5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Dija Dijones, do Loyal Gun, Chabad, Penhasco, O Apátrida e Schwarzenbach

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Dija
foto: Fabrício Vianna

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Dija Dijones, baixista da Chabad e guitarrista da Loyal GunPenhasco, O Apátrida e Schwarzenbach, além do Stranger Than Fiction (banda que toca canções do Bad Religion), Debaser Pixies Cover Brasil e em um tributo ao R.E.M. Além de tudo isso, Dija também faz parte da Howlin’ Records e tem alguns projetos autorais em curso!

Arcwelder“I Promise Not to be an Asshole”

“Pérola perdida dos anos 90 dotada de título autoexplicativo. A canção é um belo pedido de desculpas e um jeito de expressar sentimentos de uma maneira bem longe de ser considerada piegas. Não sei se é destas coisas que passamos a constatar a partir do retorno de Saturno e toda essa simbologia que acompanha as três décadas de existência, mas sinto falta desta capacidade de demonstrar sentimentos de maneira genuína e de sinceridade nas pessoas em algumas ocasiões. Portanto, façamos como o título da canção. E que não seja apenas uma promessa”.

Sucioperro“The Drop”

“Não é bacana ouvir uma música que te empolgue assim que você acorda? Algo que te ajude a se animar para encarar trânsito, ônibus e metrô lotado, trampo pesado… Pois bem, esta era a música que eu gostava de ouvir em dias que prometiam ser assim, ou seja: todos. Em meio a tanto caos, ter um bom refrão em mente para servir de mantra e nos colocar de volta aos eixos é vital para a saúde mental. Adote um, se ainda não o tem”.

Beezewax“Sign Of Relief”

“Esta é uma banda norueguesa de powerpop dos anos 90. Seu vocalista, Kenneth Ishak, já esteve no Brasil para alguns shows solo e foi um fato inusitado para mim. Geralmente é o fã que fica extasiado de encontrar alguém que admira, mas, neste caso, foi o artista que ficou entusiasmado de encontrar um fã tão longe de casa. Ficamos amigos e isso me fez repensar muita coisa sobre o ideal de um relacionamento artista/fã. É preciso humanizar mais isso, de ambos os lados: o fã não precisa colocar o artista em um pedestal e o artista não precisa estar lá. Todos ganham”.

Tidal Arms“Past Prosperity”

“Sou absolutamente apaixonado por The Sun Exploding, o disco que contém esta canção. Diversas referências podem ser dadas para sugerir a audição deste disco. A mais vaga é o balaio de gatos que chamam de experimental rock. A que tenho em mente é de uma simbiose entre o tal emo revival, o stoner de inclinação mais moderna e talvez algo de post rock. Pode ser também que não tenha nada a ver com isso, mas só o fato de causar este tipo de confusão em relação à sua conceituação, para mim já é um disco digno de atenção”.

Turbo“Gibson”

“Esta é uma das minhas bandas nacionais favoritas atualmente. É rock, é pop e as letras são bacanas, como a desta música que é praticamente parte da história da minha vida, assim como é a história de uma enormidade de pessoas que continuam formando bandas Brasil afora, gastando o que têm e o que não têm em instrumentos, equipamentos, gravação, etc., para fazer um tipo de música que não é popular e tudo isso por um único motivo: por gostar demais de fazer isso. É algo de um romantismo ímpar e, muitas vezes, incompreensível. Pelo mesmo motivo, também é fascinante”.

“The Bends”: o jovem e visionário segundo álbum do Radiohead

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“The Bends” é o segundo álbum do quinteto britânico Radiohead e o responsável por ditar as primeiras mudanças sonoras que a banda teria a partir dali.

Com o enorme sucesso alcançado com seu álbum de estreia, “Pablo Honey”, graças ao single britgrunge “Creep”, muito se esperava do segundo trabalho do Radiohead. Com isso, a banda se deparava com um grande dilema: seguir com a atitude adolescente que os apresentou ao mundo ou focar em uma mudança com os reais ideais sonoros da banda?

O Radiohead foi além. Gravou a sua obra-prima. Muito com os ruídos do trabalho inicial, mas também com a injeção milimétrica dos elementos eletrônicos que estariam presentes em todos os trabalhos seguintes da banda.

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Com “The Bends”, o Radiohead nos introduz uma obra sólida, suave e devastadora. Desde de sua abertura, com a agressiva e futurista “Planet Telex”, até chegar à fantasmagórica ópera urbana “Street Spirit (Fade Out)”. Aqui, o Radiohead soa perfeitamente jovem e visionário.

O álbum consegue emplacar deliciosas e inteligentes baladas acústicas com “High And Dry”, “Fake Plastic Trees” e “(Nice Dream)” e, ao mesmo tempo, oferecer misturas complexas de ritmos, cordas e efeitos, com “Bones”, “My Iron Lung” e “Black Star”.

No geral, “The Bends”, lançado em 1995 pela Parlophone, é pandemônio sonoro que possui um conceito. Obra-prima da banda, um dos melhores da década e a distorção sincera e inicial de uma das melhores bandas de rock alternativo de todos os tempos.

RADIOHEAD – THE BENDS | Curiosidades

– “The Bends” foi gravado entre agosto e novembro de 1994, em três estúdios: Abbey Road e RAK, em Londres, e The Manor, em Oxfordshire.

– É considerado pela Rolling Stone como o 110º melhor álbum de todos os tempos.

– Está presente no livro 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer.

RADIOHEAD – THE BENDS | #temqueouvir

01. “Planet Telex”
03. “High And Dry”
04. “Fake Plastic Trees”
05. “Bones”
07. “Just”
08. “My Iron Lung”
12. “Street Spirit (Fade Out)”

RADIOHEAD – THE BENDS | #ouçaagora!

Breaking News: 7 clipes independentes lançados esta semana que você precisa conhecer

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Deville
Deville

Tamarindo“Borbulhante”

O novo clipe da Tamarindo é para a música “Borbulhante”, presente no disco “Lado B”. Com imagens editadas de registros de diversos amigos, o clipe remete às colagens do rock alternativo dos anos 90. Editado, produzido e finalizado por William Meurer.

 

Water Rats“Mad Dog”

O terceiro single do álbum “Hellway To High” do Water Rats ganhou um clipe dirigido por Denis Carrion filmado em Sevilha, na Espanha.

La Lenguas“Broken Heart Disease”

No clipe de “Broken Heart Disease”, dirigido por Christopher Stoudt, um cara literalmente arranca o próprio coração do peito. É lógico que uma ideia dessas não ia dar certo…

Ian Sweet“#23”

Dirigido por Eleanor Petry, o clipe de “#23” mostra a vocalista do Ian Sweet Jilian Medford caminhando pela cidade em uma atmosfera de sonho. A faixa faz parte do disco “Shapeshifter”.

Love Talk“Rotella”

Sinta-se de volta aos anos 90 com o novo clipe da banda de Manchester, “Rotella”. Dirigido por Emil Klitsgaard, o vídeo é uma pérola do britpop que acompanha o som delicioso do Love Talk.

