Como se os Ramones tocassem sons dos Beatles: Muck and the Mires invade o Brasil

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O Muck and the Mires começou como uma banda fictícia de Evan Shore, que gravou “All Mucked Up” de brincadeira, registrando todos os instrumentos. Após o sucesso do trabalho, ele recrutou o resto da banda e transformou a brincadeira em coisa séria. Garage rock de qualidade, com um pouco de punk rock e o título (dado pelo manager das Runaways Kim Fowley) de “uma mistura de Beatles e Ramones“.

Formada por Muck (Evan) no vocal e guitarra, John Quincy Mire no baixo, Pedro Mire na guitarra e
Jessie Best na bateria, a banda já lançou All Mucked Up (
2001)Beginer’s Muck (2004), 1-2-3-4 (2006), Garage Mayhem (2007), I’m Down With That (2007), Hypnotic (2009), 2day You Love Me (2010), Doreen (2011), Cellarful of Muck (2011), Double White Line (2014), Dial M For Muck (2014) e Creature Double Feature (2016) e prepara um novo disco para 2018.

A banda está no Brasil nos próximos meses e se apresentará em 04 de maio no Villa Blues, em Botucatú, 05 de maio no Garagera, em São Paulo, e dia 06 de maio no Campus 6 Rock Bar, em Mogi das Cruzes, e promete apresentações bem divertidas e barulhentas. Conversei com Evan (ou Muck) sobre a carreira da banda e sua vinda ao Brasil:

– A banda começou com um álbum do Greatest Hits, com um pé na porta com uma série de hits em potencial. Como rolou esse começo?

O Muck and the Mires começou como um divertido projeto paralelo de estúdio. Em 2000, gravei algumas demos caseiras (tocando todos os instrumentos) tentando criar um álbum de sucessos perdidos de uma banda desconhecida dos anos 60 que eu chamei de “Muck and the Mires”. Quando terminei, dei a fita para alguns amigos e eles adoraram, disseram que eu deveria mandar para gravadoras. Eventualmente a AMP Records no Canadá e a Soundflat Records na Alemanha lançaram as demos como “All Mucked Up – The Best of Muck and the Mires”. De repente eu estava recebendo ofertas de turnê, mas não havia banda! Então recrutei Pedro e Jessie Best e um baixista, formando a real Muck and the Mires, e continuamos fortes desde então. John Quincy Mire entrou como baixista permanente em 2006. Pedro deixou o grupo, mas voltou há três anos. Sentimos falta um do outro!

– E como surgiu o nome Muck and the Mires?

Eu estava procurando por um nome que soasse como algo da década de 1960. Como deveria ser uma banda falsa, decidi fazer algo engraçado. “Muck and Mire” significa “sujeira e lama”. Agora que a banda existe realmente, estamos presos ao nome, mas todo mundo gosta dele. Todos pegaram os nomes dos membros da banda que estavam impressos na capa do disco “falso”. Demorou um pouco para me acostumar com as pessoas me chamando de “Muck”, mas eu gosto agora (risos).

– Ei, é um apelido bem legal. Então, vocês foram descritos como uma “mistura de Beatles e Ramones”. Como você se sente sobre isso e como isso acontece?

Bem, são meus dois grupos favoritos, então eu acho que isso aparecen em nossa música. (O manager das Runaways) Kim Fowley que veio com essa descrição. Ele produziu alguns dos nossos discos. Nós escrevemos músicas como os Beatles de 1964 e cantamos a harmonia em três partes, mas tocamos alto e rápido como os Ramones. Punk Rock Beatles!

– Bem, se você pensar, nos dias de Hamburgo, os Beatles eram de fato meio punk rock … De certa forma.

Sim. Acho que somos mais parecidos com os Beatles de 1962 do que com os Beatles de 1964!
Mas nós não usamos as calças de couro. Muito quente!

Muck and the Mires

– Sim, e no Brasil … você derreteria! Então, vocês estão no nosso país para fazer alguns shows. O que está achando do Brasil?

Estamos muito animados em vir ao Brasil. Já fizemos turnê por todo o mundo, Canadá, EUA, Europa, Japão, mas nunca fomos à América do Sul antes. Nós vimos os filmes dos Ramones na América do Sul e dissemos: “Isso é para nós!”

– O que podemos esperar dos shows que vocês farão aqui?

Bem, eles vão ser divertidos! Uma explosão de 18 músicas em 40 minutos. Garage Rock and Roll, Power Pop, um pouco de punk. Tem algo para todos! Adoramos tocar para novas pessoas e a América do Sul sempre foi um lugar que queríamos tocar.

– Além de Ramones e Beatles, quais são suas principais influências musicais?

