Serapicos chega com letras sarcásticas e ácidas nos 120 minutos de “17 Canções em Português Para Ouvir Antes de Morrer”

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Serapicos
Foto de André Fontes

O primeiro disco da banda Serapicos“17 Canções em Português Para Ouvir Antes de Morrer”, foi escrito e produzido pelo cantor e compositor Gabriel Serapicos e mistura, segundo eles, “letras filosóficas, sarcásticas, niilistas, eróticas, cinematográficas e messiânicas com blues cigano, samba boêmio, jazz swing, rock anos-60 e harmonias de voz”. Além disso, o álbum dos paulistanos foge das obras curtas e EPs que estão em alta, contando com 26 música em aproximadamente 120 minutos de música em português. Gabriel explica: “17 foi o primeiro esboço do disco e é um número primo indivisível. Conforme o processo de gravação avançou, mais músicas surgiram, porém, já estávamos apegados ao nome”. O trabalho foi produzido ao longo de 2 anos, mixado por Zeca Leme e masterizado por Arthur Joly.

Além de Gabriel Serapicos e Victória Vaz nas vozes, o Serapicos é também formado por Pedro Serapicos no baixo (“e aconselhamentos espirituais”), Matheus Souza na bateria e Caio Nazaro nas guitarras. Com influências de nomes esquizos e geniais da música brasileira como Júpiter Maçã, Rogério Skylab e André Abujamra, a banda mostra toda sua força em “Buscopan”, um dos pontos altos do disco, com uma visão sombria e dançante do universo dos jingles farmacêuticos, “Eu Escolhi Esperar”, com uma pegada oitentista, que fala sobre abstinência sexual pré-matrimônio, e “Mulher-Bomba”, um trip-hop com participação de Luiza Pereira, da Inky, na voz principal.

 

Conversei com Gabriel sobre a banda, o disco e suas letras em português, discos longos e o papel das redes sociais na vida de um artista independente nos últimos tempos:

– Como este projeto começou?

O projeto começou com eu gravando minhas músicas num gravador de fita cassete em 2004. Desde então, fiquei meio obcecado por esse lance de compor, escrever letra e gravar. O Pedro Serapicos, então bebê, acompanhou todo esse processo de perto. A experiência de tocar ao vivo veio mais tarde, lançando o primeiro disco, Serapicos is a town. Nesse recrutamento para formar a banda no palco conhecemos o Matheus, mais tarde a Victória e o Caio.

– De onde surgiu o nome Serapicos?

Serapicos é um nome grego de um vilarejo em Portugal. Provavelmente, alguma família grega recém-convertida fugiu de alguma perseguição religiosa para terras portuguesas em tempos medievais. Mas como disse Bruce Willis em “Pulp Fiction”: nomes não significam nada na América.

– Me conte um pouco mais sobre “17 Canções em Português Para Ouvir Antes de Morrer”. De onde surgiu a ideia de criar um disco com tantas faixas em um momento em que o single e o EP são mais valorizados que uma obra extensa?

Esse álbum é uma coleção de canções que escrevi entre o fim de 2013 e 2014. Foi o período que decidi de uma vez mudar as letras do inglês para o português. Escrevi quase todas essas músicas numa leva, embora muitas melodias já habitassem meu inconsciente ou a memória do meu celular há algum tempo. O número de músicas tomou proporções bíblicas durante o processo e resolvi lançar um álbum com 26 músicas mesmo. Não é um disco para ouvir-se numa sentada. É pra ouvir em duas sentadas. Tipo os filmes clássicos como “E O Vento Levou” e “Lawrance das Arábias” que tinham 4, 5 horas e rolava um interlúdio no intervalo. As pessoas saíam para conversar e uma banda tocava no hall. O disco é uma viagem pelos mundos personagens que habitam a minha cabeça, coloridos pelas lindas intervenções musicais da Victória, Pedro, Matheus e Caio. É um álbum cheio de assunto, de referências e provocações.

Serapicos

– Quais as suas principais influências musicais?

Cresci ouvindo bandas de punk rock, como Green Day e The Clash. Aos poucos fui sofisticando meu gosto para canções ouvindo The Beatles e assistindo Noviça Rebelde”. Gosto muito de uma banda chamada The Magnetic Fields, que tem letras fenomenais. Ouvir música clássica e jazz também ampliou muito minha concepção de harmonia e forma musical. Resumindo: Tento me influenciar por tudo que ouço, pode ser a música de um comercial de absorvente ou o hino nacional da Eslováquia, pois existe beleza em tudo, já que o feio também é bonito.

– Qual a sua opinião sobre a cena independente brasileira hoje em dia?

Só consigo falar sobre a cena independente de hoje em dia já que sou bem jovem, digo não sou velho. Tenho 26 anos e isso não é velho. A cena é muito legal, tem muita gente criativa se auto-lançando e é bem interessante acompanhar o desenvolvimento de artistas que você acaba se tornando amigo.

– A internet, as redes sociais e os serviços de streaming são heróis ou vilões para a música independente?

Nem heróis, nem violões. É o que temos para hoje. Tornou-se muito mais fácil lançar-se como artista independente mas a porcentagem de grana paga por um play online é muito menor do que o que era paga pela venda de um CD.

– Porque fazer letras em português é importante?

Acho que sua língua materna sempre vem de um lugar mais primitivo, carnal, intestinal do que uma língua que você desenvolve posteriormente. Falar palavrão numa outra língua não tem o mesmo efeito emocional. E minhas letras tratam de personagens em estados muito confessionais, dizendo coisas muito intimas. As letras soam mais fortes e mais reais em português.

Serapicos

– Quais os próximos passos da Serapicos?

Queremos entrar no Disk MTV. Ainda rola isso? (risos). Vamos promover o álbum, fazer mais shows, lançar várias músicas ao vivo e um ou outro clipe. Já tenho dois outros discos engatilhados.

– Recomendem bandas e artistas independentes que você ouviu nos últimos tempos e chamaram sua atenção.

André Whoong é um ótimo compositor que está lançando um trabalho bem interessante. E Renato Pegasus. Guardem esse nome.

Otto inaugurou a conexão Recife-Espaço Sideral com seu álbum de estreia, “Samba Pra Burro”

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Otto caminha em direção a câmera por um calçadão de Copacabana dos anos 70 desfocado e em retrocesso. Otto é o único que caminha para frente. E então, temos uma ciranda na praia, cheia de pessoas das mais diversas tribos. A mensagem diz: o Recife é a cidade que vai fazer a cultura do país andar para frente. A nova praia é aqui, o Recife. E olhe ao seu redor o quanto de cultura nós temos para oferecer.

