relação as produções profissionais nacionais e internacionais em termos de qualidade e trabalho em estúdio.

– Seu presskit é incrível e divertidíssimo. Você mesmo faz sua assessoria? O quanto uma boa assessoria de imprensa pode fazer por um artista?

Muito obrigado! Crio esse tipo de material e faço minha própria assessoria desde o começo, por ainda não ter encontrado uma assessoria profissional com a qual me identificasse e que estivesse interessada numa parceria. Uma boa assessoria faz a ponte entre o artista e os veículos que publicam sobre entretenimento e cultura. Já tem contatos estabelecidos e sabe identificar qual crítico vai ter as referências e a sensibilidade para avaliar um determinado trabalho. Nos dias de hoje o artista precisa estar disposto a aprender e assumir papéis que muitas vezes são fora de sua especialidade. Sendo assim, na falta de uma assessoria, busco eu mesmo os contatos. Certamente minha abordagem é muito amadora, comparada a de uma assessoria. O que deve refletir nos resultados, imagino, pois na maioria das vezes as mensagens que envio nem são respondidas. “Asterix? Quem será esse arrombado?” (Risos). Adoraria hoje em dia poder me concentrar apenas nos aspectos criativos como no começo, mas no momento isso seria um grande luxo.

Aletrix

– Você está trabalhando em um novo disco/EP/single ou algo?

No momento estou gravando as demos pro segundo álbum. Vão ter novos personagens, dessa vez mais ameaçadores, pois são mais reais e possivelmente fazem parte do convívio de quem ouvir. A zombaria que antes foi destinada ao culto à celebridade, hipsters e malas em geral, dessa vez serão direcionadas à figuras que conheci após o lançamento do primeiro álbum. Figuras que defendem opniões absurdamente racistas, machistas e de ódio às questões LGBT. Discursos que atrasam o progresso das relações humanas. Supondo que a exposição é uma forma de condenação, então no próximo álbum vamos apontar e rir desses personagens com bastante direito e gosto. O convite pra ouvir o disco deverá ser algo nessa linha. Um tipo de ridicularização que é positivo e ainda mais prazeroso de praticar na companhia de um ouvinte. Tendo isso bem registrado pelo disco, vou me sentir livre pra cantar também sobre tipos de comida, animais aventureiros e situações das mais ridículas. O som deve ficar um pouco mais experimental, com guitarras mais barulhentas e pretendo usar compassos que não explorei antes. Tem um som que o instrumental parece valsa com Nirvana, chama-se “Inspetor de Macheza”. Estou bastante empolgado, vai ser legal gravar esse disco com a banda e poder apresentar uma versão mais atual e amadurecida das ideias.

– Recomende bandas ou artistas que chamaram sua atenção ultimamente (especialmente se forem independentes!)

Cito os independentes Emicaeli, Sheila Cretina, Herod, Orange Disaster, Beach Combers, Capim Maluco, Lusco Fusco e Pastor Rottweiler. Tem alguns lugares em particular em SP que gosto de ir pra conhecer bandas novas e que recomendo bastante. Um é a Free Noise, na Associação Cultural Cecília, outro é a The Ace of Spades Rock Party, no Spades Café, a festa Gimme Danger e os shows organizados pelo Nada Pop. São festas e eventos produzidos por gente que ama o que faz e que não se intimida em assumir riscos pela música nova.

List-O-Mania #2 – 5 projetos paralelos de membros de bandas indies que você deveria conhecer

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Divine Fits

List-O-Mania, por Daniel Feltrin

Este mês teve show do Spoon e toda vez que eu encontro alguém que gosta desses texanos eu pergunto se já ouviu o projeto paralelo do Brit Daniels, o Divine Fits. Muitos nunca ouviram e eu me pego empolgado mostrando as canções rasgadas e dançantes dessa banda que lançou um disco pela Merge há três anos. Isso me inspirou a fazer o post de hoje da List-o-Mania.

  • Divine Fits é um projeto do Brit Daniels com o Dan Boeckner, que toca tanto na fantástica Wolf Parade quanto no duo lindo Handsome Furs. Do disco lançado em 2012 com uma pegada mais dançante do que as bandas principais dos seus integrantes (que, na minha opinião, influenciou o último disco do Spoon, o ótimo They Want My Soul) destaco aqui a catchy “Flaggin’ a Ride”.

