Awesome Gig Posters [7]: Flaming Lips, 2013

 

 

O Flaming Lips é psicodélico no som, no show, nas declarações, nos discos e até nas colaborações (até com Miley Cyrus o Wayne Coyne já cantou). Porque os pôsters de shows iam ser diferentes?

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Quem? Flaming Lips
Onde? Bestival, Isle of White, UK
Quando? 05/09/2013
Artista do cartaz: Matt Saunders

Provável setlist:

  1. (DEVO cover)

Ali Koehler (ex-Best Coast) se junta a ex-baterista do Hole na banda Upset, formada só por garotas

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Ali Koehler era baterista das bandas Best Coast e Vivian Girls. Um dia, ela resolveu que era hora de tomar a frente de uma banda e falar tudo que queria no microfone, com a guitarra em punho. E foi assim que nasceu a banda Upset, um quase supergrupo (“chame como quiser”, disse ela) formado apenas por garotas.

Ali juntou-se a Patty Schemel (ex-baterista do Hole que ela conheceu pelo Twitter), Jennifer Prince (ex-guitarrista do La Sera) e Rachel Gagliardi (baixo) e o resultado foi o disco de estreia “She’s Gone”, lançado em 2013 pela gravadora Don Giovanni Records. Com 12 músicas e menos de 30 minutos, o disco é constituído de um som pop-punk cheio de ganchos, riffs e gritos sinceros.

Falei com Ali sobre a banda e sua trajetória:

– Como a banda começou?
Eu queria tocar guitarra e cantar novamente e a Patty também tava afim. O resto é história.

– Como surgiu o nome da banda, Upset?
Porque não? A vida pode ser difícil pra caralho.

– Quais são suas influências musicais?
Atualmente: Jawbreaker, Weezer, Saves the Day, The Get Up Kidz, Green Day, Paramore, Joyce Manor.

– Como foi o processo de deixar a bateria pra se tornar uma band leader?
Foi realmente libertador. Eu finalmente me senti confortável para falar o que penso.

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– O Upset pode ser considerado um supergrupo? Vocês vieram de quatro grandes bandas.
Diga como quiser. Somos apenas amigas com um pensamento parecido que querem fazer música para sempre.

– Como é o processo de criação das músicas da banda?
Normalmente eu crio o esqueleto de uma música e todo mundo ajuda a incluir os músculos e carne.

– O machismo ainda está rolando forte na indústria musical hoje em dia?
Ainda existe com muita força em todos os aspectos da vida entre as pessoas escrotas. Nós evitamos esse tipo de gente.

– Como você define o som da banda?
Pop punk.

– Se vocês pudessem tocar junto com qualquer banda, qual seria?
Weezer, Swearin.

– Quais são os próximos passos da Upset?
Acabamos de gravar uma fita. A data de lançamento e da tour serão divulgadas em breve.

– Que bandas novas chamaram sua atenção recentemente?
Girlpool, Stephen Steinbrink, Martha, Charly Bliss, lvl up.

Os velhinhos se divertem com o The Zimmers, banda formada somente por idosos no Reino Unido

the_7 Uma banda de rock do Reino Unido que tem os membros mais idosos do mundo. Não, não estou falando dos Rolling Stones. O grupo de velhinho que continuam mandando ver é o The Zimmers, formado em 2007.

Formada apenas por membros que possuem mais de 70 anos, a banda se uniu para um documentário da BBC que mostrava a formação da banda e a gravação de um single para levar ao público o sentimento de isolamento e solidão que acomete muitos idosos. A música escolhida? “My Generation”, do The Who, que tem a clássica frase “I hope I die before I get old”. Ah, o bom humor dos ingleses…

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Em 2008, saiu o primeiro disco do grupo, “Lust For Life”, com covers de Beatles, Frank Sinatra, Eric Clapton, Prodigy e, lógico, a música de Iggy Pop que dá nome ao álbum.

