5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por May Dee, vocalista do Fingerprints

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May Dee, do The Fingerprints
May Dee, do The Fingerprints

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é May Dee, responsável pelo vocal e guitarra do The Fingerprints.

Muff Burn Grace“Shake it All”

Muff Burn Grace é uma banda que acho que todo mundo deveria parar pra ouvir! O som que eles fazem é do caralho! “Shake it All” foi a primeira musica que eu ouvi e acredite, esse riffzinho “tananam tam tananam taaaam” e o refrão fica na cabeça por dias… E acredite, vicia! Uma das bandas do underground paulista que eu mais admiro e respeito…OUÇAM ESSA PORRA”.

Coldwarps“Stupid Tattoos”

Coldwarps é do underground dos cafundó do Canadá (Halifax – Nova Escócia), eles lançaram poucos sons e a banda acabou relativamente rápido, o que partiu meu coração! Desde 2010, acredito que não teve uma vez em que fiquei pensando nessa música – “Stupid Tattoos” – quando pintava ideia de tattoo nova… Acho que por ela tatuei um revólver, o Milo versão gato, “we are 138” nos dedo..afinal, I can’t get enough stupid tattoos”.

!Attention!“Four or Five Ways to Play These Chords”

“Ouvir um hardcore meio melódiquinho é normal… boring – ouvir um hardcore melódiquinho com um cara com voz de pirata alcoólatra engasgando é DEMAIS. Eu cogitei levar eles pro Brasil em 2010, mas acabou não rolando por razões financeiras (casas de show não querendo pagar pra trazer banda desconhecida da gringa), ouvi falar que o shows dos caras é insano, o vocal, Glenn Barrington, já quebrou várias partes do corpo durante shows, aliás… No primeiro show da banda, ele já quebrou a perna..então dá pra sacar a pegada dos cara, né?”

Frogslake“Plastic Drugs”

“O melhor do grunge brasileiro. Nem tenho palavras pra descrever o Frogslake, pra mim eles tem um som único, a voz do China dá uma puta brisa… É tipo se o Fat Mike do NOFX entrasse pro Nirvana (risos)… Pode não fazer muito sentido, ouça e tire sua própria conclusão. Nunca tive a oportunidade de ir em um show live deles, mas tocamos juntos (The Fingerprints + Frogslake) no acústico “Noise Free” organizado na Associação Santa Cecília em 2014… E meu, os caras conseguiam quebrar tudo só no violão… Bom demais! Eles já tão a um tempo pela estrada já, sempre se mantiveram bem true ao som deles”.

The Dirty Nil“Nicotine”

Dirty Nil é foda demais. Não tenho nem palavras, quem não ouviu ainda tem que ouvir, é a próxima banda. Os caras são do Canadá, tão fazendo tour pela América e Europa sem parar, já tive a oportunidade de ir em show deles e tô feliz pra caralho que vou poder ver novamente no Riot Fest que acontece em setembro (Chicago). Todos os álbuns dos caras são bons, vale a pena conferir!”

“Alien Lanes”: a viagem psicodélica lo-fi de belas melodias do Guided By Voices

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“Alien Lanes” é o nono disco da incrível discografia do Guided By Voices. Por ser o primeiro a ser lançado pela Matador Records, muito se era esperado dele. Seguindo a tradicional característica da banda em gravar apenas com 4 canais, o Guided By Voices trouxe ao público um disco que praticamente dá continuidade à maturidade sonora conquistada em seu trabalho anterior, Bee Thousand”.

Através de 28 faixas curtas e simples, Alien Lanes nos leva para uma uma viagem psicodélica lo-fi de belas melodias, soando calmo e agressivo, e até perturbador, quando bem precisa ser. Sequências de músicas, como “Watch Me Jumpstar”, “They’re Not Witches” e “As We Go Up, We Go Down”, e “Game Of Pricks” e “The Ugly Vision”, são exemplos da perfeição utilizada na hora de selecionar excelentes canções durante todo o trabalho de criação deste álbum conceito.

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Mas além de usar o indie rock e folk como base de sua sonoridade, em Alien Lanes” o Guided By Voices dá passos maiores com a inovação. Bizarros ruídos, elementos e sons são mesclados em canções pop, elevando-as à classificação de pequenas obras-primas futuristas, como “Ex-Supermodel”, “Chicken Blows” e “Always Crush Me”.

“Alien Lanes pode ser classificado como uma excelente fita demo, importantíssima para o rock alternativo noventista e para o próprio Guided By Voices. Dê play e entre em um deliciosa viagem do tempo sonora.

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Guided By Voices – Alien Lanes | Curiosidades

– O The Strokes gravou uma versão cover de “A Salty Salute”.

Alien Lanes” foi listado como o 27º Top Albuns dos Anos 90 pela Pitchfork Media.

– Este é o primeiro disco do Guided By Voices lançado pela Matador Records.

Guided By Voices – Alien Lanes | #TEMQUEOUVIR

3. Watch Me Jumpstart
5. As We Go Up, We Go Down
7. Game Of Pricks
17. My Valuable Hunting Knife
21. Ex-Supermodel
22. Blimps Go 90
27. Always Crush Me

Guided By Voices – Alien Lanes | OUÇA AGORA!

