Uma incrível viagem de trem pela “Roça Elétrica” do Mercado de Peixe

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Mercado de Peixe - "Roça Elétrica"

O rock nacional ganhou novos beats no meio da década de 90, muito graças a explosão do manguebeat e seu conceito em conectar tradições culturais do Recife com os gêneros da música pop, no caso, rock e eletrônico. A
consolidação deste formato foi essencial para o reconhecimento de inúmeras bandas do cenário brasileiro nos anos seguintes. E foi em 2003, quase 10 anos depois do surgimento do movimento mangue, que uma cena semelhante (e declaradamente inspirada) à recifense ganhou destaque nas rádios do país.

Para ser mais específico, em Bauru, cidade do interior de São Paulo. A banda Mercado de Peixe foi formada em 1996, porém foi com lançamento de seu segundo disco, “Roça Elétrica”, em 2003 pela Samacô (e relançado em 2004 pela Atração), que ela alcançou as rádios e TVs do país. Estava consolidada a cena pós-caipira (rock’n’roça) que, além da Mercado de Peixe, contava com nomes como Fulanos de Tal, Sacicrioulo (de outras cidades do interior), Matuto Moderno e Caboclada (da capital paulista).

E com esse disco, a banda inicia a fórmula em irrigar o rock com traços culturais, no caso do Mercado de Peixe com viola, sanfona e outras temáticas caipiras, e cria uma obra digníssima a ser respeitada a nível de Tonico e Tinoco.

“Roça Elétrica” é uma viagem de trem que corta planaltos de terras vermelhas paulistas, enquanto você toma um bom café e fuma um cigarro de palha.

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As letras, assim como o ritmo que mistura passado e presente, contam o cotidiano de uma cidade interiorana, exaltam a figura do homem trabalhador campestre e ainda relembram causos e personagens populares do passado. Em “Brasil Novo” (canção de abertura do disco), por exemplo, a chegada do trem a Bauru é relembrada, assim como Eni, uma prostituta que tinha um bordel na cidade nos anos 60, que é lembrada com saudades, uma sátira à famosa “Amélia” de Ataulfo Alves e Mário Lago.

Além disso, os canaviais à beira da estrada estão presentes em “Fogo No Canaviar”, assim como artistas populares em “Bernabé”, as duas ótimas canções que dão sequência ao disco.

Mas em “Roça Elétrica”, não é apenas o rock que se mistura com a moda de viola. Beats de música eletrônica estão presentes em mixagens incríveis e curiosas, como “Moda do Peão” e “Assim Que É O Sertão”, e aclamadas na declaração de abraço do mundo caipira à globalização, “Beats e Batuques”.

A tradição caipira é a semente principal do disco, entretanto, problemas sociais atuais (e que talvez tenham sido em um passado não tão distante) também fazem parte do plantio de boas canções do álbum. Dessa colheita podemos tirar “A Massa Alucinada” e a excelente “A.A.”.

No geral, “Roça Elétrica” é uma grande obra matuta, na qual a banda Mercado de Peixe conseguiu relembrar o saudoso estilo caipira de vida/cultural e atualizá-lo muito bem para os novos ouvidos do mercado fonográfico. Assim como Chico Science fez, alguns anos antes, com o seu maracatu atômico.

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MERCADO DE PEIXE – ROÇA ELÉTRICA | CURIOSIDADES

– O álbum Roça Elétrica conta com vinhetas de Cornélio Pires, um dos principais defensores da cultura caipira e patrono do movimento.

MERCADO DE PEIXE – ROÇA ELÉTRICA | #TEMQUEOUVIR

02. “Brasil Novo”
04. “Bernabé”
07. “Beats e Batuques”
08. “A Massa Alucinada”
10. “A.A.”
11. “Assim É Que É O Sertão”

MERCADO DE PEIXE – ROÇA ELÉTRICA | OUÇA AGORA!

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Zé Menezes, baterista do Thrills and the Chase

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Zé Menezes

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Zé Menezes, baterista do Thrills and the Chase e do projeto Hipopótamo, que lançará um EP em breve.

Luther Allison“Bad News Is Coming” (nome do álbum mas pode ser o som homônimo)

“Há algum tempo queria conhecer mais artistas de blues, eu tinha gostado de tudo o que tinha ouvindo até então. Aproveitei a leitura da biografia do Keith Richards para pesquisar alguns nomes que ele cita no livro. Ele não chegou a falar de Luther Allison, o nome dele surgiu nos vídeos relacionados do YouTube de artistas que Keith mencionou. Diferente da maioria pesquisada, nunca tinha ouvido falar e foi um dos que mais virei fã. Além das músicas autorais, “Bad News Is Coming” tem releituras de nomes como Robert Johnson, B.B. King e Freddy King“.

Blues Pills“Lady In Gold”

“Falo de Blues Pills desde o primeiro dia que ouvi. Na minha humilde opinião é a melhor banda dos últimos anos. Não tem nada de novo, é uma banda setentista com ótimas músicas, porém, nascida em 2011. Sempre achei que um piano entraria perfeitamente na banda, e meu desejo foi atendido no novo single, “Lady in Gold”. Fiquei bem curioso para ouvir as outras músicas do segundo álbum que ainda será lançado. A banda toda é incrível mas Elin Larson é a verdadeira diva do rock hoje. Ah, o solo de “No Hope Left Of Me” é o melhor dos últimos anos também”.

