5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pela cantora Analiss

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Analiss

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é a cantora Analiss, que acaba de lançar o clipe de  seu mais novo single, “Acertei na Mosca”.

Estas são as indicações dela:

Martina Lanzaro
“Amo demais a voz dela, cantora uruguaia, me lembra muitas cantoras de pop/rock que eu ouvia quando adolescente. Gosto que ela mistura um pitada dos mais diversos estilos em suas musicas, nessa mesmo tem um pouco de ritmo latino, bolero, que me agrada muito. No Spotify tem os últimos sons dela, inclusive essa canção com instrumental completo”.

La Triple Nelson
“Me lembra uma das bandas que eu amo muito, de rock mexicano: Maná. O som uruguaio do La Triple Nelson vem de um rock para algo mais pop balada atualmente. Influências, blues, rock e orquestra. Adoro vozes mais faladas, os últimos sons deles me agradam bastante, principalmente essa música”.

Malía
“A voz dela tem um timbre forte de Soul, influenciada pela música negra urbana nacional (Rio de Janeiro), vem se destacando com sua musica POP que mistura ritmos Hip Hop bem swingado, R&B, dentre outros. É artista recente da gravadora Universal Music, escolhi a música dela que mais gosto. Uma mistura de muito bom gosto na levada reggae”.

Sabrina Lopes
“Cantora nacional, de uma sensibilidade incrível e uma voz doce, traz nas suas letras lindas histórias de amor. A música que escolhi é um dos lançamentos dela, uma delicia de levada, um pop romântico que faz parte da nova MPB. Tem um trabalho extenso autoral que vale conferir”.

Sofia Ellar
“Com uma voz bem característica a Sofia me lembra o mainstream espanhol anos 90. Gosto de alguns sons que me remetem ao passado com um toque de modernidade. O ultimo vídeo dela tem um som mais clássico com instrumentos como a harpa e o violino, achei maravilhoso. Aquele som pra se ouvir e ficar de boa, ou dançar a dois pra quem sabe… isso é Sofia”.

Demonia, de Natal, prepara-se para dominar o mundo com single “Reptilianos Malditos”

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Demonia

“Reptilianos Malditos” é o pontapé inicial do quinteto de Natal Demonia, formada por Karina Moritzen (vocal), Nanda Fagundes (guitarra), Isabela Graça (guitarra), Karla Farias (baixo) e Quel Soares (bateria). O som fala sobre assuntos conspiratórios como os Iluminatti, a Nova Ordem Mundial e a Elite Oculta, coisas que sempre aparecem na internet em teorias interessantíssimas, mesmo que muitas vezes malucas.

O quinteto está atualmente trabalhando em novas músicas que em breve serão lançadas. “Em breve sairá a música “Espaço Sideral”, que é uma música meio debochada, porém fala sobre nossos direitos que estão cada vez mais sumindo, graças ao presidente postiço Michel Temeroso”, conta Quel. “Estamos viabilizando também uma gravação lo-fi de um show para jogar na internet para a galera sacar nosso repertório. O processo dessas gravações demoram mais, por que a gente faz tudo com a grana que a gente recebe. Está acontecendo aos poucos e sempre deixamos os nossos fãs a par dos nossos processos”, completa.

– Como a banda começou?

Quel: A banda começou de uma ideia de Karina, ela queria montar uma banda só de meninas. Antes disso ela teve um outro projeto (também de meninas) que era a Monstra, porém não deu certo e acabou que ela nos convidou para fazer parte dessa banda, o que acabou dando certo.

Karina: Amanda Lisboa, uma amiga minha aqui de Natal, fez um post no Facebook querendo montar uma banda só de minas. Chamava Monstra e ensaiamos algumas vezes, mas não tava indo muito pra frente, então eu puxei a Karla, que tava na Monstra e chamei as outras meninas. Eu conhecia Quel da Joseph Little Drop porque sempre curti muito a banda, e a Karla e Quel são amigas de longa data. Não conhecia muito bem a Nanda, porque ela é bem mais nova (tem 19, eu acho), mas sabia que ela tocava guitarra e chamei pra tocar. A Isa eu sabia que tocava baixo e ela tava falando no Twitter que queria tocar, mas como precisávamos de guitarrista, chamei ela e ela topou também.

– Agora me expliquem um pouco da letra do primeiro single, “Reptilianos Malditos”!

Isa: A música foi feita porque eu sempre gostei do assunto, Iluminatti e Nova Ordem Mundial, Elite Oculta e etc… Eu vi um site sobre isso chamado Danizudo, onde ele expõe essa galera, faz uns videos e textos sobre isso e com base nisso eu decidi fazer uma música com essa temática, que é meio que expondo a raça dos reptilianos, que eles vieram pra cá há muito tempo atrás e construíram as pirâmides e até hoje eles formam a Nova Ordem Mundial, que controla todas as pessoas.

– E vão rolar outras músicas falando sobre temas conspiratórios assim? O que podemos esperar das próximas músicas do Demonia?

Quel: Estamos em processo de gravação de mais umas músicas nossas.

– Podem adiantar alguma coisa?

Quel: Em breve sairá a música “Espaço Sideral”, que é uma música meio debochada, porém fala sobre nossos direitos que estão cada vez mais sumindo, graças ao presidente postiço Michel Temeroso. e estamos viabilizando também uma gravação lo-fi de um show para jogar na internet para a galera sacar nosso repertório. O processo dessas gravações demoram mais, por que a gente faz tudo com a grana que a gente recebe. Está acontecendo aos poucos e sempre deixamos os nossos fãs a par dos nossos processos.

– Isso me leva a perguntar: como vocês veem a cena musical independente hoje em dia?

Quel: Ainda está caminhando devagar, porem a gente ver que a cena vem de um certo modo avançando. Tem uma galera ai fazendo o rolê acontecer. Karina também tem um selo (Brasinha Discos) no qual produz muitos eventos, e esses eventos sempre são abertos a bandas novas, isso ajuda a incentivar mais a galera a produzir musica própria e dar o gás para continuar também.

– Como chegaram ao nome Demonia e o que ele significa para a banda?

Quel: O nome Demonia é mais uma afronta, vivemos em um mundo bem machista e o nome é bem impactante, e como falamos sobre machismo e outros assuntos o nome é mais pra afrontar essa galera mesmo. Mostrar que somos mesmo as demônias que irão tocar nesses assuntos aí, quer queira, quer não. E isso é muito foda, porque as meninas se sentem bem confortáveis em nossos shows, às vezes falamos o que elas gostariam de falar e não tem coragem.

– Como vocês veem esse crescimento do conservadorismo e o machismo ainda presente no mundo da música (e fora dele)?

Quel: Isso é um puta retrocesso na humanidade, e vemos isso na política e infelizmente alguns desses personagem políticos acabam influenciando a sociedade, é tanto que a gente pode ver um candidatos a presidência do Brasil que é basicamente isso, o Bolsolixo. Um machista conservador que vem tendo muita visibilidade… É foda, e muita gente cai nas conversas desse bicho. Isso reflete muito na sociedade, quando você tem uma mídia que também é manipulada, a maioria da sociedade que tem acesso a esses canais acabam sendo influenciados.

Karina: Quanto a isso de conservadorismo e machismo, a gente vê com muita raiva e tristeza. É um tema muito recorrente nas nossas músicas, falamos sobre o golpe parlamentar, sobre o abuso no Supremo Tribunal Federal de Gilmar Mendes, sobre como é difícil nos sentir seguras em um mundo de homens. Ao mesmo tempo usamos bom humor pra deixar tudo mais leve, porque a gente não pode deixar essas pessoas ruins ganharem e tornarem o mundo da gente escuro como o deles é. A banda tem esse objetivo: afrontar quem quer defender retrocesso e entreter quem quer progredir se divertindo.

Demonia

– Como anda a cena independente em Natal?

Quel: A cena independente de Natal tá crescendo, podemos ver muitas bandas se sobressaindo, muitos nomes do meio underground fazendo sucesso, atingindo públicos. Nós somos uma dessas bandas e é muito lindo de ver esse progresso conjunto. Tem muito o que crescer, mas tá acontecendo devagar.

