Paramnese e Que Ainda Acredite Nisso, as bandas dum cara que me ensinou umas coisas

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Esse texto eu dedico ao meu professor da coragem. Te imagino fora dos mercados vendo as famílias fazendo compras de noite, na calçada contando os segundos do farol no centro da cidade, dando um passo curto pra frente. Eu dedico esse texto ao cara com quem me comparam quando eu declarava um amor bêbado no meu aniversário de 18 anos e em tantas outras ocasiões. Muito obrigado cara, de verdade.

Banda Paramnese tocando a música “Espinafres em Dó Maior

No meu terceiro ano do colegial tive um professor de português muito loko. Com o sotaque sorocabano, o cara além de declarar os amores pelo Fernando Pessoa me ensinou algumas das coisas mais importantes pra minha vida: me ensinou a ouvir Belchior, me ensinou a entender o Ginsberg e me ensinou a ser menos babaca. Acontece que além de tudo, o cara sempre de camisa vermelha é também um poeta do caralho e apaixonado pelo rapaz latino americano, um louco por música e por tabela, um músico com composições absurdas.

A primeira “banda séria”, a Paramnese durou de 2007 até 2014, passando por várias formações ao longo desse tempo, aconteceu em Campinas quando o meu tal professor (Cássio Correa, no baixo) e um colega de faculdade (o Gera, baterista), que já tocavam juntos há um tempo, conheceram o Rodrigo (trompetista) que então trouxe o Frans (guitarrista) e aí tinham a primeira formação. Quando o Frans saiu, quem entrou no seu lugar foi o Cabé, “professor fundador de cursinhos populares em Campinas, cara gente fina!”, segundo as palavras do Cássio. Mas ele ficou pouco tempo e então entraram o Paulo (percussão) e o Jeff (violão e guitarra). Nessa hora, eram cinco poetas na banda, mas as letras todas do Cássio e do Paulo.

Com essa formação que gravaram a maioria das músicas, num esquema de “ser tudo cambiante, todo mundo tocar tudo, meio Belle and Sebastian“, novamente segundo as palavras do meu professor. Músicas por sinal, todas com uma sonoridade e uma letra que misturam uma série de influências, desde Pink Floyd até Belchior, passando por Dylan, poesia beatnik, e o mundo visto da janela do ônibus de noite.
O Gera saiu depois de um tempo e aí a banda ficou sem batera. O Caio passou um tempo com a banda e o Jeff (o do violão/guitarra) foi se dedicar a outros projetos. No final ficaram só o Cássio, o Rodrigo e o Paulo até a morte do Rodrigo, um “cantor e trompetista, poeta, filósofo, clown, lutador, sindicalista, amigo daqueles que são melhor amigo” (segundo a referência das outras citações) em 2014, com a banda já na crise das bandas.

Alguns anos depois, surgiu um outro projeto. A banda (dupla) Que Ainda Acredite Nisso era a remanescência do paramnese, o Cássio e o Paulo, ainda com uma sonoridade tocante que fala sobre todas as coisas da vida com uma estranha sensação de um desespero agonizante que é ao mesmo tempo uma alegria dopada de quem entende o sentido da vida às três da manhã gritando uma música qualquer numa praça do centro da cidade.

Hoje o Cássio continua escrevendo e lançou um livro recentemente com suas letras sob o título “Suas Canções Parecem Poemas“, segundo ele, frase dita por muitos sobre suas músicas.

Seguem os links pras bandas no soundcloud e pro seu blog de poesias.

Paramnese:

Que Ainda Acredite Nisso:

Blog de poesias do Cássio:

https://pentespraticos.wordpress.com/

É isso aí galera. Valeu!

Então é Natal! E o que a Simone te fez?

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Tá chegando o Natal e com ele aquele ódio gratuito contra a cantora Simone e seu hit natalino. “25 de Dezembro” é um disco maravilhoso. Foi lançado em 1995, e eu, uma criança viciada em SBT (naquela época não tinha noção de realidade e não percebia o quão machista e escroto o Silvio Santos pode ser) ficava intrigado com um comercial que anunciava “faltam XX dias para 25 de Dezembro”. Só que pelas contas é quando seria 10 de Dezembro.

Achava aquilo meio louco. O comercial passava em todos os intervalos e se bobear eu nem dormi de ansiedade para saber o que significava essa palhaçada. Eis que chegou o dia e foi anunciado do que se tratava: o disco natalino da Simone.

As rádios tocavam exaustivamente “Então é Natal” e eu ficava bem emotivo. Sempre considerei, não sei exatamente o porquê, o Natal uma data triste. A música é uma versão em português de “Happy Xmas (War Is Over)” do beatle John Lennon, e também foi gravada por nomes como Maroon 5, Sérgio Reis, Padre Marcelo Rossi, Roupa Nova e Luan Santana.

Logo em seguida, comprei a fita K7 piratona (meu amor, eram tempos difíceis antes da internet facilitar a nossa vida) e fiquei apaixonado. É tão brega e tão lindo. Decorei todas aquelas músicas e por um bom tempo convivi com o espírito natalino. O disco fez tanto sucesso que vendeu cerca de 2 milhões de cópias na América Latina e suas vendas aumentam a cada final de ano.

Lembro bem da participação da Simone no programa da Hebe (que saudades, gracinha!) com o coral das Meninas Cantoras de Petrópolis. Todo mundo de branco, aquela coisa linda e tudo mais. Essa imagem sempre me vem na cabeça e lembro do quão impactado fiquei com isso.

Mas o que me levou a escrever esse texto é: esse disco fala de amor, respeito, solidariedade e afins. Só coisas boas e lindas. Reclamamos tanto das palhaçadas da nossa vida, e perdemos tempo criticando gratuitamente um trabalho que só quis levar o amor.

POR FAVOR, PAREM. Porque além de ser um ódio gratuito e desnecessário, é uma piada que já perdeu a graça. O mesmo serve para as piadas sobre a uva-passa e o pavê.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo rapper Kamau

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foto: Ênio César

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é o rapper Kamau, que lançou recentemente o single “Tudo Uma Questão De…”.