Já que os integrantes são velhinhos, aconteceram alguns falecimentos, infelizmentes. Buster Martin, nascido em 1906, se foi em 2011, e o primeiro vocalista, Alf Carretta, que faleceu aos 93 anos, em 2010. Além deles, os membros Jack Beers, Joan Bonham (mãe do ex-baterista do Led Zeppelin John Bonham), Frank Morrissey, Peter Oakley e Winifred Warburton também já se foram.

http://www.youtube.com/watch?v=zqfFrCUrEbY

Mesmo com estas baixas, a banda segue firme e forte, tendo inclusive participado do reality show Britain’s Got Talent em 2012 com “(You Gotta) Fight For Your Right (To Party!)”, dos Beastie Boys, chegando inclusive às semifinais do programa com uma apresentação da música do LMFAO “Sexy And I Know It”. Sim, é inacreditável o vigor dos velhinhos!

They’re firestarters! O senhorzinho vestido de Keith Flynt é algo impagável.

Fita demo de 1982 que ajudou a levar os Paralamas ao sucesso está disponível no Soundcloud

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Em 1982, os Paralamas do Sucesso gravaram uma fita demo com 10 músicas saídas diretamente de um ensaio no estúdio improvisado na casa de Vovó Ondina. Quatro dessas foram enviadas à Fluminense FM e estouraram, pavimentando o caminho para que o trio estourasse no Brasil inteiro e se tornasse uma das maiores bandas do Brasil.

A tal demo agora está disponível para que você ouça a gravação caseira com músicas que acabaram indo para o primeiro disco do grupo pela EMI, “Cinema Mudo”, como “Patrulha Noturna”, “Vital e Sua Moto” e “Vovó Ondina É Gente Fina”. Sim, todo mundo sabe que Herbert Vianna e cia. não são muito fãs do primeiro registro do grupo, mas vale pela curiosidade de ouvir como o grupo soava em seus primórdios.

Ouça a fita demo de 1982 aqui:

Conheça os grandes casos de desinteligência, porradaria e tretas encarniçadas entre músicos e bandas

Não, o post não é um esquema Ratinho pra aumentar a audiência do blog. Não, não é um episódio musical de Casos de Família. Porém, há uma semelhança: brigas sem muito motivo, picuinhas e às vezes até voam uns sopapos. Hoje, uma pequena lista das inúmeras tretas que sempre rolam entre músicos e bandas.

Miley Cyrus vs. Sinéad O’Connor

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Quem começou foi a popular rasgadora de fotos do Papa e cantora do hit “Nothing Compares 2 U”. Ela postou uma carta aberta em sua página do Facebook descendo a lenha em Cyrus, dizendo que a ex-Hannah Montana devia tomar cuidado pra não ser explorada pela indústria da música: “A indústria não dá a mínima para você, ou para qualquer uma de nós. Eles vão prostitui-la por tudo que você vale e facilmente vão fazer você pensar que isso era o que VOCÊ queria… e quando você acabar em uma clínica de reabilitação por ter sido prostituída, ‘eles’ vão estar em seus iates em Antígua, que eles compraram com a venda de seu corpo, e você vai se sentir muito sozinha”. Cyrus então ironizou o transtorno bipolar de O’Connor em mensagens do Twitter, e Sinéad respondeu com a frase “Quando você acabar na ala psiquiátrica ou reabilitação, eu vou ficar feliz em visitá-la”. Ouch.

Mariah Carey vs. Nicki Minaj

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Em 2012, alguém teve a ideia de colocar Mariah Carey e Nicki Minaj como juradas do programa American Idol. No papel, parece inclusive uma boa ideia, certo? É, mas não deu. As duas se estranharam desde o começo, inclusive chegando a um momento em que Minaj saiu do estúdio puta da vida dizendo que não aguentava mais trabalhar com a “alteza”. Carey então contratou uma equipe de seguranças, pois se sentia “insegura” perto da rapper. Em 2013, a rapper continuou cutucando no Twitter: “Ela está triste porque eu conquistei o recorde dela no Hot 100 em apenas três anos de carreira. Sim, uma rapper feminina negra.  O que você precisa questionar é o motivo de uma mulher tão bem-sucedida na idade ela ainda é tão insegura e amarga”