Karina: Faço mestrado em estudos da mídia e estudo como a internet tem dado destaque a nova música independente nacional. Eu sou bem otimista quanto à isso, acho muito massa ver os selos independentes ganhando espaço em festivais pelo brasil e arrematando cada vez mais público. A cena independente de Natal é linda. a gente tem muita história, tem um livro chamado “100 Discos Potiguares Pra Ouvir Sem Precisar Morrer” que documenta o rock daqui desde os anos 60.

– Quais são as principais influências do som da Demonia?

Quel: Então, somos 5 pessoas com estilos bem diferentes. Eu e Karla temos alguns gostos em comum: gostamos de umas tosqueiras como Os Pedrero, Mukeka di Rato, Skate Aranha e uns punk lo-fizão. A Nanda gosta de uns hardcore melódico e emo. A Karina é mais pro indie, e Isa tem muita influência afro e ritmos tropicais… E assim somos as Demônias!

Karina: A Isa eu acho que tá mais pro pop do que pra música afro (risos). Uma das bandas preferidas ela é Alabama Shakes. A Karla curte punk mas também ouve rap, ela coloca às vezes lá na casa dela, né, Quel? Atualmente eu tô bem empolgada com a Botoboy, acho incrível a performance do vocalista no palco. Mas temos artistas e bandas incríveis que nós somos muito fãs e são uma espécie de mainstream daqui, que o resto do Brasil não faz nem ideia que existe. Calistoga, Koogu, Fukai, são todas bandas incríveis que a gente acompanha há tempos a própria Joseph Little Drop que Quel toca é irada também.

– Quais os próximos passos da Demonia?

Karina: No momento estamos bolando uma session, mas tentando fazer com ajuda de amigos, pois não temos essa grana pra investir. É ralado, mas esperamos trazer um material profissional pro Youtube, que é onde a música está sendo mais popularidade hoje em dia. Queremos tocar em festivais também! Esse ano tocamos no Guaiamum Treloso em Recife e ainda não foi anunciado, mas vamos tocar no MADA aqui em Natal!

– Como vocês veem isso dos serviços de streaming e Youtube tomando conta?

Karina: Eu vejo com muito entusiasmo! Na minha pesquisa eu falo sobre como o Napster tirou o poder das grandes gravadoras e democratizou o mundo da música. Foi uma coisa incrível, um cara de um dormitório de faculdade criar um programa que destruiu toda uma indústria que era baseada em vendas de discos, obrigando-os a se remodelar. Antigamente você precisava que uma gravadora apostasse em você pra chegar em algum lugar. Hoje em dia
você tem total liberdade criativa pra criar o que quiser e jogar na internet, pra que pessoas que se identificam com o que você produz possam te ouvir e te acompanhar. Isso mudou tudo! É claro que as gravadoras se reformularam e não é nada um paraíso perfeito, mas que melhorou muito pro artista independente, melhorou. O Eduardo Vicente da USP tem um artigo chamado “A Vez dos Independentes” onde ele fala da cena de música independente do Brasil antes da internet. Era ralado, o músico independente precisava bater na porta das lojas de discos e pedir pra venderem o disco dele, coisas assim. Hoje em dia não tem mais isso, tá tudo muito mais horizontalizado, isso faz com que MC Loma, por exemplo, saia do interior de Pernambuco e vire o hit do Carnaval que produtores passam o ano inteiro tentando criar. Enfim, é tudo bem incrível e eu acho que esse retrocesso e conservadorismo é em parte uma reação do avanço rápido e repentino das pautas progressistas trazido pela internet.

– Tudo depende do “viralizar”, né.

Karina: Depende e não depende. Essa é uma discussão que tivemos num curso que fiz na UFRJ com o Jeder Janotti Jr da UFPE. Eu acho que existe hoje uma espécie de mainstream de nicho, onde você não precisa ter o alcance da MC Loma pra conseguir atingir seu objetivo como músico independente. Como exemplo disso eu cito o Boogarins. É uma banda que não tá na Globo, mas tá rodando o Brasil inteiro e enche casas de show por onde passa. Eu suponho que eles estejam bem satisfeitos onde estão, são a banda mais bem sucedida dessa cena atualmente, mas não são exatamente “virais”. Mas sim, com certeza os vídeos no Youtube deles terem varias visualizações é algo que ajudou a eles chegarem onde estão, a popularizar a banda. O Boogarins na minha opinião seria mainstream nesse nosso nicho dessa cena independente específica.

– Por fim: recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Karina: O disco d’O Grande Babaca tá sensacional, não vi falarem muito sobre mas tá com certeza um dos melhores da cena atual. O novo do menores atos também tá a coisa mais maravilhosa do mundo. Internacional eu sou apaixonada pelo Kane Strang e o Cosmo Pyke, mas eu acho que o Cosmo assinou com gravadora. Eu sou muito fã do Raça também, tô super ansiosa pelo disco novo. Letrux nós amamos e tivemos a oportunidade de conhecer no Guaiamum, foi genial! Bex, artista potiguar! Ela é paulista mas mora aqui em Natal Potyguara Bardo, uma drag que em breve sai um EP dela. Ela tem um talento absurdo, tem várias musicas no Soundcloud. Potyguara Bardo é uma drag que tem um hit no youtube (100k visualizações) chamado “Você Não Existe”, é uma lombra e Poty é uma fofa amamos muito. Ela gravou um EP recentemente e vai soltar muito em breve! Luan Battes, Joseph Little Drop. Bex, que é uma voz assim que sinceramente você vê ao vivo e parece coisa de outro mundo. E a Concílio de Trento, a outra banda de Nanda, hardcore melódico lindíssimo, acabaram de soltar um EP que tá com uma qualidade animal chamado “Tomara Que Não Chova”. Eu queria só agradecer você por se interessar na gente e se dispor a nos entrevistar! Você foi um dos primeiros a nos notar então muito obrigada por estar atento e buscando bandas novas pra fortalecer a cena!

Fluhe prepara para julho o EP “Leve Devaneio Sobre Ansiedade”, com influências de soul, trip hop e música africana

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Chico Leibholz já passou por diversos projetos musicais, mas o Boom Project foi o pontapé inicial para o seu trabalho mais autoral e pessoal, o Fluhe, que lançará seu primeiro EP, “Leve Devaneio Sobre Ansiedade”, em julho pela Alcalina Records.

Com influências de soul, trip hop, música africana, glitch e muito mais, ele compôs as canções do projeto sem muita pretensão para extravasar noites de insônia, depressão e ansiedade que lhe acometiam há algum tempo. Daí saíram músicas dedicadas às suas filhas, Luna e Helena, em um estilo que ele define como instrumental trip noise.

– Como surgiu esse novo projeto e como seus projetos anteriores influem no som?

Cara, surgiu de uma forma muito despretensiosa. Eu havia feito os rascunhos das músicas durante a segunda gravidez da minha esposa, e a princípio iria deixar no meu HD. Tirar a depressão, noites sem dormir e fadiga mental da minha cabeça. Nesse meio tempo fui chamado para tocar bateria em dois projetos, um com o Jimi Arrj e outro com o Rafa Bulleto. Basicamente juntei todos pra formar minha banda. O único projeto anterior que de fato influencia a Fluhe é a Boom Project, que era instrumental. Na real foi com a Boom que aprendi a fazer música instrumental, que hoje é o que (acho) (risos) sei fazer.

– E de onde surgiu o nome?

O nome é uma homenagem bem paternal. Fluhe é “for Luna and Helena “, que são minhas filhas.

– Pelo que entendi, elas são basicamente o motivo do projeto existir, certo?

Diria que o motivo é minha esposa. Elas são as melhores consequências disso tudo.

– E como você definiria o som desse projeto?

Instrumental trip noise. Peguei influências de soul, trip hop, música africana, glitch e fiz músicas sem pretensão. O noise vem de noites sem dormir e muita estafa.

– Me fala um pouco sobre as músicas desse projeto que você tem e como foram compostas. Pode ser tipo faixa a faixa, se quiser.

Massa!