Dinosaur Jr. “Just Like Heaven”
Eu ando de skate há quase 30 anos e muito da minha formação musical vem dos vídeos de skate.
Quando eu vi o vídeo da (marca) Blind chamado “Video Days” (dirigido por Spike Jonze), gostei muito da parte de um skatista chamado Rudy Johnson. Ali conheci a música do Dinosaur Jr. e chapei! Depois desse vídeo eu sempre trocava ideias sobre a banda com o maior fã de Dinosaur que conheço: meu amigo Eugênio Geninho. Só bem depois fui saber que essa era uma versão de uma música do The Cure, banda que eu já conhecia. Mas a versão de J. Mascis e companhia sempre será minha preferida.

Daryl Hall & John Oates“Say It Isn’t So”
Um dia eu acordei com essa música na cabeça ali pro final de 2014, começo de 2015. E ficava cantarolando esse refrão sem saber o porquê. Eu cresci nos anos 80 e ouvi a música na época em que tocava em rádios e alguns programas de TV. Mas não sou o maior fã da sonoridade dessa época. Algumas músicas voltam pra mente apenas por memória afetiva, mesmo não tendo marcado nenhum momento específico da vida. E essa virou uma preferida aleatória dessas. Tanto que eu sampleei pra uma batida que fiz pro meu EP “Licença Poética”. Mas não vou revelar qual pra deixar esse “gostinho de mistério” no ar.

Instituto“#1”
Fui convidado por Daniel Ganjaman pra ser o MC do formato “show” do coletivo Instituto nos palcos em 2003. Aprendi muito musicalmente desde então. E uma das canções integrantes do disco “Coleção Nacional” se tornou uma das minhas preferidas da vida. Fico feliz em conhecer pessoalmente os autores de uma música tão bonita. Eu sempre pedia pra que ela fizesse parte do nosso repertório só pra ouvir ali do palco mesmo, antes do meu momento de rimar sobre ela e sair de cena pra ouvir mais um pouco. Obrigado, Maurício Takara e Daniel Ganjaman, por essa em especial, mas por todas as músicas que já fizeram ou contribuíram no nosso universo musical.

Tulipa Ruiz“Só Sei Dançar Com Você”
Conheci essa música da Tulipa num show organizado pelo Ganjaman em meados de 2011 em que o Criolo dividiu essa canção com ela no palco. Desde então, ela sempre volta de alguma forma ao meu cotidiano. Esse som me fez convidá-la pra participar do meu EP de 2012, “… entre…”, na música “Lágrimas do Palhaço”. Tinha até pedido autorização dela pra samplear essa música mas não consegui pensar num jeito que fizesse jus à essa obra. Vai ficar de trilha pra vida.

The Free Design“Never Tell the World”
Eu e o DJ Nyack colocamos como hábito em nossas vidas comprar ao menos um vinil por semana. Claro que nunca conseguimos comprar um só. Mas eu mantenho essa prática de ir até a loja e comprar pra samplear, pra pesquisar ou simplesmente ouvir alguns achados. Numa dessas idas às compras, achei o vinil “Kites Are Fun”, da banda The Free Design que era rotulada como “sunshine pop” e havia sido sampleada na canção “Zone Out”, do rapper Big Pooh (integrante do Little Brother). Virou vício imediato e de tempos em tempos eu volto a ouvir esse disco todo e ainda vou encontrar uma maneira de sampleá-lo bem. Mas essa canção em específico tem uma letra com a qual me identifico muito. Não gosto de gritar aos quatro ventos o que estou fazendo pra que não dê errado. Daí também vem a justificativa do significado de Kamau: Guerreiro Silencioso. E isso se aplica a muitos aspectos da minha vida. E pretendo continuar agindo assim pra que não cresçam o olho no pouco que tenho.

A lista atualizada de lugares de São Paulo onde sempre tem uma banda independente tocando

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Letty and the Goos no Bar da Avareza

“Ah, mas não tem lugar pra banda independente se apresentar em São Paulo”. Você já deve ter ouvido isso e também ouvido que “a cena tá morrendo” por esse motivo.

As duas afirmações estão incorretas: São Paulo está cheia de locais onde sempre tem uma banda autoral se apresentando, mesmo que às vezes precise dividir a noite com alguma banda cover (afinal, a casa precisa de grana, e infelizmente muita gente prefere dar seu suado dinheirinho pra cover, fazer o quê). Fiz uma pequena lista de casas, estúdios e lugares que atualmente abrigam a borbulhante cena autoral independente do país. Fique de olho na agenda desses locais e compareça aos shows!

(Aliás, a tal cena só morre se você ficar só reclamando dela ao invés de se levantar e aparecer para fortalecer essas apresentações. Estamos combinados?)

Associação Cultural Cecília
Rua Vitorino Carmilo, 449 – Santa Cecília

Paula Cavalciuk

Paula Cavalciuk no Cecília

A Cecília é uma casa que exala cultura pelas paredes. O espaço oferece quase diariamente shows dos mais variados estilos, sempre com muita proximidade entre público e artista. A Associação Cultural Cecília também realiza seus tradicionais festivais de rua e outros projetos com música e artes.

Morfeus Club
Rua Ana Cintra, 110 – Santa CecíliaAletrix

Aletrix no palco do Morfeus

Rap, hip hop, metal, punk, reggae e dub são alguns dos estilos que você encontra ao adentrar o Morfeus Club, do lado do metrô Santa Cecília. Sempre tem algum show rolando e vale a pena dar uma olhada na decoração da casa, toda feita com materiais encontrados em caçambas e jogados pela rua.

Secretinho
Rua Inácio Pereira da Rocha, 25 – Pinheiros

O Secretinho tem aquele ar de casa, mas recebe frequentemente belos shows de bandas independentes, além de muito rap e hip hop. É pequenininho, mas tem um quintal atrás para você dar uma espairecida.