Kurt Cobain vs. Axl Rose

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Tudo começou graças à encrenqueira grunge preferida pela garotada. No VMA de 1992, Courtney Love viu Rose passando enquanto ela segurava a filha dela e de Kurt, Frances Bean. Ela imediatamente começou a berrar para ele: “Ei, Axl! Axl! Olha aqui! Você é o padrinho!”. O frontman do Guns’n’Roses então parou e falou para Kurt Cobain: “Controle sua mulher, por favor”, o que Kurt respondeu repetindo a frase com ironia para Love. Após a apresentação do Nirvana tocando “Lithium” naquela noite, Dave Grohl foi ao microfone pra aumentar a cutucada. “Cadê o Axl? Axl, cadê você? Ah, ali! Oi Axl! Oi Axl! Oi Axl!”, repetia.

Justin Bieber vs. Patrick Carney

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Tudo começou quando o TMZ foi atrás do baterista do Black Keys durante o Grammy de 2013 perguntando o que ele achava da falta de indicações de Justin Bieber na premiação. Sim, eles cutucaram porque querem ver sangue, todo mundo sabe. Carney deu o que eles queriam: “Bom, ele é rico, certo? Os Grammys são para, tipo, música, não por dinheiro… e ele está ganhando muito dinheiro. Ele deveria estar feliz, acho”. Bieber ficou putinho e no dia seguinte falou que o baterista deveria “levar uns tapas”. E seus fãs caíram matando em cima de Carney, lógico.

Kid Rock vs. Tommy Lee

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Chegamos à primeira briga onde rolou porradaria, violência e vias de fato. Ambos já tiveram relacionamento com a ex-Baywatch Pamela Anderson, e pelo jeito a moça foi o motivo de toda a treta. Quando eles se trombaram no VMA de 2007, começaram a se xingar loucamente e Kid Rock desferiu o primeiro soco. Pelo que dizem, parecia briga de colégio e o negócio teve que ser separado pelos seguranças da Mtv. Tsc, tsc…

Gene Simmons vs. Carlos Santana

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E olha que quem começou dessa vez nem foi o encrenqueiro Simmons. Santana fez o comentário de que Gene “não é um músico, é um cara do entretenimento. Kiss é entretenimento de Las Vegas, então ele não sabe o que é música, de qualquer forma. É por isso que ele veste todas aquelas coisas lá”. No começo, o baixista do Kiss deixou quieto (“Nem todo mundo gosta da mesma refeição”), mas depois caiu de pau: “Estou cansado de bandas como a de Carlos Santana olhando para seus próprios sapatos e achando que aquilo é um show de rock”.

Blur vs. Oasis

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Uma briga clássica dessas não poderia ficar de fora. As duas grandes bandas do britpop nunca se bicaram e quando ambos lançaram singles no mesmo dia (“Country House” do Blur e “Roll With It” do Oasis) a coisa foi ficando mais feia. Noel Gallagher sempre cutucava o Blur, que ironicamente dedicava seu prêmio do Brit Awards de 1995 ao Oasis. Noel respondeu com a fineza que lhe é peculiar: “Espero que Damon Albarn e Alex James peguem AIDS e morram”. Hoje em dia, incrivelmente, a briga mais popular da Inglaterra parece ter acabado com Noel Gallagher tendo inclusive feito uma participação junto com Damon Albarn em “Tender”, do Blur, em um evento de caridade.

Dave Grohl vs. Courtney Love

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Desde que Kurt Cobain morreu, Courtney Love não deu uma colher de chá para o ex-baterista da banda de seu marido. O líder do Foo Fighters já teve que ouvir Love clamar para que todo o público do seu show gritasse “os Foo Fighters são gays” (senão ela ia embora do show), disse que Grohl deu em cima de Frances Bean, filha dela e Kurt (o que Frances e Grohl negaram), entre muitas outras coisas que só a líder do Hole é capaz. Recentemente eles “fizeram as pazes” durante a cerimônia de indicação do Nirvana ao Rock and Roll Hall Of Fame.