Saturn Creatures“Keep Going”

Embrenhe-se na floresta com o Saturn Creatures e keep going no novo clipe da banda:

Deville“What remains”

Tirada do disco “Make It Belong to Us”, o clipe de “What Remains” é uma doideira com os caras vestidos em camisolas dirigindo um Cadillac De Ville 67. A direção é de Henrik Christoffersson.

“Paradas de sucesso são um pensamento retrógrado”, brada Pedroluts

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Pedroluts
Pedroluts

Passando longe de qualquer pretensão de atingir os ultrapassados hit parades das rádios FM, a voz gutural de Pedroluts, que remete à Tom Waits e ao Bob Dylan dos últimos tempos, chegou a receber elogios da Ilustrada durante uma apresentação com sua antiga banda Hooker’s Mighty Kick durante a Virada Cultural (em uma sacada de um apartamento próximo ao palco do Arouche). A influência da dupla é inegável também no som do projeto musical, que bebe do folk, blues, rock e soul, tudo regado a Jack Daniels com algumas pedras de improviso aqui e ali.

Com um EP no Soundcloud (“The Chair”) e várias músicas soltas pela internet, Pedroluts ainda não tem planos para o futuro de seu projeto. “Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo”. Por enquanto, ele participou do tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”, organizado pelo Crush em Hi-Fi em parceria com o Hits Perdidos, mandando uma versão matadora e elogiada de “Não Vou Me Adaptar”, e fará parte da banda que promete uma jam com versões de clássicos da banda no lançamento do tributo neste domingo na Associação Cultural Cecília.

Conversei com Pedro sobre sua carreira, os projetos por onde já passou, influências e sua versão para “Não Vou Me Adaptar”.

– Como você começou seu trampo musical?

Meu trampo musical como Pedroluts? É uma descoberta e garimpo que já dura uns 15 anos. Acho que o Pedroluts ainda está em formação, mas agora tenho uma noção melhor do que quero e do que não quero… É um processo divertido de ressignificar a si mesmo e encontrar as brechas a serem exploradas, mesmo que dentro do mesmo contexto (atualmente, mais pro folk e blues).

– Você falou que tá “mutando” o projeto Pedroluts há cerca de 15 anos. Como foi essa metamorfose e por quais fases o projeto passou?

Poutz… Nem eu sei ao certo. Acho que é só uma confluência das coisas que fiz ao longo dos anos e dos quais quero ter uma relação mais pessoal. Já toquei em bandas de thrash metal (o que voltarei em breve) e acho isso muito foda, mas não vejo isso atrelado diretamente ao que quero fazer como Pedroluts.

– Quais são as principais influências musicais que você vê refletidas (ou já viu) no trabalho deste projeto? Mesmo que não sejam explícitas no som.

Isso muda de tempos em tempos, mas hoje é basicamente: Bob Dylan, Tom Waits, Ray Bonneville, Sean Rowe, Raul Seixas, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker, Titãs… Acho que é isso. Mas mais do que as influências de estilo, vejo também influência de perfil… Quase todos esses caras trilharam seu caminho de maneira intuitiva e pessoal. Tem outros que me influenciaram, mas que não estão aí. Glenn Gould é um ótimo exemplo. Ele é um pianista canadense de música erudita, mas cuja abordagem à arte diz muito pra mim.

– Falando em Titãs, como foi a sua participação no tributo “O Pulso Ainda Pulsa”? Como foi a escolha do som e a transformação que você fez nele?

Primeiro, foi uma honra ter participado. O Titãs tem um protagonismo nas minhas escolhas musicais – foi uma das primeiras bandas de rock que eu comecei a ouvir. E o disco “Go Back” foi meu primeiro contato com a banda. Então, apesar de gostar muita coisa dos Titãs, principalmente as mais recentes, sabia que minha escolha tinha que ser algo deste disco. Daí veio “Não Vou Me Adaptar”. Minha versão foi uma humilde releitura da canção. Para mim, ela sempre foi uma visão sobre a adolescência e suas mudanças, mas achei que ela poderia ganhar uma versão mais velha, com ares carrancudos e ranzinzas. Tentei algumas versões até que encontrei a mudança que seria o foco da minha: mudar o tom maior para tom menor. Isto mudou consideravelmente a música e me deu liberdade para dar a abordagem que eu queria. O resto foi consequência de improvisos e experimentações, com esse arranjo “a la polka”, digamos assim.

Pedroluts

– E você vai participar da banda que vai fazer a jam no evento do lançamento, no dia 28. Como vai ser?

Pelos ensaios vejo que vai ser algo bem divertido. Muito mais do que um tributo ou homenagem, é uma celebração a uma banda essencial para a música brasileira. Não será uma continuação do tributo lançado, mas uma extensão… um complemento em carne e osso.

Saiba mais e confirme presença no evento, que acontece dia 28 (domingo) aqui:

O Pulso Ainda Pulsa flyer

– Fale um pouco do material que você lançou até agora.

O pouco material que lancei é fruto de uma série de coisas: músicas que fiz anos atrás, canções recentes, covers… vejo cada música como uma pessoa – com sentimentos e humores. Então minha ideia é tentar interpretá-la conforme seu momento e minhas intenções.

– Você acha que a internet ajuda ou atrapalha o artista independente?

Os dois. Por um lado é uma maneira única de se conectar com diferentes pessoas – o próprio Tributo aos Titãs é uma prova positiva deste potencial. Aliada à internet, a facilidade em gravar vídeos, sons e afins auxilia na divulgação e na disseminação de algo que seria local e para poucos. Por outro lado, esta coisa sob demanda e individual – ouvindo músicas no fone de ouvido ou assistindo clipes/shows no seu computador ou tablet – torna a experiência menos coletiva. É uma tendência ao carregar seu mundinho dentro do seu celular, mas se paga um preço por esta praticidade, como não se deparar com o inusitado ou curtir o momento de um show – ao invés de apenas querer registrá-lo. Acho que atualmente menos pessoas estão dispostas a ver coisas novas ao vivo, justamente pelo fato de não poderem “zapear” com a mesma rapidez que podem garimpar na internet e no conforto do lar, por exemplo.

Pedroluts

– Qual a melhor e pior parte de ser um artista independente hoje em dia?

Não sei como é não ser, mas ser independente é bom e ruim pelo mesmo motivo: você é seu próprio chefe. Você tem a liberdade de levar sua arte para qual caminho quiser, mas também é preciso ser a pessoa chata a se cobrar para ter algo relevante, sem ter uma equipe ou uma estrutura de produtora por trás.

– Você acredita numa retomada do rock às paradas de sucesso no Brasil?

Eu não acredito mais nas paradas de sucesso. É um pensamento retrógrado.

– O que falta para fortalecer a cena independente brasileira, como já aconteceu nos anos 90 e 2000?