Baderna
Rua Oscar Freire, 2529 – Jardins

Localizado em frente ao metrô Sumaré, o bar de atmosfera simples e caseira recebe com muita simpatia bandas e projetos musicais diversos além de oferecer culinária vegetariana e um jardim espaçoso nos fundos.

Centro Cultural Zapata
R. Riachuelo, 328 – Sé

Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos no Centro Cultural Zapata

O Centro Cultural Zapata é dedicado à diversidade artística e à cultura underground e além de artes plásticas abriga shows de bandas de todos estilos – do punk ao indie, do grindcore ao eletrônico. Fica próximo ao terminal Bandeira e à estação Anhangabaú do metrô.

Trackers
R. Dom José de Barros, 337 – República

Jorginho Amorim e a Tribo no Trackers

Jazz, rock, punk, soul, discotecagem, sound system, reggae… Tudo isso cabe na Trackers, casa que fica em um prédio bem próximo à Galeria do Rock e sempre tem uma festa em seus diversos ambientes. Tão plural quanto a casa é sua programação. Fique de olho, que sempre tem algum evento que pode te interessar.

 

Sensorial Discos
R. Augusta, 2389 – Jardins

A Sensorial Discos reúne loja de discos, bar e espaço para shows, além de reunir uma galera que curte música pra bater um papo sobre o assunto. Também rolam lançamentos de livros, discotecagens e muito mais por lá. Escolha sua cerveja artesanal e curta o show.

Hotel Bar
R. Matias Aíres, 78 – Consolação

TEST no Hotel Bar

Pequenininho, mas cheio de personalidade. Na badalada região baixa da Rua Augusta, o Hotel Bar sempre tá com um show bacana pra você conferir, mesmo que seja ouvindo do lado de fora tomando umas.

Casa do Mancha
R. Felipe de Alcaçova, 89 – Pinheiros

Acruz Sesper Trio na Casa do Mancha

Uma das casas mais requisitadas da cena independente, a Casa do Mancha começou  em 2007 com um pequeno estúdio na sala da casa onde de fato morava o músico e produtor Mancha Leonel. De lá pra cá se tornou o lar de shows de todos os tipos de som, sempre com um público fiel.

FFFront!
R. Purpurina, 199 – Sumarezinho

Clemente e a Fantástica Banda Sem Nome no Fffront

Acho que a própria página do FFFront explica bem: “É um espaço criado entre amigos para ser dividido com diversão, conversas e momentos de ode ao ócio, sem culpa”. Frequentar, divulgar, trazer amigos e se sentir bem é o que a casa prega. Ah, e tem shows fodaços, vira e mexe.

Espaço Zé Presidente
Rua Cardeal Arcoverde, 1545

Rael no Zé Presidente

O Zé Presidente fica na Vila Madalena e além de diversos shows, costuma receber festas dos mais variados gêneros. É uma casa, com estrutura de casa, mas um belo local com palco para as apresentações.

Centro Cultural Rio Verde
R. Belmiro Braga, 119 – Vila Madalena

Gigantesco, o Centro Cultural Rio Verde abriga shows de bandas grandes? Sim. Bandas pequenas? Sim. Bandas de rap? Sim. Eventos? Sim. Festivais? Também. Ou seja: fique de olho, alguma coisa bacana provavelmente terá por lá quando você visitar.

Augusta 339
R. Augusta, 339 – Consolação

Um dos poucos sobreviventes que continua investindo em shows na outrora selva de apresentações noturnas Rua Augusta, o Augusta 339 tem feito cada vez mais eventos com bandas independentes e autorais dos mais diversos estilos. Quer um exemplo? Tem show de hardcore lá… E também de lançamento do Pe Lanza, ex-Restart. Quer mais democrático que isso?

Estúdio Aurora
Rua João Moura, 503 – Pinheiros

In Venus no Estúdio Aurora

Você já deve ter visto os eventos do Estúdio Aurora Ao Vivo. O estúdio sempre recebe bandas para shows intimistas mas cheios de fúria e vigor com um som incrível. Vale a pena ficar de olho.

Breve
R. Clélia, 470 – Barra Funda

gorduratrans no Breve

O ex-Neu virou Breve, mudou de lugar… Mas a abertura para bandas autorais em shows incríveis continua, até com mais força que antes. O Breve virou um dos lugares mais procurados quando se fala em música autoral hoje em dia.

Estúdio Lâmina
 Av. São João, 108 – 41 – Centro

Mescalines no Estúdio Lâmina

O Estúdio Lâmina fica no quarto andar de um prédio construído na década de 40, no centro histórico de São Paulo. É um Espaço de Cultura Independente que busca divulgar novos artistas da cena, então além de shows você pode encontrar artes visuais, dança, circo contemporâneo, cinema, poesia e mais.

Espaço Disjuntor
R. da Mooca, 1747 – Mooca

Gustavo da Lua no Disjuntor

Localizado na Mooca, o Disjuntor também reúne todas as expressões artísticas, com artes plásticas, danças, performance, e, claro, música de todos os estilos.

Casa Matahari Mariposa
R. Silva Bueno, 729 – Ipiranga


“Aberta para reunir pessoas que apreciam boa musica, arte e cultura num raro ambiente realmente alternativo”, segundo a página. Shows de jazz, samba, soul e muito mais.

Underground Club
Av Santos Dumont, 626 – Luz

Perto do metrô Armênia, o Underground Club foi criado com inspiração nos bares e clubes europeus que apresentam bandas independentes.

Feeling Music Bar
R. Domingos de Morais, 1739 – Vila Mariana

O Feeling aposta no rock e vira e mexe tem uma banda independente por lá, além de festivais, concursos e festas. Ah, e como toda casa de música que se preze, um belo bar. Porque música sem uma cervejinha é algo que não rola!

Jai Club
Rua Vergueiro, 2676 – Vila Mariana

Show de banda independente, show de banda grande, balada, festa temática, lançamento de livro… Tudo isso você encontra no Jai Club, perto do metrô Ana Rosa e uma casa muito bonita, com uma decoração bem bacana (e um fliperama com Street Fighter!)

