Saudades da MTV Brasil? Enxugue as lágrimas e crie a sua própria versão 2015 da finada emissora

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Ex-VJs da Mtv

A MTV Brasil como a conhecemos viveu entre outubro de 1990 e o fatídico 30 de setembro de 2013, quando os sinais da emissora que revelou talentos, apresentou artistas e músicas que dominaram o Brasil e ajudou toda uma geração a crescer e se conscientizar sobre assuntos como a prevenção da Aids parou de funcionar e deu lugar a um daqueles infomerciais safados (que depois virou mais um canal com as famigeradas transmissões de cultos evangélicos). Não vou nem comentar sobre a ~nova~ MTV, em que a música não fica em segundo plano: fica em décimo oitavo, atrás de reality shows de namoro em todos os formatos possíveis. Eca.

De uma coisa podemos ter certeza: o legado ficou. E mais do que isso, com o Youtube (um dos meios que ajudou a matar o canal da Alfonso Bovero), você pode criar a sua própria programação da emissora. Sim, a MTV que você sempre amou vive, fragmentada em diversos canais e vídeos do Youtube. E é por isso que montei uma pequena lista de canais que podem ajudar você a montar uma playlist e simular a SUA MTV Brasil do jeito que preferir. Ligue no 32 UHF e vamos lá:

República do Kazagastão, de Gastão Moreira

Gastão Moreira, um dos melhores e mais bem informados musicalmente que já passaram pela Mtv Brasil, sempre foi responsável por manter o rock vivo e atual na emissora brasileira (com programas como o Gás Total e o Fúria Metal). Pois o ex-VJ agora tem um canal no Youtube onde faz o Heavy Lero (junto com Clemente, dos Inocentes), programa onde destrincha alguma banda ou cena específica, e lança vídeos com entrevistas e matérias que fez na finada Mtv.

Panelaço, com João Gordo

Um punk que não tinha talento nenhum pra apresentar clipes, mas que se mostrou um ótimo apresentador e entrevistador em programas como Garganta e Torcicolo, Gordo a Go-go e Gordo Visita (além de anarquizar o que era aceitável ser exibido na programação da TV em seu Gordo Freak Show). Hoje, João Gordo tem um ótimo canal no Youtube chamado Panelaço, onde entrevista personalidades e amigos em sua cozinha enquanto cozinha um rango vegano. Vale a pena conferir as receitas e as entrevistas, já que ele dá um pau em muito apresentadorzinho de talk show que se preocupa mais em fazer piadinhas do que conversar…

Hermes e Renato

O grupo de humor que era a cara da Mtv Brasil, com perucas esdrúxulas, piadas que ultrapassavam o limite do politicamente correto e criavam bordões que não pareciam bordões. O grupo continua na ativa após a morte de seu fundador e cabeça, Fausto Fanti, em 2014. Hoje em dia estão prestes a começar uma nova temporada (ainda com cenas de Fausto) no Canal FX e possuem um canal no Youtube onde pouco a pouco disponibilizam suas sketchs em boa qualidade. Ah, você também pode encontrar vídeos deles (muitos!) no canal Pérolas Hermes e Renato.

Piores Clipes do Mundo, com Marcos Mion

Lembram quando Marcos Mion era um rapaz magrelo e desengonçado que destrinchava com louvor as tosquices que muitos dos clipes da Mtv tinham? Pois é: com o Youtube, você pode viajar no tempo e reviver o clássico programa Os Piores Clipes do Mundo, com pérolas videoclípticas como “Mama África”.

Fudêncio e Seus Amigos

Desenho baseado no boneco que João Gordo criou durante o programa Garganta e Torcicolo, contava com personagens incríveis e críticas ácidas a tudo e a todos. O mais próximo que o Brasil já teve de um South Park ou Family Guy. Criado por Thiago Martins, Marco Pavão e Flávia Boggio, o desenho não tem um canal oficial no Youtube, mas quase todos os episódios estão por lá:

Amada Foca, com Bruno Sutter, Daniel Furlan, Bento Ribeiro e Paulinho Serra

Pra quem gostava dos últimos dias do Furo Mtv, o programa que juntou a raspa do tacho do humor da Mtv formou o grupo Amada Foca, que posta sketchs e uma versão do finado Furo em seu canal:

Gato & Gata, com Chuck Hipolitho e Gaía Passarelli

Os últimos conhecedores de música a apresentarem programas na Mtv Brasil em seus últimos dias (e responsáveis por eu ter assistido um belo clipe dos Pixies antes de ir pro trabalho em um dia de 2014), o ex-casal teve esse belo canal que em muito lembrava os bons momentos dos momentos finais da emissora UHF. O canal, como a Mtv, já ficou pra trás, mas os vídeos continuam disponíveis.

Clipes

Quanto aos clipes, eu não preciso nem falar nada, né? O Youtube tem um acervo muito maior do que a própria Mtv jamais teve, incluindo inclusive bandas independentes (que na época eram chamados de “democlipes” e já revelaram bandas como Raimundos e Pato Fu) e os clipes de grandes bandas que a Mtv Brasil nunca passou (ou até passou, mas nunca conseguiram pegar o lugar do Hanson no topo do Disk Mtv). Exemplo? “Stripsearch”, do Faith No More, que eu nem sabia que tinha clipe.

Além disso, o Youtube é cheio de canais com shows completos e documentários musicais e outros ex-VJs prometem novidades no Youtube em breve (como Luiz Thunderbird prometeu na entrevista que deu para o Crush em Hi-Fi Luiz Thunderbird). Conhece algum outro canal que entraria na programação da SUA Mtv? Conte pra nós nos comentários!

