5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Alexandre Giglio, do Minuto Indie

Read More
Alexandre Giglio, do Minuto Indie
Alexandre Giglio, do Minuto Indie

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Alexandre Giglio, do Minuto Indie!

Inky – “Parallax”
“Banda paulistana que eu gosto muito! Eles cantam em inglês mas vai ser bem difícil reclamar do sotaque.  Uma música bem harmoniosa e ao mesmo tempo experimental.  Sou pouco fã de banda experimental (risos). O som deles nesse último álbum, “Animarnia” tá mais coeso e muito mais com a cara deles.  Definiram um som, sabe? Essa banda foi achada no Spotify graças às minhas experimentações durante o trabalho.  O show deles é bem agitado e vale muito o ingresso que na maioria das vezes são de graça ou muito baratos.  Liderados por uma mulher no vocal você se apaixona mais ainda.  Ela tocando aquele synth,  juntando com o baixo e a batera faz estrago! Já tocaram no Primavera Sound e queria muito ver eles nesse Lollapalooza,  quem sabe no ano que vem”.

Mild High Club“You and Me”
“Eu era viciado em Arctic Monkeys com uns 13 anos,  e aos 23 sou viciado em Mild High Club,  será que nos 33 vicio em outra? A banda liderada pelo Alex…  Putz, mais um Alex na minha vida, hein. (Risos) Brincadeiras à parte,  fazia tempo que não pirava numa banda.  De ser fã mesmo de pesquisar e tudo mais.  Banda de rock psicodélico do bom. De você viajar e não parar mais.  Você escuta os CDs deles e acabam passando muito rápido que você não percebe! Eles são americanos e fazem um som maravilhoso.  Gosto muito do estilo de cantar do vocalista e de como interagem no palco, parece que cada um está em sua transe.  Assisti eles no Balaclava Fest 2016, melhor show do ano sem dúvida, fiquei hipnotizado.  Vale muito conferir essa banda”.

Mndsgn“Cameçblues”
Pelo nome você deve estar pensando ‘que nome estranho é esse?’.  Mas é abreviação de mind design.  Já pegou a brisa, né? Um cara americano descendente de filipinos, o cara faz um som bem semelhante ao Mild High. Mas imagino um cara catando com teclado e brisa. Algumas dessas músicas acabam sendo mais lentas e até um pouco românticas. Mas é aquele som que você para e pensa e relaxa. Totalmente na sua mente! Ele tem diversos trabalhos e ele manda muito com teclado e batida.  #melhorquetimbaland Gosto muito do CD mais recente dele.  As músicas me trazem boas lembranças da minha vida.  Um som que te faz pensar”.

Gudicarmas“Ávido”
Banda que recente que me indicaram lá no Minuto Indie.  Ainda não pesquisei muito sobre a banda, mas o riff e a voz do vocalista me encantaram. Uma música calma que depois te faz dançar. Com certeza vou escutar muito nesse ano de 2017. Vamos dizer que foi a minha primeira paixão desse ano.  A música que me encantou foi a “Ávido”.  Mas o CD deles inteiro é bom demais com sons do Brasil inteiro.  Aqueles instrumentos típicos do Norte, sopro, violão e muito mais. Uma salada mista!”

Bike“Enigma do Dente Falso”
“Se você curte Tame Impala, Pink Floyd, Boogarins… Bike é a junção de todos eles. Eu já conheço a banda a um bom tempo, fiquei viciado um tempo e voltei agora no final de 2016 a escutar eles novamente após assistir um show deles na Casa do Mancha em SP.  Me senti em Woodstock no meio de uma psicodelia louca. Um show com diversas vibes e me surpreendeu tanto. Se você curte brisar, ficar viajando, escutar chapado as músicas…  Aconselho você a escutar o CD deles, “1943”, do começo ao fim, que vai te surpreender e muito. A minha música favorita é o “Enigma do Dente Falso”. Nessa música vou longe, com sons espaciais e solos intermináveis que te deixam numa vibe sensacional.  Essa música foi a minha favorita de 2016.  Podem ter certeza que vocês vão escutar muito sobre esses caras!”