Danger City“Everything is a Menace in Danger City” (álbum)

“Quando ouvi o Danger City pela primeira vez, não sabia que era um novo projeto do amigo Pedro Gesualdi (Ex-Japanes Bondage). Achei demais, fui pesquisar sobre a banda e lá estava. Então, essa não é a indicação da banda do amigo, mas da banda independente que mais curti no último ano. Recomendo o álbum inteiro”.

Marc Ford“Holy Ghost”

“Não é novidade, “Holy Ghost” foi lançado em 2014, mas esse disco tem que ser ouvido. Marc Ford foi guitarrista dos Black Crowes e tem uma carreira solo proporcionalmente foda, com muita coisa que compete a um bom guitarrista – compositor e cantor também: Tem rock, tem blues, tem groove e, no caso do “Holy Ghost”, folk. Um disco lindo, com tudo na medida certa. Pra virar trilha sonora da vida”.

Delmore Brothers“Blues Stay Away From Me”

“Do mesmo jeito que conheci Luther Allison, mas dessa vez pesquisando artistas do country. Como muitos deles, os Delmore Brothers vieram da música gospel. Os irmãos estão entre os mais importantes nomes da história do country. Não tem como não gostar disso, sério”.

Instelara é o convidado das Orange Sessions desta semana

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Instelara
Instelara

Organizado pelo canal Minuto Indie e pelo Estúdio Casa da Vó, o projeto Orange Sessions busca trazer bandas independentes brasileiras para a luz, mostrando um pouco de sua história em um vídeo com formato documentário com um pouco de seu som. As músicas completas apresentadas ao vivo no estúdio também ficam disponíveis no canal.

Esta semana é a vez da banda Instelara, de Curitiba. O quarteto formado acaba de começar a carreira e investe em um indie rock com letras em português com um dose de psicodelia.

Breaking News: 16 clipes independentes lançados esta semana que você precisa conhecer

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Obituary
Obituary

Allah-Las“Could Be You”

Tem clipe novo do Allah-Lahs na área! “Could Be You” fará parte do disco “Calico Review”, que sai no dia 09 de setembro pela gravadora Mexican Summer.

Red Wine Hangover“Rose Colored Mind”

A banda do Tennessee se inspira na melodia do back beat do Mod inglês dos anos 60. O clipe novo do trio foi dirigido por Jason Green e vai te levar numa viagem psicodélica pela mente da sociedade cansada de si mesma.

Eu Sou o Gabe“100% Triste”

O humorista Gabe Cielici tem um EP “Músicas Para Ex-Namoradas” e músicas de humor-deprê, como “100% Triste”, que ganhou um clipe editado por Luan Rentes com imagens do metrô de SP vazio, quase um milagre.

NOFX“Six Years on Dope”

A primeira música do novo disco do NOFX, “First Ditch Effort”, que será lançado dia 7 de outubro!

Fingertips“Kiss Me”

O electropop do duo português Fingertips mostra seu poder no clipe “Kiss Me”, música produzida por Mark Needham (The Killers, Imagine Dragons) junto com a banda e gravada no The Ballroom Studios e East West Studios em Los Angeles. O diretor do clipe foi Vasco Mendes.

Iara Rennó“Mama-me”

“Mama-me” é a música que abre o disco “Arco”, gravado pelo trio Iara Rennó (guitarra e voz), Mariá Portugal (bateria e programação) e Maria Beraldo Bastos (clarone). Dirigido por Milena Correia (Rústica Produções), o clipe traz “mulheres de peito”: artistas como a poeta Alice Ruiz, as cantoras e instrumentistas Bárbara Eugênia, Juliana Perdigão, Assussena Assussena, Natália Ferro, Ana Karina Sebastião, Mariá Portugal e Maria Beraldo Bastos, as dançarinas Julia Rocha, Mariza Virgolino e Danielle Mendes, a jornalista Carola Gonzales, a figurinista e cenógrafa Hayge Mercúrio, a artista visual Karen Ka e a atriz Manoela Rangel, entre outras. Lógico que o público conservador ficou ofendidinho e reclamou. Azar o deles.

Big Eyes“Stake My Claim”

Sinta-se no melhor momento musical dos anos 90 com a música que dá nome ao disco de Big Eyes, “Stake My Claim”, lançado pela Don Giovanni Records.

Lei Di Dai“Chega na Dança”

Um rap ragga com com um belo clipe feito pela Alcateia Filmes e dirigido por Ricardo Guidara. Vale a pena chegar na dança com a Lei Di Dai.

Violent Soho“Blanket”

Tirada do disco “WACO” do Violent Soho, o clipe mostra a banda mandando ver seu indie rock bem estruturado.

BRVNKS“Don’t”

Faixa do EP “Lanches”, “Don’t” foi mixada por Braz Torres e ganhou um vídeo produzido por Moment, com imagens e edição de Diogo Fleury, Rodrigo Cunha e Victor Souza.

White Night“Al”

O clipe DIY (bem com a cara da Burger Records) para “Al” foi dirigido pela banda e faz parte de “Weird Night”, disco lançado este ano.

Blubell“Vida em Vermelho”

“Vida em Vermelho” é o primeiro single no novo disco da Blubell, “Confissões de Camarim”, com um clipe filmado com smartphone, o primeiro de uma série de clipes artesanais que a artista pretende fazer para as canções do disco, com lançamento internacional programado para 19 de agosto. Câmera, direção e edição de Celso Reeks.

Mama Feet“Fogo de Palha”

Clipe de animação, e dos bons! Conheça, em primeira mão, o personagem que inaugura o disco “Brazilian Democracy” do Mama Feet: “O Caipira”, protagonista de “Fogo de Palha”. O ilustrador é Raphael Candela.