  • Broken Bells: falando de pegadas mais dançantes, esse projeto do vocalista do The Shins, James Mercer junto com músico Danger Mouse traz uma atmosfera mais madura do cantor num dream pop bem original. A canção “Holding On For Life” é um exemplo do lirismo maduro de Mercer.

  • EL VY: enquanto o National não lança um disco novo, o vocalista Matt Berninger deixou o cabelo crescer e se uniu ao músico Brent Knopf (Ramona Falls) pra esse projeto que lança um disco no dia 30. No entanto, do que podemos ouvir do single “I’m The Man To Be” é a mesma verve irônica de Berninger numa roupagem mais acelerada, com o vocal mais agudo, acentuando o delicioso cinismo de suas letras.

  • O Silver Jews na verdade se formou mais ou menos ao mesmo tempo que o Pavement, banda bem mais conhecida das quais os membros Stephen Malkmus e Bob Nastanovich fazem parte, com uma pegada bem mais influenciada pela música country americana que se vê em algumas canções do Pavement (a mais conhecida sendo “Range Life”). O membro permanente da banda é David Berman que permaneceu até o fim em 2009, porém, Bob postou uma foto esse ano afirmando que a banda voltou a tocar. “Random Rules” é do disco de 98, “American Water”.

  • O Admiral Radley, como diz uma amiga minha, é o megazord das bandas indie. Na verdade é só metade do Grandaddy com metade do Earlimart, mas eu gostei muito da piada pra citar. A banda mantém o melhor das duas bandas e produziu um disco maravilhoso em 2010 chamado “I Heart California” cuja canção título está aqui para exemplificar.

Elogiados por Kate Nash, californianos do The Aquadolls preparam novo disco para 2016

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The Aquadolls

O psychedelic surf punk do The Aquadolls conquistou até pessoas como Kate Nash, que rapidamente entrou em contato com a líder da banda, Melissa Brooks, para que começassem a abrir seus shows. Com um EP e um disco (“We Are Free”, de 2013, pela Burger Records, e “Stoked On You”, de 2014) na bagagem, o grupo é defensor ferrenho do feminismo e do fim do pensamento de que garotas não podem tocar rock. “O feminismo parece senso comum para mim”, diz.

Formada por Melissa Brooks (guitarra e vocais), Ryan Frailich (guitarra), Josh Crawford (baixo) e Colin Moore (bateria), a banda já dividiu o palco com gente como Jenny Lewis, Vivian Girls, La Sera e La Femme, além de tocar em festivais independentes de renome como o Burgerama, Burger A-Go-Go e Beach Goth. Hoje em dia, o quarteto prepara seu segundo disco com o produtor de Hollywood Aaron Greene. O lançamento está previsto para o início de 2016.

Conversei com Melissa sobre a carreira da banda, seu pensamento feminista, como invadir o camarim de Kate Nash e o próximo álbum:

– Como a banda começou?

Eu sempre quis ter a minha própria banda, e quando eu estava no último ano do ensino médio, decidi finalmente fazê-lo. Eu tinha um monte de músicas escritas e estava tocando em shows de talentos do ensino médio e no escritório de um amigo com outros amigos me apoiando, até que eu conheci Ryan Frailich em um festival de música em maio de 2012. Ele me ajudou a gravar minhas primeiras demos em seu quarto e nós colocamos as músicas online. Uma vez que começamos a receber ofertas de shows, tivemos de encontrar um baterista e baixista! Era tipo, “oh, merda, nós estamos realmente fazendo isso.” Foi um momento muito emocionante para mim.

– E como surgiu o nome The Aquadolls?

Um dos meus amigos que tocava comigo nesses shows de talentos do ensino médio que inventou. Eu gostei e acabou ficando.

– Me fale mais sobre “We Are Free” e “Stoked On You”.

