Awesome Gig Posters [4]: Blink-182, 2014

Pois é, se você leu os blogs e portais musicais nos últimos dias, já sabe que o Blink-182 está se desintegrando (pela segunda vez) em uma briga digna de novela mexicana das tardes do SBT. A princípio, a banda faz mais um show com Matt Skiba do Alkaline Trio no lugar de Tom Delonge e a partir daí, só Deus sabe o que será do grupo e de Mark Hoppus e Travis Barker (eu, pessoalmente, torço pela volta do +44).

Mas como o assunto do post é pôsteres de shows incríveis, dane-se a briguinha do trio. Certo?

Blink-182 in London, 2014

Quem? Blink-182
Onde? 02 Academy, Brixton, London, UK
Quando? 08/08/2014
Artista do cartaz: Ian Williams

O show provavelmente teve momentos mais ou menos assim:

Setlist:

  1. Encore:

  2. (Mark Hoppus)

The Hunted Crows fala sobre seu som, bandas de dois integrantes e promete novos singles

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Acho que o The Hunted Crows foi a minha primeira descoberta do final de 2014/começo de 2015 que realmente me deixou impressionado. Quando dei o play em “Sniff You Out” pela primeira vez, jurei que era alguma banda que já estava nas paradas de sucesso. Afinal, o barulho dos australianos não deve nada ao do Royal Blood, que ganhou notoriedade após um elogio de Dave Grohl.
Com o EP “The Hunted Crows” esbanjando riffs vigorosos e bateria violenta, o duo de Melbourne promete dominar o mundo em breve. Por enquanto, tocam toda quinta-feira no bar Yah Yahs, na Austrália.
A dupla Luy Amiel e Jacob Linnett me deu uma entrevista e falou um pouco sobre o início da banda, as duplas de rock que estão surgindo e as dores e delícias de se começar uma banda de rock em um mundo dominado pelo pop.

– Como a banda começou?
Tocávamos juntos em outras bandas e sempre sentimos que havia uma cerca química entre nós. Pouco mais de um ano atrás, decidimos ver o que podíamos fazer sozinhos, e desde então não olhamos pra trás!
– Eu sei que essa é a pergunta mais clichês de todos os tempos, mas… como surgiu o nome The Hunted Crows?
Na verdade nós tiramos as palavras de dentro de um chapéu! Inclusive, o engraçado é que as primeiras palavras que saíram foram “Deep” e “Purple”. Por questões óbvias, tiramos novas palavras!
– Li alguns artigos que comparavam seu som com “as faixas mais raivosas dos White Stripes”. Vocês concordam?
Sim e não! Eu acho que definitivamente existem elementos do nosso som que podem ser comparados ao do White Stripes, e acho que qualquer banda com uma formação como a nossa será fatalmente comparada com eles. Mas nós não temos muita influência de outros duos – achamos que se olharmos as músicas que amamos (sejam de duplas ou não!) e nos inspirarmos nelas, podemos começar a criar coisas novas que outros duos ainda não exploraram!
Capa do EP "The Hunted Crows"
Capa do EP “The Hunted Crows”
– Quem vocês diriam que são as maiores influências musicais da banda?
 Rage Against the Machine, Queens of the Stone Age, Red Hot Chili Peppers, James Brown, Britney Spears
– Vocês são uma dupla. O “power duo” é uma coisa “cool” nos dias de hoje, com o sucesso de bandas como o White Stripes, The Kills, Black Keys e Royal Blood. Porque o terceiro membro está tão obsoleto?
Bom, na nossa situação, foi por acaso – achamos que seria uma ideia divertida tocar só nós dois depois de tocarmos juntos em algumas bandas de quatro integrantes. Somos bons, amigos, então saiu algo meio orgânico. Na verdade não importa quantas pessoas estão na banda – contanto que a música seja boa! Mas acredito que existem algumas vantagens de se tocar em um duo. Duas pessoas interagindo entre si é algo muito mais fácil para se trabalhar do que com cinco pessoas. Também facilita em tomar decisões – mesmo que sejam apenas definir datas de ensaio e etc.
Ao mesmo tempo, existem limitações – e não apenas musicais. Uma limitação grande (especialmente neste momento, em que a banda nos custa dinheiro) é quando temos que economizar para gravar ou algo assim – dividir os custos entre duas pessoas pode ser bem difícil. Mas também temos apenas dois vôos pra pagar, então alguns custos são reduzidos, neste caso! Então, tudo depende do estágio financeiro em que a banda está. Tenho certeza que o Royal Blood está muito feliz que está dividindo os lucros entre apenas duas pessoas!
– Que outros aspectos do mundo inspiram vocês?
 De certa forma, política. Nenhum de nós é super informado sobre os prós e contras do sistema político – mas isso não significa que você não pode ficar irritado ou frustrado quando ouve sobre coisas horríveis que o governo pode estar planejando. “Hungry Wolves” foi escrita quando nosso primeiro ministro, Tony Abbott, estava tentando devastar um grande lote de mata virgem. Porém, não queríamos escrever uma música sobre essa situação especificamente – é mais algo que espero que pode desencadear algum sentimento em outras pessoas, para se impor pelo que acreditam.
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– Qual o maior desafio para uma banda nova?
Trabalhar com as limitações de uma banda com duas pessoas, ganhar reconhecimento local e global (o que agora é possível graças à internet!) e o principal deles: DINHEIRO! Quem sabe um dia nós poderemos trabalhar duro para fazer música e não ter que nos preocuparmos em PAGAR por isso!
– Que bandas novas impressionaram vocês ultimamente?
Redcoats // Clowns // Lurch & Chief // Alice Ivy – todas bandas de Melbourne, Austrália!
– Quais serão os próximos passos do The Hunted Crows?
Gravaremos algumas músicas para o primeiro semestre de 2015 e estamos planejando fazer alguns shows maiores e tocar em lugares para onde ainda não fomos.
– O que vocês acham da música que está sendo lançada hoje em dia?
Se você está perguntando no que se refere à música pop, não temos muita opinião, mas existe uma cena de funk e groove voltando (pelo menos aqui na Austrália), e isso é uma coisa incrível. Tem muita coisa ótima acontecendo e está começando a chegar no mainstream, acredito que porque muitas pessoas estão cansadas da música pop monótona que nos empurram garganta abaixo. A cena punk aqui também está indo muito bem. Tem muito rock fermentando por aqui no momento e nós não poderíamos estar mais felizes.
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– Se vocês pudessem fazer cover de QUALQUER música, qual seria?
“Zebra”, do John Butler Trio. Nós dois crescemos ouvindo o JBT, e estamos tocando essa nos últimos  shows – em uma versão bem mais pesada. É bem divertido!
– Vocês estão gravando coisas novas? Podemos esperar um disco completo em breve?
Talvez não um disco completo – mas lançaremos pelo menos dois novos singles este ano. Se tudo der certo, poderemos financeiramente produzir ainda mais – quem sabe um EP! Nós preferimos gastar um monte de dinheiro em algumas poucas músicas, mas ter a certeza de que a qualidade da gravação é realmente profissional – porque uma vez que está online, está lá pra sempre!
– Podemos esperar uma visita dos Hunted Crows no Brasil? 
A gente ia amar! Se existir demanda o suficiente pra isso, adoraríamos – o blog Crush em Hi-Fi fez um trabalho incrível em espalhar nosso som por aí – então quanto mais pessoas compartilhando nossa música no maravilhoso Brasil, melhor!
Ouça o EP “The Hunted Crows”:

As inacreditáveis situações pelas quais todo DJ já passou (ou ainda vai passar)

 

Se você é ou já exerceu o papel de DJ em qualquer momento de sua vida, seja em uma casa noturna, casamento ou festa, provavelmente tem alguma história pra contar. Afinal, entre sugestões de música, pedidos encarecidos e comentários bizarros, todo DJ já ouviu muita coisa estranha e engraçada durante seu ofício.

Eu, por exemplo, já ouvi coisas do naipe de “Vai tocar Roberto Carlos na puta que te pariu”, “Toca umas coisas mais animadas aí”, ganhei um abraço de um metaleiro de uns 2 metros quando toquei “Freebird” do Lynyrd Skynyrd e recebi pedidos musicais dos mais incríveis aos mais horripilantes. Alguns mais nervosinhos, outros muito sarcásticos em suas respostas, outros caladões… Cada DJ é um mundo de histórias e causos engraçados. Confira alguns.

Marçal Righi (Glow In The Dark – Cine Jóia)

Um dia, um cara subiu no palco e começou a me cutucar. Quando eu olhei ele falou, todo sério, “toca mais pop, cara, tá todo mundo dormindo com esses rock”. Fiquei puto e falei pra ele “você veio na festa errada então, porque aqui é uma festa de rock. E desce do palco, agora!” Ele desceu, e 5 minutos depois estava sentado nos ombros de um amigo cantando como se estivesse no melhor show da vida. E eu continuei tocando rock.

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Denis Romani (Tiger Robocop 90/Combo Hits – Lab Club)

Eu tava tocando “Brain Stew” e a menina veio e disse “toca Green Day!”. Eu disse: “mas isso é Green Day”. Ela parou, prestou um pouco de atenção e respondeu: “ah, mas essa é chata, toca alguma mais nova, tipo ‘21 Guns’“.

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Baseball Bat (Dirty Kidz Gang)

Numa festa de bass, uma menina sai do meio da galera e me pede pra tocar Demi Lovato… Usei a estratégia de sempre: “eu já estou saindo… Pede pro próximo DJ ;)”

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Raphinha Lucchesi (Tiger Robocop 90 – Lab Club)

Lembro de uma vez que um bêbado queria porque queria que eu tocasse Metallica sendo que eu tinha tocado 2 músicas antes e já tinha acabado meu set. Eu inclusive mostrei a tela do computador com Metallica escrito. Ele me disse que se eu tocasse, ele ia me dar 10 conto e começou a, todo bêbado, meio caindo e se contorcendo procurar o dinheiro no bolso. E eu falando: Pára, mano. Eu já não tô tocando e mesmo se tivesse não ia tocar de novo. Aí ele se convenceu e saiu andando.

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Lorenna Santos (Overkill)

Uma certa vez estava eu tocando em uma festa na minha cidade, onde 80% do público tem um gosto puxado pra o forró e afins. Porém, a festa que eu estava tocando era totalmente rocker. Frequentadores, proposta, tudo. Em um certo momento da festa em que eu tava mandando “Livin’ On A Prayer” e todos em coro na pista cantando, um cara me cutucou. Eu virei pra ver o que ela queria, ele subiu na cabine e me pediu para tocar uma música. Eu não entendi, pedi pra ele repetir, ai ele falou “Cê tem alguma do forró Mastruz com Leite?”. Eu achei que ele tava no mínimo zoando, então dei risada e falei “Manoooooo, não tenho não, mas tenho Calypso, ó”. Ele achou que era sério e pediu “toca ‘Cavalo Manco’, então”. Bem sério e super coxinha. Ai eu falei “Grande, eu não toco forró, e nem aqui é uma festa de forró”. Aí ele “Tá, então toca uns balanço aí, que esses rock não são de Jesus, e eu já to de saco cheio dessa festa que não tem um DJ que toque umas música dançante”.

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Santin 13Duo (Dirty Kidz Gang)

Uma vez um cara logo que eu abri a pista, chegou pra mim e perguntou “Cara, posso te pedir três músicas?” Respondi: “Tenho cara de gênio da lâmpada do Aladdin?”