Este foi o cenário musical do país a partir de 1994 com a proliferação do movimento manguebeat. Entretanto, a imagem citada acima é o início do videoclipe de “Bob”, do cantor e percussionista pernambucano Otto, o primeiro do seu álbum de estreia, “Samba Pra Burro”, de 1998.

Um ano se passou da precoce morte de Chico Science e os manguezais do Recife ainda estavam começando a borbulhar. E Otto é um músico que acompanhou desde o início a cena musical do Recife e tudo o que aprendeu e ajudou a criar está presente neste disco.

Fugindo um pouco da sonoridade padrão dos trabalhos por que passou, Nação Zumbi e Mundo Livre S.A., Otto mergulha até a raiz da música eletrônica e cria uma harmônica mistura de folclore e drum’n’bass, criando versões espaciais de maracatu, samba e ciranda.

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O álbum foi muito bem aceito e sua primeira faixa, “Bob” (um dueto com Bebel Gilberto), explodiu comercialmente. Otto agora também era mangue. E também colocaria “TV a Cabo/O Que Dá Lá É Lama” e “Café Preto” nas paradas nacionais e internacionais.

A obra, toda composta com o magnífico trabalho de parceria entre Otto e o produtor Apollo 9, é uma viagem eletrônica por ritmos brasileiros e fases da vida do cantor, passando pelos versos eternizados por Chico Science, em “Bob”, e chegando às origens africanas do Brasil em duas músicas cantadas em francês (Otto morou 2 anos na França), “Low” e “Change tout”, que formam uma incrível lama melódica.

Otto canta o Recife, São Paulo, Paris. Ao mesmo tempo em que toca África, Brasil, Vênus. Com letras que caminham descalças pelos lugares de sua vida, Otto mostra a situação social do país em sua época, através de cenas, fatos e narrações de uma vida simples e cotidiana brasileira que aos poucos ganha injeções das tecnologias dos anos 2000 (TVs a cabo, celulares). E o estilo musical acompanha com perfeição essa temática.

Nota máxima para a estreia de Otto. “Samba pra Burro” é uma obra-prima recente da MPB e conseguiu, com incríveis sentimentos, levar para o espaço sideral a conectividade da cultura do Recife.

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Otto – Samba Pra Burro | #temqueouvir!

01. “Bob”
03. “TV a Cabo/O Que Dá Lá É Lama”
04. “Renault/Peugeot”
07. “Café Preto”
08. “Ciranda de Maluco”
11. “O Celular de Naná”

Otto – Samba Pra Burro | #singles

Otto“Bob”

Otto“TV a Cabo”

Otto – Samba Pra Burro | #ouçaagora!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Gabe Cielici, ou Eu Sou o Gabe

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Eu Sou o Gabe
Eu Sou o Gabe

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Gabe Cielici, músico e comediante que também atende por Eu Sou o Gabe e pode ser visto contando piadas de graça em SP, vendendo o EP “Músicas Para Ex-Namoradas” e às vezes vestido de maconha. “O que faz eu me apegar em músicas, são frases que me arrepiam e me fazem chorar quando eu estou sozinho”, diz.

The Front Bottoms“The Beers”

“Banda que conheci através do Spotify, devo ter dado repeat umas 30x. Me identifico pela frase “Eu vou lembrar daquele verão, como o verão que eu estava tomando esteróides. Porque você gosta de homens musculosos, e eu gosto de você” Me lembrou o verão de 1999, que eu passei meses fazendo abdominais pra impressionar a menina da minha escola, que dizia que não gostava de caras gordos. Nunca rolou nada entre nós, mas sou muito amigo do irmão dela hoje em dia”.

Laura Stevenson“A Shine Into It”

“Laura, minha maior inspiração quando se trata de uma mulher empunhando um violão e projetando letras profundas com uma doce voz que toma conta de toda minha imaginação, fazendo com que meu sentimento seja 100% entregue a cada palavra dessa música, pois ela fala sobre se entregar. “Eu vendi meu sangue para um hospital. Mas não foi muito sangue, então não me deram muito dinheiro. Pensei que você fosse gostar disso, porque tem um certo brilho. Eu sei que você gosta de coisas brilhantes, então eu tentarei comprar algo brilhante para você”. Cara, a Laura toca meu coração a cada Lá menor”.

The Get Up Kids“Holiday”

“O emo do Kansas de melhor qualidade. “Dizer boa noite é dizer adeus”. Já ouvi sorrindo, chorando, com medo e com coragem. PLEASE COME TO BRAZIL”.

A Great Big Pile of Leaves“We Don’t Need Our Heads”

“Música que me faz pensar na Gabriela, a menina mais incrível que já conheci, hoje acho que somos amigos, ela tá bem na vida dela, namora, é feliz e mora com o cara. Mas antes disso, ela tinha uma viagem pro RJ e me pediu pra fazer uma lista com músicas pra ela ouvir na viagem e lembrar de mim. Não sei se ela lembrou de mim, mas passei o período inteiro da viagem dela ouvindo essa música e pensando nela”.

Chuck Ragan“The Boat”

“Ex-vocalista do Hot Water Music, conheci ele com o Sonrisal (Hateen, Street Bulldogs). Uma frase que me deu força por muito tempo e me guia até hoje “Nós todos carregamos o tom que amamos”.

Breaking News: 9 clipes de artistas independentes lançados nesta semana que você precisa conhecer

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Murilo Sá
Murilo Sá

Murilo Sá & Grande Elenco“Modo Automático”

Clipe de Felipe Milward filmado em São Paulo, a faixa abre o disco “Durango!”, lançado em setembro.

Jonathan Tadeu“La Greppia”

Este vídeo foi produzido com alguns dos artistas integrantes da Geração Perdida, movimento coletivo de algumas bandas em Belo Horizonte, Minas Gerais. Gravado ao vivo no Topo do Mundo.

Truckfighters“Hawkshaw”

Belo clipe de animação da faixa tirada do disco “V”, que será lançado no dia 30 de setembro.

T-Rextasy“Gap Yr Boiz”

Tirada do primeiro disco do T-Rextasy,  “Jurassic Punk”, lançado pela Miscreant RecordsFather Daughter Records.

The Meanies“You Know The Drill”

Mais uma animação! Clipe dirigido e criado por Chris Debonno (Riff Bear Productions).

Weekend Recovery“Focus”

A banda de Kent, nos Estados Unidos, lança o clipe da faixa de seu EP “Rumours”, gravado e produzido por Dan Lucas da Anchor Baby Recording Company. A direção é de Raphael Klatzo.