“We Are Free” é uma coleção de 8 músicas que eu escrevi em 2012 e foi gravado apenas por diversão. Todas as canções são muito bobinhas e estranhas e não era para ser levado muito a sério. Eu postei o EP de demos no Bandcamp, quando eu tinha 53 curtidas no Facebook. Eu nunca soube que as pessoas realmente iam encontrá-lo e ouvir, e muito menos gostarem do EP! “Stoked On You” basicamente documenta minha vida entre 2012-2013. Algumas canções como “Tweaker Kidz” foram escritas em sala de aula, quando eu estava na faculdade, e a última música que eu escrevi para o álbum, “Our Love Will Always Remain”, foi escrita em um dia chuvoso de meu primeiro ano de faculdade. Este álbum é sobre se apaixonar, finalmente ser feliz, e encontrar um lugar estranho na minha cabeça onde tudo foi pizza e aliens e luz do sol. Não é realista, mas a ideia é que seja como um sonho.

– Quais são suas maiores influências musicais?

The Beach Boys e Gwen Stefani!

The Aquadolls

– A banda foi convidada por Kate Nash para abrir seus shows. Como rolou isso?

Dois anos atrás, eu entrei no meu Twitter e vi que ela tinha me seguido e postou uma das minhas músicas! Eu tenho realmente sido fã dela desde que eu estava na 7ª série! Eu queria muito conhecê-la, por isso o meu primo e eu nos enfiamos nos bastidores de um dos seus shows, fomos para seu camarim (estávamos com tanto medo!) e ela foi super agradável e acolhedora! Ela logo nos pediu para abrir os últimos shows da sua turnê na Califórnia e nós ainda somos amigas! : ~)

Melissa Brooks com Kate Nash
Melissa Brooks com Kate Nash

– Quais são os principais desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

Ganhar a vida! Não é fácil. Eu vendo camisetas e CDs para comer e colocar gasolina no meu carro. Não é muito dinheiro agora, mas eu sei que não estou trabalhando duro o suficiente ainda. Para ser realista, isso realmente não importa para mim, inclusive. Eu só faço isso porque eu amo fazer música e não quero ganhar a vida de outro jeito. É uma luta divertida, eu acho. (Risos)

– Vocês atualmente estão preparando um novo disco, certo? Pode me contar um pouco mais sobre ele?

Sim, estou! Vai ser uma explosão no seu ouvido de arco-íris saborosos e açúcar melódico. Cada música tem baterias realmente divertidas e liricamente é o mais desafiador e pessoal até o momento. Na verdade, estaremos lançando uma nova música até o final do ano!

– Você acredita que o machismo continua forte na indústria musical?

Certamente, e é bastante lamentável. O fato de que as pessoas chamam de bandas com garotas em sua formação de bandas femininas é apenas estranho. Ninguém chama bandas formadas por homens de bandas masculinas. Não é dessa forma. Nós somos todos apenas bandas. Não há necessidade de rotular um sexo.

The Aquadolls

– Você se considera feminista e hoje em dia vemos muitas garotas se empoderando e defendendo a necessidade do feminismo não só no rock, mas também no pop. O que você acha disso? Quais são suas artistas preferidas que pregam o feminismo?

O feminismo parece senso comum para mim. Muitas mulheres poderosas estão falando sobre feminismo e sensibilização sobre as desigualdades de gênero, desigualdades raciais, a opressão e sobre pessoas sexistas. É importante para as mulheres que compartilham plataformas tão grandes falar sobre estas questões, especialmente por causa de ouvintes jovens do sexo feminino. Eu realmente amo como Halsey se identifica como feminista interseccional e eu acho que todo mundo deve prestar atenção para o que ela está dizendo, porque ela está tão fodidamente certa.

– Recomende artistas que chamaram sua atenção recentemente.

Estou obcecada pela FKA Twigs e Lolawolf!

Australianos do The Jezabels colecionam prêmios e não têm medo de se aproximar do pop

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The Jezabels

Formada na Austrália em 2007, The Jezabels já lançou 3 EPs (The Man Is Dead”, “She’s So Hard” e “Dark Storm”)  e 2 discos (“Prisoner” e “The Brink”) e hoje em dia não tem mais medo de abraçar o pop. “Pop é uma palavra estranha”, diz a vocalista Hayley Mary. “Mas conforme você vai ficando mais velho e mais experiente, a tendência é apreciar mais a simplicidade”.

Contando também com Nik Kaloper na bateria, Samuel Lockwood na guitarra e Heather Shannon nos teclados, a banda recebeu diversos prêmios: ‘Disco do Ano’ no Rolling Stone Awards, Australian Music Prize e ARIA Award de ‘Melhor Lançamento Independente’, em 2012, e ‘Single do Ano’ no Rolling Stone Awards de 2014.