Finalistas do Breakout Brasil, Donna Duo lança primeiro disco e single “Acordei Te Amando”

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Donna Duo

Dani Zan e Naíra Debértolis fazem o que chamam de “pop milongueiro”. Cantoras, compositoras e multi-instrumentistas, as duas formam o Donna Duo, com um repertório que mistura MPB, samba, milongas, rock, pop e o que mais der na telha da dupla. Finalistas do reality show do Canal Sony Breakout Brasil, Dani e Naíra lançam este ano seu primeiro disco, patrocinado por um bem sucedido crowdfunding. O primeiro single é “Acordei Te Amando”, lançado em junho.

Conversei com Dani e Naíra sobre a carreira da dupla, a participação no Breakout Brasil e realities musicais em geral:

– Como a banda começou?

Através de uma fã em comum nos conhecemos, foi coisa de internet. Ela conhecia os trabalhos que as duas tinham na época, a banda da Naíra precisava de composições, e ela nos apresentou via Facebook, com a pretensão de que as minhas composições pudessem agregar naquele trabalho. Mas realmente não sabíamos que esse acaso se transformaria no Donna Duo.

– De onde surgiu o nome Donna Duo?

Boa pergunta, a gente começou com o nome DebertoliZando, mas ninguém entendia que era a mistura dos nossos sobrenomes, e gaguejavam no pronunciar (risos). Pronto, mudamos o nome por livre e espontânea insistência do universo. Passamos a pesquisar o que bem nos definia, em outras línguas, e chegamos a esse conceito bem simples de Donna Duo, duas mulheres. Já que Donna é mulher em italiano.

Donna Duo

– Quais são as maiores influências da banda?

A gente tem várias influências brasileiras, de ritmos brasileiros variados, desde o samba, até a milonga, o afoxé… temos essa tendência e ela flui muito naturalmente, gostamos desse som Brasil. Porém, a gente ao mesmo tempo mergulha no pop e no rock. A Dani tem dessas de escutar Tião Carreiro e Elvis, a Naíra vai da gauchada aos Beatles, e todos esses sons, históricos, nos influenciam, positivamente.

– Como vocês definiriam o som da dupla?

O Donna Duo tem dois anos de vida, e como o duo surgiu sem direcionamento do que íamos fazer, como um hobby, um projeto parelelo das duas, experimentamos muita coisa, fizemos tudo o que queríamos e naturalmente nos tornamos um caldeirão musical. Daí veio o CD, e enfim lacramos quem somos. A mistura, a variação de cor que o álbum vai trazer não foi intencional, ficou a nossa cara, bem como as composições que já nasceram com essa imagem imprimida.

– Quais os maiores desafios de ser uma banda independente no Brasil?

Se comunicar com o público de forma singular. Você precisa aproveitar as oportunidades e as vezes até inventá-las. A produção independente não tem um espaço demarcado na mídia e por conta disso você precisa utilizar-se de todos os recursos que tem. Internet tá aí, e é o território mor de quem faz música autoral independente. Porém, você precisa sair do digital, precisa ter contato com os fãs, eles precisam olhar no teu olho e saber que a tua música tem vida, fora da rede.

– O que vocês acham do sistema de crowdfunding?

Pra nós foi a chance de meter o pé no acelerador. Só que o crowdfunding é uma ferramenta, a banda que se utiliza da crowdfunding é a engrenagem, e pra quem pensa em fazer o seu próprio financiamento coletivo, é preciso ter essa consciência, acreditar em si, trabalhar pra que vejam a banda e vejam o projeto. Com o Donna Duo passamos dois meses de sufoco, de gastrite, de ansiedade, mas hoje a gente ri! E foi ótimo, gratificante.

– Quais bandas foram as preferidas de vocês no Breakout Brasil?

Bom, The Outs nos ajudaram na prova do inglês, emprestaram os seus instrumentos, escutavam nossas versões antes das apresentações, davam sugestões. Eles são o máximo, são de um universo musical diferente do nosso, mas parte de nós uma admiração tamanha pra com esses guris que é difícil explicar. São grandes pessoas e profissionais! Tanto quanto o Capela, que inclusive gravou a música “Amor Gramatical” que era do nosso repertório. Também fizemos apresentações juntos, nos encontramos em São Paulo com uma certa frequência e temos planos futuros. Gostaria de pontuar mais gente por aqui, mas enfim, fica aqui nossa, quase, declaração de amor pro Capela e o The Outs. (risos)

– Como foi participar do Breakout Brasil?

Acho que foi um crescimento pessoal muito grande, nosso maior presente nisso tudo foram os amigos e oportunidades que aconteceram durante e após o programa. E poxa, foi o Breakout que nos uniu mais e nos deu força para iniciar um Catarse e ver as coisas se concretizarem de verdade.

– O que vocês acham da proliferação de realities musicais que rola hoje em dia?

Como eu disse, temos que usar dos recursos disponíveis. Mas é preciso ter uma coisa em mente, reality show é programa de TV, música é arte! Contudo, que a música prevaleça!

– Quais os próximos passos do Donna Duo?

Bom, acabamos de lançar a música “Acordei te Amando” que é um aperitivo pro que vem por aí! Estamos planejando cuidadosamente o que será de nós pós lançamento do CD, já estamos marcando shows do segundo semestre do ano e nosso objetivo é ampliar os estados em que estamos trabalhando, queremos cada vez mais ter esse, olho no olho!