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Nathalia Takenobu (Shuffle – Bar Squat / Flerte – Bar Secreto)

Uma vez no Anexo B uma menina veio me pedir “Work It” da Britney.
Eu falei: Eu toquei faz uns 10 minutos, não vou tocar de novo.
Ela falou que tava fumando, que era aniversário dela e que queria muito, que tinha saído só pra ouvir essa música.
Eu falei que não, que 300 pessoas não iam ouvir a música repetida porque ela saiu pra fumar na hora.
Ela saiu e voltou com um pedaço de papel escrito: “Favor tocar Work Bitch. A gerência.”

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Fish Nothing (Yank – Tex)

Já me pediram em festa de rock pra tocar Leandro e Leonardo, pagode, Luan Santana… Cantada rolou só uma vez: uma guria me olhando da pista e fez tipo, sabe sinal de ok e enfiando o dedo? Tipo pra comer ela?

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Ana Maria Dacol (Festa da Cocota Loca – Pelotas/RS)

Na última festa os cabos que ligavam nos nossos notebooks tavam com mau contato e a gente fica numa “gaiola” mais acima do público, então eles não têm um acesso direto à gente. Então, uns bêbados pra tentar pedir música batiam na grade, pra chamar nossa atenção, só que batendo na grade balançada um pouco as coisas e rolava mau contato. Foi bem tenso, tive que gritar com várias pessoas pra pelo amor de Deus não bater na grade… Foi horrível. Pior que tinham outros cabos lá e os técnicos testaram todos… e todos tavam com algum probleminha.

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Debbie Hell (No FUN – Clube Outs)

Sempre tem o lance do pessoal vir pedir pra tocar uma música que está rolando naquele EXATO momento, música que já tocou responderem que “não valeu” porque a pessoa tava no banheiro ou fumando, revirarem o case de CDs pra saber o que eu tenho gravado (que pra mim equivale a fuçar na minha gaveta de calcinhas), rolar chamadinha oral do tipo “ain vc conhece música tal” ou “se você entende de música vai tocar tal banda AGORA”. Pedirem pra tocar algo ~mais pesado~ como um Slipknot enquanto eu mandava um MC5, e o clássico “nossa, cê toca uns sons pesados pra uma menina, hein”.

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Rafael Lebre (Pracinha – Neu Club)

Cara, eu tava discotecando um long set numa das minhas Pracinhas. Pista cheia, eis que cola um cara no deck do DJ. Sei lá, imaginei os pedidos de sempre: Foster the People, MGMT, até um Tim Maia eu tava esperando. O cara me trucou perguntando se “eu tinha um microfone”. Logo de cara, o que passou na minha cabeça foi “o cara quer fazer uma declaração de amor pra uma guria”, SEI LÁ, NÉ. Falei que não, mas perguntei porque ele queria o microfone. A resposta foi linda: “Eu tô com um violão no carro, vamo manda um Legião Urbana ae?”

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Júlia Bueno (Neon Party, Baby – Inferno)

Eu trampo tocando faz uns 4 anos. Eu era menor e nem podia estar dentro da balada e já estava aprendendo a tocar e tal. Era muito louco, porque na época era outra realidade da minha, né. Cliente vira e mexe acha que DJ é traficante. TODA NOITE pelo menos uma vez eu ouço “ow, sabe onde eu descolo pó/bala/doce/etc?” ou então me pedem, como se eu levasse uma pochetinha cheia de droga. E a cara de choque quando a galera ouve que não faço ideia é engraçada. Também tem muita gente que oferece droga, pra ser legal, fazer amizade e fica na bad quando eu nego.

Já teve casal que entrou na cabine se pegando quase se comendo, me empurrou. Sempre tem alguém que vem bebaço pedir música e quase derruba bebida. Mas acho que o melhor foi uma vez no Inferno, que eu tava tocando e do nada chutei alguma coisa. Quando fui ver, tinha uma mina abaixada embaixo da cabine, se escondendo. Eu fui tentar entender o porquê e ela falou “tô fugindo do cara que eu peguei porque ele é muito chato. Me deixa ficar aqui?” Eu disse que não podia e tal, mas que ela podia ir ao banheiro ou conversar com o cara, e ela falou “ok, você não vai me deixar ficar, mas vai ter que me tirar daqui à força, então!” Rimos muito, chamei o segurança. Hahahahah…

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Você acha que isso só acontece aqui no Brasil? Mas é lógico que não! Em todo o mundo, DJs recebem pedidos estranhos e ouvem frases embaraçosas da galera que curte “ajudar” seus trabalhos. O tumblr No Breasts No Requests compila os papeizinhos que os DJs de todo o mundo recebem. Sim, lá fora o pessoal não invade a cabine do DJ (normalmente), utilizando guardanapos, post-its e qualquer papel que tenha à mão pra dar suas sugestões. Dá uma olhada em algumas das melhores do tumblr (que até virou livro, que você pode comprar aqui)

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Você também é DJ? Já ouviu algum disparate ou passou por uma situação engraçada enquanto apertava o play? Conta pra nós aqui nos comentários AGORA!

Os melhores clipes que usam apenas um take

Pra quem gosta de clipes e pira nas pirações que os diretores conseguem imaginar para ilustrar uma música, um dos artifícios mais utilizados e que podem deixar um vídeo incrível ou levá-lo para o Piores Clipes do Mundo é o “one take”. Ou seja: clipes que não possuem cortes (pelo menos não aparentes).

Um exemplo de clipe de um take só feito aqui no Brasil é “La Bella Luna”, sucesso dos Paralamas (do Sucesso).

O sempre incrível canal do Youtube WatchMojo.com, que publica principalmente vídeos com Top 10 dos mais variados assuntos, fez uma lista dos melhores vídeos com um só take. Dá uma olhada.