Rapha Moraes & The Mentes“Arritmia”

Dirigido por Fernando Hideki Films, “Arritmia” é uma homenagem de Rapha à sua falecida irmã. Não tive como não publicar a carta que ele publica junto do clipe da música. Segue:

“À ANA CAROLINA,
COM AMOR.

Demorei para decidir se assumiria que essa música “Arritmia” e seu clipe são uma homenagem a minha irmã Ana Carolina, que faleceu em 15 de dezembro de 2015 com 28 anos, de uma doença congênita no coração, o que causou uma arritmia cardíaca.
Demorei porque pensar neste assunto ainda me tira o ar, me deixando sem saber como agir ou pensar. Sentimento que me levou a seguir em frente dessa forma, simplesmente evitando o assunto.
Mas há alguns dias desabei novamente. E me enxerguei. Vi alguém tentando se esconder da dor de perder quem se ama. Alguém fugindo do fato de não ter mais a presença física dela no mundo em que eu faço parte.
Precisei desse tempo para digerir que chegou a hora de assumir que já não sou mais o mesmo. Que minha vida, a dos meus pais e a da nossa família nunca serão mais as mesmas. Conviver diariamente em silêncio com tudo isso é destruidor.
Creio que enfrentar, amar, chorar, sofrer e amar mais, é o caminho para conseguir seguir em frente. O que não significa esquecer.
Por isso, este aqui é o primeiro passo para assumir essa realidade: abrir ao mundo o que sinto.
Quando o Hideki voltou de Nova Iorque com imagens para o clipe de Arritmia, me contou que relatou aos participantes que aquilo se tratava de uma homenagem à minha irmã.
Uma grande ideia que me comoveu. Algo que talvez comova vocês também, onde figurantes passaram a ser protagonistas de um verdadeiro ato de amor.
Essa presença de humanidade me fez enxergar uma beleza no mundo que há tempos não via. Respirei fundo e senti, com essas imagens, que valia a pena estar vivo.
Esse sentimento de que pertencemos a algo maior. E que só a morte, o nascimento e o amor podem nos fazer lembrar.
Fatos que trouxeram luz. E que me fizeram escrever estar palavras e transformar essa homenagem em realidade.
A Ana viveu e foi exatamente o que ela quis ser. E foi linda.
Essa homenagem é pela vida da minha irmã. E por tudo o que deixou por aqui.
Uma história marcante e grandiosa ao olhar da sensibilidade e da humanidade.
Ana, você me ensinou que nada é mais valioso que aproveitar cada segundo. Que viver é ser quem a gente quer ser.
Coloco esse pedaço de mim no mundo por mim, pelos meus pais, por você e por acreditar na humanidade.
Te amo
Rapha”

Islander“Think It Over” (com HR of Bad Brains)

Com um clipe ao vivo, “Think It Over” faz parte do disco “Power Under Control”, a ser lançado no dia 5 de agosto.

Obituary“Violence”

Se este clipe para a faixa do disco “Inked In Blood” tivesse sido lançado no auge da Mtv Brasil, teria sido um belo hit. Com uma divertida animação gory de Balázs Gróf, lembra um pouco Fudêncio e Seus Amigos.

Aceitei o desafio de procurar o lado bom do disco “Restart”, de 2009

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Restart

Desde que o mundo é mundo que o ser humano procura tirar o melhor proveito das piores situações, e é isso que vamos tentar realizar nesta humilde coluna. No Peneirando Detritos procuraremos o lado bom do que é ruim, e em vez de separarmos o joio do trigo, vamos tentar perceber que uns joios musicais são bonitos e podem de algum modo fazer a diferença.

O João chegou com a ideia de comentar discos que foram execrados pela humanidade em seus lançamentos (e depois do lançamento também!) O detalhe é que: nunca na minha vida procurei escutar as coisas, ou se escutei não foi para tecer críticas boas… O mote da coluna é tentar mostrar de maneira clara e objetiva como uma banda supostamente ruim pode ser escutada de maneira despreconceituosa e até acharmos algo bom ali naquele aparente monte de lixo. Como o Restart pode agradar os ouvidos mais julgadores? Bem, essa é a história vocês vão ler aí embaixo. Para começar a coluna, procurei o “lado bom” do disco “Restart”, de 2009.

Uma puta falta de sacanagem.

O Restart foi criado a reunião de quatro moços, que conseguiram extremo destaque pela internet. No início a banda apostava no emocore e se chamava C4. O tempo mudou e de 2004 para 2009 reinventaram a banda, colocaram camisas, calças e assessórios coloridos e fundaram o Restart, baseado estritamente no tal “happy rock”.

Ao primeiro play no primeiro disco de 2009 vemos uma banda com vocais anasalados, que permeiam mecanismos eletrônicos para regular a voz e com isso já é automático torcer a cara. Mas vocês repararam que atualmente da diva pop ao artista consagrado isso ocorre em quase todo disco? Não podemos colocar a culpa nos coloridos do Restart: eles estavam no momento certo e na hora certa, foram as pessoas que eclodiram em ódio. O Restart de 2009 poderia ser atualmente uma dessas bandas que se exibem em programas de calouros onde artistas populares votam e retiram eles do ar.

O que a gente pode falar de um disco como esse? É divertido, fica datado, mas assevera que adolescentes e qualquer um sem muito conhecimento técnico podem fazer música. “Recomeçar”, canção que abre o disco é destaque, refrão grudento e que não sai da cabeça.