Breaking News: 6 clipes independentes lançados esta semana que você precisa conhecer

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Alicia Blue
Alicia Blue

Swain“Punk-Rock Messed You Up, Kid!”

Clipe do EP de mesmo nome, lançado pela End Hits Records no dia 22 de junho.

The Devils“Coitus Interruptus (From a Priest)”

Tá, o nome da faixa é meio “vamos chocar”, mas calma: a faixa do disco “Voodoo Rhythm” é sensacional e a banda italiana em si, formada por Erica Toraldo no vocal e bateria e Gianni Vessella no vocal e guitarra, é sensacional. O clipe, dirigido por Giuseppe Valentino, é incrível.

Nagen Nags “Hello Madam (RED LIPS)”

Sinceramente? Não consegui encontrar nenhuma informação sobre esta banda asiática, a música ou o disco. Mas enfim: achei bem
bacana. Recém-lançado!

Palme “På Sporet”

A banda norueguesa lançou um clipe dirigido por Knut Joner com cara de filmagem em VHS feita em 1985.

James and the Butcher“The Invisible Boy”

A banda de Bergamo, na Itália, lançou um belo clipe para “The Invisible Boy” dirigido por Fabio Bozzetto. O grupo costuma contar com projeções, luzes e visuais do tipo em seus shows.

Alicia Blue“Charade”

Dirigido e produzido pelo ator Sam Mandel, “Charade” é o primeiro clipe de Alicia Blue e conta com situações comuns nos dias de hoje. Conflitos e a luta pela identidade são o foco do vídeo.

One man band portuguesa The Legendary Tigerman aposta no som do delta blues

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The Legendary Tigerman

Inspirado principalmente pelas raízes do delta blues do Mississipi, mas passando também pelo rock, punk e até tango, o português Paulo Furtado criou o The Legendary Tigerman, uma one-man band em que toca bumbo, chimbal, kazzoo e guitarra/violão.

Com 6 álbuns na bagagem (“Naked Blues”, de 2002, “Fuck Christmas, I Got the Blues”, de 2003, “In Cold Blood”, de 2004, “Masquerade”, de 2006, “Femina”, de 2009 e “True”, de 2014), sendo que o disco “True” recebeu diversos elogios da crítica e contou com participações de gente como Asia Argento, Peaches, Maria de Medeiros, Rita Redshoes e muitas outras mulheres. Ao vivo, The Legendary Tigerman conta com um baterista (Paulo Segadães) e ocasionalmente um saxofonista (João Cabrita) e já se apresentou em diversos lugares de Portugal, Espanha, França, Bélgica, Inglaterra, Japão e até aqui no Brasil.

Conversei com ele sobre a carreira, a preferência pelo blues, os prêmios que já ganhou e muito mais:

– Como começou a banda?

A banda começou um pouco por acidente, no verão de 1999… Estava tentando compor coisas novas porque minha banda na altura, Tédio-Boys, estava a acabar e no local onde ensaiava existia um bombo e um prato de choques, que comecei a usar passado algum tempo, porque era muito chato ensaiar sozinho.. e de repente algumas canções funcionaram no formato de one man band, e assim tudo começou.

– De onde surgiu o nome The Legendary Tigerman?

Havia um one man band dos anos 50 que gostava muito, Legendary Stardust Cowboy. Uma coisa bastante descontrolada e louca, e queria começar um projecto que fosse lendário logo à partida, como provocação. O Tigerman vem de uma canção de Rufus Thomas, que foi uma das primeiras musicas de blues que ouvi na adolescência.

– Quais são as principais influências do projeto?

Blues, Rock´n´Roll, Punk. Se bem que tudo acaba por me influenciar, oiço muita musica diferente. Mas estas serão as mais importantes.

– Porque o investimento no delta blues? O que este estilo traz para você?

Não é uma coisa pensada, não é uma questão de trazer algo. Há algo que me interessa muito na repetição, na acidez e no hipnotismo que existe nos Delta Blues, como existe anos mais tarde nos Suicide. O que me interessa é escrever e tocar musica que me faça sentir pleno e me excite.

The Legendary Tigerman

– Me fale um pouco mais sobre “True”, seu mais recente álbum.

True foi um disco composto inteiramente numa cave, bastante isolado do mundo, em sala de ensaios, como one-man-band, durante um período de 3 meses. Foi um dos discos em que trabalhei mais na vertente técnica de one-man-band. Não creio que nos próximos tempos volte a gravar um disco assim, o próximo será gravado em formato trio, com o Paulo Segadães na bateria e o João Cabrita no saxofone e teclados.

– Como foi ganhar o prêmio pela trilha de “Estrada de Palha/Hay Road”? Como essa trilha foi composta?

Foi muito bom, gostei muito de fazer essa trilha sonoroa e adoro trabalhar com a Rita Redshoes, temos linguagens muito diferentes que se complementam, já fizemos muita música para teatro e cinema juntos. A maior parte da música foi composta e gravada enquanto víamos o filme, é assim que costumamos compor. Procurámos muitos instrumentos antigos, pouco usados, como o violin-uke, o marxophone, para criar um som característico, para além do piano e guitarra. Creio que conseguimos. Em setembro sairá uma nova trilha feita pelos dois, de um filme chamado “Ornamento e Crime”, também de Rodrigo Areias.