Acho que falta uma mobilidade maior de todos. Atualmente São Paulo está recebendo algumas iniciativas bem legais, com casas que abrem as portas para bandas novas e, principalmente, autorais. Sinto que aquela tendência de bandas covers está diminuindo. Espero, pelo menos, que isto aconteça. Uma coisa é celebrar a música, como fizemos no tributo, outra coisa é se apoiar no sucesso do passado para se assumir como uma comida requentada no microondas – sem gosto ou essência. Com a abertura destes espaços, as pessoas vão começar a mudar o modo de consumir a música – diminuindo as relações com o passado (como é o caso das bandas covers) e ampliando a tendência de assimilar coisas novas.

– Quais os próximos passos do Pedroluts em 2016?

Não sei ainda. Preciso me reunir com meu chefe para isso, mas nossas agendas nunca batem (risos).
Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Essa é uma pergunta muito injusta porque sempre me esqueço de incluir um ou outro. Mas alguns sons que tenho ouvido são: O Terno (cujos clipes são fodaralhásticos), Céu, Elza Soares, Sean Rowe (que lançou um EP pelo Kickstarter recentemente), Cerveblues Band (toda quinta no Cervejazul… mais que necessário para quem está em SP), Nasi, Wander Wildner… acho que é isto que me vem na cabeça agora.

Ecléticas e envolventes: conheça as pérolas escondidas nas trilhas dos jogos da FIFA

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FIFA Soccer

Hoje não vamos falar de cinema, muito menos de série. Mas nem por isso trilha sonora vai ficar de fora, é claro. Ainda em meio a clima olímpico e ouro inédito no futebol masculino vamos falar de outra paixão nacional: vídeo games.

ALLEJO
Allejo, o eterno “Pelé” do jogo International Superstar Soccer (SNES)

Recentemente vimos um vencedor de prêmio Puskas, o até então semi-desconhecido Wendell Lira, virar gamer profissional. O jogador que pouco tempo após o gol – marcado pelo Goianésia durante o modesto campeonato goiano –  foi dispensado do time que disputa a quarta divisão do campeonato nacional.

Após a fama “meteórica”, ele teve propostas de times do Brasil todo, acabou até fechando um contrato com o Vila Nova (Goiás) que após 3 jogos foi rescindido. Ele até teve propostas de outros clubes como o Audax (do Vampeta – ex-Corinthians e pentacampeão), mas aos 27 ele “aposentou as chuteiras” e migrou para o futebol de apartamento.

Sobre sua decisão, Wendell até falou um pouco para o Uol no fim de julho:

“Decidi que é hora de parar”, disse o jogador em vídeo promocional. “Várias situações me motivaram a essa decisão. O gol marcou minha carreira, foi inesquecível, mas eu tive muitas desilusões no futebol. Infelizmente há pessoas boas, mas há pessoas muito ruins no futebol, que não pensam na família ou no jogador.

Tive muitos problemas e como eu já era um apaixonado por games, recebi uma proposta muito boa para iniciar este projeto, que me levaria a ter um futuro melhor, já que no futebol teria mais três ou quatro anos de carreira em um nível intermediário. Todos sabem a dificuldade dos clubes menores. Foi a melhor decisão”

Caso se interesse por saber mais sobre o novo rumo de Wendell dentro das quatro linhas – virtuais – do FIFA fique por dentro através de seu canal de youtube WLPSKS.

FIFAR
“Os bugs” de FIFA costumam fazer sucesso na internet

No dia 27 de setembro (29 no resto do mundo) chegará ao mercado norte-americano a vigéssima quarta edição da franquia de games FIFA. Um game muito esperado, pois será a primeira que teremos o adendo do futebol feminino, algo que é pedido já a muitos anos e que FINALMENTE ganha espaço. Outra novidade será que veremos os treinadores “trabalhando” de dentro do campo e será possível interagir com eles.

Muita coisa mudou desde o início do jogo que foi ao mercado pela primeira vez no fim de 1993 e já passou por um número vasto de consoles, tendo até desdobramentos como Fifa Street e Fifa World Cup. Muitas ligas foram adicionadas, direitos de imagem foram negociados e os gráficos a cada ano que passam ficam mais realistas. Sem esquecer, claro, da jogabilidade, do modo “manager” de carreira e das trilhas sonoras. E é neste ponto que queria chegar: vocês já pararam para prestar atenção nas pérolas que as soundtracks de FIFA possuem?

Hoje irei fazer algo diferente: ao invés de dissecar faixa a faixa a trilha de uma edição, vou escolher algumas para destacar. Acredite se quiser, vocês irão se surpreender. E funcionará perfeitamente como aquecimento para revelação da trilha de FIFA ’17 – algo guardado a sete chaves pela equipe da EA SPORTS.

Em 2016 tivemos a aparição da banda brasileira sensação: Baiana System. Misturando o axé baiano, o som dos som sistemas, reggae, cumbia, afroxé e beats eletrônicos que têm conquistado não só o coração dos brasileiros, mas o mundo. No game, “Playsom” traz toda essa conexão Brasil-Kingston-Berlim para nossos ouvidos. Quem já pôde vê-los ao vivo nos conta que a energia da combinação destes ritmos é envolvente como a energia de uma escola de samba.

Ainda na trilha de 2016, quem traz a energia para as pistas de dança é o grupo colombiano Bomba Estéreo. Com a explosão do reggaeton e o sucesso de M.I.A., este tipo de som têm ganhado adeptos ao longo dos anos. Eles se denominam como eletro-tropical ou cumbia psicodélica. O que importa é que é ficar parado não é opção após o play:

Mas fiquem calmos que a última edição não tirou o espaço do rock alternativo – que sempre tem espaço nas trilhas do jogo – da área. E porque não uma banda portuguesa que tenho contato a alguns anos e transmite uma energia muito boa, o X-Wife?

A música que participa da soundtrack é “Movin Up”, que tem uma levada lo-fi descompromissada misturada com beats eletrônicos e metais. Segue aquela linha do Cansei de Ser Sexy e Bombay Bicycle Club. Certamente irá conquistar fãs de Arctic Monkeys, Kasabian e The Knife:

Direto da terra do Tame Impala e com influências de Of Montreal e Devendra Banhart e do polêmico Kanye West vem o The Griswolds. Aliás, ela é altamente recomendável para fãs de Passion Pit, tendo inclusive excursionado juntas. Na tracklist de FIFA ’15 eles aparecem com a festiva e inocente “16 years”.

Dez anos após o lançamento do icônico álbum de estreia, o duo canadense Death From Above 1979 lançou seu segundo disco. Muitas faixas estavam “engavetadas” do primeiro trabalho e soam como continuação do disquinho. Para coroar toda essa espera, a trilha de FIFA ’15 conta com “Crystal Ball”, uma canção para fritar na pista de dança.