01 – “Além das Bandeiras” – Numa dessas buscas infinitas madrugada adentro sobre eu mesmo caí em uma entrevista do John Lennon, de 1968. Ele fala como via o mundo naquela época, e basicamente parece semana passada. Fiquei com aquilo ecoando na cabeça e fiz um sample e depois criei a estrutura inteira.

02 – “Soturno Soturno” foi uma das músicas mais dolorosas durante o processo de gravação do EP ”Leve Devaneio Sobre Ansiedade” que sai em julho, via Alcalina Records. É a faixa que expressa um momento entre a véspera do nascimento da minha segunda filha, uma estafa mental, cansaço, noites sem dormir e um círculo vicioso com álcool.

03 – “A Segunda Casa” – Eu me mudei para São paulo em 2006 e fiquei até 2016. Essa música reflete tudo o que vivi na cidade. O caos, a solidão, aquele medinho que todo mundo que sai de uma cidade do interior e muda para a capital sente. O lance de estar solteiro, suscetível a conhecer alguém, de conhecer. Passar perrengue, se foder, Casar, ter filhos, crescer, sofrer, resistir, e se ludibriar. Esse é um leve devaneio da minha relação com sp. Pra mim é um trip hop gordo com sobras.

04 – “O Golpe” – Não sei para você, mas pra mim desde o golpe piorou. O sample é um trecho de uma entrevista do Tim Maia. Graças à Boom Project aprendi groovar com distorção..

05 – “874 C” – Essa é uma demo resgatada de um dos últimos ensaios com a Boom Project. Foi quando eu havia engrenado a tocar com dois guitarristas. Quase a melhor formação, e a que menos durou. Era o Nirso no baixo, André Zaccarelli na guitarra, Lucas Oliveira (Vitreaux, Maglore) na outra guitarra e eu na bateria. Perguntei se podia torná-la minha e eles liberaram. Groovão. Regravei a versão da demo mudando algumas coisas.

06 – “Alone and Empty” – o riff veio de alguma das vezes que tocava violao para minha filha mais nova, depois que ela nasceu. Foi a última música a entrar no EP. Essa música sintetiza minha compreensão sobre depressão. Você sempre se sente só e vazio entre momentos caóticos quase felizes. Ela conta com a participação de Luka Funes nas guitarras.

– Você pretende continuar com o projeto ou foi algo pensado apenas para o EP?

A partir do momento que essas músicas viraram parte de um todo, e um projeto meu virou uma banda, o plano é continuar. Tenho rascunhos de um próximo ep e de um primeiro full.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos temspo!

Confesso que tenho escutado muito menos que que gostaria, mas é pelo fato de eu estar morando no interior de São Paulo e a grande maioria dos rolês aqui é de banda cover. Mas o que me mostraram e eu curti bastante foram: o duo Antiprisma que é folk psicodélico, a Leza que além de ser do brother Gustavo, pra mim é um stonerzão bem psicodélio, mais pra psico que stoner, mas é chapado. O disco “Vol 2” da Sheila Cretina também é fodão. Indico também as meninas do Obinrin Trio e o som do Giovani que nem é tão mais independente assim.

Ouça o single “A Segunda Casa”:

5 Pérolas Musicais Escolhidas a dedo por Daniely Simões, baterista da The Mönic

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Daniely Simões, baterista do The Monic

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Daniely Simões, baterista do quarteto The Mönic!

The Bots“I Like Your Style”

Uma dupla de pura sujeira e riffs marcantes com um vocalista de um timbre diferente sem frescura.

Company of Thieves“Modern Waste”

Genevieve tem uma voz tão marcante que me lembra a Alanis só que ainda mais poderosa. Guitarras muito bem trabalhadas e aquele tecladinho pra dar uma preenchida. Acabaram de lançar um EP maravilhoso mas minha escolhida é a do segundo disco.

Villainy“Syria”

Nova Zelândia não guarda apenas a casa dos Hobbits mas também essa banda sensacional que um Kiwi me mandou e eu pirei. Pode ouvir qualquer disco desses caras e mergulhe nessa sujeira toda.

Animal Alpha“Fire! Fire! Fire!”

Essa banda norueguesa infelizmente acabou mas deixou sua marca. É meio metal com uma linha vocal bem interpretada com berros e melódicos muito bem trabalhados.

Outrun The Sunlight“Where Ever Word Spoken, Spoke”

Pra quem gosta de som instrumental e muito delay se dê uma chance pra escutar essa banda. São muitas nuances e um vai e volta que te deixa alucinado.

Lívia Cruz e suas punch lines são protagonistas no clipe de “Prêmio da Guerra”

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Lívia Cruz
A rapper e cantora Livia Cruz lançou recentemente o seu mais novo single, “Prêmio da Guerra”. A canção tem a produção de Leo  Casa 1 e instrumentais de Alphaloud. O clipe tem a direção de Victor Ambrósio e Ana Alice ChagasNatural de Recife, Pernambuco, Lívia e é um dos novos nomes do rap feminino no Brasil. É dona de hits como “Eu Tava Lá”, “É Pokas” e “#Tamotransandodefato”, tendo lançado seu primeiro EP em 2005

Lívia compõe e canta desde os 14 anos, época em que participava de grupos de rap iniciantes de sua cidade natal, Recife (PE), ao se mudar para o Rio de Janeiro, participou do coletivo Brutal Crew e gravou sua primeira música, “Viúva Rainha”. A canção rendeu, em 2003, uma indicação ao Prêmio Hutuz, e em 2009 ganhou no mesmo prêmio na categoria “Melhores Demos Femininas da Década”. No mesmo ano concorreu no bloco Garagem do Faustão com o videoclipe da música “A Cartomante”, passando para a segunda fase com 60% de aceitação do público e tendo seu trabalho retratado em várias matérias jornalísticas. No momento, prepara-se para lançar seu primeiro álbum.

Assista ao clipe de “Prêmio de Guerra”:

Supla e uma ode às músicas traduzidas para o português em “Menina Mulher” (2004)

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"Menina Mulher", disco do Supla de 2004

Não dá pra negar que Supla é um cara que realmente não se importa com o que os outros dizem, o que é muito benéfico. Afinal, depois que ele mostrou que sabe não se levar tão a sério e abraçou a zoeira de Marcos Mion no finado programa “Piores Clipes do Mundo” da finada Mtv Brasil, Supla reergueu sua carreira no Brasil e vendeu como água seu disco “Charada Brasileiro”, além de conseguir uma bela vaga no reality “Casa dos Artistas, ficando em segundo lugar. A partir daí, lançou discos tão amplos quanto sua personalidade, indo do punk rock ao pós punk, do rap à “bossa furiosa” (no ótimo projeto Brothers of Brazil, com seu irmão João Suplicy). Supla, como seu pai Eduardo Suplicy, é um cara que é difícil de não gostar, mesmo que você não seja lá muito fã de seu trabalho. Suplicy é o petista que até fãs do PSDB (como minha mãe, por exemplo) adoram, e Supla é o punk que até os mais ávidos odiadores do rock simpatizam. Talvez seja algo inerente à família Suplicy, quem sabe.

Em 2004, Supla lançou o disco de versões “Menina Mulher”, com produção de Liminha, o cara que fez o rock brasileiro dos anos 80 ser o que foi. No disco, o Papito mostra sem vergonha nenhuma a sua falta de medo de ser feliz. Afinal, pegar 13 músicas, muitas delas clássicos, e fazer versões em português é algo que provavelmente apenas Sandy e Junior e Aviões do Forró conseguiriam fazer com louvor e ousadia assim. Mas Supla não tem receio e passa incólume à esta tarefa: traduziu ou recriou sons de gente como Blondie, Elvis Presley, Gary Glitter e Flock of Seagulls com seu tempero platinado e sem muito respeito à letra original.

Isso já pode ser visto na divertida faixa-título, que abre o álbum. Versão de “Leader Of The Gang”, hit do encarcerado Gary Glitter, “Menina Mulher” fala do clichê roqueiro tiozão de admirar moças que acabam de chegar na puberdade. Aliás, Supla sem querer acabou falando um pouco do que levou Glitter a ser preso, né. Enfim.