Michael Jackson vs. Paul McCartney

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Outra briguinha clássica. Sim, todo mundo concorda que o Jacko deu motivos pra Paul odiá-lo. Eles eram amigos, faziam parcerias e até clipes super-amiguinhos como “Say Say Say”. Pois aí McCartney deu a dica a Jackson: “compre direitos de músicas, é um puta negócio”, ele disse. Michael Jackson não é bobo nem nada e aproveitou para comprar os direitos de todas as músicas… dos Beatles. Dá pra entender porque Paul ficou chateado e as relações dos dois ficaram estremecidas desde então.

Vivian Campbell vs. Ronnie James Dio

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Sim, até com o Dio o povo consegue implicar. O ex-guitarrista da banda Vivian Campbell disse que Dio era uma das pessoas mais vis da indústria musical, e Dio respondeu que Campbell, que foi para o Def Leppard, é um “fucking asshole, a fucking piece of shit”. Campbell diz que as declarações contra Dio são devido ao fato de que ele foi excluído da banda. Após a morte de Dio, Campbell se reuniu com a banda para tocar com outro vocalista. “Esses riffs são meus e eu quero continuar a tocá-los”.

Sammy Hagar vs. Dave Lee Roth

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Uma briga digna de Celebrity Deathmatch. Os dois vocalistas do Van Halen (vamos fingir que a fase com Gary Cherone nunca existiu, assim como a banda faz) adoram trocar farpas desde que Sammy entrou em cena. Diamond Dave adorava falar que “Sammy é como o segundo Darrin de ‘A Feiticeira'” e que “Ao contrário dele, nunca preciso cantar músicas que não são minhas nos shows”. Já Hagar chamou Roth para a porrada. Seria interessante, já que Sammy é boxeador e Roth fã de artes marciais. Seria quase um MMA, vejam só.

Stephen Malkmus vs. Billy Corgan

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Stephen Malkmus fez a singela letra de “Range Life”, do clássico disco “Crooked Rain, Crooked Rain” do Pavement. “Out on tour with the Smashing Pumpkins / Nature’s kids, they don’t have no function / I don’t understand what they mean / And I really could really give a fuck”. Como Billy Corgan é irritadinho, não deixou quieto. “Acho que isso é inveja”, disse Corgan. “As pessoas não se apaixonam pelo Pavement. Elas gostam de Smashing Pumpkins, Hole ou Nirvana, porque essas bandas significam algo para eles”. Sim, Corgan ainda fica falando sobre o assunto até hoje.

Chorão vs. Marcelo Camelo

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Chorão sempre foi reconhecido por ser esquentadinho e adorar dar uma de machão pra cima dos outros. Entre suas brigas, estavam Marcelo Falcão d’O Rappa e até Badauí do CPM22, a quem o Marginal Alado dirigiu a frase “Quem esse CPM22 pensa que é? É um bando de playboys. Badauí, se você cruzar no meu caminho, tá ferrado”. Mas o caso que mais repercutiu foi com Marcelo Camelo. O líder do Los Hermanos deu uma entrevista dizendo que “esse negócio de fazer comercial para Coca-Cola é um desdobramento da indústria, a gente rejeita esse negócio de vender atitude”, sendo que o Charlie Brown Jr. havia feito uma propaganda para o refrigerante. As duas bandas participaram do festial Piauí Pop em 2004 e Chorão foi tirar satisfações com Camelo no aeroporto, acertando-lhe um soco no olho. Segundo as matérias da época, o caso ainda teve Rodrigo Amarante correndo atrás de Chorão no aeroporto, uma cena hilária de se imaginar.