Bar da Avareza
R. Augusta, 591 – Consolação

Papisa no Bar da Avareza

O Crush em Hi-Fi em parceria com os blogs Hits Perdidos, Cansei do Mainstream e RockALT faz mensalmente o projeto Contramão Gig no Bar da Avareza, na Rua Augusta, sempre com bandas autorais em shows ao vivo. Ah, e a casa agora começou a investir em mais shows autorais também!

Sentiu falta de alguma casa que abriga shows autorais? Tem alguma sugestão? Manda aqui nos comentários que eu atualizo o post!

Baby Budas investe no rock gaúcho com psicodelia e “Jovem Guarda de expansão” no disco “Baby Budas No Jardim da Infância”

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Foto: Fábio Alt

Sonoro e meigo, brincalhão e lúdico. Inspirados pela música “Buda Baby” da Graforreia Xilarmônica e unindo o profano com o sagrado, os Baby Budas fazem algo chamado pop rock psicodélico de retaguarda, ou, segundo Plato Dvorak, “Jovem Guarda de expansão”. Qualquer que deja a denominação do som do quarteto, ele pode ser ouvido em “Baby Budas no Jardim da Infância”, o primeiro álbum dos gaúchos, gravado em diversos estúdios, sempre rodeado de amigos. O disco tem a produção de Pedro Petracco (Cartolas e Ian Ramil) e foi lançado em formato fanzine pelo 180 Selo Fonográfico.

Formada por Henrique Bordini (baixo e voz), Henrique Cardoni (teclado, violão e voz), Bruno Ruffier (guitarra e voz) e Humberto Mohr (bateria), a banda de Porto Alegre mostra influências do rock gaúcho, além de incursões pelo brega, rockabilly, psicodelia e até o kraut rock, segundo eles. Conversei com o tecladista sobre a carreira da banda, o primeiro álbum e a música independente:

– Como a banda começou?

Originalmente, a banda surgiu de um desejo meu e do meu primo (Bruno Cardoni). Sempre tivemos o hábito de tocar e compor. Já tínhamos umas 3 ou 4 canções bem estruturadas quando percebemos que era hora de buscar uma baterista e um baixista para fazer essa canções acontecerem de fato. Nisso surgiu o Bordini, o baixista, que não só se dispôs a tocar baixo como também entrou junto (e muito bem) nas composições. O rapaz é d’ouro. Quanto ao baterista, apareceu numa festa, quando o Bruno e o Bordini falavam sobre música com um cara desconhecido que veio a ser o Richter, o primeiro baterista dos Baby Budas. Estava formada a banda.

– Como chegaram no nome Baby Budas? O que significa para vocês?

Baby Budas surgiu em um brainstorm e pegamos o nome por várias razões. Primeiro, porque gostamos, achamos sonoro e meigo, meio brincalhão e lúdico. Segundo, porque remete à música “Buda Baby”, da Graforreia Xilarmônica, banda gaúcha que crescemos ouvindo. Por último, construímos um sentido filosófico para o nome. É uma espécie de amalgama entre o profano (Baby) e o sagrado (Buda), é esse meio do caminho entre o kitsch do Baby, um termo pop, e a elevação do Buda. Baby Budas seria cantar este desencontro, esse lugar limítrofe entre a sociedade do espetáculo e o além mundo.

– Quais as suas principais influências musicais?

Buscando entender esse mosaico doido de influências, dá para dizer que me criei ouvindo Beatles, dei uma bandinha pelo rock mais pesado através de Led e de uma adolescência de metal melódico, depois descobri Tom Jobim e isso liberou a Caixa de Pandora do som Brasil, depois fui viciado em Bob Dylan, ano passo fiquei obcecado por Gilberto Gil. Nesse momento estou escutando Mac Demarco, Erasmo Carlos, Fleet Foxes, Paul Simon, Zombies. É muita coisa mesmo. Vou ficar por aqui, ok?

– Como você definiria o som da banda?

Pop rock psicodélico de retaguarda. “Jovem Guarda de expansão”, disse Plato Dvorak sobre os Baby Budas. Indie espertalhão. Rock gaúcho tentando fugir de ser rock gaúcho (e não conseguindo). Algo nessa onda.

– Como é seu processo de criação?

Antes de qualquer coisa eu passo um café bem forte. Daí eu escuto uma música que gosto muito e penso como eu poderia fazer algo parecido. A partir daí eu faço plágio dessa música, mas, já que minha musicalidade é muito baixa, meu plágio fica tão ruim que não parece a música original. Meu processo criativo é basicamente tirar músicas mal. Esse sou eu, o resto da banda faz diferente e melhor (mas não muito).

Foto: Gustavo Borges

– Me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

A banda já tem 2 clipes, “Aloha Marciano” e “Pardais”. O primeiro, “Aloha”, é a gente tocando o som no estúdio Thomas Dreher, um lugar afudê de Porto Alegre. Júpiter Maçã e uma pá de gente boa gravou lá, então é legal pegar o espírito do lugar. Nesse dia, eu gravei minha voz num microfone especializado em captar bumbo de bateria, mas ficou bom, sabe? Aí tem “Pardais” que é o clipe mais fofinho que você respeita, porque é só uns cara meio deprê com quase 30 anos brincando no campo. Entre esses dois clipes, tem o nosso disquíneo de oito sons. Grande demais pra ser um EP e curto demais para ser um álbum propriamente dito, mas no nosso coração é um álbum, sim, é o “Baby Budas no Jardim de Infância” e foi todo feito com a ajuda de amigos muito competentes, como o Pedro Petracco e os guris do estúdio Casinha. O disco é um Frankenstein, feito pedaço num quarto, pedaço num sótão, pedaço em Canela, pedaço no Thomas, pedaço na Casinha, mas o resultado foi um troço querido, legítimo. A gente é aquele disco ali mesmo, que custou o que podíamos pagar e que ficou o melhor que deu graças às pessoas competentes que estão ao nosso redor.

– Como você vê a cena independente autoral hoje em dia e como faz para trabalhar dentro dela?