Realmente qualquer grande compositor, desde Harold Arlen e Cole Porter. Mas para o nosso som, são definitivamente os grupos da Invasão Britânica, como The Dave Clark 5, The Early Three (Beatles), bandas como The Big Three e Gerry and The Pacemakers, bandas de garagem dos anos 60 como The Sonics e The Remains (de Boston) e punk Pop como os Buzzcocks e os Heartbreakers. Nós amamos os anos 60 batendo música, mas gostamos de misturá-lo com a energia e emoção do punk rock.

– Vocês ouvem músicas que tenha sido lançada ultimamente? Tipo de 2000 em diante?

Principalmente rock’n’roll, mas com certeza. O início dos anos 2000 assistiu a um grande renascimento em nosso estilo de rock garage, com bandas como The Hives e The Strokes e ótimas composições de artistas como Amy Winehouse. A internet facilitou a busca de músicas incríveis, mas muitas vezes você precisa mergulhar fundo para encontrar a melhor música. Vá à periferia de qualquer cidade em qualquer final de semana e, se tiver sorte, você encontrará uma grande banda tocando em um palco em um porão escuro em algum lugar. Bandas como Los Chicos, da Espanha, ou Ugly Beats, de Austin, The Real Kids, em Boston, The Ogres, em São Francisco. Você pode não encontrá-los no rádio (pelo menos nos EUA), mas eles estão todos lá esperando para serem descobertos.

– O que você acha do rock and roll hoje? É melhor continuar longe do mainstream?

Eu sinto falta dos dias em que o rock and roll governava as ondas do rádio e fazia parte da cultura mainstream, mas ao mesmo tempo, quando acontecia, havia muito rock ruim rolando, então você ainda tinha que cavar fundo para encontrar as coisas boas. Ainda assim, não importa em que época estamos falando, grandes canções sempre aparecem no mainstream de vez em quando e nos lembram que ainda há esperança!

Muck and the Mires

– Conte-me um pouco mais sobre o material que o Muck and the Mires lançou até agora

Sem contar “All Mucked Up”, a banda gravou 5 álbuns e vários singles de 45RPM. Vários estão fora de catálogo agora, mas graças ao iTunes, eles ainda estão por aí. Acabamos de fazer um novo álbum com o produtor Jim Diamond, que esperamos lançar ainda este ano ou no início do próximo ano. Nós tentamos tocar músicas de cada um dos nossos discos durante os nossos shows, mas há tantas músicas e tão pouco tempo!

– Me conte mais sobre esse novo álbum!

Top secret por enquanto! Mas estamos muito animados para lançar o novo álbum. O produtor Jim Diamond mora na França agora, então, em vez de voar para a França, trouxemos Jim para Boston, já que somos quatro e ele é apenas um. Nós estaremos tocando algumas das músicas na América do Sul. “#Loneliness” ou “Hashtag Loneliness” é uma faixa que apresenta Josh Kantor, o cara que toca órgão do Fenway Park (onde o Red Sox joga) no órgão Farfisa! Há alguns power-pop, alguns garage rock, algumas músicas cantadas e escritas pelo guitarrista Pedro. E claro, nenhum álbum estaria completo sem um bom e velho merseybeat. Eu acho que uma ou duas de nossas músicas realmente quebram a marca de três minutos, mas na maior parte das vezes nós tentamos ficar por volta de 2:07 por música. Tivemos uma daquelas nevascas de Boston no fim de semana em que gravamos, e o avião de Jim foi o último antes de fecharem o aeroporto! Então outra tempestade chegou e seu avião foi o último a sair quando chegou a hora de partir! Nós acabamos gravando 14 músicas em um dia e depois passamos o resto do fim de semana fazendo overdub. Era selvagem, divertido e exaustivo.

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente!

Hmmm … Bem, eu já mencionei The Ugly Beats. Os Tiger Bomb de Portland Maine (Ex Fabulous Disaster e The Brood) são bastante surpreendentes. Miriam and Nobodies Babies de NY, The Fleshtones, The Woggles, e praticamente todas as bandas da Dirty Water Records de Londres são ótimas. Ouçam!

Contramão Gig apresenta shows de Miami Tiger e Loyal Gun nesta quarta (25/04)

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Acontece nesta quarta-feira (25/04) mais uma edição da Contramão Gig no Bar da Avareza, levando a música autoral de volta para o Baixo Augusta! Convidamos vocês a uma vez mais descobrir e redescobrir artistas da cena independente! Nesta edição teremos apresentações de duas bandas incríveis: Miami Tiger e Loyal Gun!