LSJack vs. Art Popular

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Ah, as tretas no aeroporto. Em 2003, o LSJack e o Art Popular já tinham inaugurado essa modalidade em uma briga generalizada no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Nada melhor pra explicar toda a briga do que deixar os depoimentos do empresário Edgar Santos para a Folha de S. Paulo falarem por si. “Eles achavam que o Leandro Lehart [vocalista] tinha feito críticas ao novo CD do LS Jack, mas ele estava comentando o novo CD do Ed Motta, e não o do LS Jack. Eles não quiseram trocar uma idéia. O Márcio [Art] tomou um soco na cara do vocalista do LS Jack [Marcus Menna], que chegou a quebrar seus óculos”. Fica a dúvida: quando o Ed Motta vai cobrar satisfações da banda que criou “Pimpolho”?

Electric Parlor continua apostando na longa vida do rock’n’roll dos 70s: “Queremos dominar a porra do mundo!”

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Não, o rock não morreu. Ah, e o rock setentista continua também muito vivo e bem de saúde, sim senhor. O Electric Parlor, formado em Los Angeles em 2012, faz um som que parece diretamente vindo de 1975, quando o rock ainda não usava tantos sintetizadores e o autotune ainda era um sonho na imaginação de algum músico sem talento.

Formado por Monique Alvarez (vocais), Zachary Huling (bateria), Kris Farr (guitarra) e Josh Fell (baixo), a banda busca tocar rock’n’roll em seu estado mais puro no volume mais alto que conseguirem. Com um vocal feminino muito competente e um instrumental que mistura Sabbath com Zeppelin e bebe da fonte bluesy que ambas bandas adoram, o Electric Parlor só quer sair tocando pelo mundo e espalhando o rock por aí.

Conversei com a banda sobre rock, os anos 70, Los Ângeles e como a internet facilitou a propagação da música:

– Como a banda começou?

O Electric Parlor começou em um anúncio procurando músicos na Craigslist. Monique cresceu aqui (em Los Angeles), mas o resto de nós veio de outras partes do país. Com o desejo mútuo de começar uma banda de rock’n’roll, fomos para a internet encontrar músicos com a mesma ideia. Depois de vários desencontros com músicos, jams de improviso e histórias dignas de Spinal Tap, trombamos uns com os outros e a conexão musical entre nós era inegável.

– Então, vocês estão tentando “trazer o rock and roll de volta”. Isso implica que o rock and roll estava morto?

Não, não realmente. Ele mudou, evoluiu, mas nunca morreu. Na verdade, pra nós nunca foi realmente sobre trazer nada de volta. Esta é apenas a nossa interpretação do rock’n’roll e de como nós acreditamos que ele deve soar. Nos primeiros dias do rock’n’roll, ele existia às margens da sociedade como uma mistura de blues, soul e outros elementos de raiz com muita atitude e angústia. Era tão contra-cultura quanto o movimento hippie ou o movimento dos direitos civis que aquele período de renascença realmente permitiu que florescesse. Esse rock’n’roll dos primórdios é o que realmente nos inspira, porque inegavelmente há uma convicção, energia e algo muito genuíno sobre ele.

– Eu amo que suas músicas são calcadas no rock dos anos 70. Você acha que os anos 70 são a melhor década para o rock?

Em termos de rock’n’roll puro e sem alterações, sim! Mas isso é muito subjetivo, para ser honesto. Talvez ele atingiu o pico na década de 70, havia tantos artistas incríveis que surgiram durante essa década. No entanto, achamos que definitivamente devem ser homenageados muitos dos artistas de 50 & dos anos 60 que construíram essa base. No fim das contas, é muito subjetivo e realmente depende de como você define o gênero.

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– Quais são as suas principais influências musicais?

Cara! Há tantos para a lista… Todos nós temos algumas influências em comuns do rock dos anos 60 e 70, tais como Creedence Clearwater Revival, Black Sabbath, Led Zeppelin, etc. Mas todos nós também temos o nosso estilos e influências individuais que nos influenciaram. Monique curte bastante acid rock e garage rock, Zach gosta um pouco mais de indie mais rock contemporâneo, Kris ouve Americana depois faz jams com Josh com algumas das coisas doom de John Entwistle. É bem variado. Mas todos os diferentes elementos ajudam a criar algo único, ainda que com foco nos velhos blues, soul e rock’n’roll.