“Cenas de Ciúmes” foi o primeiro single e ganhou um clipe estrelando Luciana Gimenez (sim, do Superpop!) e transforma a letra original em um som sobre (dã) ciúmes. A voz de Supla é perfeita para a música, e apesar de abusar das rimas de verbo com verbo, a música fica divertida em sua versão brasileira. “Eu Já Não Quero Mais” é uma versão do hit do PhD “I Won’t Let You Down” e ganha uma letra de separação que vai totalmente na direção contrária que a música original. Supla dá uma engrossada na voz pra dar um ar mais pós-punk à canção. Na sequência, a única música autoral do disco, “Aquela Sexta-Feira”, punk, curtinha e que passa meio batida em meio às outras.

Voltamos às versões com “Baby Doll”, com Supla fazendo versão de “Baby Talk” daquele que é sua versão importada, Billy Idol. Aliás, acho que ainda nessa existência é necessário que algum dia exista uma parceria (ou como os millenials falam, um “featuring”) entre Supla e Idol. O quase sacrilégio do disco vem em “Coração em Chamas”, em que ele simplesmente destrói o maior hit de Chris Izaak, “Wicked Game”. Apesar de ser uma das músicas que mais tenta manter o teor original, não funciona. Dá uma olhada:

Que tipo de jogo é esse?
Eu queria saber
Mistura a tristeza e alegria
E ainda nos dá prazer
Que tipo de jogo é esse?
Onde amar é sofrer
Que tipo de jogo é esse?
De te pertencer

“Verão de Dezembro” é uma versão divertida para um semi-hit de Elvis Presley, “Return To Sender”, e o jogo de palavras da tradução pra lembrar um pouco o original é simplesmente digna de “Weird Al” Yankovic. Uma das melhores do disco, sem dúvidas. Como “Heartbreaker” da Pat Benatar não estourou muito por aqui, essa versão (“Virgínia”) passa facilmente como uma música própria do Supla, sem medo de ser feliz. Mas aí vem um combo de sons clássicos:

“Tina” é uma versão para o clássico dos clássicos do Cheap Trick, “I Want You To Want Me”, e não deixa de ser engraçado ouvir o malabarismo lírico de transformar “Didn’t I, didn’t I, didn’t I see you crying” em “Tina, Tina, Tina, não chore”. Se você achou essa meio cômica, aguarde a transformação de “Mr. Postman”  em “Carolina”, pegando a letra original e jogando na lixeira sem dó nem piedade. “Oh yeah, lembro bem da Carolina / Yeah yeah yeah Carolina”.

“Tititi”, por incrível que pareça, funciona bem como versão tupiniquim de “Shake It Up” do The Cars. Sim, tem muita rima de verbo com verbo, mas se você ignora isso, até anda. Parece mesmo um som do Tokyo. Já “Paixão Pra Esquecer” é quase um sacrilégio com “Flowers By The Door” do TSOL. O instrumental segura, mas a versão não consegue se manter. Fechando o disco, uma versão quase literal acústica para “Hanging On The Telephone” do The Nerves e famosa na versão do Blondie. O nome? “Telefone”, claro.

Somando tudo, se você não levar muito a sério (e o próprio Supla acerta muito em não se levar muito a sério e se divertir sempre), “Menina Mulher” é um disco divertido e mesmo as versões mais esdrúxulas podem render boas risadas.

“Vou Rifar Meu Coração” (2012) – O brega como órgão pulsante da música brasileira

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Ano de lançamento: 2012
Direção: Ana Rieper

“Quando Nelson Gonçalves gravou ‘Negue’ era cafona. A Maria Bethânia gravou virou luxo. Nós não somos de uma elite. Nós não somos Buarque de Holanda. Somos pessoas de interior.” – diz Agnaldo Timóteo em determinado momento de “Vou Rifar Meu Coração”, documentário dirigido por Ana Rieper.

O grande trunfo aqui não é o destaque dado aos músicos mais consagrados do gênero como Odair José, Amado Batista, Nelson Ned, Wando e Lindomar Castilho (Waldick Soriano teve seu próprio documentário em 2008). Os artistas não falam de suas carreiras, mas sim da influencia que a música brega ou romântica tem na vida das pessoas. De como as letras são nada mais que um retrato verdadeiro da vida deles mesmos. E o melhor, a diretora reserva espaço para justamente os amantes do gênero, que nada mais são do que os personagens retratados nas próprias canções: o frentista abandonado, o bígamo que divide o tempo com duas esposas, o casal que se conheceu no bordel, entre tantos, junto aos elementos sempre presentes na trajetória dessas pessoas como o ciúme, a traição, a solidão e acima de tudo a paixão.

Feliz ainda por colocar o dedo na grande discussão sobre o que é a verdadeira música popular (qual a diferença com a consagrada “MPB de Ipanema” de determinados artistas?) “Vou Rifar Meu Coração” é um lindo documentário sobre pessoas, artistas e essa música tocada nos bordéis, boates noturnas, inferninhos, cabarés e é claro, nos bregas.

Quinteto suíço Miss Rabbit quer trazer seu barulho sônico para o Brasil

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Miss Rabbit

A banda suíça Miss Rabbit começou como cover e aos poucos foi inserindo suas músicas próprias nos shows, misturando influências diversas de punk, pós-punk, reggae, blues e muito mais para criarem seu som vulcânico e cheio de potência. Por isso,  Angela Bösch (vocal), Melanie Curiger (guitarra), Fabienne Curiger (baixo), Roger Köppel (guitarra) e Thomas Frei (bateria) não fazem um som muito fácil de definir, já que cada música segue um caminho que reflete a personalidade de seus integrantes.

Mesmo nos álbuns que lançaram até agora, “Miss Rabbit” (2013) e “Tales From The Burrow”(2016), o som continua mostrando todas as experimentações sonoras que o quinteto desenvolveu desde seu início. “Nosso novo álbum, lançado em 2018/2019, será o único com nosso som único com o qual ficamos mais confortáveis. Mas vamos sempre continuar experimentando e tentando nos desenvolver”, explica Fabienne, com quem conversei um pouco:

– Como a banda começou?

Foi em uma noite engraçada no nosso bar favorito. Quatro amigas decidiram que era hora de começar uma girlband.

– Por que o nome Miss Rabbit?

Miss Rabbit era o nome do coelho do nosso guitarrista. Como uma banda cover, nos chamávamos Wotan’s Hasen (Coelhos de Wotan), Wotan era o nome do nosso primeiro baterista. Então, tem algo nostálgico por trás disso também.

Miss Rabbit

– Quais as maiores influências musicais da banda?

Somos muito abertos a todos os tipos de música, mas especialmente Nirvana, Juliette Lewis e Danko Jones, alguns dos nossos grandes ídolos.

– Quando vocês decidiram mudar do cover para fazer suas próprias músicas?

Nós nos divertimos muito como cover e quando nosso ex-baterista começou sua jornada pelo mundo, decidimos continuar e escrever nossas próprias músicas.

– Como o seu público reagiu a isso?

Colocamos mais músicas próprias em nossos shows pouco a pouco, então o público teve tempo suficiente para se acostumar.

Miss Rabbit

– Como está a cena do rock hoje na Suíça?

A cena musical aqui é, infelizmente, um pouco sobrecarregada, com bandas sem fim e infinitas possibilidades de ver uma banda online via streaming. É difícil tirar as pessoas de suas casas para assistir bandas ao vivo.

– Me conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Começamos a escrever nossas próprias músicas em 2010. Estávamos tentando encontrar nosso próprio estilo, experimentando gêneros diferentes como punk rock, ska, reggae, blues, baladas e também escrevemos algumas letras em alemão. Nosso novo álbum, lançado em 2018/2019, será o único com nosso som único com o qual ficamos mais confortáveis. Mas vamos sempre continuar experimentando e tentando nos desenvolver.

– Vocês já estão trabalhando em novas músicas? Você pode nos dar alguns spoilers?

Sim, na verdade nós trabalhamos no nosso terceiro álbum, que esperamos lançar no final de 2018. No momento, não podemos dar spoilers, mas nos siga no Facebook e você vai ficar sabendo!

– Quais são os próximos passos da banda?