A cena é feita de gente muito boa e muito corajosa. Fazer da música autoral o centro da sua vida é algo que requer realmente muito esforço, dedicação, capacidade de lidar com incertezas, o cara tem que conseguir lidar com não saber quanto vai tirar no fim do mês ou, na maioria dos casos, trampar de dia e tocar na noite, ou ter uma fonte de renda além da música. É uma pena que seja assim, mas é como vejo. Claro, rola gente boa e profissional que manja de viver disso, faz mais sucesso, sei lá. Os Baby Budas colocam muita elã vital no projeto musical, mas ninguém se vê vivendo disso. Eu trabalhei no IBGE nos últimos 2 anos, o Bruno escreve apostilas pra concurso, o Bordini tá se formando em Direito e também tá aí na batalha pra viver com dignidade.

– Como vocês veem o mundo em que o streaming é a principal forma de ouvir música? Isso é bom ou ruim?

Parafraseando Glória Prires: “não sou capaz de opinar”. Brincadeira, mas realmente entendo pouco da questão mercadológica da música. Basicamente, eu tenho uma banda e toco porque… preciso. Mas creio que a discussão se é bom ou ruim é meio infrutífera, porque essencialmente achar bom ou ruim não vai mudar o que está dado; a música hoje em dia é assim e ponto. Tem que ver o que, dentro do jogo, dá pra construir. A gente tem um arranjo que a arrecadação do Spotify vai para o 180 Selo Fonográfico. O esquema é que a gente não entende nada disso, mas o Garras, dono do Selo, curtiu nosso som e deu um apoio pra banda, pôs o disco no site pra vender, nos dá uma força nos contatos pra shows. Assim, o arranjo ficou com ele.

– Quais os seus próximos passos?

Fazer mestrado em Letras e esperar minha namorada passar no concurso pra diplomata, o que faria com que eu me tornasse Embaixatriz.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Dingo Bells, Ian Ramil, Bordines, Bife Simples, Supervão, Paquetá, Fantomáticos, Sterea, As Aventuras, Karma Dharma, Guto Leite, Croquetes, Grand Bazaar, Charlie e os Marretas, O Terno, Pedro Pastoriz, Renascentes, Ventre, Boogarins, Carne Doce, Akeem, TEM, Plato Dvorak, Os Torto, Ganapo, Gustavo Telles, Allseeone e provavelmente eu esqueci alguém.

Cantarolando e sentindo o blues: “St. James Infirmary”

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A jovem Meg White descobriu esta canção e a apresentou para seu companheiro Jack fazer sua própria versão nos White Stripes. Assim como Meg, eu também descobri esse clássico do blues através de um desenho da Betty Boop.

No episódio de 1933, a Betty Boop faz as vezes de uma Branca de Neve sensual e, assim como na história original, reproduz a cena macabra em que ela fica morta dentro de um caixão de vidro. Porém, para acompanhar a morbidez da cena, o criador Max Fleischer preparou uma das cenas mais legais de desenho animado que eu já vi: enquanto o caixão de vidro cai num buraco para o submundo, o palhaço Koko – personagem recorrente nos desenhos da Betty Boop –  canta um blues sofrido sobre um rapaz que foi ao hospital ver o corpo de sua amante, enquanto se transforma em um fantasma. Super a ver com a verdadeira vibe da Branca de Neve morta:

Eu fui à enfermaria St. James, eu vi minha garota lá

Ela estava esticada em uma mesa comprida e branca

Tão doce, tão fria, tão formosa

Deixe-a ir, deixe-a ir, Deus a abençoe

Seja lá onde ela estiver

Ela pode procurar em todo este mundo

Mas nunca vai encontrar outro homem gentil como eu

A voz do palhaço é de Cab Calloway, que fazia parte das big bands mais populares nos anos 30 e 40. Os movimentos do palhaço Koko também foram inspirados em Calloway, que era famoso por suas apresentações performáticas. A propósito, ele faz uma participação no filme “Irmãos Cara de Pau” (1980), cantando “Minnie The Moocher.

O blues cantado por Koko é “St. James Infirmary”, uma canção tradicional sem data ou autoria certa. Acredita-se, porém, que suas diversas versões têm origem na canção britânica de 1770, “The Unfortunate Rake”, em que narra a visita de alguém a um hospital – provavelmente para tratar doenças venéreas – e, sabendo que vai morrer, dá instruções sobre o que fazer em seu funeral.

Assim como na original britânica, a tradicional americana de 100 anos depois também possui passagens com instruções sobre o que o narrador quer que façam em seu funeral. Outras versões que originaram “St. James Infirmary” também podem ser encontradas como “Gambler’s Blues” [ou o “blues do apostador”], datadas entre o final do século XIX e começo do XX, e são atribuídas principalmente aos negros americanos.

Voltando à Betty Boop morta, enquanto Koko canta e dança como em cortejo ao caixão de vibro, o cenário de fundo vai ficando cada vez mais macabro, com várias caveiras ao fundo e referências à bebedeira e jogatina. O cenário criado no desenho não é por acaso, isso porque a canção se refere mesmo a um ambiente de submundo, típico entre os negros do começo do século XX dos EUA, época em que a canção tradicional chegou aos bardos dos jovens americanos. A simbologia das caveiras também pode ser associada aos funerais de Nova Orleans, com referências à cultura vudu.

St. James Infirmary, como um blues tradicional que se preze, tem infinitas regravações e versões. Desde Joe Cocker até White Stripes, como falei no começo do texto. A mais famosa delas talvez seja a do Louis Armstrong, que é também uma das mais tristes, vibe de lamento, mesmo. Eu mesma já tive a oportunidade de estar em um funeral em que o falecido pediu para tocar esta versão, o que foi feito. Foi uma das experiências mais tristes, mas, se serviu para alguma coisa, foi para sentir verdadeiramente O BLUES.