“Vou Cantar”, o outro single, segue a premissa do primeiro, e “Levo Comigo” também demonstra a mesma coisa: as letras refletem as considerações e litígios adolescentes, mas que não deixam de abordar a passagem da vida adulta. Não é um álbum que marque necessariamente, mas a experiência de escutar algo execrado por todos faz ter uma nova compreensão da música. Será que não podemos dar um chance ao ruim?

Pontos fortes: gritinhos, refrões grudentos e que colam, synth coordenado, baterista que acompanha e guitarra oitentista
Pontos fracos: Todas as músicas parecem ser as mesmas.
Músicas que você pode ouvir numa boa: Todas
Veredito: 7/10

Não há nada mais punk do que trair o movimento, segundo o Drakula

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Drakula
foto: Fernanda Coronado

Pseudônimos criativos como Obi Wan Kannabis e Don Diego Buena Muerte são apenas uma parte da experiência doentia do Drakula, banda que inicialmente seria de “surf music macabra”, mas traiu o movimento surf e hoje em dia fazem um “garage punk assombrado” da melhor qualidade.

Debaixo das máscaras de lucha libre e alcunhas trocadilheiras temos Fernando Urbano como Lord Chevy Chainsaw Von Urban (guitarra e vocal), Daniel Ete (dos Muzzarelas e Desenmascarado) como Evil Happy Herpes Moralez (baixo e vocal), Sergio Morais (do Leptospirose) como O Selvagem (bateria) e Beto Barbosa (do Labataria) como The Arrombator (guitarra e vocais). Na bagagem cheia de teias de aranha a banda tem os discos “O Inferno com I Maiúsculo” (2007), “Comando Frantasma” (2009) e os compactos “Vilipendio o Cadáver” (2011) e “Death Surf” (2015). A gangue de monstros mascarados prepara para 2016 um novo EP com o nome provisório de “Contos da Nave Morta” com mais de suas composições sangrentas e cheias de assombrações de Bela Lugosi.

Conversei com Evil Morales (que já foi o citado Obi Wan Kannabis) sobre a carreira da banda, dicas de como trair um movimento e a improvável ressurreição do rock brasileiro.

– Como começou o Drákula?

Foi meio por acidente, no final de 2005 troquei uma geladeira velha por umas horas de ensaio com o Fernando que tinha acabado de abrir um estúdio e logicamente precisava de uma geladeira. Aí formamos a banda para gastar essas horas e tocar numa jam session. Gostamos do resultado e resolvemos dar um nome para a banda e seguir em frente. No começo tentamos ser uma banda de surf music com uma temática um pouco mais violenta e macabra que as demais bandas do estilo. No começo ainda não usávamos as máscaras de lucha libre, so usávamos umas capas pretas e como o som era quase todo instrumental usávamos também umas dentaduras de vampiro. Depois traímos o movimento surf music e passamos a colocar voz nas composições, porque afinal de contas, nada mais punk do que trair o movimento. Aí vieram as máscaras os pseudônimos idiotas e mais influências de garage e punk. Porque no fim das contas somos aquele tipo de gente que descobriu a surf music através do East Bay Ray dos Dead Kennedys.

– E como escolheram o nome Drákula? Não tiveram nenhuma treta com direitos autorais ou nada assim?

Treta nunca rolou, mas na hora de buscar no Google é uma merda. Reconheço que o nome não é dos melhores mesmo (risos), mas na época que começamos a pretensão era zero, talvez se a gente tivesse pensado melhor o nome seria outro, talvez ate pior que esse que saiu meio por acidente.

– Agora, já que cê falou das alcunhas bizarras, me fala um pouco sobre elas. Quais são? Vocês assumem personagens mesmo ou é só o nome?

Bom, com uma máscara todo mundo fica mais cara de pau, então acaba incorporando um personagem ou recebendo um santo, o que aparecer primeiro. Os nomes vem de zueira mesmo, tanto que a gente vive trocando os pseudônimos. No fim isso é legal porque já que ninguém acaba tendo cara ou um nome fixo, o foco sai do ego e vai para a onda da banda mesmo, seja no show e nas composições, fora que dá um ar de gangue de filme vagabundo.

– Como você definiria o som da banda atualmente pós-traição do movimento surf, véio?

Garage punk assombrado.

Drakula
foto: Marcos Bacon

– Quais são as maiores influências (musicais e não-musicais) da banda?

Dead Kennedys, Dwarves, Dick Dale, Damned e Deep Purple, só bandas que começam com a letra D. Tudo isso misturado com western spaguetti, mentalidade de gangue ou seita de filme vagabundo, a logística do exército popular do Vietnã do norte, todos os diálogos do Apocalipse Now, piadas de cemitério, manchetes do NP, pastores pregando em línguas alienígenas, o morto do pântano, Lourenço Mutarelli, trem fantasma de parque tosco e o Danger 5… kill Adolf Hitler.

– Me fala um pouco sobre o primeiro disco de vocês, ainda na onda surf music macabra.

O nosso primeiro disco é quase inteiro instrumental, foi gravado ao vivo no estúdio, método que repetimos em todas as gravações. Nunca gravamos os instrumentos separados, isso é muito chato e custa caro. Foi produzido pelo Caio Ribeiro em 2007, o nome da obra… “O Inferno com I Maiúsculo”. Na época a gente queria misturar surf music com temas de western spagetti, mas como viemos da escola esporrenta punkmetalgaragebarulheira o troço todo ficou mais pesado que a gente imaginava, bem mais pesado.

