5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Paula Puga, do Toca a Cena

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Paula Puga, do Toca a Cena
Paula Puga, do Toca a Cena

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Paula Puga, do Toca a Cena. “Faz exatamente 11 anos que circulo no cenário independente e encontrei muitas pérolas ao longo do percurso. Muitas dessas preciosidades são minhas referências musicais hoje e listarei algumas delas”.

Pessoal da Nasa“Topless”
“Quando ouvi Pessoal da Nasa a primeira vez, fiquei pasma! Mas depois que ouvi “Topless”…fiquei mais pasma ainda! A letra é divertida, a linha de voz diferenciada….incrivelmente criativa!”

Blind Horse“Soul Locomotive”
“Nas correrias da vida, conheci o trabalho da Blind Horse. A vibe setentista com stoner é de deixar arrepiado! Guitarras repletas de distorções, gaita, vocais melódicos e rasgados… Uma combinação porreta!”

The Baggios“Brutown”
“Conheci o trabalho através da indicação de vários amigos e também do produtor musical deles, Felipe Rodarte. Os pontos que mais me chamam a atenção nesta música é a textura sonora e os solos da guitarra. Uma verdadeira pérola! P.S.: Se tiver rolando show deles perto de você, assista! É simplesmente muito foda. Entrei em transe enquanto assistia o show”.

menores atos“Mar Aberto”
“Essa é uma das minhas bandas preferidas! Se eu pudesse definir essa música em uma palavra, seria intensa. O clima dessa música é denso, a letra também….sem contar que a sonoridade é linda!

Carne Doce“Artemísia”
“Uma das melhores descobertas nessa vida de Toca a Cena! A música tem uma pegada diferente, densa, longa introdução, letra intensa e densa. Deu para perceber que gosto de músicas intensas (risos). E a voz da Salma Jô é lindissima. Um arremate perfeito. P.s.: O clipe tem uma fotografia lindíssima!”

Francisco El Hombre e Cuatro Pesos de Propina se juntam para turnê pela América do Sul

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Francisco El Hombre - Foto: Rodrigo Gianesi

Quem conseguiu comprar ingressos para ver o show da Francisco el Hombre junto com a Cuatro Pesos de Propina nesta sexta-feira (21), no Sesc Belenzinho, vai ver uma big band com dezesseis músicos no palco, numa junção de ritmos latinos e punk rock. Esse encontro entre brasileiros e uruguaios será o primeiro da turnê “Rompe Frontera”, que vai passar por 18 cidades e três países em apenas 30 dias.

As bandas se conheceram de forma inusitada. Na época a Francisco El Hombre ainda era uma banda de estradeiros que faziam apresentações nas ruas da América Latina. Certo dia, em uma cidade do litoral uruguaio, a apresentação dos brasileiros teve que ser interrompida por uma razão não convencional. “Tivemos que parar de tocar por conta de um barulhão que vinha de uma quadra de futebol próxima dali. Corremos para lá e vimos um palco enorme, com cinco mil pessoas cantando e foi ali o nosso primeiro contato com eles”, conta Mateo Piracés- Ugarte, violonista da FEH.

Depois desse encontro inicial as duas bandas estreitaram relações e fizeram alguns trabalhos juntos. Sempre uma convidando a outra para tocar em seu país. Foi assim quando a Cuatro Pesos de Propina veio tocar em Porto Alegre e a FEH em Montevidéu. “Nossos públicos se casam. Nesses shows sempre rola uma energia incrível”, comenta Mateo.


(Cuatro Pesos de Propina – Foto: Yenifer Piaza)

Inicialmente, a impressão é que musicalmente as bandas não tenham muito a ver. A Francisco El Hombre faz um som mais gipsy-folk, enquanto os uruguaios têm uma pegada mais de ska e punk rock. Mas segunda Mateo, há similaridade nos discursos que ambas as bandas fazem. “Todos nós da Francisco somos da escola do hardcore e nossa proposta tem muito de transmissão de mensagem através da música e se você ouve o CPP percebe logo isso também em suas letras”.

Unir quase duas dezenas de pessoas em cima de um palco não é tarefa fácil. Os dois grupos há um tempo vêm se inteirando do repertório do outro, mas para o violonista da Francisco El Hombre a sintonia e a parte orgânica vem falando mais forte nos ensaios. “Está rolando tudo com o coração e com paciência. Trabalhar com banda é aprender a construir coisas juntos. As duas bandas se admiram e confiam muito uma na outra e isso está fazendo brotar coisas incríveis”.

Como registro dessa parceria a Francisco El Hombre e Cuatro Pesos de Propina lançaram esta semana um EP com o mesmo nome da turnê onde uma banda escolheu uma música da outra para fazer um cover. O resultado você confere nos vídeos abaixo.

“Wristcutters: A Love Story” – Um road movie com o Tom Waits num post mortem dos suicidas

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Sinestesia, por Guilherme Gagilardi

Wristcutters: A Love Story (Paixão Suicida)
Lançamento: 2006
Direção: Goran Dukik
Roteiro: Goran Dukik e Etgar Keret
Elenco principal: Tom Waits, Patrick Fugit, Shannym Sossamon e Shea Wigham

Um road movie

com música do Gogol Bordello

e o Tom Waits no elenco!