So Pitted“woe”

“woe” faz parte do disco “neo” e ganhou um clipe com toda a doideira noventista que tem direito.

TV Haze“Laundry Day”

Um clipe que mostra um dia comum dirigido por Chris Debonno (Riff Bear Productions). A faixa faz parte do primeiro álbum do TV Haze:

Nasty Bunch of Bitches“Smack”

A banda de Denver, Colorado, ganhou um belo clipe em P&B dirigido por Lola Marie com muita criatividade e pouco orçamento.

Os Estilhaços trazem toda a força e o fuzz do garage rock sessentista à tona

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Os Estilhaços

Saídos diretamente das garagens da Zona Leste de São Paulo, Os Estilhaços possuem a psicodelia cheia de fuzz do garage rock dos anos 60 correndo nas veias. Formada por Caio Sérgio (ex-Haxixins) (vocal/guitarra), Paulo Nobre (baixo), Alexandre Xéu (ex-Panoramas) (bateria) e Cristina Alves (órgão), a banda atesta em seu soundcloud o poder da sonoridade sessentista registrada com o equipamento analógico e o toque do produtor Jonas Morbach (The Blackneedles/Berlin Estúdio).

Após algum tempo de estrada, o quarteto agora está lapidando as músicas que farão parte de seu primeiro disco. “Os planos são de gravar algumas até o final deste ano, juntar com as outras que já temos gravadas e lançar um LP no próximo ano. Estando com o disco pronto, aí é tentar organizar uma turnê (possivelmente na Europa, onde a cena 60s é mais sólida) para divulgar o álbum”, contam.

Conversei com a banda sobre seu trabalho, a retomada da psicodelia (ou a permanência dela), a internet como meio de apoio a bandas independentes e mais:

– Como a banda começou?

Podemos dizer que a formação da banda se deu em três momentos. O Alexandre Xéu e o Paulo Nobre já se conheciam e inclusive até já haviam tocado juntos em outras bandas anteriormente. Enquanto isso, o Caio Sérgio (que tocou com Os Haxixins) foi convidado pelo Felipe Caponne para tentarem fazer um som, desenvolver algumas ideias. Como os quatro se conheciam, já era todo mundo amigo, nos juntamos e montamos a primeira formação da banda. Como a ideia sempre foi a de ter um órgão agregando na sonoridade, algum tempo depois convidamos a Cristina Alves, que acabou aceitando o convite. Com a saída do Felipe, atualmente permanecemos como quarteto.

– De onde surgiu o nome Os Estilhaços?

A banda chegou a ter alguns outros nomes provisórios antes, mas um dia, tendo em vista que faríamos o primeiro show com a nova formação (que incluía o órgão), era preciso escolher um nome definitivo, que acabou ficando “Os Estilhaços”, por conta da última frase da letra da nossa música “Atemporal” (“Os sons se fazem em estilhaços”). Então foi uma questão de necessidade mesmo (risos)…

– Me falem um pouco mais sobre o material que já lançaram.

Atualmente a banda possui algumas músicas oficialmente gravadas desde 2014 (que disponibilizamos em plataformas como o Soundcloud, etc.), e que sairiam em forma de compacto duplo. Porém, como a gente vem criando coisas novas, mais músicas e a ideia é gravá-las ainda este ano, queremos lançar um LP (mesmo que seja de maneira independente) ano que vem.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Nossas influências são basicamente de bandas 60s de garage como o 13th Floor Elevators, Music Machine, The Seeds, Count Five, e também as nacionais como Os Baobás, Os Beatniks, The Galaxies, etc., Mas isso de modo geral, pois cada integrante tem suas influências particulares. O Alexandre ouviu muito Fuzztones, que é um garage 80s; o Paulo curte umas paradas de mod jazz; Caio conhece bastante de raridades nacionais e a Cris gosta até de uns sons 60s da Grécia, por exemplo.

Os Estilhaços

– A psicodelia está voltando? A música é cíclica, e estamos de volta a um tempo de psicodelia em alta no som?

Na nossa opinião, a psicodelia nunca deixou de existir na verdade e, portanto, não tem muito o porquê de falar em uma volta. Seja com bandas conhecidas ou não, a psicodelia é uma referência que surgiu na década de 60, mas que percorre também as décadas seguintes, de forma mais, ou menos evidente. Talvez no momento ela realmente esteja em alta, já que várias bandas atuais transitam por ela de diversas maneiras. No nosso caso, já é algo intrínseco à proposta de som que fazemos.

– Como vocês avaliariam a cena independente paulistana? As casas de show ajudam a firmar a cena das bandas autorais independentes?

Atualmente, a cena independente paulistana anda muito difícil, especialmente para bandas autorais que fazem um som mais underground. São pouquíssimas as casas que dão oportunidade e, das que dão, a maioria não pensa numa valorização do trabalho da banda. Falta um mínimo de comprometimento, seja em oferecer um equipamento de som decente, pagar um cachê justo (isso quando pagam) e acaba parecendo que os músicos estão ali fazendo um favor. Bandas boas existem muitas, o que tem faltado é espaço, mesmo numa cidade enorme como São Paulo.

– Vejo que vocês usam bastante a internet para divulgar a banda. Acreditam que ela auxilia a vida do artista independente?

Sem dúvida a internet auxilia demais. Sem ela, seria muito mais difícil para as bandas alcançarem o público que se atinge hoje em dia. Já teve podcast na França tocando nosso som, por exemplo, algo praticamente inimaginável se não fosse a internet. Outro exemplo são Os Haxixins, que foram “descobertos” na Europa em tempos de MySpace. Acreditamos que toda ferramenta que possa auxiliar a banda a levar seu trabalho mais longe é muito válida.

Os Estilhaços

– Quais os próximos passos da banda?

Como comentamos antes, estamos em uma fase de criação, trabalhando em músicas novas. Os planos são de gravar algumas até o final deste ano, juntar com as outras que já temos gravadas e lançar um LP no próximo ano. Estando com o disco pronto, aí é tentar organizar uma turnê (possivelmente na Europa, onde a cena 60s é mais sólida) para divulgar o álbum.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Algumas bandas atuais (nem tão novidades assim) que nos chamam a atenção e temos acompanhado são o Mystic Braves, Messer Chups, o próprio Tame Impala, Vintage Trouble… No mais, sempre acompanhamos as bandas independentes do pessoal aqui da zona leste e dos amigos que estão fazendo um trabalho autoral bacana como Os Skywalkers, o Continental Combo, Os Tulipas Negras e mais um monte…

Canções inspiradas pelo mundo incrível das histórias em quadrinhos

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Quadrinhos colecionáveis possuem versões raras e uma legião de fãs. A Comic Con de San Diego (Califórnia) é uma das feiras mais famosas do mundo. Por aqui temos a versão brasileira e eventos que também dão espaço para a cultura geek (Fest Comix, Bienal de Quadrinhos, Festival Guia de Quadrinhos, Bienal do Livro…), além das livrarias, sebos e eventos especializados de menor escala.