Em 2014 quem chegou “tombando” tudo foi Karol Conka. Mas a canção que embala o tom da prosa não foi “Tombei”, e sim “Boa Noite”. A rapper curitibana mostrou seu poder e som contagiante desde então em uma subida que parece não ter limites:

Mas é nas diferenças que as trilhas de FIFA ganham seu brilho. Representando a música inglesa e seu rico cenário eletrônico temos o Crystal Fighters que em 2013 chegou junto com seu eletro-folk tribal. A festa ficou ainda mais contagiante ao som da eletrizante, “Follow”:

Misturando rumba, flamenco, música eletrônica e música latina direto da Espanha temos a Macaco. Assim como o Gogol Bordello, o conjunto catalão contém membros de países do mundo todo (Brasil, Suécia, Camarões, Venezuela e Espanha), e tem na mistura sua força motriz. No FIFA ’12, “Una Sola Voz” está presente na trilha. O grupo já esteve presente no FIFA ’09 e FIFA ’10 com respectivamente “Moving” e “Hacen Falta Dos”.

A  Ana Tijoux é francesa de nascimento mas escolheu o Chile como terra de coração e solta suas rimas com primor em “1977”, faixa que faz parte de seu quinto álbum solo, que teve sucesso tanto na América Latina como nos EUA. A soundtrack de FIFA ’11 não foi a única que a utilizou: a série Breaking Bad também adicionou a cantora a seus discos de cabeceira.

Uma das mais emblemáticas e importantes bandas do ska argentino não ia ficar de fora dessa festa: com todo gingado boleiro, Los Fabulosos Cadillacs faz um gol de placa – na trilha de FIFA ’10 – com “La Luz del Ritmo”.

O consagrado duo norueguês de música eletrônica Röyksopp dominou no peito e após driblar o adversário bateu para o gol com a viajante “It’s What You Want”. O som deles mistura o ambient, o house, o drum & bass com ritmos latinos. Um destaque que quem joga não verá – se não procurar no Google – é o visual excêntrico dos estranhões que em sua carreira tem uma indicação para o Grammy.

As descobertas não param e direto da Bélgica – um país que tem uma diversidade musical incrível – temos Zap Mama. Se eu não tivesse lido que a artista é de lá eu jamais chutaria que é belga, porém o som me deixou intrigado desde a primeira nota. É uma loucura sonora de um mistura interessantíssima: hip-hop, nu soul com elementos de jazz e pop. Com raízes musicais africanas, ela canta em inglês e em francês. Na trilha de FIFA ’10 ela aparece com “Vibrations”.

Voltemos ao bom e velho rock’n’roll: em 09′ quem deu as caras foram os escoceses do The Fratellis com “Tell Me a Lie”, canção presente no segundo disco do grupo – Here We Stand” (2008). O grupo liderado por John Fratelli ficou sem lançar nada até 2013, após neste período anunciar um longo hiato e John se arriscar em carreira solo.

Uma das canções mais conhecidas das gêmeas idênticas do The Veronicas, “Untouched”, está presente –  no jogo de ’09 – com seu eletropop/alternativo. Uma curiosidade é que , ex-Holly Tree, lá em 2008 tocou como guitarrista no conjunto.

Em 2008 uma das bandas que eu mais gosto da Australia, The Cat Empire, entrou na trilha do game com o hit “Sly”. O mais curioso é que o som da banda tem uma veia latina fortíssima com seu jazz que mistura ritmos latinos com o ska, o funk, o rock e até um pouco da salsa. Já pude presenciar o show deles em três oportunidades e digo e repito: Não perca de jeito nenhum em uma futura visita ao país.

No mesmo ano temos uma banda da Alemanha, mas calma: não vou anunciar mais um gol do Khedira, por mais que o grupo represente muito bem a música pop germânica. Lembro quando ouvi pela primeira vez a canção “Nur Ein Wort” na MTV Europa e ter escrito num post-it para baixar depois – em meados de julho de 2005 (9 anos antes do fatídico 7×1).

Enfim, na trilha temos Endlich Ein Grund Zur Panik”, canção que conta com um divertido clipe que “tira onda” com a imagem dos super heróis e vale a pena apertar o play. 

Em 07′ a Coréia do Sul foi representada pelos “bizarros” e aleatórios Epik High. A canção não é muito minha cara com seu hip hop made in Seoul. Porém a título de curiosidade segue o o clipe de “Fly”:

Mas se estamos falando de música diferente feita ao redor do mundo, porque não um Nu Metal italiano? E assim chegamos a soundtrack de FIFA 06′ com Inno All’Odio” do LINEA77. Eu não sei vocês, mas eu nunca tinha parado para imaginar Nu Metal feito em italiano e achei de certa forma cômico. 

Para fechar a lista de alguns dos muitos destaques e pérolas dos últimos 10 anos da trilha sonora da série de games FIFA, um clássico. Sim, já podemos afirmar tranquilamente que “Daft Punk Is Playing at My House” do LCD Soundsystem, um dos grandes clássicos dos 00’s.

E desta forma encerramos os trabalhos por hoje com novos sons para agitar sua playlist e também fazer a trilha daquela pelada no fim de semana. Arranje uma caixa de som e bom jogo!

Der Baum criam sua versão de “Mulher Nota Mil” no clipe de “Veronika Robótika”

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Der Baum
Der Baum

Formada no final de 2014, a Der Baum, de São Bernardo do Campo, não esconde suas influências oitentistas. O novo clipe para “Verônica Robótika”, faixa-título do mais recente EP do grupo, mostra bem isso: nele a banda representa sua própria versão do enredo do clássico da Sessão da Tarde “Mulher Nota Mil”, em que nerds conseguem criar uma mulher usando o computador. Mas no caso do Der Baum, a mulher virtual se revolta e não aceita ser comandada por seu criador.

Formada por Ian Veiga (teclados e voz), César Neves (bateria), Fernanda Gamarano (guitarra e voz), Lucas Lerina (baixo e voz) e Amanda Buttler (pads, percurssão e voz), a banda mistura new wave, post punk, shoegaze e indie rock. Eles já lançaram os EPs “The Architeture of the City” (2015), gravado em casa, no estudio do tecladista Ian – o estudio Intrínseco, “We Already Live in the Future”, (2015), gravado no Estúdio Costella e co-produzido por Chuck Hipolitho (Vespas Mandarinas) e “Verônika Robótika”, lançado em Outubro de 2015, gravado e co-produzido no Estúdio Costella também pelo ex-Forgotten Boys Chuck.

Em abril de 2016 a banda foi uma das oito bandas selecionadas para gravar um single que fez parte de uma coletânea especial da Levis em homenagem ao modelo de calça 501, ficando entre as mais votadas pelo publico junto com BBGG e Mais Valia. A Der Baum participou também da coletânea “O Pulso Ainda Pulsa”, um tributo em homenagem aos Titãs organizado pelos blogs Crush em Hi-Fi e Hits Perdidos. Agora a banda trabalha em seu primeiro álbum, previsto para 2017.

Conversei com Ian e Fernanda sobre a carreira da banda, o clipe de “Verônica Robótika”, o disco que vem por aí e a participação no tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa” e no evento de lançamento, que rola no dia 28 (domingo):

– Como a banda começou?