Donna Duo

– Quais bandas novas e desconhecidas vocês acham que todo mundo devia conhecer?

Cada uma vai escolher uma então, hein? Bom, a Naíra vai dos meninos da The Fire Departament de Porto Alegre. E a Dani vai de Confraria da Costa, os piratas de Curitiba.

Duo suíço WolfWolf mostra seu “trash’n’roll” cheio de blues e punk inspirado em filmes B

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WolfWolf

WolfWolf

Em sua página do Facebook, o duo WolfWolf diz que seu blues é “tão limpo quanto uma lixeira de São Paulo”.

Formada em Grünenwald, na Suíça, em 2011, a banda mistura blues e punk gerando um som sujo e white trash (e, segundo eles, tem até alguns elementos de new wave do começo dos anos 80). Vindos “da floresta”, Mr. Wolf e Mr. Wolf (eles não revelam os nomes verdadeiros) só precisam de uma bateria (tocada em pé) e uma guitarra pra criar uma barulheira infernal cheia de personalidade e coesão.

Conversei com Mr. Wolf (é, pode ser qualquer um deles) sobre a carreira da banda, a cena rocker da Europa e o aumento do número de bandas com dois membros no mundo do rock:

– Como a banda começou?

Tocávamos em uma banda de stoner rock chamada The Toenails. Quando a banda terminou, decidimos seguir em frente como um duo (baterista e guitarrista) em um novo projeto. We grew up in the Swiss mountains in the forest. So we wanted a name that connects with the wilderness. And we are two band members. Mr. Wolf and Mr. Wolf.

– Como surgiu o nome WolfWolf?

Nós crescemos nas montanhas suíças, na floresta. Então, queríamos um nome que se conecta com a natureza selvagem. E nós somos dois membros da banda. Mr. Wolf e Mr. Wolf.

– Vocês são uma dupla. Por que este formato é tão popular no rock hoje em dia?

Não tenho certeza. Mas para nós faz sentido porque é simples de trabalhar. Muito mais fácil do que com quatro ou cinco membros.

– Vocês descrevem seu som como “trash’n’roll”. Por quê?

Bom, gostamos de mantê-lo simples e cru. Mas eu realmente não sei se é a descrição correta. Há também uma grande quantidade de punk nele. E Blues, é claro.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Na verdade, gostamos de um monte de diferentes tipos de música. Cada década teve grandes bandas e músicas fantásticas. Todos boa música é uma influência e inspiração. Mas é claro que preferimos música com guitarra e bateria.

– Você pode falar um pouco sobre “Homo Homini Lupus”?

Nós gravamos o álbum ao longo dos últimos 4 anos em muitas sessões de gravação de curta duração. Nós geralmente tentávamos gravar duas músicas em um dia, assim tínhamos a certeza de que nenhuma das canções fosse superproduzida e todas fossem bem diretas. Gravamos cerca de 30 músicas para o álbum. As que nós e o público mais gostavam nos shows acabaram entrando no álbum. Tematicamente, é principalmente sobre as coisas estranhas que acontecem na vida.

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– Vocês são muito inspirados por filmes de terror e que tipo de coisa. Quais são seus favoritos?

Todos os tipos de Filmes B dos anos 50 até agora. Desde os filmes de Ed Wood até “Machete”. Nós dois somos grandes fãs de filmes independentes. Para escolher talvez um de muitos favoritos: “The Wolf Man” (de 1941).

– Como é que os filmes de terror se relacionam com sua música?

Bem, eu acho que nossas músicas são sobre os momentos estranhos na vida. O lado escuro e louco de pessoas. Provavelmente é uma maneira similar de mostrar isso com a nossa forma de arte.

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

Eu acho que para ganhar a vida trabalhando em um emprego regular e ainda encontrar tempo para fazer música. Nós temos um selo pequeno e eles fazem um excelente trabalho. Mas ainda é preciso muito tempo para construir conexões e promover turnês, música e assim por diante. Não é fácil, mas eu acho que nunca foi fácil para os artistas que tentam ficar longe do mainstream.

– A cena rock é mais forte na Europa? Eu vejo um monte de bandas novas que vêm de lá, muito mais do que dos EUA …

Sempre existiu uma grande cena subcultural na Europa. Especialmente na Alemanha. E o rock é muito maior do que o hip hop ou soul ou outro tipo de música moderna americana. Então, sim, eu acho que a cena do rock é muito forte. A Europa é definitivamente um bom lugar para ter uma banda de rock.

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– Diga quais novas bandas chamaram sua atenção ultimamente. (Especialmente se forem independentes!)

The Ghost Wolves, do Texas, são uma ótima banda. Parecida com o WolfWolf, mas com vocal feminino. Outra é the Dirty Fences. Óóóóóótima banda! E nós dois somos grandes fãs da cantora suíça Sophie Hunger. Ela provavelmente não conta como artista independente, mas é absolutamente fantástica!

T-Shirtaholic – Stone Roses, The Hives e Backstreet Boys

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Se você gosta dos Stone Roses ou apenas está com saudades da cena de Madchester, essa camiseta é pra você. Ian Brown agradece a preferência.

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The Hives, banda que faz um show energético como 1000 megatons de café coado no pano e que mandou muito melhor que os Arctic Monkeys em sua última vinda pra cá (que me perdoem os fãs de “Do I Wanna Know”). Grande arte de camiseta, aliás.

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Pra você que foi ver os Backstreet Boys tiozinhos no Brasil este mês ou pra quem ficou só na vontade, uma camiseta pra relembrar 1999.