Uma paixão sem limites e os épicos personagem e super heróis estão na linha de frente dos preferidos da galera. Não é por acaso que tamanha obsessão chegasse ao mundo da música. Afinal de contas, as artes sempre se complementam. Hoje conheceremos algumas canções que mergulharam nas páginas das HQ’s mais populares do mundo. Marvel ou DC? Bom, essa treta deixamos para vocês decidirem o lado da força que mais lhe agrada…

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O designer brasileiro Butcher Billy costuma fazer crossovers entre músicas e o universo dos quadrinhos

Batman Nã Nã Nã Nã Nã!

O Rancid pode não ser uma das primeiras bandas que pensaríamos no universo geek, mas em 1994, no lançamento do Let’s Go” – álbum que tem “Radio”, composição feita pelo vocalista Tim com Billie Joe (Green Day) – temos “Sidekick”.

Na letra, Tim Armstrong se auto-intitula Tim Drake e tem o papel de mostrar personagens secundários dos HQ’s. No caso o exemplo de Robin, fiel escudeiro de Batman sempre à margem de colher os louros. Outro citado na letra é Wolverine.

Um dos álbuns mais clássicos do The Jam, In The City” (1977), traz “Batman Theme”. Sim, literalmente o tema da saga em uma versão mod rock revival com pézinho na simplicidade do punk rock 77. Paul Weller dá todo um tom vintage ao clássico tema da saga do morcego.

O The Who, em 1966, também deixou seu registro, porém com uma linha mais  lisérgica e cheia de enfoque na bateria energética. Uma versão com um ar de surf rock e garagem um tanto quanto interessante.

Mas a minha versão favorita do clássico sempre será essa pérola gravada por um baita guitarrista, diga-se de passagem. Em 1989, a lenda Link Wray também quis deixar sua versão instrumental e dançante para o hit mais famoso de Gotham City.

Mas quem levou Batman para as pistas de dança foi Prince, com classe, funk e ousadia como sempre fez. A canção “Batdance” foi feita especialmente para o filme da saga de 1989. As guitarradas são um show a parte, com grooves e solos vibrantes.

Em 2002, Snoop Dogg se aventurou a homenagear o homem morcego. Só que dessa vez ele não deixou o Robin de lado e ao lado de Lady Of Rage Rbx fez uma versão mega original com rimas de tirarem o fôlego.

“No one, can save the day like Batman
Robin, will make you sway like that and
Beat for beat, rhyme for rhyme
Deep in Gotham, fightin crime
No one, can save the day like Batman”

Ainda no mundo do rap, Bow Wow em 2011 fez uma versão hip hop e agressiva para Batman. Com uma versão cheia de escárnio e quebrando toda a áurea celestial que o herói tem, os Garotos Podres vem para tirar a máscara de Bruce Wayne com sua releitura sarcástica de “Batman”.

“Hey seus bat palhaços, quem de vocês
Ainda não se lembra daquele idiota bat programa,
Que passava naquele imbecil bat canal,
Naquele cretino bat horário?

Há! velhos tempos, hein.
Quantas belas vomitadas nós dávamos quando assistíamos toda aquela idiotice,
Por isso agora escrachamos aquele bat retardado
Defensor do sistema, Batman!

Bat era um bom menino
Defendia Gotham City
Enquanto seu amigo Robin
Lhes botava um bat-chifre…”

De tanto fãs de Batman alimentarem que “I Started a Joke” dos Bee Gees ter referências a um dos maiores vilões da história em quadrinhos, as pessoas chegaram a acreditar que se tratava de uma letra homenageando o Coringa, um dos antagonistas mais queridos da história do cinema. Claro que a equipe do Esquadrão Suicida estava ciente de tal “menção” e em um dos 5000 trailers que soltaram antes do filme – o primeiro deles – contava com uma regravação de Becky Hanson.

Spider Man, Spider Man!

dance

O Homem-Aranha é um dos mais carismáticos quadrinhos da Marvel e um dos super heróis mais conhecidos. A lenda de Peter Parker ganha terreno no mundo da música até nos dias mais atuais.

É o caso do Black Lips, que em 2011 chegou com “Spidey’s Curse” no disco Arabia Mountain”, um blues garageiro moderno cheio de referências ao personagem por trás da roupa vermelha.

“Peter Parker’s life is so much darker than the book I read
‘Cause he was defenseless, so defenseless when he was a kid
It’s your body, no one’s body, but your’s anyways
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!
Don’t fill a spider up with dread

Spidey’s got powers, he takes all of the cowards
And he kills them dead
But when he was younger, an elder among him messed him in the head
So Peter Parker don’t let him mark ya, it’s so much darker
Don’t let him touch ya, he don’t have to stay!”

Claro que nessa lista o clássico dos clássicos dos sons inspirados em quadrinhos não ia faltar. A versão dos Ramones para o tema de Spider-Man não poderia ficar de fora de maneira alguma, esta que foi gravada quase no fim da carreira da “Happy Family”, em 1995.

Uma das bandas que marcaram o movimento noventista das riot girls, Veruca Salt tem uma canção com referências ao Homem-Aranha, “Spiderman 79”.

“You’re so nice,
you tie me in a web
and cradle me till dawn.
You’re so deadly
that I can see your breath
beneath me when you’re gone.
You’re so windy,
I’d like to pin you down
and tack you to the wall.
Spiderman”

SUPERMAN!!

super-man

Se tem um personagem que é amado e odiado por muita gente é o Superman. Gostando ou não, ele é um dos mais marcantes e perde seu poder com a terrível kryptonita. É não deve ser fácil defender o sua por trás de sua capa.

Uma canção que cita a capacidade de voar do super herói é “Hit The Ground (Superman)” do The Big Pink. A canção está presente no álbum Future This” (2011) e inclusive estrelou a trilha de uma das edições dos jogos FIFA.

“…But if I fall off this cloud
If I fall off, oh superman
Oh Superman
I don’t wanna hit the ground (X3)
Oh Superman”

Outra canção que fala do super herói e marcou a geração viciada em vídeo games de console foi “Superman” dos ska/punkers do Goldfinger. Presente na primeira edição do jogo Tony Hawk’s Pro Skater, a canção fazia qualquer um terminar a fase do jogo se sentindo o verdadeiro Super Man!