Conversei com Nik sobre a carreira da banda, sua discografia e a paixão deles pelo Brasil:

– Como a banda começou?

Nós quatro fomos para a Universidade de Sydney e Hayley e Heather estavam escrevendo músicas que acabaram contando com a ajuda de Sam na guitarra e, em seguida, eu na bateria. Começamos a tocar com o objetivo de competir em uma batalha de bandas na faculdade – quando ficamos em segundo, pensamos que poderia ser em uma boa, e continuamos indo em frente. Isso foi quase 8 anos atrás.

– Me falem sobre o material que vocês já lançaram.

Nós lançamos 3 EPs e 2 álbuns até agora. Cada EP tem 5 faixas, o primeiro álbum tem 13 faixas e o segundo álbum tem 10 (com uma faixa bônus na versão australiana) – Seus nomes, em ordem cronológica, são The Man Is Dead”, “She’s So Hard”, “Dark Storm”, “Prisoner” e “The Brink”. Temos também um álbum ao vivo. Todo nosso material é escrito de forma colaborativa – todos nós temos um grau de influência sobre as canções.

– Quais as suas maiores influências musicais?

Eu cresci ouvindo grunge e emo bandas como Sunny Day Real Estate e Cursive. Depois ampliei um pouco meu gosto e descobri o death metal técnico e os belos ritmos trabalhados no gênero. Em certo momento, percebi que vale a pena ser influenciado por todo tipo de música, por uma razão ou outra. Eu tenho escutado Queen todo dia, por exemplo.

– Como surgiu o nome Jezabels?

O nome refere-se à personagem bíblica Jezebel. Ela é muito vista como um símbolo da mulher caída na sociedade de hoje, acho que nós estamos tentando fazê-la ficar de pé novamente.

The Jezabels

– Como você descreveria seu som?

Grande e dramático.

– Qual é o melhor lugar em que vocês já tocaram?

Uma vez que nós tocamos em um barco a vapor que estava viajando ao redor do rio Willamette em Portland, Oregon. Nós estávamos fora no deck superior assistindo pontes maciças passarem por cima de nós enquanto tocamos nossas músicas. Essa foi uma experiência bastante especial.

– Vocês pretendem vir ao Brasil? Você conhece alguma banda brasileira?

Nós absolutamente adoraríamos ir ao Brasil. Infelizmente, não temos planos para isso ainda. Nós estamos determinados a ir para a América do Sul antes do fim de nossa carreira, nós definitivamente faremos o nosso melhor. Sepultura são brasileiros, conhecemos eles!

– O rock and roll ainda vive nos dias de hoje?

Absolutamente, eu só acho que você precisa cavar um pouco mais para encontrá-lo no nosso panorama musical atual. Se rock and roll a significa ter uma atitude anti-establishment e subversivo, eu acho que é visto menos na mídia mainstream da música nos dias de hoje, infelizmente.

– Qual a melhor e a pior parte de ser uma banda independente?

A melhor parte de ser uma banda independente é exatamente isso, a independência. A pior parte é encontrar maneiras para financiar algumas de suas atividades, sempre será mais difícil para uma banda independente para encontrar o investimento de capital necessário para fazer um álbum e turnê.

– Recomende algumas bandas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.

Ultimamente eu tenho escutado muito Com Truise e Melt Banana (de estilos muito diferentes!) Se quem estiver lendo isto não tiver dado atenção suficiente para o Kraftwerk, recomendo Computer World – assisti um documentário sobre Kraftwerk e nunca percebi até que ponto que eles influenciaram a trajetória da música moderna. Desde então, fiquei viciado neles.

Mais madura, Adele diz “Hello” à música pop

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Adele

Toda canção pop carrega uma carga de dramaticidade inerente. Faz parte do gênero o exagero comum à música popular desde que esta se conhece por gente. Na verdade, desde que a música de concerto foi “inventada” nas cortes europeias em algum momento do milênio passado, o que diferenciava a música popular da que hoje chamamos um tanto pejorativamente de “erudita” era a presença de letras predominantemente e os temas caros à população em geral. Qualquer semelhança com as canções do século XX e XXI não é mera coincidência.