Fernanda: A banda foi formada no fim de 2014 por mim e pelo Ian. Juntamos uns amigos de outras bandas pra fazer uma jam, vimos que rolou e continuamos ate hoje!

– E de onde surgiu o nome Der Baum? O que significa?

Fernanda: Der Baum significa ao pé da letra “o árvore” na língua alemã. Como o Ian morou um tempo em Berlim e sabe falar a língua (risos), pensamos q um nome em alemão seria diferente e mais interessante, pois em inglês é muito comum e também não queríamos em português, caçamos no dicionário alemão um nome que soasse legal em português e que não significasse algo sem sentindo para um alemão, aí vimos Der Baum, soou legal e decidimos que seria esse!

– Quais as principais influências musicais da banda?

Fernanda: Nós temos uma influencia muito forte dos anos 80. Misturamos muito new wave, post punk, pop, dance, indie e fazemos tudo isso virar a Der Baum (risos).

– Algum artista, disco ou banda inspira vocês? Cite algumas pra nós!

Fernanda: Muitas! Mas o que inspira quase 90% da banda é o David Bowie! Mas também tem muitas como The Cure, Depeche Mode, New Order, Smiths, Paws, Strokes, CSS, entre outras!

– Me fala um pouco do material que vocês lançaram até agora.

Fernanda: Temos na bagagem 3 EPs lançados! O primeiro EP, “The Architecture of the City”, foi totalmente gravado independente no nosso homestudio (no estúdio Intrínseco). Já o segundo, “We Already Live in the Future”, e o “Veronika Robótika”, foram gravados no Estudio Costella com o Chuck Hipolitho, cada um tem 3 sons, soando mais profissional do que o primeiro, mas sem fugir do do it yourself.

Der Baum
Der Baum

– E vocês acabaram de lançar o clipe da faixa-título do mais recente EP, né? Como foi a produção deste clipe? Qual é a ideia e a inspiração dele?

Ian: Toda produção foi conduzida pelos nossos parceiros do Coletivo Seis da Escola Técnica Roberto Marinho. O clipe foi desenvolvido em cima de referencias que passamos pra eles em reuniões de pré produção… Queríamos algo meio oitentista e eles vieram com a ideia do roteiro e animação. Eles fizeram uma pesquisa extensa assistiram muitos clipes e filmes no fim o clássico do cinema “Mulher Nota 1000” foi uma das maiores inspirações e o tema acabou focado um pouco no esteriótipos femininos de hoje em dia acompanhando o conteúdo do som em si.

– Vocês participaram do tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”. Como foi isso? Qual a relação da banda com o trabalho dos Titãs?

Ian: Eles sempre foram uma referência pra gente, principalmente a fase pós punk e new wave… E em geral pelas composições em português sempre foram uma referência. Por isso a gente topou na hora participar do Tributo. A gente logo atacou a musica e criamos a base em conjunto depois a batera foi gravada em parceria com a banda Abacates Valvulados no Rabbit Hole Estudio do Rafael Coelho. A gente queria que todos cantassem ja que todos são vocalistas na Der Baum. Foi complicado mas deu certo. A gente mixou e masterizou o som aqui no Studio Intrínseco.

Der Baum
Der Baum

– No Der Baum todos são vocalistas. Como vocês trabalham isso? Quem compõe faz o vocal? Como vocês dividem? Mesmo nos Titãs a gente sabe que rolavam algumas discussões…

Ian: Quanto a isso nunca rolou treta, na verdade a gente sempre tenta sentir qual das vozes encaixa com o tema, mas na maioria das vezes as vozes estão todas sempre presentes, em duos ou cantando coros intercalando com o vocal “principal” e não tem isso de meu ou seu som, a gente tenta envolver todos na composição justamente por isso.

– E alguns membros da banda vão participar da ~mega-banda~ no lançamento do “O Pulso Ainda Pulsa”, é isso? Como está rolando?

Fernanda: Sim! Participaremos eu e o Ian! Esta rolando legal com a galera! Acredito que vá ser uma grande festa!

Saiba mais e confirme presença no evento, que acontece dia 28 (domingo) aqui:

O Pulso Ainda Pulsa

– Vocês acham que a internet, com Youtube, streaming e etc, ajudaram ou atrapalharam as bandas independentes?

Ian: Acho que é uma ferramenta muito boa pra bandas independentes pois se a banda não tem contato com selo ou gravadora existe a opção de publicar com essas ferramentas, mas na minha opinião infelizmente a monetização não é justa e tudo se focou nessas redes e outras ferramentas estão quase esquecidas e vender merchan e lotar shows esta cada vez mais difícil. Acho que tudo esta interligado.

– Ou seja: agora a divulgação das bandas está mais “fácil”, mas existem menos conversão disso em pessoas que acabam indo aos shows. Mas será que isso tem a ver com a internet ou essa geração não está tão interessada em música fora do circuito mainstream como antigamente?

Ian: Acho q não esta fechado a esse público não, digo não é exclusivo da geração mais nova. Tem muita gente nova que pesquisa referências novas e antigas e muita gente mais velha que se fechou em casa também acho que o problema é generalizado e as pessoas estão se isolando em geral e esperando tudo acontecer em uma mini tela de led.

– Outra coisa que na teoria mudou, mas na prática nem tanto: o machismo continua forte no mundo da música? Como vocês veem isso?

Fernanda: Acho que sim, o machismo ainda existe porem hoje vejo muita mais minas nas bandas, fazendo festa incríveis de lotar e tudo mais. O que ainda falta é a visibilidade e reconhecimento por esse movimento de meninas nas bandas, às vezes ou quase sempre os caras pensam q mina em banda é só pra chamar atenção, mas não, não é… Mulheres também são talentosas e precisam ser mais valorizadas!

– Quais os próximos passos da Der Baum?

Ian: Estamos compondo novos sons para um projeto mais completo. Queremos evoluir nosso conceito para um álbum com mais músicas e estamos tendo o trabalho de fazer isso com muito carinho e detalhe. Será nossa apresentação ao publico nacional. E para esse álbum muitas parcerias massa estão sendo fechadas.

Fernanda: Estamos no momento compondo um álbum que vai conter pelo menos 10 músicas novas, estamos com menos shows por esse motivo, queremos nos focar mais no álbum, fazer ele bem produzido, em breve vamos lançar um crowdfounding.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria ouvir.

Ian: Kid Foguete, Aldo, Two Wolves, Napkin, Iluminight, S.E.T.I.

“Crooked Rain, Crooked Rain” (ou Quando a MTV finalmente reconheceu o Pavement)

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Crooked-Rain-cover

O Pavement havia feito um pouco de barulho (literalmente) na indústria musical com o seu primeiro disco, o aclamado Slanted And Enchanted”. Porém, em 1994, já com uma boa quantia de fãs e alterações em seus membros, a banda lançava Crooked Rain, Crooked Rain”.