“…So here I am
Doing everything I can
Holding on to what I am
Pretending I’m a Superman
I’m trying to keep
The ground on my feet
It seems the world’s
Falling down around me”

Os estranhões mais queridos do rock alternativo, The Flaming Lips, também prestam homenagem ao personagem na melancólica “Waitin’ For Superman” presente no álbum The Soft Bulletin” (1999).

“…Tell everybody
Waitin’ for Superman
That they should try to
Hold on
Best they can
He hasn’t dropped them
Forgot them
Or anything
It’s just too heavy for Superman to lift
Is it gettin’ heavy?
Well, I thought it was already as heavy as can be”

Em 1977, quem cedeu a voz para homenagear o homem voador foi Barba Streisand na bela “Superman”. O vozeirão transformou a odisseia do super herói em uma balada desesperada. A metáfora do herói de plano de fundo para uma paixão ardente.

“Baby I can fly like a bird
When you touch me with your eyes
Flying through the sky
I’ve never felt the same
But I am not a bird and I am not a plane
I’m superman
When you love me it’s easy
I can do almost anything
Watch me turn around, one wing up and one wing down
I never thought I could fall in love for good
I’m superman…”

Os anos 90 nos apresentaram o Spin Doctors e em 1993 eles lançaram “Jimmy Olsen Blues” que tinha como plano de fundo o universo do Homem de Aço.

“Lois Lane please put me in your plan
Yeah, Lois Lane you don’t need no Superman
Come on downtown and stay with me tonight
I got a pocket full of kryptonite
He’s leaping buildings in a single bound
I’m reading Shakespeare in my place downtown
Come on downtown and make love to me”

Existem homenagens interessantes ao azulão pelo Stereophonics, Taylor Swift, Eminem, 3 Doors Down, T. Pain, Alanis Morissete, Hank Williams Jr e até do Matchbox Twenty, mas para fechar as canções que homenageam o super herói eu escolhi o The Kinks. No fim dos anos 70 eles gravaram “(Wish I Could Fly Like) Superman” para o disco Low Budget” (1979).

Quadrinhos e Desenhos

bat

Debbie Harry e o grupo pop Aqua optaram por não darem nomes aos homenageados em fizeram homenagens um pouco mais genéricas. A estrela do Blondie vem com “Comic Books” onde eterniza sua paixão pelo mundo dos quadrinhos e sua adolescência. Já grupo de europop Aqua (sim, aqueles mesmos de “Barbie Girl”) são mais claros quando o assunto são “Cartoon Heroes” (1999).

“Long before I was 12 I would read by myself.
Archie, Josie, super-heroes.
I would read them by myself.
I had the stars on my wall.

14 was a gas for me.
Batman on tv.
I would cheer the super-heroes.
They were all I wanted to be.
I had the stars on my wall.

18 I was guaranteed.
I would lose my teenage dream.
But it’s so funny how I got to look.
Like all the people in my comic books.
Now I’m a star on my wall.

Comic books.”

“…We are the Cartoon Heroes – oh-oh-oh
We are the ones who’re gonna last forever
We came out of a crazy mind – oh-oh-oh
And walked out on a piece of paper

Here comes Spiderman, arachnophobian
Welcome to the toon town party
Here comes Superman, from never-neverland
Welcome to the toon town party

We learned to run at speed of light
And to fall down from any height
It’s true, but just remember that
What we do is what you just can’t do

And all the worlds of craziness
A bunch of stars that’s chasing us
Frame by frame, to the extreme
One by one, we’re makin’ it fun”

Flaaaaaash!

flash

The Flash, o personagem que gostaríamos de ver competindo com Bolt também foi alvo de homenagens no mundo da música. “The Ballad of Barry Allen” (2003) do Jim’s Big Ego narra a trajetória da persona que dá vida ao Flash, Barry Allen.

“….And I’ll be there before you know it
I’ll be gone before you see me
And do you think you can imagine
Anything so lonely
And I know you’d really like me
But I never stick around
Because time keeps dragging on
And on…”

Capitão América

O herói mais patriota da história dos quadrinhos, Capitão América, não ia ficar fora das referências. Na canção do Moe. “Captain America” também tem homenagem ao Superman.

“Captain America said you gotta be like me
Or you’re gonna wind up dead last
At the end of your rope
Flat broke
Down and tired
You sleepy head
Won’t you go to bed
Let me run your life
Lies

Clark Kent ran for president
No one knew about the secrets locked in his head
Friends tried to take his life
Accusations flew
Flew like Kryptonite
Clark still looking good
What you gonna say
To make everything alright
Lies”

O Justiceiro

Outro personagem da Marvel a ganhar notoriedade no universo da música foi O Justiceiro. Quem presta o tributo são os caras do Megadeth em “Holy Wars…The Punisher Due” (1990). E de quebra, para uma canção totalmente politizada, pois denuncia a violência dos conflitos na Irlanda do Norte conhecido como “The Troubles”. Aliás, o próprio U2 tem uma música sobre o assunto, é claro.

Ainda no mundo do metal temos o guitarrista Joe Satriani com sua homenagem ao Surfista Prateado em “Surfing With The Alien”. Ouça e flutue nessa viagem espacial.

Motoqueiro Fantasma

O Motoqueiro Fantasma ganhou uma homenagem que também entrou na trilha de “Taxi Driver”. A canção presente no primeiro álbum dos punks do Suicide (1977) tem uma alta voltagem e vive perigosamente assim como o personagem.

O pesquisador musical Henry Rollins, ex-Black Flag e Rollins Band também regravou uma interessante versão do clássico do Suicide.

Mas vamos fechar com um verdadeiro “achado” das HQ’s. Um rap que adapta Guerras Secretas originais da Marvel. Mas mais do que isso, a faixa possui uma colaboração do mestre Stan “the man” Lee. A faixa do The Last Emperor contém parte 1 e parte 2.

Duo paulistano Dum Brothers promete segundo EP ainda mais “estranho” que sua estreia

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Dum Brothers

De um ensaio frustrado de doom sludge rock que acabou gerando frutos sonoros muito mais amplos, Bruno Agnoletti (bateria e voz) e Raul Zanardo (guitarra e voz) criaram o Dum Brothers, duo paulistano que mistura stoner, hard rock, psicodelia, grunge, rock nacional, fuzz, batidas primais e tudo mais o que vier na telha da dupla. Com um EP recém-lançado (“Dum Brother Pt.1”), um single quase saindo do forno e novos trabalhos já borbulhando em suas mentes (“tem umas com umas pegadas estranhas, meio dance, sei lá”), a banda promete fazer barulho na cena independente da selva de pedra.