Nessa toada (no pun intended) Adele é uma das mestras contemporâneas. O exagero e a dramaticidade de suas canções tem produzido standards da música popular que não apenas funcionam perfeitamente como hits comerciais, mas estabelecem a continuidade com a tradição popular. A música pop é referencial e, como não podia deixar de ser, a canção nova apresentada pela cantora inglesa hoje vem carregada dela.

A primeira coisa que deve ter vindo à cabeça de todos ao ouvir “Hello” foi Lionel Richie. A famigerada canção lançada em 1984 foi topo das listas da Billboard em três categorias, sem contar que foi primeiro lugar na lista de singles britânica, terra natal de Adele. Carregada na dramaticidade clássica do R&B, Hello foi acusada de plágio pela cantora Marjorie Hoffman White alegando a cópia de sua canção “I’m Not Ready To Go”, o que prova o quanto a referencialidade da música pop é inerente, assim como sua carga dramática.

Mas não só de primeiras associações se faz uma Adele. É claro que pensamos logo de cara na canção do ex-Commodores – eu pessoalmente fiquei imaginando como Adele conseguiu construir o resto da música sem cantar o “Is it me you’re looking for?” logo depois do primeiro verso – mas “Hello” está cheia de autoreferências da própria Adele e essas vem da sua influência do R&B que Richie também bebeu.

É uma canção clássica de Adele. Refrão marcante, letra catártica (com um aceno à “California Dreaming”) e o piano tão característico da cantora. No mais, podemos esperar de “25” um disco que segue a própria trajetória de Adele sem muitas firulas ou inovações, no entanto, sinto uma simplicidade no arranjo desprovido de muitas orquestrações ou ritmos. Uma simples batida como o simples pedido de desculpas que a letra da canção faz. Adele parece querer demonstrar uma sonoridade mais despida de sofisticações como se quisesse dizer que aos “25” não precisa provar mais nada.

Nesse sentido, temos uma canção pop simples e direta que dialoga com a carreira da cantora ao mesmo tempo em que tenta chegar ao âmago do seu projeto musical sendo simples e direta. Temos uma Adele mais madura que domina a arte de fazer canções para as grandes massas com personalidade.

Playlist do ódio: confira as músicas que os DJs não suportam mais tocar (mas as pessoas ainda pedem)

Quando você está na balada e as caixas de som começam a disparar aquele megahit que toca em todo lugar, o público pode estar gritando, falando ~é minha músicaaaaaaaa~, dançando e se descabelando. Mas do lado de lá da cabine do DJ, alguém pode estar contemplando um suicídio a la Didi Mocó mentalmente.

Os DJs, lógico, tocam as músicas que agradam o público. Mas será que eles gostam de tocá-las? A resposta é óbvia: muitas vezes, NÃO. Conheça agora algumas das músicas mais odiadas pelos DJs (Arctic Monkeys está em primeiro lugar disparado):

Leo Buccia Rock Bits (Tex Bar)/Combo Hits (Lab Club)
“Psycho Killer”, Talking Heads
Não aguento mais tocar/ouvir/lembrar que existe: “Psycho Killer” do Talking Heads. Porque tocou em todas as festas que fui nos últimos 7 anos. Mas o que não aguento mais ouvir pedido é outra música da mesma banda que está tocando.

Lorenna Santos LA (Mono Club)
“Psycho Killer”, Talking Heads
psycho killer, porque é uma música que há 5 anos já toco, em 80% dos meus sets rockers, e já ” abusei “. Amo a tal e sei que ela levanta qualquer pista, mas chega uma hora que você toca tanto uma musica que cria um abusinho. Mas logo passa e eu volto a tocar ela com todo prazer desse mundo.

Elijah Hatem #PartyHard/Trends (Blitz Haus)
“Turn Down For What”, DJ Snake feat. Lil Jon
“Porque JÁ DEU! (risos). Mas continuo tocando, porque a explosão da pista é incrivel”

Naty Monteiro Indie Party (Cine Joia)
“Do I Wanna Know”, Arctic Monkeys
“Gosto da banda e do álbum AM, mas pra pista ela é muito chata. E talvez seja a música do AM que a galera mais pede.
Gente, música boa pra dançar do Arctic Monkeys tem de monte. Mas as pessoas só lembram do AM…”