Onde o rock se esconde (ou: Como o One Direction ganhou minha simpatia)

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Aí as bandas de rock estão cada vez mais sumidas das paradas de sucesso e das rádios comerciais. Então você fica reclamando que a música pop matou o rock, e que não existem mais bandas que valham a pena nas paradas de sucesso. Você tem vontade de dar um tiro de bazuca no rádio assim que o liga. Tem saudades de saber cada nota do solo de Eddie Van Halen em “Beat It”, de Michael Jackson, quando esta estava em primeiro lugar nas paradas de sucesso. Diz que “essa criançada não sabe nada de música”.

Tá, muitas das coisas acima podem se aplicar inclusive à mim, que vivo reclamando da música pop atual e da falta que estão fazendo os instrumentos musicais em uma era em que um DJ é mais importante que um baterista ou um baixista. E, principalmente, por não existir nenhuma banda de rock em alta entre o público que não é necessariamente “do rock”.

Será mesmo? Pois eu te digo que não. Assim como Jason Vorhees, o rock pode parecer morto diversas vezes, mas sempre volta, mesmo que horrível (vocês assistiram “Jason Vai Para o Inferno”? Puta filme horrível! É o equivalente ao Simple Plan na história do rock). E uma das bandas que conseguiu fazer uma música bem bacana que é mais rock que muita banda “de rock” que está por aí é o One Direction.

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Sim, você leu direito: o One Direction. Foi do quinteto de Londres que ficou em terceiro lugar no X Factor de 2010 que eu ouvi um bom rock. “Little Black Dress”, do disco “Midnight Memories”, de 2013, é um power pop que remete diretamente ao Cheap Trick e ao Big Star. Uma bela canção pop com um riff chiclete, solo de guitarra bacana e um refrão que fica na cabeça pelas próximas horas à sua audição. E digo mais: muito mais rocker do que os hits de Foster The People e Imagine Dragons que a criançada dita “roqueira” tem ouvido por aí.

Se a ideia de gravar uma música tão “That 70’s Show” veio dos próprios garotos ou do produtor, pra mim tanto faz. E acrescento que não é o primeiro flerte com o rock da galerinha do Harry Styles. Afinal, o cover mais famoso que eles já gravaram é de Blondie e Undertones na mesma música. Isso mesmo: Blondie e Undertones!

Tem também o megahit “What Makes You Beautiful” (que você não consegue cantar sem lembrar de Nissim Ourfali), que é quase uma versão de “Summer Nights”, o clássico tema do filme “Grease”. E é um quase-rock, mesmo com a limpeza e as batidinhas eletrônicas acrescentadas pela produção.

E tem o mega-hit “Best Song Ever”, que chupa com gosto o riff de “Baba O’Ryley” do The Who em sua introdução e refrão. Tô falando sério:

O que eu estou querendo dizer com esse post é principalmente o seguinte: O One Direction tá fazendo rocks melhor do que as bandas de rock de hoje em dia, quando tá afim. Ou seja: One Direction, invista mais em músicas como “Little Black Dress” que eu prometo que ouço mais vocês.

(Ah, e eu aposto que se eu tocar “Little Black Dress” durante uma festa de rock da noite paulistana, ninguém vai se ligar que é One Direction a menos que seja fã do grupo e capaz de dançar como se fosse uma dos Strokes. Duvida?)

Assinoê, discípula de Inri Cristo, fala sobre música, “versões místicas”, heavy metal e rock (e religião, é claro)

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Assinoê Olivier, 38 anos, é discípula de Inri Cristo, o auto-intitulado “reencarnação de Jesus” e criador do SOUST – Suprema Ordem Universal da Santíssima Trindade, visto como piada por uns e divindade por outros. Depois de muitas aparições na TV em programas de entrevistas, variedades e até humor, Inri e seus seguidores ficaram famosos nas redes sociais por seus vídeos publicados periodicamente no Youtube com “versões místicas” para músicas populares, transformando as letras em odes de louvor à Inri. E não pense que as músicas escolhidas foram as mais calmas e sem graça: eles já criaram versões para artistas como Manowar, Bon Jovi, Lady Gaga, Britney Spears, Amy Winehouse e até Judas Priest.

Assinoê assume os vocais em músicas como “Inri Chegou” (de “Breaking The Law”, do Judas Priest) e “INRI – Água, Fogo, Terra e Ar” (de “Warriors Of The World”, do Manowar), entre outras. Falei um pouco com ela sobre música, rock e a relação de Inri Cristo com ritmos ditos “satânicos” como o heavy metal.

– Quando Inri Cristo entrou em sua vida?

Minha relação com Inri Cristo vem de milênios. Reencontrei-o em 1991 na minha cidade natal, Curitiba. Soube dele através de meu genitor, que o ouviu numa rádio (Rádio Capital AM) e como sou bem curiosa, resolvi conhecê-lo a fim de tirar minhas conclusões pessoais. Faz 23 anos que o sigo.

 – E quando o rock entrou em sua vida?

Amo música desde criança, não só o rock, mas aprecio vários estilos musicais, que tenham obviamente conteúdo. A música é um alimento para a alma e para o coração.

– Qual a relação entre os dois: Inri e o rock?

Na verdade não há relação. Inri Cristo é o maior dos revolucionários, o único capaz de dar soluções coerentes às mazelas desta sociedade iníqua, corrupta e moribunda. Para muita gente, Inri é só mais um religioso. Todavia, Inri Cristo não é um religioso, e sim um filósofo, educador de almas; ele é contra todas as religiões alienantes, coerente com que ensinou há dois mil anos, está em Mateus c.6 v.6  “Quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, ora ao teu PAI em segredo. Em segredo Ele vê o que se passa e te abençoa” . Inri ensina que Deus, por ser Onipresente, não necessita que haja alguém para nos religar a Ele. Já que Deus está em cada partícula de nosso ser e não conseguimos fugir d’Ele nem na hora de cometer algum pecado, logo não há necessidade de religião, que, quando não é um embuste, é um equívoco.