Tá, agora a parte bad da coisa: o filme se passa num lugar meio várzea, meio terra de ninguém: um post mortem dos suicidas (mas não, o filme não romantiza nem estimula o suicídio).

Beleza, pós introdução sucinta, passemos ao filme!

Zia, um recém-chegado nesse mundo várzea, ainda angustiado com o fora que levou ele pra lá e vendo que aquele lugar era ainda mais bosta, que lá o seu trabalho era mais bosta, sua solidão era mais bosta e o cara com quem dividia o quarto nos fundos da pizzaria onde trabalhava era ainda mais bosta que a poeira do seu quarto de vivo, encontra num bar um maluco russo-americano que lembra o Iggy Pop e morreu em um palco jogando a cerveja nas cordas da guitarra. O nome dele é Eugene e ele vive nessa terra de ninguém com toda sua família.

O novato, puto do vida (ou da morte, sei lá), pensando em se matar de novo, entra num mercado pra comprar queijo e encontra um antigo “amigo” que conta pra ele sobre a mina que tinha lhe dado o fora: Ela tinha ficado bem bad depois da morte do Zia e se matou também uns meses depois. Agora, com esperanças de encontrar a mina que, pelo menos segundo o seu raciocínio e a história do mercado, teria se arrependido do fora, o calouro decide ir procurar-lá e chama o russo. Eugene topa porque não tem porra nenhuma melhor pra fazer e lá se vão os dois pela estrada ouvindo Gogol Bordello.

Encontram uma mina pedindo carona, Mikal, que diz estar em busca dos “homens de branco”, os caras que controlam aquele lugar e que podiam tirá-la de lá, pois estava nesse universo por engano. Formado o trio, o filme segue num esquema bem quadradão de road movie, acompanhando o desenvolvimento e as desavenças dos personagens durante a viagem.

Contudo, o que definitivamente dá pra esse esquema quadradão um tempero especial é a voz absurdamente rouca do lindão gostosão Tom Waits, que aparece no longa deitado no meio da estrada, cansado de procurar seu cachorro sumido (uma referência a “Rain Dogs”, talvez?), quando é quase atropelado pelo trio e os leva até o seu acampamento (que por sinal, dá nome ao conto de Edgar Keret que inspirou o filme: Kneller’s Happy Campers).

É talvez já seja meio óbvio que um filme com o Tom Waits tenha uma trilha do caralho. A primeira música, que toca enquanto o Zia arruma o quarto antes do “suspiro final” por sinal, é desse beatnik do chapéu coco.

Mas não para por aí: a música tema do filme, “Through the Roof’n Underground”, é um absurdo de bom da música pra ouvir viajando (em qualquer sentido possível pra palavra…) e é duma banda que entende do assunto: a big band Gogol Bordello, que compôs o tal som e que vêm trabalhando num projeto de música punk-cigana desde 1999. Composta por imigrantes de vários cantos do mundo, a banda é “chefiada” pelo vocalista Eugene Hütz (vale dizer que no filme, a música aparece tocando numa fita da ex-banda do Eugene, o que meio que permite concluirmos que o nome é uma homenagem do diretor Goran Dukik ao músico) que é de família cigana e sabe do que diz quando diz de estrada.

Além disso, o filme ainda conta com um pontual Joy Division tocando no fundo numa cena de bar e várias outras músicas que aparecem sempre de modo um tanto quanto superficial, mas que divertem quem curte o som.

Segue em link a trilha sonora e o filme completo. Assistam, ouçam e curtam!

Filme completo (em playlist do Youtube):

Trilha sonora (também em playlist):

Exclusivo: Meu Nome Não é Portugas lança single “Sob Custódia da Distância”

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Meu Nome Não É Portugas
foto: Kalaf Lopes

Rubens Adati é um dos nomes mais ativos desta nossa nova geração de músicos independentes, ele surgiu no cenário com sua banda de morph rock, a Vladvostock, e em pouco tempo foi tocar ao lado de nomes importantes do independente/alternativo, dentre eles Ale Sater e Giovani Cidreira. Além disso, desempenha um trabalho muito interessante no Inhamestúdio, por lá ele despontou o projeto “Inhame Sessions” e já gravou com Felipe Neiva, Papisa, Ventre e muitos outros.

Meu Nome Não é Portugas é o nome de seu projeto solo, o primeiro lançamento deste trabalho saiu (timidamente) em fevereiro. “e n d o p a s s o s” (Banana Records) é um registro completamente DIY, o músico toma a frente da produção, mixagem e masterização, de quebra ainda toca todos os instrumentos.

Passados cinco meses, Meu Nome Não é Portugas retorna para anunciar o lançamento de seu primeiro disco cheio, “Sob Custódia da Distância”. Como gostinho do que está por vir, Rubens Adati apresenta uma canção inédita, a faixa, que da nome ao disco, ganhou um videoclipe cheio de texturas, elas conversam com a densidade sonora dessa canção instrumental e dão o tom do trabalho que está por vir.

Assista ao videoclipe de “Sob Custódia da Distância”:

Meu Nome Não é Portugas ganhou também uma formação para apresentações ao vivo. Acompanhado de Max Huzsar (Dr. Carneiro), Zelino Lanfranchi (ex-Parati e Cabana Café), e Rafael Carozzi (Kid Foguete, Readymades). Rubens promete um show repleto de nuances, dinâmicas e profundidade.