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Verso Rude lança single “Último Dia” e promete novo EP ainda em junho

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Fundado em 2014, o grupo Verso Rude, formado por  Neph, JV e V-Beat, começou fazendo freestyle e brincando, voltando da escola dentro do ônibus. Em 2014 o grupo lançou seu primeiro EP, “Eu Sou o Problema” e o single “Último Dia”, lançado em junho de 2015, chamou a atenção de sites especializados em rap de todo o Brasil. O grupo promete que o sucessor do primeiro EP já está em produção e deve sair ainda neste mês.

“Pouco a pouco o rap tá tomando seu espaço de direito. A maior prova disso é o mercado: antes o rap não tinha mercado, não conseguia (em termos de vendas) bater de frente com outros estilos, e hoje podemos ver que em alguns lugares os shows de rap não preferência do público. Acho que o brasileiro está começando a gostar de música boa”, contou JV.

Conversei com a dupla sobre a cena do rap nacional, o lançamento de “Último Dia” e o funk ostentação:

– Me fale mais de seu novo single, “Último Dia”.

JV: “Último Dia” foi nossa primeira track, na verdade. Quando nem existia Verso Rude ainda. Acabei indo mexer no Facebook um certo dia e vi o soundcloud do Mr.Break, e resolvi clicar para conferir os novos beats à venda. Acabei achando um beat chamado unknown, que é o instrumental de “Último Dia”, e foi amor à primeira vista. Aquilo se encaixava perfeitamente comigo, e, mesmo sem ter a ideia de fazer uma música assim, no fundo tínhamos essa necessidade. A minha história e a história do Neph meio que se completam, ambos decepcionados no amor, frustrados, e logo que mostrei o beat pra ele a ideia veio. E naquele mesmo dia, à noite, começamos a ouvir SOJA e acompanhar as letras, prestar mais atenção nelas, o que deu inspiração o suficiente para criar essa faixa.

Naquela mesma noite fizemos nossos versos e o Neph fez o refrão. Ficou até bonito o refrão rimado, mas dez dias depois de pronta, quando fomos gravar no Studio Setor (comandado por Ramiro Mart) encontramos o DC, que também faz parte do Ello (outro grupo do Neph) e pensamos nele para o refrão, já com algo mais cantado. Gravamos no Setor, deu tudo certo. Ramiro Mart fez um trabalho lindo de mixagem e masterização, e essa faixa acabou sendo uma das melhores filhas que temos nesse primeiro EP.

– O EP “Eu Sou o Problema”, de 2014, é a estreia de vocês. Como rolou esse disco?

JV: Depois de ouvir a guia de “Último Dia”, uma ideia nos veio: Por que não criar um EP juntos? O Neph já tinha outro grupo (o Ello) e outros projetos, mas como amigos de infância, e pelo fato de termos começado a rimar juntos, decidimos criar um EP.
À princípio seria só um EP, não teríamos grupo nem nada, apenas dois amigos criando algumas faixas juntos. Criamos cinco faixas que acabamos nem usando. E, pouco a pouco em nossas conversas fomos chegando onde queríamos: montar um grupo.

– Como o Verso Rude se formou?

JV: Começamos a rimar em 2010, juntos, na volta da escola, dentro do ônibus.
Éramos muito ruins no começo, não conseguíamos completar duas rimas direito, porém tínhamos uma coisa que muitos não tem: Tempo e vontade. Ficamos o ano de 2010 inteiro rimando dentro do ônibus, fazíamos muito freestyle, batalhávamos um contra o outro, sempre vendo e ouvindo o Emicida, que na época era nossa maior referência.

Em 2011 eu (JV) me mudei, fui morar em Vassouras para fazer faculdade, o que me fez parar de ver o Neph com tanta frequência, e, consequentemente, diminuir o tempo que eu tinha para o rap, que na época era somente um hobbie. No fim de 2011 eu voltei para Rio Claro (Rio Claro – RJ, nossa cidade natal) buscando outra coisa, aquele curso não era para mim. Logo que voltei, eu e o Neph voltamos a nos reunir na casa dele todo dia, de segunda a segunda, e continuamos rimando, rimando e rimando.

Em 2012 comecei a fazer faculdade em Volta Redonda, o que nos deu ainda mais tempo para aquilo, já que íamos no mesmo ônibus e tínhamos o mesmo cenário de 2010. Já maiores, evoluídos e conhecendo mais de rap estávamos dispostos a levar aquilo para frente. Não viver disso, apenas buscar mais conhecimento, experiência, ficar mais técnico no que se diz respeito à fazer rima: Conhecemos a roda de rima de Volta Redonda.

Em Rio Claro, onde moramos, não tem cena do RAP. Ninguém aqui se interessava por isso na época, então tivemos que migrar para Volta Redonda. Chegamos na sétima edição da Roda de Rima, em um sábado quente. O evento estava marcado para 19h00, e a gente chegou as 18h00 e ficamos esperando por alguém até as 21h00. Vimos um pessoal se reunindo na praça (hoje chamada de praça do rap) em baixo da biblioteca, e fomos lá para ver. Trocamos um pouco de ideia com o pessoal, até que começou a roda.

Os caras pareciam ter experiência, tranquilidade e tudo que a gente não tinha na época. Eu lembro que vi o Grilo (um MC de Volta Redonda) rimando e fiquei impressionado, o cara era sinistro. Aí ele me chamou pra rimar, recusei o convite, estava um pouco tenso, com vergonha, medo de errar, sei lá, e acabei passando a bola pro Neph.