Miami Tiger
Formada por Carox (vocal), Pha Bemol (guitarra), Henrique Almeida (guitarra), André Oliveira (baixo) e Franco Milane (bateria), a banda de São Paulo acaba de lançar seu segundo trabalho, “Festa”, produzido, mixado e masterizado por Fernando Sanches (CPM 22/O Inimigo).
Ouça:

Loyal Gun
Formada por Dija Dijones (guitarra/vocal), André Luiz (guitarra), Raffa Ap. (baixo) e Bruno Duarte (bateria), a banda paulistana leva ao palco do Avareza seu trabalho com influências de Swervedriver, Ride, Hum, Teenage Fanclub, Superchunk, My Bloody Valentine e Dinosaur Jr.
Ouça:

A discotecagem fica por conta da DJ convidada Millena Kreutzfeld (Os Garotos de Liverpool – Tudo Sobre Música) e do pessoal do Crush em Hi-Fi e do RockALT, tocando o melhor do rock alternativo, sons independentes, lados B e hits obscuros de todas as épocas!

Durante o evento também teremos flash tattoos com a Lina Zarin, merch das bandas e a loja da casa com camisetas, chaveiros, posters e, claro, muita cerveja!

Organização: Jaison Sampedro e Helder Sampedro (RockALT), João Pedro Ramos (Crush em Hi-Fi)

Quarta-feira, 25 de abril de 2018
Local: Bar da Avareza – Rua Augusta, 591
Horário: A partir das 19h
Preços: $10 entrada ou $30 consumíveis

Ponto de encontro para os apreciadores de boa cerveja, sedentos por boas experiências em self service e bom papo. Tudo isso sem gastar muito! O Bar da Avareza é o primeiro bar temático da Cervejaria Mea Culpa, aqui você encontra os 7 pecados em forma de cerveja nas torneiras no esquema self-service: você mesmo se serve em seu copo!

• É proibida a entrada de menores de 18 anos.
• É obrigatória a apresentação de documento original com foto recente.
• Não é permitida a entrada sem camisa, com camisetas de times ou calçando chinelos.
• Aqui sua bike é bem-vinda! (vagas limitadas)

Wasadog deixa o nome Moondogs pra trás e continua levando seu rock’n’roll pra frente

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“Se não deu certo para os Beatles, imagina para a gente!” Essa é a justificativa de Johnny Franco (vocalista e guitarrista) para o abandono do nome The Moondogs e o início da jornada como Wasadog. A banda, também formada por Gabriel Gariani (baixo e vocal), Victor Prado (guitarra e vocal) e Gabriel Borsatto (bateria e vocal), esclarece que o som continua o mesmo. A mudança foi puramente para se diferenciar das diversas outras bandas que usam o mesmo nome. Tem um trio de jazz da Itália, uma banda da Suécia, mais algumas no Brasil…

“Gravamos quase tudo ao vivo no Dissenso, ali no Bom Retiro”, conta Johnny, “Não tem click e nem autotune. Tem músicas minhas, com a minha voz, minha guitarra, a guitarra do Cabrito (Victor), o baixo do Véio (Gariani), a batera do Birél (Borsatto) e os teclados do Pedroso (Pedro Montagnana). E na caminhada, tivemos a sorte de ter o Leo Ramos, da Supercombo e Scatolove, nas mixagem”, completa. Conversei com ele sobre a mudança de nome, o novo disco, os singles já lançados e mais:

– Primeiramente, como rolou essa mudança de nome da banda?

Na época do Superstar a gente descobriu que existiam mais um monte de Moondogs pelo mundo. Aí o problema começou a ficar mais sério quando os outros Moondogs começaram a lançar singles e Albums, porque de repente nosso Spotify tinha um monte de coisa que não era nossa. Não podemos reclamar também, porque o som dos caras é bom.. Quem quiser, dar uma conferida tem um trio de jazz da Itália, com um álbum chamado “Outin'” no nosso Spotify e uma banda da Suécia, ou algum lugar desses, que ta lá também. O disco deles chama “No Space For Rockets”, coisa boa.
Enfim mudamos, Moondogs não deu certo nem com os Beatles mesmo… Imagina com a gente.

– Mas a mudança foi só no nome ou inspirou novas direções no som também?

O que estamos lançando é o que a gente tava tocando quando foi a hora de voltar pro estúdio. Não tem um conceito ou inspirações marcantes. Um dia conseguimos juntar um dinheiro pra gravar um disco, daí eu terminei umas músicas, a gente marcou os ensaios e agendou a data. Gravamos quase tudo ao vivo no Dissenso, ali no Bom Retiro. Podia ter qualquer nome…

– Conta mais sobre esse disco!

Não tem muitas faixas, nem muitos instrumentos. Não tem click e nem autotune. Tem músicas minhas, com a minha voz, minha guitarra, a guitarra do Cabrito (Victor Prado), o baixo do Véio (Gabriel Gariani), a batera do Birél (Gabriel Borsatto) e os teclados do Pedroso (Pedro Montagnana).
E na caminhada, tivemos a sorte de ter o Leo Ramos, da Supercombo e Scatolove, nas mixagem. Queria adicionar um adendo aqui, porque apesar das músicas serem minhas. O melhor riff do álbum, da música “Back Up Closer” (nosso próximo single), é do Véio. O bixão é tenebroso nas quatro corda.