A primeira apresentação acontece hoje no Breve, ao lado da banda carioca Morena Morena.

Serviço:
Data: Sexta-feira (21/07);
Local: Breve, Rua Clélia 470, Pompéia;
Entrada: 15 reais;
Horário: 19h.
Evento: https://www.facebook.com/events/806565622857865/

O futuro que já foi: Chemical Brothers – “Surrender” (1999)

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Chemical Brothers

Bolachas Finas, por Victor José

Apesar de considerar Dig Your Own Hole” (1997) o ápice criativo do Chemical Brothers, Surrender” (1999), além de também ser excelente, me marcou mais. Esse, que é o terceiro álbum da dupla, talvez tenha sido o primeiro disco que me fez voltar os olhos para a música eletrônica.

O som idealizado por Tom Rowlands e Ed Simons vai muito além das efêmeras batidas de pista de dança. O eco psicodélico de influências sessentistas, a euforia da Madchester e o tom melodioso do contemporâneo britpop dão ao Chemical Brothers um forte tempero exótico, credenciando o duo como um dos mais importantes e influentes grupos do gênero Big Beat, representado também por Prodigy e por Fatboy Slim. Por um momento, esse foi o som mais convicto do futuro.

Em “Surrender” temos uma banda recém-consagrada e ávida por atenção, ou seja, aquele era o momento essencial para não deixar a peteca cair. Sabendo disso, percebe-se como esse trabalho foi pensado com cautela e consequentemente importante tanto para o gênero quanto para a dupla.

Dá para dizer que esse é o disco mais popular da dupla, isso porque pelo menos dois hits de grande sucesso estão na tracklist. Além disso, as participações especiais de peso chamam atenção até mesmo do público que não se liga em música eletrônica. Por exemplo, a irresistível e já clássica “Let Forever Be”, com vocais de Noel Gallagher (Oasis), é algo extremamente memorável entre os hits dos anos 1990. A lisergia a la “Tomorrow Never Knows” combinada com a bateria dançante embalam até hoje uma infinidade de discotecagens por aí. Ainda dá certo e tudo indica que sempre dará.

Mesmo se não fosse um dos êxitos comerciais de “Surrender” “Out Of Control” continuaria sendo um destaque. Também conta com participações, dessa vez com os vocais de Bernard Summer e Bobby Gillespie, New Order e Primal Scream, respectivamente. Isso por si só já é histórico. Aquele baita groove mais parece um Depeche Mode com esteróides.

Orange Wedge” e seu baixão dá uma cadência ao álbum, descendo os BPMs. De uma forma mais chapada, o duo monta um crescendo em “Sunshine Undergound” e nos quase nove minutos dá uma aula de rave.

Coloridas, vibrantes e preenchidas de um ritmo inteligente, “Music: Response”, “Under The Influence” “Got Hint?” e “Surrender” apresentam a possibilidade de música dançante com notável criatividade. Pouca gente é capaz de fazer isso soar coisa séria, e ao mesmo temo é muito difícil ouvir cada um desses sons sem mover minimamente o corpo.

As participações continuam a colorir “Surrender” em “Asleep From Day”, desta vez com Hope Sandoval (Mazzy Star) nos vocais, em um dos momentos mais bonitos e relaxados do LP.

Mas para muita gente todos os holofotes se voltam para o super hit “Hey Boy Hey Girl”, uma espécie de hino de nicho. Dá até pra arriscar dizer que todo mundo que saiu alguma vez na vida na ~night~ ouviu essa música, se empolgou e acabou dançando, ao menos batendo o pé. Para o bem ou para o mal (isso para quem torce o nariz para o eletrônico) esse pode ter sido o último grande sucesso dos anos 1990, haja vista que foi lançado como single em maio de 1999.

Para encerrar o álbum, o Chemical Brothers vai de “Dream On”, com outra participação. Jonathan Donahue (Mercury Rev) faz os vocais, violão e piano. O LP encerra gerando boa impressão. Por fim, “Surrender” consegue manter a gigante reputação do duo, consolidada em “Dig Your Own Hole”, e ao mesmo tempo abocanha mais público com hits relevantes.

Mesmo que não seja amplamente reconhecido dessa forma, este é sim um trabalho fundamental para se compreender toda uma época, quando na virada do milênio as coisas no mundo da música pareciam meio caóticas e sem uma direção a ser tomada (o que permeia até hoje). É um bom disco para recomendar para quem nunca prestou atenção no Big Beat. E, além dos rótulos, é um bom disco por si só.

O Crush em Hi-Fi agora também está no Youtube!

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Hoje em dia, estar no Youtube é quase questão de sobrevivência para quem cria conteúdo, não é verdade? Afinal, poucos têm paciência de ler um texto, artigo ou mesmo um parágrafo, e a TV anda tão ruim que até as piores fases da Mtv Brasil nos dão uma saudade danada.

Pois bem, então o Crush em Hi-Fi agora também está no Youtube, com conteúdo exclusivo falando daquilo que sempre falamos: Música! Inscreva-se, curta, compartilhe, comente, sugira novos vídeos… Estamos esperando por vocês!