Ele mandou umas rimas e gritaram pra ele, aquilo despertou nele uma vontade maior, pude ver. Fizemos aquela rotina juntos por mais três ou quatro rodas de rima, até a décima ou décima primeira, e depois mais uma pedrada do destino: Acabei me afastando novamente do rap por influência de uma ex namorada.

Dizendo que àquilo não daria futuro, que eu deveria crescer, parei de fazer freestyle, parei de escrever, parei de frequentar eventos de rap. Por outro lado, a vida do Neph no rap ia de vento em poupa, acabou se tornando amigo do pessoal da roda de rima, virou ícone após vencer muitas batalhas lá, criou um grupo chamado Ello Crew (referência em VR) e acabou indo para a batalha do real.

Eu continuei estudando, e mesmo vendo o Neph todo dia e ouvindo histórias de rap, fingia não me importar. Até que meu relacionamento veio à baixo… três anos e meio, tudo caiu. Passei uma semana horrível, me reconstruí e fui me reconstruindo aos poucos. Costumo dizer que morri em vida e renasci para o rap.

Continuei afastado, não frequentava mais a roda de rima e nem rimava com o Neph, mas voltei a fazer freestyle, voltei a escrever, eu já estava mais maduro. Estava mais observador, acabei aprimorando meu rap, me tornei muito técnico nisso e evoluí da minha maneira, sozinho. Até que um dia, como citei anteriormente, entrei no facebook e ouvi o beat do Mr.Break… e toda aquela ideia de criar um grupo voltou.

Depois das cinco faixas ruins que escrevemos, chegamos a ideia de criar um grupo, o que tornou a coisa mais séria ainda: Tínhamos a meta de escrever 50 letras, e só depois dessas 50 íamos escolher algumas para compor o EP. Acabamos criando 45 letras em uma semana, aquilo foi incrível. Tínhamos muita letra, muita ideia, muito conteúdo, mas não tínhamos um conceito para o EP. Naturalmente surgiu isso. “Eu sou o Problema” era uma faixa que eu escrevi nesse tempo “afastado do rap”, que acabou entrando para o EP depois do Neph ouvir e gostar. O resto do conceito vocês só vão entender depois que ouvirem. Sai ainda esse mês (Junho).

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Quais são suas maiores influências musicais?

Neph: J Cole, Kendrick Lamar, Wu Tang, Sintese, Travis Scott, Soja, Djvan
JV: Mos Def, Biggie, Emicida, Kamau, Kendrick Lamar, Soja

– Vocês acreditam que a cena rap está se expandindo no Brasil?

JV: Sim, sim. Pouco a pouco o rap tá tomando seu espaço de direito. A maior prova disso é o mercado: antes o rap não tinha mercado, não conseguia (em termos de vendas) bater de frente com outros estilos, e hoje podemos ver que em alguns lugares os shows de rap não preferência do público. Acho que o brasileiro está começando a gostar de música boa.

– Muitas garotas estão entrando no mundo do rap e não aceitando atitudes machistas que antes permeavam o estilo. Qual a opinião de vocês sobre isso?

JV: Assunto muito delicado, posso ser mal entendido ao falar disso, mas… o rap é liberdade de expressão acima de tudo, ou seja, você tem que falar a sua verdade. Seja lutando contra o machismo ou falando de qualquer outra coisa, ela tem que ser sincera, pois comprar uma causa sem fundamento é lutar em vão. Escreva com fundamento, exponha seus argumentos, faça isso mudar. Reclamar por reclamar não vai levar a lugar algum. E, do mesmo jeito que eu apóio mulheres lutando contra o machismo, eu também apoio o direito de cada um falar sobre o que quiser: isso é o rap!

– Ainda existe uma rivalidade entre rap paulistano e carioca?

JV: Olha… deve existir sim. Existe rivalidade entre duas ruas, dois bairros, por que não entre dois estados? Mas acho que o rap é acima disso tudo, somos um coletivo, essa tal “rivalidade” só serve para evoluir, fazer com que os dois lados cresçam. Sem falar que… já foi o tempo em que o rap só era forte no Rio e em Sampa, podemos perceber muitos caras sinistros no sul, nordeste. O Brasil tá cheio de gente talentosa.

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– O rap americano possui muito da “ostentação” que aqui aparece no funk. Porque o rap em geral não entrou nessa?

JV: O fato do rap falar sobre realidade já explica isso. Os primeiros mcs não tinham o que ostentar, e nem tinham porque ostentar. Muita coisa precisava ser dita, tinha muita mensagem pra ser passada, o plano nunca foi ostentar, e sim informar. Com esse tal mercado que criou-se em torno do rap, muitos mcs já vivem disso, e alguns tem até condição de ostentar, e ostentam. Não tem porque esconder o dinheiro ou ter vergonha de ganhar dinheiro. Se você tem para ostentar, ostente. Mas faça isso com a qualidade que você teve para ganhar aquilo tudo, com fundamento, e não falando asneira. O Brasil criou um pensamento de que rapper bom é rapper pobre, e eu não consigo entender isso.
Talento, talento é a palavra! Cresceu? Ganhou dinheiro? Ajude quem você tiver que ajudar, mas não tenha vergonha de ostentar. Afinal, prefiro ver um rapper que eu escuto, um ídolo, alguém que eu escuto, montado no dinheiro do que um cantor de sertanejo.

– Quais rappers brasileiros que não estão na grande mídia vocês recomendam?

Neph: Ramiro Mart, Pachá, Zona Verde e Indigesto.
JV: Pachá, Liink, Kayuá e Ramiro Mart.