O disco apresentava uma tradicional sonoridade tomada pelas belas excentricidades de guitarras e barulhos que se encaixavam perfeitamente nas estruturas quebradas das canções, guiadas pelo vocal preguiçoso e cortante de Stephen Malkmus. Mas a banda havia evoluído, e o ouvinte percebia isso. As letras, assinadas por Malkmus, expressavam ideias um pouco aleatórias, mas que tocavam e representavam bem o cotidiano passado pelos jovens dos anos 90.

pavement-1994

Mesmo sendo um som com passagens experimentais e gravado com técnicas lo-fi, a banda conseguiu firmar um sucesso comercial, com execuções de suas músicas em rádios e TV. A MTV abraçou o vídeo da descomplicada “Cut Your Hair”, que impulsionou a consagração de canções com a mesma estrutura simples, direta e sarcástica, como “Gold Soundz” e “Range Life”, com sua pequena crítica ao Smashing Pumpkins e Stone Temple Pilots.

O segundo álbum do Pavement, “Crooked Rain, Crooked Rain”, pode não ser considerado tão influenciador como o seu antecessor, mas atingiu um grau de sonoridade maior, sendo a base para a expansão do rock alternativo na década de 90 e das bandas de indie rock da primeira década do século XXI.

 

Pavement – Crooked Rain, Crooked Rain | Curiosidades

– O disco foi relançado em 2004 pela Matador Records com o título Crooked Rain, Crooked Rain: LA’s Desert Origins”, no formato duplo, com a inclusão de B-sides, demos e outras raridades.

– Esse foi o primeiro disco do baterista Steve West, que entrou no lugar de Gary Young, e do baixista Mark Ibold e do percussionista Bob Nastanovich.

– A canção “Silence Kid” aparece na contracapa do álbum com um erro de grafia, sendo nomeada como “Silence Kit”.

Pavement – Crooked Rain, Crooked Rain | #temqueouvir

01. “Silence Kid”
03. “Stop Breathin”
04. “Cut Your Hair”
06. “Unfair”
09. “Range Life”

Pavement – Crooked Rain, Crooked Rain | Singles

“Cut Your Hair” | February 1994

“Haunt You Down” | February 1994

“Gold Soundz” | June 1994

“Range Life” | January 1995

OUÇA: Pavement – “Crooked Rain, Crooked Rain”

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por General Sade, da Porno Massacre

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General Sade, da Porno Massacre
General Sade, da Porno Massacre

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Roger Marinho Martin (ou General Sade, no palco), compositor, vocalista e gaitista na banda Porno Massacre, parte do “Coletivo Seres em Trânsito” de estudo de performance e intervenção urbana, ator no Núcleo de Pesquisa e Interpretação do Teatro Ágora e fundador da Companhia Cultural 25do7.

Ariel Pink“White Freckles”

“Eu fui até chato muitas vezes (acho que muitos se lembrarão disso) em como indiquei esse artista, e principalmente esse álbum, para os meus amigos, mas, como não foi suficiente, aproveito para indicar de novo. Ariel Pink é um cara que parece totalmente descompromissado com a sua música, e é isso que faz tudo muito mais legal. As influências pós-punk, pop, góticas, etc, pulam aparentemente sem nenhum critério e vão promovendo mudanças inesperadas, que fazem com que ouvir seus álbuns seja sempre uma surpresa. O álbum que eu considero realmente genial é este “Pom Pom” (2014), que não apresenta um único momento ruim, e olha que são 17 músicas. Dessas, o ápice ocorre em “White Freckles” (algo de DEVO, algo de Gary Numan, algo de trilha sonora do Gaiares do Mega Drive… ou seja, algo muito divertido)”.

Graf Orlock“Days of High Adventure”

“O Graf Orlock é uma banda de grindcore que mistura diálogos de filmes de ação às músicas, o que lhes rendeu o título de pioneira do “cinema-grind”, gênero do qual eu duvido que haja outra banda. O mais legal é que nessa “Days of High Adventure”, eles incluem também um trecho da música do filme Conan, e o resultado é sensacional (leia-se, música pra sentir o universo em expansão). Um detalhe é que são dois vocalistas e um deles precisa que o ouvinte esteja no clima para ouvir a banda, porque o cara soa como um chihuahua asmático. E no fim isso é ótimo, né? Nada de “easy listening”, uma banda que é um desafio ouvi-la”.

Alec Empire“Kiss of Death”

Atari Teenage Riot é muito foda! Mas depois que a banda terminou poucos seguiram acompanhando a carreira solo do vocalista Alec Empire, o que é uma pena. Ele deu uma limpada nas camadas de distorção que às vezes soterravam as músicas do ATR, e conseguiu fazer algo mais, digamos… palatável (se é que essa é a palavra certa quando se trata de Digital Hardcore, rs). Bom, e apesar de meu ábum preferido do cara ser The Golden Foretaste of Heaven (2007) essa “Kiss of Death” é do álbum anterior, “Futurist” (2005). É quase Iggy Pop junto a uma base de bateria e guitarra eletrônica meio desgovernada e que dá um sentido de urgência, força e velocidade! Você escuta, levanta, e sai correndo pela rua porque essa música merece”.

Laranja Freak“Sempre Livre”

“Ouvi esses caras no extinto e saudoso Musikaos, que o Gastão Moreira apresentava na TV Cultura. Logo que ouvi, corri pra Galeria do Rock, procurar algo da banda. Na Baratos & Afins havia apenas uma fita cassete mequetrefe do álbum deles, Brasas Lisérgicas, e que custava o olho da cara (ao menos pra mim, mero cabulador de aula juvenil). Esperei, esperei, e muito tempo depois consegui colocar as mãos em um CD. Essa música era a que havia ficado marcada para mim, “Sempre Livre”. Creio que ela representa o quão única é essa banda. Algo jovem-guarda atualizada, Paulo Sérgio ressuscitado e cantando para as plateias de hoje, Erasmo Carlos pós o embuste do bug do milênio! Sei lá, uma ruptura no espaço-tempo, mas dançante pra burro!”