Conversei com Bruno e Raul sobre a banda, a vida de artista independente, as “panelinhas” e mais:

– Como a banda começou?

Raul: Inicialmente ia ser uma banda de doom sludge rock pesadão com o Bruno no baixo, mas o ensaio não deu mto certo, aí a gente trocou de posições lá no ensaio e o Bruno tocou bateria e ficou da hora (risos). Depois a gente começou a ensaiar sem baixo mesmo e sem nenhuma pretensão de rótulo ou estilo e tals. Foi ficando bacana e as músicas foram saindo.

– De onde surgiu o nome da banda?

Raul: Nossa, nome de banda é foda achar (risos). A ideia de fazer uma brincadeira com o Doom escrito errado foi do Bruno. Na volta pra casa do primeiro ensaio como duo a gente foi falando uns nomes, aí ele falou do Dum escrito com U e a gente curtiu.

– E vocês repararam que soa como Dumb Brothers, né? 😃

Raul: Né! (risos) A gente só viu esse depois. Mas a gente é meio “dumb” mesmo (risos).

– Porque o formato duo é tão popular hoje em dia?

Raul: Acho que pela simplicidade do formato, sei lá. Pelo fato de não haver outros elementos na banda, as musicas ficam mais simples e as bandas tem que se esforçar mais fazer músicas e shows bacanas. Mas não sei se isso as torna mais populares (risos).

– Eu digo mais populares porque hoje em dia o número de duos é BEM maior que antigamente.

Raul: Acho que depois do White Stripes e Black Keys a galera viu que da pra fazer coisa boa só com duas pessoas. A gente optou por ter duas porque tava dando certo e é foda ter muita gente na banda, a logistica é chata demais. Antes eu tinha uma banda com mais 5 caras, era um inferno (risos).

– E vocês estão preparando um novo single.
Bruno:  Fiz uma letra de como a PM vem agindo de forma abusiva e nada arbitrária em abordagens, nas manifestações e tudo mais. Gravamos ao vivo lá no estúdio em que a gente ensaia. Tá bem punk essa música.
– Me falem um pouco mais sobre seu primeiro EP.

Raul: O primeiro EP, “Pt. I”, é o registro das primeiras 5 musicas que a gente fez na segunda metade de 2015. Foi todo feito independente pela gente mesmo.

Bruno: Isso, o conceito do EP era mais pra ter um registro oficial pra galera saber que a gente existe.

Raul: (Risos) “Óia gente, a gente existe e tem música”. (Risos)

Bruno: Isso mesmo! (Risos)

Dum Brothers

– E como foi a criação dessas músicas?

Bruno: A criação é sempre o melhor. A gente nunca sabe o que vai fazer, simplesmente começa a tocar e elas vão saindo. Não tem planejamento.

Raul: É, brincando com riffs no ensaios, cantando qualquer bosta (por isso que tem umas letras engraçadas).

Bruno: É tudo espontâneo.

Raul: Depois da gente brincar e experimentar nas músicas, a gente gravou umas demos e foi praticando elas pra gravar, que é o método que a gente usa até hoje. Isso quando não gravamos ao vivo mesmo, mas esse lance de gravar ao vivo é novo, estamos nos aperfeiçoando ainda. No EP a gente gravou tudo separado.

Bruno: Baterias no estúdio e guitarra e voz na casa do Raul!

– Como vocês veem a cena independente de SP hoje em dia? Como é a vida de independente?

Bruno: Cara, é difícil. A galera da cena aqui de SP é muito desunida, as casas não ajudam muito…

Raul: E quando a galera é unida é panelinha!

Bruno: Sempre assim.

Raul: Aí é foda “entrar”. (Risos)

Bruno: Eu mesmo vivo só da banda, tô sempre duro. (Risos)

Raul: Mas tem muita gente que mostrando e dando espaço pras bandas. O Penha Rock tá sempre chamando a galera e fazendo evento pela Zona Leste.

Dum Brothers

– E vocês acham que tem como essa cena melhorar?

Bruno: Isso tem que começar com as bandas se ajudando.

Raul: A galera tem que se unir e correr atrás e não ficar esperando as coisas cair do céu. (Risos)

Bruno: Fazer boicote nos produtores de cota!

Raul: Nossa, é mesmo!

Bruno: Isso de cota tem que acabar. Isso é um roubo pro artista!

Raul: Esses caras ficam escravizando as bandas.

Bruno: Parar de tocar de graça pras casas…

Raul: De graça acho que tudo bem até, dependendo da casa ou do evento… Mas pagar pra tocar é zoado!

Bruno: Isso tudo enfraquece a cena num todo.

Dum Brothers

– Já estão trabalhando em um novo EP?

Bruno: Totalmente! As músicas ja estão todas prontas.

Raul: E a gente ta fazendo mais! Tem tando demo pra fazer que eu perdi a conta já! (Risos)

Bruno: A gente já ta trabalhando no primeiro álbum da banda.

– Opa, me conta mais sobre eles!

Raul: O EP “Pt. 2” a gente vai tentar lançar no começo do ano que vem. Ja o álbum vamos fazer mais musicas e tentar lançar no final de 2017. O sonho do álbum era pegar um sitio ou chacara e ficar gravando e fazendo música lá. Mas ta no sonho ainda! (Risos)

Bruno: Verdade, ainda não temos o sítio pra isso. Mas o EP vai ter a mesma pegada do primeiro. Aos poucos estamos achando nosso som perfeito!

Raul: A gente já pode dizer que as músicas estão ficando mais pesadas. Mas tem umas com umas pegadas estranhas, meio dance, sei lá.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Raul: Eta pergunta complicada! (Risos)

Bruno: (Risos) A gente toca rock, difícil se rotular. A gente deixa isso pra vocês! (Risos) A gente viaja bastante, desde o doom até o soft rock.

Raul: Hard rock dos anos 70… A gente escuta muita coisa e tudo vai parar no som. Uns grunge. Tem uns metal também. Dá pra falar que a gente é Rock Doom Hard Soft Grunge Metal Alternative (risos).

– E quais bandas e artistas são as suas maiores influências musicais?

Raul: Atualmente acho que no ponto de vista “guitarrístico” tenho muita influencia de Queens of the Stone Age, Muñoz Duo, Kyuss, Rage Against the Machine, Elder

Bruno: As minhas são Lynyrd Skynyrd, QueenEagles, Made In Brazil, Hellacopters, Phil Collins, Elton John, os Mutantes

Raul: É! Hellacopters! (Risos) Se bem que as guitarras deles são bem agudas… Porra, Grand Funk também. Às vezes percebo que tem umas harmonias que a gente faz que tenta lembrar um pouco as do Grand Funk.