Confira a estreia do canal, com o Listorama:

RockALT #21 – Lilt, Magnólia, Rebel Jeans e Oceania

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RockALT, por Helder Sampedro

Na coluna dessa semana vamos falar sobre alguns shows que vi recentemente e também de um que está para acontecer. Acredito que estamos chegando ao ponto ebulição de uma cena que há anos não se agitava tanto. Cada vez mais artistas independentes conquistam seu espaço e encontram seu público de uma forma que não víamos há décadas! As bandas abaixo são alguns dos exemplos desse movimento.

Lilt
Na última sexta-feira tive uma das mais gratas surpresas do ano. Fui conferir o show da banda Old Books Room que veio de Fortaleza para alguns shows aqui em São Paulo. Quem acompanha a coluna já deve conhecê-los. Além deles o show contava com os paulistas do Mudhill (que vocês também já deveriam conhecer) e, também de Fortaleza, a banda Lilt. Eu nunca havia ouvido nada da banda e estava curioso para vê-los ao vivo, porém o meu objetivo principal era ver pela primeira vez o show da Old Books Room, por já conhecer o som deles, e de quebra rever os camaradas do Mudhill e cantar junto em todas as músicas como bom fã que sou. Durante as apresentações, notei que haviam mais músicos de fora, também estavam presentes os integrantes da excelente Rocca Vegas, uma verdadeira excursão de Fortaleza em SP! É aí que está a grata surpresa, o show da Lilt foi arrebatador, a banda toca um rock instrumental que me fez parar e pensar “por que esses caras não são conhecidos internacionalmente?”. Sim, o som desse trio cearense é bom nesse nível! Saí de lá com um CD da Lilt na mão e como o mais novo fã de uma banda incrível. Se você curte um instrumental pesado porém repleto de surpresas, saindo dos instrumentos de músicos criativos e altamente competentes, não perca mais tempo e coloque Lilt pra tocar já!

Magnólia
Sábado, 22/07, nossos parceiros do selo Rockambole apresentam seu primeiro festival, o Rockambole on STAGE, com três bandas: Magnólia, Kilotones e Elektra. Aproveitando a ocasião, peguei pra ouvir os catarinenses do Magnólia, que lançarão seu novo single no show desse fim de semana. Não me decepcionei ao ouvir ‘Fragmento’, o primeiro álbum da banda, lançado em 2015. Pra quem (como eu) está acostumado a ouvir sempre o mesmo estilo musical é até um pouco difícil encaixar a banda em algum padrão ou gênero, o estilo da banda me soou muito original, em especial o vocal bem característico e cheio de personalidade. O instrumental da banda passeia do pop ao rock alternativo sem medo ou receio de abordar temas um tanto malquistos por roqueiros em geral, a banda não foge de temas mais emotivos em suas letras (todas em português). Recomendo que aqueles buscam conhecer uma banda que foge do lugar comum escutem Magnólia, e o convite se estende também aos shows que a banda faz nos próximos dias em São Paulo e Guarulhos!

Rebel Jeans
O bom de estar sempre em contato com diversas pessoas do cenário independente é que você sempre recebe dicas e indicações de bandas bacanas. Essa semana recebi o material da banda paulistana Rebel Jeans. Escutei o EP ‘Disconnectors’ lançado no mês passado, e me identifiquei imediatamente com o som da banda. Alguns artistas tem essa qualidade, você escuta e por mais que sabe que está escutando uma música pela primeira vez, parece já conhecer e ser fã do artista. O quarteto formado por baixo, bateria e duas guitarras concedem à banda um som repleto de camadas, mas essa profundidade não se converte necessariamente em peso, a banda tem melodias animadas e entusiasmantes, mesmo quando as letras tratam de sentimentos não tão animadores. Escute o rock animadão de Rebel Jeans em seu EP na playlist abaixo:

Oceania
Lembra da banda Diesel, que tocou no Rock In Rio 3 em 2001? Não? E da banda Udora? Talvez você se lembre da trajetória dessa banda que mudou de nome e de país em busca de um sonho que o tempo mostrou que já estava morto há um bom tempo. O líder da Diesel/Udora voltou à ativa recentemente depois de trilhar um caminho não muito agradável. Nos últimos 15 anos viu seu sonho se esvair diante de seus olhos e se viu obrigado a abandonar o desejo de viver de música. Mas o mundo dá voltas e com elas surge a banda Oceania. Com um objetivo bem mais fácil de se concretizar, a banda busca apenas botar seu som no mundo pra quem quiser ouvir, seja um estádio lotado, seja um pequeno bar em Belo Horizonte. E é de lá que vem os primeiros sons da banda que tem chamado a atenção do cenário independente e mostra que o tempo e a maturidade são grandes aliados de um músico em busca de tornar material a arte que tem dentro de si. Confira os primeiros trabalhos de Oceania, esperamos que sejam os primeiros de muitos! Todas as músicas estão reunidas no canal do vocalista Gustavo Drummond no youtube:

Curtiu a coluna? Então não deixe de escutar o programa do RockALT toda a quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br, seguir a playlist da coluna no Spotify: https://goo.gl/lXZ69x e confira nossos mais de 100 programas disponíveis no link: www.mixcloud.com/rockalt/