O rock é um estilo geralmente revolucionário de expor idéias, que soa mais como um desabafo contra tudo que está errado no planeta. Há os que se fanatizam por falta de um bom direcionamento, pois em geral os jovens anseiam por um grande líder, um líder que os oriente para um bom caminho. Eu encontrei este líder, que é Inri; por essas e outras razões, não estou vinculada a qualquer movimento musical, pois sigo um ideal que está acima de todos os movimentos terrestres.

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– Quais são suas bandas preferidas?

Por motivos éticos, não gostaria de declinar nomes para não cometer injustiça com nenhuma delas.

– Ao contrário da maioria das igrejas cristãs, parece que Inri Cristo não tem problemas com o heavy metal e o rock. É isso mesmo?

Inri é o libertador e está aqui na Terra para reger almas, não importa o ritmo musical que o ser humano ouça, desde que ele mantenha o coração puro e a alma limpa. Inri tão somente ensina que para ouvir música não precisamos ouvir em volume alto estourando nossos tímpanos, isso faz mal à saúde e aos neurônios. Ele ensina que pecado é tudo aquilo que faz mal a ti e aos outros, e o que não faz mal a ti nem aos outros não é pecado; esta é a síntese da lei divina.

– Vocês já fizeram versões para músicas de bandas como Judas Priest, Bon Jovi, Survivor e até Manowar. Normalmente, quando a música é um metal, é você que canta. Vocês mesmas escolhem quem vai cantar cada uma?

Entramos sempre num consenso quanto a isso e a decisão final vem de INRI.

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– Alguma de vocês toca algum instrumento?

Não, nem berimbau (risos).

– Vocês já pensaram em formar uma banda com letras autorais?

Ninguém serve a dois senhores, isso para nós não teria sentido, uma vez que decidimos dedicar nossas vidas a Deus e a Inri Cristo, optamos em aderir a um ideal maior, pouco compreendido pelos demais terráqueos. Tão somente deixamos de cantar embaixo do chuveiro para postar vídeos na web a fim de transmitir a sublime missão de INRI de uma forma descontraída, através de versões místicas.

– Quais bandas/artistas você está ouvindo no momento?

Tenho ouvido muita música instrumental, especialmente música viking, celta. Procuro ter a mente aberta para ouvir uma gama de estilos musicais, de todos os âmbitos, à exceção de funk (risos).

– Quais são suas bandas/artistas preferidos de todos os tempos?

Como são vários, desde compositores clássicos a bandas oitentistas, também não gostaria de declinar nomes, conforme já disse, por motivos éticos.

– Criar versões de músicas pop e até de hits trash como “Friday”, de Rebecca Black, levam algumas pessoas a ver Inri Cristo mais como uma piada?

Acredito que as versões místicas aproximam mais os jovens de Inri Cristo e os fazem compreender melhor sua realidade. Já que Deus escreve direito mesmo que por linhas tortas, então o bom humor é um caminho aparentemente “tortuoso” através do qual expressamos a verdade para quem quiser saber e ouvir. Como disse o saudoso Chaplin“Se você tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido as verdades que eu insisto em dizer brincando. Falei muitas vezes como um palhaço, mas nunca desacreditei na seriedade da platéia que sorria.”

– Como vocês escolhem qual música vai ganhar uma versão do Movimento Eclético Pró Inri Cristo?

Recebemos sugestões de internautas do Brasil inteiro, mostramos ao Inri as melhores, não importa o estilo, e entramos num consenso. Já aconteceu também de algum meio de comunicação sugerir versões, a exemplo da versão de Gangnam Style sugerida e gravada pelo Programa Pânico : ‘Inri é o nosso Pai’ . Atualmente, devido a uma série de tarefas diárias na instituição, não temos mais tempo de gravar versões, afinal, já gravamos várias de diversos estilos para todos os gostos (risos). Para saber mais sobre INRI CRISTO, sugiro que acesse www.inricristo.org.br e o assista ao vivo na TV online www.inricristo.tv, que vai ao ar todos os sábados, 11h da manhã (horário de Brasília). O canal da verdade e liberdade consciencial .

Mini Kiss, as Ramonas e outras versões de bandas oriundas de outra dimensão

Lembra daquele vilão do Super-Homem, o Bizarro? O cara que é uma versão “negativa” do Azulão, vinda de um universo paralelo? Lembra daquele episódio do Seinfeld em que eles encontram o universo paralelo deles, com Bizarro Jerry e tudo? Pois é, hoje vamos conhecer algumas bandas vindas de universos paralelos. Calma, eu explico! As bandas a seguir são versões diferentes de bandas que você já está bem acostumado. Se elas vieram de universos paralelos, perpendiculares ou da puta que as pariu, não importa. Vale a pena ouvir, mesmo que seja só para dar risada.

The Ramonas

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E se os Ramones fossem ingleses e… meninas? Essa é a ideia principal das Ramonas. Formada por Cloey, Margy, Rohnny e Pee Pee Ramona, a banda começou em 2004, sendo apoiada por ninguém mais, ninguém menos que o próprio baterista dos Ramones, Marky Ramone (aquele que usa peruca e continua por aí até hoje). É um som divertido (afinal, é Ramones), e com o vocal feminino deixa o negócio meio parecido com The Donnas.

Dread Zeppelin

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Elvis Gordo + Led Zeppelin + Reggae. Misture tudo isso e você terá o Dread Zeppelin, uma das maiores bizarrices já registradas em vinil, CD e fita K7 (e olha que existe CD de ET e Rodolfo rodando por aí). Atualmente formado por Tortelvis (imitador de Elvis em sua fase plus size), Butt-Boy, SpiceZiggy KnarleyCharlie Haj, o Dread Zeppelin chegou a fazer certo sucesso nos anos 90. A banda continua na ativa e seu 16° disco, “Soso”, saiu em 2011. A ideia é a mesma: canções do classic rock (principalmente do Led Zep) em versões reggae com o vocal no estilo Presley de ser.