Bruno: Tem uns batera que curto tipo Fraklin Paolilo, Rolando Castelo Jr , Don Henley, Phil Collins…

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram a atenção de vocês nos últimos tempos.

Bruno: Muddy Brothers!

Raul: Ego Kill Tallent, Huey

Bruno: Water Rats!

Raul: Five Minutes to Go!

Bruno: Picanha de Chernobill!

Raul: Camarones Orquestra Guitarrística (eles tão na ativa faz tempo, mas sempre foram independentes e nunca param de fazer show, são foda!), Muñoz Duo (já falei antes, mas vou falar de novo, porque eles são foda), Far From Alaska (não sei se eles são independentes mais, mas são foda também! Risos)

Bruno: Deck Disc.

Raul: Ah é. Molho Negro lá de Belém do Pará, power trio da hora. Porra, tem a banda OzDois também, eles são foda!

1991: o ano em que o Nirvana (e “Nevermind”) mudou as leis da música

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Há 25 anos atrás, 1991 ficava marcado como o ano em que o rock mudou. O cenário musical passava por mudanças extremas, principalmente com a chegada do CD e a consolidação da MTV e sua promoção de artistas e videoclipes. Entretanto, o cenário rock’n’roll não apresentava sinais de que acompanharia essa evolução, vivendo uma fase tomada por artistas pop e por roqueiros cheios de laquê no cabelo que se arrastavam para permanecerem nas paradas. Tudo mudou em setembro daquele ano, quando Nevermind, o segundo disco de um trio desconhecido vindo de Seattle, foi lançado, e então, os Estados Unidos abraçaram o punk rock mais uma vez.

O Nirvana nunca foi a banda mais importante daquele movimento, denominado pela mídia como grunge. Aliás, era uma banda pequena e que ninguém apostava uma mísera camisa de flanela, afinal, bandas como Soundgarden, Alice In Chains e Mudhoney dominavam o cenário há anos e alguns até já possuíam contrato com gravadoras maiores. Entretanto, foi “Nevermind” quem colocou Seattle no mapa e junto, toda uma revolução grunge de adolescentes, talvez cansados da forma como o entretenimento e o “sonho americano noventista” caminhavam, recheados de sobras da década anterior.

Muito do sucesso do disco deve-se aos vários elementos do rock ali presentes. Temos o peso e a obscuridade vindos da influência do Black Sabbath, a simplicidade e a ira punk dos Sex Pistols, a melodia suave dos The Beatles e muito do lema “faça você mesmo”, vindo de bandas de rock alternativo dos anos 80, como Pixies e REM. O segundo disco do Nirvana tinha tudo para se tornar um clássico.

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Clássico desde a sua capa. Afinal, quem não conhece a imagem do bebê nadando pelado atrás da nota de um dólar? A gravadora logicamente tentou uma censura, mas Kurt Cobain falou que a única opção seria de inserir um adesivo escrito “se você se ofende com isso, é um pedófilo enrustido”. A gravadora voltou atrás e a imagem se tornou uma obra da arte contemporânea.

Em seguida, quatro acordes: F Bb G# C#, repetidos tristemente duas vezes até a explosão da bateria e a inclusão da distorção. “Smells Like Teen Spirit” abre com maestria o disco, nos injetando suavemente tudo o que teríamos pela frente. Muito da fórmula do Nirvana realmente está aí. Versos calmos e refrão pesado. O próprio Cobain citou que tentava soar como Pixies, mas ele foi muito além. Sua letra genial, tomada por passagens das dores de Cobain, atingiu o público, que ouvia ali o reflexo dos problemas adolescentes comuns no mundo inteiro.

Bom, não vou falar de todas as músicas aqui. Todas são boas, pode acreditar! O trabalho de Bucth Vig foi essencial, mas a genialidade de Cobain em suas composições, somada a desenvoltura do baixo de Krits Novoselic e a atitude hardcore agressiva de Dave Grohl (que definiu a formação clássica e ideal da banda), também foram essenciais para a composição desse clássico. Citarei então, as canções mais importantes de um ponto de vista para a banda e relativamente para a história do rock.

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“Lithium” é a quinta faixa do disco. Seus versos depressivos casam perfeitamente com o título, um antidepressivo utilizado em tratamentos psiquiátricos para controle de alternância de humor. E na letra essa alteração é visível. Kurt canta uma falsa felicidade de apoio de amigos e da religião, ele busca uma justificativa de seu fracasso (ele estava deprimido na época, graças ao caminho que a banda seguia e 2 relacionamentos amorosos falhos). Em seguida, volta à sanidade e diz que não irá enlouquecer. E na própria música temos isso, versos calmos, intercalados por refrões gritados e pesados. Uma perfeita alteração de musicalidade em uma das mais belas canções já compostas.

“Polly” é a canção seguinte. Engraçado como ela foi aclamada pela mídia e virou uma sensação das rodinhas de violão. Isso, pelos que se dizem fãs da banda, mas não tem o mínimo de esforço em analisar o trabalho de um artista e apenas acompanham a moda. A canção é baseada em um fato real, em que uma garota saiu de um clube punk rock em Seattle, foi sequestrada e estuprada, porém escapou, graças a um descuido do maníaco. Kurt ficou tão vidrado na história que compôs a canção após ler a matéria e, é claro, colocou suas opiniões em toda letra. Com total crítica ao machismo, a Polly da letra se mostra muito mais inteligente em relação ao molestador, enganando-o e escapando. Kurt mesmo viria a declarar: “se você é racista, sexista e homofóbico, por favor, não venham aos nossos shows, nem compre nossos discos, não queremos vocês como fãs!”, uma clara crítica aos falsos fãs modistas, muitos com os quais Cobain presenciou o estilo em toda a sua adolescência.

E para fechar, texto e disco, temos “Something In The Way”. Canção que retrata o abandono pelo qual Cobain sofreu de seus familiares. Calma, suave e perturbadora, a canção cita como é morar solitariamente debaixo de uma ponte (uma das histórias de Cobain inventadas para brincar com a mídia). Kurt só a apresentou aos companheiros de bandas dias antes das gravações do álbum. Um curinga em sua manga, afinal, ele já conhecia a incrível força dessa música. Durante as gravações, ela não soava como Kurt queria, e então, entrou na sala de Butch Vig e mostrou como ela deveria ser. Vig trancou as portas, desligou o telefone e gravou os tristes sussurros de Cobain. Em seguida, acrescentou todos os outros instrumentos que, com extrema dificuldade, conseguiram acompanhar o desafinado violão de cinco cordas de Cobain.