– Aí como tudo evoluiu pro próximo lançamento, “Comando Fantasma”?

Abrimos a porta para outras influências e começamos a escrever algumas letras, acho que foi nesse segundo disco que encontramos o nosso som e a temática toda. Na verdade foi aí que o monstro nasceu, quando todo mundo aderiu às máscaras (antes era só eu quem usava)… O momento que isso aconteceu exatamente foi quando fomos fazer uma sessão de fotos num trem fantasma de um parque abandonado em Curitiba, foi nessa hora em que vimos a luz… ops, desculpa: as trevas.

– E aí veio o “Vilipêndio a Cadáver”. Me explica esse lançamento aê.

Foi com esse lançamento que a gente decidiu só lancar as paradas da banda em compactos de 7 polegadas, assim o estúdio fica mais barato e podemos ter uma certa regularidade nos lançamentos, depois gravamos o “Deathsurf” que tambem saiu no mesmo formato. Atualmente estamos com mais um 7″ EP pronto que deve sair agora no segundo semestre, provavelmente vai se chamar “Contos da Nave Morta” e também foi gravado praticamente ao vivo no estúdio.

– Opa, me fala mais do “Contos da Nave Morta”! O que vai ter nele?

É nosso novo trampo, já esta gravado e deve sair no segundo semestre, são 2 músicas inéditas, 1 cover do Leptospirose e uma regravação de “7th Son of a Bitch of the 7th Son of a Bitch”, que originalmente saiu no “Inferno com I Maiúsculo”, é a primeira gravação com a nova formação que conta com o Sérgio o Selvagem na bateria, também é a última gravação com o Don Diego Buena Muerte na guitarra, ele saiu da banda, quem entrou no lugar dele foi o Beto the Arrombator, que já tocava com a gente como guitarrista substituto faz um tempo. Inclusive ele foi quem fez a nossa primeira tour Norte/Nordeste em 2013. Ou seja, tudo em família… Manson. E foi produzido pelo Caio Ribeiro.

Drakula

– Você acredita que a cultura do álbum está morta? O povo agora só quer ouvir os singles na internet e pronto?

Não sei, acho que não. Álbuns são legais de ouvir, acho que isso está mais relacionado à cultura de massa, aonde o que é vendido não é necessariamente a música, mas sim um conceito, um visual ou qualquer outra parada desas. Estamos na era da superficialidade, onde vale mais a manchete do que o texto, mais o trailer do que o filme, mais o peido do que a cagada. Mas eu pelo menos ainda acredito no poder de uma coleção de canções.

– Você acredita num retorno do rock às paradas de sucesso? Isso é cíclico, como aconteceu nos anos 90, em que o rock desbancou o pop e depois deu lugar ao pop novamente?

Não sei não, bicho, não sou muito otimista quanto a isso. Ainda mais porque nessa fila antes do rock vem a lambada (risos). Sinto saudade de ouvir o Planet Hemp tocando no rádio e na TV, mas infelizmente eu acho que isso não vai rolar de novo não, acho que muita gente perdeu a referência do que realmente o rock deve ser.

– E o que o rock deve ser?

Lazarento. No sentido de ser excluído. De ser colocado de lado pela sociedade, acho que aí que funciona, quando vai para o porão e fica um tempo trancado lá, aí quando sair está pronto para a guerra, pronto até para fazer parte do mainstream sem se entregar, pronto o suficiente para nunca esquecer de onde veio nem suas raízes.

– Então, nesse sentido, no underground o rock nunca morrerá.

Depois do hecatombe nuclear só restarão as baratas e o underground.

– Quais são os próximos passos da banda em 2016?

Lançar o novo EP, tocar muito e continuar a nossa missão de implantar um belzebuzinho no coração de cada um de vocês. Estamos produzindo um clipe para uma das novas músicas, se chama “Boat Of Terror” e é um dos contos da nave morta também.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram a sua atenção nos últimos tempos.

Tem algumas bandas novas que eu gosto e recomendo, tanto gringas como nacionais, vamos lá… Radkey, Motor City Madness, Slag, Evil Army, Ghoul, Test, Anjo Gabriel, Bode Preto, Anomalys, Human Trash, Thee Dirty Rats, Lo Fi, Red Dons, Modulares e o Violator que não é tão novo assim, mas é muito foda.

American Pie: a primeira trilha sonora adolescente é inesquecível

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American Pie

Em 1999, o mundo conhecia “American Pie – A primeira vez é inesquecível”. Na mesma linha de filmes como Não é Mais um Besteirol Americano” (2001) e “Cara, Cadê Meu Carro?” (2000), o filme foi uma espécie de blockbuster. Para vocês terem uma ideia do sucesso estrondoso, o orçamento do filme era de 11 milhões de dólares e a bilheteria arrecadou US$ 235.483.004,00. Ou seja, sucesso absoluto entre o público jovem!

Com a direção dos irmãos Paul e Chris Heitz, o filme conta as aventuras de um grupo de cinco jovens: Jim Leveinstein (Jason Biggs), Kevin Myiers (Thomas Ian Nicholas), Chris “Oz” Ostreicher (Chris Klein), Paul Finch (Eddie Kaye Thomas) e Steve Stifler (Sean William Scott).