Deformando o rock ‘n’ roll: Quicksilver Messenger Service – “Happy Trails” (1969)

Read More
Quicksilver Messenger Service

Bolachas Finas, por Victor José

No final da década de 1960, no auge da cena de São Francisco, uma apresentação ao vivo era como um ritual, onde o público embalado pelas drogas psicodélicas buscava uma experiência sem padrões ou regras preestabelecidas. E a música – quase sempre improvisada, chapada e estendida ao máximo – servia como pano de fundo ao mesmo tempo em que o próprio público estimulava essas possibilidades encorajando a banda. Era uma troca e, na medida do possível, um sincero sentido de comunhão.

Talvez por isso, um detalhe bastante interessante que ocorreu nesse período foi o lançamento de álbuns ao vivo – ou parcialmente gravados em estúdio – contendo repertórios de faixas inéditas. E considerando a fertilidade artística do período, somada ao poder de performance de algumas bandas e ao clima efervescente das casas de show, dá para perceber que a vibe orgânica presente naquelas gravações eram de fato um ingrediente a mais. Os casos mais clássicos são “Cheap Thrills” (1968), “Anthem Of The Sun” (1968) e “Happy Trails” (1969), do Big Brother and The Holding Company, Grateful Dead e Quicksilver Messenger Service, respectivamente.

Embora amplamente celebrado na região da Costa Oeste, o Quicksilver não ganhou a mesma notoriedade que seus conterrâneos Jefferson Airplane e Santana, mas de fato foi um dos pilares que ajudaram a moldar o som da cena hippie e de toda uma ideia em torno da arte do improviso.

quicksilver2

Em “Happy Trails”, segundo álbum do grupo formado por John Cipollina (guitarra e vocais), Greg Elmore (bateria e vocais), Gary Duncan (guitarra e vocais) e David Freiberg (baixo e vocais), percebemos como o rock‘n’roll tinha se transformado até então, isso porque o lado A do disco é uma suíte de pouco mais de 25 minutos do clássico “Who Do You Love”, de Bo Diddley, um dos roqueiros pioneiros dos anos 1950.

Alguns poderão imaginar que deve ser um pé no saco escutar quase meia hora de piração em torno de um rock básico, mas eu digo com toda certeza que não: aí está um dos momentos mais criativos, dinâmicos, entorpecentes e inspirados da música pop. Exagero? Então imagina você há quase 50 anos atrás escutando a releitura de uma música lançada há pouco mais de dez anos, de modo que em alguns trechos você se confunde e mal sabe se ainda se trata do mesmo tema ou se está ouvido rock, jazz, pura dissonância ou sabe-se lá o quê. Pois bem… É um daqueles casos na história da música em que se percebe de modo gritante que houve um verdadeiro salto estético dentro de uma vertente específica – neste caso, o rock‘n’roll.

quicksilver1

De fato, é como se a banda quisesse depositar na música as possibilidades psíquicas proporcionadas pelo LSD, mostrando que é possível descaracterizar o “ego” de uma canção, indicando que ao ir além dos dois minutos da versão original você encontra um vasto “inconsciente” a ser explorado.

O legal é que a versão do Quicksilver tem divisões bem delimitadas, ao todo seis: “Who Do You Love Part 1”, “When Do You Love”, “Where You Love”, “How You Love”, “Which Do You Love” e “Who Do You Love Part 2”. Cada uma das quatro partes do meio da suíte contempla um membro específico da banda, então em um momento a música enfatiza mais no baixo, em outro na guitarra e assim por diante.

O lado B de “Happy Trails” continua na linha do improviso e da experimentação, mantendo a qualidade em um nível invejável. “Mona”, outro cover de Bo Didldey, demonstra uma banda no auge de seu vigor no palco, enquanto que “Maiden Of The Cancer Moon” e “Calvary” (esta última sendo a única gravada em um estúdio) ressaltam o compromisso das bandas do período com o rompimento de estruturas. O som é livre e irresistivelmente volátil, como deveria ser o comportamento do público das lendárias casas de show Fillmore East e West, onde o grupo gravou as faixas ao vivo. O álbum acaba com a faixa-título, que também dá título ao programa de TV estrelado por Roy Rogers e Dale Evans nos anos 50.

Hoje pode até ser que a obra-prima do Quicksilver Messenger Service não pareça assim tão revolucionária, e realmente é bem provável que os próprios integrantes não estivessem interessados em soarem pretensiosos. Mas, embora sutilmente, esse disco contribuiu muito para um arsenal de bandas naturalmente ousadas.
Para quem gosta de guitarras e improviso, “Happy Trails” é um prato cheio, em todos os sentidos.

Breaking News: 7 clipes de bandas independentes lançados na última semana que você precisa conhecer

Read More
The Cheesebergens
The Cheesebergens

Carne Doce“Eu Te Odeio”

Com Salma Jô e Macloys no banheiro, o clipe de “Eu Te Odeio” teve direção, roteiro e direção de arte de Benedito Ferreira, com produção Estúdio BÃO em parceria com Dafuq Filmes, Estratosfilmes e Acervo Brevintage. A faixa faz parte do disco “Princesa”, de 2016.

Dani Zan“Dinheiro”

“Dinheiro” é a primeira música oficial do trabalho de Dani Zan, que ficou conhecida pelo Donna Duo e sua participação no reality Breakout Brasil. O clipe conta com direção geral de Fernando Ottomayer e fará parte de seu primeiro disco, que será lançado este ano.

Eletrique Zamba“De Volta ao Pó”

Dirigido por Fábio Christian, o clipe une brasilidade e skate, com máscaras e passeios em meio à natureza. A faixa faz parte do disco “Vol. 1”.

LaBaq“Vida Que Segue”

Estas semana a compositora, guitarrista e cantora LaBaq lançou seu primeiro clipe, da música “Vida Que Segue”, segunda faixa do álbum. Dirigido pelo português Pedro E. Semêdo, o clipe mostra a artista cortando seus dreads, símbolo que até então era muito forte em sua imagem. “Fui vendo que já estavam me associando muito àquela imagem e isso me incomodava um pouco, sabe? Preferia deixar as pessoas acostumadas a algo que estivesse em constante mutação – pois eu sou assim em essência, amo o movimento – do que me apoiar cada vez mais aos dreads e, às vezes, ficar resumida à imagem. Foi extremamente libertador poder cortá-los, acho que o vídeo, que é um plano sequência, passa essa leveza de sair desse lugar e começar em um novo, muito feliz com o resultado!”

Raygun Jones“Matchbox Love Song”

A banda de Washington faz uma mistura de pós punk, blues e grunge. Dirigido por Cole Chittim, o clipe mostra uma história de um cara que continua obcecado por uma história de amor que foi por água abaixo.

Video Store“The Second Ellis”

A banda holandesa reúne ex-membros das bandas Face Tomorrow, Modern Life Is War, Razor Crusade, Malkovich, Gold, Kill Traitors, Sepiroth e atuais membros das bandas Winterdagen, Halfway Station e Joshua Woods. Com influências de Superchunk, Archers of Loaf e tudo que Bob Mould já fez, o clipe te leva diretamente de volta aos anos 90.

The CheeseBergens“Mommy and Daddy Worship Satan”

Uma banda bem familiar: O The CheeseBergens é formado por Ides Bergen, pai e baterista, Marissa Bergen, mãe e baixista, Jesse Bergen, filho e vocalista/guitarrista e  Anjelica Bergen, filha e vocalista/guitarista. Dirigido pela própria banda, o clipe trata de algo bem familiar também: quando você sofre com a pressão de ter pais que adoram o Satã, o Cramunhão, o Coisa-Ruim, o Bafomé.

“Ser independente é muito poderoso nos dias de hoje”, dizem londrinos do Worst Place

Read More
Worst Place

Sinceramente, eu não lembro direito como conheci o quarteto londrino Worst Place, mas sei que ouvi as três músicas que eles lançaram até agora (“Better Days”, “Born To Fly” e “The Sun Changed Everything”) e senti que era necessário entrevistá-los ainda nessa fase embrionária, recém-saídos do ovo. Com um rock alternativo que remete aos bons tempos dos anos 90, quando este estilo ainda não havia sido pasteurizado pelas gravadoras.

Formado por Martin (guitarra, vocal), Amy (baixo, vocal), Charlie (guitarra) e Sam (bateria), o grupo acaba de gravar um novo lote de músicas, que estão em fase de mixagem e masterização. “Tanto as mídias sociais como a melhoria nos equipamentos de gravação caseira permitiram que bandas sem grandes orçamentos/rótulo/ acesso a um grande estúdio conseguissem fazer discos e construir uma base de fãs sem sair do quarto. Isso é louco! Ser independente é muito mais poderoso nos dias de hoje”, explicou Martin. Conversei com ele sobre a vida de banda independente, as vantagens que os serviços de streaming oferecem e a cena londrina:

– Como a banda começou?

Eu, Amy (baixo e vocal) e Charlie (guitarra) tocamos juntos há anos em vários projetos. Começamos a perceber que tínhamos um monte de músicas com uma nova vibe, então decidimos juntá-las e encontrar um baterista. Encontramos Sam através de um amigo em comum, e felizmente funcionou muito bem!

– Como surgiu o nome da banda?

Isso levou um tempo. Toda vez que alguém pensava em um nome, nós o adicionávamos a uma lista. A lista começou a ficar muito longa (e boba), então começamos a eliminá-los, e votamos em nosso favorito. O pior lugar foi a sugestão de Charlie. Gostaria que houvesse uma história profunda e significativa por trás disso …

– Quais são suas principais influências musicais?

É difícil dizer realmente, já que todos nós temos gostos muito diferentes de música. Eu gosto muito de ouvir acordes jazzísticos/progressões em canções pop, e eu acho que isso aparece nas composições. Eu e Charlie somos ambos principalmente guitarristas base, então há muita textura e camadas com o baixo, ao invés de ter aquela dinâmica “guitarra base e solo” … Eu acho que tudo influencia a composição de uma canção de uma forma ou de outra.

– Conte-me mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Nós lançamos “Born to Fly” e “Better Days” em maio de 2016 – um pouco depois do nosso primeiro show. As duas músicas são bem diferentes entre si – “Better Days” é muito mais tranquila. Nós seguimos com “The Sun Changed Everything”, que também ganhou um clipe.

– Como você definiria seu som?

Pergunta difícil! Vou deixar essa para você …

Worst Place

– Como está a cena independente em seu país?

Há uma parte de East London onde há uma cena nova de psych/garage – As bandas e os promotores são grandes. Nós fizemos amigos rapidamente e arranjamos gigs nessa área, que é realmente próspera no momento. Brighton é legal também – nós fizemos um show lá há algumas semanas, e parecia que eles têm uma coisa boa rolando.

– Como você vê os serviços de streaming e como isso mudou o mundo musical?

Para pequenas bandas como nós, eu acho que eles são ótimos. São mais maneiras para as pessoas descobrirem/ ouvirem música nova, melhor.

– Como é ser uma banda independente em 2016?

É divertido! Como eu disse, há uma grande cena local, por isso estamos sempre nos divertindo fazendo shows. Fora da cena local, eu acho que é difícil “se destacar na multidão”, pois há tantas boas bandas independentes no momento. Tanto as mídias sociais como a melhoria nos equipamentos de gravação caseira permitiram que bandas sem grandes orçamentos/rótulo/ acesso a um grande estúdio conseguissem fazer discos e construir uma base de fãs sem sair do quarto. Isso é louco! Ser independente é muito mais poderoso nos dias de hoje.

Worst Place

– Quais são os próximos passos da banda?

Terminamos de gravar nosso próximo lote de músicas – elas estão sendo mixadas e masterizadas. Espero que tenhamos um lançamento pronto na primavera… Temos alguns shows marcados para o início de 2017, incluindo a nossa primeira viagem fora do Reino Unido! Estamos com um show em Paris em março e estamos muito animados por isso.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se eles são independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.

Meu disco preferido de 2016 foi “Skiptracing” do Mild High Club. Eles estão fazendo coisas incríveis no momento. Amy fez vocais para eles em seu show de Londres alguns meses atrás. Os nossos amigos Young Romance acabam de lançar o seu álbum de estreia, que vale a pena ouvir, e o nosso primeiro show em março será com a banda de Madrid Baywaves. Eles estão fazendo turnês incansavelmente desde então, e suas músicas são super cativantes. Dêem uma olhada.

Cantarolando: “Only You (And You Alone)”, The Platters (1955)

Read More
The Platters "Only You"

Cantarolando, por Elisa Oieno

Filmes, comerciais, programas de TV, casamentos, coletâneas de Greatest Hits, festas flashback. Difícil encontrar alguém que não saiba cantarolar aquele famoso “O-only yoooou….”. A música “Only You (And You Alone)” é, sem dúvida, um grande ícone pop. Lançada em 1955 pelo grupo The Platters, “Only You” alcançou o primeiro lugar nas paradas americanas por 30 semanas, superada posteriormente pelo lançamento de outro grande sucesso do grupo – que você provavelmente também vai cantarolar enquanto lê – “The Great Pretender”. Mas hoje fica evidente que o sucesso da canção vai muito além das paradas e veículos de música.

Em 1954, os Platters haviam gravado uma versão de “Only You”, mas nem chegou a ser lançada. O grupo, formado por Tony WilliamsDavid Lynch, Paul RobiHerb Reed e pela jovem Zola Taylor, estava insatisfeito com a canção e usavam todo o seu tempo livre para ensaiar e fazê-la funcionar. Ensaiavam até no carro e, numa dessas ocasiões, o veículo pulou, fazendo com que o vocalista principal Tony Williams fizesse o famoso pequeno “solucinho” no começo da frase “Only yooou…”.

Eles deram risada na hora, mas o vocalista acabou usando o “erro” para a nova versão da música, dando uma cara muito mais expressiva e emotiva para a canção. E foi esta versão, lançada pela grande Mercury Records, que definitivamente colocou o grupo em evidência.

platters
Os Platters eram um grupo de doo-wop, um estilo de origem afro-americana marcado principalmente harmonizações vocais, uma batida simples e muitas vezes cantado à capella. O doo-wop influenciou a popularização do uso de vocais em coro na música pop e no rock, como por exemplo nos Beach Boys, e é uma das principais bases para o que hoje se chama de R&B.

Importante lembrar que na década de 1950, a discriminação racial era muito forte. Para se ter uma idéia, no auge do sucesso, os Platters ainda tinham que se apresentar para platéias segregadas racialmente no sul dos EUA, e muito frequentemente recebiam ameaças.

Por isso, o sucesso de grupos de doo-wop formados por negros a um nível mainstream foi extremamente importante para o futuro não só da música pop, mas para o fortalecimento de toda uma nova realidade social que resultou em discussões e movimentos importantes a respeito dos direitos civis nos EUA na década de 1960.

Passados mais de 50 anos de seu lançamento, a canção “Only You (And You Alone)” sobreviveu aos modismos, aos novos estilos que surgiram, e envelheceu muito bem. Permanece lá, firme e forte no nosso inconsciente musical.

Construindo Subcelebs: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More
Construindo Subcelebs
Subcelebs

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Nesta semana a banda convidada é o Subcelebs, de Fortaleza, que indicam suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

The Cardigans“Country Hell”
Uma das nossas bandas preferidas, especialmente os primeiros discos, de sonoridade mais lo-fi, com arranjos criativamente sombrios e pegada disco – como isso é possível, só eles sabem.

Sonic Youth“Incinerate”
O Sonic Youth do começo, da época do “EVOL”, do “Goo”, é bom, mas esse Sonic Youth dos 2000s, mais direto e pop, também é bom demais.

Guided By Voices“As We Go Up, We Go Down”
A música pop perfeita não precisa ter três minutos. O Guided by Voices prova que com um minuto e meio já rola.

Weezer“I Just Threw Out The Love Of My Dreams”
Composta para o álbum perdido do Weezer, “Songs From The Black Hole”, e lançada como lado B, essa tem tudo o que faz sentido para a Subcelebs: synths furiosos, guitarras, ruído e crueza com uma pegada pop.

Steve Harley & Cockney Rebel“Make Me Smile (Come Up And See Me)”
O jeito canastrão de cantar do Steve Harley é muito inspirador.

Jon Brion“Knock Yourself Out”
Da trilha do filme “I Heart Huckabees”, uma das muitas compostas por Brion. Grandes músicas, grandes arranjos e uma voz peculiar.

Yo La Tengo“Little Honda”
Feedback já na intro e levadinha rock and roll sem ser brega.

Pixies“Hey”
Pixies, né, mores?

The Weakerthans“(Manifest)”
Rock canadense em seu melhor!

Erza Furman & The Harpoons“Take Off Your Sunglasses”
Hit do catálogo da Minty Fresh Records, essa serviu de inspiração para “Galera Paia”, pela mesma sequência de acordes que se repete do início ao final, mas você não quer que mude.

CSS“Left Behind”
A banda mais cool do Brasil dos anos 2000. Saudades.

My First Earthquake“Cool In The Cool Way”
Not cool enough in the cool way. É como nos sentimos.

Driving Music“Orange Traffic Cones”
Projeto do Fábio Andrade, que a gente ouve desde a época do Invisibles. Músicas e produção incríveis, apenas isso.

Pavement“Cut Your Hair”
Pessoas que não sabem tocar + pessoas que não sabem cantar = músicas geniais.

Graham Coxon“Bittersweet Bundle Of Misery”
O guitarrista do Blur em sua carreira solo é igualmente genial.

The Thermals“Now We Can See”
Vocais pegajosos já na intro. Não dá pra errar com essa.

Blondie“I’m Gonna Love You Too”
Vocais pegajosos já na intro. Não dá pra errar com essa. (2)

Frank Jorge“Cabelos Cor de Jambo” (Graforréia Xilarmônica não está mais no Spotify :/)
A maior entidade do rock brasileiro. Letras jovens, bem-humoradas, despretensiosas e, por isso mesmo, extremamente poéticas.

The Beach Boys“Good Vibrations”
Bonita, pop, experimental, simples, complexa, tudo em menos de quatro minutos: é Brian Wilson, minha gente!

The Beatles“Only A Northern Song”
“If you’re listening to this song / You may think the chords are going wrong / But they’re not
We just wrote them like that / If you’re listening late at night / You may think the band are not quite right / But they are / The just play it like that”. É isso. Esse é o manifesto.

Ouça a playlist aqui e siga o Crush em Hi-Fi no Spotify:

Saint Agnes mistura garage, blues, psych e rock’n’roll com um tiquinho de Ennio Morricone

Read More
Saint Agnes

Com uma crueza punk, o quarteto londrino Saint Agnes entrega um rock cheio de distorção com influência de psych e blues. “E muito Ennio Morricone“, acrescentam. Tudo começou com a união de Jon Tufnell (vocais, guitarra, gaita), da banda The Lost Souls e Kitty Arabella Austen (vocais, guitarra, percussão), do Lola Colt. Depois de lançarem os singles “Old Bone Rattle” e “A Beautiful Day For Murder” (2014) com um duo, entraram em cena o baixista Ben Chernett e do baterista Andy Head, completando a formação que lançaria “Sister Electric” e “Merry Mother of God Go Round” (2016).

O Louder Than War definiu o som dos quatro como “Tarantino/Lynch, viajante, doentio, inspirado em westerns que em um momento é pesado e sulista, e no próximo te leva para um deserto, atordoado pelo sol, desidratação e alucinações com cobras falantes”. É uma definição bem psicodélica, mas ouvindo o que eles têm a mostrar você vai entender o que eles quiseram dizer. Conversei com Jon sobre a carreira da banda, planos para 2017, distribuição por streaming e mais:

– Como a banda começou?

Conheci Kitty quando nossas antigas bandas fizeram um show juntas. Eu estava procurando um quarto em Londres e acabei indo morar com ela. Decidimos que queríamos fazer algum dinheiro extra tocando nas ruas, mas ao invés de tirar covers acabamos escrevendo muitas músicas e nunca fomos fazer o busking. As primeiras músicas que gravamos eram apenas eu e ela, mas percebemos que para tocar ao vivo precisávamos de um baixista e um baterista. Eu conhecia Andy de uma banda antiga com que tínhamos feito turnê juntos e Kitty encontrou Ben. Ela estava andando pelo rio em Londres e ouviu alguém tocar guitarra de blues em uma pequena casa flutuante e parou para conversar. Eles se tornaram amigos e ele se juntou à banda.

– Como surgiu o nome da banda?

Eu fui a uma pré-escola que era dirigida por um convento. Uma das freiras, chamada Agnes, era uma mulher realmente cruel e ela veio à mente quando começamos a escrever essas músicas sobre matar pessoas.

– Quais são suas principais influências musicais?

Tudo o que você já tocou influencia o que você faz agora, mas nós tendemos a citar blues, rock’n’roll e trilhas sonoras de filmes como nosso principal ponto de referência. Bandas como Black Sabbath, The Who, Hendrix até metal como Down e Metallica se misturaram com toda a cena psych de Londres e coisas mais recentes como The White Stripes, o Black Rebel Motorcycle Club. Ah, e muito Ennio Morricone.

– Conte-me mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Nós estamos lançando apenas singles até agora, mas faremos um álbum este ano. Os últimos dois singles foram os nossos primeiros com esta formação e agora nos sentimos como nós mesmos. Eles são “Sister Electric” e “Merry Mother of God Go Round”. Ambos têm lados B exclusivos que colocamos nos vinis.

Saint Agnes

– Como você definiria seu som?

Garage blues psyche rock’n’roll.

– Como está a cena independente em seu país?

Isso é realmente difícil de definir. Eu fui músico independente por toda a minha vida e parece haver mais e mais bandas agora, mas se é melhor ou mais saudável é muito difícil dizer. Nós só fazemos a nossa coisa e tentamos fazer as melhores canções que podemos e os melhores shows que podemos. Nós nos concentramos em fazer sons únicos e experimentar e se isso se traduz em popularidade, legal, mas não é o objetivo principal.

– Como você vê os serviços de streaming e como isso mudou o mundo musical?

Eles existem agora e não vão desaparecer em breve, então nós apenas trabalhamos com isso. Pessoalmente eu não gosto muito, mas não vou desperdiçar energia lutando contra isso. O tipo de pessoas que gostam da nossa banda ainda querem discos e ainda querem nos ver ao vivo, então é assim que vamos continuar mantendo as pessoas felizes. Na época em que o Lars Ulrich detonou o Napster ele estava totalmente certo sobre tudo isso mudar a indústria da música de uma maneira ruim. Agora é apenas segurar firme, fazer suas coisas e ver o que acontece no final.

– Como é ser uma banda independente em 2016?

É a minha razão mais importante de viver. Fazer e tocar música é a razão pela qual eu me levanto de manhã e faço tudo o que eu preciso fazer para que isso aconteça. Estar em uma banda é caro e pode ser um trabalho ridiculamente difícil, mas eu escolho fazê-lo porque nada mais toca minha alma da mesma maneira. Quanto a estar em 2016/17? Bem, é o momento em que estamos vivos, talvez tivesse sido melhor em 1977, mas não temos esse luxo.

Saint Agnes

– Quais são os próximos passos da banda?

Escrever mais músicas e gravar um álbum. Ainda estaremos fazendo shows para promover “Merry Mother of God Go Round”, que foi o último single.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.

Em Londres, o que sempre vamos ver é The Sly Persuaders. Recentemente eu comecei a curtir The Picture Books, de Alemanha. No show do nosso single mais recente, tivemos uma banda chamada Horsefight abrindo e eles são incríveis ao vivo. Eles estão lançando um álbum em breve e estou ansioso para ouvir o que eles vão fazer nele.

Der Baum se apresenta na segunda edição da festa Crush em Hi-Fi neste domingo (22)

Read More
Der Baum
Der Baum

O Crush em Hi-Fi desembarca no dia 22 de janeiro com a segunda edição de sua festa na Associação Cultural Cecília!

Neste domingo receberemos o show do quarteto Der Baum, misturando new wave, pós punk e rock alternativo. A banda transita entre o inglês e o português, felicidade e tristeza profunda, guitarras rasgadas e teclados sintéticos, ABC Paulista e Alemanha… No momento, eles preparam seu primeiro disco, e talvez algumas músicas inéditas apareçam no setlist!

A discotecagem fica por conta do editor do blog João Pedro Ramos e da convidada Joyce Guillarducci (Cansei do Mainstream) tocando o melhor do som independente, rock alternativo, fuzz, lados B e hits obscuros.

Durante o evento, teremos Flash Tattoos da Hang Yourself Tattoo a partir de R$ 200 pra você se carimbar com quem entende de tatuagem old school. Também vai ter comida deliciosa por um preço justo com a Da Casa Hamburgueria, com opções de carne e vegetarianas, fritas, onion rings e pudim! 😉

Show a partir das 20h

SERVIÇO:

Crush em Hi-Fi #2 recebe Der Baum
Dia 22 de janeiro, domingo, às 18h
Associação Cultural Cecília
Rua Vitorino Carmilo, 449
Santa Cecília – SP (metrô Marechal Deodoro)
Entrada: R$10 (em dinheiro. O bar também aceita débito)
Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/511621325715681/

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Lou Nunes, do Clube Outs

Read More
Lou Nunes, do Clube Outs
Lou Nunes, do Clube Outs

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Lou Nunes, DJ do Clube Outs!

Mercury Rev“Chasing a Bee”

“Essa pérola está no primeiro disco da banda de 1991. Quando escutei pela primeira vez foi meio que amor à primeira vista, essa música me ganhou já de cara”.

Gumball“Accelerator”

“Acho que Gumball é uma daquelas bandas que acharam a fórmula perfeita para se fazer música boa e um exemplo disso é essa maravilhosa música”.

Yo La Tengo“Little Eyes”

“Depois que lançaram o “And Then Nothing Turned Itself Inside-Out” o Yo La Tengo ficou uns três anos sem lançar nada, até chegar com o álbum “Summer Sum” que dentre as 13 belas canções do disco eu destaco a linda “Little Eyes”.”

Tram“Nothing Left To Say”
“‘Perfeito’: acho que isso define essa canção do álbum “Heavy Black Flame” do Tram, essa é uma daquelas musicas que você leva pra vida”.

Sonic Youth“I’m Not There”

“Como em toda lista que faço não pode faltar Sonic Youth, pra essa escolhi esse belo cover do mestre Bob Dylan “I’m Not There”. Acho que isso que as pessoas chamam de  ‘A Verdade'”

Breaking News: 6 clipes independentes lançados nas últimas semanas que você precisa conhecer

Read More
The Silver Shine
The Silver Shine

República Popular“Oxalá”

A música “Oxalá” do disco “Aberto Para Balanço”, de 2015, ganhou um clipe cheio de cores e arte caleidoscópica dirigido por Carlos Eduardo Pessoa com fotografia de Carlos Eduardo Pessoa e Romulo de Sousa.

Overfuzz“Bastard Sons Of Rock ‘n’ Roll”

Dirigido pela própria banda com auxílio de Raphael Saboya, o clipe para “Bastards Sons Of Rock’n’Roll” tem aquela pegada “clipe ao vivo com bastidores” cru que muitas bandas clássicas e incríveis fazem de vez em quando.

Labirinto“Mal Sacré”

“Mal Sacré”, faixa do álbum “Gehenna” (2016/2017), lançado aqui no Brasil pela Dissenso Records, ganhou um clipe aquático, melancólico e “trevoso” dirigido por AMNA.

Spiral StairsDance (Cry Wolf)

“Dance (Cry Wolf)” é uma puta música contagiante do disco “Doris & the Daggers”, a ser lançado no dia 24 de março deste ano. Seu clipe foi dirigido por Joe Salinas e tem aquela pegada DIY noventista que a Mtv Brasil adorava.

Ian Sweet“Slime Time Live”

Enquanto a vocalista Jilian Medford sonha com game shows nojentaços, uma realidade muito mais estranha aparece em sua vizinhança neste vídeo do diretor Ryan Baxley. A faixa faz parte do disco “Shapeshifter”.

The Silver Shine“Have Mercy On Me”

Produzido, dirigido e editado por Ati EDGE, “Have Mercy On Me” faz parte do mais recente disco do The Silver Shine, “Hold Fast”, lançado pela Wolverine Records.