The Iron Maidens

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A banda preferida de 99% dos metaleiros do mundo agora formada apenas por garotas headbangers. As Iron Maidens são Linda McDonaldWanda OrtizCourtney Cox (não, não a de “Friends”), Kirsten RosenbergNita Strauss. Formada em 2001, a banda é muito  popular no sul da California. Como o Iron Maiden volta a cada 15 dias para visitar o Brasil, as Iron Maidens aproveitaram e também já vieram para cá em 2011, para a loucura dos marmanjos de camiseta preta. Ah, elas também usam alcunhas, pra ficar mais similar à banda original. As meninas no palco viram Bruce Chickinson, Mega Murray, Adriana Smith, Steph Harris e Nikki McBurrain. O Janick Gers ficou de fora dessa.

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The Misfats

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Sim, é isso mesmo que você está imaginando: uma versão gordinha dos Misfits. Com músicas como “I Turned Into a Lardass”, “Mommy, Can I Go Out and Grill Tonight” e “Diet, Diet, Diet, My Darling”, os Misfats fazem uma versão muito mais pesada das músicas dos Misfits (desculpem, meu espírito A Praça É Nossa falou mais alto). Veja um pouquinho dos Misfats tocando “Hungry Moments” e acompanhe o refrão: “Ooh baby, have a fry/ Our life is sedentary/ Don’t wipe your mouth with your shirt/ In hungry moments…Use a napkin..”

Mini Kiss

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Não, não é mais um merchandising do Kiss… eu acho. O Mini Kiss é uma versão do Kiss formada apenas por anões. Formada por Joey Fatale (o Mini Demon), a banda alcançou grande sucesso, chegando a fazer um comercial para o refrigerante Dr. Pepper junto com o Kiss original. “You’ve wanted the littlest, you’ve got the littlest!”. Infelizmente, Joey morreu em 2011, e foi substituído. A banda excursiona até hoje, inclusive organizando um  “MiniPalooza” com versões pequenas de Lady Gaga e Elvis.

Mini Britney

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It’s Mini Britney, bitch. Sim, a senhorita Britney Spears também ganhou uma cover anã. Elena Grant faz covers dos clássicos da cantora, incluindo aí suas trocas de roupa. Na foto acima, ela usa o figurino de “Oops, I Did It Again”. Curiosidade: em 2013, tanto a Britney original quanto sua versão mini estavam fazendo shows em Las Vegas. A diferença: enquanto a original pedia US$ 310.000 por show, a versão pequena ganhava US$ 310.

AC/DShe e ThundHERStruck

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A premissa das duas bandas é a mesma, então falarei delas juntas: o negócio é fazer o belo som do AC/DC, mas só com garotas na banda. Sim, é o mesmo esquema das Ramonas. Mas digamos que AC/DC tem tanto potencial de ser foda quanto os Ramones, certo? Pelo que percebi, no caso das australianas do AC/DShe, a vocalista Amy Ward tenta imitar mais o jeitão do Bon Scott, enquanto a vocal do ThundHERStruck, Dyna, vai mais pro lado Brian Johnson. Ah, e o ThundHerStruck tem um visual mais “fantasia da 25 de março de AC/DC sexy” do que o AC/DShe.

Easy Star All-Stars

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Talvez uma das mais famosas bandas que citarei aqui, o Easy Star All-Stars é conhecido por recriar álbuns clássicos completos em versão reggae/dub. E eles fazem tudo detalhadamente, transformando as músicas de forma tão perfeita que mesmo quem não gosta do ritmo jamaicano consegue se divertir ouvindo. Os álbuns já homenageados foram “Dark Side Of The Moon”, do Pink Floyd (“The Dub Side Of The Moon”), “Ok Computer”, do Radiohead (“RadioDread”), “Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles (“Easy Stars Lonely Hearts Dub Band”) e “Thrilla”, a versão jamaicana para “Thriller”, do Michael Jackson. Vale a pena conferir a versão THC destes clássicos.

MANDonnas

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Você acha que só existem tributos com moças fazendo versões de bandas masculinas? Pois se enganou: chega a vocês os MANdonnas, homens barbados e feiosos fazendo apenas versões de músicas da rainha do pop Madonna. Formada por lvy “Alvydonna” Caby (guitarra), Jay “Jaydonna” Conners (baixo), Sean “Seandonna” Dallmeyer (teclados), e Dave “Davedonna” Hagerty (bateria), a banda manda suas versões arrotadas de hits como “Borderline,” “Like a Prayer,” “Material Girl,” “Open Your Heart,” “Papa Don’t Preach,” “True Blue” e “Live to Tell”.

GABBA

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Esta aqui é um mashup dos mais bizarros. Junte Ramones com ABBA e você tem o Gabba. Eu realmente ainda não entendi direito a proposta da banda, mas pela pesquisa vi que eles misturam bem as duas bandas, misturando letras e integrantes (como o Beatallica faz com Beatles e Metallica, mais ou menos). Não deixa de ser divertido ver o vocalista Bjöey, uma mistura de Björn Ulvaeus e Joey Ramone. Veja a mistura de “Dancing Queen” e “Sheena Is a Punk Rocker” do Gabba em “Hey Ho Disco”:

West End Girls

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Duas garotas suecas que fazer versões de músicas do Pet Shop Boys. No fim, fica divertido e bem parecido com o original. Dá até pra animar alguma festinha aí com a versão delas de “Domino Dancing”, por exemplo