Cantarolando o antigo cântico fúnebre de “Lyke Wake Dirge”, do Pentangle (1968)

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Pentangle
Pentangle

Cantarolando, por Elisa Oieno

Pentangle era uma banda fascinada por temas medievais, pela mitologia e música tradicional britânicas. O som deles é tão distinto que a classificação ‘folk-jazz’ parece muito simplista, mas até que dá uma boa ideia. A marcante voz feminina do grupo pertence a Jacqui McShee, co-fundadora do grupo ao lado do violonista John Rebourn.  Àquela altura, John já dividia um flat com Bert Jansch e os dois já se apresentavam em diversos cafés, os pequenos ‘clubes de folk’ pela Inglaterra, os recantos hipsters da época. Com um estilo de violão de escola clássica e tradicional, mas combinada com o moderno jazz e incorporando elementos do blues, Bert e John formariam uma parceria ilustre no mundo do ‘folk revival’ dos anos 60 [a propósito, já falei um pouco sobre ‘folk revival’e do Bert Jansch aqui nesta coluna há um tempinho, vejam lá!]. Naturalmente, Bert passou a integrar a formação do Pentangle.

John Rebourn e Bert Jansch

Vale lembrar que Bert Jansch foi um dos mais influentes artistas do folk britânico. Ele muitas vezes cantava e tocava canções antigas e tradicionais fazendo-as soar modernas e ‘cool’, ao invés de teatrais e bobinhas. Isso tudo com uma habilidade impressionante no violão, mas que passa longe, muito longe do firulento. A influência do Bert Jansch também ultrapassa o estilo meramente ‘folk’ – Jimmy Page, Johnny Marr, Paul Simon e Neil Young, por exemplo, já se declararam fãs e admitiram influência dele em seus próprios estilos. Certa vez, Neil Young afirmou que o Bert Jansh está para o violão assim como o Jimi Hendrix está para a guitarra elétrica.

Dito isso, vamos à canção cantarolada de hoje. Apesar da distinta cama de violões do Pentangle e de sua ‘cozinha’ jazzística do contra-baixo de Danny Thompson e da bateria de Terry Cox, o forte da faixa “Lyke Wake Dirge” é a longa melodia e as vozes em coro. A parte instrumental é singela, e serve apenas para dar um suporte ao tom solene e ancestral desse cântico fúnebre.

“Lyke Wake Dirge” é tipicamente uma canção folk. A letra é em inglês arcaico, um dialeto da região de Yorkshire, norte da Inglaterra. O sotaque do pessoal dessa região é fortemente influenciado por esse dialeto. Trata-se de um poema tradicional medieval, porém é provável que tanto o poema quanto o cântico tenha origens pré-Cristãs, ou seja, deve ter surgido originalmente de um ritual ou tradição do povo celta. Do jeitinho que os artistas do folk revival gostam.

Porém, as imagens e a idéia da letra que se tem registro é totalmente cristã. É um cântico para ser entoado no momento em que se vela um falecido. A palavra ‘lyke’ significa cadáver, inclusive uma de suas variações é “lich”, uma criatura mitológica do morto-vivo, o ser cadavérico, como o Lich da Hora da Aventura, por exemplo. Mas nesse caso quer dizer simplesmente ‘morto’ mesmo. “Wake” é no sentido de ‘watch’, velar o corpo. E ‘dirge’, traduz-se como hino fúnebre.

A mensagem não é lá muito confortante, como era de se esperar, já que é um cântico da Idade das Trevas. É meio que um aviso que se você, no caso o falecido, não levou uma vida de caridade, irá espetar os pés nos espinhos do pântano do purgatório. E vai doer. Você também não conseguirá passar pela ponte estreita em direção aos céus, e irá cair em chamas. Porém, os versos sempre terminam com a reza “E que Cristo receba sua alma” [And Christe receive thy saule]. Quem fica, pelo menos está na torcida pra que dê tudo certo para o coitado.

Apesar de a temática ser fúnebre e sombria, a Lyke Wake Dirge do Pentangle não se esforça para manter um tom soturno e triste, mas sim preza pela beleza da melodia e pela homenagem à tradição. E faz isso de uma maneira inconfundível. A faixa está no disco ESSENCIAL “Basket of Light”, de 1969.

Construindo GRITO: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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GRITO

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto de Barretos GRITO apresentando os 20 sons que mais influenciaram o som da banda.

Jimi Hendrix“Spanish Castle Magic”
Rock Bruno: O maior presente que a minha mãe me deu foi me apresentar a esse cara. O cara. A urgência é tão grande que você consegue sentir que as músicas são tocadas por necessidade: se elas não forem tocadas, o mundo vai acabar. Sem ele, o rock seria diferente, menor.

Pink Floyd“Time”
Rock Bruno: Aqui se deu a primeira viagem pelo mundo dos álbuns conceituais. A riqueza sonora é tão grande que a imersão acontece muito facilmente. Sem falar que a música “Time” contém o meu solo favorito do David Gilmour.