Ouça o EP “Eu Sou o Problema”:

Os samples que KLJay usou para criar “Capítulo 4, Versículo 3”, dos Racionais MC’s

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“Capítulo 4, Versículo 3” foi um dos maiores sucessos de “Sobrevivendo no Inferno”, o disco dos Racionais MC’s de 1997 que estourou e colocou as quilométricas letras de Mano Brown, Ice Blue, Edy Rock e do DJ KLJay na boca de todo o Brasil. A música chegou a ser apresentada ao vivo no VMB de 1998, um lugar onde normalmente o quarteto não apareceria nem amarrado.

Desvendaremos agora alguns dos samples que KLJay usou para montar essa música que foi um dos passaportes que levaram os Racionais MC’s a serem o grupo de rap paulista mais conhecido do país:

O sample que vem logo após a participação de Primo Preto (aos 0:23) vem diretamente da banda War e sua “Slippin’ Into Darkness”, do disco “All Day Music”, de 1971.

Já a batida característica que acompanha Mano Brown em toda a música vem de Tom Scott and the L.A. Express e sua “Sneakin’ In the Back”, de 1974. Dá o play que você vai reconhecer logo de cara:

O famoso e belo “Aleluia” que aparece na música dos Racionais vem da gargante de ninguém menos que Sade Adu, em sua música “Pearls”, do disco de 1992 “Love Deluxe”.

Já o baixo cheio de groove veio dos Ohio Players em “Pride and Vanity”, de 1972, tirada do disco “Pleasure”.

E, finalmente, o “Filha da puta / Pá, pá, pá” é sampleado de “Eles Não Sabem Nada”, do MRN. O disco que contém a música é “Só Se Não Quiser”, lançado em 1994:

“O Rap precisa ser menos orgulhoso e menos cara feia”, diz SuspeitoUmDois, que lança o single “Eu Sei”

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O SuspeitoUmDois é um grupo de rap vindo diretamente da cidade de Correntina, na Bahia, que começou há mais de 10 anos sem muitas pretensões, buscando apenas se divertir.  Desde 2014, Binho SUD (Letrista e Vocalista), Maurício MDN (Vocal e Beatmaker) e Bruno Santos (DJ) estão em São Paulo buscando seu espaço na cena do rap da selva de pedra. Lançaram em maio o single “Eu Sei”, seu primeiro trabalho em solo paulistano, e atualmente estão trabalhando na produção de seu próximo álbum.

O grupo lançou uma demo chamada “Suspeito Até Morrer” com 15 faixas em 2008, além de participarem de clipes juntamente com a família Realidade Sangrenta, com quem lançaram o single “Não Sou Artista”. Em 2011, lançam seu primeiro álbum, “BemSuspeito”, e em 2013 o EP “K-Taflã”.

Conversei com o grupo sobre o novo single, a trajetória da banda, o funk ostentação e a cena rap paulistana e carioca:

– Me falem mais de seu novo single, “Eu Sei”.

O single “Eu Sei” é uma música de 2009 que tava no fundo da gaveta. Resolvemos lembrar um pouco as composições antigas e decidimos produzir um novo beat e regravá-la. Na música temos a participação do nosso Beatmaker e produtor Maurício MDN, que tem seus trabalhos solo, mas que hoje é um integrante do SuspeitoUmDois, pois onde estamos ele também está, seja em shows ou no rolê. O Beat navega meio que entre um Blues e um Funk dos anos 70, com característica a batida seca e o baixo marcante de referência. A letra trata mais das questões particulares dos integrantes do grupo e da vida de quem busca alcançar através da música sua glória em meio a sociedade, família e condições.

– Como o SuspeitoUmDois se formou?

O SuspeitoUmDois surgiu sem muita pretensão de ser um grupo de rap no cenário nacional. Em 2004, ainda em Correntina, interior da Bahia, nossa perspectiva de vida era outra, a gente tava na faixa dos 15 e 16 anos, era mais diversão ao invés de compromisso. Mais para 2011 que começamos a investir, ir pra estúdio, investir em CD, vídeos, se aprofundar mais no quesito informação, leitura, a cultura, empreendedorismo e tudo mais. No início o grupo tinha 6 integrantes, em 2009 houve outra mudança e em 2014 o grupo acabou seguindo apenas com o integrante Binho SUD e o DJ Bruno Santos ainda em Salvador, Bahia. No ano de 2015 Maurício MDN entrou para o grupo, como vocalista e letrista, juntamente com Binho, agora já em São Paulo.

– Quais são suas maiores influências musicais?

Escutamos muita música popular brasileira, particularmente os integrantes tem suas preferências. O DJ Bruno é voltado mais para escutar um ragga, dub, reggae, bossa nova, samba. O vocalista e letrista Binho SUD é muito fã de Gonzaguinha, Chico Buarque, Luiz Gonzaga, Caetano Veloso, Chico César, 2Pac, Tim Maia, Wilson Simonal e em especial do forró pé de serra, pois vem de uma família engajada no ritmo. O vocalista e beatmaker Maurício MDN tem muita influência de dentro do rock e reggae, da galera mais underground da cena, do funk nacional também e da música gaúcha, desde Nitro Di até Rutêra.

– Vocês acreditam que a cena rap está se expandindo no Brasil?

Sim! O Rap hoje em dia tá tendo mercado e um público mais jovem. Muitos confundem esse público como algo maléfico para a cultura, mas nós do SuspeitoUmDois não. Acreditamos que aquilo que se movimenta, que se renova e não se estagna, é que sobrevive em meio ao tempo e as circunstâncias. Ir na Tv fazer o que se faz em qualquer palco não significa estar desorientado, ao contrário, é necessária muita orientação para fazê-lo. Outra questão é a propagação dos trabalhos via internet, mídia muito importante para a rapaziada dessa nova era.