The Zombeatles

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Os Beatles têm tantas bandas-tributo que fica difícil escolher alguma para colocar aqui. Vai do Beatallica, a mais popular (e por isso, fora da lista, já que quero cavar nas mais obscuras) até os Beatle Barkers, com versões feitas apenas de latidos dos clássicos do Fab Four. Mas eis que durante minha garimpagem, encontrei isso aqui: os Zombeatles. A banda lançou na internet o vídeo de “A Hard Day’s Night Of The Living Dead” em 2007, e Rob Zombie curtiu e divulgou, ajudando o grupo a estourar. Eles lançaram um disco, um filme no estilo mockumentary “All You Need Is Brains” e saíram em turnê. No filme, a história dos Beatles originais é transformada, trazendo nomes como The Fab Gore, the Dead Sullivan ShowThe Rolling Kidney Stones, The ZomMonkees, the Dead Clark Five, The ZomZombiesBoo MarleyElvis GrislyDead Zeppelin, the Beach Boils, e até Ewwyoko Ohno, the ZomRutlesFester Fangs e Bob Killin.

 (publicado originalmente no blog Contraversão)

Luiz Thunderbird diz que rock continua bem vivo e promete programa no Youtube

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Quando você olha para Luiz Thunderbird, provavelmente vai lembrar de uma coisa: música. Talvez por ele ter sido uma peça-chave na história da Mtv Brasil quando esta ainda tratava mais de música e menos de reality shows de pessoas se pegando. Ou talvez por ele ter uma infinidade de projetos musicais e você provalmente já ter visto algum pela noite paulistana. Ou, quem sabe, porque o próprio visual e papo de Thunder é mais recheado de música que qualquer mp3 player por aí.

Conversei um pouco com o Thunder, que falou sobre a vida, o universo e tudo mais.

– Quando o rock entrou em sua vida?

Muito cedo. Assisti “Help” no cinema e o impacto foi grande. Tive a sorte de ter um pai músico, que incentivava muito, com rádio-vitrola estereofônica e muitos discos. Meus primos também me mostravam sempre as novidades dos anos 60 e 70. De lá, pude continuar no rock por conta própria.

– Quais artistas e bandas te inspiraram a criar o Devotos DNSA?

Minha primeira banda de Rock foi o Aerozow (em 85), quando fazíamos psychobilly. Depois veio a banda Neocínicos, que fazia um som modernoso, cheio de poesia. Mas Chuck Berry ficava gritando no meu ouvido: “Poesia? O que importa no Rock é métrica e energia!!!” Diria que Chuck Berry, Stray Cats, The Cramps, The Ventures e todos os expoentes rockers me inspiravam.

– Quais as melhores bandas que você conheceu graças ao período em que trabalhou na Mtv Brasil?

Nirvana (92, no VMAs), Johnny Johnson (pianista do Chuck Berry, em 96), Mano Chao (em 91, no Rockblocks – MTV), Arrigo Barnabé (em 92, no CEP MTV).

– Peraí: você chegou a conhecer o Nirvana? Conta mais disso! 

Em 92, vivenciei uma situação inusitada com o Kurt e a Courtney, mas essa estória terá que aguadar o lançamento do livro que estou escrevendo com Mauro Beting e Leandro Iamim.
– A Mtv Brasil dos velhos tempos acabou apenas por questões comerciais ou você acha que um canal como a Mtv clássica não tem mais espaço nos dias de hoje?

Os diretores da MTV declararam na virada do século que o videoclipe havia morrido. Que a música não ajudava na audiência. Demoraram uns 10 anos pra perceberem que o “M” da MTV era a essência da emissora. Em 2011 eu voltei com a missão de recuperar espaço da música na MTV. Mas já era tarde, visto que os planos da Abril de devolver a marca pros donos americanos já haviam sido traçados. Eu nunca vou saber com certeza as razões de tudo aquilo.

– Você sempre tentava incluir mais informação sobre música durante sua fase na Mtv, inclusive no Contos de Thunder, programa que passava filmes da Troma na íntegra. Quais sons mais te lembram a época deste icônico programa?

Bandas de Psychobilly e a formação espetacular dos Devotos com Gigante Brasil na bateria e Marcopolo Pan na guitarra. Era foda! Me refugiava nos ensaios e shows.

– O CEP Mtv foi um grande programa e revelou muitas bandas para o Brasil, já que contava com música ao vivo. Quais você mais tem orgulho de ter apresentado?

Arrigo Barnabé, Jorge Ben (ainda sem o “Jor”), Raimundos (pela primeira vez ao vivo na MTV), Carlos Careqa (o iconoclasta paranaense), Faísca e banda (quase derrubou o estúdio), Angélica (linda e virgem!).

Thunder cercado de ex-VJs no último dia de vida da Mtv Brasil clássica
Thunder cercado de ex-VJs no último dia de vida da Mtv Brasil clássica

– Será que Gene Simmons realmente está certo: o rock morreu?

Acho que ele (inconscientemente) quis dizer que o Rock morreu pra ele. Acho que só assim consigo entender a polêmica declaração dele. O Kiss nunca fez minha cabeça. Sempre achei que se tratava de uma banda para crianças. Nada de errado nisso, mas quando o Kiss surgiu, eu estava muito ocupado com o Rock clássico, o rockabilly, o punk, o pós-punk.

– Estes dias você falou que foi ameaçado de morte graças ao nome de sua banda Devotos de Nossa Senhora de Aparecida. Conta melhor essa história.

Tem fanático religioso em todo o planeta. Isso aconteceu em 1987, no Espaço Mambembe, no bairro do Paraíso, em São Paulo. Nnao foi além da ameaça. Intolerância, ignorância, fanatismo, essas coisas que estão com a humanidade desde sempre.

– O que você pode citar como diferenças entre o primeiro disco do Devotos e o último?

Houve uma reaproximação com o rockabilly, com o blues elétrico americano, mas o primeiro disco foi feito na loucura, em condições muito adversas. O último, com toda dedicação, n’A Voz Do Brasil, um dos mais emblemáticos estúdios do Brasil.