Construindo Petit Mort: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda  mezzo-argentina mezzo brasileira Petit Mort, que conta suas influências. “Estamos sem computador, o HD morreu (Rest In Peace), então estamos aqui com o Juan numa Lan House comentando as 20 músicas. Foi muito massa fazer a seleção, lembramos de varias histórias. Foi bem difícil botar só 20 e ficamos nos ligando o quão velhos temos ficado! (risos)”, contou Michelle Mendez, vocalista e baixista da banda. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Rage Against the Machine“Killing In The Name”
Trilha da época do colégio que ainda hoje arrepia a gente. Admiração total pelos riffs poderosos. Banda e música que tem nos influenciado muito no jeito de nos posicionar ante o mundo através da música.

Pearl Jam“Porch”
Show ao vivo mais arrepiante que vimos na vida. O vocal do Eddie Vedder é o mais foda, o cara transmite o sentimento como ninguém. É uma das bandas que mais ouvimos na época em que estava nascendo o Petit Mort. As primeiras músicas tem bastante influência no jeito de compor e letras.

PJ Harvey“Rid Of Me”
Mulherão da porra. Admiração total, aprendi muito com ela no seu jeito de ocupar o espaço num mundo tão machista como é o do rock. Composições poderosas e criativas.

Tool“The Pot”
Música e clipe irado. A viagem deles na composição e estruturas das musicas são sensacionais. A gente ouviu muito na adolescência.

Primus“My Name is Mud”
O baixista do rock mais foda, doido e com presença de palco excepcional. Ter assistido ao vivo ele lá em Buenos Aires foi uma experiência inesquecível, baita festa. Conheci a banda quando ouvi essa música.

Melvins“Lizzy”
Asissti eles lá em Buenos Aires, no Niceto Club, uma casa de shows de pequeno/médio porte. Fui lá com meus brothers: dois deles desmaiaram no meio do show. A pressão da banda e esses graves foderosos com duas baterias no palco fizeram a gente ficar muito louco.

Nirvana“School”
A gente nunca fez covers, nem fomos banda de covers, mas fizemos algumas exceções pois tem música que vale muito a pena homenagear, como essa. Altos gritos de Kurt, das principais influências da banda.

Red Fang“Prehistoric Dog”
Os clipes mais engraçados que ja vimos duma banda de rock são deles. Estamos morrendo de vontade de assistir um show deles ao vivo agora que ficamos sabendo que vão vir pro Brasil.

Truckfighters “Gargarismo”
Escutamos pela primeira vez na primeira turnê na Europa, em 2010, na casa do vocalista holandês Sander, que insistiu muito pra gente ouvir essa banda. A energia deles ao vivo é das melhores, simplesmente quebram tudo e com certeza isso nos empolga pra deixar tudo no palco com cada show.

Incubus “Blood on the Ground”
Trilha das nossas turnês pelo sul da Argentina e Chile em 2008/2009. Chegamos a fazer essa música ao vivo junto ao conhecido guitarrista da Patagônia Pey Etura. A época dessa música do Incubus é das melhores, a gente ouvia muito. Baitas letras e atmosferas.

Macaco Bong“Shift”
Um dos motivos pelo qual a gente mora no Brasil. Melhor banda, admiramos muito. O jeito de compor do Bruno Kayapy com certeza influenciou no meu jeito de pensar a guitarra. Tivemos o grande prazer de compartilhar palco com eles, gente fina demais. Muito admirável a história, guerreiros.

Foo Fighters“Low”
Furamos a fita desse disco na turnê da Europa em 2010. Essa música foi a que mais ficou na nossa cabeça. Clipe engraçado, composição sensacional. Altas baterias e guitarras.

Red Hot Chili Peppers“Suck My Kiss”
Flea, te amamos. Banda que nunca vou cansar de ouvir, a mais foda de todas. Sempre conseguem nos encher de energia, mudar o humor dos nossos dias.

Soundgarden“Outshined”
Uma das primeiras músicas que aprendi tirar em guitarra, riff inesquecível. Sentimos muita tristeza com a morte do Cornell, voz única, cara talentosíssimo com uma baita sensibilidade nas suas letras .

John Frusciante“Going Inside”
É incrível como pode existir uma pessoa no mundo que saiba traduzir tão bem toda sua dor e loucura com suas composições, desde as baterias, samplers, guitarras até as letras profundas. Me faz sentir muita coisa cada música dele, em especial essa aí.

Deftones“My Own Summer”
Da época da MTV que te fazia conhecer novas bandas do caralho. Música que fizemos tributo num show na Amsterdam, Holanda na primeira turnê de Europa no 2010.

Arctic Monkeys“The View From the Afternoon”
A conexão que tem o Alex Turner com o batera é única, muito talentosos. Admiro muito as composições deles dois. Essa banda tem umas letras sensacionais.

Sumo“Mejor No Hablar de Ciertas Cosas”
Música cheia de significado pra nós argentinos, poesias do Luca Prodan que mexeram com nossa cabeça bem na adolescência. Foi muito bom aquela banda ter existido pra história do rock argentino.

Queens of the Stone Age“Go With the Flow”
Também vi pela primeira vez na MTV, fechou certinho música e clipe.

Die Antwoord“I Find U Freeky”
Uma das bandas que mais temos ouvido nestes últimos anos. Uma banda que foi além do que podia se esperar, energia irada no palco e criatividade em todas as áreas: musicais, visuais, clipes, comunicação, dialetos. Muito foda.

Lâmina mostra que o movimento riot grrrl continua com os dois pés na porta no disco “Manifest”

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foto: Vini Bock

Graças à Kathleen Hannah e seu Bikini Kill o quarteto Lâmina surgiu. A banda coloca para fora seus ideais e protestos, falando sobre feminismo, política e questões sociais em suas letras e discurso. As principais influências, além da banda que simboliza o movimento riot grrrl, são L7, Runaways, Babes In Toyland, Sonic Youth e Nirvana. Em meados de 2003, Pryka Almeida (vocal) e Thais Regina (guitarra) começaram o grupo, que se estabilizou na formação atual em 2005, com Dailla Facchini no baixo e Vanessa Ribeiro na bateria. Em 2008, o quarteto entrou em hiato, voltando em 2014 e gravando 2 anos depois seu primeiro EP, “Roll”.