American pie

“Às vésperas do baile de formatura, quatro amigos virgens – Jim (Jason Biggs), Kevin (Thomas Ian Nicholas), Oz (Chris Klein) e Finch (Eddie Kaye Thomas) – fazem um pacto para perder a virgindade, custe o que custar, nas 24 horas seguintes.” Por: Adoro Cinema

Sim, o tema central do filme – como a maioria já sabe e provavelmente já viu – é o sexo. Neste primeiro filme do que mais tarde se tornaria uma saga, ele fica mais em evidência ainda, visto que o tema central é o da virgindade e sua luta incessante para perdê-la.

pai

Mais do que apenas mostrar o lado dos adolescentes o filme também mostra através do pai de Jim, Nohan Levenstein (Eugene Levy) os conflitos de gerações e a dificuldade de estabelecer um diálogo equilibrado sobre “sexo” dentro de casa.

A epopeia da turma acaba falando muito mais de como chegar lá. Os conflitos causados por essa ansiedade experiências traumáticas dão o rumo da jornada. Um fato engraçado é também notar que vemos o poder de um viral já em 1999 no início da popularização da internet, quando Jim é vitima de seu vídeo tendo uma “ejaculação precoce” viralize e vire motivo de chacota perante toda sua turma.

calcinha

Mas nem tudo é trauma na trama, cada um de certa forma de maneira mais convencional ou não, consegue. Claro, com aquela dose milimetricamente calculada de bom humor e entretenimento.

Depois desse filme ainda viriam American Pie 2″ (2001), American Wedding” (2003) e American Reunion” (2012) que fecha o ciclo e conseguiu deixar muito marmanjo chorando com a despedida de uma geração que pode acompanhar de perto.

Entre uma torta de maçã – uma piada do Stifler – e outra, também temos o destaque pela trilha sonora, é claro! E essa vem recheada com muitas curiosidades, hits radiofônicos e marca muito bem a época.

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A soundtrack do filme alcançou a posição número 50 na parada Billboard 200, um feito. Aliás, filmes nessa linha surpreendem por geralmente conseguirem estabelecer boas trilhas e como resultado boas vendas. Ou seja, lucro em dobro!

Da maneira mais descontraída e representando bem aquele espírito moleque skatista sossegado bicho grilo anos 90, temos logo de cara o Third Eyed Blind com “New Girl”. Música presente no terceiro disco da banda, Blue” (1999). A curiosidade é que nesse disco quem assume as baquetas é o baterista de outra banda que representa bastante esse fim de anos 90, Smash Mouth.

Misturando o pop de grupos como Backstreet Boys e NSync a uma levada próxima do new metal temos a desconhecida Tonic, com “You Wanted More”. Se vocês já ouviram falar de uma banda chamada Semisonic, provavelmente vão entender a levada “inofensiva” e descartável da canção.

O clipe inclusive é de certa forma bastante tosco e mostra a rotina de um colégio, com a banda tocando na quadra poliesportiva. Mais anos 90 do que isso só o Máskara sambando na nossa cara.

O Blink 182 foi a banda que realmente pôde ter seus 15 minutos de fama através de uma “pontinha” dentro do filme. E isso rolou quase por acaso. O agente de Tom Delonge comentou que o filme “precisava de uma banda”. E foi assim que surgiu o convite para eles estrelarem uma cena dentro do enredo.

Uma curiosidade: Nos créditos, Travis Barker é creditado como o ex-baterista do Blink 182, Scott Raynor. Mas a participação do Blink não ficou apenas por esta dramatização, a canção “Mutt” também entrou na soundtrack. E disso vem outra curiosidade que parece até perseguição com o Travis: seu nome nos créditos da canção está como Travis Barkor. A pergunta que fica é: o que o baterista tatuado aprontou para tanto?

Outra banda colecionadora de hits pop/rock dos anos 90 também se faz presente na trilha sonora. O que espanta é não ter sido uma canção que realmente “fez sucesso” dos tão californianos Sugar Ray.

Apesar disso, as raízes latinas que caracterizam o grupo ainda estão presentes na faixa “Glory” que explora o lado mais pop punk mesclado com pedais wah wah e brincam com o new metal mesmo sem ter “tato” para isso.

Em seguida temos Super TransAtlantic com “Super Down”. A desconhecida banda de Miami conseguiu estrelar na trilha do filme fazendo um som melódico e praieiro, mas totalmente descartável. Se tiver coragem, clique aqui e ouça.

Uma outra banda que marcou época e é citada diversas vezes em How I Met Your Mother” e que conseguiu emplacar canções em diversos filmes e séries como “The Avengers” (1999), Smalville”, The O.C.”, e NCIS” é a Dishwalla!

A melancólica e acústica “Find Your Way Home”, que tem um clima bem californiano, figura na trilha. Alguns rotulam o som da banda como pós-grunge… seja lá o que isso for.

“Good Morning Baby” é a sétima canção que contempla o disco, uma parceria entre Dan Wilson, vocalista do Semisonic, e Bic Runga, uma artista pop da Nova Zelândia que é conhecida por ser multi-instrumentista. Pelo que li, ela é tão conhecida quanto a Sandy por lá.

Com um pézinho no punk/alternativo, temos Shades Apart, que sinceramente para mim me soou como um Creed um pouco mais “pesado”. O trio de New Jersey é mais conhecido pelo seu hit “Valentine” e uma versão de “Tainted Love” do Soft Cell. “Strangers By Day” foi a escolhida para o filme.

Com o visual cafona, sem medo de passar vergonha e com o ritmo e a brisa do mar temos Barchelor N0 One com “Summertime”. Sério, reparem nessas roupas coloridas e tão anos 90, de tênis na areia com óculos de lente colorida. Pode isso Arnaldo?