Mercyful Fate“The Uninvited Guest”
Rock Bruno: Me lembro como se fosse ontem. Eu estava na frente de casa. Meu irmão e alguns amigos nossos estavam vendo um VHS com clipes de heavy metal na sala. Começou a tocar uma música que imediatamente prendeu minha atenção. “Que p**** é essa que tá tocando?!”. Aí eu vi a cara pintada que me fez entrar na minha fase metaleira. Guilherme e eu tocamos muito essa música quando moleques.

King Diamond“The Jonah”
Rock Bruno: Olha o rei aí de novo. E outra música que tocamos bastante. Pouco tempo após conhecer o Mercyful Fate, conferi os trampos da banda King Diamond. Fiquei extasiado com seus álbuns que contavam histórias, com cada música sendo como que um capítulo de um livro de terror. A influência desse trabalho de narrativa no GRITO não poderia ser mais óbvia.

Bathory“The Lake”
Guilherme Silveira: Bathory é um nome muito marcante, por mostrar a união entre aspectos tidos como extremos e outros rebuscados e minuciosos. Quando se tem 15 anos, esses aspectos tendem a ser entendidos como antagônicos. O álbum “Blood on Ice” traz tudo isso e a música “The Lake” carrega em si todo o poder épico de uma canção, grandiosa e fora dos padrões para a música pesada. Cada detalhe ficou marcado para sempre na minha cabeça, dos violões delicados à bateria pesadíssima que conduzem até o longo e maravilhoso refrão, ensinou o que é construção em música, para além da canção.

Alice In Chains“Rain When I Die”
Weverton Valini: Na minha opinião, Jerry Cantrell é um dos guitarristas mais subestimados de todos. Ainda que ele seja um bom solista, a atmosfera densa e pesada de cada arranjo desse cara é algo assustador. E nessa música não é diferente. A primeira vez que ouvi ‘‘Rain When I Die” só pude pensar em uma coisa, “eu queria ter composto essa música”.

Black Cobra“Interceptor”
Rock Bruno: Eu adoro ouvir músicas que me dão vontade de quebrar coisas à minha volta e essa música causa exatamente isso. Lá no começo dos anos 2000, eu tinha dificuldade de encaixar minhas músicas no estilo da minha banda da época, que fazia um heavy metal tradicional, e eu não sabia pra que lado guiá-las. O Black Cobra me trouxe um tipo de música que eu, até então, nunca tinha ouvido e que foi o primeiro sinal de que havia esperança pras minhas músicas.

Kekal“Isolated I”
Rock Bruno: Surgido da improvável Indonésia, o Kekal foi o responsável pelo meu maior choque na música. Existe o Rock Bruno antes do Kekal e o depois do Kekal. Conhecer o álbum “The Habit of Fire” me ajudou a quebrar tantos paradigmas que eu nem consigo enumerar. O álbum simplesmente tem tudo e de uma forma que funciona, sinal de que entre os membros, sobretudo o líder Jeff Arwadi, há um extremo bom gosto musical. É realmente uma pena que a banda não receba o devido reconhecimento.

Lento“Need”
Rock Bruno: Temos grandes bandas por aí capazes de soar pesadíssimas, mas só o Lento consegue tanto peso com tão pouco. Mesmo não usando guitarras superdistorcidas, ao ouvir a banda você sente o peso de montanhas sobre as costas e ao mesmo tempo é capaz de voar sobre elas. Esquizofrenizante.

Stinking Lizaveta“Indomitable Will”
Guilherme Silveira: Crua e viajante, essa música do Stinking Lizaveta expressa exatamente isso, uma vontade indomável de expor, de gritar de forma urgente, ainda que não desesperada. Não é necessária uma grande orquestra ou muitos instrumentos para fazer algo grandioso. Desde a primeira vez que ouvi esses poucos 2 minutos e 50 segundos me tomaram e falaram algo com muito mais propriedade do que qualquer letra poderia falar. A cadência e a cama formada pela base cavalgada, com certeza são influências diretas para as composições das quais participo.

Cloudkicker“From the Balcony”
Rock Bruno: Ao ouvir o Cloudkicker, banda “de quarto” de Ben Sharp, eu finalmente fui capaz de dizer: é isso! Apesar do GRITO soar bem diferente, vários dos seus elementos sonoros estão presentes aqui, de uma forma ou de outra. A cada lançamento ele demonstra mais maturidade. Após anos de terreno semeado, o Cloudkicker forneceu a energia que faria o GRITO nascer pouco tempo depois.

Macaco Bong“Amendoim”
Gui Pereira: Foi a primeira música instrumental que ouvi e me chamou atenção, ela é a responsável por hoje minha playlist ser 95% instrumental, me apaixonei logo de cara! Desde a introdução até o último riff da guitarra, essa música tem tudo perfeito, o tempo, a guita, batera, baixo, é tudo milimetricamente encaixado!! Graças ao álbum “Artista Igual Pedreiro” hoje sou um amante do rock instrumental.

sgt.“Apollo Program”
Rock Bruno: Foi através dessa música que conheci a cena japonesa de post-rock, pela qual tenho profunda admiração. Além disso, a verve minimalista das harmonias e arranjos, assim como algumas características da “cozinha” da banda, fazem o sgt. uma grande influência na sonoridade do GRITO.