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– Ainda existe uma rivalidade entre rap paulistano e carioca?

Estamos em São Paulo há pouco mais de um ano, viemos de uma realidade totalmente diferente da cena daqui, somos da Bahia, de uma predominância brutal do pagode, axé e demais ritmos locais. O que conseguimos ver é que há uma diferença gritante do rap do Rio e do rap SP. O rap do rio é semelhante a um aluno do último semestre de um curso superior, mais soltão e despreocupado, já o rap de SP, apesar de ser pioneiro, ainda parece aquele aluno novato, fazendo um rap preocupadão, preso a certos paradigmas. Nós gostamos de muitos rappers de SP, uns são mestres, mas a rapaziada do Rio faz mais um som com a cara da Bahia, talvez por sermos litorâneos.

– O rap americano possui muito da “ostentação” que aqui aparece no funk. Porque o rap em geral não entrou nessa?

O rap até que queria entrar nessa, dá pra notar, mas a rapaziada do Funk veio, se adiantou, se informou e explodiu. O rap vendo isso tudo, pensou, “vamo ficar na nossa pois a gente é muito maior do que isso”. Daí surgiu aquela questão, de que o funk chegou onde o rap faltou. Mas achamos que o rap precisa ser menos orgulhoso e menos cara feia. É o que achamos, o público quer ser feliz e ver os artistas felizes também. Nós do SuspeitoUmDois somos amigos de MCs de funk, de cantores de axé e forró, somos desprendidos de qualquer tipo de preconceito.

– Quais rappers brasileiros que não estão na grande mídia vocês recomendam?

Recomendamos os grupos Opanijé, Turma do Bairro, Noblah, Sensato Du-etos, da Bahia. Também os grupos NSC de Alagoas e Agregados do Rio Grande do Norte. Há muitos outros rappers, mas preferimos citar os que ouvimos e vemos com frequência.

T-Shirtaholic: Madonna, Keith Richards e Banda Uó

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Camiseta Banda Uó

Ela teve tantas fases quanto David Bowie e consegue manter o posto de rainha do pop mundial mesmo com tantas novas “divas” pipocando. Madonna em sua fase anos 80 em diversas fotos estampa esta camiseta da Sensorial. Who’s that girl?

Camiseta Madonna

Quanto? R$ 59,90
Como comprar? http://www.usesensorial.com.br/produtos/madonna-ae35efd0-fdb3-47c3-bb32-81acae53235a
Onde consigo mais disso? Sensorial


Quando o mundo acabar, só sobrarão ele e as baratas (e talvez o Ozzy). Keith Richards, o imortal, estampa esta camiseta da Bendita Augusta.

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Quanto? R$ 49,90
Como comprar? http://www.benditaaugusta.com.br/galeria.php?pagina=3#produtos
Onde consigo mais disso? Bendita Augusta


O debochado trio de pop tecnobrega e adjacências Banda Uó ganhou uma camiseta com um visual que combina com o grupo pela Ops Camisetas.

Camiseta Banda Uó

Quanto? R$ 54,90
Como comprar? http://www.opscamisetas.com.br/camisetas/musica/cbandauofazuo.html
Onde consigo mais disso? Ops Camisetas

Quando os Mamonas Assassinas enfiaram Rush e Dream Theater em sua “Bois Don’t Cry”

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Mamonas Assassinas

O sample desvendado de hoje não é exatamente um sample. É mais uma… “inspiração”. Uma “influência”. Ou, se você quer falar o nome certo: um pequeno plágio. Uma chupinhadinha entre colegas de profissão.

Quando o primeiro disco do quinteto de Guarulhos Mamonas Assassinas saiu, em 1995, todo mundo sabia de cor e salteado as letras do grupo. TODAS. Do começo do disco, com a Chili Pepperiana “1406”, até seu final, com o pagode-rock “Lá Vem o Alemão” (com língua presa vinda diretamente do Raça Negra), os Mamonas dominaram as paradas e podiam tocar o disco inteiro na TV sem medo, sempre dando recordes de audiência e rios de dinheiro para os envolvidos.

Em “Bois Don’t Cry”, uma canção que passeava pelo brega e brincava com o maior hit do The Cure em uma letra dolorosa sobre traição, Dinho e seus amigos colocaram metais característicos (que acabaram sendo sampleados em alguns funks como “Agora Eu Tô Solteira”, da Gaiola das Popozudas), vocal chorado com piadas adolescentes e um final mais pesado (como era comum nas composições do grupo):

O sample dos metais foi parar no hit do grupo de Valesca Popozuda. Agora ela é solteira e ninguém vai segurar:

O momento em que a música muda de andamento com a frase “Vejam só como é que é a ingratidão de uma mulher” é literalmente chupado (sem dar crédito, é lógico) do Rush e seu eterno hit e tema da série McGyver “Tom Sawyer”, que toca até cansar em algumas rádios rock brasileiras. É inclusive uma forma de usar o teclado de Júlio Rasec de forma mais ~criativa~ e menos “churrascaria” do que acontecia normalmente:

Já o trecho que vem a seguir é um riff tirado diretamente com boticão de uma música do grupo de prog metal Dream Theater, “The Mirror”. Provavelmente coisa do guitarrista Bento Hinoto, fã de metal em geral e rock progressivo.