– Como é o seu processo de composição?

Tudo começa com uma pequena ideia ou pedaço. Pode ser qualquer coisa, desde uma batida, uma melodia vocal, letra, riff de guitarra ou baixo. Dai, fazemos uma jam sobre aquilo até que se transforma em uma música ou uma viagem musical de oito minutos. Nós preferimos o último (risos). Às vezes, a música fica pronta rapidamente e às vezes leva meses. Tentamos não forçar nada.

– Lady Gaga está cantando com Tony Bennett. Rihanna tocando com Paul McCartney. A música pop está voltando aos dias pré-autotune?

Se a internet foi para músicos financeiramente falando é discutível. Mas ela tem sido muito benéfica para expor música que talvez nunca teria tido chance sem as grandes gravadoras. Como tal, há tanta concorrência e achamos que as pessoas estão começando a ver um pouco da natureza hipócrita de alguns do mundo da música pop. Auto-tuning, ghost writers, lip synching… Há tanta coisa que você pode tomar como exemplo. Achamos que esses músicos mais velhos fazendo parcerias com músicos de hoje são uma boa maneira de mostrar o talento tanto dos novos como dos antigos. Afinal, todo grande músico ou artistas aprecia a história da música e aqueles que vieram antes deles.

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– Como você se sente sobre a música que está sendo lançada hoje em dia?

Há um monte de música ótima sendo lançada a cada semana, cada mês. A única coisa é que você tem que se esforçar para encontrá-las. Somos alimentados na boca com a merda das músicas do top 40, e é fácil para sentar e deixar que fique grudada em sua cabeça e achar que é uma boa música. Mas há muuuuito muito mais por aí! Músicos de verdade, que escrevem suas próprias canções e tocam seus próprios instrumentos. Blogs, como a seu, são ótimos lugares para encontrar novas músicas também, e espalhar a palavra.

– Então, vocês são de LA. Como é que a cidade dos anjos influencia suas músicas?

Bom, LA definitivamente nos ajuda a não nos importarmos muito com as coisas. Há uma tonelada de outras bandas aqui, é um lugar bonito e louco. Nós absolutamente amamos LA. Mas você não pode ficar entantado e sempre comparar-se a todos os outros ao seu redor. Você tem que confiar em seu som e não realmente se preocupar com o que os outros vão pensar ou dizer. É definitivamente um estado de espírito, algo de superioridade; uma autoconfiança de que você tem que pensar que tem para realmente se encontrar. Zero fucks to give. Achamos que você pode ouvir um pouco disso em algumas das músicas.

– Estou conhecendo um monte de bandas novas que tocam um som inspirado no rock/power pop dos 70s. Os anos 70 estão voltando?

Quem sabe? Acho que o que o importante é que você seja você mesmo e use o que quer vestir e seja quem você quer ser, porque isso é exatamente o que você é, e você não está tentando ser ou soar como alguém ou alguma coisa. Pegue suas influências e faça algo de novo para o mundo a partir disso, não apenas reproduza.

– A cultura do “álbum” está morta? Será que as pessoas só ouvir singles hoje em dia?

A melhor coisa sobre o vinil é que te obriga a sentar e ouvir o álbum inteiro. Artistas faziam um álbum e era como um livro, cada música é como um capítulo e uma fotografia que mostra como eles eram como banda naquele momento. Era ótimo em inspirar a imaginação também. Porém, os singles sempre foram glorificados. Uma ou duas faixas do álbum que iriam chamar a atenção de massa e tocar no rádio. Achamos que a internet criou um meio que permitiu que o single seja obtido facilmente sem ter que comprar todo o álbum. Isso é uma coisa boa ou ruim? Quem sabe? É discutível, sendo que ambos os lados têm pontos válidos. Nosso álbum de estréia é uma história, uma viagem que é ranzinza, angustiada, agressiva e às vezes até alegre. Ele captura nosso momento, tudo o que aconteceu para criar nossos sons. E nós amamos essa mentalidade quando se trata de escrever e gravar um álbum. Em LA, e muitos lugares em todos os EUA, você verá uma nova tendência de toca-discos, novos, que estão sendo vendidos em alguns pontos hipster. Você vê álbuns contemporâneos, grandes bandas de nome e menores indies também, tudo sendo lançado em vinil agora, e ir à lojas de discos caçar registros antigos ainda é um hobby de muitas pessoas. Então, nós definitivamente não diríamos que esta cultura morreu.