Russian Circles“Youngblood”
Gui Pereira: É a música perfeita, na minha opinião! É pesada, tensa e tem uma profundidade sem igual! Foi outra das músicas que me trouxeram ao instrumental. O que mais me chama atenção na “Youngblood” com certeza é performance do baixista Colin DeKuiper, sem dúvida o timbre pesado do seu baixo é o meu favorito.

“Schakles”
Rock Bruno: É uma das músicas mais lindas e originais que já ouvi, pois através de uma levada de batera nada usual você de repente se vê alvo de uma violência musical inacreditavelmente agradável. Uma das melhores bandas de sempre.

Intronaut“Killing Birds With Stones”
Weverton Valini: O Intronaut me ajudou a amadurecer muito como guitarrista, principalmente depois da minha entrada no GRITO. Saindo um pouco do 4/4 e entrando compassos mais complexos, suas músicas fizeram com que eu me empenhasse mais como músico, mas não tecnicamente e sim como ouvinte, percebendo que às vezes do mais simples arranjo pode ganhar mais força o mais bem elaborado e complicado riff ou solo de guitarra.

Ronald Jenkees“From the Arrow Loop”
Rock Bruno: Um cara que faz música eletrônica instrumental também no seu quarto, principalmente hip hop, de maneira criativa e divertida. Muito legal ver a evolução do trabalho dele, que no início era fortemente calcado em improvisações. Em seus trabalhos mais recentes, no entanto, suas composições evoluíram bastante na forma, ganhando muito em senso de unidade e capacidade de diálogo.

Boris“Feedbacker”
Guilherme Silveira: Conhecer Boris foi um salto musical para mim. Já ouvia alguns sons nessa linha, como o Sunn O))), mas foi com o Boris, na música “Feedbacker”, que pude ter uma compreensão maior desse gênero. Quando misturam grandes períodos de paredes sonoras, intercalando outros momentos com voz e base lamacenta, criam um todo muito instigante. Passei dias deixando essa música no repeat enquanto desenhava. Sempre me levou a outros mundos e moldou não só a minha forma de pensar e compor música, mas também o desenho e as histórias em quadrinhos que faço. Influência direta e total.

Sleeping in Gethsemane“Of Giants”
Rock Bruno: O último álbum do SiG, “When The Landscape Is Quiet Again”, é uma obra-prima. Não há nenhum momento de baixa, todas as músicas são marcantes. A banda, na época, estava no seu auge, exibindo muita energia e melodia, oferecendo um estilo único que aliava ao post-rock uma série de influências de outros gêneros musicais. Além de tudo, a música “Of Giants” é uma das minhas favoritas de todos os tempos. Uma pena a banda ter acabado, pois tinha força pra ir muito longe.

Képzelt Varos“Kepler”
Rock Bruno: Eu não me lembro como foi que conheci essa banda húngara, mas a sua música se destaca naquilo que pra mim, como compositor, é o mais importante – não a técnica, nem a complexidade, mas a forma. Suas músicas trazem ideias simples, porém encaixadas da melhor maneira possível. Um exemplo para o GRITO quanto ao aproveitamento de ideias musicais simples para conseguir grandes efeitos.

Duo de Fortaleza Intuición mostra sua selvageria frenética cheia de raiva e deboche no EP “Drugui”

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Intuición
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Os drugues estão à solta! Utilizando a linguagem nadsat criada por Anthony Burgess no clássico “Laranja Mecânica”, o duo de Fortaleza Intuición batizou seu mais recente EP, lançado em 2016, de “Drugui”. Formada por Clapt Bloom (vocais) e Lua Underwood (synths, guitarra e eletrônicos), a banda faz shows arrebatadores e é impossível não ser impactado depois de ver uma de suas alucinadas e viscerais apresentações ao vivo.

A atitude grrrl power de Clapt no electropunk da dupla já rendeu muitos comentários. Os que entendem o que o rock significa ficam maravilhados e batem palmas para a atitude selvagem da vocalista no palco. Já os conservadores com mentalidade antiquada, que corariam ao ver Iggy Pop se jogando no chão, enchem (e muito) o saco da banda. “Estavam compartilhando um vídeo da nossa performance e nele haviam vários comentários sexistas, muitos mesmo. Coisas pesadas, inclusive uma ameaça de morte…”, lamenta. Mesmo com essas pedras retrógradas no caminho, o duo segue sua selvageria punk e prepara seu primeiro disco, que deve ser lançado em breve mostrando um pouco de influências setentistas no alucinado som da banda.

Conversei com Clapt sobre a carreira do duo, o disco “Drugui”, as impressionantes e desenfreadas apresentações ao vivo, a cena independente de Fortaleza e muito mais:

– Como a banda começou?

Eu tinha acabado com minha primeira banda e tava sem saber o que fazer. Eu e o Lua já éramos amigos desde o colégio, na época ele tava produzindo uns remixes muito bons, ouvi e perguntei a ele se não dava pra compor pelo programa que ele usava, ele disse que sim e aí decidimos formar esse duo eletrônico.

– Quando foi esse início?

No final de 2012, ai logo no comecinho de 2013 começamos a divulgar o som que a gente tava fazendo/experimentando.

– Quais as maiores influências musicais de vocês para este projeto?