Volto a recomendar o álbum inteiro. Nevermind é uma jovem obra-prima, não só do rock’n’roll, mas de toda a música mundial. Item obrigatório em qualquer coleção de discos. Se você ainda não o conhece por inteiro, não perca tempo(!!), e veja como é possível fazer um rock simples, pesado e genial. O rock de três cabeludos sujos de Seattle que mudaram a cara do rock, ajudaram no reconhecimento de artistas alternativos e desbancaram Michael Jackson do primeiro lugar das paradas.

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Nirvana – Nevermind | #temqueouvir!

– O DISCO INTEIRO!

Nirvana – Nevermind | #singles

“Smells Like Teen Spirit” | 10 de Setembro de 1991

“Come as You Are” | 2 de Março de 1992

“Lithium” | 13 de Julho de 1992

“In Bloom” | 30 de Novembro de 1992

Nirvana – Nevermind | #ouçaagora!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Mariô Onofre, dos Mescalines

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Mariô Onofre, dos Mescalines
Mariô Onofre, dos Mescalines

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Mariô Onofre, baterista dos Mescalines.

–  Tropic Of Cancer – “The One Left”

Tropic Of Cancer é uma banda formada por Camella Lobo e Taylor Burch com seus synths e vozes trevosas faz com que eu ame essa banda, conheci ela ano passado pesquisando sobre novas músicas e estilo góticos e me apaixonei pela banda e essa foi a primeira faixa que escutei ‘The One Left’“.

Chelsea Wolfe“Tracks (Tall Bodies)”

Chelsea Wolfe é mais uma de minhas ondas góticanas sou fã de carteirinha dessa diaba, o álbum “Ἀποκάλυψις” (Apocalpyse) de 2010 é simplesmente perfeito”.

Reiko Ike“Ame no Hi no Bruusu”

Reiko Ike além de uma atriz era uma cantora erótica ela quebrou muitos paradigmas na época dela onde o machismo reinava no japão, pagava peitinho e gemia nas músicas antes de Jane Birkin“.

Wallacy Willians“No Auge do Seu Delírio”

“O Wallacy além de ser um amigo é um artista muito talentoso com letras ótimas compõe 5 músicas por dia seu cérebro é uma maquina de hits obscuros”.

Os Haxixins“Davi e seus Lírios”

Os Haxixins é a banda que me fez acordar pra música e viver fazendo música também, formamos uma amizade muito maluca e intensa e me lembro de muita coisa ou pelo menos o que restou no cérebro. ‘Davi e seus Lírios’ é a faixa que veio na minha cabeça agora desta incrível banda da Zona Leste de São Paulo.”

Breaking News: 13 clipes independentes lançados esta semana que você precisa conhecer

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A banda Sex Stains
A banda Sex Stains

Sex Stains“Period. Period.”

Dirigido por Christopher Slater, o divertido clipe realizado em um dos banheiros mais grafitados que já vi (não, não é o do CBGB’s, apenas similar) traz uma das faixas do primeiro disco da banda Sex Stains, lançado pela Don Giovanni Records:

Evil Matchers“Headfuck Baby”

O primeiro clipe da banda conta com imagens capturadas durante o show em que que o Evil Matchers abriu o show para Richie Ramone em Belo Horizonte no começo do mês. A produção é de Diogo Dias Soares.

Red Fang“Shadows”

O Red Fang tem o maior “Grohlismo” em fazer clipes engraçadinhos para suas músicas. Em “Shadows”, a banda é atacada por sombras a la Predador que roubam sua comida/cerveja. A faixa fará parte do disco “Only Ghosts”, a ser lançado dia 14 de outubro pela Relapse Records.

Marzela“Ash Wednesday”

Um pouco de ska para animar seu dia. O clipe do Marzela, dirigido por Rodrigo Sonnesso e André Rossetto e produzido por Muka Badelatto e Marzela é uma homenagem em memória de Gustavo Delacorte (1986- 2016).

Tancred“Pens”

“Pens” é uma grande faixa do disco “Out of the Garden”. Dirigido por Adam Weinberg, o clipe é ótimo e muito bem produzido. Acrescentou bastante ao som.

Wolf People“Ninth Night”

O disco “Ruins” do Wolf People sai no dia 11 de novembro pela Jagjaguwar e ganhou um clipe mezzo retrô mezzo cheio de filtros para a faixa “Ninth Night”.

Ian Sweet“All Skaters Go to Heaven”

Se todos os skatistas vão para o céu eu não sei, mas o clipe de Ian Sweet mostra sua caminhada com o skate debaixo do braço pelas ruas de Boston em um clipe dirigido por Andrew Gibson. A faixa faz parte
de seu primeiro disco, “Shapeshifter”.

Atomic Winter “Concrete Squall”

O recém-lançado clipe de “Concrete Squall”, do álbum “Tsunami Survivor”, foi filmado em Goiânia, em julho de 2016, com imagens da Mídia Ninja. A direção é de Fábio Marques e Heitor Lima.

Chromatics“I Can Never Be Myself When You’re Around”

Do disco “Dear Tommy”, lançado pela Italians Do It Better, o clipe é totalmente DIY e foi filmado e editado pelos próprios Chromatics. Aliás, caso algum dia eles leiam isso: parabéns à banda pelo resultado!

Chalk Outlines“Yellow Lights and Yellow Lines”

O segundo videoclipe do Chalk Outlines foi gravado em julho de 2016 e lançado esta semana. Um dia na mesa com cervejas, tédio e edição de Erick Barros para a faixa “Yellow Lights and Yellow Lines”.

HEXVESSEL“Drugged Up On The Universe”

Não sei muito bem descrever a doideira que é o clipe do HEXVESSEL. Assista por si só a faixa tirada do disco “When We Are Death”, lançado este ano pela Century Media Records, e tire suas próprias conclusões. O diretor é David Fitt e conta com a atriz Maria Yakhnenko e o ator Fabien Alleau como “O Xamã”.

Slinky Johnny“Painters”

A banda de São Paulo e a atriz participante fizeram tudo sozinhos neste clipe lo-fi muito bacana. Vale a pena ouvir o som do Slinky Johnny no Bandcamp.

Belle Ghoul“Care Of Cell 44”

Filmado e editado por Autumn Luciano, o clipe estrelando Stella Swoon Song faz parte do disco de Belle Ghoul “Songs By Other People”, lançado pela Elefant Records.

The Mobbs“Mojo Degradation”

O primeiro clipe do disco “Piffle!”, estreia do The Mobbs pela Dirty Water Records. E quando vem da Dirty Water normalmente é coisa linda!