– Quais são os próximos passos do Electric Parlor?

Dominar a porra do mundo com rock’n’roll! (Risos) Não, mas sério, nós adoraríamos fazer uma turnê pelo mundo e tocar onde e quando quiséssemos, para sempre. Nós queremos fazer parte dos melhores.

– Quais novas bandas chamaram a atenção de vocês recentemente?

Existem várias bandas modernas que tiveram efeitos incríveis em nós – de gêneros diferentes, claro. Nós realmente gostamos de bandas como os Black Keys, Alabama Shakes, Rival Sons, Kadavar, Blues Pills, Electric Wizard, Radio Moscow… apenas para citar algumas. Estamos sempre felizes de ouvir qualquer tipo de música. A chave é abrir a mente e só daí determinar o que você gosta, e não o contrário.

Ouça o som do Electric Parlor aqui: http://www.electricparlormusic.com/

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“Kabaluerê”, a música que trouxe toda a ginga samba rock funky de “Qual É”, de Marcelo D2

Quando Marcelo D2 lançou “Qual É”, estava carimbada sua passagem para o mundo do pop (mesmo ele se auto-referenciando como “Pesadelo do Pop”) e a consequente queda do Planet Hemp. Muitos samples brasileiros, um balanço que até então o rap brasileiro ainda não havia explorado com força e as letras malandras e cheias de referências à maconha (se bem que mais comedidas do que no Planet) reforçaram o sucesso com público e crítica.

Em “Qual É”, D2 já começa utilizando uma frase inteira de “Voz Ativa”, dos Racionais MC’s (“Eu tenho algo a dizer / Explicar pra você / Mas não garanto, porém / Que engraçado eu serei dessa vez”), algo que é comum no rap lá de fora, mas aqui causou um certo mal-estar entre o grupo de Mano Brown e o rapper carioca.

Porém, o sample que dá todo o balanço e “dançabilidade” da música vem de Antonio Carlos e Jocafi, com “Kabaluerê”. A música vem do disco “Mudei de Idéia”, de 1971. A dupla, nascida na Bahia, começou a carreira em 1969, no Festival Internacional da canção. Muitas de suas músicas fizeram parte de trilhas sonoras de telenovelas. Entre os outros sucessos estão “Você Abusou”, que ficou conhecida na voz de Maria Creuza.

“Kabaluerê” também foi sampleada em “Comin Thru” por Charli 2na, rapper americano que fez parte dos grupos Jurassic 5 e Ozomatti. Ficou diferente do que D2 fez com a música e usa bem o refrão e título da música.

Músicas animadas que na real são bem deprê ou violentas e você dançou sem saber

Às vezes a gente se deixa levar pelo ritmo da música e deixa passar batido o que ela está dizendo. Às vezes uma música que parece romântica na verdade é assustadora. Às vezes uma música dançante tem uma letra tão sinistra quanto um filme de terror. E você nem repara: tá lá, dançando que nem doido, balançando a cabeça, enquando o vocalista tá se abrindo falando sobre suicídio ou coisa assim.

Sim, você já passou por isso, pode ter certeza. Duvida?

The Police – Every Breath You Take

O próprio Sting disse que acha estranho as pessoas acharem este hit romântico, já que ele descreve um comportamento obsessivo de assustar qualquer um. De um stalker clássico, que segue seus passos e te vê mesmo quando você não está olhando. “Oh, can’t you see / You belong to me?” Yikes!