– Como está a cena musical independente de Portugal hoje em dia?

Creio que nunca esteve tão bem. Há muitas bandas muito boas de muitos géneros, acho que vivemos uma idade de ouro desde os anos 2000. A melhor de sempre na música portuguesa.

– Como foi a passagem pelo Brasil?

Tem sido incrível, adoro tocar no Brasil, e adoro como as pessoas se entregam nos concertos. De um modo muito genuíno. Quero muito voltar.

The Legendary Tigerman

– Quais os próximos passos de The Legendary Tigerman em 2016?

Neste momento estou a compor novo disco, e devo gravar em setembro no Rancho de La Luna, no Deserto de Joshua Tree, Califórnia. O disco deverá saír no início de 2017.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Sean Riley and The Slowriders, Keep Razors Sharp, Rita Redshoes, Éme, Dead Combo, Buraka Som Sistema, B Fachada, Samuel Úria, Galgo.

Autobiografia do baterista Travis Barker será lançada nesta quinta no Jai Club, em São Paulo

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Travis Barker
Travis Barker

Nesta quinta-feira serei o DJ durante o lançamento oficial da autobiografia de Travis Barker no Brasil! O livro “Travis Barker: Vivendo a Mil, Enganando a Morte e Batera, Batera, Batera” será lançado pela Edições Ideal. O evento, realizado em parceria com o Action182 e Famous Stars and Straps BR, será realizado no Jai Club, em São Paulo, e contará com atrações que homenagearão o baterista prodígio do Blink 182 e de diversas outras bandas e projetos.

Durante o evento, vai rolar um set de DJ com bateria ao vivo em homenagem ao projeto TRV$-DJAM com Fernando Vergel e Mauro T-Zero, um dueto de bateristas com André Dea (Vespas Mandarinas/Sugar Kane) e Daniel Weksler (Nx Zero) e a exposição do artista Fernando De Paiva, que já trabalhou fazendo estampas para as marcas de Travis Barker e Mark Hoppus.

No livro, Travis conta sua história, desde os primeiros passos na bateria, ainda criança, até a entrada no Blink-182, seus problemas com drogas, os inúmeros projetos dos quais participou, relatos de pessoas como Mark Hoppus e Tom Delonge (Blink-182), Tim Armstrong (Rancid, Transplants, Tim Timebomb) e o horrível acidente de avião que mudou a sua vida para sempre, que, inclusive, abre o livro:

“Estou pegando fogo. Estou correndo o mais rápido possível e em chamas. A noite está escura, mas eu consigo enxergar o caminho por causa da luz que está emanando da minha carcaça em chamas. Eu nunca senti tanta dor na minha vida: parece que tudo dentro do meu corpo está fervendo e tentando evaporar através da minha pele. Estou tirando minhas roupas enquanto corro através de um gramado, mas ainda estou pegando fogo”, relata Barker.

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Onde: Jai Club (R. Vergueiro, 2676 – Vila Mariana – SP)
Quando: 23 de junho de 2016 a partir das 19h30 (abertura da casa)
Entrada: Lote 1 – R$30,00 ; Lote 2 – R$40,00
Pontos de venda: TicketBrasil https://ticketbrasil.com.br/festa/4141-travisbarker-saopaulo-sp/

Chegou a hora de darmos mais uma chance aos discos “Load” e “Reload” do Metallica

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Metallica
O Metallica em sua fase "chic"

O polêmico e criticado disco “Load”, do Metallica, completou 20 anos na semana passada. Na época, a mudança de visual do quarteto e a inclusão de músicas como “Mama Said”, mais puxada para o country, e “Hero Of The Day”, mais “calma”, fizeram os fãs ficarem putos com a banda. Os que já tinham virado as costas para os thrashers com o lançamento do “Black Album” deram de ombros, e até alguns dos fãs que gostaram do disco de 1991 ficaram coçando a cabeça. Um ano depois saiu “Reload”, um disco do que seriam as sobras das gravações de “Load”, algo que só ajudou a continuar a fama de “vendidos” que a banda ganhou e continuou a ser apedrejada. Músicas experimentais como “Low Man’s Lyric” fizeram os mais cri-cris perguntarem “o que está acontecendo com o Metallica”?

Metallica
Muito do ódio dos fãs veio da pose “modelete” que a banda adotou na época

Pois bem: 20 anos depois, vamos rever esta dupla tão mal avaliada. Primeiramente, vamos juntar o melhor dos dois discos em um só. Assim, vamos unir tudo o que a duplinha mal falada do Metallica têm de melhor para termos um disco bom em vez de dois medianos ou fracos. Outro ponto: ele deve ser ouvido como um disco de rock, deixando um pouco de lado o thrash metal de discos como “Ride The Lightning” e “Kill ‘Em All”. Afinal, se você ouvir o “Load” e o “Reload” esperando os clássicos riffs de quebrar pescoço e bumbo duplo comendo solto, é óbvio que vai sair decepcionado. Pois é hora de abaixar suas espectativas, apurar os ouvidos e dar uma nova chance ao “Load” recauchutado, que na minha versão, fagocitará o melhor do “Reload”. Eis as eleitas do tracklist, na ordem em que eu colocaria:

“Ain’t My Bitch”, do “Load” – Acho que se este fosse o primeiro single de “Load” na época o pessoal não ia chiar tanto. Porrada, um pé na porta que abre bem o disco, com uma bela dupla de guitarras de James e Kirk.