Eu sempre fui inspirada na cena riot grrrl dos anos 90, desde a minha primeira banda. Acho que independente do projeto que eu esteja, sempre vai transparecer essa minha influência… Em relação à música/composição, eu e o Lua temos praticamente as mesmas influências e ideias pro Intuición, a gente se baseia em bandas como Sonic Youth, Le Tigre, Vive La Fête, David Bowie, CSS, entre outros.

– Como vocês definiriam o som da banda para quem ainda não conhece?

Electropunk… é uma definição vaga mas acho que é a que mais se encaixa!

– Me contem um pouco mais sobre o material que você já lançaram.

O último material que a gente lançou foi o “DRUGUI”, em fevereiro de 2016. Fizemos o mesmo esquema de sempre: gravação caseira, com um PC fodido e um celular. A gente queria fazer músicas que dessem uma energia maior nos lives, e esse EP foi praticamente todo pensado pra funcionar ao vivo. Acho que isso se encaixa na temática do EP também, que foi inspirado na comunidade/estética nadsat criada no Laranja Mecânica.

– Por falar em shows ao vivo, este ano vocês tiveram que bater de frente com pessoas conservadoras e retrógadas que ficaram irritadas por sua performance em shows. Como rolou isso?

Na hora em que estávamos tocando rolou tudo de boa, nenhuma reclamação aparente, foi OK. Eu só cheguei a ver esse “linchamento” virtualmente: estavam compartilhando um vídeo da nossa performance e nele haviam vários comentários sexistas, muitos mesmo. Coisas pesadas, inclusive uma ameaça de morte… Tive que ir até a delegacia da mulher por medo. Fiz o B.O., mas eles não tratam esses casos pela delegacia da mulher e eu fiquei completamente desconfortável de saber que eu teria que contar com policiais homens pra “resolver” essa situação, então desisti de levar o processo adiante.

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– Esse tipo de comportamento virtual ainda acontece constantemente com bandas com mulheres na formação, ou com integrantes LGBTQ. Como as bandas podem lutar contra este tipo de agressão?

Batendo de frente, não tem muito o que fazer… O lance é mostrar o seu trabalho a qualquer custo e passar a vida toda se esquivando dessas barreiras, gritar o mais alto que puder, ninguém vai querer te ouvir, nem te dar credibilidade por nada.

– Como está a cena independente de Fortaleza hoje em dia?

Tem um tempinho que começou ressurgir bandas com uma identidade autoral muito massa, sem medo de experimentar. Eu acho a cena independente hoje em dia bem representada aqui em Fortaleza.

– Porque o formato duo, antes raro no rock, se tornou tão popular?

Não sei… Acho que com o avanço da tecnologia, as pessoas optaram trabalhar umas com as outras cada vez menos. Eu prefiro trabalhar com o mínimo de gente possível, quando tem muitas ideias surge uma confusão… Enfim, lidar com gente é bem complicado!

– Aliás, deixa eu voltar um pouco: como surgiu o nome da banda?

Foi do nada… Fiquei escrevendo uns nomes aleatórios num papel até que pensei em Intuición, o Lua gostou e deixamos assim mesmo!

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– E antes do “Drugui” vocês lançaram bastante coisa. Me conta mais dessa trajetória!

No começo a gente só soltava umas músicas aleatórias, até que a gente decidiu dar uma revisada no nosso set e se focar em fazer um EP. Então em 2014 a gente lançou o “Desperate | Silver Lining” e começamos a fazer shows (nosso primeiro show foi em 2013, na verdade, mas depois disso passamos um tempo parados), era muito ruim na época (na verdade hoje em dia não mudou muita coisa). Ninguém entendia como funcionava o nosso live e a gente também não tinha equipamento… Pra completar na época o PC que a gente usou pra construir o EP inteiro pifou e perdemos todos os projetos das músicas. Acabou que trabalhamos num EP e nunca tivemos a chance de tocar ele ao vivo. Então no final de 2014 a gente começou a fazer um segundo EP, o Lua tava ganhando mais experiência como produtor e conseguiu fazer nosso EP soar bem profissional pra pouca coisa que tínhamos na época. Acabou que uma galera gostou do “Sad Frequencies” e começamos a fazer mais shows, algumas pessoas apostaram na gente e a nossa estrutura como banda tava pegando maturidade. Em 2016 lançamos o “DRUGUI”.

– Os shows de vocês são conhecidos por serem inesquecíveis. Como você descreveria um show da banda para quem ainda não viu?

(Risos) Eu nao sabia disso, massa. Pra quem ainda não viu o show, acho que posso descrever como frenético, cheio de raiva e deboche, eu e o Lua nos sentimos assim a maioria das vezes que pisamos no palco.

– Quais os próximos passos da banda?

A gente pretende lançar um single ainda esse ano e começar a trabalhar no nosso primeiro álbum.

– Pode adiantar algo sobre o que vem no álbum?

Humm… Pelas experimentações que a gente vem fazendo, creio que o álbum vá vir com uma vibe setentista, é a única coisa que posso afirmar!

– Recomende bandas e artistas ( de preferência independentes ) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Vou citar a galera daqui, que a gente sempre cita nas entrevistas, bandas como Monquiboy-Boo, Miss Jane, Lascaux, são bandas independentes que fazem um som muito massa aqui por Fortaleza!