Neste ano lançaram mais um trabalho, “Manifest”, com sete músicas, iniciado com uma gravação no estúdio Family Mob durante o Converse Rubber Tracks e finalizado com uma nova gravação em um estúdio por canal realizada ao vivo e masterizadas por Hugo Silva. Agora, a banda prepara clipes para as músicas “Entertain You” e “Magazines” e a gravação de 5 outras músicas que já estão prontas. Conversei com a vocalista Pryka sobre a carreira da banda, sua ideologia, o disco “Manifest” e os planos para o futuro:

– Como começou a banda?

Por volta dos 13 anos, quando eu comecei minhas primeiras aulas de bateria, formei a banda Princesas Podres com colegas da escola e amigas do prédio, mas a banda não durou muito. Já começando a frequentar festivais e shows, queria muito montar uma banda que participasse dos rolês que eu curtia. Em 2003, juntamos um pessoal para fazer um som na Choque Cultural (que na época ainda estava virando a Choque Cultural. Ensaiávamos lá pois o Jotape, filho dos donos, tinha uma bateria) entre amigos, cada um tocando um instrumento, eu ainda na bateria, e mais ou menos alguns possíveis integrantes pra virar Lâmina. Nessa jam, em um momento assumi o microfone em alguma música do Bikini Kill, e eu nem nunca tinha cantado (risos). Mas todos insistiram que eu tinha que cantar também, porque a minha voz tinha tudo a ver com as músicas que queria fazer. Já tínhamos uma vocalista, então ficamos com duas, eu e a Livia. Daí nosso amigo Henrique assumiu a bateria. Tínhamos a Giuliana no baixo e Pedro e Renata nas guitarras. Uma big band (risos)!

– E de onde surgiu o nome Lâmina? Aliás, adorei o nome Princesas Podres!

Olha, não sei direito, viu (risos). Mas como eu estava atrás de nomes com a pegada punk, me veio Lâmina como algo que cortasse , que ferisse a sociedade sabe? Tipo mostrando as verdades (risos). E sim! Quem sabe um dia remonto uma banda com esse nome!

– Quais são as principais influências da Lâmina? (Além do Bikini Kill, que quase que foi a força propulsora, né.)

Sim, Bikini Kill foi o princípio de tudo (risos). Mas tem muito de Babes in Toyland, Lunachicks, L7, Runaways, Nirvana (que foi onde eu cheguei no Bikini Kill).

– Vocês já tem um trabalho lançado, é isso mesmo?

Isso, levou anos! Mas saiu finalmente nosso primeiro CD, “Manifest”.

– Me conta mais sobre ele!

Quando a banda voltou a se reunir em 2014, o intuito era gravar um CD, mas mil coisas rolaram e não conseguimos. Daí em 2016 conseguimos um dia de estúdio no Family Mob através da Converse Rubber Tracks. Como fazia parte da “promoção”, essa parte durou 1 dia de gravação, que nos rendeu 3 músicas: “My Air”, “How About” e “8 de Março”. Lançamos como o EP e corremos atrás pra gravar mais músicas para poder completar e fazer um CD. Daí só em abril desse ano conseguimos uma graninha pra fazer uma gravação que “cabia no nosso bolso” ao vivo e por canal. Gravamos mais 9 músicas, porém a qualidade que o estúdio nos entregou mixada não foi satisfatória, o que fez com que selecionássemos 4 músicas para o engenheiro musical Hugo Silva, da Family Mob, finalizar. Então tem mais 5 músicas aqui na gaveta pra assim que tivermos uma graninha extra finalizarmos.

– Opa! E o que pode adiantar sobre essas 5 músicas que ainda vão sair?

Temos 3 músicas antigas e 2 músicas que fizemos nesse nosso retorno. Mas elas são tocadas nos shows sempre.

– E como estão sendo os shows? Como está sendo a recepção desse trabalho?

Eu tive um imprevisto que foi quebrar o tornozelo, o que nos deixou de molho já tem 3 meses. Mas que também foram necessários pras meninas da banda que estão em trabalhos de conclusão de curso ou na correria de trampo de fim de ano. Como ainda não tô 100% estamos preferindo esperar um pouco… Porque não adianta, na hora da música a gente se empolga, pula… E pra quem quebrou tornozelo agora não é uma boa (risos). E nós mesmo não temos a proposta de fazer muitos shows quando voltamos, pois com os outros afazeres da vida, embola um pouco tudo. Deixamos o lançamento ser um tanto mais orgânico, mas está tendo um alcance bacana, as próprias meninas inseridas no riot grrrl nos ajudam a divulgar e isso vai fazendo o CD chegar pro nosso público.

– Como você vê essa ascensão conservadora e misógina que tem acontecido nos últimos tempos?

A gente fica chocada como as coisas não vão pra frente. Eu comecei com banda em 2003, tem bandas com integrantes mulheres que tão na estrada antes disso e que não pararam de tocar e ainda assim a gente sofre preconceito. O rock é mega machista, começando no rótulo de colocar mulher como groupie. Mas tamo aí sempre mostrando que a mulher pode ser protagonista da história e que a música não é esse bicho de 7 cabeças. É foda ser chamada pra evento e se tem banda de cara, ter que estudar as outras bandas e o público, porque a gente não quer ir em lugar pra passar raiva e ser a minoria que é apedrejada e sacaneada, sabe. Acho super válido tocar em festivais que não sejam só de minas, mas a gente sabe que tem rolês que pode ser que vá pra passar dor de cabeça.

Pryka Almeida, do Lâmina
foto: Bruno Dicolla

– Essa luta feminina na música permanece forte faz tempo. Dá pra ver que nos últimos tempos, mesmo com todo esse povo misógino, a luta tá sendo ganha cada vez mais, não? 🙂

Tá super! Hoje em dia temos muita banda com mulheres, uma super diversificada. Lá atrás, quando comecei, tinha bastante banda, mas sempre as mesmas. Hoje a gente faz festival e dá uma super diversificada no line up, isso é incrível. Muita menina tocando e aprendendo a tocar. Hoje em dia tem o Girls Rock Camp também, que faz esse movimento se fortalecer e tanto voluntárias quanto campistas se empoderarem.