Third Eye Blind – Semi Charmed Life

Não se deixe levar pelos “doo doo doo doop doo”: essa música fala da queda no fundo do poço do mundo das drogas, especificamente crystal meth (antes de Walter White e Breaking Bad colocarem a droga na boca do povo). “The sky was gold, it was rose / I was taking sips of it through my nose / And I wish I could get back there, someplace back there  / Smiling in the pictures you would take / Doing crystal myth will lift you up until you break.

Foster The People – Pumped Up Kicks

Parece um indiezinho dançável que faz a galera gritar “uuuuuh, minha música” na balada. Mas as letras de Mark Foster vão um pouquinho mais pro lado escuro: “Pumped Up Kicks” fala de um adolescente armado que sai atirando em todo mundo, com a ideia de levar para discussão do público este assunto tão comum e assustador, especialmente nos Estados Unidos. O baixista Cubbie Fink tem um primo que sobreviveu ao massacre da Columbine High School em 1999, então a banda tem uma proximidade com esse assunto obscuro. “All the other kids with the pumped up kicks / You’d better run, better run, outrun my gun / All the other kids with the pumped up kicks / You’d better run, better run, faster than my bullet”

Ira! – Flores Em Você

Uma música do Ira! que aparece constantemente em casamentos e declarações de amor e foi até tema romântico de novela… bem, pois não deveria. Se você pensar um pouco, quando você vê a pessoa coberta de flores? Vai, usa um pouquinho a cabeça. Isso mesmo: no velório!

Sublime – Date Rape

Um skazinho agradável pra dançar com os amigos que fala de estupro. Conta a história de um rapaz que leva uma garota para um encontro e no fim estupra a moça. Ele acaba indo preso e sendo sodomizado pelos colegas de cela na cadeia. “She didnt want to, he had his way / she said ‘Let’s go’, He said ‘No way’ / ‘Come on babe, it’s your lucky day / Shut your mouth, we’re gonna do it my way / Come on baby dont be afraid / if it wasn’t for date rape, I’d never get laid'”

Lily Allen – LDN

Ah, uma música bonitinha da Lily Allen, falando sobre Londres, que fofo. NOT. A moça fala das partes pobres de Londres e como quase ninguém vê ou liga pra esse pessoal que passa por poucas e boas pra sobreviver por lá. “Everything seems to look as it should / But I wonder what goes on behind doors / A fella looking dapper, but he’s sittin with a slapper / Then I see it’s a pimp and his crack whore”

Kiss – Detroit Rock City

Você já deve ter reparado que um dos grandes clássicos do Kiss termina com o narrador morrendo horrivelmente em um terrível acidente de carro, né? Pois é. Mas pelo menos ele morre sorrindo. “There’s a truck ahead, lights starin’ at my eyes / Oh, my God, no time to turn / I got to laugh, ‘cause I know I’m gonna’ die! / Why?”

Van Halen – Jump

Lembra quando o Van Halen usou um tecladinho oitentista e fez a música mais feliz deles até o momento? Então… bom, a inspiração não foi nada feliz. Segundo David Lee Roth, a letra da música foi inspirada em uma notícia que passava na TV mostrando um homem prestes a pular de um prédio para cometer suicídio. Pois é.

The Beatles – Maxwell’s Silver Hammer

A música é dos Beatles, aqueles bons moços de Liverpool. Quem canta é o Paul McCartney, o mais bom moço dos bons moços. A música é super felizinha e até infantil. E a letra fala sobre… um rapaz que mata pessoas com marteladas de aço na cabeça, esmagando seus crânios, algo digno de um Cannibal Corpse.

Awesome Gig Posters [6]: Screeching Weasel, 2012

Um pôster de um show do Screeching Weasel junto com The Queers e The Nobodys na Broadway. Incrivelmente foda a arte deste cartaz, mostrando influência de filmes de terror e revistas como Contos da Crypta.

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Quem? Screeching Weasel
Onde? Gothic Theater, Englewood, CO, USA
Quando? 13/07/2012
Artista do cartaz: Ricardo Bucchioni

Provável setlist:

  1. (Riverdales cover)
  2. (Johnny Nash cover)