Marcos Paiola Bagaço da Laranja (Inferno)/Manda Nudes Party (Squat)
“Boys Don’t Cry”, The Cure
“Eu nunca fui fã dessa música, embora já tenha dançado muito, e na minha primeira discotecagem, pra não fazer feio, ela tava lá e se manteve por alguns meses. E sempre elogiavam ela, ou vinham me pedir. Eu tenho um certo trauma com essa música. E eu gosto muito dos indies farofas que não podem faltar nas festas, embora eu ache um saco ter que ter sempre “Somebody Told Me” e “Take Me Out”, acho que são músicas saturadas, mas eu ainda gosto e gosto do efeito que elas causam. Agora, “Boys Don’t Cry” eu não aguento mais, porque sempre pedem em 80% das festas e eu nunca quero tocar e sempre acabo tocando ou passando a bola pra outro DJ tocar… Aí eu acabo ouvindo ela msm sem ter tocado!”

Debbie Hell No FUN (Clube Outs)/Gimme Danger (Squat)
“R U Mine”, Arctic Monkeys
“Eu até gosto bastante, só me dá um bodinho a obrigação de ter que tocar. Mas sinceramente, nem levo no case coisas que não suporto mais”

Adan Stokinger Yank (Tex)
“Do I Wanna Know”, Arctic Monkeys
“Porque tem muita musica do Arctic Monkeys BEM MELHOR, mas a galera só conhece essa!”

Raphinha Lucchesi Tiger Robocop 90 (Lab Club)/Rock Bits (Tex)
Todas do Arctic Monkeys
“Eu acho que não é uma música específica, e que fique claro que eu gosto da banda, mas enche o saco toda hora pedirem pra tocar Arctic Monkeys. Sério, pedem quando você tá tocando música black, pedem quando você tá tocando pop, pedem até quando você já tá tocando Arctic Monkeys!”

Dani Cruz Sapatômica (Sambarylove)
“Show das Poderosas”, Anitta
“Não aguento mais, e olha que eu nem odeio a Anitta! Outro dia toquei a música nova dela e vieram pedir pra tocar “Show das Poderosas” TAMBÉM! Eu super rebolo, danço e tudo mais, mas só de ouvir aquela buzina do começo já me dá enjôo…não aguento mais!”

João Alberto Kolling Cucko/Anexo B – Porto Alegre
“Mr. Brightside”, The Killers
“Porque toda festa tem no mínimo 3 pessoas pedindo e no minimo 3 vezes é tocada. Eu até gosto da música”

Beto Artista Veneno e Crush (Casa da Matriz)/Wake Up! (Fosfobox)/Funfarra
“Mr. Brightside”, The Killers
“Quando eu comecei a tocar, a música mais pedida… ou melhor, a banda mais pedida era The Killers. Eu adorava! A pista explodia e muita gente ainda vinha perguntar o que era aquilo! Que som foda! Passou-se alguns anos, e eu percebi que mesmo depois do boom, a galera continuava pedindo a mesma música da mesma banda, ‘Mr. Brightside’ – The Killers. Outro dia aconteceu algo engraçado. Uma moça me pediu a música e respondi “Posso escolher outra música do Killers?” e a pessoa respondia “Aaaaa, tá bem. Mas toca The Killers”. Mandei um Spaceman, a menina me olhou no final da música e falou “É a próxima?” e eu fiquei sem respostas. Então, desde então eu evito tocar ‘Mr. Brightside’, mesmo sendo de longe a música que mais me pedem até hoje”

Julia Bueno Neon Party, Baby (Inferno)
“Smells Like Teen Spirit”, Nirvana e “Bitch Better Have My Money”, Rihanna
“No segmento de rock é uma batalha acirrada. Tem “Smells Like Teen Spirit”: nego não conhece nada do Nirvana que não seja essa e “Rape Me”. Você toca “In Bloom” e chega alguém e “Ow toca Nirvana”. E esse som é Gameshark de pista: tocou bombou, sadly. No segmento de trap/edm é “Bitch Better Have My Money”. Sou apaixonada por Rihanna, mas em 3 meses gastaram tanto nossos ouvidinhos com ela tocando 2, 3, 4 vezes na mesma noite que só de ouvir a intro já me dá vontade de arrancar os cabelos”

Elissa Cirino SuicideGirls Party Brasil
“Smells Like Teen Spirit”, Nirvana
“Não aguento mais tocar ‘Smells Like Teen Spirit’, porque a galera vira ~roqueirona~ do nada e quer fazer mosh onde não dá!”