O mundo! (risos) Brincadeira. Sua alma! Honestamente, nós adoraríamos tocar em todo o mundo, especialmente na América do Sul. O nosso guitarrista tocou no Brasil antes e ele adorou o público incrível daí.

– Recomendem bandas independentes e artistas que chamaram sua atenção ultimamente.

Nós tocamos dois grandes shows com The Soapgirls (ZA) – www.soapgirls.com. Nós logo nos tornamos amigos
e ficamos impressionados com a paixão delas pelo que estão fazendo. Outras bandas que merecem ser
ouvidas são:
Skafari (CH) www.skafari.ch
Never Say Die (AT) www.neversaydie.at
Nachtschatten (DE) www.nachtschatten-band.com
Crossed (CH) www.crossed.ch

[Exclusivo] Cantor Caio Moura lança o seu primeiro single, “Meu Cais”, parte do disco “Coração Balança”

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“Meu Cais” é a canção de estreia do seu primeiro disco “Coração Balança”.

Caio Moura é um artista com um timbre peculiar, marcante e voz potente. Este barítono possui uma extensão que atinge graves e agudos que tocam e encantam a todos que ouvem.

O cantor traz como principais influências o samba, o samba rock, música negra brasileira e norte americana como R&B, o jazz, o blues e o soul. O artista vem se apresentando constantemente na noite paulistana e vem se mostrando como uma grande revelação da música popular brasileira.

O seu primeiro disco “Coração Balança” que será lançado ainda nesse ano de 2018, está ansiosamente sendo aguardo pelo seu público e agora de forma exclusiva através do site Crush em Hi Fi, Caio Moura lança o seu primeiro single, a música “Meu Cais”.

 

Violins – O retorno do hiato e a “Era do Vacilo”

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Beto Cupertino - voz e guitarra Pedro Saddi - teclado Gustavo Vazquez - baixo Fred Valle - bateria

Há aproximadamente um mês, entrevistei o vocalista e compositor de uma de minhas bandas nacionais preferidas que, após quase 10 anos de hiato, lançou uma música nova. Quando o Violins anunciou em sua página do Facebook que voltara do hiato e lançaria um disco novo neste ano, no mesmo dia comentei com alguns amigos: “poucas vezes me arrisco a dizer isso, mas acredito que esse vai ser um dos melhores álbuns de 2018”.

Pouco tempo depois, saiu o line-up completo do Festival Bananada, um dos grandes festivais de música do Brasil, que aconteceu nesse mês em Goiânia – GO, cidade natal da banda e, lá estava o nome deles. Outro ponto que me deixou surpresa foi o anúncio de clipes, eles nunca foram de produzir videoclipes.

Quem não conhece a banda deve se perguntar porque me surpreendi tanto com coisas que artistas fazem o tempo todo, ainda mais em tempos onde produções audiovisuais estão em alta, onde as redes sociais são uma vitrine comum e tocar em festivais também. Mas o Violins nunca seguiu regras, sempre foram o verdadeiro Lado B. Não de uma maneira hipster e proposital, mas de forma genuína, simples, pé no chão.

Depois de conversar com o vocalista e compositor Beto Cupertino, entendi que Violins é o que é, é porque é, sem mais complicações, estratégias ou pretensões.

Hoje em dia vemos muitas bandas com excelentes apresentações, técnicas impecáveis, execução perfeita das músicas, palcos maravilhosos, discos muito bem produzidos, mas não trazem verdade nenhuma no que fazem, algumas nem mesmo na mensagem, é um teatro bem feito, sem genuinidade, não transmitem verdade alguma. Violins anda na contramão do excesso de profissionalismo das bandas atuais e ressignifica a palavra amadorismo. Faz porque ama.

Outra coisa interessante sobre a banda, é que apesar de diversos fãs fiéis espalhados por todos os cantos, a grande maioria acima de 25 anos (devido ao contexto, cronologia e tempo do último hiato), existem poucas entrevistas com eles, nenhuma após a última pausa. Eu que sempre quis ficar de frente com um dos compositores que mais me influenciaram no fim da minha adolescência e que até hoje é um dos meus favoritos da música nacional, não sabia por onde começar as perguntas. Conheci Violins em um período conturbado e aquelas letras, aquele sentimento cru expressado nas músicas repletas de existencialismo, me mostrou que eu poderia colocar beleza em qualquer coisa. Não me fizeram mudar a forma de ver algumas questões, me fizeram mudar a forma de lidar com elas. Eu lia as letras do Violins como quem lia contos, mesmo sem áudio. A forma metafórica e o realismo que Beto Cupertino utilizava para abordar coisas aparentemente complexas era genial. Então, o que eu iria perguntar para esse cara? Lembrei que alguns amigos e músicos também tinham a curiosidade de saber várias coisas que ainda não haviam sido esclarecidas pela banda. Por fim, com todas as perguntas em mãos, procurei Beto, que foi muito gentil e extremamente receptivo.

Beto diz não saber nada sobre internet e esse é um dos motivos pelos quais a banda ainda não é tão presente nas redes sociais (ainda). Comprovei a veracidade disso, porque foi uma dificuldade para que ele entendesse como funcionava uma entrevista por vídeo no Skype, mas no fim das contas, deu tudo certo e aqui está:

– A pergunta que todos querem saber: qual foi o motivo do hiato, por que tanto tempo?

Beto: Foi uma coisa natural da vida de cada um. A gente vai ficando velho, as contas chegam e desde o começo da banda eu tenho uma vida profissional que me sustenta, até porque mexer com música é só prejuízo, né (risos)? Então por essas ocupações cotidianas das pessoas da banda e até por já ter gravado muitos discos, naturalmente começamos a parar de ensaiar, fazer shows e aí ficou assim por um bom tempo. Desde 2012 que não lançávamos um disco e agora vamos lançar um neste ano. Nunca ficamos parados por tanto tempo. Mas fizemos alguns shows, poucas vezes. Fizemos há pouco tempo um show em comemoração aos 10 anos de “Tribunal Surdo” aqui em Goiânia.

– Hoje vemos muitas bandas utilizando um contexto nas letras como vocês faziam há muitos anos atrás, conteúdo com mais “tristeza”, mais carregados de conflitos, em paralelo a uma ascensão de bandas psicodélicas e positivas. A Violins e outros grupos da mesma época influenciaram muitos dos grupos de hoje com certeza. A quê você acha que se dá essa nova leva de compositores?

Beto: Sendo sincero, estou acompanhando pouco a cena musical e escutando pouca música. Não conheço muito o que está acontecendo agora, então sou muito displicente para analisar essas coisas. Mas acho que tem a ver com a própria situação social e política do país, mais acirrada, então acho que esse sentimento de frustração, de irritação, de revolta e a vontade de usar as coisas mais marginais da vida para fazer alguma representação em músicas tem a ver com os ciclos da vida, faz parte da história do lugar onde você está vivendo, isso te influencia de alguma forma e as pessoas têm mais necessidade de escrever sobre isso. Eu sinto essas coisas muito presentes na minha realidade, então falar sobre isso faz parte de uma manifestação natural minha. Talvez tenham muitas pessoas que não têm interesse em falar sobre isso, mas tem muita coisa para ser falada. Faz parte do meu cotidiano, das coisas que eu gosto de escrever e acho interessante. Mas na discografia da banda tem muita coisa muito diferente também, sobre relacionamentos, sobre paixões e amores, até coisas mais otimistas, então a banda não é só a parte politica e ‘’baixo-astral’’, varia de acordo com o que passamos enquanto pessoas.

– Me parece que a discografia do Violins realmente é um reflexo das fases dos compositores. Os últimos dois álbuns tinham algum ar mais “positivo”, Aurora Prisma soava mais romântico, Grandes Fiéis já trazia sentimentos em uma perspectiva mais amarga e conflituosa. Tribunal Surdo foi mais social e marcante para muita gente, inclusive a música ‘’Grupo de Extermínio de Aberrações’’ que causou muita polêmica na época por abordar o fascismo com uma ironia enorme, sem dizer que era uma ironia e naquele tempo não discutíamos alguns temas (racismo, homofobia, elitismo social, etc.) como hoje…

Beto: O “Tribunal Surdo” foi feito para ter essa musicalidade mais suja, falando sobre coisas meio feias, mas eu acho que ele tem uma beleza justamente nessa visão de que sempre que você denuncia alguma coisa ruim, de alguma forma você esta tentando olhar para alguma coisa melhor. Então, no fundo dele, em algum lugar, ele tem essa esperança meio suja. Esses dias estava conversando sobre as pessoas das minhas redes sociais, como muitas têm pensamentos completamente diferentes dos meus mas estão nas minhas redes sociais por causa da música, eu fico pensando porque essa música atrai uma pessoa que pensa tão diferente de mim. Por exemplo, um disco como o Tribunal Surdo. Será que a pessoa ouviu e não entendeu como uma ironia? Que eu realmente penso como diz na ‘“Grupo de Extermínio de Aberrações’’ e algumas outras? Eu lembro que quando saiu o encarte do disco, até colocamos na capa que as letras eram ficções e tudo mais, porque eu sabia que esse tipo de interpretação poderia vir. Mas lançamos porque achamos que seria importante falar das coisas que falamos e da forma que falamos lá. E que bom que existem pessoas que reconhecem tanto esse disco, se uma pessoa gostou desse disco, já justifica o motivo dele existir.

– Ainda sobre Tribunal Surdo e aproveitando para trazer algumas perguntas de outras pessoas, o Ian Black, publicitário e também grande fã da banda, perguntou qual a possibilidade de vocês terem um álbum mais conceitual e político como foi o Tribunal Surdo.

Beto: Esse disco novo tem muitas músicas que vão por essa vertente. Algumas músicas dão uma “quebrada” para não ficar muito monotemático, mas tem muitas músicas que refletem esse ambiente político. É um disco que vai ter muita ligação com os discos anteriores que também faziam esse tipo de abordagem. Então sim, ele vai mais pela linha do “Tribunal Surdo”. A diferença é que ele é mais “acessível”, musicalmente falando. As músicas vão entrar de forma mais suave aos ouvidos, o Tribunal Surdo tinha uma sonoridade mais fechada. Esse disco é fácil de entender, tem um apelo mais “pop”. É um álbum mais “palatável”, mas ainda com as letras mais agressivas, as vezes irônicas, meio na linha do Tribunal Surdo mesmo.

– Vocês não são muito ativos nas redes sociais e na internet em geral, por que?

Beto: A banda sempre foi meio das sombras. Esses dias eu estava até perguntando se tínhamos Instagram, fui procurar e não encontrei, acho que tenho que procurar saber com alguém se existe, porque eu realmente não me lembro. O site está fora do ar. A banda também estava sem ensaiar, sem tocar, acho que quando estávamos mais ativos havia um preocupação maior, faz parte também do nosso afastamento da rotina de banda que foi diluindo as “manifestações internéticas”.

– Hoje a internet vai além de “baixar musicas”, ela forma opiniões, ela comunica diretamente com quase todos os públicos. É muito difícil para uma banda atingir algum público sem ter presença na internet, principalmente com os mais jovens. Como vocês pensam em atingir essas pessoas mais novas que ainda não tiveram contato com a banda? É intencional esse “desaparecimento”? Tem quem pense que é uma estratégia para a banda continuar sendo considerada “Lado B”.

Beto: Agora nós já temos uma pagina no Facebook, mas pretendemos sim começar a atuar mais nesses canais de comunicação. Temos a consciência que hoje a internet é o maior canal e vamos revigorar tudo para inserir as novas músicas e a nova fase. Não existe nenhuma pretensão “cult” em se manter escondido, não é intencional, é na maioria das vezes pela nossa correria de vida individual mesmo, falta de tempo. Eu, por exemplo, trabalho o dia inteiro e depois vou para a faculdade. Muitas vezes não consigo me dedicar como gostaria. Ser desconhecido não traz nenhum benefício para a banda.

– Vocês anunciaram recentemente que lançariam videoclipes nesse ano. De onde veio a vontade de começar a trabalhar com audiovisual?

Beto: Temos pouco material audiovisual, clipes mesmo temos só dois. Mas também vem dessa necessidade de se fazer mais presente em outras mídias.

– E porque voltar aos palcos agora? Tem algum motivo específico?

Beto: O mesmo motivo que gerou todas as nossas manifestações: foi instintivo, não foi nada planejado. Eu achei que depois de 2012 a gente nunca mais iria gravar um disco, que já havíamos feito o suficiente. Mas recentemente me bateu uma vontade de escrever músicas e como eu sei que a banda tem uma história, falei com o pessoal que seria interessante fazer algumas coisas novas, sem nenhuma pretensão, só para fazer as músicas acontecerem. Eu acho que a parte mais legal de ter banda é ir para o estúdio gravar, compor os arranjos, gravar as vozes. Eu acho isso muito mais legal do que tocar ao vivo. Tocar ao vivo é muito ruim as vezes, algumas coisas escapam do nosso controle, ainda mais quando se trata de uma banda independente, você depende muito de outras coisas, não sabe se o palco vai ser bom, se a estrutura vai ser boa. Já a parte criativa está mais dentro do nosso controle e é a parte que mais me dá prazer em ter banda. Então dentro dessa filosofia eu procurei os meninos para gravar, o Tiago (ex-baixista) não animou muito e sugeriu colocar outra pessoa no lugar. O Gustavo Vasquez produziu nossos discos e agora esta com a gente no baixo. Eu já tinha muitas musicas feitas e algumas surgiram durante o processo, agora temos dez musicas inéditas para lançar.

– O nome “Era do Vacilo” é muito bom. De quem foi a ideia de usar essa ironia cômica no título do álbum?

Beto: Foi uma ideia minha. É um nome cômico ao mesmo tempo que é realista. Diante dos últimos tempos, das relações das pessoas na internet, da situação política no Brasil, acho que realmente estamos na “Era do Vacilo”. É um nome bem simbólico sobre a era em que o disco será lançado. A ironia sempre tem uma comicidade por trás. Tem muita coisa tragicômica por trás das musicas do Violins, até exagerando em alguma coisa para deixar ridículo. Eu acho legal utilizar essa figura de linguagem nas letras porque ela abre um leque de interpretação.

– E o álbum está previsto para sair quando?

Beto: Estamos trabalhando nele com calma, sem atropelos, para ficar exatamente como queremos, mas acredito que nesse semestre ele será lançado.

– Vocês voltaram à ativa em um período muito conturbado, socialmente e ideologicamente. Estamos em um caos social, onde todos estão divididos e existe muito extremismo, isso torna mais difícil compor e se expor, existe um risco que não existia antes. Quem viveu entre os anos 90 e 2000, se encaixa muito bem naquele trecho de Clube da Luta: “Somos uma geração sem peso na história, sem propósito ou lugar. Não tivemos uma guerra mundial, não temos uma grande depressão. Nossa guerra é espiritual, nossa depressão são nossas vidas”. Essa ausência de conflitos marcantes fez a nossa geração se tornar terrível. A geração que vem agora, consegue presenciar mais conflitos sociais, tem mais necessidade de lutar, mas ao mesmo tempo tem grandes dificuldades de se relacionar e se comunicar, não tem hábitos de leitura, nem de desenvolver um raciocínio aprofundado, escrevem em apenas 140 caracteres, se comunicam na maioria das vezes pelo WhatsApp, é tudo muito superficial. Já o Violins tem uma linguagem mais complexa, temas mais profundos e contestações sociais, então como vocês acham que será a aceitação das novas músicas perante a nova geração? Como vocês vão se posicionar liricamente e dentro dos temas abordados para atingir essas pessoas?

Beto: Eu acho que as músicas estão escritas de uma forma clara. Não tem muita complexidade em termos de letra. Contudo, cada um tem o seu jeito de escrever e eu acho que o meu não vai mudar muito. As letras desse disco vão ser mais parecidas com as do Tribunal Surdo, seja com metáforas, ironias ou narrando uma estória. Uma das músicas narra a estória de um cara que tomou uma bala perdida. É mais ou menos como o “Tribunal Surdo” fazia também.

– Você tem um pouco dessa ‘“pegada” storyteller, né?