“2×4”, do “Load” – Uma boa segunda música, podia muito bem estar no “Black Album”. Bateria clássica do Lars, mesmo na abertura já dá pra ver que é ele tocando a batida de 2×4 que dá nome à faixa.

“Fuel”, do “Reload” – Uma das poucas músicas que o Metallica manteve nos shows até hoje e uma preferida dos fãs. E, pra falar a verdade, é mesmo uma das melhores deles nessa fase. Ei, lembre-se que da fase “St. Anger” não sobrou nenhuma pra contar história nos sets atuais, certo?

“Until It Sleeps”, do “Load” – Este que foi o primeiro single lançado na época não é uma canção ruim. Mostra um pouco do direcionamento que o Metallica estava tomando, dando aquela experimentada com rock alternativo sem perder o peso. Algo entre o Alice In Chains e o Smashing Pumpkins (se é que isso é possível). Aquela fórmula verso calmo-refrão porrada-verso calmo-refrão porrada.

“King Nothing”, do “Load” – A música em que o Metallica se auto-chupa com vontade (afinal, é quase uma “Enter Sandman 2”) não é nada ruim. Um single bacana da época que podia ter sido mais bem recebido se o povo não fosse tão “tr00”.

“Hero Of The Day”, do “Load” – Um rock mais tranquilo, puxado pro hard rock. Poderia muito bem estar num dos discos noventista do Aerosmith… e isso não é uma crítica.

“Devil’s Dance”, do “Reload” – Todo mundo critica a bateria de Lars, mas nesse… digamos, funk-metal, a batida quatro por quatro cheia de groove é toda dele. Além do ritmo cadenciado que ficou ótimo até no “S&M”.

“Wasting My Hate“, do “Load” – A paulada pós-introdução dessa música é bem bacana. Essa música tem um quê de rock de arena dos anos 70.

“Bleeding Me”, do “Load” – Mais um experimento do Metallica no “Load”, e devo dizer que um dos melhores experimentos da banda nessa fase. Uma faixa lenta que não chega a ser uma balada por ser tão sofrida e tensa. Ignore o excesso dos “uô uô” do James e veja como essa música merece ser ouvida.

“Ronnie”, do “Load” – Já que é pra ter incursão pelo country, em vez de “Mama Said” (que eu, pessoalmente, acho boa, mas foi uma das mais massacradas pelos fãs) a gente deixa “Ronnie”, com influência country mas com uma pegada mais bangue bangue, mezzo ZZ Top.

“The Memory Remains”, do “Reload” – O Metallica conseguiu fazer uma música cheia de “lararara” cantado pela Mariane Faithfull que gruda na cabeça e ainda um clipe memorável daqueles que as pessoas ficaram um tempão pensando “como eles fizeram isso”? Merece ficar.

“The Unforgiven II”, do “Reload” – Esta aqui eu deixaria só pra manter a série “Unforgiven” andando (Ah, e eu colocaria a intro igual à essa em “Unforgiven III” do “Death Magnetic”, mas aí já estou divagando e indo pra outro disco).

“Low Man’s Lyric”, do “Reload” – Eu citei que essa é uma experimentação mais “mellow” do Metallica e levou umas pauladas dos fãs, mas isso mostra que o Metallica têm bastante a oferecer fora do mundo thrash metal. É perfeita para fechar um disco, e eu faria exatamente isso.

A viagem no túnel do tempo da trilha sonora de “As Vantagens de Ser Invisível”

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The Perks Of Being a Wallflower

Hoje vamos falar sobre um filme voltado para o público adolescente. Mas nem por isso a trilha deixa a desejar. Muito pelo contrário, assim como “500 Dias Com Ela”, apesar de ser um drama/romance que flerta com comédia, a trilha é uma tremenda viagem no tempo e traz excelentes hits do dream pop, new wave e do rock alternativo.

“The Perks of Being a Wallflower”, em português “As Vantagens de ser Invisível”, é um longa metragem lançado em 2012 pelo diretor Stephen Chbosky. Dessa vez ele não procurou ou foi procurado por ninguém para fazer o filme. Afinal de contas, ele é baseado num livro de sua autoria lançado em 1999. Foi sucesso comercial devido a alguns fatores além de uma boa história sobre a juventude com todos seus dramas, passagens e percalços: a boa escolha do elenco e a sua trilha sonora. Afinal de contas, para quem já viu o filme, fica difícil esquecer o momento em que Sam (Emma Watson) sai pelo teto solar do carro – dentro do túnel – e começa a cantar “Heroes” do David Bowie, não é mesmo?