– Quais as principais influências do Wasadog? (Além de Beatles, claro.)

Então, a banda só existe porque eu queria fazer tudo que os Beatles fizeram. Mas agora que crescemos um pouco, e eu estou menos prepotente, fazemos o que podemos e gostamos do que fazemos. As influências da Wasadog, estão mais pra The Moondogs (de São Paulo), Alabama Shakes, Mad Caps, Talking Heads e Don Cavalli.

– E como foi esse começo da banda?

Foi em 2011, eu tinha lido a biografia do Paul e depois a do John, uma em seguida da outra, aí quis por a fantasia. Sabe, igual quando a gente é criança e assiste um filme de super-herói. Tive a sorte de ter outros três amigos na mesma pira, quando aconteceu comigo. A princípio a banda era só pra tocar rockabilly e tomar milk shake. Mas ao passar dos anos, umas músicas foram saindo, uns entorpecentes foram entrando e o Gustavo Riviera apareceu na nossa vida. Aí o jogou virou, fomos apresentados pro Roy Cicala e lançamos nosso primeiro disco. Foi mais ou menos assim…

– E quando vem o próximo trabalho da banda, já com o novo nome? Já tem sons prontos?

Na verdade já saiu. Dois singles. “Messing With Me” e “Where And When”, aos poucos mais músicas vão saindo e mais pra frente o álbum completo.

– E o que podemos esperar do álbum completo?

Hits. Sucesso. Vamos arrasar esse ano.

– Como vocês veem a cena independente brasileira atualmente?

Ao vivo. Muita musica boa pra todo lado. Sinistro. A gente torce pra que fique cada vez mais cheia de artista e de gente pra assistir.

– Quais os próximos passos da banda?

Faustão, Silvio Santos, Tonight Show e Jools Holland. Estamos na busca de parceiros ou parceiras do cinema pra produzir uns videoclipes, parceiros ou parceiras bookers pra ajudar na agenda, parceiros ou parceiras bandas pra fazer jam às terças etc.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Lemon Twigs, Mad Caps, Riviera Gaz do Gustavo Riviera, Quasydarks dos parceiros (Murilo Sá e Wallacy Willians), o disco do Pedro Pastoriz e o Adam Green… Coisas que recentemente tocam quando estamos juntos.

André Frateschi resgata a essência do rock brasileiro em show no SESC Mariana

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Depois de ser a voz da Legião Urbana na turnê Legião XXX anos, André Frateschi participou do programa Popstar, da TV Globo, saindo vencedor. Na sequência, participou do Rock in Rio em uma maratona de 14 shows no palco Rock District e agora segue em turnê pelo Brasil com seu show BRock is Back – Tributo ao Rock Nacional, e foi esse o show que o artista apresentou no Teatro do SESC Vila Mariana.

A abertura do show, com “Perfeição” da Legião Urbana, com somente a banda no palco, fez com que o público presente pudesse prestar mais atenção nessa poderosa letra, como várias de Renato Russo que circularam pelo repertório. Depois vieram “Ideologia”, “Núcleo Base”, “Primeiros Erros” e “Sonífera Ilha”. Todas hits da década de 80, de longe a melhor fase do rock brasileiro. Cazuza, Ira!, Titãs e outros nomes potentes marcaram presença.

Miranda Kassin foi a convidada da noite e dividiu os vocais com o marido na canção “Fame”, clássico de David Bowie, que não poderia deixar de estar presente, mesmo sendo um repertório de rock nacional. O camaleão do rock é homenageado por André Frateschi já tem uns bons anos, através do seu projeto Heroes.

“Pra Começar”, canção da cantora Marina Lima, foi interpretado com muita garra por Miranda Kassin. Ela fez jus à sua participação especial e ainda dividiu os vocais em “Meninos e Meninas”. A canção abriu um trecho do show dedicado à Legião Urbana. Ainda tivemos “Tempo Perdido” e “Ainda é Cedo”.

O bis começou com “Hey Jude” dos Beatles, com o coro formado por uma platéia calorosa, que nesse momento já havia deixado suas respectivas poltronas. Pra fechar com chave de ouro: “Que País é Este?”, outro clássico da Legião. A canção lançada em 1987 provou o quanto sua letra é atual e poderosa.

O show apresentou a força do Rock Brasileiro, por mais que, atualmente, não esteja em sua melhor fase, tem um passado glorioso que pode, e deve, ser resgatado e apresentado à nova geração. Boa sacada do André ao realizar isso e em conjunto apresentar algumas de suas canções de seu disco solo, intitulado “Maximalista”, entre elas a ótima “Todo Homem é uma Ilha”.

Fotos: Silmara Sousa.

“Una Mujer Fantastica” (2017) – protagonista cantora ou músicas protagonistas?

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Una Mujer Fantastica (Uma Mulher Fantástica)
Lançamento: 2017
Direção: Sebastián Lelio
Roteiro: Sebastán Lelio e Gonzalo Maza
Elenco Principal: Daniela Vega, Francisco Reyes e Luis Gnecco

Se eu tô vendo um filme e começa de repente a tocar “Time” do Alan Parsons Project, eu penso “porra, tá aí um que merecia um texto pro Crush em Hi-Fi…”. Digamos que o que aconteceu quando assisti ao chileno “Una Mujer Fantastica” (“Uma Mulher Fantástica”) vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro…

Una Mujer Fantastica“, do Sebastián Lelio, é um manifesto político, romântico e musical. Começa parecendo um simples romance, fofo, gostoso: um senhor duns 60 anos, simpático e apaixonado, e uma cantora duns 30 anos, também apaixonada; os dois programando uma viagem pra Foz do Iguaçu… O estranho porém, é que a grande virada do filme acontece logo depois de apresentar o casal apaixonado, ainda na primeira meia hora. A morte inesperada do cara é um choque definitivo e é a partir daí que o resto acontece.

A família do cara (o irmão, ex mulher, filhos que tinha desse antigo casamento e etc.), passa a fazer o possível pra impedir a nossa protagonista cantora, de manter algo do morto, ou de sequer ir no funeral, só porque ela é transexual. A partir daí tudo se desenvolve em volta dessa questão da transfobia, exibindo nas telas as agressões físicas e verbais que ela sofre, e as mil crises de identidade da personagem.

A música entra justamente aí.

Como elemento central na vida da protagonista, a parte musical do filme é o conforto dela, é onde ela afirma sua identidade, apesar das crises, é onde ela exprime a raiva, o amor, o ódio, a felicidade e tudo o mais.

Com uma voz incrível, cantando tangos em bares e óperas incríveis, a Marina (a protagonista), aparece numa cena em desespero total, puta da vida, entrando na casa do professor de canto pra ensaiar. O cara entende na hora que a questão não é de ensaio, mas mesmo assim toca a música. A ária italiana “Sposa Son Disprezzata”, composta por Geminiano Giamelli e usada por Vivaldi na ópera “Bajazet”, vai da Marina cantando no apartamento do professor, até uma cena bastante simbólica dela andando na rua, quando um vento forte aparece e a partir dum momento, não a deixa mais andar pra frente…

É, dessa parte do filme só achei esse vídeo de sei lá onde, que tem também um trailer, além da cena em questão…

Cheio de simbologias desse tipo, sempre muito metafóricas, tem outros sons que chamam bastante a atenção. “(You Make Me Feel Like) A Natural Woman”, que acompanha uma cena dentro do carro, traz toda a questão das crises de identidade da personagem, com uma espécie de ironia, já que definitivamente não é a princípio, um som que parece remeter a qualquer tipo de crise.

Dancinha romântica com fundo de Alan Parsons…

Ainda com “Time” do Alan Parsons e mais música clássica, o filme demonstra uma clara atenção à parte sonora do audiovisual.

Como se não fosse o bastante, além das músicas que foram apropriadas pelo longa chileno, várias foram compostas sob encomenda, pelo moderno músico eletrônico Matthew Herbert. O cara que já trabalhou com nomes como Björk, foi escolhido pelo diretor Sebastián Lelio, segundo o mesmo por sua “capacidade de misturar tradição com inovação sem problemas”. Aparentemente, de fato deu certo…

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha sonora:

Acabo o artigo deixando com vocês essa matéria pra refletir um pouco:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/12/1944176-transexual-e-morta-a-pauladas-em-quarto-de-hotel-na-zona-norte-de-sp.shtml

Furia Rockpaulera: novo lyric video apresentando as “Feridas do Terceiro Mundo”

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Os gaúchos da Furia Rockpaulera aparecem com grande novidade neste ano. Apresentam aqui, a faixa inédita “Feridas do Terceiro Mundo”, com a produção de Leo Mayer. O power trio chega apresentando armas e deixando o público com aquele gosto de “quero mais” pois esta é a primeira faixa apresentada neste ano, e questiona os ouvintes sobre um possível lançamento de um novo disco ainda neste ano.

O lyric apresenta os desenhos do baterista do grupo, Fabricio Ruivo, tendo nos backings vocals participações de 15 nomes do underground gaúcho. Vale a pena conferir:

Conheça um guia semi-definitivo para a obra do Clube da Esquina

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Clube da Esquina

O canal do Youtube Três Álbuns – Música Pra Tudo é capitaneado pelo Lucas Cardoso, de São Thomé das Letras, e costuma fazer vídeos mostrando, como o próprio nome diz, Três Discos sobre algum tema específico. Mas dessa vez, Lucas foi mais longe e fez um especial incrível elencando os discos que fizeram parte do chamado Clube da Esquina. Sim, ele vai muito além do clássico álbum de 1972, contando com trabalhos incríveis de Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Som Imaginário e mais. Confira:

Construindo Audiofusion Bureau: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o trabalho do estúdio

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o pessoal do estúdio Audiofusion Bureau, que indica suas 20 canções indispensáveis que mostram um pouco do que eles fazem em seus trabalhos. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Rafa Carvalho

In Flames“Minus”
É por isso que eu trabalho com musica. Foi a música que me fez querer fazer o que eu faço. Por muitos anos o In Flames foi minha banda favorita e a produção desse disco é algo que, fora esse lance de realmente ter marcado a minha vida, abriu a minha visão do heavy metal dos anos 2000. Pesado e acessível, pra dizer o mínimo.

Head Control System“It Hurts”
Kris Garm cantando, Daniel Cardoso fazendo todo o resto e uma das masters mais altas que já ouvimos na vida. Acho que esse eh o nosso disco de produtor favorito. As linhas do Garm provam o pq ele é o melhor vocalista do metal da atualidade. Compressão de verdade, tudo na cara.

Massive Attack“Dissolved Girl”
Brincava com uns amigos que existia uma “escala ‘Mezzanine’ de peso”, onde um “Mezzanine” era algo pesado pra burro. Acho inclusive esse disco mais denso que um monte de metal/hardcore por ai. Essa música é uma síntese boa dessa definição: Dub, delay, ebow, timbres e riffs de guitarra pesadíssimos, baixo na cara. Mixado pelo Mark ‘Spike’ Stent, um dos meus ídolos. Um dos melhores shows que já assisti na minha vida também.

Dub Trio feat. Mike Patton“We’re Not Alone”
O Dub Trio é a banda que eu queria ter na minha vida. E o Mike Patton é o cara que eu queria ser quando eu crescesse. Essa música fez eu deixar de achá-lo superestimado, fez eu entender o dub como estética [Desculpa Bad Brains, ainda era jovem.]

O Bardo e o Banjo“Go Away”
Uma parte dos serviços oferecidos pelo estúdio é a produção e operação de shows ao vivo. E eu acompanho o pessoal do O Bardo e o Banjo há uns anos. Já gravamos coisas com eles aqui e passamos bons tempos juntos na estrada. Essa é do primeiro disco e gosto bastante, até por ser um som lado B deles. Pra nunca deixar de trabalhar com amigos!

Explosions In The Sky“First Breath After Coma”
Fora a maestria nos timbres de tudo, e é incrível como ao vivo soa monstruosamente similar, posso dizer que os texanos foram algumas das pessoas mais legais com quem já trabalhamos ao vivo. Aula de simpatia e de postura e que mudaram minha forma de encarar a rotina ao vivo!

Deftones“Digital Bath”
O melhor som de caixa de bateria do mundo está nessa música. Abe Cunningham, Terry Date e OCDP. Isso ao vivo soa um soco no estômago. “White Pony” é um marco na nossa geração.

E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante“Todo Corpo Tem um Pouco de Prisão”
Acompanho o corre dessa molecada a um tempo e de vez em quando dou uma força nos shows também, quando o Berna não consegue estar junto. E num caso parecido com o EITS ai de cima, acho foda como os timbres são parecidos. Fora a energia e a entrega deles

U2 “Gone”
Tenho tendência a gostar dos discos que ninguém gosta com as minhas bandas favoritas. O “host”, do Paradise Lost, o “Butterfly FX” do Moonspell. Enfim… O “Pop” do U2 foi o que me fez perceber isso. Além de todas as histórias do showbiz que cercam o disco, eu sinto uma banda fora do seu estado natural e isso soa desafiador. Parece até que eles desafiam o ouvinte, tipo “é estranho memo, e ai? qual o problema?”. Acho que ninguém além deles teria a mão de fazer o que fizeram na época. E o time de produção. Flood, Alan Moulder, Nellie Hooper, Mike Spike Stent, só gente que gosta de bagunça e de som torto.

Alexisonfire“Sharks And Danger”
Fui um jovem emo. E acho o “Watch Out” o melhor disco desses caras aqui. Fora o valor sentimental, gosto muito dos arranjos, dos timbres, da produção e do storytelling dessa composição.

Rafa Gomes

Limp Bizkit“Pollution”
Essa é a faixa que abre o ‘Three Dollar Bill, Yall$ ‘ do Limp Bizkit, acho que foi a primeira vez que eu ouvi um disco até parar de funcionar, obviamente não ouvi no ano de lançamento, talvez eu tenha conseguido uns 2 ou 3 anos depois… mas era uma pegada absurda, numa mistura intensa pra caralho de rap com rock/metal. marcou bem pela energia da parada.

Tool“Sober”
Mais uma vez pela pegada, uma melancolia escancarada nas melodias de guita e linha de voz, que parece que foi gravada num poço regado à IR (impulse response) de depressão.