Geovani Santos Lab Project (Lab Club)/ Please Come to Brazil (Inferno Club)
“I Love It”, Icona Pop
“I Love It” do Icona Pop foi um hit e tudo mais, só que todo lugar toca umas 10 vezes na mesma noite!”

Romani Tiger Robocop 90 e Combo Hits (Lab Club)
“Pretty Fly (For a White Guy), The Offspring e “Song 2”, Blur
“Ao contrário da maioria, eu ainda me divirto tocando uns clichês como “Psycho Killer”, “Killing In The Name” e “Mr. Brightside”, mas por fazer uma festa de anos 90 há quase 5 anos, eu não consigo mais ouvir “Pretty Fly” do Offspring e “Song 2” do Blur. As duas bandas tem muitas outras músicas bem melhores, mas essas são sempre as mais pedidas, e as que acabam agitando mais a pista.

Vanessa Porto Caos Augusta
“Losing My Religion”, R.E.M.
“‘Losing My Religion’ do R.E.M. O motivo é que não curto tanto, apesar da banda ser excelente. Muitos tocam por ser hit, mas tem muitas músicas mais agitadas e interessantes nos álbuns deles!”

Caio Neiva College (Blitz)/Tereza (Tex)
“Mr. Brightside”, The Killers e “R U Mine”, Arctic Monkeys
“Na College, por ser uma festa de indie, parece que a galera acha que vamos tocar todas as músicas do The Killers e Arctic Monkeys pelo menos 5 vezes na noite. (risos) NÃO AGUENTO QUANDO ME PEDEM ‘R U MINE’, SOCORRO”

Garimpo Sonoro #3 – Negritude Sênior: 4 Sambistas das antigas que valem ouvir sempre

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Cartola

Tenho uma tendência à cultura estrangeira que às vezes me presenteia de culpa. E pensando bem, apesar dessa preferência, eu também gosto, e muito, de muita coisa feito por aqui.

Talvez o que me faça gostar tanto da cultura tradicional americana, por exemplo, seja a maneira como eles trabalham com a dor. O blues e o country, em sua essência, são lamentações da alma diante das agressões da vida. Aqui no Brasil, trabalhamos de uma maneira um pouco diferente, né?

Um dos melhores exemplos é Fagner e sua “Pedras que Cantam”:

Um puta clima de festança, azaração e exaltação da alegria! Mas veja bem o começo da letra: “Quem é rico mora na praia mas quem trabalha nem tem onde morar/ Quem não chora dorme com fome mas quem tem nome joga prata no ar”. Ué?!?

Enfim, vamos logo à temática da semana: sambistas das antigas que eu acho não só fodásticos como relevantes. Todos trabalham os dissabores da vida de uma maneira intensa. Alguns, conseguem acalentar o amargor da vida, adocicando um pouco nossa passagem por aqui.

1) Cartola

Figurinha carimbada, eu sei. Mas ele é assim por uma razão! “Sim”, por exemplo, é um questionamento moral, ético AND religioso! É belo, intenso e, se você ainda não passou por essas questões… aguarde!

2) Nelson Cavaquinho

“Tire o seu sorriso do meu caminho/ Que eu quero passar com a minha dor”. Puta que pariu! Para quem é fã de Bob Dylan, ouvir um brasileiro dizer isso é a coisa mais dylanescamente nacional que se pode ter. E sem contar a voz “rústica” de Nelson, é claro.

3) Paulinho da Viola

A primeira vez que ouvi essa música, na verdade tive que ouví-la umas três vezes seguidas. (Aliás, tem um documentário FODÁSTICO sobre ele, “Meu Tempo é Hoje”. Assista e aprenda o quanto antes). Minha dica é tocar “Meu Mundo é Hoje” periodicamente… e repetir mentalmente seu poema completo, como um mantra.

3) Adoniran Barbosa

Se Nelson é o Bob Dylan do samba, Adoniran é o Tom Waits com cavaquinho. Há a tristeza, mas há algo mais… uma risada no canto na boca pelos percalços e ironias de se viver. Deixemos as tristezas um pouco de lado, peguemo um copo de cerveja, e bóra se divertir: porque sofrer é a certeza de que vives.

4) Lupicínio Rodrigues

Ah, a vingança. Que sabor, que perfeição que ela é, não? Lupicínio, o rei da “dor de cotovelo”, nos presenteia com um relato que alegra e inveja ao mesmo tempo.
Tome nota:
“Eu gostei tanto,
Tanto quando me contaram
Que lhe encontraram
Bebendo e chorando
Na mesa de um bar,
E que quando os amigos do peito
Por mim perguntaram
Um soluço cortou sua voz,
Não lhe deixou falar.”

Existem inúmeros outros sambistas que eu acho fodástico… isso sem contar aqueles que flertam com o estilo – vide Baden Powell e Virgulóides (por que não?!) (risos)

Tem alguma dica? Manda pra cá!

Fabulous Miss Wendy, a guitarrista queridinha de Slash, está preparando seu novo disco

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Fabulous Miss Wendy já recebeu comparações com estrelas como Joan Jett e ganhou o título de “rockstar mais sexy de todos os tempos” segundo a Revolver Magazine. A garota de Hollywood já percorreu um longo caminho desde que pegou a guitarra pela primeira vez, com dez anos de idade. Já lançou três discos (“Oh My God”, de 2004, “The Fabulous Miss Wendy”, de 2008, e “No One Can Stop Me”, de 2012 ) e fez turnê com Slash (que a escolheu a dedo) e UFO.

Formado pela própria Wendy nos vocais e guitarra, Jedediah Aaker no baixo e Keith Bornzin na bateria, o power trio investe em um pop punk competente que poderia estar no topo das paradas de sucesso no auge do estilo, em meados dos anos 2000. Conversei com Wendy sobre sua carreira, influências e planos para o futuro.

– Como você começou sua carreira?
Comecei tocando em open mics e em qualquer lugar que me aceitasse. Eu nem sequer tinha uma banda no início, então comecei tocando violão acústico.

– Quais são suas maiores influências musicais?
Eu amo Hole, No Doubt, The Distillers, The Cramps, The Yeah Yeah Yeahs e Mindless Self Indulgence. Alguns dos meus guitarristas favoritos são o Slash e Jeff Beck.

Fabulous Miss Wendy

– Você faz música desde que muito jovem. Como o seu som evoluiu desde então?
Eu comecei a escrever canções e tocar guitarra quando eu tinha 10 anos de idade. Eu sempre ouvi música em minha cabeça, em pedaços quando eu era criança. Como adulta, eu escrevo todas as minhas canções na minha cabeça.

– A Revista Revolver chamou você “a estrela mais sexy do rock”. Quem você considera os rockstars mais sexy de todos os tempos?
Jimmy Page, Joan Jett, Adam Ant e Gerard Way.

– Você foi para Bagdá e Iraque se apresentar para as tropas americanas. Como foi essa experiência?
Toquei para as tropas americanas no Iraque duas vezes. Ambas foram incrível experiências, na fronteira com o surreal. Estou feliz de ter sido capaz de elevar a moral e servir o meu país.

– Você saiu em turnê com Slash. Ele escolheu você pessoalmente? Como foi isso?
Havia um clube em Hollywood chamado The Club Cat. Slash estava lá visitando e assistindo uma banda, e eu, pessoalmente, lhe dei o meu CD. Ele entrou em contato comigo, disse que amava a música, e me perguntou se eu gostaria de abrir alguns shows para ele.

Fabulous Miss Wendy

– O que você acha sobre o rock and roll nos dias de hoje? Está vivo ou é apenas um gênero antigo que resiste ao tempo?
Eu acho que as pessoas sempre querem ouvir boa música… De qualquer gênero… Estou determinada a fazer a minha parte para salvar o mundo da música ruim.

– O clipe “I Like Boys” ganhou um prêmio por ser … sexy?
Ele foi nomeado pelo canal Logo da MTV para o vídeo mais sexy do ano.

– Você está gravando material novo?
Atualmente, estou à procura da gravadora certa para o meu próximo disco.

 – Diga-nos o novo bandas que chamou sua atenção ultimamente.
Mindless Self Indulgence, Paramore e Macklemore… Especialmente Macklemore, acho que ele é um dos melhores artistas do mundo de hoje.

The Fabulous Miss Wendy