Emma

Sinopse por AdoroCinema: “Charlie (Logan Lerman) é um jovem que tem dificuldades para interagir em sua nova escola. Com os nervos à flor da pele, ele se sente deslocado no ambiente. Sua professora de literatura, no entanto, acredita nele e o vê como um gênio. Mas Charlie continua a pensar pouco de si… até o dia em que dois amigos, Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), passam a andar com ele.”

O filme se passa em Pittsburg, na Pensilvânia, e alguns de seus dramas passam por temas “bobinhos” como o dilema do primeiro beijo, as paixonites de adolescência, fins de relacionamento e o drama da dança de formatura (Saddie Hawkins Dance), temida e amada por muitos americanos, super tradicional e “cafona”, diga-se de passagem. Mas tradições, né? Vamos falar o quê? Apenas aceitamos. Mas também temos bons ganchos, como quando a turma no colégio ensaia para apresentar sua versão da peça The Rocky Horror Picture Show. (Inclusive aqui na SINESTESIA já falamos sobre a novela original que deu origem a peça, o musical, suas homenagens, tributo, filme e remake a caminho!)

Porém, a trama também toca em temas bastante delicados e importantes, como a homofobia e o abuso sexual sofrido durante a infância. Esses conjuntos de fatores que eu acho super importantes de serem discutidos nessa faixa etária para que a intolerância aos poucos vire um problema do passado. Tão triste ver os acontecimentos recentes e a estatística alta de mortes e agressões por motivo de opção sexual. Um dia chegamos lá!

O filme conta com uma trilha maravilhosa – que você pode conferir direto da página da IMDB. Vamos focar nas 12 faixas que compõe o disco lançado pela Atlantic Records no dia primeiro de agosto de 2012. Impressiona, pois esta coletânea chegou a sétima posição das melhores trilhas sonoras publicadas no período entre 2012/2013 da Billboard.

Cantar

A faixa que abre o disco é do The Samples com Could It Be Another Change, que sinceramente eu desconhecia. São da época do college rock pelo que parece, uma mistura de The Police com Grateful DeadAgradável, mas nada de mais. Influências de folk e reggae são perceptíveis em sua sonoridade. A banda existe até hoje, mas com apenas um membro original, o vocalista Sean Kelly.

Em seguida temos uma canção tão clássica que periga você estar na Tiger Robocop 90 (que rola no Lab Club) e ouvir tocando a versão que a banda de ska – Save Ferris – fez nos anos 90. Bem, na trilha contamos com a versão original da banda de Birmingham Dexy’s Midnight Runners, que impressiona pela versatilidade de estilos, abraçando o folk, o ska, influenciado pelo “Combat Rock” do The Clash, e a música folclórica irlandesa, popularizada pelo The Pogues naquela década. Com o artifício de violinos, batida new waver, teclados e um pouco de música caipira a canção justifica a fama das pistas de dança. É envolvente como os vocais dialogam e você se vê levado pela canção sem titubear.

Em seguida temos um verdadeiro clássico do dream Pop/shoegaze, “Tugboat”, da emblemática e meteórica Galaxie 500. Influenciados por Velvet Underground, Spacemen 3 e Jonathan Richman, em apenas 5 anos viram sua estrela cadente virar história. O grupo durou de 1986 a 1991 e deixou um legado de bandas que foram influenciadas pelo som deles como Sonic Youth, Liz Phair, Neutral Milk Hotel, British Sea Power, Joanna Gruesome, The Submarines e tantas outras. A canção tem uma atmosfera meio My Bloody Valentine encontra The Pastels enquanto toma um café com Lou Reed. Ou seja: coisa mais do que boa.

A próxima música é do New Order, a dançante e emblemática “Temptation” que inclusive também entrou na trilha de Trainspotting. (filme que comentamos a trilha outro dia por aqui). Lançada originalmente em 1982, ela ganhou em 2013 este clipe:

“Evensong”, da pouco conhecida The Innocence Mission tem uma atmosfera densa a la Cocteau Twins, Mazzy Star e PJ Harvey. Ou seja, aquela vibe rock alternativo/dream pop flutuante do começo da década de 90. Cheia de angústia, a canção controla os ânimos do espectador, já que é sofrida e introspectiva. 

The Smiths

O clássico ~das bads~ “Asleep” do The Smiths não poderia ficar de fora da confusa e triste história de Charlie. É o hino dos dilemas pessoais, das desilusões com o mundo exterior. A vontade de se isolar, se trancar no quarto, deitar na cama e nunca mais acordar. A faixa foi originalmente como um B-Side do single “The Boy with the Thorn in His Side” e mostra uma atmosfera mais dark que o piano que acompanha Morrissey nos leva direto para o fundo do poço. Talvez um dos seus trunfos seja fazer com que os ouvintes chorem e afoguem suas mágoas.

Ainda no ritmo do slowcore/dream pop – e provavelmente da adolescência do diretor do filme – temos Low com “Cracker”. Influenciados por post-rock, blues e Neil Young, vemos os contrastes que isso adiciona ao som que tem a cara da época pré explosão do grunge.