Com toda essa atmosfera, não dava para deixar o Goldfinger de fora. Califórnia, praia, skate, ska: Goldfinger. A canção dos ska punkers que estrela o filme é “Vintage Queen”.

John Feldman, que também é produtor nas horas vagas – produziu o novo disco do Blink 182, California” (2016) há pouco – tem muitos mais hits do que “Superman” e “Mable”. Vale a pena ir a um show, aproveitem que eles tem vindo direto para o Brasil!

Bic Runga também conseguiu emplacar uma canção solo na trilha. “Sway” é um single e ganhou um clipe. A canção saiu alguns anos antes do filme no disco Drive” (1997) e tem uma atmosfera parecida com o som da Norah Jones e da Alanis Morissette.

Colocando mais ritmo no caldeirão, temos um skacore na mesma linha do Reel Big Fish na trilha com os ska punkers do The Loose Nuts. A energia é contagiante e os metais dão a letra do ritmo da canção. Sinceramente eu não lembro de ter ouvido a canção no filme, mas fato é que ela entrou no disco.

Para deixar tudo em ritmo de dancehall, temos The Atomic Fireballs com toda a atitude de bandas como Voodoo Glow Skulls. O grupo foi formado por Bunkley, frontman de uma outra banda de ska chamada Gangster Fun.

Não é difícil não tirar os pés do chão ao ouvir a canção que sabe bem usar o piano, o vocal rouco e os metais para entreter feito uma parada. Talvez tenham sido influenciados pelo som do The Mighty Mighty Bosstones que vem pela primeira vez ao país agora no começo de agosto. Imperdível!

A banda, apesar de desconhecida para o público em geral, além da trilha de “American Pie” chegou a estrelar as trilhas de Scooby Doo”, Mansão Mal Assombrada” e Dawson’s Creek”.

Porém, a soundtrack também conta com injustiças que valem ser frisadas. Boas canções que tocam efetivamente no filme porém não compõe o disco da trilha sonora oficial. Por isso vou destacar algumas, outras vocês precisaram ir atrás para saber mais, mas é só clicar aqui.

“Walk Don’t Run” de uma das mais lendárias – e essenciais – bandas de surf rock de todos os tempos, The Ventures está presente na chamada. A fundamental banda garageira The Brian Jonestown Massacre incrivelmente tem trecho no filme – e não ganhou destaque. A canção é “Going To Hell”.

Outra das músicas que SIMPLESMENTE não conseguimos entender como um hit me fica de fora da coletânea que eterniza o filme é “Semi-Chamed Life” do Third Eyed Blind. Pois é, eles têm ao menos outra canção na trilha, mas essa é anos luz melhor. Um puxão de orelha no diretor artístico da soundtrack oficial para ontem.

Mas um erro compensa um acerto não é mesmo? Por isso ficou de fora do disco a presente no filme “I Walk Alone” da pouco conhecida Oleander, outra que também é rotulada como pós-grunge. Ah, os anos 90.

Outro dia mesmo falamos sobre trilhas pornôs por aqui, e claro que a cena de sexo de Jim ia ter um funk pornogroovesco de fundo. Para honrar os pornôs dos anos 70, The SEX O-RAMA band com a canção “Love Muscle” chega chegando de mansinho para dar aquele clima.

O maior hit do grupo da polêmica Courtney Love não poderia ficar de fora do filme. O Hole passa pela telona dos adolescentes cheios de hormônios com “Celebrity Skin” que dispensa apresentações, mas também ficou fora do álbum. Também deixados de lado, temos uma dobradinha de grupos noventistas que somente poderiam ser frutos da época como Everclear com “Everything To Everyone” e Harvey Danger com o indiscutível hit “Flagpole Sitta”.

Duke Daniels também tem rápida participação no filme com “Following A Star” com sua atmosfera rock caipira. A trilha é tão boa que conta até com um clássico da música mundial, “Mrs. Robinson” do Simon & Garfunkel em sua versão original e não a do Lemonheads, o que eu não entendo, porque Lemonheads encaixaria ainda melhor na trilha. A classe de Etta James também figura com a sensual e apaixonada “At Last” trazendo à tona todo o clima de romance dos casais do filme.

No campo da e-music temos o trance “Calling Your Name” do Anomally. Agora, injustiça mesmo de não estar nesta trilha oficial mas felizmente estrelar o longa é “Rockafeller Skank” do Fatboy Slim. Um dos maiores hits da década, com uma good vibe ímpar dentro do mundo da música.

Talvez a música que mais me lembre a saga ficou também de fora do disco. “Laid” do James é a canção que toca no desfecho e no fim tanto do primeiro filme, como no Reencontro (2012). E é quase uma música-tema para a primeira MILF a ser chamada por essa sigla, a popular mãe do Stifler.

Anos 90 sem Norah Jones dentro da música pop simplesmente não existem. A cantora cansou de emplacar hit atrás de hit e ser queridinha em diversas trilhas sonoras de Hollywood. No filme ela encaixa a dramática “The Long Day Is Over”.

Não existe filme sem muita dose de amor e xaveco na dose certa sem alguma canção do rei das baladas mais quentes ao pé do ouvido. E olha que Marvin Gaye não precisou nem colocar apelação para “Sexual Healing” alcançar este status. Neste filme, “How Sweet It Is (to be Loved By You)” dá o tom do puxar da valsa.