Stone Sour“Get Inside”
Comprei esse disco pela capa (que não tem nada demais), como fiz com um monte de outros.. Só chegando em casa, lendo o encarte q eu fui ver q era uma banda com o Corey e achei do caralho! Outra sonoridade, mix mais mais crua, mais direto e ao mesmo tempo mais melódico que o Slipknot, a partir desse disco que fiquei na caça de projetos paralelos de músicos.

Symphony X“Inferno”
Essa o Rafael Carvalho vai me xingar! (Risos) Mas é um gosto pessoal que veio bem na época q eu comecei a trabalhar em estúdio, eu tocava uns sons do Symphony X com uma banda que eu tinha. Apesar do som ser trampadasso, as bateras tem um som muito MIDI, muito! Eu chutaria que é TODA sampleada, quase não tem som de prato, chimbau… nada! Depois disso que descobri a mágica das baterias programadas. Benção.

A Perfect Circle“Passive”
A compressão bonita ta nesse som, nesse disco, nessa banda… Tudo tem tá apertado, mas apertado gostoso! hahaha a música é boa, mas os timbres e a mixagem tem destaque.

Dead Fish“A Urgência”
Sempre quis ter uma banda de hardcore qndo era moleque, mas nunca tive capacidade ‘baterística’ pra tocar, a mixagem é melhor do que a do disco seguinte, aliás… acho que a mix mais legal do Dead Fish tá nesse disco. Apesar de ter 14 anos, ainda uso de referência.

Opeth“Harvest”
E no top 5 (ou 3) no quesito mixagem, masterização de metal vai pra esse disco (“Black Water Park”), no meio de uma carrilhada de ciosa, tudo soa bem e pra completar.. no meio da desgraceira tem essa faixa. Foda.

Porcupine Tree“Blackest Eyes”
Steven Wilson é o frontman da banda e por acaso (ou não) é o mesmo cara que produziu, gravou e mixou o “Blackwater Park” do Opeth citado acima, o cara tem a mão pra trabalhar com timbres limpos e com sonoridades densas. acho bem foda.

N*Sync“Bye Bye Bye”
Ok, é estranho? Não! Puta som! Me formei em Tecnologia em Produção Fonográfica (Produção de Música Eletronica) e aprendi a ouvi, curtir e pirar nesse processo de produção com sintetizadores, samples, efeitos. Eu ja gostava como ouvinte desse universo eletrônico desde as gotiquera ’80, mas os pop ’00 me abriram bastante a mente como produtor.

Haikaiss“Síntese do Um”
O “Incógnico Orcherstra” do Haikaiss foi o primeiro disco de rap que masterizei pelo AFB a full e essa faixa em específico eu lembro de ter ouvido pra caralho, foi a faixa que usei de referência para toda sonoridade do disco, foi desse trampo fizemos nosso nome como estúdio de masterização, o disco ja tem quase 10 anos, mas ainda tá na pasta de referência.

Almério apresenta o vigor do seu disco no show “Desempena”

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Almério é considerado uma das novas revelações da MPB, o pernambucano lançou seu primeiro disco “Almério”, em 2013, e já dividiu o palco com Johnny Hooker e Liniker no Rock In Rio 2017 e, recentemente, estreou o show “Acaso Casa”, com a cantora baiana Mariene de Castro.
O cantor trouxe ao palco da Comedoria do SESC Belenzinho o show inspirado no repertório de seu mais recente trabalho, intitulado “Desempena”, que contou com apoio do projeto Natura Musical. A abertura do show ficou a cargo da canção que também dá nome ao disco e já iniciou os trabalhos mostrando o vigor extra que o cantor adquire em suas apresentações ao vivo.

Entre os destaques tivemos “Tattoo de Melancia”, “Queria ter pra te dar” e “Do Avesso”. Algumas versões de canções de outros artistas circularam pelo repertório e foram surpreendentes, entre elas “Perto demais de Deus”, composta por Chico César e registrada em seu disco Beleza Mano”, lançado em 1997. Sua letra forte somada a interpretação arrebatadora do cantor Almério, garantiu que versos como “Essa gente é o diabo e faz da vida de deus um inferno” fossem ouvidos, ecoados e compreendidos.

“Divino Maravilhoso”, sucesso da cantora Gal Costa, também marcou presença. Sua letra politizada marcou uma geração em plena ditadura iniciada em 1964 e se mostrou bastante atual. Almério não cansou de mostrar sua insatisfação e em diversos momentos pontuou a importância de “ir para a rua” e protestar contra as atrocidades dos dias atuais.


O cantor se dividiu entre as interpretações vocais e ao mostrar seu talento com alguns instrumentos de percussão, entre eles a alfaia, presença marcante em ritmos como o maracatu e na cena musical pernambucana.
Visivelmente emocionado por estar em São Paulo, o cantor agradeceu diversas vezes pela oportunidade e pelo público presente, que ao final do show estava totalmente extasiado com o espetáculo apresentado. Vale a pena acompanhar esse nome.