Logo em seguida vem uma canção que eu sou mais do que suspeito para comentar, “Teenage Riot”. De um disco que eu tive que comprar o box de vinil para apreciar todas versões e mixagens, Daydream Nation” (1988). A canção é o primeiro single escolhido para divulgar o disco produzido pelo emblemático produtor Nick Sansano, um cara que pouco antes tinha se envolvido com bandas de rap do calibre do Public Enemy e quando pegou essa encrenca não manjava nada do tipo de som do Sonic Youth. Segredo para o sucesso? Talvez. O grupo teve um ganho criativo que depois desse disco os conduziu para o estrelato. Depois ele foi até chamado para produzir o Goo” (1990) e o resto é história.

“Dear God” do XTC é daquelas músicas que eu conheci assistindo as madrugadas da MTV Brasil – ah, que saudade desses tempos. Um one hit wonder de uma injustiçada banda com outros potenciais hits pops. Uma letra forte e dura sobre ateísmo e uma levada folk/new waver/pop barroco lançada em 1986, sendo censurada e proibida em diversas rádios ao redor do mundo por fazer apologia ao ateísmo com sua falta de Deus. Sem usar nenhuma palavra de baixo calão. Quão punk é isso?

E de clássico em clássico do rock alternativo a lista do disco vai ficando ainda mais interessante. O próximo é Pearly Dewdrops’ Drops”, a banda de post-punk inglês Cocteau Twins é fruto da mistura de influências de The Birthday Party com Siouxsie and The Banshees e a delicadeza da estrela do pop Kate BushPara quem desconhece a origem do nome do grupo, eis a resposta: vem de uma canção do Simple Minds. O Cocteau Twins nesta canção tem sua marca no vocal que ecoa no ar – a la coral de igreja – e traz os beats e as trevas dos sintetizadores. Ah, os anos 80!

A próxima canção no filme chamada de “Charlie Last Letter” foi composta pelo guitarrista de música ambient, experimental e instrumental Michael Brook. Ela é rápida e meio “chatinha”. Originalmente ela chama “Pouter”, mas para o filme foi renomeada para encaixar com a parte mais dramática da trama. Michael é conhecido por gravar guitarras para trilhas de filme e por ter colaborado com artistas como David Sylvain e Brian Eno. Inclusive já ganhou um Grammy por co-compor “Night Song” do paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan e teve a trilha de “Into The Wild”, composta por ele, nomeada como melhor trilha.

Para fechar a trilha com chave de ouro, temos talvez uma das canções mais fantásticas escritas do rock: “Heroes”, do David Bowie. Para quem não sabe, a música fala sobre um amor dividido pelo nefasto muro de Berlim, onde o namorado e a namorada estão separados pelo muro, um morando na Berlim Oriental e outro na Berlim Ocidental.

A música é tão poderosa e emblemática para a cidade de Berlim que em janeiro deste ano, após saber da morte de David Bowie, o governo da Alemanha agradeceu ao artista com os seguintes dizeres: “Por ter ajudado a derrubar o muro de Berlim”. E dizendo: “você agora está entre os heróis”.

E é dessa maneira emotiva e cheia de sentimentalismo que terminamos o post de hoje. Afinal de contas, “Heroes” entrou na trilha não só por ser uma simples canção de amor sem limites mas como uma canção de emancipação do ser sem limites. É, o cara sabia compor como poucos.

“Poppy, garagey e shoegazey”: quarteto australiano Major Leagues prepara seu primeiro disco

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Major Leagues

Segundo o Major Leagues, já que Brisbane, na Austrália, é uma cidade pequena, possui uma cena musical independente muito variada e unida. Isso influiu na fundação da banda, em 2012, unindo amigos de faculdade e pessoas que estavam presentes no underground musical da cidade. Formada por Jaimee Fryer (guitarra e vocais), Anna (guitarra e vocais), Jake (bateria) e Vlada (baixo e vocais) e influenciada por gente como Pavement, Yuck, Yo La Tengo, Real Estate, My Bloody Valentine, a banda lançou o EP “Dream States” ano passado e no momento está preparando seu primeiro álbum com som “poppy, garagey e shogazey”, que deve sair ainda este ano.

Conversei com Anna sobre o EP, a carreira da banda, o sexismo no mundo da música e a preparação para o primeiro disco:

– Como a banda começou?

Vlada e eu nos encontramos na universidade. Então, nós conhecemos Jake e Jaimee pela cena musical em Brisbane. Brisbane é uma bonita cidade pequena, sendo que a cena musical é muito unida. Assim que eu tive algumas canções escritas nas mãos, todos nós meio que nos juntamos e gravamos nosso primeiro EP muito rapidamente.

– Quais as suas maiores influências musicais?

Somos todos influenciados por um monte de diferentes tipos de música. Nós todos amamos um monte de música dos 90s e shoegaze. Vlada é louca por música pop, ela é obcecada pelas novas de Beyoncé no momento. A Jaimee ama bandas como Blonde Redhead e Beach House e Jake gosta um pouco de tudo, de Wes Montgomery até Justin Bieber! Eu amo um monte de coisas sujas e lo-fi e Elliott Smith :)

– Como surgiu o nome Major Leagues?

Uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos, Pavement, tem uma canção chamada “Major Leagues”, que é ótima!

– Falem um pouco mais sobre “Dream States”, o seu mais recente trabalho. (Aliás, que bela capa!)

Nós gravamos há um bom tempo atrás, metade das músicas foram escritas por mim e metade por Jaimee. Nós o chamamos de “Dream States”, porque é sobre fazer muitas transições, algumas geográficas, algumas emocionais/pessoais. Eu sinto que quando passo por grandes mudanças geralmente não sinto que sejam bastante reais, por isso é como estar em um estado de sonho constante. Estamos realmente orgulhosos do EP, mas também estamos animados para começar a gravar nosso novo álbum! A foto da capa foi feita pelo minha mãe nos anos 70/80 na praia. O menino nela é meu tio!

Major Leagues

– Como foi o processo criativo para o álbum?

Jaimee e eu escrevemos esqueletos para as canções e depois fomos todos para estúdios de nossos amigos para que Jake gravasse a bateria para elas. O resto nós gravamos no quarto de Vlada. Nosso amigo Miro nos ajudou a gravá-las e Fergus Miller (Bored Nothing, Wedding Ring Bells) mixou.

– Como você definiria seu som?

Somos muito ruins em responder a esta pergunta. Eu acho que somos um pouco jangly, poppy, garagey, e um pouco shoegazey?

– O que vocês acham sobre o sexismo na indústria musical? Vocês já sentiram isso na pele?

Eu acho que é um problema enorme. Eu acho que está sendo discutido muito mais nos dias de hoje, especialmente com mulheres como Kesha falando contra o sexismo e sobre suas experiências pessoais com ele. É ótimo que essas coisas estão sendo trazidas à luz em vez de serem acobertadas como teria sido no passado, mas ainda há um grande caminho a percorrer para a igualdade se tornar uma realidade.

– Como é o seu processo de composição?

Eu normalmente apenas escrevo uma parte de guitarra ou da letra e, em seguida, uma linha vocal, depois levo para os outros adicionarem todas as outras camadas.

Major Leagues

– Quais são os próximos passos da Major Leagues em 2016?

Acabamos de terminar uma turnê com nossos bons amigos da Flowertruck. O próximo passo será gravar o nosso álbum, que será lançado ainda este ano. Gostaríamos muito de viajar pelo exterior em algum momento em breve, também. Talvez possamos ir visitá-lo (risos)!

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.

Estas são todas australianas: Flowertruck, Big White, Tiny Little Houses, Babaganouj, Totally Mild, Wedding Ring Bells, Summer Flake, Julia Why.

Escolha seu show e aproveite o Dia da Música (18/06) em São Paulo com muito som!

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Dia-da-Música-2016

Neste sábado (18 de junho) acontece o Dia da Música, e é claro que vai rolar um monte de eventos e atrações aqui em São Paulo para homenagear a data. É só escolher qual combina mais você (ou ir em vários, porque não) e aproveitar!

Local: Parque Villa Lobos

A segunda edição do Festival BB Seguridade de Blues e Jazz contará a partir das 11h com apresentações de Orleans Street Jazz Band, O Bando, Orquestra Voadora, B4 Jazz Quartet, Toninho Horta, Steve Guyguer (part. Flávio Guimarães), Marco Lobo Quinteto com David Liebman e Maria Gadú (part. Tony Gordon). A entrada é gratuita.

Local: Neu Club
Rua Dona Germaine Burchard, 421, São Paulo

As bandas Terno Rei (SP), Meneio (SP) e The Shorts (PR) se apresentam na casa que sempre conta com bandas autorais antes de suas festas, no Esquenta. A entrada é gratuita.

Local: Funhouse
Rua Bela Cintra, 567, 01415-000 São Paulo

A festa Houdini contará com shows das bandas Kid Foguete e Moblins à partir das 21h!

Local: Largo do Paissandu
Lrg. do Paissandu, 01034-010 São Paulo

O Palco Test trará shows de cinco bandas ao ar livre, em frente à Galeria do Rock: as paulistas Projeto Trator, Fear of the Future, Autoboneco, Subcut e a paranaense Vermes do Limbo.

Local: Praça Vitor Civita
Rua Sumidouro, 580, 05428-070 São Paulo

O Rock Ex Machina e o Tendal Independente fecham parceria para levar pras ruas o som das bandas independentes. Shows de Bufalo, Z13 Duo, Giallos e O Grande Ogro.

Local: Razzmatazz
Rua Wisard, 271, 05434-080 São Paulo

Shows de Bike, The Cigarrettes, Lava Divers, Gorduratrans, Poltergat e The Soundscapes mostrando que a cena independente continua viva e forte para o povo da Vila Madalena.

Local: Passagem Literária da Consolação

Com entrada grátis, a Passagem Literária da Consolação recebe a partir das 16h shows de Continental Combo, Os Radiophonicos, Os Estilhaços e Os Skywalkers.