– Quais os próximos passos da banda?

Nós estamos com 2 roteiros de vídeos mais ou menos prontos que gostaríamos de filmar e esse CDzinho que dá continuidade pra lançar, mas não temos nem prazo pra isso, tudo no papel ainda.

– Clipes do primeiro disco?

Isso! Tem dias músicas desse cd que tão com roteirinhos sendo trabalhados, a “Entertain You” e “Magazines”. Vamos ver se vai rolar sair do papel, né. Mas a ideia é que role!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Tem a Charlotte Matou Um Cara e In Venus que estão com CDs recém lançados. O The Biggs de Sorocaba que tá faz tempo na estrada, que faz um rockão maravilhoso. A Bloody Mary Una Chica Band, que toca sozinha bateria, guitarra e ainda canta. Katze Sound de Curitiba. Miêta de BH, que faz um rockão maravilhoso. Las Fantásticas Pupés da Argentina que faz um som psycho/garagem sensacional.
Ema Stoned que faz um som experimental incrível. Ah, tem a Weedra também, que é a junção da banda Wee com a Hidra, das antigas, e voltou a tocar após uns 10 anos parada. E tem muito mais (risos), então desculpa, que não ter banda com mulheres não existe!

Rock N’Nova 2017 vai sacudir o Shopping Estação, em BH, nos dias 14 e 15 de dezembro

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Unir boa música ao conforto e praticidade do teatro em um shopping center: essa é a proposta da segunda edição do Rock N’Nova. O festival acontece mais uma vez na Estação Cultural, localizado no Shopping Estação, região norte de Belo Horizonte. Este ano oito bandas se apresentam nos dias 14 e 15 de dezembro, a partir das 19h45.

A sonoridade vai agradar quem gosta de rock, pop rock, e música alternativa. Os grupos veteranos do festival, Sociedade Crua e Revolução, juntam-se aos estreantes no evento: Studio Zero, The Plus 09, Karbono, Mundo Virtual, Banda LIV e Jonathan Eler. Todas as bandas têm vínculos com a zona norte de Belo Horizonte, especialmente com a regional Venda Nova.

Os ingressos em breve estarão à venda no sympla e na bilheteria do local. Conheça mais do som das bandas que subirão ao palco:

Quinta, 14 de dezembro, 19h45
– StudioZero Ontheroad
– The plus09​
– Banda Karbono​
– Revolução​
Ingressos

https://www.sympla.com.br/rock-nnova-2017__205543

Sexta, 15 de dezembro, 19h45
– Banda LIV​
– Banda Sociedade Crua​
– Jonathan Eler​
– Banda Mundo Virtual​
Ingressos

https://www.sympla.com.br/rock-nnova-2017__205548

Veja um pouco do show da banda Revolução na edição 2016

O Estação Cultural tem a proposta de descentralizar o consumo de cultura na capital mineira e oferecer peças a baixo custo. A Campanha de Popularização do Teatro e da Dança desde 2015 é uma das atrações do teatro. Para garantir a qualidade das peças apresentadas, a produção artística do Estação Cultural é assinada pelo produtor e ator Thiago Comédia, um dos principais nomes do humor em Minas Gerais.

Festival Rock N’Nova 2017
Dias 14 e 15/12, a partir das 20h
Local: Shopping Estação: Av. Cristiano Machado, 11833 – Venda Nova,
Belo Horizonte. Estação Cultural (Piso L3 – em frente à Renner).
Classificação: Livre
Valor do Ingresso: R$10,00

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Ricardo Drago, da Mutante Radio

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Ricardo Drago (?)

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Ricardo Drago, o cabeça por trás da sensacional Mutante Rádio, onde o Crush em Hi-Fi e mais uma porrada de gente fina têm programas. Ouça! www.mutanteradio.com

Rodrigo Short“Lista Negra”
A gente lê e ouve tanta gente sendo chamado de mestre que é foda! Mas o Mestre Rodrigo Short não brinca: o cara produz, canta, rima, inventa. A velocidade do raciocínio não nasceu ontem! espero que ele saia  da Dalaranjaaocaos e voe muito alto. É rap, claro, mas é muito mais música bem feita do que um gênero musical! Apenas ouça essa canção com calma.

Vigárioz Crod Alien“SePoco”
Esses caras são foda! Você nunca sabe como será a próxima música, mas te garanto: será foda. Você nunca sabe quem vai cantar a próxima música, mas você tem certeza que você cantar junto. Vai dançar no beat, pirar nas mesmas viagens intergalaticamente mutantes que eles vão mandar. Não perca um evento com essa trupe muito perto de você! Só espero que eles não esperem a estrada chegar até aqui, construam a estrada!

Beer“Porque És Una Mierda”
Da grande e incrível cena de Curitiba que nunca parou e nunca pára. Esqueçam os rótulos, você ficará dias pra encontrar e ouvir tudo que esse produtor, músico e gênio criou e já disponibilizou no mundo. Em banda ou solo, produzindo ou viajando, vai atrás, ouve o cara e entenda… Desculpe, não precisa entender!

Derrota“Em Vão”
Instrumental, barulhento, intenso, cheio de guitarras. Podia ser só mais um banda instrumental, mas você vai ouvir de novo. Gravaram pouco, troca de formações sempre complicam a vida… Mas a força das canções compensa, nada impede a Derrota! E só porque são uma banda instrumental o único video disponibilizado tem um cantante! É a vida!

Eletro Doméstico“Reine Sobre Mim”
“Não Leve a Mal”, “Mil Músicas”, “Reine Sobre Mim”, “O Perdedor”, “Deixa Pra Trás”, “Garoto Perdido”, “Eu Tenho Todos os Dias”, “O Amor Manda Sinais”, “Eterna Canção”. Agora me conta: quantos artistas você conhece que tem uma fileira de hits assim, um atrás do outro? vai lá e ouve!