Fotos e vídeo: Kláudia Alvarez e Orleans Mariano.

Petit Mort comemora 10 anos de carreira em novo formato duo com crueza e peso extra no seu som

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A banda argentina radicada no Brasil Petit Mort está comemorando nada menos que 10 anos de carreira dedicada ao rock, sempre independente e vigoroso. Para celebrar, mudanças na formação da banda, que virou um duo (Juan Racio foi do baixo para a bateria), a aposentadoria do figurino clássico de peruca rosa e vestido da vocalista e guitarrista Michelle Mendez e um som ainda mais pesado e distorcido. “A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo, conta Michu. “O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições”. Conversei com ela sobre a nova formação da banda e as novas músicas que virão no novo trabalho da banda e já estão aparecendo nos shows:

– Como está essa nova fase do Petit Mort, como uma dupla?

Tá muito massa! A gente na real queria ir mais devagarzinho, ficar mais tempo no estúdio testando o duo e ensaiando antes de sair e tocar ao vivo… Mas apareceram muitos convites massa, então estamos nos conhecendo como duo ao vivo mesmo. A gente toca junto há 10 anos, então aquela conexão tá intacta, quem tem mais desafios é o Juan, que mudou do baixo pra bateria, mas ele tá tocando muito e se sentindo muito bem com o novo instrumento. A galera tá nos motivando muito ao vivo!

– E porque você aposentou a peruca rosa, que era uma marca meio “registrada” da banda?

Porque tava me derretendo de calor nos shows! (Risos) Cachoeira de suor! Mas também para acompanhar essa mudança na banda.

– E vocês já estão trabalhando em novas músicas? Vai sair disco ou EP novo?

Sim, compondo muito, muitas musicas novas. A maioria das músicas nos shows são novas. Muita vontade de lançar disco novo este ano, a vida bota muitas dificuldades no meio, mas vamos achar o jeito de fazer!

– O que pode me falar sobre as músicas novas? Conta mais!

Muita energia. Tentamos compor nos ensaios do mesmo jeito que faríamos a música na hora do show, sentindo o que ela vai precisando pra aumentar a energia de nossos corpos ao vivo. A prioridade é fazer músicas pra nos divertir, e pular, rebolar, descarregar as traves do som e toda a raiva e todos os sentimentos fortes que temos dentro por morar neste mundo injusto. A formação tá muito massa, nos entendemos muito na hora de compor, ensaiar e tocar ao vivo. O som ficou pesado, é muito legal estar tocando com o amp de baixo e o da guita ao mesmo tempo, tô usando um pedal oitavador, isso faz a gente viajar bastante nas composições.

– E como o som mudou com essa mudança pro formato duo?

O som virou um só, tudo pra frente, pesado, baixo forte, guita forte, bateria forte, unificado. É muito envolvente.

– Pode falar do nome de algumas músicas novas? Tipo, o nome das músicas, do que elas falam?

As músicas novas que estamos fazendo ao vivo são “Right Now”, “Through the Hill”, “Last Stop”, “Surprise”, “The Sixth Time “, “Breaking Legs”, “Good Days”, “So Deep”, “Get On the Road” e “To My Neighbors”.
Falam de buscas, falta de ar, opressões injustas, a necessidade de fugir para algum lugar e salvar a todos, a resistência, a luta, o desamor, a vida, o mundo. Muitas imagens e paisagens, atmosferas.

– Como o Brasil influenciou o som e as letras da banda?

O Brasil vem mudando a minha vida desde a primeira turnê, lá em 2012. A gente é muito fã das bandas daqui, então com certeza são parte importante da nossa influência no som. Quem vive a cena autoral no dia a dia absorve muito. Admiramos muitas bandas e músicos. O Macaco Bong mudou o meu jeito de sentir a música, me abriu muitos novos universos. A cena stoner e instrumental daqui também. Mas, principalmente o Brasil me mudou como mulher. O machismo aqui é extremamente forte, e isso me fez repensar muitas coisas. O Brasil tem um monte de mulher foda fazendo música que admiro, me empoderam todo dia. Fizemos 135 shows aqui, em 12 estados, e isso tem influenciado em praticamente tudo nas nossas vidas. Ver os contrastes de realidades, ter vivenciado o golpe, o assassinato da Marielle, a luta dos índios em defesa da suas terras e sua identidade, o assassinato de milhões de espécies no Amazonas pela mineração/soja/gado, a tragédia ambiental de Mariana, a intervenção no Rio, etc… Tudo isso influencia na nossa ira, na nossa personalidade, na nossa profunda tristeza e raiva. A gente tá com muita dor do caminho em que o mundo tá indo e é tudo isso é refletido no som, nas letras e na energia do show.