Virada Virtual

Para quem não quer ou não pode sair de casa, o dia da música também terá a terceira edição da Virada Virtual, festival online gratuito com 24 horas de música ao vivo sem parar! Shows para todos os gostos, tudo com muita qualidade. Anota aí: Di Melo, MSário, Samba da Valdineia com Trio Gato com Fome, Paula Sanches e Paulinho Timor, Tupiniquin, Cavalleria, Verônica Decide Morrer, Fino do Rap, Lobotomia, Freetools, TopsyTurvy, Mano Ble, Meneio, Luiza Meiodavila, Falso Coral, A Bandallera, Eristhal e Rafael Castro, Luque Barros, Juliana Perdigão e os Kurva, Leptospirose, Muzzarelas, Lineker, Indaiz, Rico Dalasam e Filpo Ribeiro e a Feira do Rolo.

Tem mais? CLARO que tem mais. Para saber de TODOS os shows que rolam neste dia (dentro e fora de São Paulo), é só conferir no mapa do site oficial da data:

http://www.diadamusica.com.br/festival/mapa

Sub Pop 200: o pontapé inicial do grunge

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Hoje, começo a assinar a coluna No Walkman aqui no Crush em Hi-Fi e nela irei comentar sobre os principais, os melhores e alguns desconhecidos discos de rock alternativo dos anos 90. Lembrando que essa década engloba final dos 80 e início dos 2000. E para inaugurar a coluna, trouxe a compilação Sub Pop 200.

O ano é 1988. O quê futuramente viria a ser conhecido como grunge dava os seus primeiros passos. Na verdade, uma fértil leva de bandas de rock alternativo já existia em Seattle, porém, sem apoio de grandes gravadoras e selos comerciais.

Com a visão da força daquele cena musical que se criava, Bruce Pavitt e Jonathan Ponemam transformaram seu fanzine, Subterranean Pop, na gravadora Sub Pop, sendo esse o selo que abraçaria todas as bandas da região e permitiria que elas lançassem os seus discos.

Um dos primeiros discos lançados pela Sub Pop foi o Sub Pop 200, uma compilação que reunia as principais bandas da gravadora. Na lista, nomes bem conhecidos da noite de Seattle, como: Beat Happening, Soundgarden, Green River, Mudhoney e TAD.

sub pop 200 músicas

O disco é um repertório de microfonias, fuzz e barulho ao melhor estilo grunge. Logo de cara temos a injeção do medo em forma de notas, com o peso do TAD em “Sex God Missy”. Em seguida, “Is It Day I’m Seeing”, do The Fluid, mostra o quanto diferente cada banda de Seattle soava, uma verdadeira mistura de punk rock e heavy metal com palhetadas de rock clássico e barulheiras do rock alternativo de 80.

A terceira faixa pode ser considerada a cereja do bolo, afinal, “Spank Thru” é considerada a primeira música do Nirvana. Na época em que Sub Pop 200 foi lançado, a banda de Kurt Cobain era o patinho feio da cena, porém, a situação iria mudar nos meses seguintes com as gravações de “Bleach”, o primeiro disco do Nirvana.

Os grandes nomes eram o Mudhoney e Soundgarden, que no disco marcam presença com “The Rose” e “Sub Pop Rock City”, respectivamente. A primeira, uma dose misturada de fuzz e esteira da caixa de bateria, a segunda, uma sátira ao clássico do Kiss “Detroit Rock City”, que tenta traduzir o que rolava em Seattle na época, principalmente, com a pequena Sub Pop.

O disco vai tocando e as boas faixas continuam. “Swallow My Pride”, talvez o primeiro hino grunge (original do Green River e que já foi tocada por Soundgarden e Pearl Jam), ganha uma versão menos agressiva com os longos vocais de Kim Warnick dos punks do The Fastbacks, um verdadeiro cruzamento da velha e nova geração de bandas de Seattle.

O Green River, considerada a primeira banda do movimento e que originou o Mudhoney e o Mother Love Bone, figuram com a hipnótica “Hangin’ Tree”, e o Screaming Trees, liderados por Mark Lanegan, dão rouquidão a “Love Or Confusion” de Jimi Hendrix, até então, um dos poucos ídolos da cidade de Seattle.

O disco, que no formato original foi lançado em 3 EP’s, é uma excelente terapia para quem deseja se aprofundar no estilo grunge. Bandas boas que pouca gente conhece estão ali, como por exemplo: Beat Happening, Blood Circus e Girl Trouble.

Sub Pop 200 é uma compilação obrigatória para fãs do bom rock alternativo e apresenta bandas que marcariam presença diária na MTV nos anos 90 em seus melhores momentos embrionários. Apenas, ESCUTE!

sub pop 200 produção

SUB POP 200 | Curiosidades

– A ilustração da capa foi feita pelo cartunista Charles Burns, que frequentemente realizava trabalhos para a Sub Pop, como capas e posters.

– Apenas 5000 cópias foram feitas do set com 3 EP’s que ainda incluía um pequeno livro de 20 páginas.

– A versão de “Spank Thru” foi gravada no dia 11 de Julho de 1988 no Reciprocal Recordings, em Seattle, e conta com Chad Channing na bateria e os backing vocals do produtor Jack Endino.

SUB POP 200 | OUÇA AGORA!