Eletrofolk“Baião”

“Uma das melhores coisas de se ter uma banda é circular com ela pelas casas e palcos e encontrar a diversidade do que vem se criando por aí. E não é pouca coisa. Com muita qualidade, dedicação… é realmente um presente poder viver tudo isso e fazer essas amizades com essa galera monstra que tá solta por aí. Não poderia, portanto, passar sem deixar aqui uma banda da atualidade, e com quem, felizmente, já tivemos o prazer de tocar juntos algumas vezes. Trata-se do Eletrofolk: músicas bem construídas, show divertido e dinâmico, galera atuante na cena… eles têm de tudo. As músicas são muito boas, mas a que realmente me chamou a atenção foi essa “Baião”. A música apresenta mudanças de tempo e ritmo na tradição das epopéias sonoras como “Bohemian Rhapsody” e “Paranoid Android”, e ainda incorpora a sonoridade nordestina de forma orgânica. É um puta som! E que mexe diretamente com as minhas raízes cearenses! (risos)”

Bonus Track:

Mindless Self Indulgence“Bring The Pain”

“Lá pelos idos de 1999, eu estava em um show do Marilyn Manson, em Long Island,com uma amiga romena, que tinha usado de tudo e mais um pouco, e justamente por isso, desmaiou no show… Eu, carregando ela pra fora, descobri que havia perdido os únicos 50 contos capazes de levar a gente pra casa (passagens de trens e etc). E foi aí que encontramos um cara distribuindo umas fitas cassetes que ele dizia ser da banda dele… E depois, ouvindo, achei bem legal, e eram esses tais “Mindless Self Indulgence”. A fita continha essa música e uma tal “Panty Shot” (bem legal também). Conseguimos, por fim, conseguir uma grana “emprestada” com umas meninas que estavam bem loucas e animadíssimas saindo do show (uma inclusive “vestindo” algo que seria deveras acintoso para a tradicional família brasileira, (risos)) e tomamos todos o trem juntos e voltamos em segurança. Eu, obviamente, com a minha “fitinha” do Mindless no bolso. Meses depois, fui numa festa de rua que estava rolando, e esses caras estavam tocando em cima de uma espécie de trio elétrico… me perdi… Não sei se ainda me encontrei. (risos)”

Breaking News: 11 clipes independentes lançados esta semana que você precisa conhecer

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Der Baum
Der Baum http://bit.ly/DeuZebraa foto por Marcos Bacon #DEUZEBRAA

Der Baum“Veronika Robótika”

A banda Der Baum lançou nesta semana o clipe da música “Veronika Robótika”, que dá nome ao terceiro EP da banda. Produzido pelo Coletivo 6, o vídeo mostra um ~nerd~ usando um programa para construir uma mulher (interpretada pela vocalista e guitarrista Fernanda Gamarano), inspirado no clássico dos anos 80 “Mulher Nota 1000”.

Flour“There She Goes”

Parte do EP “There She Goes”, o clipe do Flour foi produzido por Chris Matthews e lançado pela Defero Productions. Tem aquele visual que infestava a Mtv clássica, com muito chroma key e a banda mandando ver sem medo de ser feliz.

True Widow“Theurgist”

“Theurgist” é o primeiro single do novo disco de True Widow“Avvolgere”, que será lançado em setembro pela Relapse Records.

Gurr“Moby Dick”

A banda de Berlim lançou o clipe de “Moby Dick”, um pouco menos riot grrrl e um pouco mais californiana do que o resto da obra do Gurr. O duo mesmo dirigiu o clipe “de última hora” então, segundo as mesmas “fizemos o que fazemos de melhor e dançamos”. A ideia, segundo elas, era colocar imagens diferentes no chroma key atrás, mas… elas acharam o verde do chroma mais legal.

A. Sinclair“You Got A Heart”

A música, tirada do disco “Get Out Of The City”, lançado pela Dangerbird Records, ganhou um clipe em que um cara tem seu coração roubado por outro rapaz. Digo, LITERALMENTE roubado.

Mestre Xim – “Japan Dreams”

Uma puta animação bacana do Fat Dog para “Japan Dreams”, faixa de “Internação Vol.1”, primeiro disco do Mestre Xim.

The Warlocks“Lonesome Bulldog”

Tirado do disco “Songs From The Pale Eclipse”, o clipe dirigido por Alix Spence mostra um pouco da melancolia solitária que a música traz em sua letra. A banda, formada em 1998, está preparando uma turnê para divulgar o álbum.

The Faint“Skylab1979”

Dirigido por Todd FinkGraham Ulicny, “Skylab1979” faz parte do disco “CAPSULE:1999-2016”, a ser lançado no final de setembro. Clipe e música oitentistas até a medula óssea.

Preoccupations“Degraded”

“Degraded” faz parte do disco auto-intitulado do Preoccupations, que sai dia 16 de setembro pela Jagjaguwar. Dirigido por Valentina Tapia, o vídeo mostra as ruínas de uma paisagem pós-humana, com muita arte abstrata e animação em 2D e 3D.

Truckfighters“Calm Before The Storm”

Tirada do disco “V”, lançado pela Century Media Records, a faixa “Calm Before The Storm” tem um clipe bacana com todo o som stoner elaborado do grupo.

Direct Hit“Promised Land”

A faixa do disco “Wasted Mind” é exatamente o que a banda pretende: pop-punk em sua melhor forma, incluindo os inseparáveis clichês do gênero (pelo menos os mais divertidos).

Wolken apresenta melancolia guitarreira em “Caos Calmo”, seu primeiro EP

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Wolken

O quarteto de Santa Catarina Wolken acaba de lançar seu primeiro EP, “Caos Calmo”. O disco, lançado pela Aquagreen Records, mostra um pouco dreampop elaborado e cheio de influências de Beach House, Real Estate e Mac Demarco. Formada por Felipe (vocal e guitarra), Leo (guitarra), Billy (baixo) e Eduardo (bateria), a banda cria estruturas tranquilas com guitarras limpas e harmoniosas como manda o figurino do dreampop que define um pouco do som da banda. “‘Caos Calmo’ é uma combinação onírica com letras sobre a vida e o tempo em cidades pequenas. Tudo redondo, fechado com capricho no pacote final”, definiu Lucas Paraizo em resenha para o site A Escotilha.

Conversei com a banda sobre sua carreira, o disco “Caos Calmo” e a cena da música independente atual:

– Como a banda começou?

A Wolken começou em um pequeno quarto de uma antiga casa em Alto Benedito Novo, pequeno município de Santa Catarina. Nela, as primeiras reuniões foram encontros esporádicos entre o Leo (Guitarrista) e eu, Eduardo (baterista), para ouvir música e brincar com alguns sons que dificilmente podíamos ouvir nas festas de nossa região. Eram principalmente covers de Real Estate, Mac DeMarco e The Walkmen. Essas reuniões também serviam para contrapor uma certa desilusão com a cena alternativa de nossa região, que permanece excessivamente presa ao boom do indie pós Strokes. Não havia nenhuma ideia sobre montar uma banda nesse período. Mais tarde, o Billy (baixista) subiu a colina pra brincar junto e a coisa toda começou a ganhar corpo. Passamos a brincar com alguns riffs que o Leo havia criado e a sintonia foi boa. A partir desse momento decidimos ir em busca de um vocalista para formar uma banda e levar esses rascunhos à diante. Conhecemos o Felipe (vocalista e guitarrista) pelo Facebook, através de algumas composições interessantes que estavam no Soundcloud dele. Ele se encaixou bem na proposta e a partir daí, tomamos a decisão de gravar algumas músicas.

– De onde surgiu o nome da banda?