– Você tá cheio de projetos musicais, né. Quantos são, hoje em dia?

Vejamos… Devotos de Nossa Senhora Aparecida (www.tdnsa.com), Tarântulas e Tarantinos (www.facebook.com/TarantulaseTarantinos), ThunderStandards (Com o Gaspa, baixista do Ira!), Pequena Minoria de Vândalos (com o Miro e o Ari da banda 365), WES (que toca as trilhas dos fimes do Wes Anderson), Black Monks (que faz um crossover das bandas ESG e The Monks) e Flaming Birds (minha banda gaúcha de clássicos do rock).

Isso quer dizer que o Fuck Berry não tá mais ativo?
Fuck Berry faz o mesmo repertório da Flaming Birds. Mas o Gaspa (que toca no Fuck Berry e no ThunderStandards) está ocupadão com seu disco solo. Fuck Berry fará eventuais apresentações, mas a banda está em stand-by.

– Porque criar vários projetos em vez de concentrar todos os sons em um só? 

Meu jeitão prolífico de ser… hahahaha…

foto por Carolina Bitencourt
foto por Carolina Bitencourt

– Quais bandas atuais você acredita que valem a pena ser ouvidas?

As clássicas, claro! Novidades dependem da digestão que cada um faz dessas bandas emblemáticas.

– Então você acredita que essas bandas novas que estão por aí não são tão boas quanto o que o rock já criou?

Bandas novas não são referência pra mim, mas, por vezes, me trazem oxigênio. Eu busco novidades todo dia. Foi um bararto quando descobri o som do Tame Impala há alguns anos atrás. Essa é uma banda que escuto frequentemente!

– Existe alguma banda que só você conhece e acha que deveria ser mais conhecida pelo público?

Não acredito nesse negócio de “Só eu conheço essa banda”. Mas algumas bandas conhecidas podiam ter mais alcance. Falo de The Bees, Django Django, Patife Band

– Você acredita num ressurgimento do rock nas paradas de sucesso ou esse estilo está cada vez mais se dirigindo apenas aos fãs?

Eu não me ligo nas paradas de sucesso. O Rock tem seus representantes populares que lotam estádios. No Brasil, tem roqueiros bem sucedidos.

Mas você acha que uma “cena” rocker ainda pode se reerguer, mesmo que fora das paradas de sucesso? Estamos próximos de um ressurgimento de um “movimento” rocker? 
A “cena” depende dos organizadores de festivais, dos donos das casas noturnas, dos clubes de rock. Esses caras, tenho certeza, podem se organizar melhor, valorizar mais as bandas com cachês decentes, talvez. Sempre haverá pessoas que acreditam, apostam, se entregam ao rock’n’roll.
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– Hoje em dia você está na TV Cultura, apresentando o Mythbusters. Existe algum projeto mais direcionado à música preparado pra você no canal? Estamos sentindo falta!

Apresentei alguns projetos pra TV Cultura, mas a coisa não está caminhando como deveria. Não sei de mim por lá.

– Muitos dos seus ex-colegas da Mtv estão investindo em outros meios, principalmente o Youtube. Você tem vontade de fazer algo para este canal?

Sim, tenho meu programa de rádio (Thunder Radio Show www.central3.com.br) e preparo um programa especificamente para o Youtube. Em breve estará disponível.

Conheça e chore com as piores covers de todos os tempos

Quase toda banda que você conhece começou fazendo cover. Seja uma banda só de covers ou com alguma versãozinha no repertório, todo mundo tem que começar de algum lugar, e normalmente é tentando tocar algo que alguma banda já criou. É o ponto de partida para a criação de canções próprias e talvez de uma grande banda.

E existem aquelas que estacionam e viram covers profissionais. Nada contra, vejam bem: esse tipo de banda tem seu público e satisfaz quem não tem grana pra ver a original (ou talvez quando a original não existe mais ou não vem pro Brasil nem a pau).

Mas aí vem o porém: existem as covers ruins. Aquelas que tentam imitar o ídolo mas não conseguem de jeito nenhum. Certa vez assisti um cover de Van Halen no Café Piu Piu que parecia uma mistura de MC Champions com crianças de 2 anos tocando os instrumentos. Totalmente fora do tempo, ritmo, tom e além de tudo o vocalista não sabia as letras. Dave Lee Roth daria um chute na goela de toda a banda, se os encontrasse.

E eles não são os únicos. Conheça abaixo alguns exemplos de covers que fariam as bandas originais chorarem cacos de vidro se ouvissem suas versões.

O que andei ouvindo – 18 a 25/01/2015

https://twitter.com/joaopedroramos/status/559673104696619008

The Cure – Resolvi escutar um pouco mais da discografia da banda de Robert Smith. De cabeça, sei que nessa semana ouvi os discos “Faith”, “Pornography”, “Wish” e “The Head On The Door”, que comprei em vinil da Feira de Discos da Locomotiva Discos no dia 18.

http://www.youtube.com/watch?v=UkWNLv26kb0

Foo Fighters – Não necessariamente por causa do show da trupe de Dave Grohl no Brasil. Peguei o “Sonic Highways” pra ouvir de cabo a rabo, e depois que ele terminou, fui obrigado a ouvir novamente o primeiro disco da banda de 1995, pra relembrar como era mais legal naquela época. Nada contra o último disco, mas já não é a mesma coisa… e depois de um discaço como “Wasting Light” fica difícil manter o nível.

Graveyard – Nessa semana ouvi “Lights Out”, disco de 2012 da banda sueca. O meu preferido ainda é o “Hisingen Blues”, mas todos os discos da banda valem a pena. Se você ainda não conhece, fica aí a minha dica de banda pra explorar nesta semana. Vai por mim.