Beto: Eu acho muito interessante isso de contar uma pequena estória dentro de uma letra. Claro que existe uma limitação muito grande porque letra de música é uma coisa muito achatada, tem que respeitar métricas e tudo mais, então as coisas são mais limitadas. Mas esse também é um desafio legal. Quando as composições se tratam de uma estória, elas têm que ser escritas de uma forma que seja muito clara, com começo, meio e fim e com a mensagem que você quer passar. Mas acho que as letras dessa vez estarão fáceis de compreender, apesar de não serem tão diretas. Elas estão dentro de toda a temática atual, claro que dentro da minha perspectiva de ver o mundo, algumas pessoas vão se identificar e outras não, mas é normal, tudo bem.

– O Ian Alves, guitarrista da Brvnks, também de Goiânia, perguntou quais as referências que você utiliza na hora de compor e se você tem alguma dica para quem quer compor bem em português.

Beto: É muito difícil falar em referências porque muitas pessoas e coisas te influenciam sempre. Existem as referências de texto, existem as referências na hora de compor uma sequência de acordes na guitarra que são diferentes das utilizadas para criar melodias. As vezes tem uma referência vocal dos Beach Boys, da década de 60, com aquele monte de vocalistas e tudo mais, mas ao mesmo tempo gosto de guitarras de rock inglês. E além disso tem as influências da minha infância, de Clube da Esquina, misturado com coisas da adolescência como Deftones (que tem uma melodia e peso que gosto também). É meio que um caleidoscópio de influências que monta uma pessoa, cada uma vai ter as suas, então acho difícil dar referências porque são minhas referências baseadas no que eu passei, estudei e aprendi, da cultura que eu cresci, essas características formam cada compositor. Provavelmente o cara que cresceu em um bairro diferente do meu vai ter outra visão do mundo e outras influências. Por isso acho muito difícil dar receitas prontas para composição, é algo muito individual. O meu método é muito caótico, não sigo uma ordem de escrever primeiro e depois compor a melodia, geralmente faço os dois ao mesmo tempo, mas isso também não funciona para todos.

– Ele também perguntou se você tem alguma influencia de Sunny Day Real Estate, porque viu que você tem até tatuagem da banda.

Beto: Muitos discos do final da década de 90 me influenciaram bastante, dentro das bandas americanas que eu gosto muito está o Sunny Day Real Estate, com certeza me influenciou muito, principalmente no inicio da Violins.

– E quais outras bandas ou artistas que o Violins tem como referência? Porque sempre tenho dificuldade para classificar a banda em algum gênero ou descrevê-la. Você também tem essa dificuldade?

Beto: Eu considero uma banda de rock e pra mim isso é o suficiente. Mas se precisar detalhar eu também tenho dificuldade em dizer, até porque eu não domino muito essas “classificações”. Então somos uma banda de rock, ou rock independente, as vezes “rock alternativo” por ser mais elaborado, ou mais melódico, ou mais difícil de compreender. Sendo só de rock pra mim tá legal. Posso citar algumas bandas como o Radiohead, os primeiros álbuns deles dos anos 90 me influenciaram bastante, o próprio Sunny Day Real Estate e as bandas chamadas de “emo” na década de 90. Também gosto muito de rock inglês, ouvi muito Beatles e Pink Floyd na infância. E gosto muito de música pop, escuto muito.

– O Douglas Carlos, da Sick, banda de rock instrumental experimental do Triângulo Mineiro (banda ótima por sinal e que recomendo bastante), perguntou como você se sente ao ver algumas composições antigas, se tem alguma que você se arrepende, ou que não faz mais sentido nenhum e se tem alguma que hoje faz mais sentido ainda.

Beto: Olha… tem muita coisa que eu escrevi que eu não gosto mais hoje em dia, que eu não faria novamente. Tem coisas do Aurora Prisma mesmo que hoje não gosto mais em termos de letra (vou falar só do disco e não da musica, tá? risos). Mas também tem esse lado de escutar coisas antigas que hoje fazem muito mais sentido do que na época, acontece isso às vezes. O legal da musica é isso. A partir do momento que você grava uma música e ela fica eternizada, ela passa pelo tempo e a interpretação sobre ela também muda. Por isso é bom escrever coisas mais abstratas, porque elas permitem interpretações diferentes que você pode sempre revisitar de formas diferentes.

– Vocês vão tocar no Festival Bananada, que além de ser um dos maiores festivais de música alternativa do Brasil, acontece na cidade de vocês. Muitos consideram essa apresentação como o grande retorno da banda. Vocês também enxergam dessa forma? Qual a expectativa para esse show?

Beto: Tocar no Bananada é massa demais, a gente toca no festival desde o começo dos anos 2000 quando começou a crescer esses festivais aqui em Goiânia, junto Goiânia Noise, depois o Vaca Amarela, mas esses dois festivais, o Bananada e o Goiânia Noise são muito tradicionais, o Bananada tem 20 anos. A gente ficou por um tempo sem tocar nesses festivais mas nesse ano estamos muito animados, principalmente porque vamos tocar as músicas novas pela primeira vez ao vivo, a gente ainda nem ensaiou essas músicas juntos com a nova formação da banda. A gente foi construindo as músicas no estúdio, então eu nunca toquei elas com o Gustavo na banda, por exemplo. Então pra nós vai ser uma coisa nova, porque nunca tivemos isso na nossa história. Sempre que a gente ia gravar um disco, já tínhamos ensaiado pra caramba, aí entrava no estúdio e gravava, mas dessa vez não, fomos meio que fazendo as músicas separadamente, juntou tudo e gravou. Ficou muito legal, foi muito bom esse processo porque as músicas ainda são muito novas pra gente, então não tem aquele sentimento de tocar ao vivo e já estar cansado da música, no nosso caso ainda nem ensaiamos, inclusive temos que fazer isso logo porque o show está perto, mas vamos tentar ensaiar pelo menos uma semana antes pra não passar muita vergonha (risos). Mas vai ser ótimo, é um público grande, uma oportunidade boa pra divulgar as músicas novas.

– Você sabe quem tem pessoas que vão ao festival só para ver vocês tocarem, certo?

Beto: Uma pessoa me falou no Facebook esses dias que sairia do Rio de Janeiro só para ver o nosso show no Bananada. Toda vez que tocamos em algum lugar e alguém me diz que viajou só para ver a gente tocando, pra mim é o auge de realização de uma pessoa que faz música, quando alguém vem te falar que saiu da cidade dela só para ver o show da sua banda, pra mim é a coisa mais foda que pode acontecer. Na primeira vez que isso aconteceu comigo eu não acreditei, eu achei que a pessoa estava tirando onda com a minha cara, foi difícil acreditar que era verdade. A gente toca na maioria das vezes em capitais, então quando a gente vai tocar em Belo Horizonte por exemplo, tem muitas pessoas das cidades próximas que vão, até pessoas de São Paulo, isso é muito mais do que a gente pensou quando começou a banda, lá em 2001, no quartinho da minha casa. Na época a gente queria ter uma chance de tocar no Goiânia Noise apenas, era o nosso “auge”, então isso pra mim é uma realização como compositor. Ter uma pessoa que viaja pra te ver tocar é uma coisa muito foda.

– E vai acontecer turnê nova com o disco novo?

Beto: O problema de fazer shows é a agenda de cada um, aí já fica uma complicação, a gente não tem essa flexibilidade de horários nas nossas vidas profissionais pra ficar uma semana viajando. Então não tem como fazer turnê porque não tem como ficar vários dias fora, cada um tem um trabalho fixo aqui e dependemos deles. Os shows que fazemos geralmente são em fins de semana, bate e volta, não conseguimos emendar dias e dias de show. Fazemos um show pontual aqui ou ali mas não vai acontecer uma sequência enorme de apresentações porque não temos condições mesmo de fazer isso por inúmeros fatores. Mas claro que pretendemos tocar várias vezes e em vários lugares para divulgar o disco.

– Ok, mas suponhamos que apareçam boas oportunidades, o álbum estoura, vira um sucesso, aparecem várias propostas, inclusive financeiras, e aí? Vocês estão preparados pra isso?