Está de saco bem cheio de seu emprego? Temos 10 músicas especialmente pra você.

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Tem dias em que você chega no trabalho e já quer dar um chute na mesa e mandar seu patrão chupar um prego até virar parafuso. Tem dias em que o filme “Um Dia de Fúria” faz muito sentido pra você. Dias em que a hora extra é como uma tortura medieval e cada minuto é como uma farpa enfiada debaixo das unhas. Se seu emprego já não te satisfaz profissionalmente e ainda acaba atrapalhando (ou até tirando) sua vida pessoal, a coisa tá feia.

Para você, que a toda semana está pensando no dia em que estará de folga, ou você que está pensando seriamente em levantar de sua cadeira, falar que vai comprar um cigarro e nunca mais dar as caras na empresa, criei uma listinha com 10 músicas que talvez falem direitinho como você está se sentindo.

(Ah, uma dica: comece já a mandar currículos. Ou peça demissão de uma vez!)

Thundamentals“Quit Your Job”
Pra quem está na dúvida se pede ou não demissão e continua empurrando o emprego com a barriga até que apareça algo melhor.

Yo I couldn’t give a toss, about my shitty job
Wrote a letter to my boss “Man you really are a slob”
Definition of a dog, wishing I was gone
Kicking back with a six-pack, sitting on the lawn
But I’m not, ‘stead I’m here feeling overtired
Cos I don’t get no shine for my overtime
I got no desire to be busting for the loop
You’re lucky I don’t hustle for industrial dispute
For now I’m in the backroom, puffing on a doob
While you’re bludging in your office, scuffing muffins by computs
Thinking who the fuck are you, to tell me what to do
I want to say it to your face but I’m afraid I’ll get the boot

Ramones“The Job That Ate My Brain”
Pra quem está ficando maluco e sente diariamente o emprego derretendo seu cérebro pouco a pouco.

I can’t take this crazy pace
I’ve become a mental case
Yeah, this is the job that ate my brain
Go to work, it’s such a drag
Face the boss, he’s such a nag
In a suit and in a tie
I look so late I wanna die

Patife Band“Tô Tenso”
Pra quem tá fazendo hora extra todo santo dia e está quase indo até o banheiro se enforcar com a gravata.

Escureceu,
É noite de um dia duro
Alguém gemeu
A barra tava pesada
O dia inteiro
Trabalhando pra cachorro
Nó de gravata
Deixa qualquer um maluco
Tô tenso, tô tenso, tô tenso
Tô cansado
Propenso, propenso, propenso
Ao suicídio

Lou Reed“Don’t Talk To Me About Work”
Pra quem gosta mais do caminho até o trabalho do que do emprego em si.

Don’t talk to me about work
please don’t talk to me about work
I’m up to my eyeballs in dirt
with work, with work
How many dollars, how many sales
how many liars, how many tales
How many insults must you take in this one life

Tim Maia“Sossego”
Pra quem só quer um pouco de sombra e água fresca (pelo menos por um tempo).

Ora bolas, não me amole
Com esse papo, de emprego
Não está vendo, não estou nessa
O que eu quero?
Sossego

Tom Waits“I Can’t Wait To Get Off Work”
Pra quem mal consegue ver seu namorado/namorada/marido/esposa por causa do emprego.

And I can’t wait to get off work and see my baby,
She said she’d leave the porch light on for me.
I’m disheveled and I’m disdainful and I’m distracted and it’s painful,
But this job sweeping up here is gainfully employing me tonight.

Dead Kennedys“Take This Job And Shove It”
Pra quem já decidiu mandar o chefe ir lamber sabão e procurar um emprego melhor (ou tirar uns dias em casa, quem sabe).

Take this job and shove it
I ain’t working here no more
My woman done left and took all the reasons
I was working for
You better not try to stand in my way
‘Cause I’m walkin’ out the door
Take this job and shove it
I ain’t working here no more

Legião Urbana“Fábrica”
Pra quem cansou de se sentir escravo no emprego e tá afim de arranjar um trabalhinho mais honesto.

Nosso dia vai chegar
Teremos nossa vez
Não é pedir demais
Quero justiça
Quero trabalhar em paz
Não é muito o que lhe peço
Eu quero um trabalho honesto
Em vez de escravidão
Deve haver algum lugar
Onde o mais forte
Não consegue escravizar
Quem não tem chance

Butthole Surfers“I Hate My Job”
Essa vai pura e simplesmente pra quem ODEIA seu emprego atual. Calma, vai dar tudo certo.

While walking to work most every day
I don’t know what to do than fuck all day

And I’m at a fucking desk and I fucking had it at it ‘n’ all the rest
I hate my job! I hate my job! I hate my job!
I hate it
While walkin’ to work and then fucking seeing ‘em
I don’t give a god damn or apology
You gonna fuck with me?
you’re fucking arrogant
Gonna shoot my boss, god damn

Os Mutantes“Senhor F”
Pra quem já passou de seus limites e tá doido pra dar um chute (literal) no patrão.

Você também
Quer ser alguém
– abandonar
Mas tem medo de esquecer
O lenço e o documento outra vez
Dê um chute no patrão
Dê um chute no patrão
Dê um chute no patrão

Supersuckers“Paid”
Pra quem se submete a coisa horríveis pois as contas não param de chegar… e precisamos de grana.

So I just put my heart on ice
Thaw it out when I’m home
Cause it just might need the rest
So it don’t break when I’m alone
On a trip and when I think
I can’t take another day
But I have to press on
Cause there’s no other way
I gotta work and I gotta get paid