Queríamos um nome que pudesse dar uma pista sobre o estilo de som da banda e que, ao mesmo tempo, tivesse ligação com as características desse som. Wolken significa “nuvens” em alemão, e para nós, remete um pouco a esse clima “dreamy’ e a uma certa sensação de melancolia que identificamos em bandas de dreampop, shoegaze e chillwave. A região onde nascemos tem uma forte colonização alemã e por isso, esse nome fez um pouco mais de sentido.

– Quais são as suas principais influências musicais?

De forma individual, os integrantes carregam uma bagagem musical que agrega uma gama de artistas. Desde clássicos como Joy Division e The Velvet Underground, mais recentemente, Modest Mouse, The Walkmen e Beach House e ainda coisas bem frescas como Connan Mockasin. Mas no momento em que começamos a trabalhar em composições próprias com essa formação, fomos influenciados principalmente por bandas de dreampop como Real Estate, Wild Nothing e DIIV. Acho que estas três foram as bases para o nosso processo criativo até aqui.

– Como é a vida de artista independente hoje em dia?

Desde muito novo eu me interessei em ver bandas tocando por aí, e mesmo não podendo constatar isso mais cedo, sempre tive a sensação de que o artista independente tinha muita dificuldade para mostrar sua música. Isso, devido a fatores como qualidade e estrutura dos locais onde eu costumava vê-los. Fazendo parte disso hoje, eu acredito que a parte mais difícil para a maioria de nós é a dificuldade de valorizar e agregar valor ao próprio trabalho. Investir em instrumentos é caro, gravar é caro e grande parte do público de cidades pequenas ainda não carregam a cultura de sair de casa para de fato ouvir e conhecer uma banda autoral. Gostar de uma banda parece ser uma relação estabelecida com algo que “vem de longe”. Certamente em cidades maiores isso já mudou bastante. E o surgimento de vários selos independentes têm ajudado em criar um cenário mais favorável para estes artistas.

Wolken

– Me falem um pouco sobre o material que já lançaram até o momento.

Em junho deste ano lançamos nosso primeiro EP, chamado “Caos Calmo”. Para gravá-lo, buscamos um estúdio da região com boa referência, chamado Take Out. Na ocasião esse cara, o Roberto de Lucena e sua esposa Lola Beli, estavam iniciando as atividades de um pequeno selo independente, chamado Aquagreen Records. Durante o processo, o som foi de encontro ao interesse deles e fomos convidados a integrar o cast do selo. O que nos deu uma boa ajuda adicional com a divulgação do trabalho. Falando especificamente sobre o lançamento, trata-se de um EP de aproximadamente 18 minutos, com 5 faixas que compusemos e gravamos entre dezembro de 2015 e maio de 2016. “Caos Calmo” é um pequeno registro de sentimentos presenciados no dia a dia em cidades pequenas como Benedito Novo, onde o sentimento de melancolia por vezes se mistura com uma sensação etérea de tranquilidade. Foi basicamente este sentimento que tentamos passar com esse trabalho.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Nosso som é simples e melancólico, pra ouvir tomando uma cerveja em casa, na madrugada ou num sábado de sol com os amigos. E eu faço questão de frisar esse ‘simples’, porque eu não sou um bom guitarrista, em termos técnicos. E se analisarmos artistas como Real Estate e Mac DeMarco, o nível técnico não é alto, mesmo assim o conjunto cria algo sincero e bonito. É era isso que eu queria. É um aspecto democrático, quase. O fato de o Mac DeMarco usar a mesma guitarra de trinta dólares que ele usava desde a adolescência até recentemente é algo que encoraja as pessoas a se arriscarem também. Eu criei todas as composições com uma guitarra Michael que meu irmão ganhou quando eu tinha 13 anos, e sem nenhum tipo de pedal. Eu adaptei tudo depois só na hora da gravação. Eu acho que já chegamos muito perto do que eu eu tinha em mente para o nosso som nesse primeiro EP. Mas ter a oportunidade de criar uma música com uma maior diversidade de equipamento ajuda muito. Podemos experimentar mais. Estamos fazendo isso nesse momento.

– Vocês acreditam que o rock pode se reerguer novamente no mundo dos sucessos mainstream?

Consideramos que o termo “rock” perdeu força por conta da grande polarização de estilos musicais que têm surgido a partir dele nos últimos tempos. Ao mesmo tempo existe um estigma por conta de quem tenta “proteger” o rock como algo rotulável. Quando a internet não estava disponível e o acesso à troca de informação não era tão rápido e fácil, talvez fizesse mais sentido vincular os estilos a rótulos mais convencionais e ancorais, como rock e pop, por exemplo. A nossa banda, por sinal, pode muito bem não ser considerada uma banda de “rock”. Mas essa polarização é muito boa pois você consegue se conectar mais diretamente com um público mais específico. Os artistas de cunho mais pop (e esse termo também é bem relativo) que permeiam o mainstream, e talvez um bom parâmetro seja o “hot 100 Billboard” são artistas ligados à gravadoras gigantescas e com um alto investimento em produção. São produtos de alcance global. Se a música chegou até você sem você procurar muito por ela, então esse é um produto pop. Com a grande tendência atual de ouvir música “on demand” e encontrar praticamente qualquer artista independente na internet, acabamos ganhando uma opção muito sincera e democrática de se comunicar com o público. Por isso, seja qual for a definição de “rock” de cada um, ele parece funcionar melhor longe daquele formato puramente industrial. Ao longo do tempo, a maioria das vertentes ligadas ao rock se adaptaram ao fato de estarem nas lacunas.

– A música independente saiu ganhando ou perdendo com a queda da indústria e a ascensão da internet?

Certamente os artistas independentes ganharam um grande impulso. Hoje em dia, qualquer pessoa pode subir sua música na internet e se aproximar do seu público. No nosso caso, por exemplo, surgiram coisas antes impensáveis, como contato de gente que gostou do som na Holanda. É claro que isso acarretou em um inflacionamento de artistas. Em muitos casos, o consumidor precisa de 15 segundos ou menos pra decidir se vai continuar ouvindo o seu som. Mas ainda assim, essa continua sendo a forma mais democrática de divulgar o trabalho. Então certamente o artista independente ganhou muito.

Wolken

– Quais os próximos passos da banda?

No momento, estamos em uma sequência de shows pela nossa região com o intuito de divulgar o “Caos Calmo”. Em seguida temos planos de gravar uma sessão ao vivo para nos aproximarmos mais do público. Mas o próximo passo mais importante é tirar da gaveta uma boa quantidade de ideias acumuladas e começar a trabalhar em músicas para um primeiro álbum que pode sair já no ano que vem. Mas tudo vai depender do processo criativo como um todo.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

É sempre um prazer! Tem o pessoal do Não ao Futebol Moderno e o Home no RS que acabaram de lançar os seus primeiros álbuns. Ambos realmente muito interessantes. Na nossa região também tem gente fazendo coisas de muito bom gosto. Taunting Glaciers é uma banda de post rock/hc e que também já tem um álbum na bagagem. Nossos amigos de Timbó/SC da Havana Hookers e também o projeto Hovel, que é de uma sensibilidade magnífica.