Beto:  Eu não tenho isso como objetivo. Se isso acontecer provavelmente eu vou negar.

– É sério? Você negaria?

Beto: Eu não tenho nenhuma vontade de viver só ganhando dinheiro com shows e música. Minha vida já está construída em outra carreira, eu não trocaria o que eu tenho hoje pra ficar vivendo com um pouquinho só para fazer música, eu não consigo. Eu me cansaria de ter que viajar e tocar toda hora, eu não gosto desse ritmo, sou muito caseiro, não é pra mim esse tipo de coisa. Eu já considero que eu vivo de música justamente porque eu não dependo dela para pagar minhas contas, então eu posso realmente viver o que eu quiser na música porque eu não dependo dela, essa liberdade pra mim é muito legal.

– Algumas bandas que surgiram na mesma época que vocês estão voltando aos palcos também, isso é muito interessante. E ainda dentro desse tema, o Luden Viana da banda E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante perguntou como vocês conseguiram permanecer ativos durante tanto tempo, tendo em vista que a banda chegou a acabar e voltou devido a pedidos do público na época do Orkut. Como é ser uma das poucas bandas independentes remanescentes do começo dos anos 2000?

Beto: Eu acho que houve um ciclo. Acho que muitas bandas dessa época ficaram muito presas dentro do que estávamos falando, do objetivo de ter que fazer a banda “virar alguma coisa”. Houve uma euforia no começo dos anos 2000, muita coisa sendo construída, as bandas independentes começaram a tocar nas rádios, mais estrutura para as bandas, festivais rolando no Brasil inteiro, mas aí as pessoas viram que dali pra frente não caminharia muito mais e eu acho que isso gerou uma ressaca em muitas bandas, que inclusive desapareceram nessa época. Eu acho muito bom que os integrantes das bandas que estão voltando agora tenham amadurecido enquanto pessoas e estão voltando a fazer música de uma forma despretenciosa (no sentido do “profissionalismo” da banda), fazendo as coisas por amadorismo no sentido de fazer porque ama, no bom sentido da palavra amador. E isso não significa fazer mal-feito e sim fazer com carinho, porque gosta, com um sentimento legal, sem aquela pressão de ter que fazer a banda ser isso ou aquilo. Essa pressão acaba com a banda, acaba com a credibilidade dos artistas, acaba com a espontaneidade da música. E alguns dos integrantes das bandas que passaram por essa ressaca agora já estão mais decididos na vida pessoal mesmo e decidiram voltar a ter banda porque gostam de tocar juntos, gostam de gravar, gostam de fazer shows e se só 10 pessoas ouvirem e gostarem, foda-se. O importante é fazer parte disso e é isso que vale.

– Depois de conversar com você, percebe-se que realmente vocês tem pouca noção do simbolismo que o Violins tem para muita gente e a influência que é para muitas outras bandas, é interessante ver essa forma verdadeira e despretensiosa de levar a banda e o que vocês fazem.

Beto: Talvez eu não tenha essa noção, mas eu fico muito feliz de imaginar que possa acontecer isso, de achar que tem quem nos tenha como referência. Esses dias eu estava lendo uma entrevista com uma banda aqui de Goiânia, o Components, e eles estavam citando o Violins como influência e eu pensei como isso é legal, ter uma banda que influenciou uma outra banda, um músico ou uma pessoa na vida mesmo, que foi tocada por aquilo. Isso é o mais legal de fazer música, essa conexão que é gerada com as pessoas, pessoas que vêm conversar com você e parece que você conhece há muitos anos porque vocês estão conectados à música, pela frequência das músicas que as pessoas têm em comum. Eu tenho amigos no Brasil inteiro por causa da banda, isso é uma das coisas que move muito essa missão de fazer música.

– Pra finalizar, eu sempre coloco Violins como uma das minhas bandas nacionais favoritas e muitas pessoas me pedem pra apresentar a banda, sugerir músicas ou algum álbum e eu geralmente não sei o que fazer porque os discos são muito diferentes, as músicas também. Eu tenho as minhas preferidas mas entendo que podem não agradar tanto quem nunca escutou a banda. Se você tivesse que separar algumas músicas para quem nunca ouviu Violins conhecer a banda, quais músicas ou álbum você sugere?

Beto: Nossa, isso é muito difícil, difícil demais! Acho que o disco que eu mais apresento para as pessoas que eu vejo que não são de ouvir música independente, mais do senso comum da música, de ouvir rádio, que não são muito pesquisadoras, é o Direito de Ser Nada”, tem o clipe de “Rumo de Tudo”, então eu acho que é uma boa para começar a conhecer a banda de uma forma mais acessível.

– Mas sem falar apenas de acessibilidade, mais para dizer “isso aqui é Violins, isso é o que o Violins quer transmitir”.

Beto: Tem algumas músicas que são representativas de cada disco. Do Greve Das Navalhas” tem “Tsunami” e “Do Tempo”, de Grandes Infiéis” tem “Atriz” e “Glória”, do “Tribunal Surdo” tem “Anti-Herói Pt. 1″ e “Manicômio”… essas músicas são as que geralmente nos pedem para tocar nos shows. Do Redenção dos Corpos” tem “Entre o Céu e o Inferno”, “Festa Universal da Queda”

– Desculpa interromper, mas é que “Redenção dos Corpos” é um dos meus álbuns preferidos da vida e “Entre o Céu e o Inferno” é uma das minhas favoritas da banda. Esse álbum me pegou justamente num período de conflitos espirituais e existenciais também, na linha entre a fé e as questões humanas individuais, esse álbum aborda muito isso, então tem um lugar importante pra mim. Eu precisava falar sobre ele!

Beto: É bom demais ouvir isso porque é um disco que eu tenho um grande carinho por ele, foi muito legal de fazer, gosto das músicas, das letras. É que tem discos que eu escuto e me dá uma certa vergonha, sabe? Eu penso: “Ah! Nunca mais quero ouvir esse disco na minha vida”. Mas o “Redenção dos Corpos” não, é um disco que eu ouço e penso que não fiz muita cagada ali. Ele é um disco que tem um cunho pessoal grande porque ele traz o questionamento existencial. Na minha casa eu fui o único que não fez primeira comunhão, eu sempre tive o questionamento de nunca conseguir me entregar a uma religião, a um corpo fechado de dogmas, sempre tem uma coisa ou outra que eu não consigo aceitar, tem coisas que eu concordo mas eu nunca consegui dar aquele salto de fé necessário, então eu sempre me vi nessa condição vulnerável de pesquisador e investigador. Eu não tenho religião mas não sou totalmente despido de religiosidade. Eu não consigo explicar todas as questões, fico na condição de ficar só com a pergunta.

……………………………………….

Enquanto eu transcrevia o áudio da entrevista, foi divulgada a primeira musica do álbum “Era do Vacilo”: “Herói Fabricado”. Foi lançada em formato de videoclipe, praticamente um “lyric video”, objetivo, bem feito, com simbologias sutis e com o foco naquilo que talvez seja o ponto mais forte da banda: a lírica e a mensagem. Não precisava de mais.

“Herói Fabricado”, a priori, parecia somente uma crítica aos ícones conservadores que supostamente podem salvar a pátria, mas foi além, é um questionamento para todos. Ataca, inclusive, as tentativas de amenizar os conflitos sociais entre oprimido e opressor. Sem falso moralismo, sem idealismos pacifistas utópicos. Violins trouxe com essa música o lado social de Tribunal Surdo com a sutilidade de Redenção dos Corpos, que, pra mim, são os dois melhores álbuns da banda. A opção de fazer um clipe com foco na lírica foi brilhante. Violins é para escutar com o encarte do disco em mãos, acompanhando as letras, absorvendo e tentando digerir aos poucos cada palavra, cada entrelinha, toda a semântica. O instrumental traduz perfeitamente o sentimento de cada trecho, te faz sentir o que deve ser sentido em cada parte da mensagem. Com mais peso que a maioria das canções dos dois últimos álbuns, Herói Fabricado nos deixa na expectativa de mais um álbum marcante, mais dias escutando as mesmas musicas com afinco, em uma agradável e lenta digestão.
Que venha “Era do Vacilo”.