Outra campeã de trilhas e diretamente dos anos 80 vem “Don’t You Forget About Me” do Simple Minds. Inclusive já falamos sobre o hit por aqui, pois ele também está presente em “Donnie Darko”. E “Clube dos Cinco”, é claro. Talvez por isso tenha ficado de fora do disco…

Menções honrosas: As baladas românticas “I Never Thought That You Would Come” de Loni Rose, “Midnight At Oasis” de Maria Muldaur.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Bruno Carnovale, do Black Cold Bottles

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Bruno Carnovale, da Black Cold Bottles
Bruno Carnovale, da Black Cold Bottles

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Bruno Carnovale, vocalista e guitarrista da banda Black Cold Bottles.

Abacates Valvulados“O Canto Colapso”

“Esse som eu fiz questão de colocar nessa lista porque foi o som que mais me surpreendeu esse ano. Daquelas porradas que nos acostumamos a receber de Josh Homme, só que cantado em português. Sensacional!”

Beangrowers “Love Can Do You No Harm”

“O Beangrowers é um trio maltês que soube colocar seu país no mapa, musicalmente falando. Eles tem quatro discos, e foram levar seu som até o SXSW há alguns anos, sempre guiados pela voz doce da vocalista e guitarrista Alison Galea“.

The Bright Light Social Hour“Slipstream”

“Outra grata surpresa foi descobrir essa banda americana de nome gigante que faz esse som viajado. Eles lançaram esse disco (“Space Is Still The Place”, que é incrível) há alguns meses, e fica aqui a recomendação desse quarteto animal”.

Single Parents“Ecstatic Pleasures”

“Outra banda tupiniquim que faz um som pra gringo nenhum botar defeito, a Single Parents já tem feito parte da minha playlist há algum tempo. Nessa vibe meio Sonic Youth, o disco de estreia deles (“Unrest”) tem sido um dos meus preferidos dos últimos anos (e essa, a minha favorita do disco)”.

Molodoys – “Ácido”

E outro som que eu desejo que conquiste o universo o mais rápido possível é esse single dos Molodoys, daqui de São Paulo também! Cada vez mais próximos de lançar seu primeiro disco, cada música lançada deixa um gostinho de quero mais – tanto pelo lirismo quanto pela melodia.

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Cherry Rat & Os Gatunos
Cherry Rat & Os Gatunos

Subcelebs “Galera Paia”

A banda de Fortaleza gravou um clipe ao vivo no estúdio para uma das melhores músicas de seu primeiro EP. “Galera Paia” gruda na cabeça que nem chiclete com seus “ahá” e “wow wow”!

Valient Thorr“Mirakuru”

Segundo a banda, eles vieram de Vênus para destruir as cidades, mas acabaram virando uma banda que fez turnê com grandes mestres como MotörheadJoan Jett. O clipe de “Mirakuru” mostra uma misteriosa barra reluzente (ouro venusiano?) que é cobiçada por todos, o que obviamente dá em uma treta generalizada.

Iluminights“I Just Wanna Disco Dance”

Afaste os móveis, prepare os quadris e lembre-se que é hora de DISCO DANCE!

The Bennies “Burnout City”

Uma banda de ska em um clipe que mistura Matrix e maconheirice extrema com becks coloridos como as pílulas de Morfeu. O disco “Wisdom Machine”, que contém a faixa “Burnout City” saiu pela Poison City.

Cherry Rat & Os Gatunos“Candy Lips”

O rockabilly “Candy Lips” faz parte do álbum Bop To The Hell, lançado no final de 2014. Com direção e edição de Jefferson Santos, o clipe contou com a produção de Marilia Skraba, idealizadora do projeto Be a Bombshell com figurino especial de seu acervo pessoal e sua marca de roupas Sundae Inc.

Saint Agnes“Sister Electric”

Setentão até o osso, o clipe de “Sister Electric” foi dirigido por Ed Edwards e a produtora Ragged Crow. O single foi lançado pela Death or Glory Gang Records e está disponível em vinil 7″ transparente.

Mass Gothic – “Nice Night”

Com aquela cara de shoegazer meio Kafkaniano, o clipe de “Nice Night” foi filmado em um take em uma noite de junho pelo diretor Addison Post e produzido pela Loroto Productions.

SWAIN – “Hold My Head”

Do disco ‘The Long Dark Blue”, que será lançado pela End Hits Records dia 9 de setembro. O clipe com cara de hospício foi dirigido pela Derringer Productions.

Marvel Lima“Fever”

O clipe com cara de brega do português Marvel Lima foi gravado com exclusividade pela rádio Antena 3 e dirigido por Diogo Vargas com ilustrações e animações ilustradas de Carolina Arbués Moreira.

HYPNOS“Descending Sun”

Diretamente do novo disco “Cold Winds” e dirigido por Jim Nedergård, o clipe de “Descending Sun” tem toda a cara de grindhouse com motos, bigodes, setentismo e etc.

Novo episódio das Orange Sessions traz o som “Bem Aéreo” do Sereialarm

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Sereialarm
Sereialarm

O terceiro episódio do projeto Orange Sessions, idealizado pelo canal Minuto Indie em parceria com o Estúdio Casa da Vó, recebe a banda Sereialarm. A banda, formada por Marcos Andrada e Otavio Bertolo, lançou “Bem Aéreo” em 2014, e levaram nada menos que 14 anos da concepção ao lançamento da obra, por diversos motivos.

O vídeo utiliza o formato de documentário e mistura entrevista com apresentações ao vivo no estúdio, que podem ser vistas completas no Youtube. A produção é da Ártico Filmes.

Confira aqui o segundo episódio das Orange Sessions: